Patriotismo, sociedade aberta e ilusão de sucesso
Esta crise da dívida tem revelado a faceta pacóvia do nosso patriotismo. Ao que parece, os responsáveis políticos não podem afirmar em público que Portugal está falido porque isso seria fazer o jogo dos especuladores. Ou seja, mesmo que todos os portugueses reconheçam que Portugal está falido, há quem acredite que esse segredo pode ser escondido aos mercados se ficarmos todos caladinhos. De acordo com esta tese, Portugal só se safa se o debate aberto for suprimido.
Este patriotismo bacoco gera um país de alucinados e iludidos. Como dizer que Portugal está falido é anti-patriótico, essa posição acaba por ficar sub-representada no debate interno. Prevalecem as ideias dos que dizem que está tudo bem, que as emissões de dívida foram um sucesso e que o défice até baixou. Por isso, se quer saber o que realmente se passa com a dívida portuguesa, ignore os jornais portugueses.

“…um país de alucinados e iludidos…” – não sei se é causa ou consequência, ou ambas, o que seria ainda mais perturbador. Chegados a esse nível de perturbação da identidade colectiva, julgo que só com choques eléctricos é que o povo irá acordar. Esta dormência acéfala, este varrer para baixo do tapete, colocando as virgens no altar e maquilhando-as, levar-nos-à a males piores, mais cedo ou mais tarde.
Uma coisa é certa, este país, ou o circo dinâmico da política e dos media, provoca-me um sentimento geral de repugnância pela artimanha política e pela qualidade medíocre da informação (do governo, do estado, das supostas elites, ou ainda de alguns media). Como tenho elevada reacção alérgica a estes factores alergénicos, tento a todo o custo sair deste país. Anti-patriótico? Muito pelo contrário! Não querem mais um alucinado por aqui, pois não?
GostarGostar
E leio os do país vizinho, tipo o EP?
Oh João, se nós recusámos o plano Marshal que era à borla…..
GostarGostar
João, é tudo lavagem cerebral da esquerda, como sempre. E como sempre o Zé Povinho vai ficar a pensar que foi um grande feito, sem perceber o preço que pagou. A esquerda deve estar toda contente porque Sócrates vai trazer dinheiro fresquinho para finalmente começar a construir o TGV. O anúncio deve estar para breve.
GostarGostar
Pois, o problema são os mauzões dos anglo-saxónicos, que gozam connosco. A manchete do Economist, meu Deus, é um “crime”! Como se os ingleses não fizessem o mesmo com toda a gente, ou não fosse a imprensa deles a mais mordaz. Haja pachorra. Para começar, os portugueses nem se dão ao respeito, como é que depois ficam enxofrados por causa do que os outros dizem de nós? Desde políticos passando por jornalistas (e atenção que a imprensa estrangeira já deu pelo que cá se publica) pouco se aproveita. Como pode deixar de se achar ridícula a reacção de “triunfo” dos socialistas e de toda a esquerda, e a propaganda dos media? Os entrangeiros riem-se até porque não é com eles, mas os portugueses é que deviam sentir-se ultrajados com isto tudo. A única coisa que aconteceu foi que Portugal ainda não declarou a falência. O resto é conversa.
GostarGostar
Pelos vistos é um triunfo o Estado endividarmo-nos – e aos filhos e netos – mais.
Uma classe político-jornalista completamente louca.
GostarGostar
Patriotismo vindo da parte do Governo Sócrates? Sim se considerarmos que patriotismo é brandar o seu portuguesismo de dois em dois anos, nos meses de Junho e Julho.
Para Sócrates, Portugal e o PS são nomes que ele utiliza só quando está à rasca. Não repararam uma coisa? Há pouco mais de um ano viamos o engenheiro em tudo que era manifestação, jantar, comício etc. do PS, quando até ali, com a protecção da maioria absoluta, só o viamo em jantares e recepções em Bruxelas ou Madrid. Súbitamente que ele se aprecebeu que a sua gestão do país foi uma catástrofe, que a sua liderança já não é legitimada pelos seus parceiros europeus, lá vem ele a brandar a grandeza da Pátria.
Cada vez que Sócrates se apropria uma instituição podemos estar certo que ela vai à frente de graves problemas, quiça de desaparecer.
GostarGostar
O João Miranda não é patriota, (é daqueles que diz que se pode vender um país porque o dinheiro não tem pátria), e critica os outros por não o serem?
GostarGostar
A cobertura mediatica feita a Socrates e ao PS nos ultimos dias é uma ignominia.
Foi com este metodo, apurado de 2005 para cá que chegàmos onde estamos. É proibido contradizer o sr 1º ministro.
Os jornalistas que circulam na estratosfera socretina, devem pensar que escapam quando isto for tudo pró buraco. Mas não escapam.
GostarGostar
Acho espantoso este conjunto de comentários! Saltam todos por cima do essencial.
Portugal não está nem deixa de estar falido, está é metido numa organização, União Europeia, que se meteu numa interessante experiência de economia recreativa (o Euro) e agora que ela está a estoirar, não sabe como sair dela!
Grécia, Irlanda que até há dois anos era o bom exemplo, Espanha que também até há dois anos era um bom exemplo, Bélgica, Holanda, Itália, etc. estão com a corda ao pescoço e, há por cá quem, tenha a lata de dizer que a culpa é toda do Sócrates?
O Sócrates é culpado por não ter levantado no problema do Euro e dos diversos PEC’s há mais de quatro anos quando chegou ao poder, devia ter falado grosso em Bruxelas mas não o fez, antes pelo contrário, meteu o rabinho entre as pernas e desperdiçou a Presidência Portuguesa a resolver os problemas dos outros, isto é, a parir cá para fora o Tratado de Lisboa!
É inadmissível que muitos utilizem estes problemas para correr com o Sócrates não se importando de, no meio da confusão prejudicarem o país e os seus cidadãos adiando a verdadeira resolução dos seus problemas.
By the way… aqui ainda há pouco tempo a Islândia tinha falido, a situação era terrível, etc., etc.-
Agora já ninguém fala da Islândia. E porquê? Porque, ao contrário da Irlanda, não pertence à UE e até tem moeda própria.
Resultado, voltou aos níveis de 2003 mas já está vem franca recuperação, o desemprego está em queda, o PIB a subir, etc.
Claro que agora umas férias em Nova Iorque ou em Oslo custam a um islandês o dobro do que custavam há dois anos mas, que importa, já estão a sair do túnel enquanto que Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha, etc., nem sequer conseguem ver a tal luz ao fim do túnel…
GostarGostar
“…desperdiçou a Presidência Portuguesa a resolver os problemas dos outros, isto é, a parir cá para fora o Tratado de Lisboa!
É inadmissível que muitos utilizem estes problemas para correr com o Sócrates não se importando de, no meio da confusão prejudicarem o país e os seus cidadãos adiando a verdadeira resolução dos seus problemas.”
Exactamente. Foi um vendido que usou o Estado português para avançar com a agenda e interesses dos outros, e ainda foi de uma má educação tal, que virou os países de Leste contra Portugal, tal a sofreguidão em ser testa-de-ferro dos alemães. Agora explique, porque não percebi, em que é que correr com ele prejudica o país e os seus interesses. Só isso não chega, mas TEM de se começar por aí.
GostarGostar
O mais curioso é a afirmação, repetida vezes sem conta por Sócrates & Cia. que não precisamos de “ajuda externa”, isto quando só estamos hoje a sobreviver à tona da água à custa precisamente da “ajuda externa” do BCE… sem o BCE a comprar títulos e a financiar os nossos bancos alguém tem dúvidas que já teríamos chamado o FMI?
PS: Agora está na moda criticar o Euro e que afinal somos vítimas, mas parece-se esquecer que foi o mesmíssimo Euro que nos deu as taxas de juros baixas (a que nunca teríamos acesso) para podermo-nos alegremente endividarmo-nos (em vez de crescer) todos estes anos.
GostarGostar
“Grécia, Irlanda que até há dois anos era o bom exemplo, Espanha que também até há dois anos era um bom exemplo, Bélgica, Holanda, Itália, etc. estão com a corda ao pescoço e, há por cá quem, tenha a lata de dizer que a culpa é toda do Sócrates?”
.
Com crédito fácil e barato só os loucos dos comunistas não são “bom exemplo”.
Portugal endividou-se porque quis – os seus Governantes, os seus Jornalistas quiseram e o seu Povo ou quis ou esteve-se nas tintas. E conseguiu o extraordinário feito de ter défices de 4% quando as receitas nunca tinham sido maiores num topo de uma bolha do crédito.
.
Um tipo pode fazer de rico com muito crédito e foi isso que Portugal e a Grécia fizeram. O caso da Irlanda é diferente em escala porque eles chegaram a ter taxas de juro negativas.
.
Agora para demonstrar a ignorância vigente a elite político-mediática está contente por cada português ter ficada mais endividado mais de 100 Euros e a pagar 6% a cada ano. Ou seja ontem uma família de 4 passou a dever mais de 400 euros mais os juros. E estão todos contentes.
GostarGostar
1250 milhões a 6,7%, dão ao fim de 10 anos, 2500 milhões de reembolso (juros + capital)!!!!
Foi uma vitória histórica, para gente que não sabe fazer contas.
GostarGostar
Quem pôs várias vezes Portugal na miséria foi a «direita».
Ainda me lembro da bancarrota Balsemão depois de dois «magos das finanças», o Cavaco e o Salgueiro terem sido ministros das finanças da AD….
GostarGostar
Sim a Direita Sociallista tem ajudado. Veja-se Manuela Ferreira Leite e Passos a darem de presente a Sócrates muitos milhões do dinheiro dos Portugueses incluíndo os que não nasceram ainda…
GostarGostar
” Ou seja ontem uma família de 4 passou a dever mais de 400 euros mais os juros. E estão todos contentes.”
E dia 23 vão votar mais do mesmo, nem que seja porque é um voto “útil” !
Grande utilidade estar cada vez mais individado, para benefício de uns quantos… !
GostarGostar
JoaoMiranda, Mais uma vez, estamos completamente de acordo. Nós sabemos o miserável estado a que Portugal chegou. Quem liga à imprensa local corre sério risco de ser enganado.
Não só pouca gente tem perfeita noção do que se passa – a bancarrota – como os socialistas pagam o que for preciso para seguir a voz mentirosa de quem elegeram como dono – Sócrates.
GostarGostar
O Raio: «Grécia, Irlanda que até há dois anos era o bom exemplo, Espanha que também até há dois anos era um bom exemplo»
Exactamente a que tipo de exemplo o cavalheiro se refere no caso da Grécia? A mentir nas contas? A atribuir um 14º mês de subsídio? A fechar os olhos ao dinheiro por baixo da mesa? À fuga fiscal?
Não entendo…
R.
GostarGostar