Alemães prontos para pagar a factura
4 Janeiro, 2011
O desemprego na Alemanha atingiu em 2010 o nível mais baixo dos últimos 19 anos. Mas alemães a trabalhar (e a pagar impostos) são, seguramente, boas notícias (já que não consta que os dados se devam apenas a mudanças metodológicas). À cautela, vai sendo tempo de começar a aprender alemão.
22 comentários
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Estou a ver o vosso atraso.
Foi no século passado que comecei a aprender alemão.
Muito naturalmente porque entrei numa empresa alemã.
O resto entrenha-se: objectividade, rigor, eficácia, um culto da qualidade.
Desculpem lá as picuinhas.
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“Desemprego na Alemanha subiu pela primeira vez em 17 meses”.
Será que o Carlos Loureiro ainda vai a tempo de aprender alemão e arranjar emprego?
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Eles que agradeçam ao Cavaco, que promoveu a destruição da indústria portuguesa (textil, naval, sapatos, pescas, agricultura) para que os alemães pudessem fazer as respectivas máquinas e exportá-las para os países em vias de desenvolvimento. Os alemães estão a surfar a globalização à custa dos países da periferia. Quem o diz não sou eu, é um insuspeito Mira Amaral, no livro “e depois da crise?”.
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Deixemos a “mercearia” em paz – é uma simples questão de ( não muito) tempo a Alemanha fechar o “guichet” .
A questão é a mesma de sempre – geopolítica.
E as consequências de Nov. 1989 tornaram-se, aceleradamente, mais visíveis com a implosão americana.
Para as coisas se tornarem definitivamente mais “interessantes” além Pirenéus,só falta Pequim fazer saber a Washington que a presença militar americana na “europa” não convém ao Império do Meio…
Voltarão os tempos do czar e da Prússia?…
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D,
Leu a notícia linkada? A frase entre aspas no seu comentário não está lá. Está no JNegócios, num texto não assinado com vários números que não aparecem em mais nenhuma fonte. Mas tem razão na sua observação e impõe-se uma clarificação no post: em 2010, o desemprego na Alemanha atingiu os valores mais baixos dos últimos 19 anos. Apesar disso, comparando os dados de Dezembro com os de Novembro, houve uma ligeira subida.
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Eles que agradeçam ao Cavaco … Os alemães estão a surfar a globalização à custa dos países da periferia.
Pois surfam, mas o agradecimento a Guterres e a Sócrates tem que ser pelo menos em quíntuplo, afinal a quem interessa tanta autoestrada e TGV’s senão aos principais fabricantes de automóveis e comboios de alta velocidade na Europa (Alemanha e França). E já agora submarinos, o Guterres queria comprar 3 aos franceses. E não se pense que só os submarinos alemães estão envolvidos em corrupção, os franceses também:
http://pakalert.wordpress.com/2009/06/29/german-submarines-french-bribes-and-pakistani-corruption/
Já para não falar no TGV, corrupção um pouco por todo o mundo, de vários fabricantes, de alemães (Siemens) aos franceses (Alston)
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Ou por acaso você não sabe como nasceu o TGV (AVE) em Espanha ?
Procure na Net por Caso AVE ou caso Filesa.
Caso Filesa
Fue un escándalo de financiación ilegal del PSOE a través de las empresas tapadera Filesa, Malesa y Time-Export, que entre 1988 y 1990 cobraron importantes cantidades de dinero en concepto de estudios de asesoramiento para destacados bancos y empresas de primera línea que nunca llegaron a realizarse.
Entre las personas vinculadas a estas operaciones se encontraban el diputado socialista por Barcelona, Carlos Navarro, y el responsable de finanzas del PSOE, Guillermo Galeote. De él derivó el “Caso Ave”, de cohecho y falsedad en relación con las supuestas comisiones ilegales obtenidas por la adjudicación del proyecto del tren de alta velocidad Madrid-Sevilla.
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Par hasard, ontem na tv, num filme ou série americana qualquer, escutei a expressão ‘beber que nem um alemão’
Isso será bom ou mau?
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Contava, a partir de NY, um cidadão americano com mãe portuguesa e pai alemão que tinha um grupo de amigos com os quais jantava todos os meses. Uma vez que a conta era dividida iguamlmente por todos, o cidadão era muito parcimonioso na escolha do prato, e quando lhe tocava escolher o vinho, tinha tedência para olhar o lado direito do menu, e eleger um vinho que não fosse muito caro. Com o tempo começou a ter fama de agarrado ao dinheiro e de não disfrutar de um bom prato e um excelente vinho. Mudou então de atitude, e começou a escolher os pratos mais exclusivos e caros e quando ele escolhia o vinho, abstinha-se de olhar para o preço. Tudo isto porque no fimal pagavam todos em parte iguais a conta apresentada. Concluia o cidadão que isto é
provalvemente o que os alemães irão fazer, e todos teremos que pagar, já que eles se fartaram.
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“Apesar disso, comparando os dados de Dezembro com os de Novembro, houve uma ligeira subida.”
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E apenas porque, em Dezembro, é normal o desemprego subir por questões sazonais. Mas este ano subiu um pouco acima das expectativas devido ao Inverno duro que recaiu sobre a Alemanha e arredores, que terá cortado cerca de 0,50% ao crescimento económico alemão.
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Mas no geral, a economia alemã está bastante forte. E não por causa do euro, como alguns pensam. (Aliás, o euro é sempre uma boa desculpa para as nossas ideias: serve para dizer que está fraco e a Alemanha exportar e forte para a periferia não o fazer, tal é a propaganda anglo-saxónica contra a Europa, para semear divisões.) A Alemanha, com as suas políticas de austeridade, veja-se lá bem como os factos contrariam a ideologia de muitos, afinal está a crescer muito por culpa da forte procura interna, devido à confiança dos agentes económicos num Estado menos endividado e com fortes perspectivas de resolver o défice orçamental a curto prazo. Além disso, as emissões de dívida soberana alemã foram muito abaixo do esperado, porque o défice caiu bastante.
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Alguns querem convencer-se que os problemas de Portugal se devem à competitividade da Alemanha, como se Portugal competisse muito directamente com eles, a fazer comboios, máquinas, carros, etc. Nada mais enganador. É certo que poderemos vir a competir com eles em cada vez mais produtos e até serviços, mas Portugal (e outros como Portugal, como a Espanha, por exemplo) tem problemas internos derivado de bolhas imobiliárias (Portugal teve um menos exuberante que a espanhola, mas também a teve), bolhas de consumo devido a taxas de juro baixas, que historicamente, há anos que não as tinham e gerou ainda problemas maiores.
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Um erro crasso ocorrido aconteceu na escolha da taxa de conversão do escudo para o euro, que foi mal negociado. Inclusivé havia quem lá fora dissesse que era um erro querer logo uma conversão destas, a 200,482 escudos por euro, pois Portugal não tinha tecido produtivo para tal conversão. Mas não. Em Portugal estavam dispostos a destruir o chamado tecido produtivo tradicional (como têxteis, calçado, etc.) para que as taxas de juro descessem mais rápidamente, para controlar a inflação interna. Acreditavam alguns que o Estado teria ganhos significativos com a entrada no euro a esta taxa de conversão através das taxas de juro mais baixas. O que veio a suceder mas para o Estado ainda engordar muito mais. A gestão do Guterres foi um grande desastre, desbaratando a forte queda nos custos de financiamento estatais e as privatizações, que deram receitas ao Estado muito acima do que algum dia darão os fundos comunitários.
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Hoje queixamo-nos do euro, porque não fomos capazes de competir mas na verdade a culpa foi nossa, que até contra a vontade de alguns lá fora, escolhemos uma taxa de conversão demasiado alta. O euro veio, foi demasiado forte para o tecido produtivo, incluindo o exportador. Não é por acaso que, com a chegada do Euro, a deslocalização de empresas estrangeiras foi um fenómeno de tal forma elevado, que grande parte do IDE industrial desapareceu. O tecido produtivo a Norte, exportador sobretudo, teve que ultrapassar: abertura dos mercados em sede da OMC; chegada do Leste à UE; acordo Euro-mediterrânico; acordo Euro mundo em desenvolvimento; forte subida dos preços das matérias-primas, em especial as energéticas; forte conversão do escudo para o euro; etc. E enquanto o Norte sofreu uma crise dramáticas, com apenas o sector da construção a amortecer o fecho das unidades produtivas, o sul gozou até com o falhanço do Norte. Até glosam que o Norte em vez de máquinas comprou ferraris, com os dinheiros comunitários, desconhecendo por completo os meandros do que se passou a Norte.
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A Alemanha sofreu uma crise parecida mas não com o euro. Escolheu bem a sua taxa de conversão. Ou seja, também sofreu as agruras de uma reestruturação forçada devido às mudanças na integração económica mundial a par de uma forte subida da carga fiscal para pagar a Reunificação. Portugal, em especial o Norte, sofreu tudo o que a Alemanha sofreu mais a parasitagem do Sul e de Lisboa (que foram os grandes beneficiados com a entrada no Euro que acabaram por desbaratar essas excelentes condições de partida) e uma taxa de conversão do escudo para o euro deliberadamente feita para fechar o tecido produtivo do Norte. Estes “inteligentes do sul” são os mesmos que preferem ver as famílias no desemprego a terem salários mais baixos, porque pensam que uma empresa que mal pode pagar um salário minimo, nem sequer devia existir. Mas falam assim porque vivem numa zona do país que sobrevive a parasitar precisamente o Norte e outras zonas do país, que não podem pagar muito mais que o salário minimo. Por causa da produtividade. Mas o sul está cheio de “inteligentes” ignorantes, que sabem sempre o que é melhor para o resto do país.
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É claro que a Alemanha, após quase 20 anos a reestruturar e reformar o seu tecido produtivo, sem bolhas imobiliárias nem endividamentos acima do desejável, pode agora mostrar que é capaz de combater chineses, indianos, brasileiros, etc. ao passo que Portugal não tem tecido produtivo para aguentar este nosso nível de consumo e endividamento. Os do sul agora queixam-se muito da Alemanha. É natural. Quem está habituado a viver da parasitagem, não gosta dos alemães, que não querem ser parasitados. E não são “solidários” com chulices alheias. lolololololololol
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“…Portugal, em especial o Norte, sofreu tudo o que a Alemanha sofreu mais a parasitagem do Sul e de Lisboa …”
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Tens razão, anti-comuna. Aqui no Sul e em Lisboa vivem muitos parasitas do Norte e do Porto.
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Os economistas Cavaco Silva, Antónios Borges, Victor Constâncio e muitos outros queriam uma moeda forte para que os juros fossem baixos, sem se importarem com a destruição da industria e agricultura portuguesa.
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A asneira da entrado no Euro ainda não foi assumida por essa malta, porque viveram sempre encostados ao estado e assim querem continuar.
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Este PSD não é por isso muito diferente da essência do PS.
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Pi-Erre, não andei consigo na escola para me tratar por tu. Se quiser insultar-me, está à vontade, mas faça-o com classe e não à moda carroceira das sopeiras de Alvalade.

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Seguindo para bingo.
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Hoje existe muito a ideia que a Alemanha está forte porque o euro é fraco. Mas será verdade? É que esta ideia, que está a crescer na Europa, porque a propaganda anglo-saxónica o faz constantemente, não passa pelo crivo dos factos. Basta atentar a um gráfico histórico da cotação eur dólar. (Antes de 1999, o ECU – cabaz de algumas moedas europeias, integradas no SME)
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Eis um gráfico do €uro-u$d, frequência trimestral, com um prazo temporal de 30 anos:
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Como se pode verificar, o euro está quase nos máximos dos últimos 30 anos. A um escassos 20% dos máximos de sempre, atingidos durante o crash financeiro americano, que se espalhou por todo o mundo.
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Por aqui se pode ver que o €uro não está fraco contra o dólar. Pelo contrário, está a ameaçar ultrapassar novos máximos, nos próximos trimestres, devido à fraqueza e debilidades internas do dólar. Dólar esse, cada vez mais ameaçado pelo €uro, pois o ouro não é e nunca mais será uma moeda.
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Ora, a Alemanha fez grandes reestruturações industriais e empresariais. E agora estão a dar frutos. Por isso eles exportam que se farta. Mas Portugal, veja-se lá bem a coisa, nem sequer política industrial tem! O último ministro da economia que tinha uma ideia mais ou menos correcta, sobre políticas industriais e económicas para Portugal, foi o Carlos Tavares. E isto após anos e anos, sem políticas industriais em Portugal, já que o último ministro da industria que tinha algum poder político foi o Mira Amaral, o tal dos PEDIPs, para ajudar no nosso tecido produtivo a enfrentar a abertura dos mercados europeus à produção exterior. De resto, em Portugal, não há politicas industriais nem económicas. Há algumas ideias, alguns remendos mas pouco mais. Aliás, em Portugal, medidas necessárias de desburocratização, leia-se, modernização do funcionamento do Estado, são apresentadas como políticas industriais, tal é o desnorte desta gente. Inepta, incompetente e ignorante.
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É claro que os do sul estão chateados. Após anos e anos a parasitar os outros, pensavam que a Alemanha iria sempre ser solidária, leia-se, manter parasitas de outros países. Se ele não gostam de manter parasitas alemães, muito menos parasitas de Lisboa e arredores- Todavia, os alemães não são parvos e sabem que, manter estes parasitas é a receita para o desastre. E, claro, os do sul, que terão que apertar o cinto, chiam. Pois chiam. E ainda irão chiar ainda mais, quando o FMI tiver que assentar arraiais em Lisboa.
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A verdade é esta. O Norte, neste momento, começa a ser a zona do país mais bem preparada para o que está a mudar no mundo. E já pagou a factura do Euro. Aliás, o Norte farta-se de pagar as facturas alheias. Mas agora, o euro é essencial para o Norte, pois o seu tecido produtivo, mais competitivo e com alguns predicados positivos para concorrer a nível mundial. E é essencial ter acesso a financiamentos externos a baixo preço, só possível no €uro. Porque o Norte tem agora que dar saltos na sua produtividade e para tal, precisa de investimentos de capital intensivo e o acesso a estes é crucial para dar novos saltos na sua estrutura produtiva. E o acesso a estes só é possível, repito, integrados no €uro.
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O Norte já pagou os custos da introdução do euro, ao passo que o sul os desbaratou. (Ainda hoje são desviadas verbas comunitárias destinadas ao Norte para Lisboa e arredores, tal é parasitagem desta capital parasita.) Então, o Norte o que precisa é que os do Sul se desenrasquem. Afinal, sair do euro nunca resolverá coisa nenhuma, pois afinal, não foi há muitos anos, com moeda própria, que Portugal recorreu ao FMI por duas vezes. Logo, o problema da más gestão interna não se resolver fugindo das suas responsabilidades, abandonando o euro ou atribuindo os nossos falhanços ao estranho. Ao estrangeiro. Ao judeu do momento: os alemães.
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Portanto, o sul que se desenrasque, pois o Norte está a o fazer, sem choradinhos, manifestações nem procurar fora as soluções que devem estar cá dentro. O Norte começa a obter os benefícios do seu esforço, logo, melhor ainda ter o euro, que poderá permitir alcançar maiores patamares no seu desenvolvimento industrial e empresarial. Aliás, é o sul que tem que ajustar o seu consumo à sua produtividade, ao passo que o Norte, os ganhos de produtividade apenas permitirão baixar precisamente algum forte endividamento particular, através dos ganhos salariais permitidos por maiores produtividades.
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No Norte trabalha-se, no sul parasita-se. Por isso, quanto mais depressa o Norte se tornar Independente, mais depressa as gentes do Norte conseguirão obter o nível de vida dos alemães. ehehehehehehehehh
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“Pi-Erre, não andei consigo na escola para me tratar por tu.”
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Olha pá, quando tu deixares de insultar as pessoas de Lisboa usando termos canalhas de ralé, de carroceiro, chamando-lhes parasitas e outras idiotices, então tratar-te-hei com mais respeito. Até lá, aguenta, pá!… Tens o que mereces.
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a teoria de que Lisboa vive à conta do Porto é científica, não fosse certificada por esse grande dirigente desportivo “penso eu de que”.
só gostava de saber onde, nesta teoria, fica Bragança, Évora, Portalegre, Marrazes, Cortegaça, Atouguia da Baleia ou Freixo de Espada à Cinta.
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a teoria de que Lisboa vive à conta do Porto é científica, não fosse certificada por esse grande dirigente desportivo “penso eu de que”.
só gostava de saber onde, nesta teoria, fica Bragança, Évora, Portalegre, Marrazes, Cortegaça, Atouguia da Baleia ou Freixo de Espada à Cinta.
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O que aprendemos com esta crise? Poucos, quase nada ou mesmo nenhum beneficio tiraram da experiência traumática desta crise. Crise essa, um credit crunch, relativamente rara nos vivos de hoje. Já poucos se lembram deste tipo de crises e a maior que aconteceu em países desenvolvidos foi o que se passou na Escandinávia, há cerca de 20 anos atrás. A crise sul-coreana pode-se dizer que aconteceu num país em desenvolvimento, mas de duvidosa creditação, se tivermos em conta que é um país mais desenvolvido que geralmente admitimos.
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Mas poucos aprenderam mesmo alguma coisa com esta crise. Então os líderes políticos portugueses, os nossos opinion makers e analistas económicos, parecem que apenas conseguem dizer em português o que lêm lá fora. Ou nos blogues da moda. Mas pouco aprenderam. Aliás, é raro ver alguém em Portugal que escreva sobre políticas industriais. Geralmente confundem políticas financeiras, em especial do Estado, com crises económicas. Como se fosse uma e a mesma coisa. Não o são.
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É por isso que poucos conseguem ver o que se está a passar no mundo. Com o próprio euro e até o que se passa em Portugal. Aliás, poucos foram em Portugal o que preveram o estoiro que estamos a viver. Poucos sequer conseguiram entender que tipo de crise ia vir ao mundo desenvolvido e as suas consequências em Portugal. Até bem recentemente, até se louvava as políticas do Sócrates, porque ele dizia que, pela primeira vez após o 25 de Avbril, Portugal tinha controlado as más finanças públicas. Tal como em 2000/1, em que de um ano para o outro, ficaram a nú as debilidades estruturais, não apenas da economia portuguesa como das finanças públicas. De um ano para o outro, para ganhar eleições, o défice passou da casa dos 2% para os 10%. Ainda me lembro, por alturas de Abril e Maio de 2009, ter escrito para aqui que iriamos ter um défice na casa dos 10% e alguns quase me chamavam louco. Preferiam acreditar nas patranhas da dupla horrível, Sócrates & Teixeira dos Santos, Lda. lololololololololol
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Este ano, já este ano, voltei a surpreender aqui quando previ que Portugal iria crescer acima das melhores expectativas, devido às exportações. Alguns até começaram a pensar que eu me tinha vendido à dupla exterminadora, l, Sócrates & Teixeira dos Santos, Lda. eheheheheeheheh Mas no entanto, Portugal cresceu acima do que a generalidade dos analistas previam. O governo, que não tem mérito nenhum neste surpreendente desempenho, claro, tentou aproveitar-se deste facto. Mas também em parte porque se faz má análise económica em Portugal. Na verdade, o que a maioria escreve em Portugal, não passa de recauchutagem do que lêm lá fora. Não são capazes de pensar pela cabeça própria e limitam-se a copiar algumas coisas que lêm. E quando alguém decide pensar pela sua própria cabeça, desata a inventar largo, porque procura adaptar a análise dos factos à sua ideologia. E escrevem bacoradas. Ainda me lembro do famoso “num mês esta crise desaparece” nos inicios da crise do subprime, dos egos insuflados de alguns académicos emigrados. ahhahhaahhahhah
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Mas como eu já o disse, há poucos em Portugal que pensem em industria e políticas industriais. E isto sucede por aderirem às modas alheias, em especial anglo-saxónicas. Modas essas, em que a monetarização das ideias económicas se consagrou e deu origem a esta crise sistémica. Em que se analisa o mundo por fenómenos quase puramente monetários. Desde há quase 20 anos que os USA e o UK quase só inovam na economia na chamada engenharia financeira. O fenómeno Black-Scholes, com nobeis atribuidos e tudo, tomou conta do pensamento anglo-saxónico, subalternizando as políticas industriais. As políticas económicas deram lugar a polítias financeiras. Grandes agregados económicos e seus fenómenos monetários.
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Claro que houve no mundo anglo-saxónico uma “nova economia”, como antes já a tinha havido, com resultados económicos desastrosos, claro. Na década de 60, por exemplo, altura que os circuitos integrados prometiam uma revolução económica. Revolução essa que aconteceu mas não nos moldes que eles pensavam. Os ciclos económicos, dados como mortos, sempre existiram e sempre existirão. Aí o Karl Marx foi um génio, ainda hoje pouco compreendido, pelo aproveitamento dos comunistas das suas teses.
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Há 10 anos atrás o mundo viveu também o fim de uma bolha espantosa, devido ao optimismo da tal “nova economia”. De 1995 a 2000, o mundo viveu um optimismo espantoso. Que deu na famosa bolha dot.com. Nessa altura, qualquer programador de informática, com jeito para o marketing e faro para o negócio, conseguia dinheiro a rodos, devido às mirabolantes promessas. E vendiam em bolsa empresas que não valiam um chavo, nem sequer o dominio que eram proprietários. Muitos foram os carneiros que cairam nessa euforia. A carneirada é dada a euforias e depressões. Mas essa euforia das “novas tecnologias” não se baseava em políticas industriais mas antes num cluster empresarial nascido em Silicon Valley, não replicável (apesar de algumas coisas surgidas em Inglaterra, ligadas a algumas universidades de prestígio), nascido quase por acaso. Hoje a revolução digital está a fazer o seu caminho mas o Silicon Valley vive uma crise sem precedentes, devido à falta de um pensamento na área das políticas industriais.
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Em Portugal também havia uma ideia perversa semelhante. Se recuarmos no passado, o Guterres não tinha uma política económica e industrial bem definida. Como o PS não é capaz de pensar em políticas industriais, vive sempre de modas. Na altura, os governos do Guterres, fruto da primeira grande crise portuguesa integrados na agora UE, então CEE, tinham duas ideias para o país: mercado social de emprego e, depois vindo do exterior, a moda das novas tecnologias (telemóveis, computadores e Educação – altura que estava na moda as ideias do Paul Romer, que recriava as ideias do Schultz). O mercado social de emprego do Guterres ainda hoje faz escola no PS. Que é criar empregos no Estado porque o sector privado é incapaz de o fazer.
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Mas em termos internacionais, durante a fase da monetarização do pensamento económico, fruto sobretudo das inovações em engenharia financeira, houve dois grandes polos no exercicio das políticas económicas. O modelo anglo-saxónico (que Portugal adoptou, excepto com Carlos Tavares, que se inspirou muito nos modelos asiáticos, em especial no japonês) e o modelo continental europeu (embora a França, mais por motivos estatistas).
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O modelo anglo-saxónico, apesar da aparente força que denotava, mais fruto da tal engenharia financeira permitida pela desinflação, em especial no ciclo de preços das matérias-primas, do que por méritos próprios, venceu em termos ideológicos. A desregulação dos mercados e a crença parva que os mercados se auto-regulam foram o expoente máximo deste fenómeno da monetarização da economia americana e inglesa. Nessa altura, altura em que o Greenspan acreditava também nesta ideia, que os mercados se auto-regulam e devem ser deixados em paz pelas autoridades públicas. Greenspan foi o governador de um banco central que mais acreditava nos mercados livres e independentes do poder político. No entanto, apesar de hoje reconhecer o erro, a sua face “randiana” levou-o no entanto a ceder aos interesses dos seus maiores accionistas: bancos que dominam o capital da Reserva Federal.
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Na Europa, como abrimos as nossas fronteiras ao exterior, engrandecemos ainda mais a UE (hoje já somos mais que Japão e USA juntos), criamos uma moeda única e sofremos a maior revolução económica das nossas vidas. Isto em menos de 20 anos. Em 1991 a Alemanha obtém o acordo europeu para a sua Reunificação mas cede na sua soberania ao aderir a uma moeda única. Nos dois processos, a Alemanha sofreu uma crise de todo o tamanho. Não tanto pelo euro mas sobretudo os custos da sua Reunificação, em que o marco do leste veio valer tanto como um marco do oeste e mais tarde, plenamente integrado no euro. Os custos da Reunificação foram de tal ordem elevados, que a carga fiscal dos alemães sofreu uma subida de 2/3% em menos de 15 anos! Algo a que eles não estavam habituados. Sem falar no enorme desperdicio de dinheiros, que foram enormemente aplicados no Leste, sem os resultados desejados. Não se mudam mentalidades por decreto e, ainda hoje, os alemães de leste são “diferentes”, em termos de mentalidade, dos ocidentais.
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E, ao passo que a Europa vivia uma crise enorme, que os ingleses e americanos gozavam, apelidando de euroesclerose. Os ingleses e americanos, vivendo uma política monetária sem precedentes, mas com elevados défices da sua balança comercial, viviam felizes por gozarem com os europeus, em especial os “gordos e socialistas alemães”. Enquanto os americanos apostaram no consumo interno, ao mesmo tempo que faziam outsourcing das suas actividades industriais, os europeus, em especial alemães, fizeram-no menos e não apostaram deliberadamente no consumo inerno para fugir da crise. E não criaram bolhas, seja nas novas tecnologias (apesar de terem até criado um chamado segundo mercado bolsista para as ditas dot-com e demais tecnologias), na imobiliária ou até no consumo e endividamento. E aplicaram políticas industriais, um bocado como a França o fez após o fim da Segunda Guerra Mundial.
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As politicas industriais alemãs não traziam os resultados imediatos que ingleses e americanos tanto desesperam. Pelo contrário, estas politicas industriais produzem muito desemprego, que é atenuado com políticas económicas que se podem apelidar de keynesianas, mas não no sentido da ideologia anglo-saxónica. Claro que, ingleses e americanos, embriagados pelo acesso ao crédito fácil, apelidaram estas políticas económicas alemãs de socialistas. E que, por serem socialistas, não traziam resultados desejados. E por isso, riam-se americanos e ingleses dos gordos idiotas alemães.
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Mas a Alemanha tem políticas industriais. E isso fez toda a diferença. Enquanto as cigarras iam vivendo do crédito fácil e do endividamento (como o sul da Europa), as formigas alemãs iam reestruturando o seu tecido produtivo e até parte do seu Estado Social. Lentamente, sem grandes alaridos, sem grandes promessas, os alemães foram modernizando e adaptando o seu tecido produtivo aos desafios do futuro. Eles não privilegiaram determinados sectores económicos em detrimento de outros, como se fez em Portugal. Eles, tal como o Buffett fazia nos seus investimentos bolsistas, sabiam que não há sectores melhores que outros, mas empresas melhores que outras. E enquanto ingleses e americanos julgavam dominar as industrias do futuro, como a informática e software, na Alemanha, já há cerca de 10 anos atrás, eles já exportavam mais do que importavam esse tipo de produtos e serviços. A SAP tinha dado lugar a complexos industriais desaparecidos, como a Nixdorf. Mas poucos punham os olhos a este fenómeno: a Alemanha tinha alguns campeões nas dias novas industrias do futuro. E até exportava mais produtos de alta tecnologia do que importava. E isto há cerca de 10 anos atrás. Mas ninguém associava a Alemanha a produtos de alta tecnologia, apenas USA e UK.
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A questão é esta. A Alemanha apostou em tudo. Tudo mesmo. Tanto em complexos industriais das ditas industriais tradicionais como de alta tecnologia. É verdade que não dominava produtos ditos mais importantes, como industria aeronáutica ou tecnologia de informação, mas toda a sua industria foi submetida a processos dolorosos de reestruturação. Ou seja, em vez de apostar no que é vistoso, apostaram em todo o tipo de produtos e serviços que pudessem competir. Seja ele a vender colchões ortopédicos, camas de hospitais, máquinas de tomografia, comboios, carros, software ou até mesmo fios sintéticos. Em Portugal, ao invés, sacrificou-se o tecido produtivo nacional na esperança vã de criar novos sectores económicos. Como se eles fossem criados do nada ou sob a batuta do Estado. Tirando o Carlos Tavares, que sabia que uma Hyundai tinha origem numa fábrica de alfinetes, uma Samsung numa fábrica de açúcar.
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Quando o Japão entra na dita crise pós-bolha da década de 80, o modelo anglo-saxónico sente-se o dono do mundo. Afinal, o receio do poderio japonês deu lugar à derrota do competidor nipónico, que cedeu na manipulação da sua taxa de câmbio, contribuindo para o colapso da sua economia. Americanos sentiram que a entrada dos japoneses nos estúdios americanos foi apenas o zénite de um competidor forte, que cedeu economicamente. E americanos e ingleses convenceram-se que detinham o melhor modelo económico do mundo. No entanto, mesmo a crise sul-koreana foi superada facilmente quando não deram ouvidos aos americanos e conseguiram dar mais um salto económico enorme. Ao contrário, japoneses deram ouvidos aos americanos e, ainda hoje, estão a sofrer bastante para sair da crise, embora estejam cada vez mais próximos de o fazer, do que julga o mundo.
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Enquanto americanos e ingleses festejavam um sucesso enganador, mais baseado no consumo e endividamento, para favorecer sobretudo a tal monetarização da economia americana (o chamado FIRE), na Alemanha eles sabiam que são as empresas que fazem um país competitivo, não manipulações económicas e monetárias. E eles não cairam nos erros dos japoneses nem cederam às críticas da propaganda anglo-saxónica. Continuaram a reestruturar a sua economia, mesmo com líderes políticos fracos, como o Schroeder, mas a Alemanha é um Estado Federal, com bastantes go0vernos e ministros. E um país em que acreditam que é preciso produzir e trabalhar para subir o nível de vida das populações e que o crédito fácil não é nem sempre foi a solução. (Basta ver o nível das taxas de juro do marco na década de 80, para entender a filosofia germânica.)
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Mas hoje, com a crise derivada do crédito fácil e o respectivo credit crunch, a Alemanha surge como a grande potência vencedora. Americanos e ingleses continuam a monetarizar as suas economias (eles acreditam mesmo que iludindo os mercados podem alterar as suas estruturas económicas, uma espécie de sucedâneo da teoria da reflexividade do Soros), continuam a apostar no consumo como alavanca do crescimento económico. Os alemães pensam o contrário. Deve-se consumir baseando em salários que devem crescer de acordo com a sua produtividade. Mas como a crise foi enorme, até os ganhos de produtividade foram repartidos entre empresas e Estado. Mas isso permitiu enfrentar os custos da Reunificação e solidificar o tecido produtivo alemão. Hoje, mesmo com um euro perto dos máximos de sempre, a Alemanha é sinónimo de produto de alta qualidade, que exporta para todo o lado. Independentemente até das conjunturas cambiais de curto prazo.
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Em Portugal copiamos parte do que se fez no mundo anglo-saxónico. E isso teve custos elevados, um crescimento anormal do endividamento e sem ganhos de produtividade visiveis. Hoje é raro ler-se qualquer coisa sobre a economia portuguesa que envolva um pensamento industrial. Hoje pede-se exportações mas não se sabe o que fazer para aumentar essas exportações. No fundo, o pensamento português é fraco e baseia-se nos mesmos erros de ingleses e americanos. Por isso, poucos compreendem o sucesso alemão. Pensam que eles, alemães, são como os portugueses: só vence quem é batoteiro. (Aliás, algo que agora espelha o sistema plutocrata americano!) Mas, no entanto…
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“Olha pá, quando tu deixares de insultar as pessoas de Lisboa usando termos canalhas de ralé, de carroceiro, chamando-lhes parasitas e outras idiotices, então tratar-te-hei com mais respeito. ”
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Mais um sulista que enfiou o barrete. lolololololol
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Como se diz por aí: Aguça!
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E Vc. ainda não viu a missa a metade. Porque, é preciso, de uma vez por todas, dizer a verdade: Lisboa vive e sempre viveu da parasitagem alheia. Antes as colónias agora o resto do país. E os do sul que não se revêm no que aí se passa, que se revoltem. Que é o que os nortenhos devem fazer. E antes que seja tarde, porque já chega de parasitas em Portugal. hehehehhehe
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Anti-comuna,
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É sempre um gosto ler as suas análises.
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E enquanto o desemprego na liberal/direita Alemanha ronda os 7%, o desemprego na socialista Espanha continua a aumentar – eles até já nem dizem quanto, mas deve estar à volta de 22%!!!!! É para lá que o socialista Portugal caminha. Viva o socialismo!
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“Eles que agradeçam ao Cavaco, que promoveu a destruição da indústria portuguesa (textil, naval, sapatos, pescas, agricultura) para que os alemães pudessem fazer as respectivas máquinas e exportá-las para os países em vias de desenvolvimento. ”
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É preciso ser burro. Expliquer lá como é que uma industria é destruída? Se alguém abandona uma industria por uns meros subsídios é porque não vale nada.
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Os alemães estão a surfar a globalização à custa dos países da periferia. Quem o diz não sou eu, é um insuspeito Mira Amaral, no livro “e depois da crise?”.”
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Resumindo, se investem em Portugal exploram os Portugueses. E se não investem em Portugal também exploram os Portugueses. Social democratas analfabetos…
Os Alemães estão bem porque os seus produtos são bons e aceites nos Países que crescem. Ou seja fora da Europa. As Empresas Alemãs já investem mais na Ásia que em toda a Europa.
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Para o Comunismo, Socialismo, Catolicismo, Fascismo Português a Economia é tirar Cursos. Para toda a gente fora desse Arco da Vaidade a Economia são produtos e serviços que as pessoas queiram.
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Azar oseu.
Ich spreche Deutsch, wann Ich ein kin war Ich habe fünf Jahre in eine Deutsce Schule gesetudiert.
Meine Mutter spricht ganz gut Deutch, selbe.
Ach so… (verdammt noch mal)
🙂
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