Memorando(s) *
“(…), as incertezas sobre a capacidade de Portugal se desenvencilhar da crise em que se encontra, também ressurgiram. A situação de poço sem fundo vivida pela Grécia, fez com que, inevitavelmente, a discussão sobre as virtualidades do plano de resgate de Portugal, tenha reemergido, com intensidade.
Infelizmente, tem-se debatido pouco (…) o denominado “Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica”, celebrado entre Portugal e a UE/FMI. Este Memorando é um verdadeiro programa de governação, mais do que um simples programa de Governo, na medida em que envolve e compromete todos os partidos do denominado “arco da governabilidade”. A nossa eventual recuperação passará pela boa execução das medidas contidas no dito documento. Talvez muita gente ainda não se tenha apercebido, não só do conteúdo detalhadíssimo do Memorando, mas também da violência dos prazos impostos e das respectivas avaliações, ao nosso desempenho interno. (continua)
Por exemplo, até Setembro de 2011 – data da primeira avaliação – o Governo terá que apresentar uma nova Lei do Arrendamento Urbano e (ainda outro exemplo avulso) uma proposta legislativa, ao Parlamento, no sentido de reduzir em dois terços as deduções fiscais com os encargos de saúde, incluindo seguros privados. Apesar deste tipo de medidas que, dificilmente, os partidos conseguiriam assumir e executar sem o empurrão externo, continua a duvidar-se dos resultados do plano de resgate (das medidas previstas no Memorando). Por vezes, parece que os mercados internacionais já traçaram uma linha vermelha em volta da Grécia, de Portugal, da Espanha e mesmo da Irlanda, havendo quem pense a eventualidade de um Euro, sem estes Estados. Será isso possível? Será isso, em relação a Portugal, evitável, se cumprirmos as medidas do dito Memorando?
Possível (um Euro sem aqueles Estados) é; porém – sobretudo para nós – não seria a mesma coisa, para muito pior! Por outro lado, o Memorando e a sua execução, por si sós e ainda que esta venha a ser exemplar, só terão sucesso se, definitivamente, a Europa assumir a imprescindibilidade de um aprofundamento da União, institucionalizando uma verdadeira unidade e um governo político-económicos que sustentem o Euro. Enfim, esperemos que, brevemente, possamos dizer que sempre houve males que vieram por bem… ”
* Grande Porto, 17.06.11 (Opinião).

Uma Lei do Arrendamento Urbano para salvar o país da bancarrota?
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“Infelizmente, tem-se debatido pouco (…) o denominado “Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica”
Pois tem, mas convém perceber porquê. Isso só não foi muito debatido, na área dos partidos maioritários (PS e PSD). À direita deste conjunto e, justiça seja feita, à sua esquerda, foi-o. Só que a máquina de propaganda do centrão, apagou esse assunto.
Começamos, hoje, a concluir que o memorando foi assinado com a plena consciência de não poder ser cumprido. Se analisarmos as declarações de Durão Barroso há uns tempos atrás, percebemos que, ele próprio, já o tinha… percebido- “primeiro, tentar cumprir…”. Ora, este assunto que, com as suas especificidades, também diz respeito à Grécia e à Irlanda (e também à Espanha, à Itália, à Bélgica…), tem que ser agitado no âmbito da UE. É preciso trabalhar para uma relação de forças mais favorável. Quanto mais tempo deixarmos passar, pior.
(É possível um euro sem os países do sul? Claro que sim. Mas, que interesse é que isso tem? Fazê-lo, pode implicar que esses países regressam à condição de mão de obra barata, mas também quererá dizer que abandonam o estatuto de mercado para os valentões da europa).
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http://seekingalpha.com/article/275524-iceland-s-higher-growth-and-lower-unemployment-a-model-for-greece
The comparison versus Ireland and Greece should be a real shocker to Austerians as Iceland is projected to grow three times faster than Ireland, 2.3% versus 0.6% and, well Greece is projected to grow -3% so it’s infinitely faster. This is detailed in the table below The Program numbers are what the IMF targeted when they started working with the country. Note that there was a much bigger miss for Ireland than Iceland in 2010, though the absolute decline in Iceland was worse.
GDP % Change Versus Year Ago
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Prog. Est. Prog. Proj. Proj. Proj. Proj. Proj. Proj.
Iceland -6.9 -3.0 -3.5 2.0 2.3 2.9 2.7 2.7
Ireland -7.6 -0.2 -1.0 0.6 1.9 2.4 2.9 3.3
Greece -2.0 -4.2 -4.5 -3.0
Source: IMF
The unemployment rate in Iceland in 2011 is projected to be 7.5%. down from 8.1% in 2010. The unemployment rate in Ireland is projected to increase to 14.5%, up from 13.6% in 2010 while Greece is projected to reach 14.8% unemployment, up from 12.4 % in 2010.
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Conclusão: defesa dos EUE ?
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nós não somos problema para quem decide na UE;
Juncker está é preocupado com a contaminação da crise do euro à Bélgica e Itália e, nem sequer se preocupa muito com Espanha que, aliás já rola em plano inclinado alegremente.
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«a Europa assumir a imprescindibilidade de um aprofundamento da União, institucionalizando uma verdadeira unidade e um governo político-económicos que sustentem o Euro.»
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Isto é pura defesa do governo global. É “kantiano” até dizer chega. E eu acho graça como se pode defender o maior totalitarismo burocrático, ao mesmo tempo que se diz ser-se liberal.
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Mas pronto, sempre aprendendo. Liberalismo é “um estado de espírito”. E o espírito tem dias…
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Isto de um petiz ou petiza liberal, é comer e não pagar.
Neste momento fazia uma cebolada
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A ideia é sempre a mesma: agarrarem-se ao Estado para destruírem Nações.
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Agora até já conseguem desejar um mega-estado europeu (qualquer dia global, porque se não for global continuam as chatices) feito burocraticamente.
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Bem que gosto de morder estas viragens neotontas. Batem certo com as origens- vêm todos dos mesmos ideais jacobinos que desembocaram nas utopias globais.
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E imporem tudo de cúpula, por lei.
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Por isso é que depois dizem outras coisas fantásticas- “somos contra o Estado e até queremos que o Estado proiba a si mesmo de interferir no mercado e no eu de cada um”.
ahahahahaha
E quem é esse Estado que vota contra ele próprio? um robot? uma abstracção teórica- ou será gente enfiada no poleiro e por lobbie sem mandato de ninguém para mudarem o mundo?
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Espero que este novo governo revogue ou suspenda todas as reformas douradas de politicos e gestores públicos e que foram concedidas ao longo destas últimas três décadas a título de favou ou de tráfico de influências.
Se este governo quiser mostrar que tem tomates, tem que começar por aqui!
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E porém,
by other side, lá diz
(y asi viva entre nosotros muchos años)
Saramago:
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E é mesmo assim, dá neles, força, Arlindo, que quem fala assim, lá digam o que disserem, é por força construtivo.
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O problema deste EURO é que é uma invenção sem racionalidade, excepto para aqueles que querem impor um mundo mais austero, onde a honra vem da pobreza.
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Não pode existir uma moeda única sem existir uma divida pública única numa parte significativa.
Quem percebe como os bancos e o BCE funcionam entende isto, a menos que tenha uma agenda politica própria , como são os neotontos.
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Se os critérios do Euro eram de 60% de divida pública / PIB , então uma forma simples de viabilizar este Euro será de unificar pelo menos 50% da divida pública/ PIB de cada membro da Zona Euro.
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“do conteúdo detalhadíssimo do Memorando, mas também da violência dos prazos impostos e das respectivas avaliações, ao nosso desempenho”
Mas é uma sorte, isso, uma oportunidade de rasgo, que alguém competente e sério, vindo de lá de fora, se ocupe de nos reesguardar cá dentro da trafulhice mafiosa indígena ou, para sempre, estaríamos perdidos.
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Portugal precisa de défice zero.
Só assim sem a máscara do dinheiro da dívida a tapar a pobreza real do país, enfrentar a sua baixa produtividade.
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Gostava era que alguém comentasse os comentários da Zazie.
Especialmente o Anti-comuna que, afinal, ainda não foi desta que entrou no governo.
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