Não há estrelas no ceú…*
Nem árvores de natal, nem renas e trenós, nem pais natal. Não há sequer figuras geométricas indefinidas e coloridas, emprestando uma luminosidade garrida à noite fria do Porto. Quer dizer, não há, este ano, a tradicional rede de iluminações natalícias pelas ruas da cidade. Pelo menos, por algumas daquelas que, habitualmente, lá iam ostentando, nesta quadra, esses enfeites. Talvez surjam (ainda que mais pindéricas e nada pujantes esteticamente) um pouco mais tarde, poupando-se na conta da luz. Talvez já não haja, sequer, actividade comercial que o justifique e aguente financeiramente esses sinais de festa natalícia. Pior, talvez não exista mesmo um estado de espírito para festas. Vai ser estranho, por exemplo e agora que já temos um Orçamento para 2012, endereçar os habituais votos de “Bom ano novo”. Para muitos, vai soar a falso ou, no mínimo, tão-somente a uma quimérica e deslocada expressão de cortesia. Mas, realmente, o pior é o que, este ano, essa falta de iluminações natalícias significa, em termos psicológicos: um prenúncio de depressão colectiva pelo empobrecimento que vai marcar a vida dos portugueses. Em especial, a vida dos portuenses.
É certo que os sinais de depressão da cidade, já se vinham notando, progressivamente, desde há anos a esta parte. Veja-se o caso da revitalização da “baixa” que, à falta de uma população residente efectiva (sobretudo de famílias), nunca saiu do domínio das intenções. Juntando, agora, essa anemia com a crise em que nos encontramos, o resultado é, para o Porto “cidade-região”, um estado de vida sem esperança de estrelas no céu!
Ora, importará, neste contexto, atentar numa declaração recente de Miguel Relvas: o Governo equaciona a possibilidade de, na sequência da Reforma da Administração Local, os Presidentes da Juntas Metropolitanas (do Porto e de Lisboa) serem eleitos, por voto directo dos cidadãos, ganhando, assim, uma legitimidade política e democrática acrescida. Isso poderá significar uma espécie de pré-regionalização parcial, aplicada ao Grande Porto. Sobretudo, se existir, concomitantemente, uma transferência suplementar de atribuições e competências, do poder central, a favor das Juntas. No entanto, há, a prazo, um risco adveniente de uma espécie de “regionalização localizada”: resolvendo-se o problema do Grande Porto (e, por arrasto, de Lisboa), poder-se-á enterrar, de vez, a regionalização do país, uma vez que, eventualmente, deixará de existir pressão e massa crítica nacionais, para a instituir. Aguardemos os desenvolvimentos e esperemos para ver se estará já em curso, ou não, o desbravar de um novo rumo político, por exemplo, para Rui Rio: líder regional, através da Presidência eleita da Junta Metropolitana.
* Semanário Grande Porto, Ed. 02.12.11.

Felizmente há e haverá sempre estrelas no céu! Das reais! Das verdadeiras! As fictícias não interessam a ninguém! Aliás, tornaram-se demasiado dispendiosas de tão fictícias e falsamente promotoras de progresso social! O Natal, que é disso que estamos a falar, foi-se transformando numa época feia, em que se vivia tudo menos o verdadeiro espírito natalício e familiar! Transformou-se em qualquer coisa do género “aquele tem e eu também quero ter”, “vamos ver quem dá mais a quem”, “vamos ver quem tem mais coisas de marca coisa e tal”! Um triste, passageiro e falso espectáculo de Natal! As outras “estrelas” nunca vão faltar! Assim fosse com os valores a reger a vida de cada um! A crise ia passar mais depressa!
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Cruzes canhoto. O Rui Rio é que não !!! Só precisam de comparar o Porto com Gaia para ver que esse tipo não fez a Puta de um corno pelo Porto e só ganhou a câmara por engano. O Diabo que o Carregue para Lisboa e que deixe o lugar para alguém bem mais capaz.
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Não percebo como é que o Porto teve dinheiro para alimentar a corrida de pópós na Boavista, para satisfação dos corredores de pópós, e não o tem para umas míseras iluminações pelo Natal.
Se ao menos ainda fizesse o circuito da Boavista no Natal!…
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Porque é que não perguntam ao Jardim como é que ele resolveu o problema na Madeira?
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Há anos que o Porto e o Norte estão a ser explorados por Lisboa.
Mas os maiorais do Norte gostam.
É ver o Rui Rio e o Luis Filipe Menezes a contemporizar com toda a pouca vergonha que vem de Lisboa!
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Afora os espírito de natal, que não se faz da acumulação de sempre mais vistas e a manifestação exterior de riqueza, é preciso poupar, realizar por atos o que em palavreado barato se alardea .
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O Jardim é um caso à parte de estreonidade e polícia .
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A lógica é fantástica: como Rui Rio não conseguiu resolver minimamente o problema do Porto, então o melhor é ir para líder regional. Brilhante!
Rui Rio fez algumas coisas bem, mas mais relevante foi por exemplo a Ryanair, os empreendedores privados locais, etc. Dados objectivos: entre 2001 e 2011 a população do Centro Histórico diminuiu 30%. O resto são tretas.
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Porque é que alguém quererá ir para fictícios “centros históricos”?
São os sítios mais regulados e com menos liberdade da cidade.
É como o Chiado em Lisboa.
Quem raio vai para lá viver se as Câmaras estão sempre a mudar as regras para ainda haver menos liberdade.
Só um louco suícida ou um milionário que não se importa de perder uns trocos por prestígio, agora uma família normal não pode estar á mercê dos caprichos de um Presidente de Câmara ou de um vereador
Em cidades verdadeiramente ricas em História e Arte como Florença, Veneza os turistas ainda dão para pagar em parte o excesso de regulação aos habitantes. Lisboa, Porto etc fujam delas!
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TAF e outros comentadores:
Na realidade, não tenho dúvidas de que a escapatória da eleição dos Presidentes da Juntas Metropolitanas surge, em grande medida, não só para acalmar os ânimos regionalizadores de certas elites pensantes e de uma grande parte da população do Grande Porto (para que a regionalização efectiva seja colocada debaixo do tapete) e para se negociar uma saída política para Rui Rio. De resto, veja-se as declarações de rio nas Conferências do Hotel Intecontinental “abrindo-se” a essa hipótese.
É claro que em política dois ou três ano é muita coisa, mas, por agora, é quase a única saída política de Rui Rio…
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