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Parlamento com 180 deputados (II)

3 Fevereiro, 2011

Se o o número de deputados fosse reduzido para 180, a composição do Parlamento seria diferente em vários aspectos. O quadro seguinte compara o número de deputados de cada partido, de acordo com os resultados das últimas legislativas e assinala a respectiva variação:

Duas constatações óbvias:  CDS e PCP seriam os partidos mais afectados, perdendo mais de um quarto dos seus deputados, sendo o Bloco o menos prejudicado. O Bloco conseguiria, aliás, formar maioria com o PS, o que actualmente não sucede. A representação da “direita” no Parlamento seria também prejudicada, já que os dois partidos sofreriam (proporcionalmente) mais do que o conjunto da esquerda. Na verdade, as perdas dos PSD só não são maiores, no quadro, por causa do círculo da emigração, não afectado pela redução, no cenário usado para o cálculo.

No entanto, como é sabido, o método de Hondt tende a favorecer os partidos mais votados, efeito que é aumentado pelo reduzido número de mandatos atribuído em alguns círculos. No entanto, no actual parlamento, os partidos pequenos foram afectados de forma desigual por tal efeito (mais o Bloco do que o CDS, por exemplo). No quadro seguinte, compara-se a actual composição do parlamento com a que o mesmo teria – sempre de acordo com os resultados de 2009 – se houvesse um único círculo nacional (CUN) com 230 deputados:


Num parlamento com 180 deputados, com os actuais círculos, a sub-representação dos partidos menos votados seria agravada para todos, excepto para o Bloco, actualmente sub-representado (menos 5 deputados que o CDS e apenas menos 0,61% dos votos e apenas mais um do que o PCP, apesar de mais 1,96% na votação). Mas essa sub-representação, mais do que uma consequência do número total de deputados, resulta da existência de muitos círculos eleitorais com um número muito reduzido de mandatos.

Por último, um quadro com a variação de mandatos por círculo eleitoral e por partido (considerando ainda os resultados das legislativas de 2009) que resultaria da redução de 230 para 180 deputados. A bold estão os casos em que há redução de mandatos.

 

13 comentários leave one →
  1. James's avatar
    3 Fevereiro, 2011 14:17

    Se quiserem que eu recupere o meu cartão de eleitor têm que me mostrar em quem estou a perder o meu rico tempo.
    Doutra maneira, proporcional ou o inverso, danem-se.
    😦

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  2. Caramelo's avatar
    Caramelo permalink
    3 Fevereiro, 2011 14:20

    Redução já!!! Para 100 e já são demais!!! E em Itália, como seria? São quase mil lá!

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  3. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    3 Fevereiro, 2011 15:23

    Caramelo,
    .
    Redução JÁ. Para nenhum, e já são demais! Para quê essa história de representatividade parlamentar, se eles apenas se representam a si mesmos e aos seus partidos (e por esta ordem)?
    .
    Ditadura JÁ. Um ditador iluminado, como o nosso saudoso Oliveira Salazar, é o que faz cá falta! Parlamento para quê, se de palavras vãs estamos todos cheios? Vão é todos cavar batatas!
    .
    Invadir Timor, Angola, Guiné, Cabo Verde, Moçambique, Malaca, Goa, Damão, Diu, Macau, Olivença, São João da Mina, a Ilha de Fernando Pau e todo o solo pátrio perdido. Não esquecer o Brasil, que é português por direito e obrigação histórica! (Eles, os então ex-brasileiros, depois invadem as guienas e o Suriname para que regressem ao domínio pátrio).

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  4. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    3 Fevereiro, 2011 15:34

    Depois do merecido sarcasmo, vejam onde estão as despesas da AR. Não estão nos deputados, estão no pesado funcionalismo, acessorismo e tachismo que à volta deles reina.
    .
    O deputedo (erro intencional) é um corpo inteiro, ou devia ser, capaz de representar a Nação. Assim sendo, por que carga de água são necessários acessores que 1) não elegi, 2) pago a peso de ouro e 3) normalemente são umas abébias cuja única qualificação (suficiente e neessária para o efeito) é um laço directo ou ligeiramento indirecto de parentesco com um dos deputados do corpo parlamentar?
    .
    Santa paciência!, se os deputados não têm talento ou conhecimentos técnicos para representar a Nação, é porque são escolhidos pelas nomeações das direcções partidárias. E o problema está nos partidos, não no sistema parlamentar. Deixem-me, pois, escolher o meu representante NOMINALMENTE, que assim me responsabilizo pela minha escolha.
    .
    Em suma, subir o número de deputados para 250, dizer-lhes para pagar o acessor do seu próprio pecúnio, e haver no máximo uma administrativa para cada dez deputados (cinco, se quiserem) é cura para a gastite aguda (erro intencional) da sanguessuga parlamentária. Melhoramos a representatividade (palavrão horrível) da câmara e não tínhamos de aguentar as notícias de mais uma filha de (passado!) presidente da Assembléia como acessora do mesmo.
    .
    O mesmo para ministrecos, salvo Primeiro-Ministro. Acessores externos são praga de locustas. Se querem acessores, que os paguem eles ou os partidos políticos, não o Tesouro.

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  5. quim da loja's avatar
    quim da loja permalink
    3 Fevereiro, 2011 17:35

    É gira, esta lógica de que reduzindo o número de deputados se prejudicam os pequenos partidos… ora, sendo assim e para que se atinja o seu contrário – a máxima justeza aritmética da coisa, há que aumentar aquele número até ao infinito… até que tal seja atingido. Eu, que mal sei a tabuada e para facilitar as contas, sei lá, sugeriria que se aumentasse as suas (não) presenças até aí uns mil (1000). Isso mesmo, um número redondinho para fáceis contas de cabeça… já agora, se é isso o que mais conta. Porque não?!…
    Considerando “a crise” que se vê (não necessariamente por aquelas bandas), é uma maneira de fomentar o emprego, ao seu mais alto nível, ainda que pelas constantes queixas e lamentos dos já lá residentes, estou em crer que iríamos ter as maiores dificuldades para preencher estas adicionais 770 cadeiras “lazy boy”… é que o trabalho de deputado, além de estafante, stressante e de imenso risco, é muito mal remunerado… as instalações são péssimas e não se pode fumar (pode-se dormir, isso sim!) a cantina funciona mal, tudo ali é carunchoso, a climatização é do piorio – não aquece nem arrefece (só comparável às de muitas escolas, neste jardim ainda plantadas), não tem sistema informático/rede NET capaz de, no mínimo, consulta das “garinas in standby”.. portanto, “jobs” muito pouco apelativos.
    Também e ainda, com a desvantagem de não poderem usufruir da “fantástica oportunidade” de inscrição no IEFP, aquando do seu futuro despedimento… (pelo menos e até hoje, não soube de nenhum, destes e outros desta “comandita”, que por lá tenham passado, apesar das muitas e grosseiras asneiras por si produzidas.
    Aposto que esta minha sugestão não vai funcionar, porque não haverá, de certeza, qualquer candidato para tal “calvário”…
    Ah… este número não inclui, nem a Madeira nem os Açores. Assim, pelo seu isolamento, dificuldade de comunicações (físicas e não só), excesso de água, etc., etc… eu diria que deveríamos providenciar aí com mais uns quinhentos (500) cadeirões, 200 p´ra Madeira e 300 p´ros Açores (aqui tem de ser um pouquito mais, porque se ganha melhor)… tudo, mas tudo a favor dos nossos “atletas parlamentares”, não nos poupemos a esforços para benefício destes nossos sacrificadíssimos compatriotas…!!!!
    VIVA PORTUGAL! Sempre, mesmo que em cuecas… (ou, até, sem elas)

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  6. Trinta e três's avatar
    3 Fevereiro, 2011 18:22

    É curioso muitos reconhecerem não haver qualquer representatividade por círculo eleitoral e ninguém defender o círculo único. Ora façam lá as contas…

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  7. Carlos Dias's avatar
    Carlos Dias permalink
    3 Fevereiro, 2011 19:03

    Representatividade do círculo eleitoral?
    OK, agora falemos a sério.
    230 deputados para quê?
    Alguém me consegue explicar (sem se rir?).
    Lap-tops em plena assembleia, para quê? Para twittar, mandar e-mails, ler o jornal on-line ou brincar?
    Aquela caterva de amigos e recompensados é necessária?
    Não basta já o nosso penar?
    Pequenos partidos? A partir de quantos militantes é que um partido deixa de ser pequeno.
    É que há muitos pequenos partidos que não estão representados na assembleia.

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  8. PMP's avatar
    PMP permalink
    3 Fevereiro, 2011 19:37

    Devemos reduzir para 180 deputados e assim poupar para aí 20 milhões de euros, mas nunca reduzir em pelo menos 1/3 o tamanho do governo, os gabinetes, estudos, acessores, pareceres, direcções gerais, institutos, EP’s, EPE’s, chefias, e assim poupar mais de 2000 milhões.

    Esta é mais uma boa estratégia do Sócrates para desviar as atenções do que verdadeiramente interessa e que são os numeros GORDOS.

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  9. Gol(pada)'s avatar
    Gol(pada) permalink
    3 Fevereiro, 2011 20:47

    E dos 300 e tal Institutos e Fundações inoperantes?
    Falou-se na junção de Ministérios e até agora ficaram-se pelas intenções.
    .
    Isto nem um burro a cagar dinheiro, contenta tanto Vampiro.
    A esperança é que um dia a coisa estoire…já faltou mais!!!

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  10. J.Alves's avatar
    J.Alves permalink
    3 Fevereiro, 2011 20:52

    Se a questão é financeira, o nº de deputados é irrelevante, basta pô-los a ganhar menos, até podiam ser 10 milhões de deputados e consumir menos ao erário público do que hoje …

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  11. quim da loja's avatar
    quim da loja permalink
    3 Fevereiro, 2011 21:44

    Agora mais a sério, até porque no meu comentário anterior, esqueci-me de suscitar os parlamentares necessários para as Berlengas…
    Ora bem, o esbanjar é que não é, nunca, de aconselhar. Se a poupança de “50 esforçados deputados” e todo o “seu apoio logístico/sanitário”, der só uma poupança de x milhões, ainda assim, esse deverá ser o caminho a seguir.
    Poupar, poupar, poupar, seja por onde for e, por aí é que deveria ter começado! O Exemplo, tal como a força da gravidade, ainda se exerce do mesmo modo – de cima para baixo.
    É preciso, é que se promova e generalize esta tendência da diminuição da despesa pública e não se negue uma qualquer outra, por mais pequena que seja, mesmo que tal não nos mereça total credibilidade.
    Claro, cá no fundo, também duvido da autenticidade desta proposta, mas há que começar algures e continuar, a sério e num crescendo.
    Havendo tanto por onde o fazer… e, diremos nós, vão logo começar por aqui que nem é a pior das áreas, coitadinha… Certo, mas começar por lado nenhum é bem pior…!
    Temos de os “empurrar” por este caminho e nesta descida, até que percam o medo da velocidade… e do abismo.
    Engraçado que, sempre que se fala na redução das remunerações e mordomias “extra-terrestres” dos muitos boys (e girls) por aí acomodados e melhor acolchoados, se ouve, de imediato, dizer que não é por aí… não é isso que faz a diferença… blá, blá, blá…
    Claro que também o é! São milhões de migalhas nossas que lhes enchem os gordos papos, a todas as horas, todos os dias, há já mais de 37 anos…
    Isto tem mesmo de acabar… a não ser que estejamos a viver uma grande mentira e Portugal, afinal, tem recursos próprios imensos, ricos e inimagináveis. Só pode!

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  12. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    5 Fevereiro, 2011 11:53

    A redução do número de deputados é perniciosa. Menos deputados significam um dia em cheio para as agências de lóbi, cujas terão menos trabalho para, pela maquinação de uns poucos, sujeitar o país a legislação à medida— algo que com 230 já acontece.
    .
    Façamos contas. 51 milhões de euros são para pessoal da assembleia (dos quais apenas 11 milhões para deputados) e quase 1 milhão para subvenções aos grupos parlamentares. O que eu queria é que as subvenções não existissem e que não existissem acessores, cujos não elegi, dizendo aos parlamentares que se os quiserem, saem-lhes do bolso. Assim sendo, poderíamos subir o número de deputados para 250 e ainda ssim poupar dinheiro. Gastaríamos então 12 milhões com os deputados (o memo que salários presentes e subvenções aos grupos) e pouparíamos talvez uns 20 milhões em salaretes de rendimento máximo a acessores de porra nenhuma.
    .
    Dez deputados podem partilhar uma secretária. Digamos cinco, se quiserem. Com vinte e cinco em permanência a cinquenta a setenta administrativos (dois turnos e férias), apenas é necesário dois a cinco chefes, e não aquela hierarquia em que metade faz nada.
    .
    A limpeza e os serviços de pequena reparação podem ser assegurados internamente, pois as pessoas trabalham a 100% do tempo. Poupa-se muito em contratos milionários. Quanto à restauração, ou os deputados comem do seu salário ou comem fora. Tem de dar lucro. Os 191 milhões reduzir-se-iam a 120 ou 150 de certeza. E com aumento de representatividade e de operacionalidade da AR.
    .
    Mas enfim, não sou eu que lá estou a gerir aquilo…

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  13. PMP's avatar
    PMP permalink
    5 Fevereiro, 2011 12:17

    Isto da redução dos deputados é uma manobra de diversão do Sócrates para que não se discuta os 3 mil milhões que vão ser enterrados no TGV e os 5 mil milhões derretidos pela Parque Escolar EPE nas empresas privadas do regime..
    .
    O que o PS e PSD querem é manter a malta ocupada a discutir uns milhões de euros, para o estado continuar com um governo exagerado, com ministérios, sec.-estado, direcções gerais, institutos, agencias, gabinetes, unidades de missão, que podiam ser reduzidos em pelo menos 1/3.

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