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Estado, nação ou estado-nação?

5 Fevereiro, 2012

‎”Penso que o português é Povo de Diáspora mesmo, como o Cigano e o Judeu: arauto da Unidade Humana, como o outro o é da Liberdade e o Terceiro da Unidade Divina. Sendo de dispersão só lhe faz mal haver Estado.(…) Espero que no futuro Portugal se solte desse entrave e seja simplesmente (e grandemente) uma Nação.”
Agostinho da Silva

42 comentários leave one →
  1. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    5 Fevereiro, 2012 11:37

    O grande ensinamento que a diáspora lusíada sustenta que:
    1 – o português é mercador por excelência e industrialista por absoluta excepção.
    2 – uma estratégia nacional que não contemple os quinze milhões de portugueses é manca, excludente, irreal e limitada.
    3- o português, para se realizar plenamente, carece do banho lustral de fantasia de que falava Torga. Da tropicalidade como condição obrigatória na vivência dos jovens, nem que seja apenas em viagens de curso orientadas para o universo de lingua portuguesa e não para as praiecas da Catalunha.
    4- a presença secular portuguesa na China abre a possibilidade próxima de um enorme entreposto europeu de mercadorias asiáticas, a situar em Sines. O alargamento do canal do Panamá fará com que o primeiro porto europeu para receber as mercadorias asiáticas seja na costa portuguesa.
    5-Uma reciclagem das elites portuguesas é condição sine qua non para o despertar da pátria, substituindo as posturas de auto-convencimento, de exibicionismo, de mania das grandezas que são a marca dessa gente pelas qualidades de perseverança, de trabalho, de humildade, de espírito de sacrifício e de solidariedade que são os eixos centrais da diáspora portuguesa, a marca que os nossos emigrantes espalharam pelo mundo. O Portugal, enfim, dos manuéis, dos antónios e dos joaquins.
    O Portugal de que me orgulho, afinal. A Nação de Agostinho, pois claro!

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  2. Piscoiso's avatar
    5 Fevereiro, 2012 11:44

    Hoje é dia de missa.

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  3. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    5 Fevereiro, 2012 11:53

    A melhor missa é a de quem não se ajoelha.

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  4. J.Silva's avatar
    J.Silva permalink
    5 Fevereiro, 2012 12:39

    Conviria ter uma segunda opinião – a Finlandesa, por exemplo…

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  5. zazie's avatar
    zazie permalink
    5 Fevereiro, 2012 12:43

    A Finlândia tem recursos naturais incomparáveis. É absolutamente autónoma em matéria energética.
    .
    E até conseguem que empresas estrangeiras vão lá fundir material que lhes fica mais barato. Têm um espantoso aproveitamento dos geisers.

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  6. zazie's avatar
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    5 Fevereiro, 2012 12:46

    Enganei-me. Estava a pensar na Islândia
    .
    eehheheh

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  7. Piscoiso's avatar
    5 Fevereiro, 2012 12:49

    Mas rima.

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  8. zazie's avatar
    zazie permalink
    5 Fevereiro, 2012 12:53

    Pois rima e a Finlândia também tem muitos recursos naturais
    .
    http://www.mp3ye.eu/1095264_monty-python-finland-song-mp3-download.html

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  9. André Miguel's avatar
    5 Fevereiro, 2012 15:47

    Nação, sem dúvida, que Estado sempre tivemos a mais.

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  10. Etedom's avatar
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    5 Fevereiro, 2012 15:54

    É oque nos resta, divertirmo-nos, já basta os cortes e recortes do governo!

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  11. José Gonçalves Cravi's avatar
    5 Fevereiro, 2012 15:59

    O autor do texto diz que o português é mercador por excelência,mas como mercador foi ultrapassado pelo holandês e quanto a ser industrial também fica muito atrás do holandês.Diz-se que Deus criou o Mundo,mas a Holanda foi criada pelos holandeses.Eu vim pr’à Holanda em 1964,(foi a oportunidade que me surgiu)como operário juntamente com um grupo de portugueses contratados para uma Fábrica metalúrgica.Trabalhei até à minha reforma e hoje com quase 88 anos digo que fui aqui melhor tratado do que na Pátria-Mãe p’ra mim madrasta,mas sinto-me português até morrer.
    E como desabafo final direi: -A Pátria-Mãe p’ra mim madrasta/empurrou-me p’rà emigração./
    Maldita seja a Governação/que Portugal p’rà miséria arrasta.

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  12. Daniel Santos's avatar
    5 Fevereiro, 2012 17:37

    presumo que tenha lido mais de Agostinho da Silva do que retirar estas palavras do google.

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  13. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    5 Fevereiro, 2012 17:43

    Caro José Gonçalves, são raros os depoimentos como o seu. Por minha parte agradeço a oportunidade de ter partilhado sua experiência, que milhões de portugueses viveram. Sabe, possivelmente, que segundo números oficias do Ministério dos Negócios Estrangeiros, são quase cinco milhões os portugueses e luso-descendentes que vivem fora de Portugal. A grande maioria estará em plena sintonia consigo.
    Masa repare que a Holanda não civilizou nada no planeta, gerou uma das ditaduras mais horrendas, na Indonésia, e a lingua que falam não saiu das praias em que habitam. E para o sucesso mercantil contaram, como sabe, com a massa cinzenta e os capitais dos judeus que a Ibéria expulsou. Enfim, não devemos forjar comparações, mas sim alimentar esse sentimento de ser português até ao fim. E que os holandeses sejam muito felizes.
    Aos portugueses fica o dever de construir uma pátria melhor, sem as elites miseráveis que defenestraram este povo. Até o açúcar que levavam do nordeste brasileiro esses trogloditas não refinavam em Portugal. Levavam-no para a Holanda…
    Esta é a gente errada à frente dos destinos de Portugal. A mesma há demasiado tempo. Já que não podemos mudar Portugal, será melhor mudar essa gente.

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  14. ikonoklasta's avatar
    ikonoklasta permalink
    5 Fevereiro, 2012 18:28

    eheheh… João Santos,
    .
    até, agora, os grandes merceeiros, que poderiam investir e criar riqueza e postos de trabalho, em Portugal, “desviam” uma parte dos seus lucros para a Holanda… a mesma história continua!…
    .
    também eu sou uma migrante, com menos 30 anos que o Cravi, saltitei entre diferentes países europeus… sou portuguesa, sou, até ainda tenho passaporte português, mas sou também um pouco de outras bandas, onde vi e vivi tanta coisa, que fazem o que sou… curiosamente, o meu filho, que queria aqui ficar e que levou os seus estudos até ao doutoramento, teve de ir trabalhar para os USA, porque vivemos numa sociedade parada, onde os lugares estão cativos, esse, não só é português, como é também dos lugares onde passei e agora dos USA… e é, pelo menos, pentalingue, enquanto, eu me limito a ser trilingue…
    .
    com a distância que tenho, em relação a tudo o que vou vendo por cá, de algum tempo para cá, já não tinha nenhuma razão para ter um orgulho qualquer em ser deste país, ou, aliás, de outro qualquer… e, quando olho para o meu cão, nem sequer me viria à cabeça interrogar-me sobre a sua nacionalidade!…

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  15. aremandus's avatar
  16. FR's avatar
    5 Fevereiro, 2012 19:00

    José Cravi, os holandeses mercadores foram os Tugas expulsos pela Santa Inquisição (que foram para Haia e Amesterdão)

    O Estado/Nação esperemos assim que seja um estado de natação para se afogar o Estado e ficar só na Nação…tudo invenção para justificar quem não quer estado e tão pouco Nação. Os Tugas já foram “outros” que permanentemente insistem em sair para se misturar com outros.

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  17. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    5 Fevereiro, 2012 19:43

    Portugal pode ser uma nação, mas uma nação que já não tem Estado, nem Constituição, nem soberania.
    É uma vergonha.
    Todos os que diariamente entreguem a soberania aos fdp’s dos estrangeiros deviam ser fuzilados.
    Há que reabilitar a PENA DE MORTE para estes casos.

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  18. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    5 Fevereiro, 2012 19:47

    Pois é, Ikonoclasta, as castas que nunca lograram criar neste país condições de desenvolvimento são as que ainda imperam. Pisgam-se com os cabedais, esses descendentes dos mercadores que traziam o açucar do Brasil e nem cuidavam de promover a refinação por cá. Iam directos para a Holanda. Como agora.
    Não há nada a fazer a não ser substituir essas elites exibicionistas, vaidosas, auto-convencidas, metidas a besta, que conspurcam a história lusitana desde tempos imemoriais.
    E concordo consigo: todos os que percorremos parte da diáspora somos sempre um pouco das bandas por onde passamos. Isso é bem um jeito de ser português. Um inglês é sempre um tipo britânico mesmo nos confins da Amazónia…
    Sou apenas um entre os 15 milhões de portugueses, sem orgulhos bacocos. E com um gato siamês.

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  19. tric's avatar
    tric permalink
    5 Fevereiro, 2012 19:55

    “José Cravi, os holandeses mercadores foram os Tugas expulsos pela Santa Inquisição ”
    .
    Tugas!!?? os Judeus não são portugueses, são israelitas!

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  20. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    5 Fevereiro, 2012 19:57

    expulsos o caraglio: tem um na secretaria de estado da cultura

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  21. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    5 Fevereiro, 2012 20:07

    Infelizmente, Portugal ainda não se livrou das judiarias que nos fazem.
    O venturoso El-Rei Dom Manuel I, bem tentou, mas a ralé internacional não deixou!

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  22. ikonoklasta's avatar
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    5 Fevereiro, 2012 20:34

    João Santos,
    .
    o meu cão, sem nacionalidade nem raça, um verdadeiro rafeiro, filho de cocker e dálmata, endereça cumprimentos, ao seu siamês de gato…

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  23. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    5 Fevereiro, 2012 21:57

    Ikonoklasta,
    O meu gato retribui as amáveis saudações caninas de tão singular miscigenação. Tive uma cocker de pai setter que alumiou 14 anos da minha existência. Bem haja!

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  24. Tolstoi's avatar
    Tolstoi permalink
    5 Fevereiro, 2012 22:38

    Arlindo Costa

    Será que denoto no que escreveu algum anti-semitismo?

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  25. Pine Tree's avatar
    Pine Tree permalink
    5 Fevereiro, 2012 23:55

    Nação sem estado?
    A nação tem vontade ou, pelo menos, tem a vontade das suas elites. Como se pode realizar esta vontade sem uma estrutura organizada, que é precisamente o estado? Como se pode enviar toda uma geração de mancebos para lutar em África sem um estado que os organize? Como se pode manter amarrado à nação um qualquer território com pretensões à independência sem um exército ou uma esquadra? E como se obtêm esses recursos sem o poder?
    Se dissesse Pátria em vez de Nação, talvez se encontrasse aí algum sentido.

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  26. ikonoklasta's avatar
    ikonoklasta permalink
    6 Fevereiro, 2012 00:08

    João Santos,
    .
    uma singular miscenização, diz… mas com muita pinta, o meu rafeiro, duma elegância… só visto!…

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  27. ikonoklasta's avatar
    ikonoklasta permalink
    6 Fevereiro, 2012 00:10

    até o Porto é uma naçom!… quanto mais o país inteiro e a sua diáspora!…

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  28. Golp(ada)'s avatar
    Golp(ada) permalink
    6 Fevereiro, 2012 00:12

    Grande Vasco Graça Moura.
    Espero têr lançado a semente.
    Não quer no CCB “facto”, “directo” etc, sem “c” nem “óptimo” sem “p” de puta que os pariu.
    De resto nem as 200.000 mil assinaturas serviram para o assunto ser falado na Assembleia pelos parladores vendidos, a um Brasil que nos vem ensinar como falar e escrever.
    .
    De salientar que “facto” se usa em inglês, espanhol e até alemão (com k) só para citar alguns.
    Como é que raíz duma palavra pode ser vilipendiada deste modo?
    Fácil. Estamos no Burkina-Faso da Europa onde tudo é possivel com o beneplácito dormente destas elites.
    .
    Todos os blogs DEVERIAM adoptar esta revolta do Vasco Graça Moura e escrever como dantes.

    P.S. Escrevi adoptar ao arrepio do Novo Desacordo Ortográfico.

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  29. tric's avatar
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    6 Fevereiro, 2012 01:16

    não se devia era comprar jornais que utilizassem o novo Acordo Ortográfico! esses … e pedir a demissão do mais feroz adepto do novo acordo ortográfico, o Judeu Rabi Viegas, actual Ministro da Cultura de Pórtugau !

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  30. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    6 Fevereiro, 2012 02:02

    .
    Portugal, Nação? O 25 de Abril de 1974 matou Portugal e matou a Nação. Sim, já não tem cura…

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  31. Piscoiso's avatar
    6 Fevereiro, 2012 08:46

    Como bom fumador que é e frontalmente contra contra a lei do tabaco, espera-se de Vasco GM o homem de tomates que dizem ser por aí, para permitir que se fume no interior de todo o Centro Cultural de Belém.

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  32. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
  33. IFIGENIO OBSTRUZO's avatar
    IFIGENIO OBSTRUZO permalink
    6 Fevereiro, 2012 10:50

    A Sociedade Destroça o Indivíduo …

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  34. Rogério's avatar
    6 Fevereiro, 2012 14:11

    O Piscoiso, sempre igual a si mesmo,

    nunca perde uma.
    Está em todas.
    R.

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  35. pvnam's avatar
    pvnam permalink
    6 Fevereiro, 2012 15:17

    Com todo o respeito pelo Agostinho da Silva: NÃO OBRIGADO!
    .
    .
    -> As famílias não são independentes/autónomas… todavia, devem as famílias abdicar da sua Identidade?… Resposta: Nâo!
    -> As Nações não são independentes/autónomas… todavia, devem as Nações abdicar da sua Identidade?… Resposta: Não!
    —>>> Apesar de os portugueses não serem a nação mais antiga da História… será que os portugueses devem abdicar da existência duma Pátria sua?
    RESPOSTA: NÃO!!!
    .
    -> Muito muito mais importante do que a crise… é o DIREITO À SOBREVIVÊNCIA!!!
    -> A sobrevivência é uma coisa difícil e complicada: ‘n’ civilizações já desapareceram.
    Resumindo e concluindo: Não vamos ser uns ‘parvinhos-à-Sérvia’…. antes que seja tarde demais, há que mobilizar aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para se envolver num projecto de luta pela sobrevivência… e SEPARATISMO!
    .
    .
    .
    ANEXO:
    1.
    -> Quando se fala em SEPARATISMO-50-50… não se está a falar em apartheid, mas sim, em LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA, ou seja, separatismo puro e duro: uma Nação, uma Pátria, um Estado.
    2.
    -> Uma NAÇÃO é uma comunidade de indivíduos de uma mesma matriz racial que partilham laços de sangue, com um património etno-cultural comum.
    -> Uma PÁTRIA é a realização e autodeterminação de uma Nação num determinado espaço.
    -> Ora, existindo não-nativos JÁ NATURALIZADOS com uma demografia imparável em relação aos nativos… como seria de esperar, abunda por aí muita conversa para ‘parvinhos-à-Sérvia’.
    3.
    -> Como é óbvio, a Nação mais antiga da História – os Judeus – não abdica duma Pátria sua.
    -> Ao contrário dos Judeus que fizeram uma TRANSIÇÃO BRUSCA… eu penso que a transição para o separatismo-50-50 deveria ser uma TRANSIÇÃO GRADUAL (de algumas décadas).

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  36. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    6 Fevereiro, 2012 15:36

    João Santos : “Não há nada a fazer a não ser substituir essas elites exibicionistas, vaidosas, auto-convencidas, metidas a besta, que conspurcam a história lusitana desde tempos imemoriais.”
    .
    Esta ideia de que os nossos males nacionais veem das nossas ditas “elites” (as “classes dirigentes”) é partilhada por muitos comentadores e por muita gente em geral. Em particular nesta fase de maiores dificuldades do pais.
    Trata-se de uma posição legitima e que deve ser respeitada. Como devem ser respeitas as pessoas que, como o João Santos, a exprimem. Terão as suas razões. E é indiscutivel que as pessoas que fazem parte destas elites tiveram e teem uma responsabilidade importante no que se tem passado e se passa no pais.
    Mas não me parece que este atirar de todas as culpas para cima da elite seja correcto nem que nos ajude a superar os problemas e as dificuldades actuais.
    .
    As eleites que temos não são muito piores do que as de tantos outros paises. Nalguns casos, pelo menos relativamente a alguns critérios de avaliação, até são equivalentes ou mesmo melhores.
    Em boa medida, as elites nacionais têm as mesmas características, os mesmos defeitos e as mesmas qualidades, do resto da população.
    .
    Também não se pode meter tudo no mesmo saco. Nem todas as elites são “exibicionistas, vaidosas, auto-convencidas, metidas a besta,…”. Nem todos os elementos individuais da elite são interesseiros, egoistas, corruptos, vendidos, irresponsáveis, incompetentes, incapazes, etc. Como em cada categoria social, como no conjunto da população, há de tudo.
    .
    Quando se trata da governação do Estado contam também as visões do mundo e os projectos políticos. Uma elite nacional está longe de ser homogénea.
    O que acaba por ser muitas vezes determinante para o percurso de um país é a correlação de forças entre diferentes sectores que integram a elite. Esta correlação depende de inúmros factores. Um deles, mais importante do que por vezes se pretende, é certamente o que se passa ao nível do resto da sociedade e da população.
    A influência deste factor é ainda mais importante em regimes políticos abertos e de tipo democrático. Em eleições os cidadãos votam, escolhem os sectores políticos que preferem, e deste modo condicionam e determinam a correlação de forças no seio da dita “classe dirigente” e o tipo de governação do Estado e da sociedade.
    .
    No fim de contas, pode-se dizer que cada país tem a classe dirigente que escolhe e que, por consequência, merece.
    O que é certo é que nenhuma sociedade na história e no mundo pôde ou pode prescindir da existência de elites com vocação para dirigir e governar. A única margem de manobra tem a vêr com a correlação de forças e a preponderância de certos sectores relativamente a outros. Aqui é que se vê a maior ou menor lucidez e sentido de oportunidade do conjunto do país.
    Mas, pelo menos nestes domínios, por mais avisada que seja a consciência nacional e por mais acertada que seja a escolha dos dirigentes, não há nunca milagres.
    Convém partir desta constação realista em vez de estar sempre à espera de uma qualquer redempção nacional que nunca chegará e que nos afasta do objectivo prático de ir fazendo hoje o que vai sendo possível e viável para ir melhorarando a situação.
    Com as elites e as classes dirigentes que temos, claro !!

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  37. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    6 Fevereiro, 2012 20:47

    Fernando S
    Há pessoas de qualidade, formação e integridade nas nossas elites. Isso não impede que a marca dominante dessas elites seja a do auto-convencimento, da farronquice e da incompetência, históricamente comprovadas, que coloquei em traços fortes na minha apreciação. Essa marca dever-se-á, possivelmente, ao carácter (sub)imperial e dependente dessas elites, desde o ponto de vista político ao económico, plasmado no Tratado de Methuen e nas intervenções britânicas em salvaguarda do estado português. Uma história das elites portuguesas ao longo dos séculos, seria um instrumento importante para avaliarmos com precisão a própria história do (sub)desenvolvimento nacional.
    O que critico não são pessoas mas o papel dessas elites incapazes de criar condições de desenvolvimento ao longo da história. E isso apesar das remessas das especiarias, da remessa do ouro, da remessa da prata, da remessa dos diamantes, da remessa do açúcar, das remessas de Bruxelas. Eis a coroa de glória dessa gente!
    E o seu certificado definitivo de incompetência, são os 4 981 408 portugueses e luso-descendentes residentes no exterior, conforme estatísticas do MNE reportadas a 2006/2007.
    E se a democracia é o caldo certo para gerar saídas positivas, então vamos ter que aguardar muito tempo, pois a tal regime chegamos muito tarde na história e sem livro de instruções.
    Haja esperança, pois, não em milagre, mas em revolução.

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  38. FR's avatar
    6 Fevereiro, 2012 22:17

    tric
    Posted 5 Fevereiro, 2012 at 19:55

    Portugal, desde a sua formação como Estado era um lugar onde os três “ismos” conviviam em harmonia. Que eu saiba eram todos “Tugas” e os judeus não abandonaram a sua terra de livre vontade: Forma expulsos.
    …Já agora até ao sec XIX, antes de acabar a escravatura, vieram para este pais 100.000 escravos (negros) e que se saiba não tinham bilhete de ida e volta e que logo após a abolição da escravatura ficaram como “Tugas”.
    O português é isso tudo.

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  39. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    7 Fevereiro, 2012 10:20

    Caro João Santos,
    .
    Eu não estou aqui para defender as nossas “elites” contra tudo e contra todos. Terão muitos defeitos, incluindo muitos dos que o meu amigo menciona. Que é desejável que sejam corrigidos o mais cedo e o melhor possível.
    .
    Mas, como já referi, elas são parte integrante e o resultado da história do nosso país, têm em boa medida os defeitos e as qualidades que tem o país como um todo.
    Reparei que o meu amigo tem orgulho em ser português, tem orgulho no seu país. Não deve ser apenas pelo clima e pela belas paisagens. Certamente que é também por tudo o mais que é este país e que são as suas gentes. Acontece que o país que temos, com o melhor e o pior, é o resultado de uma longa história em que todas as suas componentes tiveram um papel. As “elite”s são necessáriamente algumas dessas componentes. Foram importantes, para o melhor e para o pior. Não podemos simplesmente separar o trigo do joio e dizer que o que de mau aconteceu foi obra das “elites” e que o que de bom aconteceu se deveu ao “povo”.
    .
    De qualquer modo, melhores ou piores, as “elites” que temos são as que temos. Não se substituem “elites” como quem muda de camisa.
    O meu amigo fala de as substituir em revolução. Desengane-se. As revoluções as mais das vezes não substituem as “elites”. Substituem apenas alguns dos seus elementos individuais algumas das suas categorias e pouco mais. Mas para isso não é indispensável nem vale a pena o custo de uma revolução. Além de que a história ensina que quase sempre as novas “elites” saidas das revoluções acabam por adquirir as caracterticas das anteriores e são ainda piores do que os originais.
    Dito isto, claro que é desejável uma evolução e renovação das “elites”. E, sobretudo, uma legitilmação popular das pessoas que estão nas instituições e nos governos do país. Mas este processo deve ser feito unicamente pela via da democracia representativa de tipo liberal. Com todas as suas limitações, trata-se do modo mais fiel e rigoroso de auscultar a vontade popular e de escolher os governantes. Ao contrário das revoluções que, as mais das vezes, acabam em ditaduras de algumas “elites” contra a esmagadora maioria da população.
    .
    O meu amigo refere os cerca de 5 milhões de portugueses e luso-descendentes no exterior. Claro que se o nosso país fosse mais desenvolvido e melhor governado talvez esse número pudesse ser inferior. E claro que muitos dos portugueses que emigraram o fizeram com sacrificios porque viviam com muitas dificuldades no seu próprio pais.
    Mas, desde logo, esta situação não é exclusiva de Portugal. Muitos e muitos outros povos emigraram em grande número. Muitos sairam inclusivamente de vários dos paises mais desenvolvidos e contribuiram de modo importante para a formação e para o progresso de outros. A emigração não deve ser vista apenas como um fenómeno negativo. Vendo bem, emigração foi a melhor maneira que muitas pessoas encontraram para tentar melhorar as respectivas vidas. E acabou por ser quase sempre bem sucedida. De um modo geral, na maior parte dos casos, os emigrantes não lamentam ter feito essa opção e consideram-se satisfeitos por viverem nos paises onde vivem. Raramente um emigrante maldiz o seu pais e os seus governantes pelo facto de ter tido de emigrar.
    No fim de contas, a “diaspora” portuguesa não é um mal em si. Antes pelo contrário. É uma comunidade relativamente própera, ligada ao seu país de origem e aos seus valores, orgulhosa das suas origens, e é igualmente um motivo de orgulho para todos os portugueses, de dentro e de fora.

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  40. PMP's avatar
    PMP permalink
    7 Fevereiro, 2012 10:36

    Sem uma estratégia de desenvolvimento económico o país/nação/estado vai andar sempre em crises existenciais.
    .
    Depois do deslumbre da CEE e do Euro continuamos à deriva económicamente, penalizando as empresas e os empreendedores e mantendo o ensino superior publico e a defesa fora da esfera económica.
    .
    Nenhum país do mundo consegue competir desta forma desorganizada, desperdiçando continuadamente recursos financeiros e humanos.

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  41. ALS's avatar
    ALS permalink
    7 Fevereiro, 2012 15:50

    Ou seja, nós é que inventamos a Globalização. Para quê? Pra sobrevivermos e para os outros ficarem ricos!

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  42. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    7 Fevereiro, 2012 17:05

    Caro Fernando
    Há mais sintonia do que parece nas nossas visões deste país. Mas a diáspora não faz parte do pensamento estratégico das actuais elites portuguesas. Portugal nunca é pensado como uma nação de mais de 15 milhões…
    Duvido mesmo que haja um pensamento estratégico…
    O pensamento único dos nossos dias aponta para um modelo liberal. A demócracy que hoje alastra, na maioria dos casos é desajustada dos modos de viver e tradições de muitos países. Esse é o modelo do império americano – que, tal como o romano, o britânico e outros mais – vai a caminho da queda, ainda que arrastada e cada vez mais agressiva pelos decénios que seguem.
    Portugal tem uma história praticamente milenar e um conhecimento das «sete partidas» do mundo que exigem formulações novas, modelos de inserção geo-estratégica diversos dos que imperam. A subalternidade começa sempre por ser a atitude perante os outros. E toda a plêiade de economistas nacionais que adoptaram a cartilha liberal estão de cócoras diante do modelo americano. A atitude é exactamente a mesma dos comunistas diante da ex-URSS e dos amanhãs que cantam.
    São isso as elites nacionais, uma vez mais equivocadas, subalternas, dependentes.
    Acredito que se possa e deva mudar. Mesmo com os custos de uma revolução.
    Concordo que a emigração deve ser vista positivamente. É a tal visão estratégica da nação de 15 milhões… Mas deve ser vista em sintonia com a trajectória dos portugueses ao longo dos séculos, que foi predominantemente mercantil. Por isso, hoje, na era da globalização, é um crime que se desperdice essa imensa rede que os portugueses criaram.
    O prestígio de escolas como a de Coimbra deveria ser revivido nos tempos actuais, mas nas áreas mais arrojadas da tecnologia, criando centros de excelência na formação de elites esclarecidas, não apenas de Portugal, mas dos países que connosco partilham a mesma lingua.
    Ao invés, desperdiçamos uma vez mais os recursos alheios (os últimos vieram de Bruxelas) e obrigamos novas gerações a partir.
    Chegamos a uma situação em que não vemos a luz ao fundo do túnel. Pior, nem vemos o túnel!

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