é muito difícil não ser liberal em portugal – 2
Existe uma clara unanimidade nacional – do Dr. Mário Soares aos sectores mais tradicionais do PSD e do CDS – sobre as culpas do liberalismo e dos liberais na crise em que vivemos. O que tem predominado no país é o capitalismo selvagem, associado a políticas fanáticas de desregulação, e os cofres do estado estão falidos por falta de uma política corajosa de cobrança de impostos, que permita uma redistribuição justa dos rendimentos capaz de atenuar as diferenças sociais e de impulsionar a nossa economia. Preocupados em conhecer um pouco melhor os causadores de tamanha desgraça, fomos em busca dos liberais portugueses que têm dominado a política, a finança, a universidade. Encontrámos, para espanto nosso, não um, mas um sem-número de tipos. Verifique-os em seguida e veja se se reconhece nalgum deles. Provalvelmente, por pecar por defeito, a lista não incluirá o seu perfil.
Liberais Soaristas: são os fundadores do liberalismo da 3ª República. Inspiram-se na figura patriarcal de Mário Soares, que foi sempre um grande defensor das liberdades, um liberalão!, antes e depois do 25 de Abril. São grandes liberais, embora não gostem do mercado e defendam a intervenção, a regulação do estado e a fiscalidade progressiva. Recentemente o Dr. Soares indignou-se com os liberais portugueses, mas não foi por estar distraído, nem por dormido mal a sesta, mas apenas porque se irrita com o PSD.
Liberais Socráticos: a outra face do liberalismo socialista, que, por sua vez, se irrita com os Liberais Soaristas, principalmente com o delfim João, a quem acusam de ter plantado diversas tratantices nos jornais contra o legítimo governo do PS e o seu Querido Líder, em manifesto abuso da liberdade de imprensa. Gostam muito do mercado e das liberdades, desde que um e outro dependam do governo, para evitar que sejam postos em causa os sectores vitais para a estratégia da Nação ou a saúde dos utilizadores de piercings na ponta do pénis.
Liberais Salazaristas: quem manda, quem manda, quem manda? O mercado, certamente, desde que acompanhado e devidamente tutelado por quem sabe das coisas, isto é, pelo governo e pelo seu chefe, chame-se ele António, José ou Pedro. Para isso, nada como obedecer à lei, a grande fonte de todas as virtudes cívicas, como é sabido. A lei do condicionamento industrial, por exemplo, é óptica para uma sã concorrência. Não se diferenciam muito dos anteriores.
Liberais Corporativos (ou Arrojeanos): revêem-se na “1ª e Única Lei Arroja da Economia”, segundo a qual a concorrência é óptima, desde que proibida no nosso ramo de negócio ou profissional. A esmagadora maioria dos portugueses, portanto.
Liberais Orgânicos: provenientes das juventudes partidárias, onde se inscrevem desde muito jovens para combater pela liberdade, o que fazem ao longo das suas sacrificadas vidas em organismos públicos, ministérios e fundações diversas, para os quais se têm de preparar apressada e esforçadamente – coitados! – mal os seus partidos ganham eleições. Não gostam nem desgostam do mercado: a exigência das suas profissões não lhes dá tempo para discorrer sobre isso.
Liberais Estatistas: gostam muito do mercado, mas não acreditam que ele seja capaz de se orientar sem a mão bem visível do estado. Para o equilibrar há que, obviamente, redistribuir rendimentos, a partir do governo, dos mais ricos para os mais pobres. E se pelo caminho ficar algum, é mais do que justo (vd. o conceito de “justiça social”). Encontramo-los placidamente a pastar pelos verdes prados do PS, do PSD e do CDS. O Bloco tentou, em 2009, fazer essa aproximação ideológica com o PS, mas não teve, infelizmente, sucesso no empreendimento.
Liberais Académicos: entre eles os Professores Cardoso Rosas e Sousa Santos. Grandes defensores das liberdades, são liberais de esquerda, ocasionalmente próximos do PS ou de Bloco, para quem a liberdade e a prosperidade não existem sem uma forte regulação política e governamental do mercado. Um grupo deles, capitaneado pelo intrépido Professor Reis, economista de Coimbra, intentou uma queixa-crime contra as agências de rating, símbolo do mais despudorado capitalismo selvagem. Aguardam-se os resultados do inquérito, com ansiedade.
Liberais Financeiros: a malta dos nossos bancos, de Ulrich a Santos, passando pelos Salgado, que luta pela liberdade económica, desde que o estado e o governo não se esqueçam de os financiar e de os intervencionar quando for preciso. Ou seja, quando não houver guita para os depósitos, como aconteceu no BPN e nem tanto no BPP, como era obrigação moral do governo.
Liberais Radicais: Também conhecidos pelos Liberais Jacobinos, para quem a liberdade está nas causas fracturantes e que não concebem uma sociedade livre sem a legalização da interrupção voluntária da gravidez no Serviço Nacional de Saúde. O Bloco e outras organizações vanguardistas e progressistas estão neste lote da espécie.
Liberais Cainesianos: grandes admiradores do mercado, mas intervencionado, como muito bem queria o velho Lorde. Não se cansam de fazer contas da mais elevada matemática, para nos explicar como os incentivos governamentais vão pôr a economia e as finanças públicas no bem caminho. Predominam em todos os governos do regime, não esquecendo o actual, sobretudo nas secretarias de estado, nas direcções gerais e nos staffs técnicos.
Neo-Liberais: não são bem, bem liberais, como o nome deixa perceber, mas colaboram ocasionalmente com eles, como ocorre com o camarada António Figueira, desde que começou a prestar serviços profissionais no inner circle ultra-liberal de Miguel Relvas.
Ultra-Liberais: tipos fanáticos e de companhia indesejável, perigosos e completamente utópicos, próximos do anarquismo catastrofista e do niilismo mais destrutivo que põe em causa os esteios fundamentais da nossa civilização. Preferem o mercado ao estado, a liberdade individual à decisão pública, a propriedade privada à redistribuição, entre outras absurdidades. Dão, em suma, mau nome ao liberalismo português.

Faltam os Liberais de Estado: grandes contorsionistas que são ao mesmo tempo contra toda e qualquer forma de regulação mas aceitam que o estado estabeleça ligações privilegiadas com os grandes agentes privados do sector que integram.
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Uma categoria mais: Liberais anarquistas: Detestam e não frequentam henhum dos outros grupos. Tudo o que querem á e que o seu (deles ) Estado os chateie o menos possível, e se ocupe apenas do essencial, no tal «laissez vivre» et mettez vos petits réglements in a place of you anatomy where the sum don’t shine.
Else previsão:.(sou bruxo nas horas vagas) haverá consequências para a integridade das vossas rótulas, ou olecrâneos. E não olhem para mim, não tenciono ser eu a fazê-lo, nem a inspirá-lo. É só uma previsão «à la Zandinga»… 🙂
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Rui A.
UM belo texto cheio de sarcasmo. Ainda bem que voltou às lides. O Blasfémias sem o Rui A. fica pobre.
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Faltam aí os «Liberais Tugas», espécie que proclama o liberalismo e o neo-liberalismo como quem apregoa peixe na praça do Bolhão, mas todos eles são funcionários públicos, ou dependentes do Estado e dos contribuintes.
Basta apreciar de A a Z muitas das espécimes dessa fauna que entraram para o «novo» governo e o «novo» parlamento, para a gente se benzer de alto a baixo.
Dificil, dificil, em Portugal, é ser-se pelo Engº Sócrates, aquele que pela 1º vez quis liberalizar a economia e a sociedade portuguesa de alto a baixo!
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Obrigado, caro Ramiro.
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Muito Bom!
Sugiro apenas que retire da lista os Ultra-Liberais, representados por Hayek, Mises ou Rothbard, gente perigosa que pode influenciar os mais incautos e os mais jovens, e cujas leituras deveriam ser previamente autorizadas por quaisquer dos outros liberais.
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Faltam o João Miranda e a Helena Matos cada um de sua banda para completar o naipe.
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Junte-se aos bons, Rui A.
Tirando o João Miranda, que também já denunciou esta paranoia parece que andam todos distraídos.
Com esta ideia peregrina parece que vai chegar a nossa vez de começarmos a ser taxados.
Estes socialistas da treta agora parece que desistiram da fonte que sempre os alimentou. Porque é que não continuam a a cortar no Salário Mínimo, no Rendimento Social de Inserção e nas Reformas, na subida dos preços dos produtos básicos alimentares e porque é que não acabam com esse luxo que é a sopa dos pobres?
Porque é que não acabam com a assistência médica aos pobrezinhos, esse verdadeiro luxo que mantém essa gente viva, e ainda por cima a gastar dinheiro em comida? Quanto dinheiro se pouparia em reformas com a morte prematura dessa gente?
Mas não. Em vez disso lembraram-se de se virar agora para nós, que temos rendimentos superiores a 1 milhão. Até parece que se esquecem que são rendimentos perfeitamente lícitos, ao contrário dos tipos que andam a explorar o patrão, ganhando o salário mínimo só com a desculpa que trabalham.
Por este andar, onde é que isto irá parar?
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Blasfémios-Liberais: a tralha editora do blogue que, jogando tanta na extrema direita, está sempre fora de jogo.
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AC , desta vez, tem razão.
Existe política mais Liberal e corrupta que a praticada até aqui! A governação, amiga, liberou a economia do País para a família partidária, empreiteiros, banqueiros e agiotas estrangeiros. A solução do, nosso, problema não está em arrecadar mais dinheiro, está em tampar os buracos por onde os ratos somem com o nosso dinheiro.
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OBRIGADO BARCELONA !!!!!!
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Muito bom!
Só um pormenor: a 1a lei arroja escreve-se em inglês 🙂
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Por cá, a economia paralela por mais que lhe toquem nunca a encontram! Querem milagres? É um axioma!!!
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Os super-ricos do Mundo que querem pagar mais impostos aos Estados, pois que o façam.
Não queiram é obrigar os outros a pagar mais.
Que eu saiba, os ricos já pagam pela tabela máxima.
E pensem lá no que vou dizer:
Uma pessoa muito rica come quantos almoços por dia?
Que eu saiba só come um, como qualquer mortal.
O dinheiro que ele tem a mais que uma pessoa da classe média, ele não o gasta. Tem-no no Banco que por sua vez o faz movimentar na economia do país.
É ou não é?
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No lugar do Estado surripiar o meu rico dinheirinho, a título de impostos, também gostava que ele ficasse depositado no Banco.
Ficando esse dinheirinho no Banco, este o faz movimentar e assim a roda da economia nacional nunca pararia.
É ou não é?
( O Sousa Pinto não será da família do saudoso Engenheiro?)
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Liberais de Meia Tigela: os que só vão ao mercado para comprar azeitonas.
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Nem sei se acredite:
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“You see, some of the world’s largest governments are going broke, and these politicians will take any steps necessary in order to maintain the status quo: they will lie, they will steal, they will declare wars, they will bankrupt their people with hyperinflation… whatever it takes
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I’m an advocate of what I call planting ‘multiple flags.’ At its core, planting multiple flags means that you are diversifying your sovereign risk around the globe so that no single government has total control over your livelihood. Let me explain
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When you plant multiple flags, you diversify those assets around the globe.
By exemple: store your gold in Switzerland or home etc, open a bank account in Hong Kong or Gibraltar etc, register your company in Singapore or Andorra etc, establish an emergency ‘backup’ residency in Chile or Malta etc.”.
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-Market crash ‘could hit within weeks’, warn bankers
A more severe crash than the one triggered by the collapse of Lehman Brothers could be on the way, according to alarm signals in the credit markets.
http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/8721151/Market-crash-could-hit-within-weeks-warn-bankers.html
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“Chancellor Angela Merkel has struggled all this week to placate angry critics of her bailout policies within the Christian Democrat (CDU) party. Labour minister Ursula von der Leyen said countries that need rescues should be forced to put up their “gold reserves and industrial assets” as collateral, a sign that rising figures within the CDU are staking out eurosceptic positions as popular fury mounts.”
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Isto agora continua tudo entregue na mesma aos aventais maçons, desde o Miguel Relvas até à presidente do I. Camões, dependente do Paulo Portas no MNE
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Nenhuma das categorias define Liberal. É uma perda de tempo colocar as coisas nestes termos. A não ser que o objectivo seja dizer que liberais não existem…
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