Notícias Sábado de ontem
Um termómetro infalível
Há tempos, o acaso do zapping fez-me pousar num canal de notícias onde José Miguel Júdice discreteava sobre os males do País. Nisto, transbordando do tom acusatório, o ex-Bastonário dos Advogados denunciou a sinistra promiscuidade entre a política e os negócios. Fiquei abismado. Mas também muito contente. À primeira vista não se tratava de um acto de contrição mas de uma condenação veemente e sentida. Afinal ainda há esperança de redenção das coisas deste regime!
Aliás, na notável investigação do Diário de Notícias sobre o modo como o Estado tem dissipado o dinheiro dos nossos impostos, foi-nos revelado que a CGD, a EDP, a PT e a Galp, já empregaram 68 ex-ministros e secretários de Estado sendo que 40 de entre estes transitaram directamente do Governo para essas empresas. Longe de mim desgabar essa atitude, sem dúvida fundada em razões intrinsecamente empresariais. Ainda bem que José Miguel Júdice, agora, está contra essa e outras misturas – é que esta não é uma opinião qualquer. Dou enorme valor à sua lucidez política e habituei-me a julgá-lo como um termómetro ímpar para avaliar o futuro próximo dos assuntos indígenas. Se José Miguel Júdice está ao lado de um político, esse facto deve ser tido como um claro sinal de que o destinatário dessa simpatia tem sérias hipóteses de protagonizar um destino radioso. Ao contrário, se Júdice desabriga um governante ou candidato, tal significa que o infeliz está queda iminente e irremediável. Nunca duvidei do futuro de Barroso quando Júdice estava ao seu lado. E percebi a durabilidade de Sócrates quando Júdice o enalteceu.
Neste momento, sobretudo após a epifania que expôs sobre o enleio entre política e negócios, estou muito atento ao que Júdice tem a dizer sobre Passos Coelho: caso o elogie, este será primeiro-ministro em breve. Mas, estou certo, se Passos Coelho for sensível a José Miguel Júdice e a tudo o que este representa, Portugal será um País cada vez mais na mesma.
Que Deus nos livre desta triste ética
Em Portugal é proibido o recurso à maternidade de substituição, conceito mediaticamente baptizado de «barrigas de aluguer» – a Lei n.º 32/2006 declara nulo qualquer negócio com esse fim (art. 8.º, n.º 1) e criminaliza o acto oneroso com pena de prisão até 2 anos (art. 39.º, n.º 1). Por impulso do presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, o Juiz Desembargador Eurico Reis, estão a ser consideradas excepções a essa proibição, designadamente nos casos em que a mulher sofre de doença que a torna fisicamente incapaz de ser mãe. Esta ressalva legislativa não se compadece com os infelizes relatos de «barrigas de aluguer» cuja exclusiva motivação é o comodismo fútil da mulher que quer ser mãe resguardando-se das agruras físicas com que a natureza dotou a gravidez e o parto. O último destes relatos deploráveis sucedeu a propósito da actriz Nicole Kidman.
Contudo, há sempre quem se oponha às evoluções por mais justas que estas sejam – por exemplo, Daniel Serrão que é, entre nós, um dos exemplos mais acabados de uma estafada absolutização dos princípios amalgamados em dogmas insupríveis. Diz a imprensa que o Professor de Medicina considera que a excepção só deverá existir no interior da família.
Ou seja, se a mulher que está fisicamente impedida de ser mãe tiver uma familiar em condições (e com vontade) de a substituir na maternidade, então tudo estará bem. Mas, ao invés, se essa mulher não dispuser de qualquer familiar ‘à mão de semear’ permanecerá condenada a ser privada das alegrias da maternidade em obediência a estranhíssimos critérios éticos (muito) mal disfarçados de ditames dogmáticos.

“Afinal ainda há esperança de redenção das coisas deste regime!”
Há? JMJ faz-me mudar apressadamente do canal em que estiver, coisa que nem sequer acontecia no tempo em que ele “era de direita”, mas parecia coerente. Como ainda não consigo mudar de canal à velocidade da luz, a última vez que o ouvi estava ele e António Barreto frente-a-frente, muito diferentes muito iguais. E o que transmitiam em uníssono? Mais ou menos esta ideia: o que é isso de liberalismo? Isso já não existe. O que acompanhavam com sorrisos de quem estava a decretar o fim daquilo que progride como uma praga. Lembrei-me dos velhos dos marretas. Eu sei que CAA não gosta do que eu disse, mas não me importo.
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O que progride como uma praga é Sociallismo, caso não tenha notado o Estado não para de crescer. E cresce de duas maneiras: mais Impostos e mais dívida para pagar o seu sociallismo.
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O fincapé nem sequer percebe a realidade do País onde está.
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Sim senhor, texto corajoso. parabéns.
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‘Eu sei que CAA não gosta do que eu disse, mas não me importo.»
O CAA apenas se importa (não muito, convenhamos) com o facto de que não tenha percebido patavina do texto…
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Sr.CAA,se eu bem percebi,o jmj esteve a dizer qualquer coisa que não seria a favor de sócrates! já se começa a ver fumo de novo papa!
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JMJ estava distraído. Completamente distraído.
Ou momentaneamente vingativo por ter perdido qualquer atribuição de negócio “político”.
Já não “há esperança de redenção das coisas deste regime !” De coisas, nem de coisos, enquanto pulularem criaturas como o visado.
Se Sócrates estiver em queda eminente, PPCoelho não se importará por ter como ‘padrinhos’ Júdices semelhantes ao original, e muito provavelmente prometerá ao Júdice original este mundo e o outro !
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Como PPCoelho está a preparar encontros com “independentes” para analisarem a situação do país e proporem-lhe “medidas” para o programa eleitoral, não me surpreenderei que JMJ integre o ‘painel’ sobre a justiça e sobre a “justiça”.
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À atenção dos nossos direitinhas incrédulos:
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“Médio Oriente
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Dois em três acreditam na Turquia como modelo
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Muitos árabes sonham em visitar a cosmopolita Istambul tanto como invejam o progresso económico e as liberdades dos turcos. Segundo um inquérito em sete países árabes e no Irão, 66 por cento dos habitantes vêem a Turquia como “modelo” regional e dizem que o país simboliza “uma mistura bem-sucedida entre democracia e islão”.
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Trata-se do segundo estudo sobre as percepções da Turquia feito pelo think tank Tesev (Turkish Economic and Social Studies Foundation). Os habitantes do Egipto, Jordânia, Líbano, Síria, Iraque e territórios palestinianos voltaram a ser questionados. O Irão foi a novidade – e os iranianos são os que mais admiram a Turquia, com 85 por cento a afirmá-lo.
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Os principais motivos para esta admiração, e para a crença de que o país pode ser modelo, são a Constituição laica, a escassa identidade islâmica e as relações próximas com os países ocidentais. Alvo de admiração é também a atitude firme do primeiro-ministro Tayyip Erdogan em relação a Israel (a reacção ao ataque à flotilha de activistas que se dirigia a Gaza aumentou essa percepção).
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Rejeitando o argumento de que a Turquia está a mudar o seu eixo do Ocidente para o Oriente, o presidente do Tesev, Can Paker, citado pelo jornal Hurriyet, defende que o país tenta seguir uma política de “multieixos”. Paker sublinha que o apoio ao papel de mediador da Turquia também está a crescer na região.
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Em tempos de mudanças, na Turquia debate-se se a evolução do AKP, partido de islamistas moderados que diz identificar-se com a social-democracia europeia, no poder desde 2002, pode influenciar outros grupos, como a Irmandade Muçulmana. Para Mustafa Ozcan, especialista no mundo muçulmano, “eles já aprenderam muito e acreditam cada vez mais no valor de viver numa democracia”.”
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In http://www.publico.pt/Mundo/dois-em-tres-acreditam-na-turquia-como-modelo_1478840
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Alguns dos nossos direitinhas, que engolem tudo o que vem do mundo anglo-saxónico, que ponha os olhinhos nisto:
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“Os principais motivos para esta admiração, e para a crença de que o país pode ser modelo, são a Constituição laica, a escassa identidade islâmica e as relações próximas com os países ocidentais. ”
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Quem diria, hein? Só se admira quem só lê enlatados racistas do mundo anglo-saxónico. Afinal, os gajos querem um Estado Laico (esta é especial para os que acham que no Irão aquilo está pacificado), escassa identidade islámica (ops! lá se vai a teoria das guerras das religiões pró galheiro) e, voilá, relações próximas com o Ocidente (mais precisamente a Europa eheheheheh).
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No fundo, eles querem tentar obter uma sociedade parecida com a Europeia, não é verdade?
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Se os nossos direitinhas estudassem melhor o caso marroquino, veriam que é mais fácil eles mudarem as suas sociedades para a do tipo ocidental do que se pensa. Há é que dar a oportunidade a estas centenas de milhões de pessoas em viverem num mundo livre como o nosso. E tudo será possível!
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Concordo com a leitura que faz do comportamento de Júdice. Ele é semelhante ao polvo que adivinhava os resultados do último “Mundial”. Poisa sempre em cima da bandeira vencedora. Talvez algum espanhol o queira comprar para com ele fazer uma paella. Era menos um a contribuir para a promiscuidade entre negócios e política que ele agora critica.
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Lembrome-me muito bem dos artigos de JMJ, de página inteira, no semanário O Diabo, de Vera Lagoa, e do seu ardor em defesa dos valores de direita. Agora que o vil metal do governo de Sócrates alimenta suculentamente os negócios do seu escritório de advogados, Júdice, está claro, vestiu o casaco de socialista. Sem um pingo de vergonha na cara. Claro que mal vejo a criatura a perorar nas tv’s, mudo rapidamente de canal.
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Elisabeth Miriam Quiroga, a outra “viúva” de Nestor Kirchner: http://t.co/hVCGB1D
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“O CAA apenas se importa (não muito, convenhamos) com o facto de que não tenha percebido patavina do texto…”
CAA com este comentário foi brilhante e disse tudo sobre o que anda aqui a fazer:
1. Escreve textos, tem os comentários em regime aberto, mas não se importa com as opiniões dos outros;
2. Não percebeu que o meu comentário se referia à personagem referida e não ao seu texto;
3. O que eu disse que CAA não gostaria era do facto de eu dizer que o liberalismo progredia como uma praga.
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coitado do homem , já não chega para todos e a quota dele deve andar a ficar mais pequena. estou cheia de pena.
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“E cresce de duas maneiras: mais Impostos e mais dívida para pagar o seu sociallismo.”
“O fincapé nem sequer percebe a realidade do País onde está.”
Penso que não conhece o meu “socialismo”. O meu “socialismo” é real e existe até em países governados pouco à esquerda.
Claro que (fincapé) percebe a realidade do seu país. E percebe também a realidade que lucklucky quer para ele. Por isso, democraticamente, fincapé discorda dessa “cowboyada”. Posso? Ou há algum lema novo por aqui para que haja só interesse pelas concordâncias?
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O Júdice tem sido um dos grandes mamões deste regime pôdre, corrupto e sucialista!
Desde os tempos aureos do cavaquismo até ao socratismo!
Grande biltre!
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à margem, coisas práticas da vida diária das regiões e populações,
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com este dinheiro (pelo menos) PUNHAMOS O COMBOIO COIMBRA / LOUSÃ (SERPINS) A ANDAR:
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Folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães
Com este dinheiro (pelo menos) punhamos o comboio da Lousã a andar.
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Folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães (fundações é que está a dar …..)
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Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos administradores e e outros, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura 2012:
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– Cristina Azevedo – Presidente do Conselho de Administração:
14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião
– Carla Morais – Administradora Executiva
12.500 € (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
– João B. Serra – Administrador Executivo
12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
– Manuel Alves Monteiro – Vogal Executivo
2.000 € mensais + 300 € por reunião
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Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.
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Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano, em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções pelo menos até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !!!
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Administradores ganhando formalmente mais do que o PR e o PM.
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Obra pronta do comboio Coimbra / Lousã, os carris e as traves de madeira já foram despachados para os Sucateiros ?
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Isto assim está mal. O pessoal não anda a gostar da coisa.
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Como é que se chama aquela história da ribeirinha do Tejo?
“História sem happy-end”?
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Segundo JMJ Cavaco e Sócrates são como irmãos.
Eu também tacho.
Desculpem, queria dizer “eu também acho”
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anti-comuna,
tem razão. que o digam os cristãos na turquia, que têm toda a liberdade para rezar a nossa senhora.
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Fincapé
Posted 6 Fevereiro, 2011 at 21:12 | Permalink
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Não se preocupe com explicações ao CAA. Faça como a maioria e não ligue ou goze com o que ele escreve que, o mais certo, é ele nem saber o que é.
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“Que Deus nos livre desta triste ética”
Acho que não será a entidade mais indicada para o problema da ética.
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