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Temos a cozinha a arder. Vamos saltar pela janela?

25 Fevereiro, 2012
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Há um ponto em que todos parecem de acordo: a crise grega não pode acabar bem. Mas o consenso acaba no momento deste prognóstico. É mais difícil assumir que quase todas as receitas alternativas são muito difíceis de digerir. Pior: que algumas delas podem também vir a ser aplicadas em Portugal.

Porque é que a crise grega vai acabar mal? No essencial, porque ninguém acredita que este último pacote de ajuda resulte. Uns não acreditam, porque entendem que a receita está errada desde o princípio, outros porque acham que, se a Grécia que não foi capaz de aplicar medidas menos rigorosas, dificilmente aplicará medidas mais duras. Isto, apesar de, desta vez, não restarem dúvidas que estamos mesmo perante uma ajuda e não apenas face a mais um empréstimo: uma parte da dívida grega deverá ser perdoada pelos credores privados (107 mil milhões de euros) e o país beneficiará de juros especialmente favoráveis.
Mas isso não chega. Na Grécia falta consenso social e político para gerir a crise. Na Grécia a classe política continua a resistir às reformas e à necessidade de acabar com os sectores clientelares da economia (um exemplo: num país muito dependente do turismo, a profissão de guia turístico ainda está nas mãos de uma corporação fechada e ciosa dos seus privilégios). Na Grécia – e este é o problema mais grave – não há sinais de uma possível recuperação da competitividade dos sectores produtivos, uma recuperação que fosse capaz de inverter o ciclo recessivo.
Daí que cada vez mais gente defenda a mais radical das medidas: a saída do euro. Na imprensa internacional tanto vozes eurocépticas (como Ambrose Evans-Pritchard, doThe Telegraph), como federalistas (caso de Wolfgang Münchau, do Financial Times) juntam-se a uma legião de economistas (de que um exemplo é Hans-Werner Sinn, responsável de um dos mais importantes think tanks económicos da Alemanha, em entrevista à Spiegel) que defendem o regresso da Grécia ao dracma. Sem dramatismos, apenas por realismo.

O argumento é tão simples como poderoso: a Grécia precisa de uma moeda própria, que possa desvalorizar, para reconquistar competitividade. Dentro de uma moeda única partilhada com economias muito mais poderosas nunca os produtos gregos serão tão bons ou tão baratos que possam competir nos mercados internacionais.
O mal grego é, neste domínio, muito semelhante ao de outros países do Sul da Europa. Durante décadas as suas economias habituaram-se a desvalorizações competitivas e a níveis de inflação relativamente elevados. Com o euro, essas economias transformaram a dependência de desvalorizações numa dependência de dívidas, dívidas tornadas possíveis por taxas de juro a que não estavam habituadas.
Dito assim tudo parece fácil. Mas então, porque não saiu ainda a Grécia do euro? Porque, como notou Angelos Tsakankis, do think tank IOVE, sair do euro seria como saltar da janela de um terceiro andar para fugir do fogo na cozinha. “Pode-se ter sorte e não ficar muito magoado, mas não seria melhor tentar extinguir o fogo?” Tsakankis manifestou-se especialmente preocupado com falências em série e um pesadelo legal, pois a verdade é que ninguém consegue antever com exactidão o que sucederia nesse cenário.
Por outras palavras: os ganhos de competitividade que a economia grega experimentaria saindo do euro seriam pagos através de uma diminuição brutal dos níveis de vida, uma diminuição muito mais brutal do que a da actual austeridade. Por isso era bom que os defensores do “fim do sacrifício do povo grego” – isto é, do abandono das actuais medidas de austeridade – nos explicassem qual o seu caminho alternativo. Até porque agora já está prevista uma das suas medidas preferidas, isto é, uma substancial perdão da dívida a ser suportada pelos bancos privados…

É natural que Portugal faça tudo para evitar seguir o caminho da Grécia, apesar de a tarefa ser difícil. Mais: é natural que analistas e comentadores discutam a possibilidade de Portugal voltar aos mercados em 2013 ou as vantagens e desvantagens de ter mais tempo para ajustar as contas públicas, mas já não é natural que responsáveis políticos sigam pelo mesmo caminho, pois isso alivia a pressão para se atingirem metas negociadas há menos de um ano. O que os responsáveis políticos devem fazer é aquilo que não fizeram vezes sem conta: cumprir, “custe o que custar”, as metas estabelecidas. Não fingir, não adiar. Até porque não tenho a certeza que uma dor espalhada por três anos seja melhor que uma dor mais intensa mas concentrada em menos tempo.
É possível – já o defendi nesta coluna em Abril de 2011 – que Portugal não consiga reerguer-se sem renegociar a sua dívida. Se pensarmos nos níveis de crescimento necessários para se voltar a criar emprego e se começarem a pagar as dívidas, é difícil imaginar que sejam concretizáveis, mesmo quando acabar a fase mais dura da austeridade. Da mesma forma, se pensarmos na competitividade perdida das nossas indústrias, é difícil imaginar como poderá ela ser recuperada sem uma desvalorização da moeda, pois os cenários de desvalorização fiscal (como se provou no caso do abandono da descida da TSU) são praticamente impossíveis de atingir.
Dito de outra forma: para recomeçarmos de novo talvez sejam necessárias medidas hoje impensáveis – como a saída do euro e a reestruturação da dívida. Nunca ninguém o admitirá, sobretudo nunca nenhum responsável político o fará, e ainda bem. Tais medidas também só serão possíveis sem nos condenarem ao empobrecimento eterno (e não apenas a um inevitável empobrecimento temporário), se enquadradas pela própria União Europeia.
Espero sinceramente que alguém, em Bruxelas e em silêncio, esteja já a estudar estes cenários de recuo. A bicicleta da Europa não tem de pedalar sempre para o mesmo lado, sobretudo quando não parece ser essa a vontade dos eleitorados.

Há alternativa a estes cenários? Claro que há, mas é duvidoso que existam condições políticas para isso. Para salvar a Grécia, e Portugal, e talvez também a Espanha e a Itália, do buraco em que se meteram, seria necessário transferir para estes países centenas de milhares de milhões de euros ao longo de vários. Não bastariam empréstimos, seriam necessárias doações. Ora, como reconhecia esta semana o próprio Wolfgang Münchau, “isso não é simplesmente possível numa base intergovernamental, onde a Alemanha, a Holanda e a Finlândia pagam as contas da Grécia, de Portugal e da Irlanda” (ou da Itália).
É bom ler palavras tão claras: a verdadeira alternativa a colocarmos as nossas contas em dia é passarmos a depender do dinheiro de outros. Há quem chame a isto “solidariedade”, há quem use o termo “subsídio-dependência”, mas algo é incontornável: uma Europa capaz de praticar esse tipo de transferências de forma permanente não existe e não se vê como possa existir continuando a ser um espaço democrático: da mesma forma que a vontade do povo grego não deve submeter-se à do alemão, a do alemão também não pode submeter-se à do grego, como às vezes quase se sugere.
Ontem, no Guardian, Timothy Garton Ash notava que, “se esta eurozona não existisse, ninguém a quereria criar hoje”. É bem verdade. Estamos a pagar um preço elevado por uma utopia tecnocrática e o problema de todas as utopias é que, a partir de determinado momento, também passam a servir para justificar todos os atropelos. A Europa, por vezes, parece à beira de sucumbir a essa lógica. E aos seus próprios mitos.

Público 2012-02-24

45 comentários leave one →
  1. trill's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 11:29

    o problema da grécia é que os gregos parecem ignorar a situação. Recusam baixar o salário mínimo quando mesmo depois de reduzido este continua muito acima do salário mínimo português. É certo que o salário mínimo português é uma vergonha que só não faz corar de vergonha os portugueses que lucram com uma salário mínimo tão baixo e é certo que não se pode ter como “target” o escandaloso salário mínimo português, porque isso seria uma regressão civilizacional inaceitável, mesmo para os gregos. Mas o problema é que a situação da Grécia é pior que a portuguesa e portanto um salário mínimo de 700 euros não se coaduna minimamente com a “produtividade” dos gregos, que é mto baixa e não há saída para a situação dos gregos – que ao contrário dos portugueses não foi somente causada pela corrupção de “Estado”. São todos os gregos quem não paga impostos, por exempo…. http://psicanalises.blogspot.com/

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  2. silva's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 11:55

    É curioso o estado primeiro ajuda as empresas com os diversos tipos de despedimento, como o caso do despedimento coletivo do Casino Estoril e agora dá incentivos para os mesmos, darem emprego o mal disto é a justiça popular andar a dormir.

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  3. the lost horizon's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 12:22

    Mas tudo se resume ao problema grego ou este não será peneira com que os cavaleiros do apocalipse querem esconder o Sol?
    Há um “profeta”, Serge Latouche da Universidade de Paris , 100 por cento credível, até prova em contrário, que garante o seguinte; “o dinheiro virtual, mas dotado de efeito real, que se encontra em circulação, ultrapassa 15 vezes o PIB mundial. Haja quem prove que este professor de economia, com cerca de 70 anos está enganado. E se ele estiver certo, então a culpa de tudo isto é dos gregos, não é?

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  4. ikonoklasta's avatar
    ikonoklasta permalink
    25 Fevereiro, 2012 13:33

    jmf “et la voix de son maître”:
    .
    O que os responsáveis políticos devem fazer é aquilo que não fizeram vezes sem conta: cumprir, “custe o que custar”, as metas estabelecidas. Não fingir, não adiar. Até porque não tenho a certeza que uma dor espalhada por três anos seja melhor que uma dor mais intensa mas concentrada em menos tempo.
    .
    antídoto:
    .
    Países como Portugal, Grécia e Espanha também não contribuíram para esta situação?

    Não. Dos três casos, Portugal é aquele que menos culpa tem. Reagiu à crise mundial como todos reagiram, endividando-se para reativar a economia. As agências de rating foram muito cruéis. Sempre que a economia portuguesa parecia estar a recuperar, cortavam o rating. A justificação era que as perspetivas eram más, mas eles estavam a contribuir para que elas fossem piores. As tais profecias auto-cumpridas.

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  5. tric's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 13:39

    Dito de outra forma: para recomeçarmos de novo talvez sejam necessárias medidas hoje impensáveis – como a saída do euro e a reestruturação da dívida. Nunca ninguém o admitirá, sobretudo nunca nenhum responsável político o fará, e ainda bem. Tais medidas também só serão possíveis sem nos condenarem ao empobrecimento eterno (e não apenas a um inevitável empobrecimento temporário), se enquadradas pela própria União Europeia.”
    .
    2008, 2009, 2010, 2011, 2012…quando é que Portugal sai do Euro? quando a economia estiver toda queimada e os activos estratégicos todos vendidos a Estados Estrangeiros!!?? A primeira negociação com a TROIKA já foi uma burrice de todo o tamanho por parte do Regime…na I-Negociação já devia ter como ponto de partida a saida de Portugal da Zona Euro…mas enfim, a fantasia continua, tal como foi o orçamento de 2012…

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  6. ikonoklasta's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 13:39

    e no fim vem a resposta a tudo isto:
    .
    Afinal quem governa o mundo? O Goldman Sachs?
    Em certa medida, sim. O Goldman Sachs vai colocando antigos executivos em locais estratégicos na Grécia, Itália, Espanha, Alemanha, etc. Quem tem o poder de comprar ou vender a obrigação de um país tem-no na mão.
    e, acrescento, também no BCE.

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  7. trill's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 14:02

    acho patético não se querer ver que Portugal foi saqueado e conduzido à falência pelos responsáveis locais e nacionais portugueses! Isso é que é tapar o sol com a peneira -> aliás corresponde a uma velha matreirice portuguesa -> era a “táctica” dos “críticos”: com mêdo de “levarem” se criticassem muito as mediocres prestações artísticas dos artristas tugas — sobretudo das instituições tugas e os seus artristas oficiais, porque sabem bem que isto em portugal é uma badalhoquice, uma promiscuidade doente e badalhoca, que a liberdade de opinião em Portugal é uma tanga para manter as aparências, e que criticar uma instituição que recebe milhões do Estado pode valer-lhe a suspensão das colaborações em toda a imprensa tuga — armavam-se em duros com os estrageiros: o que escreviam era evidentemnte para consumo interno porque lá fora o que aparece nos “media” tugas, vale menos que nada.

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  8. trill's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 14:05

    armavam-se em duros com os estrangeiros – com alguns estrangeiros de prestações “médias”, como a generalidades dos artristas tugas – para fazerem passar a imagem de críticos severos…

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  9. ikonoklasta's avatar
  10. aremandus's avatar
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    25 Fevereiro, 2012 14:26

    já se fala num 3º resgate(juncker)…
    ainda vamos no 2º mês da execução orçamental e já se prevê 3,3% de défice-o gov inscreveu no OGE a meta de 1,8%…
    temos uns estarolas…

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  11. jose silva's avatar
    jose silva permalink
    25 Fevereiro, 2012 14:44

    Caro JMF,
    O senhor e os outros economistas e opinadores que cita, aceitam que a economia grega e portuguesa é price taker. Isto é, não conseguem impor aumentos de preços nos produtos e serviços que exportam. Isso só é verdade no curto prazo. Basta olhar para economia alemã que fabrica produtos que consegue vende-los caros e para a economia do Norte de Portugal que nos últimos 3 anos tem conseguido posicionar a sua oferta em sectores de preços mais caros (calçado tem vindo constantemente a aumentar o preço médio do par vendido ao exterior).
    Ora como você é price taker, assume que a única forma de melhorar as margens e rentabilidade da actividade económica exportadora e piorar as margens dos importadores é desvalorizar a moeda, sair do euro. Ora novo erro de raciocício. Há alternativas: Impor restrições às importações ou fomentar as exportações ou ambas. Como ? Com política fiscal interna: Impostos sobre os sectores da actividade económica importadores e crédito fiscal sobre os que exportam. Havendo vontade, haveria de se encontrar solução dentro do quadro regulamentar da UE.
    Ora, como o senhor é não economista e conhece a realidade pelo que os outros dizem ou escrevem, a sua solução é apenas a saída do euro. O Euro é uma moeda de faz sombra a outras. E parece novamente que você está a defender os mesmos interesses que defendia antes da invasão do Iraque.

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  12. João Pires da Cruz's avatar
    25 Fevereiro, 2012 14:47

    “pois os cenários de desvalorização fiscal (como se provou no caso do abandono da descida da TSU) são praticamente impossíveis de atingir” É mentira, não deve sequer ter lido o relatório com atenção. Tal como é mentira que ninguém acredite na recuperação grega, particularmente aqueles que cita que sabem tanto de Grécia como você. Falou com algum grego sobre o assunto? Quantos? Aqui vai uma aposta: ZERO!

    Se lhe posso dar uma opinião, com o tempo todo que perdeu a escrever este texto deveria ter reservado algum à seriedade. Vai ver que o próximo trará algumas verdades, daquelas que se baseiam em factos e não opiniões que se baseiam noutras opiniões que, na busca da verdade, são lixo.

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  13. Joaquim Amado Lopes's avatar
    Joaquim Amado Lopes permalink
    25 Fevereiro, 2012 14:49

    Muito bem dito, jmf.
    .
    A saída do Euro não é solução para nenhum problema. Podemos é não vir a ter alternativa, caso não consigamos sair do atoleiro em que nos enfiámos.
    A única coisa que podemos fazer é esforçarmo-nos por convencer a UE e o FMI de que, agora, estamos mesmo a fazer tudo o que podemos. Só isso os levará a acreditar que vale a pena ajudarem-nos, eventualmente (e agora não é de forma alguma a altura para falar disso) com perdão parcial da dívida e novos pacotes de ajuda.
    .
    Quem julga que é a UE e o FMI que nos impõem a “austeridade” e que saindo do Euro e fazendo default à dívida ficariamos melhor deveria pensar um pouco em como seria o Estado passar de um momento para o outro para deficit 0 (zero), o acesso ao crédito (para o Estado, empresas e particulares) tornar-se muito mais difícil e caro, no que aconteceria às suas poupanças e ao valor da sua casa e ao que passaria a valer o seu ordenado.
    .
    O argumento de que a culpa é das agências de rating é ridículo. Não foram as agências de rating que nos fizeram ter deficits crónicos. E tivemos esses deficits apesar da “contabilidade criativa”, da dívida “escondida” em empresas públicas, do adiamento de despeza e contabilizando a integração de fundos de pensões como “receita”.

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  14. esmeralda's avatar
    esmeralda permalink
    25 Fevereiro, 2012 14:53

    Eu também gosto do que li. Gostar nem será a palavra correcta! Tive muita sorte em encontrar José Manuel Fernandes neste mundo imenso das novas tecnologias! Gosto muito de o ter na minha “caixa de correio”! Eu acho que prefiro uma grande austeridade em menos tempo, do que austeridade por muito tempo. Mas, vamos ver qual será a melhor solução! Quanto à Grécia, confesso a minha pouca solidariedade para com o povo grego, contrariamente à daqueles 30 signatários! Primeiro, espantei-me ao saber que tinham 15º mês de salário! Há dias, na TV alguém comentou: “o caso português é totalmente diferente do grego! Os gregos não pagam impostos!” SERÁ POSSÍVEL?!!!!

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  15. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:02

    e os néscios que querem ter austeridade por menos tempo…E ACREDITAM!

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  16. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:09

    a cozinha arder; a coisa está negra:
    temos um PM tão africanista que até aceira ser mandado por um etíope (Abebe Selassie)….
    ao que isto chegou…
    o nobre manuel alegre bem pede que não se apouque e achincalhe as instituições….

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  17. trill's avatar
    trill permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:12

    se Portugal sair do Euro será o regresso à idade das trevas. Só os que têm interesse nisso – os mesmos que querem uma economia fechada, feudalizada com proteccionismos vários para as suas empresas e serviços, é que podem defender tamanha barbaridade ->>> da qual resultaria a insustentabilidade do país pois provocaria a imigração de praticamente toda a mão de obra qualificada – e não só.

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  18. trill's avatar
    trill permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:14

    seria o regresso à época dos “generais” e um retrocesso que iria fazer desejar a ocupação espanhola.

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  19. ikonoklasta's avatar
    ikonoklasta permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:32

    TEMOS UMA QUADRILHA ORGANIZADA A METEREM-NOS A MÃO NOS BOLSOS E CONTINUAMOS IMPÁVIDOS E SERENOS?

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  20. Trinta e três's avatar
    25 Fevereiro, 2012 15:34

    Na minha modesta opinião, não há nenhum problema grego. O que há é uma indefinição sobre o que queremos da União Europeia- aí sim, não há consenso. De pouco vale virem com a cantilena dos ordenados da Grécia, mais o horário de trabalho e as reformas. Toda a Europa (Alemanha incluída) sabia disso, como sabia que, por cá, andávamos a espatifar dinheiro em alcatrão. Houve interesse em calar. Agora, apenas estão a tentar sacar o mais possível. Depois… será o perdão integral da dívida. Vale uma aposta?

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  21. ikonoklasta's avatar
    ikonoklasta permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:37

    CORRIJO: TEMOS UMAS QUADRILHAS ORGANIZADAS A METEREM-NOS AS MÃOS NOS BOLSOS E CONTINUAMOS IMPÁVIDOS E SERENOS?ISTO, EM RESPOSTA AO TÍTULO DO POSTAL: TEMOS A COZINHA A ARDER VAMOS SALTAR PELA JANELA?

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  22. esmeralda's avatar
    esmeralda permalink
    25 Fevereiro, 2012 15:39

    A entrada no euro foi uma coisa totalmente atabalhoada!!!!! Estavam com muita pressa os nossos iluminados governantes!

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  23. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    25 Fevereiro, 2012 16:09

    o título do postal bem podia ser:
    temos a crica a arder;
    saltem-nos pela janela,porra!

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  24. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    25 Fevereiro, 2012 16:51

    mas a coisa parece estar-se a compor:
    com a alta taxa de emigração(3/4 mil por mês), juntando o número de mortes em Portugal que tem crescido de forma anormal nas últimas três semanas.
    Tal facto também se nota por estas bandas: os jarretas marretas vão patinando…

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  25. confrade's avatar
    confrade permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:03

    Esta crise e estas crises apenas mostram que os “carolas” economistas e afins não valem nada. Alguém sabe realmente fazer contas ?! Ou tal não é possível?

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  26. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:16

    Há nomes cuja composição é uma simbologia, que na prática, estão confromes; Wolfgang , o tal que afirma que a Grécia e Portugal deviam falir é um deles. O sujeito não diz é o que deveria acontecer ao seu país e à puta que o pariu.

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  27. Maria Portugal's avatar
    Maria Portugal permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:36

    A Troika e os 40 Ladrões
    Santiago Camacho
    “SINOPSE
    Quem governa o mundo? Qual é o poder real dos políticos? Até que ponto a nossa vida é condicionada por organizações internacionais e corporações privadas? Qual o papel dos paraísos fiscais que dão abrigo ao dinheiro do crime ou da corrupção? Por que se permite a existência destes territórios sem lei? O que está realmente a acontecer na economia mundial, como chegámos a esta situação e quem está a ganhar com a crise?
    Não é preciso recorrer a complicadas teorias da conspiração para responder a estas perguntas. Está tudo à vista. O jornalista Santiago Camacho, autor de As 20 Grandes Conspirações da História, leva-nos aos bastidores da crise económica atual e aponta o dedo ao Fundo Monetário Internacional, ao Banco Mundial, à Organização Mundial do Comércio e às agências de rating. Porque confiamos nos planos de austeridade do FMI quando o seu processo de supervisão às políticas económicas dos países-membros não se conseguiu adiantar à crise económica? Porque confiamos em agências de classificação de risco que destroem as economias mais fracas com descidas de rating, quando, por exemplo, em 2007, mantiveram a classificação da Lehman Brothers até ao momento em que esta entrou em bancarrota? Ao longo destas páginas ficamos a conhecer factos surpreendentes da atuação do FMI, dos países onde atuou, dos países que não lhe abriram as suas portas e que hoje recuperam economicamente sem a ajuda desta organização, e das agências de rating e das pessoas que as comandam, cujas decisões definem a nossa forma de viver, apesar de nós nunca os termos elegido democraticamente.
    Austeridade leva a mais austeridade. Os impostos recaem sobre a classe média e os pobres, a conquista de séculos de trabalhadores perde-se pela mão de governos de direita, e ninguém assume responsabilidades pelo estado a que chegámos.”

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  28. Maria Portugal's avatar
    Maria Portugal permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:38

    Idem aspas : “Quem governa o mundo? Qual o poder real dos políticos? Até que ponto a nossa vida é condicionada por organizações internacionais? Foi ao levantar estas questões que Santiago Camacho, escritor e jornalista espanhol, desenvolveu a obra “A troika e os 40 ladrões”.
    O jornalista, que afirma nunca ter pensado escrever sobre economia, diz que “escrever este livro tornou-se revelador”. Este não é para economista, mas sim para pessoas “normais”, que não percebem nada de economia, nem como foi possível chegarmos à situação que estamos a viver actualmente.
    A crise, ou “assalto à mão armada”, que estamos a viver neste momento começou há muito tempo atrás. Para o autor, esta teve origem com os Acordos de Breton Woods, resoluções da Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas, realizadas em Julho de 1944. Nesta mesma altura procurava-se estabelecer um meio “através do qual os países com bens de capital pudessem investir, em condições de segurança razoáveis, com o objectivo de restabelecer os mecanismos de produção num planeta desvastado pela Segunda Guerra Mundial”, declara o autor. Ao serem criadas novas regras para as relações comerciais e financeiras mundiais, foi decidida a criação daquelas que, para Santiago Camacho, são as organizações que protagonizam esta história: o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
    O FMI, especificamente, seria um “organismo supranacional, essencialmente dedicado a regular taxas de câmbio das moedas entre países-membros e assegurar a estabilidade internacional através de empréstimos em tempos de crise”. No princípio pareciam tarefas bastante simples, mas neste momento, “as políticas do FMI afectam directamente as economias de 185 países”.
    Santiago Camacho defende que temos agora de enfrentar um inimigo muito poderoso que “é formado pelos diversos países, pelos bancos, empresas e também pelo mercado. Os governantes fazem cada vez menos: se aumentam impostos, ou cortam benefícios, dizem que a culpa não é deles, que a decisão veio de cima, das organizações internacionais e dos mercados e eles só se limitam a cumprir ordens”, salienta o escritor.
    Portugal foi provavelmente o país, a seguir à Grécia, que mais sofreu o castigo dos mercados”, afirma a mesma fonte. “Uma boa parte dos défices públicos ficaria resolvido se não existissem enormes fraudes cometidas por empresas que estão a pagar muito menos impostos do que aquilo que deveriam, pois utilizam a banca offshore”.

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  29. Maria Portugal's avatar
    Maria Portugal permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:47

    A grandeza da decência deste rosto humano nunca morre, Zeca está bem vivo todos os dias.

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  30. Maria Portugal's avatar
    Maria Portugal permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:48

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  31. Maria Portugal's avatar
    Maria Portugal permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:49

    Basta que se traga um amigo também!

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  32. Maria Portugal's avatar
    Maria Portugal permalink
    25 Fevereiro, 2012 17:51

    Unidos podemos fazer a diferença contra esta encenação de uma crise que não é mais do que o maior roubo alguma vez orquestrado, o roubo de países.

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  33. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    25 Fevereiro, 2012 23:39

    a única conclusão razoável deste post é que “o” problema não é a Grécia ou Portugal ; o problema é europeu, da Europa, onde estão Alemanha, a Holanda e a Finlândia, entre outros.
    Uma Europa a 12 (documento da UK) mostra que solidariedade é uma coisa arredada da cabeça dos responsáveis nacionalistas da Europa.

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  34. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    26 Fevereiro, 2012 01:03

    Em 1948 a Europa vivia uma emergência generalizada. Para atender à grave situação, acorreram não apenas apenas os políticos de então, como agora acontece, foi chamada também a sociedade civil a participar no projecto de recuperação europeu. Foram 800 delegados dos vários países europeus, até um delegado do Vaticano, que reuniram em Haia, em Maio desse ano.

    Pois bem, então fizeram aquilo, que os deputados do parlamento europeu hoje, não fazem.

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  35. JCA's avatar
    JCA permalink
    26 Fevereiro, 2012 04:13

    .
    Algum ‘politologo’ explica a ‘mola de força’ que impulsionou a emissão dos vistos para o País do ‘melting pot’ ter ‘emigrado’ para Paris e que tão discretamente a Comunicação Social cá do burgo passou a correr como ‘gato em cima de brasas’ ?? Pois é.
    .

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  36. JCA's avatar
    JCA permalink
    26 Fevereiro, 2012 04:33

    .
    E depois da era das ‘autodeterminações’ eis o que surge como o retrocesso para o Colonialismo ensaiado na Oropa para aplicar noutros Continentes, segundo este :
    .
    The Colonization Begins: Germany May Send 160 Tax Collectors To Greece
    http://www.zerohedge.com/news/colonization-begins-germany-sends-160-tax-collectors-greece
    .
    Será ?? Acontecerá ???
    .

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  37. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    26 Fevereiro, 2012 12:27

    Portela Menos Um,
    .
    solidariedade é uma coisa arredada da cabeça dos responsáveis nacionalistas da Europa.
    .
    Diga-me lá uma coisa, Portela, com honestidade: acha mesmo que nós, portugueses, depois do regabofe de há alguns anos ao meio do ano passado, sequer merecíamos ser resgatados?
    .
    Não morda a mão que lhe dá de comer. Se nós não fôssemos resgatados, o Portela e outros críticos iriam todos comer notas de Novo Escudo, porque comida comprada com elas não iriam ter.
    .
    Agora, que se eu fosse alemão estaria a perder a paciência com os gregos e os pretogueses e os deixava sós para deitar-se na cama que tinham eles próprios feito, isso pode crer que deixava.

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  38. rr's avatar
    26 Fevereiro, 2012 14:41

    colaço se somos uma união essa união para nos ajudarmos uns aos outros.Sociedade é sociedade.A alemanhoje estaria na merda e na podridão se depois da 2ºguerra mundial não tivesse recebido a solidariedade dos outros paises.O seu pensamento é no minimo denunciante, de um pensamento chauvinista,individualista e retrogrado

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  39. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    26 Fevereiro, 2012 14:50

    o colaço além de depassé é inculto: por que não compara ele a união com os EUE???
    a califórnia faliu(com uma divida 3 vezes superior à portuguesa, mas porque havia de ser posta de fora da union???

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  40. Tiradentes's avatar
    Tiradentes permalink
    26 Fevereiro, 2012 16:14

    Eu adoro ver os anti-europeístas (da união) e das medidas de solidariedade dela ( que nos roubam) a invocar essa mesma união para sermos mantidos por ela.

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  41. Trinta e três's avatar
    26 Fevereiro, 2012 18:56

    Esta crise da União Europeia fez sair da toca aqueles que, à direita, sempre foram contra ela mas não tinham coragem de o assumir. São os que se mostram muito preocupados com o sentimento dos alemães que, segundo dizem, andam a pagar tudo sem nada receber. “Se eu fosse alemão”-dizem- “já tinha perdido a paciência com gregos e portugueses” (eles não o devem ser… Perder a paciência com o quê e porquê? Com o facto de lhes comprarmos os BMW, os Audi, a maquinaria, as Torres das eólicas e não sei mais o quê? Mas alguém é tão ingénuo que acredite que houve surpresas na UE com o rebentar do desastre. Na verdade, quem assim pensa apenas recusa que a UE seja um projecto global, com uma política fiscal e uma estratégia económica comuns.

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  42. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    27 Fevereiro, 2012 00:10

    FColaço,
    eu, como muitos portugueses, não contribui para o regafofe de que o sr fala.
    O seu recado deve ser para os governos do Bloco Central, para o actual PR e ex-primeiro ministro, para os amigo do peito do BPN, para as PT´s BES, Ongoing´s, BCP´s , CGD´s , … essa gente nunca me deu de comer, pelo contrário. Pode estar descansado que também não sou F.Publico (classe com a qual o sr tem um problema não resolvido).
    .
    ps,
    sobre a falta de paciência dos alemães recomendo-lhe a actual política da Argentina para com o FMI.

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  43. Chlorella's avatar
    20 Agosto, 2012 11:16

    Na Grécia a classe política continua a resistir às reformas e à necessidade de acabar com os sectores clientelares da economia (um exemplo: num país muito dependente do turismo, a profissão de guia turístico ainda está nas mãos de uma corporação fechada e ciosa dos seus privilégios).

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