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O dia dos prodígios

24 Fevereiro, 2011

Ou a A doença da normalidade pelo Rui Ramos no EXPRESSO: «Quanto mais tempo vai a ‘crise’ continuar a ser uma causa sem consequências nas rotinas táticas dos partidos? A normalidade está a começar a parecer uma doença ou um vício. Talvez o reino dos nossos políticos já não seja deste mundo. Esperamos deles uma palavra, um gesto, uma atitude, um esforço que eles, na sua sabedoria, percebem já não valer a pena. O que importa discute-se em Bruxelas, decide-se em Berlim. É isso? Ou estamos apenas perante a estupefação de indivíduos que cultivaram algumas habilidades, mas não foram ensinados para enfrentar grandes acontecimentos? O atual pessoal político preparou-se para gerir e arbitrar pequenas coisas. O povo estava engaiolado no Estado social, e o Estado social estava encaixado na Europa unida. Era o fim da história. Nunca lhes terá passado pela cabeça, nem aos seus domadores, que este mundo pudesse mudar. Agora, o que há para fazer toca de tão perto o maquinismo do regime – a redução dos cidadãos a funcionários, utentes, pensionistas, subsidiados e protegidos -, que ninguém quer mostrar a cara, a não ser para depois apanhar os cacos.

Se os políticos não se mexem, também mais ninguém se mexe. Cada ponto percentual de agravamento do desemprego vale-nos outra lição sobre o risco de ‘uma explosão social’. Dessa célebre ‘explosão’, não vimos, até agora, mais do que a mercearia das pequenas greves geridas pelo PCP no aconchego das empresas públicas. O Estado social habituou o povo a esperar. Os políticos olham para a Alemanha, e o povo olha para os políticos. O que está em baixo reflete o que está em cima. Os entendidos falam-nos do próximo orçamento, daqui a nove meses, como o dia em que, finalmente, os mudos vão falar e os paralíticos andar. Talvez o Governo dure até lá – o país é que pode não durar.»

28 comentários leave one →
  1. JP's avatar
    24 Fevereiro, 2011 09:59

    Cada vez mais famílias estão “ligadas à máquina” que o Estado social representa, com a agravante de a ela estarem também ligados os que a gerem. E para além de a gerirem, dependem dela para estar, porque só estando é que se sobrevive. Se olharmos para o que se está a passar com a reacção dos EUA e da Europa (completamente passiva) ao que se passa na Líbia e percebermos como ela é fiel ao que se passou no tempo do senhor Guterres relativamente ao que aconteceu há não muitos anos no sul da Europa, percebemos logo que continua tudo na mesma: estamos deitados de boca aberta debaixo das tetas da vaquinha e o resto é paisagem. O vento há-de nos empurrar para um lado qualquer. Mas claro, fazemos umas reuniões de vez em quando para discutir a situação, que geralmente acabam com o anúncio da data da próxima reunião, em que se marcará outra. O orçamento foi ontem e o próximo está à porta. E como nos dirão, necessitaremos de mais estabilidade, não vá o desastre acabar e faltar assunto.

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  2. AB's avatar
    24 Fevereiro, 2011 10:21

    Digam-me lá se isto é normal.
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    Andámos durante anos a discutir com o Brasil o acordo ortográfico, que estamos agora a implementar devagar, devagarinho…como convém, que o pessoal não gosta de correrias.
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    Um dos aspectos em discussão no acordo foi a acentuação do antropónimo ANTÓNIO, que ficou com dupla grafia: para nós acento agudo no primeiro ó, para os brasileiros acento circunflexo. Dá para imaginar as horas perdidas na discussão.
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    Ontem fui levantar o cartão de cidadão. O acento de António tinha desaparecido. Parece que para os nossos serviços de identificação o acordo não se aplica…e não é só para o acento de António, o meu pai, que é Júlio, também perdeu o acento e a minha mãe, que era Cacilda e tinha passado a ser Cassilda…voltou a ser Cacilda.
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    E assim, de uma penada, lixaram toda a ortografia da família.
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    Agora digam-me lá : este País é para ser levado a sério?

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  3. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    24 Fevereiro, 2011 11:04


    AZ, de facto o Brasil quando se escreve com ‘o’ lê ‘o’ ou ‘ô’. Aqui llê-se isso e ‘u’. Quando se escreve com no Brasil ‘u’ lê-se ‘u’. No Brazil quando se lê ‘z’ escreve-se ‘z’, aqui umas~é com ‘s’, outras com ‘z’. É obvio que estas charadas que uns intelectuais defendem com latim e não sei que mais apenas armam a maior confusão nos ditados dos putos e não só. Simplifiquem e modernizem porque se continuará a falar e a escrever Português. É tempo de certos ‘jarrões’ académicos aprenderem a sair das torres de marfim e de vaidades catedráticas passeadas em discussões intelectualoides de latinadas que já nãoi embasbacam ninguém. Só falta aparecerem para aí a escrever Pharmacia como no principio do seculo passado. Afinal também seria ‘histórico’ como o Latim …

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  4. svsdfvv's avatar
    svsdfvv permalink
    24 Fevereiro, 2011 11:05

    Alguém compreende para que é que o Estado precisa de 9 canais de televisão (RTP-Açores, RTP-Madeira, RTP-N, RTP-1, RTP-2, RTP-I, RTP-África, RTP-Mobile e RTP-Memória) e 14 (sim, 14!!!) canais de rádio?

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  5. dürer's avatar
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    24 Fevereiro, 2011 11:34

    Lamento, mas não abro links que me levam para esse jornal da escrita tropical.

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  6. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    24 Fevereiro, 2011 11:35

    Com tanta confusão fico sem saber se cágado leva assento ou não.

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  7. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    24 Fevereiro, 2011 11:35

    Ou será acento?

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  8. dürer's avatar
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    24 Fevereiro, 2011 11:36

    “Só falta aparecerem para aí a escrever Pharmacia como no principio do seculo passado.” Se dependesse de mim, era assim que se escrevia.

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  9. dürer's avatar
    dürer permalink
    24 Fevereiro, 2011 11:49

    “Só falta aparecerem para aí a escrever Pharmacia como no principio do seculo passado.” Aliás, isto é um exemplo da mesma qualidade do acordo ortográfico, desenhado para a mentira, para os que sabem que são ignorantes e para os que não sabem que são ignorantes. A transformação do ph em f é ao nível do símbolo fonético; coisa completamente diferente de pretender omitir consoantes que existem, trabalham ao nível da acentuação (um c antes de outra consoante abre a vogal e por isso que lá está) e só não são ditas porque as pessoas falam mal. As pessoas ignorantes, claro. Eu digo Egipto, digo telespectador; não digo “igito”, nem “telespetador”.

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  10. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:03

    Alguém percebeu o que o Anonimo (não é anónimo) escreveu?

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  11. António Lopes's avatar
    António Lopes permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:06

    U acordo (t)orto grafico a uma otima oção!

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  12. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:06

    durer, guarde o adjectivo “idiota” para si. Ou prefere adjetivo ? Sabe-me explicar a “Teoria das Cordas” ? Pois é humildade intelectual é muito bonito. E quem tem tempo para saber mais alguma coisa a obrigação social é explicar, não é ‘armar-se aos cucos’. Por mi (ou prefre mim ?) assunto arrumado. Amigos como dantes.

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  13. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:10

    Acho que o Anonimo, se exprimiria melhor em linguagens ideográficas, talvez em linguagem gestual, já que lhe falha aptidão para as palavras.

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  14. dürer's avatar
    dürer permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:11

    Nunca escrevi “idiota” em lado nenhum. Escrevi “ignorante”. É diferente. A ignorância vem da preguiça e não é irremediável.

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  15. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:14

    Rui Ramos com a lucidez a que nos habituou, postou aqui um artigo que publicou no Expresso, e que normalmente deveria provocar uma serie de comentarios condizentes com a importancia do assunto. Mas não. Apareceu logo alguem a desviar a conversa para o acordo ortografico, e depois foram todos atrás disso. Eis como se desvia uma conversa que incomada os acomodados. O que só veio dar razão ao autor do post: estão todos “normalizados”.

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  16. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:17

    dürer,
    .
    Pronuncia «Á-TUAL» ou «A-TUAL», com vogal aberta ou fechada?

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  17. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:20

    A C da Silveira,
    .
    A língua portuguesa deixará de ser falada em Portugal muito antes de os nemesii do acordo ortográfico se calarem (apesar de o lerem então em Inglês mal traduzido).
    .
    Quanto ao tema em questão, parece ser consensual, já que não suscita opiniões contrárias.

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  18. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:22

    Tem razão, A C da Silveira. A minha contrição.
    O artigo de Rui Ramos é verdadeiramente notável. De tal modo lúcido e completo que parece não deixar espaço para comentários.

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  19. tina's avatar
    tina permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:42

    JP,
    .
    Os europeus sempre foram muito passivos. Por essa razão se deixaram engolir em guerras após guerras. Agora é a vez dos alemães se deixarem engolir pelo resto da Europa, que não passa de uma grande máquina do Estado e que está a ir ao fundo. Um dia a Alemanha reagirá, deixará a UE por referendo do povo alemão e a UE deixará de existir. Claro, nenhum europeu agora acredita nisso, tal como não acreditaram antes que as guerras viriam. Não há almoços grátis para ninguém, só que os europeus são preguiçosos e tentam até ao fim o seu almoço grátis.

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  20. MJRB's avatar
    24 Fevereiro, 2011 12:51

    Fatalidade tuga: ciclicamente (des)governados por irresponsáveis, impreparados, incultos e desleixados políticos.
    Se estivermos atentos ao que também acontece em muitas(!) autarquias, nas CCDR’s, nos governos civis, constatamos que parte substancial do país está manietado e refém de gente e de gentalha que ‘está’ na política porque irrelevantes nas suas profissões ou colocada pelos partidos.
    O artigo de Rui Ramos explicita o “bom caminho” indicado por Sócrates & seus.

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  21. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    24 Fevereiro, 2011 14:18

    .
    Ex abundanctia enim cordis os loquitur
    .
    Promptius est omnibus judicare quam facere
    .
    Vox populi, vox Dei est
    .
    O artigo de Rui Ramos é daqueles que É. Não comento porque É mesmo como escreveu. Sem controversia ou contraditório. Parabens.
    .

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  22. dürer's avatar
    dürer permalink
    24 Fevereiro, 2011 14:35

    Pronuncia «Á-TUAL» ou «A-TUAL», com vogal aberta ou fechada?

    Meu caro, numa língua como a nossa vai sempre encontrar excepções à regra. E o exemplo é enganador porque actual deriva de actuação. Você não diz AC-tuação? Aliás, se tirar o c a actuação, vai ser muito mais difícil explicar a sua origem. Este AO apenas afasta as palavras da sua etimologia, que é necessária, entre outras coisas, para ensinar a língua.

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  23. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    24 Fevereiro, 2011 15:51

    Perante as palhaçadas que diariamente assistimos por parte das diversas oposições, principalmente as palhaçadas do PSD e seus acólitos, é necessário que haja eleições antecipadas para que Sócrates reconfirme e alargue a sua maioria, pois é impossível governar um país de tansos com um partido da oposição tão fraquinho e com um PR já ressabiado e vingativo.
    Não tenho dúvidas se este ano houver eleições antecipadas Sócrates «rapa» isto com uma perna às costas.
    A oposição que vá pregar o «liberalismo tuga» para a Suiça ou para Singapura, já que são assim tão bons!

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  24. tina's avatar
    tina permalink
    24 Fevereiro, 2011 16:12

    Com amigos como Arlindo Costa, Sócrates nem precisa de inimigos!…

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  25. licas's avatar
    licas permalink
    24 Fevereiro, 2011 16:34

    O Arlindo tem o molde mental do seu ÍDOLO, portanto também fará carreira.
    A última *descoberta* do engenheiro relativo é o de pavonear-se com o
    *êxito* de ter (supostamente) deminuido o défice à custa do corte dos salários.
    E foi de só de 10% ! O que seria se tivésse sido de 20% . . .
    E os Arlindos (e Belos) embandeiram em arco.

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  26. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    24 Fevereiro, 2011 17:12

    Realmente Sócrates faz a diferença.
    Imaginem só, se o bimbalhão do Passos Coelho estivesse «à frente» do «Guverno»!
    O BCE já nos tinha retirado o crédito e a reforma dourada do Catroga já estaria reduzida a 1500 euros dos 10.000 que ele aufere limpinhos todos os meses deste nefando «Estado Social»…
    Ou será que os opositores a Sócrates descobriram petróleo no Beato, na Lourinhã ou na Malveira da Serra?

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  27. BST's avatar
    BST permalink
    25 Fevereiro, 2011 15:58

    Cara Helena Matos,
    Sou um seu indefectível leitor e venho pedir-lhe que não reproduza o português mutilado do Expresso. É que não tenho nada a ver com os negócios e medos do Dr. Balsemão e gosto muito da minha língua.
    Não custa nada: basta lembrar como se escreve nas línguas dos países civilizados, repondo as consoantes que os brasileiros compraram.

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  28. BST's avatar
    BST permalink
    25 Fevereiro, 2011 16:09

    Escrever pharmacia ou PHILOSOPHY? Ou PHILOSOPHIE em francês e alemão? Ou ACTUEL, ou AKTUEL?
    Ná!!!! Isso é como se escreve em Cabridge, Oxford, Harvard, Sorbonneou Heidelberg onde não há analfabetismo, e no séc. XXI.
    E nós estamos mais perto do Brasil (que é apenas ligeiramente mais analfabeto que o Zimbabué). Sim, acho que não merecemos escrever como escrevíamos. Perdemos esse direito, quando perdemos a corrida para o 1º mundo.

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