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Da disseminação da bordoada

20 Novembro, 2011

Alberto Gonçalves, no DN:« Há dias, um “telejornal” anunciava com alarme que a “crise pode aumentar agressões a profissionais de saúde”. Por acaso, a notícia fundamentava-se num relatório que estima a diminuição das agressões a médicos e enfermeiros em 2010 para menos de metade das registadas em 2009 (79 para 174). Os factos, porém, não devem tolher um exercício bastante em voga: prever, com mais impaciência do que preocupação, que a degradação económica conduzirá as respectivas vítimas à violência, ao delito e à perdição sumária.
No caso em questão, seria curioso perceber porque é que um sujeito com dificuldades financeiras tem maior propensão para correr ao tabefe o pessoal clínico que lhe surge pela frente. O responsável pelo relatório sugere uma explicação: os “cortes” orçamentais multiplicarão o número de vezes em que os técnicos do SNS recusarão as exigências dos pacientes, logo a possibilidade de conflito subirá proporcionalmente.
É uma tese interessante. Se fosse plausível, poderíamos esperar o crescimento da pancadaria nas repartições das Finanças, a disseminação da bordoada nas delegações da Segurança Social e, em última instância, o fomento das tareias nos postos de venda da Mercedes, que teimam em negar automóveis a cidadãos de baixos rendimentos.
Absurdo? Não tanto quanto a inclinação para considerar os necessitados, de longa ou curta data, potenciais malfeitores. Mas é essa a ideia que atravessa a sociedade e que os “media”, obedientes, reproduzem: a pobreza inspira o crime. Não falo apenas de agressão. Falo (correcção: fala-se) de assaltos à mão armada, roubo por esticão, fogo posto, homicídio e, quem sabe, exposição indecente. Uma espreitadela às manchetes dos últimos meses resume o tom apocalíptico vigente: “Crise faz crescer violência financeira sobre os mais velhos”; “Violência vai generalizar-se devido à pobreza e precariedade”; “Crise pode aumentar pequena criminalidade”; “Criminalidade pode aumentar com a crise”; “Aumento da criminalidade é reflexo da crise”; “Crimes violentos alastram pelo país à medida da crise financeira”; “Ministro admite agravamento da criminalidade violenta”; etc.
As citações acima dizem respeito a ocasiões distintas e provêm de diferentes origens, da PSP ao PS, da APAV àqueles “observatórios” que observam por aí. São, sem dúvida, profecias assustadoras. São, em idêntica medida, desprovidas de fundamento. Consulte-se os dados americanos e europeus disponíveis: se há tendência evidente no Ocidente das últimas cinco ou seis décadas é a subida estatística dos crimes em simultâneo à melhoria das condições de vida. Não pretendo insinuar que o crime é resultado da prosperidade. Talvez resulte da degradação do ensino, das contradições da Justiça, da dependência fomentada pelo estado assistencial, da famosa dissolução dos “valores”, de tiques nervosos ou de uma mistura de diversos fenómenos. Certo é que a desonestidade e a carência material não andam forçosamente de mãos dadas. Donde espanta um bocadinho que muita gente presuma o contrário. E espanta imenso que alguns pareçam desejá-lo.
A única vantagem destes delírios prende-se com a igualdade social: só nos faltava acrescentar ao cliché de que os ricos são sempre bandidos o de que os pobres também o são. Ao que consta, todos roubam. E roubam quem?»

34 comentários leave one →
  1. Piscoiso's avatar
    20 Novembro, 2011 14:20

    Assim é fácil fazer um blogue, transcrevendo o que os jornais escrevem…
    afivelando-lhe um título pomposo.

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  2. Zebedeu Flautista's avatar
    Zebedeu Flautista permalink
    20 Novembro, 2011 14:58

    Parece-me mais plausível o aumento da bordoada dos profissionais da saúde aos pacientes. Vencimento menor, menos facturação no privado também, toca a aliviar o stress o stress nos (im)pacientes.

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  3. fado alexandrino's avatar
    20 Novembro, 2011 15:23

    Juntamente com Helena Matos é leitura obrigatória.
    Obrigado a ambos.

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  4. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    IFIGENIO OBSTRUZO permalink
    20 Novembro, 2011 15:50

    ISTO PARA NÃO FALAR DOS PROFESSORES E POLICIAS…E OS VELHOTES TAMBÉM NÃO ESCAPAM..
    http://zebedeudor.blogspot.com/2011/11/o-sonho-da-troika-alaranjada.html

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  5. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    IFIGENIO OBSTRUZO permalink
    20 Novembro, 2011 15:51

    http://zebedeudor.blogspot.com/2011/11/pedro-passos-coelho-e-socrates-bois.html
    A GANADARIA É QUASE A MESMA…

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  6. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    IFIGENIO OBSTRUZO permalink
    20 Novembro, 2011 15:52

    POR ISSO..O ALBERTINHO ESCREVE BEM MAS ALÉM DE SNOB E BETO NASCEU EM BERÇO DE PRATA…DAÍ A SUA VISÃO MONOCULAR DAS COISAS…
    http://zebedeudor.blogspot.com/2011/11/mias-tarde-olu-mias-cedo-ou-mais-tarde.html

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  7. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    IFIGENIO OBSTRUZO permalink
    20 Novembro, 2011 15:55

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  8. JP's avatar
    20 Novembro, 2011 16:04

    Já sobre a criminalidade devido a “iniciativas” legislativas estranhas e recentes, mais do que óbvia, como as próprias polícias fizeram ver na altura, nada. Essas mesmas pessoas não deram conta que há uns 3 ou 4 anos a polícia começou a levar chumbo sistematicamentente. Ainda por cima, mais ou menos dentro do período de tempo em que Portugal nem ia sequer ser abrangido pela crise internacional e depois foi o primeiro a sair dela.

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  9. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    20 Novembro, 2011 16:10

    Como sair da crise. Bater nos ceguinhos.
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    “Moi ici: Por mais tempo que passe… 2 falhas graves: 1ª Não rever os modelos mentais, não confrontar o que pensamos com a realidade; 2ª Mandar postas de pescada, a técnica portuguesa de não suportar o que afirmamos com números. Ora vejamos, World Footwear Yearbook 2011 Qual o preço médio? Um par de sapatos produzido em Portugal tem o preço médio de 29,65 USD. Qual o preço médio de um par de sapatos produzido em Espanha? 16,36 USD. Qual o preço médio de um par de sapatos produzido em Itália? 33,36 USD. O calçado português está a ganhar quota de mercado a Espanha e a Itália. Qual é o sonho da APICCAPS? Que dentro em breve Portugal tenha o preço mais elevado… como é que isso se relaciona com o “e mais baratos”? Não tem nada a ver com isso e Bessa não o percebeu há 6/7 anos e continua a não perceber. O truque não é a concentração no custo, o truque é a concentração no valor aos olhos do cliente.”
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    CCz comentando as asneirolas do Daniel Bessa:
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    http://balancedscorecard.blogspot.com/2011/11/sacerdote-nao-praticante.html
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    Lá está a atrofia mental desta gente, formada de tal forma de uma ideologia, que não consegue fugir das suas armadilhas mentais. E precisam de “desaprender”, pois tudo o que aprenderam foi sendo ultrapassado pelo desenrolar dos acontecimentos.
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    E se fosse apenas o Daniel Bessa…

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  10. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    20 Novembro, 2011 16:27

    Esta gente pensa que sair da crise é apenas baixar custos. Mas estão errados. Nos países desenvolvidos (onde os salários são mais elevados e devem continuar a subir, pois é isso que se pretende), há genericamente dois tipos de empresas. As que apostam nos baixos custos e as que tentam vender mais caro (que suportem custos maiores).
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    As que apostam nos custos baixos precisam de uma moeda forte e custos de capital baixos, pois os salários têm um peso baixo nos custos operacionais. (Os custos com a energia são por vezes 2, 3 e até 4 vezes maiores que os salariais.) E estas empresas produzem em larga escala (para aproveitar as economias de escala) e podem andra no mercado a competir pelo preço. Um exemplo em Portugal? As resmas de papel produzidas pela Portucel. (Embora esta também tente fugir à guerra dos preços através de melhor posicionamento dos seus produtos.) Outro exemplo? A Renova, que fez do seu papel higiénico um produto de moda, para vender mais caro, mas continua a vender produtos competindo pelo preço. (Fez um mix, de molde a que o que vende mais caro traga mais-valias para onde compete pelo preço.)
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    As que apostam em vender mais caro, apostam nos segmentos de mercado que não se importem de pagar mais por um produto de qualidade. Podem ser produtos de luxo ou não. Estas empresas tentam dar aos seus produtos qualidades que sejam valorizadas pelos clientes e que não se importem de pagar mais pelo produto. Por exemplo, uma empresa que produza meias para os diabéticos não aposta em vender barato mas em vender mais caro, algo que seja valorizado e reconhecido pelo mercado, através da compra por parte dos consumidores. E quem diz uma empresa de meias como pode dizer uma empresa que produza cuecas para os incontinentes.
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    Genericamente estes são os dois tipos de empresas ideias de um país rico ou candidato a rico. E este tipo de de empresas só têm a ganhar com moedas fortes, pois este tipo de moedas permite aceder a tecnologias mais baratas, a financiamentos mais baratos. Estas empresas não apostam nos salários baixos da mão-de-obra não qualificada. Mas nos custos mais baixos da mão-de-obra qualificada. Sejam eles os operários especializados que produzem o produto topo de gama, seja o engenheiro que dentro da fábrica estuda os produtos, as máquinas e tenta produzir o mesmo produto com mais qualidade, com menos defeitos ou até mesmo novos produtos. Ou seja, o cientista que estuda um produto novo ou método de produzir o mesmo produto mas com outros componentes mais valorizados. (Como fios ou tecidos que incorporam cápsulas com cheiros ou até antibióticos que valorizarão o produto acabado e permitirão vender mais caro umas cuecas, umas camisolas, umas meias, etc.)
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    O mundo mudou mas a generalidade da malta foi formada num dado mundo e contexto, que se recusa a aceitar as novas condições em que o mundo se tornou. Ou seja, já se sabe que a Terra rodopia à volta e anda à volta do Sol, mas eles ainda acham que é o Sol qé que deve andar à volta da Terra.

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  11. lucklucky's avatar
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    20 Novembro, 2011 17:10

    É a típica manipulação mediática da Esquerda.
    A Direita acéfa-la na maior parte das vezes concorda.
    .
    Qualquer um que olhe para as estatísticas vê duas coisas sobre quem comete crimes:
    São jovens e são homens. Não é por serem pobres. É por o risco compensar.
    E os seus crimes são na maior parte das vezez cometidos contra pessoas na mesma zona onde vivem e com a mesma riqueza.

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  12. certo's avatar
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    20 Novembro, 2011 18:44

    Mas é verdade, ó cara Helena, a crise e o setarismo são do piorio que se pode ver, unidos, se não olhe a primavera do Egito, valha-me deus, o nosso e deles, pobres coitados …

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  13. afédoshomens's avatar
    afédoshomens permalink
    20 Novembro, 2011 19:03

    Helena Matos anda manifestamente deprimente,mas agora decalcar opiniões vomitadas pelo inenarrável alberto gonçalves…

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  14. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    20 Novembro, 2011 19:10

    a próxima bordoada de helenafmatos é sobre a “comissão Duque”, a bem da nação.

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  15. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    20 Novembro, 2011 19:12

    quanto ao Luck, só vê fantasmas; uma espécie de Anti Anti-Comuna…se A-C é um optimista dos sete costados, Luck andou na escola com os medinacarreiristas.

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  16. afédoshomens's avatar
    afédoshomens permalink
    20 Novembro, 2011 19:15

    deus nos livre destes comunistas do CDS!

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  17. Guillaume Tell's avatar
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    20 Novembro, 2011 19:27

    Caro Anti-comuna,

    mas como é que fazemos quando a empresa compete justamente em nichos especializados, onde o preço não interessa, mas que se é prejudicado pela valorização da moeda. E como se isso não bastasse, mesmo que a moeda fosse desvalorizada, há risco que o que vendemos não seja tão rentável porque os vossos clientes têm dificuldades financeiras?

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  18. ze da lota's avatar
    ze da lota permalink
    20 Novembro, 2011 20:41

    “Ensinaram-me que sou militar, e eu que sempre sonhei ser Polícia.
    Mas no Orçamento de 2012, os Militares das Forças Armadas não irão ter os seus subsidios de férias e natal, saqueados pelos de S. Bento, e eu serei vitima desse roubo.
    Os Militares das FA, mantêm os seus conjuges com plenos direitos no seu subsistema de saude, os nossos conjuges há muito perderam essa regalia.
    Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)…
    Então ensinaram-me mal, não sou Militar.
    Os Funcionários Públicos não receberão os seus subsidios no ano de 2012, eu também não. Se calhar sou funcionário publico?

    ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
    Lei n.º 59/2008
    de 11 de Setembro
    Aprova o Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas
    (…)
    Artigo 21.º
    Trabalho nocturno
    O trabalhador que tenha prestado, nos 12 meses anteriores à publicação da presente lei, pelo menos cinquenta
    horas entre as 20 e as 22 horas ou cento e cinquenta horas
    de trabalho nocturno depois das 22 horas mantém o direito
    ao acréscimo de remuneração sempre que realizar a sua
    prestação entre as 20 e as 22 horas.
    (…)
    SUBSECÇÃO II
    Limites à duração do trabalho
    Artigo 126.º
    Limites máximos dos períodos normais de trabalho
    1 — O período normal de trabalho não pode exceder
    sete horas por dia nem trinta e cinco horas por semana.
    2 — O trabalho a tempo completo corresponde ao período normal de trabalho semanal e constitui o regime
    regra de trabalho dos trabalhadores integrados nas carreiras
    gerais, correspondendo -lhe as remunerações base mensais
    legalmente previstas.
    3 — Há tolerância de quinze minutos para as transac-
    ções, operações e serviços começados e não acabados
    na hora estabelecida para o termo do período normal de
    trabalho diário, não sendo, porém, de admitir que tal tolerância deixe de revestir carácter excepcional, devendo
    o acréscimo de trabalho ser pago quando perfizer quatro
    horas ou no termo de cada ano civil.
    4 — O período normal de trabalho diário dos trabalhadores
    que prestem trabalho exclusivamente nos dias de descanso
    semanal dos restantes trabalhadores do órgão ou serviço pode
    ser aumentado, no máximo, em quatro horas diárias, sem
    prejuízo do disposto em instrumento de regulamentação colectiva de trabalho.

    Não. Funcionário público não sou.
    Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo.
    Trabalho noites, sábados, domingos e feriados,natal, páscoa e passagem de ano não tenho Horário de trabalho certo, nem tão pouco de referência, faço muitas horas extraordinárias sem receber mais por isso….e mantenho hoje praticamente o mesmo ordenado que auferia quando em 2003 aqui cheguei, 720€.
    Não. Funcionário público não sou.
    Em 2012 eu e os meus filhos perderemos o subsistema de saude, e não vamos ser colocados na ADSE (subsistema de saude dos Funcionarios Publicos) , mas sim no SNS.
    Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor, eu sinto-me vários seres.
    Então sou Polícia como sempre sonhei?
    Vou onde nenhum Homem desejaria ir, sou o primeiro a chegar, a ver os mortos trocidados nas estradas, os miolos e intestinos nas valetas. Vou ao quarto onde o Pai matou o filho com um tiro de caçadeira, mesmo na cabeça para o libertar dos seus pecados, o cheiro é derrubante, miolos e sangue por todo o lado. Sou o Engenheiro, o Médico e o Doutor, que acorre ou incêndio, ao roubo, á violência doméstica. Sou eu que vou ás escolas, aos bairros de lata, aos bairros sociais, sou eu que estou á chuva e ao frio de madrugada na tua rua, para garantir que o teu sono é seguro.
    Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada (?), por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.”
    Não Polícia não sou, os Polícias têm um horário de trabalho, tem direito à manifestação, ao sindicalismo….e eu não tenho direito a nada disso…porque sou Militar.

    Sou Militar da GNR dizem eles, sou mão de obra barata, pau para todo o serviço, sou tapa buracos, sou o milagreiro da multiplicação, aquele que faz omoletes sem ovos.

    Ganho menos à hora que a Senhora que faz a limpeza do Posto, tenho o dever da disponibilidade 24h, sou como Deus, descanso ao 7º dia, quando descanso…mas sou Humano, tenho mulher, filhos, familia e amigos.

    Sou GNR e ganho menos que os seguranças do Forum Montijo,eles que quando actuam é a mim que chamam, sou GNR pago a minha farda, quando vou na rua as pessoas fogem de mim, baixinho (cada vez mais alto) dizem: ” Ai vêm o c@br@o!!!”

    Pela Lei e Pelo Povo ensinaram-me, mas o Povo já não está comigo, e a Lei pelos vistos a mim não se aplica nos Direitos, apenas nos Deveres.

    Por Lei, teria o direito a ser colocado na nova tabela remuneratória em janeiro de 2010, aguardo!
    Por Lei, deveria ter sido promovido em Fevereiro de 2011, aguardo!

    O Guarda ali do posto levou uma facada, esse Guarda que ganha menos que o puto que está na caixa do Modelo, saiu hoje do Hospital….o seu filho e a sua mulher, vão agora ao SNS pedir apoio psicológico, e o Guarda daqui a uns anos quando sentir dores na barriga outrora lacerada, levanta-se ás 5 da manha e vai para o centro de saude, como os outros, porque o Guarda não é mais que os outros. É apenas um Guarda, que trabalha 8h descansa 8h e volta a trabalhar 8h, acumula (adia) folgas porque simplesmente não há pessoal que chegue para ele ter direito a esse luxo.

    O Guarda, quem é ele afinal? Quem sou eu?”

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  19. Samuel Quedas's avatar
    20 Novembro, 2011 20:46

    No que a dona Helena haveria de acabar! A transcrever alberto gonçalves!!!

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  20. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    20 Novembro, 2011 21:47

    ” E como se isso não bastasse, mesmo que a moeda fosse desvalorizada, há risco que o que vendemos não seja tão rentável porque os vossos clientes têm dificuldades financeiras?”
    .
    .
    Então o problema é o mercado, não a moeda. Ou empresa muda de mercados e/ou produtos, ou pouco se safa na mesma, não é?

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  21. Guillaume Tell's avatar
    Guillaume Tell permalink
    20 Novembro, 2011 22:24

    “Então o problema é o mercado, não a moeda. Ou empresa muda de mercados e/ou produtos, ou pouco se safa na mesma, não é?”
    É um pouco mais complicado, vou-lhe dar mais detalhes:
    a empresa de que eu falo é a Bobst SA, é uma empresa suiça especializada na produção de máquinas de embalagem. Encontra-se que este ano, a empresa consegui aumentar ligeiramente o seu volume de negócios (562,6 milhões de CHF; + 0,4%), mas sofreu uma perda de 27,7 milhões de francos. Há pouco o dirigente da empresa declarou que não fosse a forte valorização do franco o grupo teria realizado o mesmo benefício que o ano passado, 49 milhões de francos (e de notar que este ano à diferença de 2010 não há a receita extraodinária da venda dos terrenos da empresa em Prilly).
    Mas o problema é que a fábrica da Suiça exporta (álias o grupo vive quase exclusivemente da exportação) para o mercado europeu. Está a ver o problema, porque é difícil de estar a mudar de mercado rapidamente e de toda maneira para quê visto que o grupo já tem fábricas presentes nos outros mercados (China, Índia, Brasil)

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  22. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    20 Novembro, 2011 22:25

    Este Alberto Gonçalves, suciólogo da treta, também tem a mania que tem piada.
    É pena ele não estar a trabalhar nas Produções Fictícias…
    Pobre Alberto…

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  23. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    20 Novembro, 2011 23:07

    “Está a ver o problema, porque é difícil de estar a mudar de mercado rapidamente e de toda maneira para quê visto que o grupo já tem fábricas presentes nos outros mercados (China, Índia, Brasil)”
    .
    .
    Já percebi onde quer chegar. Mas como eu também muitas vezes digo, não é a valorização da moeda per si o problema mas a sua volatilidade. Que não permite aos agentes económicos adaptarem-se em tempo útil para absorver os choques. No caso que Vc. cita, o problema deles é que levaram com uma valorização demasiado rápida da moeda. E que não lhes deu tempo a adaptarem-se. Seja com novos produtos ou até mesmo novos mercados.
    .
    .
    Aliás, foi a excessiva valorização do franco que os levou a usar a arma dos americanos e dos ingleses: QE. E por isso ele agora está em queda. (E outras medidas que tomaram para penalizar os especuladores que foram à procura do franco como refúgio.)
    .
    .
    Acho que Vc. também entende o problema. Excesso de volatilidade que prejudica bastante os agentes económicos. (Sem falar que a valorização do franco era mais especulação e medo que outra coisa.)

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  24. Guillaume Tell's avatar
    Guillaume Tell permalink
    20 Novembro, 2011 23:25

    Sim, sim álias foi um dos argumentos apresentado pelo director da empresa (ele até nem se mostrou muito a favor de uma desvalorização, sabe que o Governo tem de pensar para todos, nem a economiesuisse (a CIP suiça)). Só que, o quê que se diz aos operários que estão preocupados com o trabalho? De se prepararem a procurar outra coisa? Comprarem mais acções da empresa para ver se valorizamos um pouco a empresa (nem que seja um bocadinho), história de criar um seguro de poupança?

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  25. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    20 Novembro, 2011 23:28

    ” Só que, o quê que se diz aos operários que estão preocupados com o trabalho?”
    .
    .
    Dizer-lhes que a empresa está a tomar medidas para enfrentar o problema. E dizer-lhes que o banco central está a atatcar os especuladores.
    .
    .
    Mais nada. Que quer que lhe digam? Só se lhes oferecerem acções como prémio. (Como é obrigatório em França.) hehheheh

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  26. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    20 Novembro, 2011 23:32

    Deixe-me só corrigir isto. Em França as empresas não são obrigadas a dar acções, mas a distribuir os resultados pelos trabalhadores. (Que podem passar por distribuírem acções, claro. Mas não é isso que diz a lei, segundo julgo saber.)
    .
    .
    Fica aqui a rectificação e o pequeno áparte.

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  27. Guillaume Tell's avatar
    Guillaume Tell permalink
    20 Novembro, 2011 23:41

    Mas cá não é obrigátorio dar acções, é a direcção que incentiva os trabalhadores a comprarem acções!
    A empresa está há mais de 100 anos em mãos da mesma família, não conheceu uma greve dos seus trabalhadores (a única excepção será, e não tenho a certeza, quando ouve a última greve geral de 1918.
    Confiança, tem-a para com a direcção. Agora que aquilo resulte bem… já menos.

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  28. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    21 Novembro, 2011 00:21

    Certo. Eu nem conheço a empresa. Eu apenas teci considerações face ao que me disse. (E confio nas suas palavras.)
    .
    .
    Acho que a empresa pouco mais pode fazer senão adaptar-se. Se eles ainda oferecem incentivos aos trabalhadores para comprarem acções da empresa e vale a pena, acho que é de louvar.
    .
    .
    E esperar que eles consigam dar a volta por cima. Acho que o vão fazer, até porque acho uma boa solução vender acções aos trabalhadores, que assim também se sentem donos da empresa e tentam esforçar-se para o bem comum.

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  29. Guillaume Tell's avatar
    Guillaume Tell permalink
    21 Novembro, 2011 00:30

    Muda do que se costuma ver em não é 😉

    É curioso de uma certa forma… a Suiça castigada por ser um bom aluno (ou por os outros serem péssimos).

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  30. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    21 Novembro, 2011 00:40

    “É curioso de uma certa forma… a Suiça castigada por ser um bom aluno (ou por os outros serem péssimos).”
    .
    .
    É verdade. Isso é que os deve enfurecer, claro. Eles foram vítimas dos tais movimentos de capitais, que alguns acham que se devem liberalizar sem qualquer controlo. Eu como tenho medo deste tipo de movimentos, normalmente criam desastres quando menos era preciso, olho com alguma desconfiança esta ideia que os mercados estão sempre certos e as autoridades nunca actuarem quando as coisas “aquecem”.
    .
    .
    É que os gajos foram mesmo vítimas do seu sucesso, por assim dizer. Vítimas por terem juizo e saberem gerir o seu país e a sua economia. Mas como é criada tanta liquidez no mundo, eles não o fazendo, acabariam por ser vítimas deste dinheiro criado noutros lados. O euro sofreria o mesmo se não tivesse a mesma crise da dívida soberana. E se calhar teria que tomar o mesmo tipo de medidas. E eu não censuro muito os suiços, por um lado. Eles poderiam sofrer um colapso por causa da maluca valorização do franco.
    .
    .
    Olhe, é o mundo em que vivemos.

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  31. silva's avatar
    silva permalink
    21 Novembro, 2011 09:56

    A DGERT tem por missão apoiar a concepção das políticas relativas ao emprego e formação profissional e às relações profissionais, incluindo as condições de trabalho e de segurança saúde e bem-estar no trabalho, cabendo-lhe ainda o acompanhamento e fomento da contratação colectiva e da prevenção de conflitos colectivos de trabalho e promover a acreditação das entidades formadoras.
    Tudo uma grande mentira, as provas são dadas com o despedimento colectivo de 112 pessoas do KASINO ESTORIL
    “Para Os Trabalhadores da empresa kasino estoril no final se fará justiça, reconhecendo a insustentabilidade de um despedimento Colectivo oportunista promovido por uma empresa que, para além do incumprimento de diversas disposições legais, apresenta elevados lucros e que declara querer substituir os trabalhadores que despede por outros contratados em regime de outsoursing”.

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  32. P. Ferreira's avatar
    21 Novembro, 2011 18:06

    Retirado do blog Tapornumporco com a merecida vénia

    O João, 17 anos, teve o azar de se aleijar a jogar futebol. Levaram-no logo às urgências do hospital mais próximo onde foi visto pelo médico de serviço. Diagnóstico: perna fracturada em dois sítios. Mas, pese embora o facto do desgraçado do João se contorcer com dores, o senhor doutor mandou engessar-lhe a perna e vais para casa descansar que o seguro depois trata do resto e marca-te a operação. Quando? Quando calhar…

    O João passou a pior semana da sua vida até que, finalmente, foi chamado para a tal operação, uma semana depois, uma demora inadmissível no caso de um dupla fractura de uma perna. O puto chegou a desmaiar de dores…

    Conheci a mãe do João, uma pessoa humilde, e percebi que ninguém vai pedir responsabilidades áquele senhor doutor que decidiu que é razoável que uma pessoa com a perna fracturada em dois sítios não seja, imediatamente, operado de urgência. Concerteza que o ilustre clínico cumpriu zelozamente a sua missão de poupar dinheiro aos cofres do estado, encaminhando a operação para o seguro. Mas há aqui qualquer coisa que soa mal… O dever do médico é poupar dinheiro aos cofres do estado (mesmo que à custa da saúde do doente) ou zelar pela saúde do doente?

    Se calhar sou eu que estou desactualizado acerca daquilo que é o novo perfil do médico nos dias que correm… Possivelmente os curriculos dos cursos de medicina já incluem cadeiras como Finanças I e Contabilidade II ao lado das Ortopedias, Biologias e Pneumologias. A julgar pela amostra, se não incluem deviam incluir. E por este andar, qualquer dia ainda chegamos a um hospital e em vez de sermos atendidos por um médico somos atendidos por um economista. Já faltou mais…

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  33. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    22 Novembro, 2011 02:39

    Depois de tudo isto, em resumo, o que é preciso é porrasa!

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  34. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    22 Novembro, 2011 04:01

    Sim senhor. Porrada de criar bicho para cima dos actuais troikistas e que noutra encarnação política (anos 70 e 80!) eram uns refinados trostkistas fdp’s!

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