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Que vergonha. E que grande alívio

6 Maio, 2011
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Fui reler o programa eleitoral do PS à luz do “memorando de entendimento” de Portugal com a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu. É um exercício penoso pois o PS (e veremos domingo o que propõe o PSD) mantém-se fiel ao velho princípio de que os eleitores só votam em quem lhes apresenta a realidade em tons cor-de-rosa. Nada que surpreenda: é assim em Portugal desde que temos democracia. Pior: parece ser assim em muito lado pois, como esta semana confessou Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, “quando as coisas começam a ficar sérias, temos de mentir”. Ora o memorando de entendimento não mente nem está embrulhado em palavras delicodoces, antes estipula, exige, estabelece metas, fixa prazos. O memorando é mesmo o programa das reformas que há muito se sabe serem necessárias mas das quais se tem fugido como o diabo da cruz.

Há um ano, quando se tornou claro que os mercados não perdoariam aos países que tivessem perdido o controlo dos seus défices e das suas dívidas, Portugal poderia ter optado por seguir o caminho agora delineado no memorando. Primeiro, porque o essencial das suas medidas reformistas há muito que eram defendidas pelos especialistas. Depois, porque, dividindo a austeridade por quatro anos, em vez de a dividir por três, como agora sucederá, tudo seria mais fácil e menos penoso, como ontem a troika reconheceu. Preferiu-se antes a ilusão (versão benigna), optou-se depois pela improvisação e guindou-se por fim o ilusionismo do “great performer” em suprema qualidade política. São águas passadas – mas não esquecidas – de um desgraçado capítulo político a que se espera que os portugueses saibam pôr fim a 5 de Junho. As águas futuras correrão, para nossa vergonha mas também alívio, por entre as estreitas balizas do memorando. Felizmente.

Felizmente?, perguntar-se-á. Sim. E felizmente por este nos impor a revolução que a cobardia política dos nossos líderes e o endémico arrastar dos pés da nação impedia. Vêm de fora dar-nos ordem porque não entrámos sozinhos na ordem.

O que temos pela frente não é, ao contrário do que disse ontem Teixeira dos Santos, um “PEC IV desenvolvido”. É muito mais do que isso porque, ao contrário do PEC IV, não se limita a cortar a eito e de forma cega, antes trata de encontrar remédios para a nossa principal doença, isto é, para o que realmente nos distingue da Grécia e da Irlanda, como ainda recordou Nouriel Roubini: a nossa incapacidade de crescer. O PEC IV era, na melhor das hipóteses, uma aspirina para adiar a dor. O memorando é um antibiótico que ataca a infecção.

Fá-lo de muitas e diferentes formas. Primeiro que tudo emagrecendo o Estado e, sobretudo, tornando-o menos presente e menos tentacular. O programa de privatizações é ambicioso e a ele não escapa sequer o Grupo Caixa Geral de Depósitos, que terá de alienar a área de seguros. A EDP, a Galp, a PT, a TAP, a ANA, os CTT e uma parte da CP não deixarão apenas de ser do Estado, em parte ou no todo: o Estado também perderá todas as “golden share” e, ao mesmo tempo, as coutadas ocupadas por políticos de pousio. Diminuem também, de forma drástica, a infinidade de subsídios utilizados pelos governos para tentar “dirigir” a economia, são suspensas as PPP e ainda se obriga o Estado (Administração Central e autarquias) a ficar longe das obras públicas “de regime”. Não é apenas uma dieta, é uma mudança de paradigma, é a despedida do modelo dirigista e intervencionista que, nas últimas décadas, permitiu a multiplicação das empresas públicas e das “fundações”, a proliferação dos lugares para políticos, a despesa descontrolada e a ausência de responsabilização.

Só fazendo diminuir o “Estado gordo”, para utilizar a expressão de Eduardo Catroga, é possível libertar para a economia os recursos de que esta necessita. Mas mesmo isso não seria suficiente, só por si, para retomar o crescimento. Também é necessário diminuir a rigidez do mercado laboral e cortar nos muitos regimes especiais. É nesse sentido que vão as alterações previstas na lei laboral (mesmo sem revisão constitucional, o despedimento individual tornar-se-á mais simples), as mudanças no regime do subsídio de desemprego, a introdução do famoso banco de horas, a prioridade aos contratos de empresa e o fim dos benefícios excessivos por horas extraordinárias. Sem mudanças como estas nunca a economia recuperaria a competitividade perdida; com estas mudanças os portugueses empreendedores voltam a ter uma oportunidade. Mais: a diminuição da taxa social única é uma  medida, a melhor medida, para, diminuindo a carga contributiva sobre o emprego, facilitar a contratação e ajudar a conter o desemprego.

A atenção dada pela troika a áreas como a Justiça ou a Educação também se distingue por não incidir apenas no corte na despesa: houve a preocupação de incluir medidas estruturais, como as relativas aos processos tributários ou à concessão de autonomia à gestão escolar já em 2012, acompanhada por um financiamento realizado com base no desempenho. Da mesma forma se saúdam as medidas destinadas a penalizar a aquisição de casa própria e todas as destinadas a abrir o mercado do arrendamento. Vamos ver se é desta que, ao fim de décadas de discussão e de danos irreparáveis para as nossas cidades e a nossa economia, se liberalizam de vez as rendas.

Quer isto dizer que tudo são rosas no memorando da troika? Claro que não. Portugal tem mesmo de passar por uma cura de austeridade. A experiência obtida pelo FMI e pela UE na Grécia, e a especificidade da situação portuguesa, permitiram adoptar um plano em que essa austeridade não penalizará em excesso os contribuintes. Basta referir que o aumento previsto da carga fiscal (2,3 mil milhões de euros) é análogo ao do PEC IV para resultados muito mais vastos e ambiciosos.

Contudo, a calibração das medidas de forma a não castigarem demasiado as famílias só foi possível porque foi dado a Portugal mais um ano para cortar o défice público até três por cento do PIB. Curiosamente esta medida tinha sido uma proposta de Pedro Passos Coelho aqui há uns meses, uma ideia de imediato “arrasada” como sendo irresponsável, imatura e aventureirista. Nenhum desses epítetos foi agora aplicado à troika, mas não deixa de ser significativo como se inventaram medidas duras que esta nunca sequer chegou a considerar (espero que um dia se faça a história da campanha de intoxicação dos jornais a que se assistiu nas últimos semanas e a que anteontem se referia o editorial do Jornal de Negócios).

Seja lá como for, Portugal tem uma nova oportunidade. É possível que os 78 mil milhões de euros de ajuda sejam insuficientes, como já referiram alguns economistas, caso de Silva Lopes e Jacinto Nunes. É natural que muito tenhamos ainda de discutir e de afinar para levar à prática este plano. Mas, como disse recentemente o mais sensato dos membros do Governo, Luís Amado, Portugal tem de compreender que, ao aderir ao euro, aderiu a uma zona monetária com regras muito exigentes. Nela não há espaço para cigarras, todos têm de ser formigas. Por isso, ou aproveitamos esta oportunidade, ou regressaremos ao espectro da bancarrota. Roubini dixit.

Público, 6 Maio 2011

50 comentários leave one →
  1. João Lisboa's avatar
    7 Maio, 2011 00:03

    “os eleitores só votam em quem lhes apresenta a realidade em tons cor-de-rosa. Nada que surpreenda: é assim em Portugal desde que temos democracia. Pior: parece ser assim em muito lado”

    Pura, puríssima verdade. Até ao nível mais trolha vindo do nível (supostamente) mais elevado:
    http://lishbuna.blogspot.com/2011/05/les-portugais-sont-toujours-gais-iv.html

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  2. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    7 Maio, 2011 01:53

    Reformas?
    Qual foi o Governo e o Primeiro-Ministro que mais reformas fez em Portugal desde 1990, ou mesmo a partir da entrada de Portugal na então CEE?
    Qual foi o Governo e o PM que mais enfrentou as corporações e os interesses instalados, como os professores, os magistrados, o sistema da justiça, os sindicatos da função pública que tinham e ainda têm um poder imenso na Administração Pública?
    Quem é que introduziu novas tecnologias e novos métidos de trabalho na adminstração pública, nomeadamente na administração fiscal que é líder na Europa?
    Quem é que fez a reforma da Segurança Social?
    Quem legislou em determinadas áreas em linha com a restante a Europa, com oposição dos sectores mais revanchistas, reaccionários, trogloditas e terceiro-mundistas?
    Por outro lado víamos e ainda vemos partidos conservadores e retrógados – como PSD, PCP e CDS – agarrados a um Portugal pós-PREC e deram luta sem quartel à maioria modernizadora e reformadora do Engº Sócrates.
    O caso da AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES È UM CASO PARADIGMÁTICO.
    Mas agora, com a Troika, não vai haver desculpas e o Engº Sócrates vai implementar todas estas reformas que há muito Portugal necessita e reclama.
    Agora os partidos da oposição ( principalmente o PSD!), os sindicatos e as corporações patronais e profissionais que habituaram-se a mamar e a chular à custa do Estado Social e dos contribuintes vão engigar a espinha e baixar a bolinha.
    Habituem-se, como diz eloquentemente a minha tia Constância!

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  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    7 Maio, 2011 07:28

    Não vai funcionar.
    Além das medidas desviarem mais riqueza para o Estado e as contas não baterem certo , basta olhar para a atitude dos Portugueses a começar por esta expressão: “cura de austeridade”.
    Então ter 3% de défice – insustentáveis como se vai ver- é austeridade. Então que se dirá de países com 0% de défice?

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  4. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    7 Maio, 2011 07:51

    “Mas agora, com a Troika, não vai haver desculpas e o Engº Sócrates vai implementar todas estas reformas que há muito Portugal necessita e reclama.”
    .
    Ó Arlindo, como anedota não está mal, não senhor. Mas… isto á para rir?

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  5. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    7 Maio, 2011 08:06

    Então ter 3% de défice – insustentáveis como se vai ver- é austeridade. Então que se dirá de países com 0% de défice?

    Nem mais. Estou não 100% de acordo.
    Este comentário levou-me a fazer uma série de pesquisas, para verificarmos se há margem para os portugueses pouparem ou não.
    Portugueses são os que mais gastam a comer fora

    Os portugueses são dos que mais gastam em hotéis

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  6. Pinto's avatar
  7. Pinto's avatar
  8. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    7 Maio, 2011 08:09

    Portugueses são dos que mais gastam em informática

    E por aí fora…

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  9. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    7 Maio, 2011 08:10

    Portugueses são dos que mais gastam em informática

    E por aí fora…

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  10. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    7 Maio, 2011 08:19

    Os Portugueses gastam onde quiserem. É o dinheiro deles.
    .
    A atitude de que 3% de défice é “austeridade” quer dizer que logo após termos 3% de défice passaremos a 5%, 6% pois acabou a “austeridade”. E isto é só um dos muitos problemas com essa atitude.

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  11. Me's avatar
    7 Maio, 2011 08:26

    que vergonha , tudo bem . agora alivio é ingénuo. daqui por uma dúzia de anos o fmi está cá outra vez , porque quando ( e se) as contas estiverem em dia é vira o disco e toca o mesmo : irão prometer mundos e fundos cor de rosa para conseguir votos. portanto , ou os eleitores mudam e deixam de ir em propagandas de almoços grátis ou o fmi de tantos a tantos vem- nos visitar. e não saímos desta vergonha.

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  12. Blog do cinza coelho's avatar
    7 Maio, 2011 08:49

    mas haverá alguém que se dá ao trabalho de ler o programa de governo do PS, se o PS ganhar as eleições no dia seguinte o Sócrates rasga o programa de governo.

    http://brigadascinzacoelho.blogspot.com/2011/04/teixeira-dos-santos-portugal-tem-vivido.html

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  13. bulimunda's avatar
  14. Patrício's avatar
    Patrício permalink
    7 Maio, 2011 09:57

    “Portugueses são os que mais gastam a comer fora. Os portugueses são dos que mais gastam em hotéis. Portugueses são dos que mais gastam em férias. Portugueses são dos que mais gastam em presentes”.
    E o que é que tem o cu a ver com as calças? O FMI empresta dinheiro para pagar as dívidas dos portugueses particulares !? Ou as dívidas contraídas pelo Governo para alimentar a multidão de boys e empresários amigos…?

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  15. José Pinto Basto's avatar
    José Pinto Basto permalink
    7 Maio, 2011 10:38

    Sócrates pensava que o dinheiro dos contribuintes era todo dele.
    Distribuiu dinheiro, às pazadas, pelos seus amigos.
    Sócrates tem muitos amigos socialistas, amigos esses que o ajudam a manter-se a todo o custo no poder.
    Usou e abusou do poder que teve para usar e abusar do dinheiro que era do erário público em benefício e proveito próprio.
    Durante seis anos fez uma gestão danosa dos dinheiros que foram postos à sua guarda.
    Se tivesse um pingo de vergonha nem sequer se apresentava a eleições.
    Sócrates vai ter de devolver aos contribuintes portugueses, aquilo de que se apropriou abusivamente.

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  16. eirinhas's avatar
    eirinhas permalink
    7 Maio, 2011 10:49

    O memorando da troika é muito mais a brangente que o pec IV e dá aos portugueses a garantia de que vai ser cumprido sob pena de entrarmos em chafurdo,contrariamente ao IV que era apenas uma ante-câmara do 5. Ainda falta criar uma taxa sobre as divisas que pedimos emprestadas que depois são transferidas para os paises paradisíacos ou melhor praias ditas paradisíacas.

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  17. JCA's avatar
    JCA permalink
    7 Maio, 2011 11:12

    .
    É mais ‘velha que a sé de braga:
    .
    Qui nescit dissimulare, nescit regnare:
    Quem não sabe fingir, não sabe governar
    .

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  18. Tiradentes's avatar
    Tiradentes permalink
    7 Maio, 2011 11:14

    Pois o problema é esse Patricio…os boys as empresa do regime que comem o açucar e a cereja do bolo mas não esqueça que o pão-de-ló é consumido por mais de dois/três milhões de “comedores” do estado.Assim ficam muito menos “particulares” como vc lhe chama.

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  19. dc's avatar
    7 Maio, 2011 11:23

    Os portugueses gastam muito em prendas porque, tal como o Arlindo, ainda acreditam no pai-natal.
    Este homem fica caro ao Socrates (contribuintes) em horas extraordinárias. Pior é que trabalha muito, mas produtividade nem vê-la!

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  20. blitzkrieg's avatar
    blitzkrieg permalink
    7 Maio, 2011 12:54

    Bom post. Infelizmente o criminoso que levou Portugal à falência deverá ganhar novamente as eleições e conseguirá com que, daqui a 3 anos, Portugal tenha uma dívida muito superior à actual, terá enganado a Troika com muito mais requinte que os Gregos, e estaremos todos mais pobres.

    Começo a acreditar que a Democracia não será a melhor opção para um povo estúpido… mas também não conheço nenhuma opção melhor…

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  21. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    7 Maio, 2011 13:26

    lucklucky
    Os Portugueses gastam onde quiserem. É o dinheiro deles

    Pois é meu caro, mas os sujeitos da Troika não acham o mesmo, e por isso direccionaram muitas das medidas no sentido de obrigar os portugueses a poupar. Não culpe só o Estado porque, quiçá, também tem culpas no cartório.
    Na parte que me toca podem cortar que tenho folgo financeiro para as suportar. Quem não o tem faça alguma coisa para o ter.

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  22. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    7 Maio, 2011 13:33

    Se esta tendencia de voto se mantiver, um empate tecnico PSD/PS, e o Ps ficar à frente digamos com 2 ou 3 deputados, e não conseguir fazer maioria com o CDS, vai ser bonita a festa: Portugal fica definitivamente ingovernavel; 74% dos portugueses acham que o governo é mau ou muito mau, mas 37%, portanto metade destes, vão votar nele outra vez. Isto faz algum sentido? Só em Portugal.
    Modestamente ando aqui a escrever há uns tempos que nos esperam tempos muito dificeis. O que está previsto no acordo com o FMI e a UE, ainda não é nada. Cavaco ontem falou em 3 anos para ficarmos piores do que estamos se nada for feito; na minha opinião enganou-se. Com Socrates como 1º ministro lá para o final deste ano, vamos começar a falar em reestruturar a divida, e com episodios como o das contrapartidas que o governo tem andado a negociar com os empreiteiros das PPPs, e que esconde do tribunal de contas, ( 10 mil milhões de euros só em 4 ou 5 novas autoestradas), e outros que não conhecemos, o que nos espera é muito, mas muito feio.
    Como diz o Antonio Barreto, Socrates tem que ser severamente punido; e o PS tambem, digo eu.

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  23. alamaiacorreia's avatar
    alamaiacorreia permalink
    7 Maio, 2011 14:03

    Caro Arlindo Costa,

    “(…) Agora os partidos da oposição ( principalmente o PSD!), os sindicatos e as corporações patronais e profissionais que habituaram-se a mamar e a chular à custa do Estado Social e dos contribuintes vão engigar a espinha e baixar a bolinha. (…)” Mas não é o sr. Pinto de Sousa o Maior defensor do “Estado Social” português?
    Qual é a Sua opinião sobre “o Governo de José Sócrates tardou em reconhecer a crise global que se adivinhava em 2008 e isso foi grave para Portugal”. Sabe quem produziu este pensamento?
    ‎”Muitos dirão que o PSD não é melhor do que o PS e que o seu líder já cometeu erros imperdoáveis. Mas essa não é a questão principal, porque não são as dúvidas sobre a capacidade da futura governação que estão em causa, mas a certeza do que avaliei ao longo dos últimos anos e a convicção de que não tendo o PS compreendido até agora o mal que fez aos portugueses, não merece o meu apoio”. Henrique Neto, militante do PS
    EDUCAÇÃO – memorando (p. 23): “to tackle low education attainment and early school leaving and to improve the quality of secondary education and vocational education and training, with a view to increase efficiency in the education sector, raise the quality of human capital and facilitate labour market matching”. Pode parecer básico mas é essencial num país que durante estes 6 anos nos habituou a acreditar que para se investir na Educação bastava instalar quadros interactivos e distribuir Magalhães.
    “O representante da Comissão Europeia na troika esclareceu hoje que nunca chegou a ser discutida a possibilidade de cortar nos subsídios de férias e Natal, nem substitui-los por certificados do Tesouro.
    Questionado directamente sobre estas duas vias de poupança, noticiadas nalguma imprensa portuguesa, Jürgen Kröger negou que tivessem sido discutidas.
    E disse que se Portugal tivesse pedido ajuda mais cedo, a cura de austeridade poderia ter sido mais leve.
    A mesma tese foi defendida pelo seu colega do FMI. “O atraso complica sempre as coisas e torna-as mais dolorosas. O desemprego acabou por subir mais do que o necessário”, exemplificou Poul Thomsen.(…)” Jornal de Notícias

    “Preferia ter pedido a ajuda externa depois das eleições.” – José Sócrates
    HÁ MAIS ALGUMA COISA A DIZER?!?!?

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  24. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 14:05

    Tem piada ler este artigo ao lado do do VPV.

    Percebe-se a quem o VPV também tira o retrato.

    Entretanto, botar Roubini dá bom ar. Pena não se ter sequer a noção que a dívida há muito que é impossível de pagar, pois nem para os juros acumulados o empréstimo serviria.

    Também valeria a pena menos cegueira e pensar no efeito dominó com a Grécia a bater na mesa e a ameaçar saltar fora.

    E já nem falo em patriotismo que isso é coisa que não faz parte do dicionário neotonto.

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  25. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 14:07

    Quanto ao tal que acha que o problema é os tugas ainda poderem ter restaurantes em conta e um mínimo de qualidade de vida. Já que o inverso é que é o futuro em prol da prosperidade no cu de judas, congratulo-me por os polícias terem poupanças.

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  26. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 14:09

    Pelo menos, neste caso, a pobreza só será de espírito.
    .

    E com isso aguenta-se bem as crises e venha lá mais poupança individual que assim é que se acertam balanças de pagamento.

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  27. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 14:38

    Era mesmo caso para se usar um slogan bom conselheiro: “Vivamos em bidonville para podermos sustentar PM com nome na montra de fatiota em LA”.
    .

    Ou outra- sacrifique-se cá dentro, que lá fora os mega-atlas agradecem.

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  28. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 14:45

    E o Luck até disse uma grande verdade- não resulta e é uma maneira de desviar dinheiros para o Estado.
    .

    Pois é. Porque quem tem de pagar é o Estado mais uns tantos que dão para os dois lados.
    E ainda precisam de fazer isto com engenharias de fabricação de dinheiro a partir do ar. Os bancos recebem uma pipa para a compra de títulos emitidos pelo Governo e com isso se enganar o défice.
    .

    Pelo meio ainda chamam liberalismo a privatizações em sistema de monopólio.

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  29. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 14:49

    É um bailout com injecção monetária para a bolha ir inchando. Riqueza real, não importa. Porque isso na volta, precisava de mudança estrutural que não passa por aqui.

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  30. J. Madeira's avatar
    J. Madeira permalink
    7 Maio, 2011 14:54

    É tudo problema do comentadeiro, quando dirigiu um jornal, muitas alternativas e bastas
    soluções foram apontadas, o seu apoio ao Governo no sentido de efectuar as reformas agora
    ditadas pela troika, foi aquele que se viu, não, nessa altura estava mais interessado em deitar
    abaixo o legítimo Primeiro Ministro de Portugal, aquele ano de 2009 fica para os anais do
    grande jornalismo, com as inventonas criadas a partir de Belém! Haja um pouco de decoro!!!

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  31. guna's avatar
    7 Maio, 2011 15:12

    a troika/fmi não se podem candidatar?

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  32. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    7 Maio, 2011 15:32

    J. Madeira,
    .
    Já sei agora que abrantrino não sabe escrever português. O criolo que o Madeira escreve tem uma semelhança a português notável, mas entretanto a colocação das vírgulas e a separação dos diferentes elementos sintáticos da frase dão a entender que, como diz Vargas Llosa, pensa como um «monito» (deixo a seu cargo ver o que mono significa na nossa língua).
    .
    E pronto, ataquei o homem, e não o argumento, como Sua Excrecência fez ao José Manuel Fernandes.
    .
    Agora a sério, alguma coisa do que o José Manuel Fernandes escreveu aqui é mentira? Se discorda, ataque o argumento, não o homem. O Madeira tem telhados de vidro, e eu aproveito para atirar calhaus (socialistas esses calhaus, claro), à sua cobertura.

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  33. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    7 Maio, 2011 15:33

    E dou-lhe de graça um erro de sintaxe no comentário passado. Descubra-o.

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  34. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    7 Maio, 2011 15:36

    Guna,
    .
    Maquiavel sugeria que o governo da cidade-estado fosse feito por estrangeiros. Já disse uma vez, e pela segunda o digo: vamos contratar o José Maria Aznar para chefiar o Executivo. Se houver uma subscrição pública para o seu ordenado, dou de boamente EUR 100 por ano em contribuição, e sei que sairemos todos a ganhar.

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  35. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    7 Maio, 2011 15:41

    Zazie,
    .
    Nos indivíduos e na sociedade, há várias maneiras de efectuar a mudança:
    .
    1) Os inteligentes mudam a partir da observação dos erros dos outros;
    2) Os palermas mudam após as consequências dos próprios erros;
    3) Na falta de uma palavra melhor, os néscios não mudam nunca.
    .
    Temos de mudar. Não mudámos após vermos os erros dos outros (que eram clamantes, notórios e exemplares). Não sei se mudaremos (e parece que não queremos mudar) mesmo perante a evidência da maldade das nossas faltas. As últimas semanas deram-me a convicção que a Troika não chegará a avançar a segunda prestação do empréstimo.
    .
    Logo, nem para palermas servimos.

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  36. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 15:47

    Francisco: eu hoje não estou para poesias.
    .

    Tem aí um testamento em debate com o Anti-comuna, se quer pegar em coisas concretas. Basta procurar por 128 comentários.
    .

    Se quiser responder ao que eu aqui comentei, força. Eu comentei, muito por alto, o post/artigo e uma imbecilidade do Pinto. Mais nada.

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  37. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 15:50

    Aqui:

    Só visto, contado não se acredita

    Foi antes de se saber das condições do “bailout” mas o principal está lá. A questão da debt trap é logo o ponto de partida para se saber de que se está a falar quando se fala em empréstimo e para que serve.

    Depois tem aqui, até nestes comentários minimais, mais do que eu disse. Se tem resposta- argumente. Se não tem, não me cite.

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  38. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 15:51

    Outra coisa- “nós” é consigo. Eu não devo nada a ninguém, muito menos à banca estrangeira.

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  39. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 15:53

    Essa treta do “somos todos culpados” já fede.

    No máximo haverá culpas em quem até fez propaganda por vigaristas ou votou neles. Não é o meu caso, e v. nunca me apanhou em contradição. Eu mudo pouco. Sou conservadora. Não sou bandeirinha.

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  40. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 15:56

    E sim- É bom pensar que nem esta treta é capaz de ir para a frente. Eu já pensei e já tratei do que há a tratar “em consonância”.
    .
    por isso mesmo é que deixei ali, nos outros comentários com anti-comuna, onde depois apareceu o Ricciardi da cubata a confirmar, uns detalhes que já me tinham passado.

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  41. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 16:07

    Já agora. Como anda por aí tanto ruído com o valor do empréstimo do FMI à banca, alguém que explique, de forma simples e clara, para que serve esse empréstimo.
    .

    E digo isto porque me parece que não só ninguém sabe, como serve para uns aproveitarem em demagogia sem contraditório e os outros taparem, como se nem existisse. Até o Anti-comuna passou à frente e disse que era para a banca financiar as empresas com empréstimos
    ~hahahahahahahahaha
    .

    Se assim fosse, de forma tão básica, em vez de emprestarem às empresas, emprestarem aos caloteiros para os caloteiros financiarem os empreendedores, até eu vinha para a rua com o PCP.
    .

    “:O))))))
    Não é tão basicamente assim. É mais assado e o oposto do que o anti-comuna disse. É precisamente porque tem de haver injecção monetária e venda da Dívida Pública. E isso tem de ser comprado por quem não tem liquidez.
    .
    E a isso chama-se pura e simplesmente um simulacro financeiro com criação de papel dinheiro produzido do ar.

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  42. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 16:11

    E isso significa criar inflacção e ainda outra coisa- usar os juros dos investidores privados para tal.
    .

    Por isso é que eles já tinham diminuído juros de emissões de Certificados de Aforro, sem dizerem água vai. e vão mexer mais. Porque é essa a primeira cena para se reestruturar pagamentos, há empréstimo do FMI ou bailout da UE. Ou saída do euro, ou o diabo a 7. Quando não há riqueza equivalente ao dinheiro, eles fabricam dinheiro em dívida para pagar dívidas.
    .

    Endividam ainda mais em nome do “pugresso”. É assim que as bolhas incham e depois rebentam e sucessivamente.

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  43. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    7 Maio, 2011 17:29

    “Pois é meu caro, mas os sujeitos da Troika não acham o mesmo, e por isso direccionaram muitas das medidas no sentido de obrigar os portugueses a poupar.”

    Quais? . Direccionaram muitas medidas para os Portugueses pagarem mais ao Estado-Políticos. E não são só aumento de impostos, são privatizações em que o dinheiro vai para os Políticos e não para os seus proprietários: Cidadãos. O dinheiro de cada empresa privatizada deveria ser distribuido pelos Portugueses não para o Político no Poder comprar votos.

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  44. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 18:02

    Já fiz post. Se quiseres comentar vai ao Cocanha porque não posso deixar link, devido ao bloqueio neotonto.

    E até me apetecia linkar estes texto do JMF mas acho que mais vale linkar o vazio dos peritos economistas. Ninguém diz nada. No pasa nada.

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  45. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 18:03

    Vou tentar deixar a link para testar o bloqueio. Se não aparecer, significa que mesmo em campanha o contraditório liberal tem dias

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  46. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 18:37

    As bolhas da macacada #série Z- à portuguesa
    7.5.11
    .

    Anda por aí meio mundo de peritos e politólogos, todos muito felizes com esta caridade do FMI e a garantirem que agora é que vai ser. O que é preciso é colaborarmos todos com muito sacrifício.
    .

    Pois bem, a treta inclui uma bruta fatia do empréstimo destinado a abono bancário para, depois, os nossos bancos poderem financiar a “economia real”, diz-se.
    .
    Sucede que, por sua vez, e para ajudar os “mercados”, o Estado incube-se da salvação do bom do lixo tóxico do BPN, em venda acelerada até Junho- com compra pelo Estado da porcaria que lá tem dentro.
    .

    E tem muita piada ninguém falar nisto. Porque, o empréstimo caritativo é mais ou menos uma macacada ponzi em bolha acelerada.
    .

    Os beneméritos do BCE e FMI vêm cá injectar 12 mil milhões de peidos que o Estado se encarrega, por sua vez, de seringar nos bancos falidos, para que depois estes possam voltar a emprestar ao mesmo Estado. Ficando o nosso Estado com dívida a dobrar, para pagar o inteligente empréstimo aos intermediários, em exigência dos ditos “mercados europeus”.
    .

    Parece que se costuma chamar a isto um simulacro financeiro, com venda de Dívida Pública.
    .
    Neste caso, para tentar cobrir juros de dívida acumulada.
    .
    Fenómeno este, fruto de engenharias tão engraçadas, que tem um nome apropriado à tolice geral em que caímos- uma boa de uma Debt Trap.
    .

    Desta vez, com a peculiaridade de serem os ratos e as ratazanas de grande porte a armadilha-la para os patinhos.
    .

    Resumindo, como Portugal não pode sozinho fabricar dinheiro do ar, vem o FMI fazê-lo pelo Estado. No fim, quem paga os juros da fantástica magia da fornicação das couves a partir do nada, só podem ser os contribuintes.
    .
    .Pode confirmar aqui

    Banco Português de Negócios
    .

    2.10. The authorities are launching a process to sell Banco Português de Negócios (BPN) on an accelerated schedule and without a minimum price. To this end, a new plan is submitted to the EC for approval under competition rules. The target is to find a buyer
    by the end of July 2011 at the latest.
    .

    2.11. To facilitate the sale, the 3 existing special purpose vehicles holding its non-performing and non-core assets have been separated from BPN, and more assets could be transferred into these vehicles as part of the negotiations with prospective buyers. BPN is also launching another program of more ambitious cost cutting measures with a view to increase its attractiveness to investors
    .

    2.12. Once a solution has been found, CGD’s state guaranteed claims on BPN and all related special purpose vehicles will be taken over by the state according to a timetable to be defined at that time.

    .

    zazie & musaranho coxo
    .

    Etiquetas: lixo SPV fica no Estado depois da venda do BPN

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  47. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    7 Maio, 2011 20:46

    lucklucky
    Quais

    O aumento do IMI, para desincentivar a compra de casa e consequente endividamento. A lógica desse aumento foi bem explicada nos órgãos de comunicação social. Ou agora sugere que fizeram a cabeça aos tipos da Troika para que aumentassem os impostos em detrimento de uma diminuição da despesa. Não eram eles que vinham cá colocar os pontos nos is?
    Não lucklucky, não é só o Governo que tem culpas. As pessoas também não estão dispostas a poupar um chavo que seja. E foi isso que levou à crise da banca.

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  48. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 21:30

    O aumento do IMI também é para quem já tem casa própria ,sem sequer estar a pagar qualquer hipoteca, por isso…

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  49. zazie's avatar
    zazie permalink
    7 Maio, 2011 21:31

    É mais uma forma de sacarem dinheiro para pagarem a imbecilidade aos que fizeram o negócio da China.

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  50. licas's avatar
    licas permalink
    8 Maio, 2011 13:13

    Eu vejo assim.
    Nunca se importou de que nós, os tugas,
    andarmos a pagar juros especulativos desde que o
    dito *estroina* tivesse massa para gastar.
    ESSENCIAL ERA, A TODO O CUSTO, QUE NÃO HOUVESSE
    INGERENCIA DO EMPRESTADOR EM VERIFICAR AS
    CONTAS PÚBLICAS COMO CONDIÇÃO PRÉVIA.
    (não pôde esconder as trafulhices do guarda-livros TACHEIRA
    ao seu mando).

    Por isto reagiu até à última a um empréstimo comunitário
    (evidente meus. . .).

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