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Um dos nossos “clusters” mais promissores

5 Setembro, 2011
by

Portugal gera 2% das exportações mundiais de calçado

Houve uma “revolução” neste sector, ocorrida nos últimos 3/4 anos. Sem subsídios, sem grandes planos de qualquer ministro da economia, fundamentalmente à custa da inovação dos nossos sempre diabolizados “empresários de vão de escada”. Que vêm aumentando as exportações, apesar de as fazerem numa moeda forte (será que eles defendem a nossa saída do euro???) e apresentando o 3º maior preço médio do mundo (USD 25,90 por par, face aos USD 3,39 da China), o que indicia estarem a concorrer na base da qualidade. Claro que à custa de uma vergonhosa exploração da classe operária: em 2010, os salários no sector do calçado aumentaram “apenas” 13%

Uma estratégia a seguir pelos outros sectores, pois o futuro passa por aqui.

P.S.: Imagem retirada daqui

54 comentários leave one →
  1. Monti's avatar
    Monti permalink
    5 Setembro, 2011 20:26

    Bravo.
    O mesmo deveria estar a suceder nas escolas/ensino.
    Na revista do DN de ontem,
    sobre o ensino de sucesso na Finlândia:
    Não existe “sistema de avaliação” dos professores.
    Talvez que se as escolas pudessem trabalhar
    com a liberdade e iniciativa das novas empresas do sector do calçado,
    o ensino melhorasse de vez.

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  2. O SÁTIRO's avatar
    5 Setembro, 2011 20:39

    Duas razões para o sucesso.
    1- NÃO INTERFERÊNCIA do Estado, libertando os empresários para a inovação, qualidade e competitividade.
    2-NÃO INTERFERÊNCIA dos SINDICATOS (leia-se CGTP) para protegerem os parasitas sindicais e berrarem reivindicações suicidas.

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  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    5 Setembro, 2011 20:54

    De Louçã a Paulo Portas, passando por Jerónimo a Seguro e Passos todos se interrogam como tal coisa se passou. Um mistério.
    Passa por todos eles um calafrio. Olham por cima do ombro.
    Sentem-se inúteis.
    Estes tipos prosperam sem os Políticos?!
    Como raio deixámos isto acontecer?!
    Depois chegam á conclusão:
    Têm de se fazer qualquer coisa para que estes brutos do calçado se sintam dependentes da política!
    A Economia não pode estar à frente da Política!
    O Calçado tem de respeitar a Política.
    Tem de haver regulação!
    É óbvio que 13% de aumento salarial atenta a estabilidade social do País!
    .
    Espera-se amanhã que os Jornais Publico, Expresso etc venham com artigos a defender um novo imposto especial sobre os Industriais e Trabalhadores do Calçado.

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  4. Diogo's avatar
    5 Setembro, 2011 21:10

    «Claro que com uma vergonhosa exploração da classe operária: em 2010, os salários no sector do calçado aumentaram “apenas” 13%…»
    .
    13% de quanto?
    .
    13% de 500 euros são 65 euros. 13% de 1000 euros são 130 euros. 13% de 1500 euros são 195 euros.

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  5. Euro2cent's avatar
    Euro2cent permalink
    5 Setembro, 2011 21:14

    E falta notar que nem os empresários nem os trabalhadores têm formação “adequada”, o que urge rectificar obrigatória e imediatamente! Já!

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  6. LR's avatar
    5 Setembro, 2011 21:16

    “13% de quanto?”
    .
    Ok, qual foi a subida no conjunto dos outros sectores? Ou, se quiser, nos sectores de salários mais elevados e mais altos?

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  7. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    5 Setembro, 2011 21:28

    Mais um monopólio Estatal perto da falência. Como raio os Soci2listas conseguem isto?
    .
    “The United States Postal Service has long lived on the financial edge, but it has never been as close to the precipice as it is today: the agency is so low on cash that it will not be able to make a $5.5 billion payment due this month and may have to shut down entirely this winter unless Congress takes emergency action to stabilize its finances.”
    .

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  8. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    5 Setembro, 2011 21:29

    Meus amigos, com este «teóricos da batata doce» o nosso futuro está nos campos, nas serras e nas planícies.
    A Albânia de Enver Oxcha sobreviveu quase 5 décadas nesse registo, e pelo que sabemos, nunca pediu ajuda internacional.
    As ideias albanistas e maoistas resistem de forma brilhante na cabeça dos nossos «governantes» e até já contaminaram a fina flôr do entulho do liberalismo tuga e berbere…

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  9. José's avatar
    José permalink
    5 Setembro, 2011 21:29

    Bom tema. O calçado de manufactura portuguesa julgo que ainda se faz em Felgueiras e S. João da Madeira. No início dos anos noventa visitei uma fábrica em Felgueiras que exportava calçado. Fiquei admirado com a qualidade e que não se via nas montras nacionais, com excepção da Mariano, uma firma de S. João da Madeira ( ao lado da extinta Molin). Portanto, ia tudo para fora.
    A Mariano, no início dos anos oitenta tinha sapatos com desenho fantástico. Depois disso perdeu o designer ou ficou ultrapassada. Mas não na qualidade do produto.
    Um par de sapatos da Mariano para homem custa cerca de 160 euros. Caro. Mas os modelos estrangeiros da Boss ou da Lottusse custam para cima de 200. E se formos para a Ferragamo italiana duplica o preço. Uns Church custam o triplo.
    E no entanto o produto nacional tem qualidade idêntica, pelo que o que varia é o desenho, o design e o marketing.
    Pergunto: porque é que em 20 anos não se melhorou isto e se concorre com os italianos que são os mestres nesta área?

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  10. José's avatar
    José permalink
    5 Setembro, 2011 21:32

    Neste sector do calçado nós temos o know how e os players tal como o FC Porto os tem no futebol.
    Falta-nos um bom treinador.

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  11. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    5 Setembro, 2011 21:34

    Porque os Portugueses não gostam de concorrência e lucro a não ser no Futebol.
    Logo o capital humano é curto.

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  12. José's avatar
    José permalink
    5 Setembro, 2011 21:41

    Há um produtor nacional de calçado que tem feito alguma inovação mas parece-me um tanto ou quanto parolo: Armando Silva. . Até o logótipo é pobrezinho. Mas o produto tem muita qualidade. E parece que há a Stonefly que é outra coisa .

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  13. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    5 Setembro, 2011 22:14

    “E no entanto o produto nacional tem qualidade idêntica, pelo que o que varia é o desenho, o design e o marketing.
    Pergunto: porque é que em 20 anos não se melhorou isto e se concorre com os italianos que são os mestres nesta área?
    .
    .
    Talvez porque a imagem de Portugal no exterior é mesmo má. Sinónimo0 de baixos salários, analfabetismo e baixa qualidade. E os portugueses fazem em gosto de prolongar esta imagem, quando avaliam colectivamente o país. Vender Portugal no exterior é, não apenas um desafio mas uma façanha. Se os próprios portugueses destroem a imagem do país lá fora como se pode pensar que a nossa produção nacional pode almejar um estatuto maior? Só com muita luta, quer no exterior como no interior de Portugal.
    .
    .
    Já tenho dito aqui amiúde que Portugal e os portugueses precisam de mudar a sua ladaínha, sempre a dizer mal do país, das suas empresas e dos seus produtos e serviços. Porque acabam por gerar uma má imagem no exterior (como alguns artigos que o JMF publicou na imprensa estrangeira, por exemplo) que depois se repercute nos preços praticados nos mercados internacionais.
    .
    .
    Há uns anos atrás, o Carlos Tavares, agora na CMVM, chegou a lançar uma ideia fantástica mas quase abandonada logo a seguir, pelos governos seguinte. Criar um agrupamento de marcas e empresas de alta qualidade portuguesa para gerar na psique dos estrangeiros, uma imagem do produto português mais positiva. O nosso Ministro da Economia poderia imitar essas medidas (na prática, é uma ideia original japonesa da Década de 60, se não me falha a abagaçada memória) e voltar a criar o famoso Portugal Trade.
    .
    .
    Os próprios dirigentes associativas têm bastantes culpas no cartório. O CCZ farta-se de bater neste ponto. Se as próprias empresas dão uma péssima imagem do seu sector como podem atrair quadros qualificados para as suas empresas?
    .
    .
    Mas ao contrário do miserabilismo entranhado tuga, eu nos últimos anos encontrei coisas fantásticas feitas em Portugal, que mostram que o nosso tecido produtivo está a mudar. E a mudar para melhor. E que, mais tarde ou mais cedo, este tecido produtivo irá vencer nos mercados externos. Mas para vencer nos mercados externos, é quase condição essencial, dominar os mercados domésticos. Que devem ser o “laboratório” das nossas empresas, com o lançamento de novos produtos e serviços, com mais valor acrescentado (e maior produtividade) e que sirvam de teste para mais tarde exportar. As empresas portuguesas estão a fazer isso.
    .
    .
    Felizmente não é apenas o calçado que está a dar cartas. Sectores como eletrónica, indústria electrica, têxteis, papel, etc. estão a mostrar capacidades de competição excelentes. Estou em crer que Portugal está no ponto rebuçado para ter altos crescimentos económicos. É preciso também que a imagem dos portugueses mude e que eles próprios sejam menos miserabilistas quanto ás suas próprias capacidades. Eu gosto de usar o exemplo da Renova, como a empresa que revolucionou um mercado, tornando-o na moda. Pode parecer pouco mas é um exemplo fantástico de como em Portugal há quem faça milagres de gestão. E económicos.
    .
    .
    Outro exemplo é o da Efacec, uma empresa cuja tecnologia é quase toda portuguesa e que está a crescer a taxas acima dos 20% ao ano, quase tudo através do crescimento orgânico. E agora conseguiu um novo feito histórico. Ganhou a competição pelo fornecimento de recarregadores rápidos para carros eléctricos, no mercado norte-americano. Competindo com o que de mmais avançado se faz no mundo nessa área. Ora, a Efacec é outro exemplo que há coisas muito boas em Portugal. Era preciso é reconhecer o mérito quando existisse e sermos menos miserabilistas.

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  14. Carlos Dias's avatar
    Carlos Dias permalink
    5 Setembro, 2011 22:17

    “Pergunto: porque é que em 20 anos não se melhorou isto e se concorre com os italianos que são os mestres nesta área?”
    Mestres em quê?
    No estilismo?
    Se for isso, não sei.
    Outros saberão.

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  15. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    5 Setembro, 2011 22:21

    Tenho o catalógo da Primeira Feira de Design em Portugal, senão me engano é de 1973. Como já não deve estar em copyright um dia destes quando tiver tempo faço o scan e coloco online.
    Uma das consequências do 25 de Abril, PREC, nacionalizações e ideologia esquerdista sem senso foi o corte cultural entre os artistas e os empresários. Ao fim de mais de 30 anos ainda dura, embora cada vez menos, a desconfiança.

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  16. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    5 Setembro, 2011 22:22

    “Efacec fornece o mercado dos EUA com carregadores rápidos para veículos eléctricos”
    .
    In http://www.efacec.pt/PresentationLayer/efacec_press_01.aspx?tipo=&area=1&idioma=1&id=319
    .
    “Tendo em conta que até à data existem cerca de 700 carregadores rápidos homologados pela norma japonesa CHAdeMO instalados em todo o mundo, dos quais cerca de 600 no Japão e o resto maioritariamente na Europa, este projecto é de longe o maior projecto de carga rápida actualmente em execução à escala mundial, posicionando a Efacec como o maior fabricante do mundo dos carregadores de carga rápida.
    .
    Recorde-se que a Efacec foi recente galardoada com o prémio de inovação COTEC/UNICER, por ter lançado no mercado este tipo de carregadores, cujo papel se considera determinante na adesão à mobilidade eléctrica, pelo facto de contribuírem fortemente para a redução da chamada “ansiedade de autonomia”, normalmente associada aos veículos eléctricos.
    .
    Este contrato foi concretizado em concorrência aberta com outros fabricantes europeus e americanos e foi ganho não apenas devido às capacidades que a Efacec demonstrou a este exigente cliente (que assim irá ter a sua rede baseada em tecnologia portuguesa), mas também dada a competitividade da sua oferta.
    .
    Releva-se ainda que este projecto constitui uma referência de elevada importância para a Efacec no campo da mobilidade eléctrica, onde a empresa se quer afirmar como líder internacional, permitindo-lhe não apenas reforçar mas também diversificar a presença dos seus vários negócios no mercado dos EUA.”
    .
    .
    Esta vitória pode representar para a Efacec um poderoso trunfo para massificar um novo produto e um novo serviço que poderá ajudar, não apenas a própria Efacec mas a industria portuguesa agregada à volta dela e deste sector. Sector esse mais competitivo do que nos parece.
    .
    .
    A nossa imprensa também não gosta muito de noticiar coisas bem feitas em Portugal. Não investiga e pouco se interessa pelo nosso tecido produtivo. Têm um comportamento labrego, quando perdem muito tempo à volta da agricultura mas fechando os olhos ao que mesmo conta: bons produtos e serviços feitos em Portugal. Com valor acrescentados e salários mais altos.

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  17. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    5 Setembro, 2011 22:25

    “Uma das consequências do 25 de Abril, PREC, nacionalizações e ideologia esquerdista sem senso foi o corte cultural entre os artistas e os empresários. Ao fim de mais de 30 anos ainda dura, embora cada vez menos, a desconfiança.”
    .
    .
    Tem toda a razão. Pior. Este divórcio ainda existe e até os ditos amantes da cultura não fazem mínima ideia da importância da Cultura para um tecido produtivo de alta competitividade e produtividade. A Cultura é talvez dos factores mais importantes para gerar um país fortemente competitivo e altamente produtivo. E no entanto, até a generalidade dos nossos agentes culturais não passam de meros parasitas com a mania que são artistas mas apenas uns meros labregos. Glup!

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  18. Eleitor's avatar
    Eleitor permalink
    5 Setembro, 2011 22:43

    Tiveram a sorte dos governantes não se apaixonarem pelo sector

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  19. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    5 Setembro, 2011 23:19

    Ora bem Eleitor.

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  20. LR's avatar
    5 Setembro, 2011 23:29

    Caro Anti-comuna,
    .
    “A Cultura é talvez dos factores mais importantes para gerar um país fortemente competitivo e altamente produtivo.”
    .
    Ou seja, a cultura pode – e deve – ser um excelente negócio. Mas pensar assim constitui autêntico sacrilégio…

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  21. anti-comuna's avatar
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    5 Setembro, 2011 23:36

    “Ou seja, a cultura pode – e deve – ser um excelente negócio. Mas pensar assim constitui autêntico sacrilégio…”
    .
    .
    Exactamente. E a Cultura não pode ser vista apenas como meros serviços, mas na própria envolvência dos actores económicos com a Cultura. Por exemplo, uma empresa pode fazer muito pelo seu marketing se investir na Cultura. Uma empresa quando cria um produto está a usar a Cultura em toda a sua máxima capacidade intensiva. Criar um produto ou serviço de alto valor acrescentado, seja a desenhar uma máquina (sugiro que se veja o design industrial das novas máquinas da Adira) ou até mesmo a criar um sapato, um licor ou até mesmo um parafuso, os aspectos culturais são relevantes.
    .
    .
    Agora, eu entendo a Cultura como toda a actividade humana, mesmo as mais banais como falar ao telefone. E também um bocado “à germânica”.

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  22. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    5 Setembro, 2011 23:49

    Sugiro que se veja o design industrial desta máquina da Adira:
    .

    .
    Imagem picada daqui: http://aeiou.expresso.pt/adira-inova-no-corte-a-laser-de-fibra-otica=f614411
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    Não apenas a máquina tem que ter alta perfomance, como o próprio design industrial, mesmo que bens de equipamento industrial, podem vender. Uma imagem agradável gera logo uma simpatia pelo produto. Claro que depois as características técnicas e a perfomance são deveras importantes, mas não esquecer que todos os sentidos são usados pelos seres humanos para comprar um produto e um serviço.
    .
    .
    E quando falamos de Cultura, não conta apenas os produtos, bens e serviços culturais clássicos. Como as denominadas artes superiores (ou elitistas, se quisermos) mas as comezinhas, muitas vezes não as temos com o valor devido. Por exemplo, o sabor de um biscoito, passível de ser exportado, tem tanto de processo industrial como um produto cultural e gastronómico, que pode fazer a diferença nos mercados internacionais. E aqui a cultura dos consumidores nos mercados domésticos podem fazer a diferença entre um bom produto e um mau.
    .
    .
    Se fossemos discutir isto ainda mais em profundidade, poderiamos debater a diferença entre as denominadas culturas anglo-saxónicas e as europeias continentais. Que depois têm um grande nas suas próprias estruturas económicas.

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  23. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    5 Setembro, 2011 23:51

    Falta aqui uma palavra importante, para dar sentido à frase:
    .
    Se fossemos discutir isto ainda mais em profundidade, poderiamos debater a diferença entre as denominadas culturas anglo-saxónicas e as europeias continentais. Que depois têm um grande IMPACTO nas suas próprias estruturas económicas.
    .
    .
    Mil desculpas.

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  24. José's avatar
    José permalink
    5 Setembro, 2011 23:52

    Carlos Dias:

    Basta ler o jornal La Repubblica para perceber que a publicidade que lá vem a produtos italianos, mormente de calçado ( Todd´s, por exemplo e que é actualmente o patrocinador da renovação do Coliseu de Roma) e que eles são mestres nesse estilismo.
    São-no nos carros ( o Peugeot 205 dos anos oitenta é de Giugiaro, salvo o erro e o design da Alfa Romeu e da Ferrari e assim mostram-no) no próprio design de carruagens de comboio ( o nosso Alfa é de Giugiaro, parece-me) e também nos sapatos.
    Basta ver a publicidade aos produtos que têm para ver que são os melhores.

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  25. José's avatar
    José permalink
    5 Setembro, 2011 23:55

    Os italianos precisamente no La Repubblica tem um suplemento cultural diário e que ao contrário do Público e do Y que ninguém lê porque é intragável com esta directora jacobina que por lá anda, é um must. O jornal custa dois euros e por vezes compro-o por causa desse suplemento cultural de uma ou duas páginas.

    Portanto, concordo que a cultura é importante. Mas não a do Bloco exclusivamente.

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  26. anti-comuna's avatar
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    6 Setembro, 2011 00:00

    “Basta ver a publicidade aos produtos que têm para ver que são os melhores.”
    .
    Um produto não se mede apenas com o design mas outras características, como perfomance, fiabilidade, conforto, ergonomia, etc. Os italianos até são mais atrasadinhos que os portugueses nesses aspectos. Mas sabem vender, casando a dita Cultura de elites com esse design. Mas nas outras características perdem bastante.
    .
    .
    Um produto e um serviço pode e deve ser avaliado com todos os sentidos. É algo que ainda não é bem apreendido pelos próprios produtores dos produtos e dos serviços. Mas as marcas são isso mesmo: exponenciar todos os sentidos de criar uma sensação humana que leve ao impulso de a consumir. O design é apenas uma das características.

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  27. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Setembro, 2011 00:00

    “Ou seja, a cultura pode – e deve – ser um excelente negócio. Mas pensar assim constitui autêntico sacrilégio…”
    .
    lembrei-me logo dos negócios Berard – CCB- Estado e não consegui encontrar nada que os ligasse ao PREC. Azar.

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  28. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:13

    Quem vai a Itália e entra numa livraria nota logo a diferença que nos separa, na tal Cultura. Uma boa livraria italiana, a Bompiani ou outra tem de tudo e mais alguma coisa ( há uns anos, comprei um magnífico livro ilustrado sobre rock progressivo que nem sequer há na Inglaterra parecido. Em qualidade de impressão e em conteúdo.)
    A publicidade italiana quanto a mim é apenas o indicador de que a qualidade também existe nos produtos, por exemplo têxteis.
    As marcas italianas são de grande qualidade. Basta ver qualquer montra de qualquer pequena cidade de Itália ( Pisa por exemplo) para perceber que estão muitas léguas à nossa frente que temos o Colombo com produtos do senhor Ortega e pouco mais.

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  29. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    6 Setembro, 2011 00:14

    No outro dia reparei que uma boazona que surge numa série americana de televisão era tuga. A Daniela Ruah. É uma boa actriz. E não é caso único. Desde a fotografia da Rapariga Com Brincos de Pérola atá ao Joaquim de Almeida a fazer de traficante mexicano, no mundo do cinema temos gente capaz a trabalhar. Mas o Cienma tuga não vinga.
    .
    .
    Porquê que o Cinema tuga não vinga. Será apenas por termos fracas estruturas cinematográficas? Penso que não. É por termos um mercado pequeno. E depois, para agravar ainda mais a coisa, os nossos filmes e séries de televisão t~em que ser “traduzidos” ou dobrados no Brasil, um mercado que é cerca de 10 vezes maior que o nosso. Mas o nosso Cinema não arranca. Porque o mercado é pequeno.
    .
    .
    Mas se houvesse uma atitude diferente, talvez as coisas melhorassem. Se eu vejo a Daniela Ruah a fazer um bom trabalho numa série americana, fala em inglês, estou em crer que, talvez, a saída para a crise do nosso Cinema passava por fazerem filmes e séries em… Inglês. Porque não? Foi assim que os tipos em Hong Kong exportaram as “culturas marciais” chinesas, usando o inglês como língua. E o Bruce Lee chegou onde chegou onde chegou, mesmo que curta a sua carreira, garças ao uso do inglês nos seus filmes.
    .
    .
    Mas o caso ainda mais curioso, foi dos Westerns Spagettis, que criaram lendas cinematrográficas mundiais com a generalidade dos actores, realizadores, pessoal técnico e até financiadores, usando, não apenas o inglês nos seus filmes como histórias tipicamente americanas. (Ou no seu estereótipo.)
    .
    .
    Em Portugal é que ainda não houve ninguém com coragem que se lembrasse de fazer filmes em inglês e tentasse vender essas obras pelo mundo fora e não apenas junto do público português. Ainda por cima com baixo poder de compra e em pequeno número. Se temos actores que vencem a falar inglês, desde a Medeiros até ao Almeida…
    .
    .
    Só que vamos outras aos aspectos culturais dos nossos artistas. Mentalidade parasita ou demasiado ambiciosos para as suas capacidades. Não é Manuel de Oliveira quem quer, mas quem pode. ehehheh

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  30. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:15

    Aliás, por falar no senhor Ortega ( Zara) porque e que esse galego fez na Corunha o que nós poderíamos ter feito em Guimarães?
    Porquê? Alguém sabe responder?

    Por mim a resposta tem um sentido: por causa do PREC. Essa foi certamente uma das razões.

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  31. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:21

    O cinema português não vinga porque temos os bonzos a mandar na Cultura. Ou são bloquistas e fazem filmes intragáveis ou são mitos que nem sabem filmar ( António-Pedro Vasconcelos e aquela desgraça que o filme com uma actriz que agora não me lembra o nome e cujo filme é aflitivo de mediocridade).
    Contudo fazemos muito boas telenovelas. Tão boas como as brasileiras. Por isso também poderemos fazer bons filmes se houver gente que aposte em bons argumentos. Que os não há…

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  32. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    6 Setembro, 2011 00:22

    José, não digo que a qualidade do produto italiano nalgumas áreas é mau. Mas em termos gerais, é fraco. Veja que os carros italianos pouco vingaram. Não basta o design, há outras características importantes que os italianos ficam a perder. E quem diz carros, diz máquinas industriais, comidas, etc.
    .
    .
    Claro que eles têm coisas de finissima qualidade. Concordo consigo. Mas em termos gerais, se analisarmos todas as características dos produtos deles, eles ficam atrás dos portugueses. Tirando alguns sectores. E mesmo nos têxteis, quantas marcas italianas vendem produto feito em Portugal com selo italiano? Benetton, por exemplo. Ou Armani.
    .
    .
    E o caso francês é semelhante. Mas aí, as marcas de luxo franceses ultrapassam em muito as italianas. Noutros sectores, até os suiços passam a perna os italianos, como na joalharia, por exemplo. No entanto…
    .
    .
    O problema do produto italiano, em termos gerais, é ter um excleente design e uma capacidade de recriar em termos culturais, os seus produtos. Mas a fiablidade e perfomance do seu produto, depois… Desde roupas caríssimas com borboto ao fim de uns meses até aos desbotar das cores, ao fim de meia dúzia de lavagens.
    .
    .
    E eu até gosto de alguns produtos italianos, veja lá. Mas entre adorarmos algumas suas coisas (e até as consumirmos) e dizer que os tipos são bons em termos qualitativos, vai uma grande diferença, caro José.

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  33. TLD's avatar
    TLD permalink
    6 Setembro, 2011 00:25

    Eu acho é que o LR não percebe muito de economia. Se Portugal exportasse numa moeda mais fraca poderia exportar muito mais. E exportar numa moeda fraca não invalida que não se possam exportar produtos de alto valor acrescentado.

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  34. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    6 Setembro, 2011 00:27

    “Aliás, por falar no senhor Ortega ( Zara) porque e que esse galego fez na Corunha o que nós poderíamos ter feito em Guimarães?
    Porquê? Alguém sabe responder?”
    .
    .
    Design. Foi o primeiro ibérico a copiar o design italiano. Design copiado dos italianos e qualidade do produto português. A Zara chegou onde chegou graças à qualidade da produção portuguesa. Mas ele sabe vender, os portugueses ainda não. Mas as vendas da Zara começaram a abrandar quando decidiu desviar a produção de Portugal para os brasis, marrocos, etc. Vai acabar por voltar a Portugal, quer queira, quer não. Ou arrisca-se a sofrer uma profunda crise.
    .
    .
    Mas em Portugal já começam a surgir competidores da Inditex. Olhe, a Lanidor, por exemplo. Com uma vantagem. Em Portugal testa-se novos materiais, aprimora-se a qualidade das fibras, aspectos ergonómicos, compostos tóxicos, etc. que a prazo servirá para vencer a concorrência internacional. Os nossos têxteis precisavam de um Joaquim Furtado à frente das suas associações empresariais, como tem o Calçado.

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  35. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:31

    Os carros italianos pouco vingaram? Não tem reparado num certo Punto que anda por aí? E quem criou as grande marcas emblemáticas como a Ferrari que ainda anda nas curvas da F1?

    Quanto aos têxteis são imbatíveis. Vá a qualquer alfaiate ou veja qualquer fato de boa qualidade e veja a etiqueta do algodão ou da lã: são italianos.

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  36. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    6 Setembro, 2011 00:34

    José, tirando as marcas de luxo nos carros, pouco mais foi feito. A sorte da Fiat (e o seu Fiat 500, que acho que deve estar a confundir) é que o italiano que tomou conta daquilo cresceu e foi feito no… Canadá.
    .
    .
    As marcas de luxo italianas ainda se safaram e a Fiat esteve quase para fechar as portas. Tirando isso, pouco mais fica. Não é a exportar Ferraris que a Itália se safa, mesmo que seja importante, claro.
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    José, os italianos são os chineses da Europa com queda para o bom gosto a nível artístico. ehheehheh
    .
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    Claro que aquilo está a mudar muito. Ainda bem, mas até recentemente eram os chineses da Europa. 😉

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  37. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:36

    Têm Giugiaro, têm Bertone e respectivos ateliers e têm muitos outros. Design e qualidade de apresentação dos produtos. os portugueses que nome têm no design? Nessuno…

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  38. anti-comuna's avatar
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    6 Setembro, 2011 00:37

    Já agora, José. Eu gosto mesmo muito de Itália e se vivesse numa cidade grande, se pudesse vivia em Florença, a cidade italiana que eu mais gosto. Mas tenho que dizer a verdade. Mesmo que eu goste muito de Itália e sobretudo italianas. eheheheh

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  39. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:38

    E mesmo as italianas, claro. A qualidade é imbatível, ahahaha!

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  40. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Setembro, 2011 00:38

    (…) 1129: No dia 6 de abril, Afonso Henriques dita uma carta em que se proclama soberano das cidades portuguesas (…)
    .
    ié: 882 anos depois estamos como estamos por culpa do PREC. Cuidar do QI também dava jeito!

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  41. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    6 Setembro, 2011 00:40

    ” Design e qualidade de apresentação dos produtos. os portugueses que nome têm no design? Nessuno…”
    .
    .
    Pouco têm, comparados com os italianos. É como eu lhe digo. os tipos, a nível de design de alguns produtos, são geniais. Mas um produto não se mede apenas pela design, há outros importantes aspectos a ter em conta.
    .
    .
    Não penso que menorizo a capacidade artisitica deles nesse tipo de produtos. Não, admiro-os bastante e respeito-os. Mas depois disso, que mais têm eles? Mas eles também estão a mudar. À força, mas estão-no. Um dia destes também irão surpreender o mundo, mas as mudanças lá são muito mais lentas que cá. Disso não tenha dúvidas nenhumas.

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  42. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:42

    Portela: o PREC capou-nos o capital. Nunca mais foi a mesma coisa. Não sou eu que o digo.
    E ainda há bocado na tv o filho do Mota Pinto lembrou que foi apenas em 1989 que foi possível privatizar porque estava tudo bloqueado constitucionalmente.
    Um país pode destruir-se em meia dúzia de anos como a esquerda o fez, mas para construir há duas vias: muito tempo ou um Salazar a mandar.

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  43. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:45

    O Capital é a seiva da economia. O Estado delapidou do Capital e os capitalistas fizeram-lhe um manguito. Os que temos agora vivem à pala do Estado (obras públicas) na sua maioria ou dedicam-se aos serviços de mercearia.

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  44. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 00:46

    “Assim se vê a força do PCP”.

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  45. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Setembro, 2011 01:38

    caro José, o sr parece “parte interessada” no PREC e isso tolda-lhe a razão, não toda mas a suficiente para o tornar um fundamentalista contra o 25Abril74. Logo, as suas análises pecam por trazer sempre anexadas os tais 19 meses…
    As notícias sobre as culpas do Prec são manifestamente exageradas. É um pouco como culpar o preâmbulo da Constituição pelo nosso atraso. Tenham paciência.

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  46. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 09:46

    Portela:

    Para entender o meu ponto de vista, imagine que em vez de PREC falo de liberalismo. De onde vem a ideia básica e funcamental que o atenaza ideologicamente? De um tal Hayeck e outros e na prática de Reagan e Thatcher.
    Este lado prático das coisas aconteceu nos anos oitenta do século passado mas ainda se fazem sentir as ondas de choque e não é arriscado dizer que a nossa crise económica actual provém desses erros fundamentais que foram a desregulação da actividade financeira nos EUA, basicamente e com reflexos em todo o mundo. Pelo menos é essa a visão que certamente partilhará com outros…

    Pois então aceite que eu possa entender que os nossos males portugueses assentam raizes no PREC pelos motivos que apresentei: foi a partir do 25 de Abril e particularmente de 11 de Março de 1975 e do PREC que se lhe seguiu que Portugal virou ideologicamente à Esquerda, nacionalizou quase toda a indústria que tínhamos e até o comércio, em parte. A banca e os seguros idem.
    Só em 1989, por cortesia do PS ( que neste caso associo à Esquerda se bem que seja um partido social-democrata e com laivos de não saber ideologicamente onde está porque também tem praticado políticas neoliberais) é que a nossa Constituição passou a admitir a privatização da banca e dos seguros e das principais empresas nacionalizadas em 74. Eram conquistas irreversíveis do povo, até então…
    Desde 1989 até hoje, o capital não se recompôs em Portugal com a dinâmica que tinha antes de 25 de Abril e o capitalismo de Estado que tivemos só nos afundou, por obra e graça da mesma esquerda de que falo.
    A Esquerda é incompetente para criar riqueza e nós temos sido dominados ideologicamente nos media pela Esquerda retrógrada e serôdia e vamos continuar porque em épocas de crise o húmus para essa desgraça amumentar é maior.

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  47. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 09:49

    No livro OS Donos de Portugal de alguns próceres do BLoco de Esquerda e que leio e consulto amiude, acham que o capital se recompôs em Portugal e até mostram uns gráficos. No meu entender desmentem graficamente o que afirmam, quando comparam o que havia dantes com o que há hoje.

    Esse livro é o melhor instrumento de combate à Esquerda.

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  48. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Setembro, 2011 19:57

    olhe que não, olhe que não!
    Não temos o velhinho Grupo Cuf? Who care? – não temos as Brisas e MelosSaúde?
    Não temos o BPA, Banco da Agricultura, Burnay, etc, etc, ? – quem é a maior autoridade política do país senão o BES e Companhia?
    Não temos as vizinhas mercearias e as velhas cantinas assistencialistas? – quem se interessa, se temos os Continentes e os DocesPingos?
    quem melhor do que o Bloco Central dos interesses poderia ter feito mais pela restauração do capitalismo em Portugal?
    Não sejam mal agradecidos.

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  49. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    6 Setembro, 2011 19:58

    Não sejam mal agradecidos e não metam a Esquerda nesta mixórdia.

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  50. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 21:28

    Pois temos tudo isso e não temos dinheiro. Capital. Então para quê alimentar o mito da retoma capitalista e burguesa, como vocês dizem?
    O essencial do capitalismo é…o Capital. E nós não temos porque desde 1975 deixamos de ter como tínhamos.

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  51. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 21:29

    E foi a Esquerda quem espoliou o Capitalismo português. Depois de 1989 a retoma foi apenas para inglês ver. O Capital português foi para outras paragens porque os investidores capitalistas foram capados. Pela Esquerda.

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  52. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 21:32

    O maior rico português é o senhor Amorim que apostou na Galp. Uma empresa semi-pública…
    Nos serviços o senhor Jerónimo Martins continuou o que a família tinha feito antes de 25 de Abril, mas menos que isso, porque então também eram industriais. Provavelmente será o caso de maior sucesso.

    Os banqueiros são o que sempre foram: agentes de rapina.

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  53. José's avatar
    José permalink
    6 Setembro, 2011 21:33

    Valham-nos então as pequenas e médias empresas.

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