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escolhas

28 Fevereiro, 2011
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Segui, com particular atenção e interesse, o que os blogs liberais, portugueses e estrangeiros, foram escrevendo sobre Ronald Reagan, no recente centenário do seu nascimento, O tom geral foi apologético, embora não omisso de críticas. Sobretudo duas: a de que Reagan, uma vez na presidência, se aproximou mais do padrão conservador, do que do paradigma liberal; e o crescimento da despesa pública ocorrido nos anos da sua administração, em vez da sua redução. As duas observações são verdadeiras, mas merecem alguma ponderação. A primeira consideração a ter em conta, é que, salvo melhor opinião, o liberalismo não é um programa político de gestão do estado, mas uma filosofia que explica porque devem ser fortemente limitadas as funções do estado e a actuação dos governos. Nessa medida, a praxis política e governativa mais próxima do liberalismo serão algumas formas de conservadorismo, sendo que, nessa perspectiva das coisas, o reaganismo terá sido o máximo expoente liberal a que o conservadorismo chegou nos nossos dias. A segunda, tem a ver com o aumento da despesa pública, provocado pelos gastos dos governos de Reagan. Não sendo eu um especialista em finanças públicas dos EUA, posso imaginar, julgo que sem probabilidade elevada de erro, que o crescimento em causa terá sido provocado pelo esforço de defesa militar face à URSS, e a tentativa, de resto, bem sucedida, de a fazer implodir pela pressão da necessidade de competir militarmente com os EUA e o esforço que isso representou para a sua debilitada economia. Dessa aposta de Reagan, muito contestada, na época, com os inúmeros «pacifistas» de serviço a acusarem-no de estar a provocar uma guerra mundial, resultou o fim da URSS e um considerável desanuviamento nas relações leste-oeste, com o que todos ficamos a ganhar. A ser isto verdade, a questão que se deve pôr aos liberais é, então, a seguinte: o que lhes parece, hoje, que teria sido mais adequado: o realismo conservador que Reagan usou face à URSS e o esforço que os americanos tiveram de suportar para se defenderem da ameaça soviética, ou a intransigência orçamental?

25 comentários leave one →
  1. Nuno Castelo-Branco's avatar
    28 Fevereiro, 2011 15:41

    “Voto” na primeira questão: Reagan actuou como devia, oxalá tivesse sido presidente durante a guerra do Ultramar.

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  2. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    28 Fevereiro, 2011 16:06

    Blogues liberais portugueses?
    Aqueles que são feitos por funcionários públicos da oposição?

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  3. Essa agora's avatar
    28 Fevereiro, 2011 16:25

    Sem dúvida, o melhor presidente dos EUA desde a II Guerra Mundial.
    Os herdeiros políticos dos autores da persistente campanha contra ele movida deviam estar calados para a eternidade.
    Infelizmente, não é isso que acontece – e vai continuar a não acontecer.

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  4. certo's avatar
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    28 Fevereiro, 2011 16:41

    Eh, parece que existiu esse indivíduo, presidente e tudo, que, dizem, ao seu tempo de Hollywood foi bem melhor bufo que artista.

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  5. Guillaume Tell's avatar
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    28 Fevereiro, 2011 16:59

    Que era necessário aumentar para os EUA tenahm de aumentar as despesas públicas em armamento numa altura como aquela tudo bem. Mas é normal que o senhor Reagan, tão fã do liberalismo à Friedman, tenha aplicado escrupulosamente os seus preceptos nos dois primeiros anos do seu mandato, e depois tenha aumentado a despesa pública? Melhor ainda que este meu último argumento simplista e mal explicado; é normal aumentar a despesa pública em armamento, reduzir as despesas sociais e diminuir os impostos ao mesmo tempo? É sinal de competência isso?

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  6. Essa agora's avatar
    28 Fevereiro, 2011 17:50

    O preconceito ignora a realidade, como provam os dois comentários anteriores.

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  7. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    28 Fevereiro, 2011 17:58

    Como a esquerda, mesmo a democratica, só fizeram merda por onde têm passado no governo, gostam muito de desdenhar daquilo que os que não são de esquerda fizeram. Ronald Reagan fica na historia dos Estados Unidos e do mundo contemporaneo, como um dos grandes presidentes americanos do sec XX. Se é o maior ou não, não sei, mas é concerteza um dos maiores, e ficamos todos a dever-lhe o fim do império sovietico, e o acesso de paises que antes eram ditaduras à liberdade e à democracia. Não foi nenhum politico de esquerda da treta que fez isso: foi o liberal Ronal Reagan.
    Quanto ao aumento da despesa publica americana, parece-me que o “esquerdista” Bill Clinton fez mais pelo seu aumento do que os governos republicanos de Reagan e Bush pai.

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  8. Guillaume Tell's avatar
    Guillaume Tell permalink
    28 Fevereiro, 2011 17:59

    Regan aumentou a despesa em armamento e reduziu os impostos. Isso dá o quê geralemente? Défice orçamental.

    Mas não, o homem é um verdadeiro liberal à americana logo é um santo. Não estais contentes em Portugal? Mudai-vos para outro sítio qualquer, a mim não me importa nada ir a viver para a “democracia popular socialista de Portugal”.

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  9. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    28 Fevereiro, 2011 18:00

    «Reagan fica na historia dos Estados Unidos e do mundo contemporaneo, como um dos grandes presidentes americanos do sec XX»
    Siveira não diga mais nada, que se lhe adivinha o seu q.i….

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  10. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    28 Fevereiro, 2011 18:32

    Vai lá falar do q.i. da tua mãezinha, pá!

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  11. licas's avatar
    licas permalink
    28 Fevereiro, 2011 18:58

    À vezes, neste monturo, surge uma faísca: a pressão armamentista dos EU
    provocou a implosão da URSS que estupidamente quis suplantar um país
    cuja economia lhe foi sempre muito superior : eles (os dirigentes da URSS),
    estavam obcecados com a possibilidade dos EU começassem a tal WWIII que
    ninguém queria (e BEM).

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  12. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    28 Fevereiro, 2011 19:07

    Assim como a corrida aos armamentos fez desmorenar a ex-URSS, a actual politica militar e orçamental dos EUA acabará por fazer implodir os EUA.
    Daqui a três ou quatro décadas.
    É a matemática, a economia, a demografia, a mudança estonteante das realidades geopoliticas e a inflexão dos centros de poder que estão a provocar mudanças que vão ser fatais e traiçoeiras para o nosso «escudo protector» (EUA).
    Para desgraça do nosso modo de viver e da supremacia ocidental, vamos passar por períodos muito dificeis.
    Isto é muito sério e não dá vontade para rir.

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  13. Eduardo F.'s avatar
    28 Fevereiro, 2011 19:21

    História contrafactual não é a minha especialidade (apesar de me confessar um leitor compulsivo de Niall Ferguson) mas o autor do post parte do princípio que o desmoronamento do Império Soviético se deveu à sua incapacidade em responder ao aumento das despesas militares da era de Reagan. Algures lá em casa, numa segunda ou terceira fila de livros, deve haver por lá um metro linear deles que “explicava” a impossibilidade de reforma ou derrube “por dentro” do regime soviético. Hélène Carrèrre d’ Encausse, salvo erro, era a excepção.
    Atenção à falácia post hoc ergo propter hoc.

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  14. João F. Silva's avatar
    João F. Silva permalink
    28 Fevereiro, 2011 20:22

    Se possível poderia dar uma explicação do que entende por liberalismo e conservadorismo? Fiquei confuso com o texto pois parece misturar os dois e na minha interpretação são conceitos opostos. Nos EUA muitas conservadores adeptos de Reagan até achariam insultuoso associa-lo a conceitos liberais, e vice-versa, muitos liberais consideram-no pelo contrário um expoente mínimo das suas ideias.

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  15. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    28 Fevereiro, 2011 20:37

    «Atenção à falácia post hoc ergo propter hoc.»
    Não se trata da falácia de articular dois factos após a sua ocorrência, porque esta hipótese de implosão da URSS pela pressão externa do armamento americano foi levantada e do domínio público antes de 91. Os sinais de decadência eram mais do que muitos, e a perestroika limitou-se a confirmá-los. O alarme provocado pelo programa da Guerra das Estrelas do Reagan, que levou à realização de inúmeras cimeiras de «pacifistas» influênciados pelas URSS, não era exactamente o temor da guerra nuclear, mas da derrota do aparelho militar soviético numa competição para a qual não tinha recursos à altura. É evidente que isto, por si mesmo, não chega para explicar como desapareceu, quase que no tempo de um fósforo, um dos maiores poderes da terra. Mas também isso era previsível, dada a natureza auto-destrutiva do socialismo. Mises, na década de 30, no seu livro Socialismo, disse-o com clareza. Aquilo não tinha, a manter-se sem evolução, como sucedeu, viabilidade, e teria de acabar mais tarde ou mais cedo. O que julgo ter sido o golpe de génio do Reagan foi ter percebido que aquele era o momento para dar o empurrão final, até para aproveitar a liderança frágil de Gorbachev. Foi o que ele fez e ainda bem que o fez, porquanto, estou convencido, que se a queda da URSS não tivesse sido impulsionada de fora, isto é, se não tivessem que se preocupar com o «inimigo» externo, a derrocada poderia ter provocado consequências mais complicadas.

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  16. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    28 Fevereiro, 2011 21:20

    «Se possível poderia dar uma explicação do que entende por liberalismo e conservadorismo?»
    Fica uma sugestão:
    http://www.ordemlivre.org/textos/1127/

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  17. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    28 Fevereiro, 2011 21:38

    estou convencido que aqui os liberais são mesmo conservadores!
    fazem a quadratura do círculo.

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  18. PMP's avatar
    PMP permalink
    28 Fevereiro, 2011 23:31

    Reagan e o seu governo descobriram que ” deficits don’t matter ” e aplicaram esse novo conceito.
    .
    A direita actual nos EUA defende intransigentemente uma despesa na defesa que vai nos 800 mil milhões de USD, ou seja 50% do deficit, ao mesmo tempo que exige cortes nas despesas sociais e baixa de impostos nos rendimentos mais altos.
    .
    Enfim, o caminho certo para a gradual derrapagem dos EUA para uma sociedade fortemente oligarquica, com enormes diferenças entre ricos e pobres..
    .
    O mais interessante disto é que a classe média dos EUA aplaude e vota na sua própria destruição.

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  19. Pedro Oliveira's avatar
    Pedro Oliveira permalink
    1 Março, 2011 00:00

    A seguir ao Jimmy Carter qualquer presidente seria um génio. Vai ser como a seguir ao Obama. Até a Palin vai parecer uma grande estadista.

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  20. António Carlos's avatar
    António Carlos permalink
    1 Março, 2011 10:39

    Caro Rui A.
    a sua reflexão é muito interessante e as perguntas que coloca importantes. Mas acho que lhe faltou acrescentar um elemento relevante para a análise.
    Qualquer aumento de despesa numa determinada área, ainda que justificado por circunstâncias limitadas temporalmente, dificilmente é revertido uma vez desaparecidas as circunstâncias que lhe deram origem (e que a justificam). Ou seja, no caso que refere, não é possível responder às suas questões sem ter em mente que o aumento verificado na despesa militar não se limitou a produzir o efeito pretendido no curto prazo (“derrocada da URSS”). Não só acumulou dívida que terá de ser paga (no médio/longo prazo) como ainda criou um nível de despesa (e capacidade) militar dos USA que será muito difícil reduzir.
    Tendo em consideração este facto, será que a resposta às suas questões é a mesma?

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  21. Miguel Pereira's avatar
    1 Março, 2011 10:51

    É interessante como, 30 anos depois, as cores com que se podem pintar decisões políticas são variadas.
    Estamos numa altura em que, em Portugal, economicamente se vê qualquer aumento da despesa como um tabu, porque precisamos de equilibrar as contas, o que me parece acertado. Mas será que a despesa só é má quando é feita por não-conservadores?
    No caso de Ronald Reagan, além de tudo o que foi dito, aumentou em 40% os gastos com a defesa e aumentou a dívida pública de 997 biliões para 2.85 triliões (Wiki R Reagan). A desregulação foi, segundo muitos, exagerada e abriu caminho à Enron, p.ex.
    A questão da baixa dos impostos, que deu um empurrão à enconomia sem dúvida, vem a provar-se insustentável, até porque a seguir tivemos outro republicano, George Bush Sr, que quando chegou à Casa Branca aumentou os impostos, contrariando uma promessa de campanha.
    Em questões sociais, era contra o Civil Rights de 1964, que ciminalizou a discriminação racial e de género, e o Voting Rights Act de 1965, que permitiu o voto sem pré-requisitos de qualquer espécie. Era um apoiante da África do Sul apesar do Apartheid.
    Parece-me justo que se fale de tudo, mesmo que gostemos muito da pessoa em causa.

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  22. José Pinto Basto's avatar
    José Pinto Basto permalink
    1 Março, 2011 11:43

    Reagan aumentou a despesa pública mas produziu resultados…Sócrates aumentou a despesa pública e o Estado social está pior do que quando entrou.

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  23. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Março, 2011 12:23

    Ao aumento da despesa/divida pública corresponde um aumento dos rendimentos privados, por definição matemática.
    .
    Num país com moeda própria e com divida publica apenas emitida nessa moeda é a taxa de câmbio que sinaliza e define o equilibrio com o exterior.
    .
    Por isso é que o Reagan percebeu que “deficits don’t matter”.

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  24. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    1 Março, 2011 15:52

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  25. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    1 Março, 2011 16:13

    Se puderem obter o livro, aconselho-vos a leitura de Katastroika, de Alexandr Zinoviev. Foi escrito nos tempos da transparência, mas mostra como o urso andava coxo.

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