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Haircut

14 Outubro, 2011

Passos Coelho anunciou ontem um haircut de 15% nos salários de boa parte dos funcionários públicos, a somar-se aos 5 a 10% decretados pelo Governo anterior. Abstraindo das questões jurídicas que o corte colocará (de forma inconsequente, porém, pois Lisboa não é Berlim, “o que tem de ser tem muita força”, a Irlanda fez o mesmo, etc.), espero que esta e as outras medidas anunciadas (que não serão tão temporárias como anunciado) sirvam, para além de ajudar a derrubar algumas Vacas Sagradas, para o aumentar o quase inexistente escrutínio público do resto da despesa e para acabar de vez com os almoços grátis.

30 comentários leave one →
  1. Gonçalo's avatar
    14 Outubro, 2011 11:55

    A redução de despesa, a fazer, teria de ser por aqui…
    O que estariam a pensar aqueles que pediam ajustes pelo lado da despesa?
    Tudo o resto seriam “pennuts”.
    Infelizmente, a medida deveria ser junta a idêntica medida para o sector privado. Mas, aí, o estado não quis perder as receitas de IRS e TSU que o fim daqueles 2 ordenados em 14 iriam consumar.
    A verdade é que, assim teríamos um choque de competitividade (todos o pedem, mas dele todos fogem – ver caso TSU). E teríamos que ajustar também as despesas sociais (por baixo e não só nas pensões).
    http://notaslivres.blogspot.com/2011/10/orcamento-de-2012.html

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  2. Piscoiso's avatar
    14 Outubro, 2011 12:04

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  3. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Outubro, 2011 12:06

    “espero que esta e as outras medidas anunciadas (que não serão tão temporárias como anunciado) sirvam,”
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    Eu ontem questionei-me sobre se isto seriam medidas temporárias ou mesmo graduais. Porque não estou a ver em 2014 haver possibilidades (só em PPPs os custo vão aumentar por aí adiante) de restabelecer os salários perdidos agora, com excepção das pensões.
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    A menos que medidas de cortes de despesas estruturais comecem a entrar em vigor e comecem a dar os primeiros resultados nessa altura.
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    Talvez o que venha aí é outra forma de cortar nos custos salariais. Meter cambada na mobilidade, cortar-lhes os salários e haver procura por parte do sector privado que atraia estes excedentários. É um cenário possível.
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    Já agora, aos que acham que este OE imita a Grécia, comparem as medidas na Irlanda com as deste OE e vejam os resultados:
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    “The Gross Domestic Product (GDP) in Ireland expanded 1.60 percent in the second quarter of 2011 over the previous quarter. Historically, from 2000 until 2011, Ireland’s average quarterly GDP Growth was 0.67 percent reaching an historical high of 5.40 percent in March of 2007 and a record low of -3.70 percent in December of 2008”
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    In http://www.tradingeconomics.com/ireland/gdp-growth
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    Portugal tem uma vantagem. Já corrigiu parte dos excessos do sector privado (que na Irlanda ainda tiveram que absorver essa correcção) e não teve que nacionalizar a banca. (Mas até ao lavar dos cestos é vindima.)
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    Tenho para mim que este OE cai como mel na sopa. Provavelmente Portugal vai surpreender na positiva na variação do PIB e poderá amortecer parte da parte recessiva do próprio OE.
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    Finalmente estamos no caminho certo.

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  4. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    14 Outubro, 2011 12:20

    A estrutura está toda na mesma. Para começar a estrutura mental.
    É uma dieta baseada no desespero sem mudança. Está tudo no lugar para quando existir uma folga voltar tudo ao passado de mais gordura.

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  5. Gonçalo's avatar
    14 Outubro, 2011 12:32

    O Estado gasta mais 20% do que recebe.
    O problema é que o País (Empresas e Particulares) também…
    Como temos que ajustar isso e, ao mesmo tempo, pagar o que devemos (de tudo o que vem de trás) não haverá milagres de crescimento. Pelo menos antes de cairmos muito…
    E muito não serão 2%, 3% ou 5%. Ao longo de 3 ou 4 anos, vamos cair entre até 15%. Com o nosso nível de vida. E sem alternativas visíveis…
    E como tudo vai cair, a receita do Estado também segue, sem qualquer surpresa, por esse caminho.
    O Ministro não tinha muitas soluções quando não faz o que deveria fazer: baixar a TSU, centrar os impostos no IVA e reduzir serviços (e recursos consumidos) públicos.
    Não indo por aí, pagam os funcionários públicos (vão fazer o mesmo por menos 25% do ordenado) e paga a Economia que não vai ter o necessário choque de competitividade.
    O Governo actuou, mas não mudou. E no cenário actual, exigia-se mudança.
    http://notaslivres.blogspot.com/2011/10/orcamento-2012-e-violento-nao.html
    http://notaslivres.blogspot.com/2011/10/orcamento-de-2012.html

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  6. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Outubro, 2011 12:35

    Caro Lucklucky, Vc. é um cromo…
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    Que tal a cadeira eléctrica para mudar o estado mental? Melhor que prozac, não? ehehhehhe

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  7. zedeportugal's avatar
    14 Outubro, 2011 12:43

    Depois de um corte de cabelo em tempo quente as pessoas sentem-se sempre mais leves, mais dispostas a sair para a rua.

    Bom conselho (do Chico).

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  8. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Outubro, 2011 12:46

    A Alemanha anda desesperadinha por ver Portugal a encarrilar. Se o nosso governo os pressionasse, talvez obtivesse mais algumas benesses. (Leia-se, investimentos. 😉 )
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    “Hoje, também a Alemanha elogiou o desempenho de Portugal na consolidação das suas contas públicas. O porta-voz de Angela Merkel, Steffen Seibert, afirmou hoje que Portugal “está no caminho certo” com a implementação das suas “reformas”.

    “O Governo alemão está a observar com grande respeito como é que o Executivo e os portugueses estão a seguir as reformas”, declarou Seibert aos jornalistas, em Berlim, de acordo com a Bloomberg.”
    .
    In http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=512167

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  9. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    14 Outubro, 2011 12:53

    ««Infelizmente, a medida deveria ser junta a idêntica medida para o sector privado. »»
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    Aumentar mais impostos?

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  10. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Outubro, 2011 13:01

    “Infelizmente, a medida deveria ser junta a idêntica medida para o sector privado.”
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    Eu só aceito este argumento quando as condições no sector público forem as mesmas que as do sector privado: descontos para a Seg Social estatal, anos de descontos para tingir a reforma, despedimentos colectivos, etc.
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    E, já agora, salários semelhantes aos do sector privado.
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    Agora que toca aos gajos do sector público, é ver os gajos a rabiar. Os que andam a pedir manifes podem ter azar. Serem mal vistos pela malta do sector privado. Isto ainda vai aquecer…

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  11. Von's avatar
    Von permalink
    14 Outubro, 2011 13:14

    Eu implodia o país. Mais barato e limpo. Mas com todos cá dentro, incluindo os escribas.

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  12. JP Ribeiro's avatar
    JP Ribeiro permalink
    14 Outubro, 2011 14:21

    lucklucky: acertou em cheio no seu post. A classe politica esta assustada e so se afastou um bocadinho da manjedouram mas continua no essencial continua la fisgada.

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  13. Me's avatar
    14 Outubro, 2011 14:44

    daqui por 10 anos está cá outra vez o fmi. ainda não perceberam que se trata de uma regularidade ? a austeridade de agora servirá para pagar os roubos políticos do futuro e mais nada. não estão com esperanças que o modo de estar na política mude , pois não ? o pai natal não existe , vejam lá.
    e a culpa disto tudo é do salazar , que nos fez sócios do club fmi… :-))

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  14. Gonçalo's avatar
    14 Outubro, 2011 15:06

    João Miranda
    Mais impostos não. Menos rendimentos…
    Ao Estado não lhe caberia nada mais. Mas menos… impostos. E menos receitas da taxa social (referentes à baixa de rendimentos). E juntava-lhe um corte de meia-hora na jornada de trabalho (mais emprego).
    Talvez não tenha entendido que este corte de 2 ordenados não têm as mesmas características do corte de 50% no subsidio de Natal de 2011. Neste, de 2011, são mais impostos. Nos outros, de 2012, são menos despesa (e impostos).
    http://notaslivres.blogspot.com/2011/10/orcamento-2012-erros-graves.html

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  15. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    14 Outubro, 2011 15:15

    Hoje, o coirão da Merkel e os totós de Bruxelas já vieram dar os parabéns!

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  16. io's avatar
    14 Outubro, 2011 16:03

    Há muitos comentários sobre os cortes na Função Publica, MAS SÃO COMPLETAMENTE ESQUECIDOS OS PENSIONISTAS. Os funcionãrios podem mudar a sua situação….arranjar emprego no sector privado…empresarializar-se…emigrar…mas os pensionistas não podem mudar a sua situação. Já pagaram ao Estado a reforma que agora lhes é roubada. Não falo das reformas conseguidas ao fim de 4 ou 6 anos de “trabalho” mas de reformas conseguidas com 40 anos de trabalho 14 meses/ano de descontos . Bem fazem aqueles que descontam apenas sobre parte (pequena) do vencimento e assim conseguem amealhar para uma reforma tranquila ! No Estado não se pode confiar. É preciso que os ainda trabalhadores aprendam a lição

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  17. Plus's avatar
    Plus permalink
    14 Outubro, 2011 16:06

    “Infelizmente, a medida deveria ser junta a idêntica medida para o sector privado. Mas, aí, o estado não quis perder as receitas de IRS e TSU que o fim daqueles 2 ordenados em 14 iriam consumar. ”
    A sua explicação não parece fazer muito sentido…
    Em qq dos casos ainda bem, ainda bem que a medida não vale para o sector privado.
    Somos todos filhos de Deus mas não somos todos filhos do meu pai. 🙂
    É o estado que tá em profunda crise e é ao estado e aos seus dependentes que devem ser repercutidas essas medidas.

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  18. Plus's avatar
    Plus permalink
    14 Outubro, 2011 16:19

    “Tenho para mim que este OE cai como mel na sopa. Provavelmente Portugal vai surpreender na positiva na variação do PIB e poderá amortecer parte da parte recessiva do próprio OE. ”

    Há 2 ,3 meses disse-lhe que este OE seria o grande factor avaliativo deste governo.
    [As suas precipitações desse tempo terão sido mesmo isso , não é? 😉 ]
    Embora com algumas trapalhadas feitas nos primeiros tempos e certamente com muita coisa q nao gostarei agora sobre este OE , este ,muito possivelmente, passará pelo crivo da qualidade. Mais não seja para capacidade de tomar as medidas ditas “radicais” desde logo.

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  19. JP Ribeiro's avatar
    JP Ribeiro permalink
    14 Outubro, 2011 16:44

    io: “Há muitos comentários sobre os cortes na Função Publica, MAS SÃO COMPLETAMENTE ESQUECIDOS OS PENSIONISTAS. Os funcionãrios podem mudar a sua situação….arranjar emprego no sector privado…empresarializar-se…emigrar…mas os pensionistas não podem mudar a sua situação. Já pagaram ao Estado a reforma que agora lhes é roubada. Não falo das reformas conseguidas ao fim de 4 ou 6 anos de “trabalho” mas de reformas conseguidas com 40 anos de trabalho 14 meses/ano de descontos . Bem fazem aqueles que descontam apenas sobre parte (pequena) do vencimento e assim conseguem amealhar para uma reforma tranquila ! No Estado não se pode confiar. É preciso que os ainda trabalhadores aprendam a lição”.

    O corte nas pensões é apenas uma questão de ética política e de moral. Aqui se vê a tal moral republicana e socialista que nos impingem há 37 anos. Salazar ou Caetano com todos os defeitos que tinham, e que eram muitíssimos, nunca teriam feito isto. Quando sairemos finalmente da “longa noite socialista”?

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  20. atom's avatar
    atom permalink
    14 Outubro, 2011 16:44

    Palpites…
    Este vai ser o primeiro governo a ser responsabilizado criminalmente e condenado pelo resultado da sua governação.

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  21. ASL's avatar
    ASL permalink
    14 Outubro, 2011 17:05

    aeiou.expresso.pt/sector-privado-seguira-cortes-dos-subsidios-de-ferias-e-de-natal=f680618

    Aqui estão os nossos empresários encostados ao Estado. Até nos cortes, estes meus pseudo-colegas.
    Eu não me revejo nessa CIP da treta, nunca precisamos deles para nada, até nos atrapalharam algumas vezes(e muito haveria a dizer sobre isso).
    Se queremos menos Estado, também devemos querer imitar menos o Estado.
    Já hoje dissemos aos nossos operários, colaboradores e engenheiros que não vamos imitar o Estado portugues. Para Estado a mais, já bastam os impostos. Eles que cortem na FP, que ai sim, é inevitável e de bom senso.

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  22. Gonçalo's avatar
    14 Outubro, 2011 17:08

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    Não é bem assim…
    O Estado podia ter avançado para a sua “redução”. Prestar menos serviços. E dar menos benefícios. A partir de menos gente (despedimentos) e com menos gastos.
    E isso influiria com todos os que usufruem daqueles serviços. Não só com FPs.
    Preferiu salvaguardar a sua “dimensão” e a sua intervenção à custa de quem produz esses serviços: os FPs.
    A crise é do Estado porque faz e distribui para além do que pode pagar.
    Impor que quem produz os serviços assumam esse desequilíbrio é actuar num só lado da equação. O que é errado.
    Um exemplo:
    Os filhos dos trabalhadores do sector privado tem os seus professores nas suas escolas (públicas).
    O Estado paga a esses professores. Mas deixou de ter dinheiro para o fazer. Não mexeu no serviço e baixou o ordenado dos professores (25% em 2 anos) para concretizar o ajuste. Podia fechar a escola, aumentar o nº alunos por turma (despedindo professores) ou aumentado (mais) os impostos. Não.
    Carregou tudo em cima dos FPs…
    Manteve os serviços, não aumentou os impostos e assegurou os empregos…

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  23. JP Ribeiro's avatar
    JP Ribeiro permalink
    14 Outubro, 2011 18:23

    Já agora um comentário para o autor do post: chamar a isto de haircut é outra mistificação. É quando muito um aparar das patilhas para dar um ar menos chulo.

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  24. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
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  28. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
  29. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Outubro, 2011 22:35

    “Há 2 ,3 meses disse-lhe que este OE seria o grande factor avaliativo deste governo.
    [As suas precipitações desse tempo terão sido mesmo isso , não é? 😉 ]”
    .
    .
    Peço-lhe desculpa por não responder mais cedo. Mas passou-me ao lado este seu acertado comentário.
    .
    Sim, eu precipitei-me porque os primeiros sinais foram péssimos, mas emendaram a mão a tempo. E aqui concordo totalmente consigo e dou a mão à palmatória.
    .
    .
    E peço desculpa por não lhe ter respondido mais cedo. Muitos comentários passam-me ao lado, inadvertidamente.

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  30. Plus's avatar
    Plus permalink
    15 Outubro, 2011 16:57

    Caro Gonçalo,
    “O Estado podia ter avançado para a sua “redução”. Prestar menos serviços. E dar menos benefícios. A partir de menos gente (despedimentos) e com menos gastos.”

    Poderia sim.É outra discussão que obviamente precisa de ser feita.
    Mas do ponto de vista do contribuinte o Funcionario publico é como que um factor de trabalho ; Logo, pagando menos para ter o mesmo serviço e mantendo tudo o resto constante o contribuinte/cidadao fica a ganhar.
    É o exemplo dos professores que descreve.

    ….
    ….

    meu caro anti-comuna.
    obg e cump.

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