Esta solução só poderá vir de um governo com uma postura liberal face à economia, situação que manifestamente está a ficar fora de prazo (vide novo posicionamento do governo/psd). Logo não vos preocupeis, a coisa vai ficar na mesma…
A todo esto.
O pessoal do Porto que tem até 6 pontes 6 que quando nao gostam de passar por uma vao para outra e os probes de Lisboa pilhados no monopolio da Lusoponte que ou bem pagam tal como em 2011, classe 1: 1,45 euros, classe 2: 3,40 euros, classe 3: 4,85 euros, classe 4: 6,35 euros ou pagam para passar pelo outro (O ponte Vasco de Gama) que tal qual na Idade Media também tem as taxas de peagem para cruçar pontes .
Coitadinhos os do Porto. Pronto deduzem que o “Estado” os maltrata e que por isso e nao sei quantos des-privilegios mais estao precissando ser “independentes”…
Mas essa foi a época das vacas gordas, da VdG, do CCB, do BPN, do fim das pescas e da agricultura, do deixem-me trabahar; foi o tempo do cavaquistão a plantar o seu eucaliptal. Foi o fartar vilanagem, mas para esta realidade a justiça é cega? Como convém.
O antigo presidente do BCE referiu Portugal como exemplo de um país onde é necessário implementar reformas estruturais devido a desequilibrios internos…”QUE VÊM DE LONGE!”.
Sobre o imposto sobre transacções financeiras, também conhecido como Taxa Tobin, Trichet salientou a importância desta ser implementada a nível global e disse que os bancos deveriam contribuir, com dinheiro, para solucionar a crise. http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=547239
Essa das ponte do Porto não serem portajadas é bem pensada. A Ponte Vasco da Gama tem 17 Km de extensão. A Ponte da Arrábida 650m… Logo se na Ponte Vasco da Gama se paga 1,45€ para veículos da classe 1, à mesma razão, ficava-se a pagar 0,05€ no Porto. Bem visto
Paulo Morais, o cruzado anti-corrupção cá da parvonia, devia explicar melhor quem negociou o quê com a Lusoponte. Admito que o primeiro contracto não fosse muito vantajoso para o estado. Mas todas as oito negociações posteriores, essas sim grandemente gravosas para o estado, foram negociadas pelos governos socialistas, quer o de Guterres, quer o de Socrates. E já agora recordar, que toda esta confusão começou com o celebre buzinão.
Sobre o imposto sobre transacções financeiras, também conhecido como Taxa Tobin…
….
Os porkitos continuamos surfando na onda…expansiva. Porque tal o Trichet o Juncker também tem palabras neste caso vao para a Irlanda…Que nunca deixem de falar de um ainda que seja para mal.
A.C.da SILVEIRA
Cumprimentos.
Deve ler o contrato leonino feito com a LusoPonte ao tempo em que era Ministro o actual seu Presidente do Conselho de Administração que alias nunca foi preso …
Pelo contrário. Esta foi talvez uma das poucas PPP que não continha obrigações futuras para o estado, até Guterres prometer alterar os pressupostos – manter o baixo preço da Ponte 25A, não cobrar Agosto, etc, e entrar no ciclo infindável dos reequilibrios financeiros.
Claro que a expropriação seria trágica – o resgate já está prevista no contrato de concessão e tem o preço pré-estabelecido, pelo que a Lusoponte batia as palminhas de felicidade.
Hoje, no Público, os bocadinhos que todos os dias vão pescar aos blogues versam o tema da Lusoponte, do escândalo, disto e daquilo. Todos no mesmo sentido e todos errados. Este artigo de Mário Crespo, por exemplo, tão citado nos últimos dias, tem tantas incorrecções que só demonstra que em história, uma década é uma eternidade para o esquecimento.
.
Em 1991, o governo de Cavaco Silva lançou um concurso público internacional para a construção de uma ponte entre Sacavém e o Montijo. O caderno de encargos previa, entre outros pressupostos, que o vencedor ficaria com o monopólio da travessia rodoviária do Tejo por ‘x’ anos. Os concorrentes seriam seleccionados, em função de algumas variáveis, entre elas, os preços a praticar nas portagens das duas pontes e o montante de apoios pedidos ao estado. Não me recordo se o prazo também era uma das variáveis em jogo (*).
.
Dos concorrentes iniciais (4, salvo erro) foram pré-seleccionados 2 para a fase de negociação final. Um liderado pela construtora inglesa Trafalgar House e outro liderado pela francesa Bouygues. Nesta fase, os dois consórcios gastaram muito dinheiro. Os custos com a banca de investimentos, gabinetes de estudos, advogados e projectistas eram tão elevados que havia um compromisso do vencedor indemnizar o derrotado.
.
Após uma disputa ao sprint, o consórcio liderado pela Trafalgar House foi declarado vencedor, entre outros motivos, porque pediu menos dinheiro ao estado do que os outros interessados.
.
O consórcio vencedor ganhou obrigações e direitos. Por um lado, a obrigação de investir num Project Finance de 900 milhões de euros e de garantir a manutenção das duas pontes durante todo o prazo de concessão. Do outro lado, o direito a cobrar portagens, a preços de concurso, em regime de monopólio, desde a foz do Tejo até 30Km para jusante e o direito a uma comparticipação pública que representava cerca de 25% do valor do projecto.
.
A complexa montagem financeira desta operação, decorreu tal como previsto na proposta vencedora. Cerca de 1/3 do financiamento foi um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos, cujo risco foi integralmente coberto por um sindicato de bancos comerciais. Outro terço foi entregue pelo Fundo de Coesão. O restante, e que em parte decidiu o concurso, é a repartição entre capitais accionista (cerca de 60 milhões, se a memória não falha) e a comparticipação do estado que, conforme constava do caderno de encargos, incluía a entrega da ponte 25 de Abril, cujo valor não me recordo mas não chegava para cobrir nem 10% dos investimentos. Nesta altura partia-se do princípio que os preços das portagens nas duas pontes seriam iguais ao longo de todo o período de concessão.
.
A ponte foi construída pelo ACE das empresas vencedoras. Acabada a obra, constituíram uma empresa chamada Lusoponte onde parquearam as concessões.
.
Uma das grandes dificuldades associadas à montagem financeira deste tipo de projectos é a cobertura de risco. Estamos perante um Project Finance – não há risco adicional para os accionistas para lá do Capital Social realizado. Se a Lusoponte não pagasse ao BEI, seriam os bancos comerciais a fazê-lo – CGD à cabeça. As condições do sindicato financeiro, como é óbvio, impunham que todo e qualquer risco fosse identificado e para cada tipo de risco estivesse prevista uma cobertura adequada. Para muitas categorias de risco, as seguradoras servem. Para outras categorias, não. Por exemplo, para o risco político. Os governos, atacados pelo vírus do populismo, pretendem muitas vezes alterar aquilo com que se comprometeram, os partidos de poder mudam, os políticos fazem promessas fáceis porque são pagas com o dinheiro dos outros.
.
Todos nos lembramos das manifestações, do buzinão e de um líder socialista (hoje gestor de topo de um dos bancos que financia a Lusoponte) passar a portagem sem pagar. Guterres cavalgou a contestação e mal chegou ao poder, resolveu que as portagens da Ponte 25 de Abril não subiriam de acordo com o previsto. Como é óbvio, se no concurso não se estabelecessem regras claras quanto à portagem da Ponte 25 de Abril, as comparticipações exigidas ao estado teriam sido muito maiores. As duas pontes estão em concorrência e as previsões de tráfego dependem não só dos preços praticados mas também da relação de preço entre ambas. O risco de algo deste género acontecer, estava muito bem protegido nos contratos, quer no de concessão, quer nos contratos de financiamento.
.
Quando o governo quer negociar alterações, tem de negociar não só com a Lusoponte, mas também com os sindicatos bancários cujos membros ficam com as costas a arder se o negócio der para o torto. Neste caso, o sindicato tinha mais de uma dúzia de membros, e todos eles tinham uma palavra a dizer. Todos podiam dizer não.
.
Para conseguir um acordo que lhe permitisse mostrar a sensibilidade social de um governo que se diz socialista, Guterres empurrou a concessão à Lusoponte para 2030 e baixou o IVA (isto é, aumentou o montante recebido por veículo pela Lusoponte). Foi isto que a Lusoponte e a banca aceitaram. E aqui, não houve concurso público, para encontrar a solução mais barata. O governo apenas deu. Mas, aquilo era o governo de Guterres, dar era o verbo mais conjugado e ainda hoje estamos a pagar a factura de tantas dádivas.
.
E isto é um resumo da história que tantos demonstram ignorar. É apenas de memória, espero que me perdoem eventuais incorrecções. Não serão muito significativas.
.
Hoje temos uma ponte porque os privados que a construíram, sem derrapagens, se atiraram para a frente, compraram-na em leilão. Os protestos a 15 anos de distância, sugerem que teríamos a mesma ponte sem os custos que tiveram de ser suportados para a ter. Almoçámos e agora protestamos pela factura, ignorando os preços que vinham na ementa.
.
Sobre Ferreira do Amaral, se eu fosse accionista da Lusoponte também o contrataria. A competência é um bem escasso, por estas bandas.
.
(*) Update: Estabeleceu-se no contrato que a concessão terminaria quando as pontes fossem atravessadas por 2.250 milhões de veículos.
O Louçã não diria melhor! Ver isto exposto num blogue dito liberal diz muito sobre o futuro do liberalismo em Portugal, e do respeito que a iniciativa privada(e os seus contratos) merecem. Os investidores estrangeiros (os nacionais já aprenderam) agradecem tanta franqueza.
jcd, é de não esquecer também que essas manifestações da ponte 25 de Abril foram lideradas por 2 irmãos camionistas que mais tarde viriam ser condenados por tráfico de droga, gente de bem portanto.
Parece-me que já seria altura de ser contada a verdadeira “historia” do buzinão: quem o inventou, quem o organizou, quem o financiou, quem com isso lucrou financeira e politicamente, e porque é que um dos irmãos Pintos foi preso, acusado de ser traficante de droga.
Convem não esquecer que poucas semanas antes de ser apanhado com um saco de, salvo erro cocaina, na ponte de VRdeSTAntonio, o mano Pinto deu uma entrevista ao Expresso a dizer que ia contar toda a verdade.
Esta “historia” dava um belo filme, mas tinha de ser dirigido pelo Scorcese ou pelo Copolla, que como sabemos são especialistas em filmes de gangsters e de mafiosos.
a concessão terminaria quando as pontes fossem atravessadas por 2.250 milhões de veículos.
os advogados estavam todos a ressacar da heroína,claro…
os 2.250 milhões de veículos serão atingidos,salvo erro, no ano de 2489…..
O Portela sempre a armar-se em engraçado. Vai lá perguntar aos milhões de portugueses que têm as suas parcas economias nos bancos, se querem que eles vão pró cano. Os bancos portugueses, por quem eu não tenho simpatia nenhuma, estão como estão por terem emprestado o que tinham e não tinham ao estado nos ultimos 12-14 anos, principalmente no periodo entre 2005-2011.
Claro. Expropriar a Ponte Vasco da Gama, pois quem a pagou e está a pagar sãos contribuintes.
Ou, em alternativa, fechar os acessos.
Os automobilistas palonços ainda não compreenderam que têm um poder imenso.
Aquilo é o exemplo acabado de negócio de chulos e mânfios!
A C da Silveira Posted 27 Março, 2012 at 18:28O disse: Portela sempre a armar-se em engraçado.
.
e o Silveira a armar-se em defensor do desgraçadinhos dos banqueiros.
Banqueiros que têm sido dos maiores contribuintes líquidos para sairmos da crise, não é Silveira?
Gostei muito que o comentador deste post, jcd, em 27 Março, 2012 at 16:32, no seu comentário que intitulou “Auxiliar de memória”, tivesse «desenterrado um defunto velho», porque é sempre útil recordar como as coisas se passaram para se formar opinião fundamentada.
JCD:
Excelente
assim se mostra como o analfabetismo anda á solta…….
e controla a propaganda mediática…
guterres era isso mesmo.dar os €€€€ dos outros para ganhar eleições
fez isso com as portagens da CREL 15 dias antes da eleições
fez isso com as viagens para os açores…….15 dias antes das eleições
tudo em 95
sempre, sempre a afundar portugal
sempre sempre a cavar a bancarrota
guterres no seu esplendor.
O auxiliar de memoria do JCD ainda que sendo magnifico entra nos modelos de perda de memoria por vellice. Quanto mais actuais sao os sucesos mais fuxem em desbandada e contrariamente ficao tao sé e bem gravados a fogo todos aqueles que aconteceram no passado remoto.
Claro, pois da por bem feito que todo o mundo fica no cabo da actualidade para enterarse de que:
–
“A Lusoponte já recebeu em rendas do Estado e em receitas de portagens o dobro do que investiu na construção da Ponte Vasco da Gama. A empresa detida, maioritariamente, pela Mota-Engil investiu 578 milhões de euros na construção da segunda travessia do rio Tejo e, desde 1995, já recebeu 364 milhões de euros em indemnizações, mais 746 milhões de euros em receitas de portagens das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. No total, recebeu 1,1 mil milhões de euros”.
Gosto dessa malta que vem para aqui agitar o papão da fuga dos investidores estrangeiros, caso se tomem medidas que corrijam as vigarices. Que investidores? Os que interessam. pelo contrário, fogem do caminho que isto está a levar.
dia há-de vir que o povo cansa, depois que a maltosa ignara dê conta de como os vampiros lhe comem na careca, à toa, por ser tão atrasadinha, tão burra que, definitivamente, há-de votar nos mesmos que a padrada lhe indicou para seus donos – e é bem feito que pague, a ver se aprende algum dia, zé
oh, há-de aprender, albertina, a seu tempo, se deus assim o quiser .
A PPP do TI cavaca!
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A pioneira das PPP e um alerta a que nenhum dos partidos do poder deu importância (ou talvez tenha dado de outra maneira…).
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Esta solução só poderá vir de um governo com uma postura liberal face à economia, situação que manifestamente está a ficar fora de prazo (vide novo posicionamento do governo/psd). Logo não vos preocupeis, a coisa vai ficar na mesma…
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A todo esto.
O pessoal do Porto que tem até 6 pontes 6 que quando nao gostam de passar por uma vao para outra e os probes de Lisboa pilhados no monopolio da Lusoponte que ou bem pagam tal como em 2011, classe 1: 1,45 euros, classe 2: 3,40 euros, classe 3: 4,85 euros, classe 4: 6,35 euros ou pagam para passar pelo outro (O ponte Vasco de Gama) que tal qual na Idade Media também tem as taxas de peagem para cruçar pontes .
Coitadinhos os do Porto. Pronto deduzem que o “Estado” os maltrata e que por isso e nao sei quantos des-privilegios mais estao precissando ser “independentes”…
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Muito Bem Paulo Morais,
.
Este caso foi o inicio da maior aldrabice feita em portugal, as PPP’s.
Esta é uma das mais vergonhosas.
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Mas essa foi a época das vacas gordas, da VdG, do CCB, do BPN, do fim das pescas e da agricultura, do deixem-me trabahar; foi o tempo do cavaquistão a plantar o seu eucaliptal. Foi o fartar vilanagem, mas para esta realidade a justiça é cega? Como convém.
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O antigo presidente do BCE referiu Portugal como exemplo de um país onde é necessário implementar reformas estruturais devido a desequilibrios internos…”QUE VÊM DE LONGE!”.
Sobre o imposto sobre transacções financeiras, também conhecido como Taxa Tobin, Trichet salientou a importância desta ser implementada a nível global e disse que os bancos deveriam contribuir, com dinheiro, para solucionar a crise.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=547239
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Não sei a expropriação é caminho: para mim é mais mandá-los para a cadeia e suspender de imediato o pagamento. Acho que já lucraram que chegue!
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Essa das ponte do Porto não serem portajadas é bem pensada. A Ponte Vasco da Gama tem 17 Km de extensão. A Ponte da Arrábida 650m… Logo se na Ponte Vasco da Gama se paga 1,45€ para veículos da classe 1, à mesma razão, ficava-se a pagar 0,05€ no Porto. Bem visto
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Paulo Morais, o cruzado anti-corrupção cá da parvonia, devia explicar melhor quem negociou o quê com a Lusoponte. Admito que o primeiro contracto não fosse muito vantajoso para o estado. Mas todas as oito negociações posteriores, essas sim grandemente gravosas para o estado, foram negociadas pelos governos socialistas, quer o de Guterres, quer o de Socrates. E já agora recordar, que toda esta confusão começou com o celebre buzinão.
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Sobre o imposto sobre transacções financeiras, também conhecido como Taxa Tobin…
….
Os porkitos continuamos surfando na onda…expansiva. Porque tal o Trichet o Juncker também tem palabras neste caso vao para a Irlanda…Que nunca deixem de falar de um ainda que seja para mal.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=547235&pn=1
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A.C.da SILVEIRA
Cumprimentos.
Deve ler o contrato leonino feito com a LusoPonte ao tempo em que era Ministro o actual seu Presidente do Conselho de Administração que alias nunca foi preso …
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Pelo contrário. Esta foi talvez uma das poucas PPP que não continha obrigações futuras para o estado, até Guterres prometer alterar os pressupostos – manter o baixo preço da Ponte 25A, não cobrar Agosto, etc, e entrar no ciclo infindável dos reequilibrios financeiros.
Claro que a expropriação seria trágica – o resgate já está prevista no contrato de concessão e tem o preço pré-estabelecido, pelo que a Lusoponte batia as palminhas de felicidade.
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Auxiliar de memória:
A Lusoponte, O Concedente e os Outros
Hoje, no Público, os bocadinhos que todos os dias vão pescar aos blogues versam o tema da Lusoponte, do escândalo, disto e daquilo. Todos no mesmo sentido e todos errados. Este artigo de Mário Crespo, por exemplo, tão citado nos últimos dias, tem tantas incorrecções que só demonstra que em história, uma década é uma eternidade para o esquecimento.
.
Em 1991, o governo de Cavaco Silva lançou um concurso público internacional para a construção de uma ponte entre Sacavém e o Montijo. O caderno de encargos previa, entre outros pressupostos, que o vencedor ficaria com o monopólio da travessia rodoviária do Tejo por ‘x’ anos. Os concorrentes seriam seleccionados, em função de algumas variáveis, entre elas, os preços a praticar nas portagens das duas pontes e o montante de apoios pedidos ao estado. Não me recordo se o prazo também era uma das variáveis em jogo (*).
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Dos concorrentes iniciais (4, salvo erro) foram pré-seleccionados 2 para a fase de negociação final. Um liderado pela construtora inglesa Trafalgar House e outro liderado pela francesa Bouygues. Nesta fase, os dois consórcios gastaram muito dinheiro. Os custos com a banca de investimentos, gabinetes de estudos, advogados e projectistas eram tão elevados que havia um compromisso do vencedor indemnizar o derrotado.
.
Após uma disputa ao sprint, o consórcio liderado pela Trafalgar House foi declarado vencedor, entre outros motivos, porque pediu menos dinheiro ao estado do que os outros interessados.
.
O consórcio vencedor ganhou obrigações e direitos. Por um lado, a obrigação de investir num Project Finance de 900 milhões de euros e de garantir a manutenção das duas pontes durante todo o prazo de concessão. Do outro lado, o direito a cobrar portagens, a preços de concurso, em regime de monopólio, desde a foz do Tejo até 30Km para jusante e o direito a uma comparticipação pública que representava cerca de 25% do valor do projecto.
.
A complexa montagem financeira desta operação, decorreu tal como previsto na proposta vencedora. Cerca de 1/3 do financiamento foi um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos, cujo risco foi integralmente coberto por um sindicato de bancos comerciais. Outro terço foi entregue pelo Fundo de Coesão. O restante, e que em parte decidiu o concurso, é a repartição entre capitais accionista (cerca de 60 milhões, se a memória não falha) e a comparticipação do estado que, conforme constava do caderno de encargos, incluía a entrega da ponte 25 de Abril, cujo valor não me recordo mas não chegava para cobrir nem 10% dos investimentos. Nesta altura partia-se do princípio que os preços das portagens nas duas pontes seriam iguais ao longo de todo o período de concessão.
.
A ponte foi construída pelo ACE das empresas vencedoras. Acabada a obra, constituíram uma empresa chamada Lusoponte onde parquearam as concessões.
.
Uma das grandes dificuldades associadas à montagem financeira deste tipo de projectos é a cobertura de risco. Estamos perante um Project Finance – não há risco adicional para os accionistas para lá do Capital Social realizado. Se a Lusoponte não pagasse ao BEI, seriam os bancos comerciais a fazê-lo – CGD à cabeça. As condições do sindicato financeiro, como é óbvio, impunham que todo e qualquer risco fosse identificado e para cada tipo de risco estivesse prevista uma cobertura adequada. Para muitas categorias de risco, as seguradoras servem. Para outras categorias, não. Por exemplo, para o risco político. Os governos, atacados pelo vírus do populismo, pretendem muitas vezes alterar aquilo com que se comprometeram, os partidos de poder mudam, os políticos fazem promessas fáceis porque são pagas com o dinheiro dos outros.
.
Todos nos lembramos das manifestações, do buzinão e de um líder socialista (hoje gestor de topo de um dos bancos que financia a Lusoponte) passar a portagem sem pagar. Guterres cavalgou a contestação e mal chegou ao poder, resolveu que as portagens da Ponte 25 de Abril não subiriam de acordo com o previsto. Como é óbvio, se no concurso não se estabelecessem regras claras quanto à portagem da Ponte 25 de Abril, as comparticipações exigidas ao estado teriam sido muito maiores. As duas pontes estão em concorrência e as previsões de tráfego dependem não só dos preços praticados mas também da relação de preço entre ambas. O risco de algo deste género acontecer, estava muito bem protegido nos contratos, quer no de concessão, quer nos contratos de financiamento.
.
Quando o governo quer negociar alterações, tem de negociar não só com a Lusoponte, mas também com os sindicatos bancários cujos membros ficam com as costas a arder se o negócio der para o torto. Neste caso, o sindicato tinha mais de uma dúzia de membros, e todos eles tinham uma palavra a dizer. Todos podiam dizer não.
.
Para conseguir um acordo que lhe permitisse mostrar a sensibilidade social de um governo que se diz socialista, Guterres empurrou a concessão à Lusoponte para 2030 e baixou o IVA (isto é, aumentou o montante recebido por veículo pela Lusoponte). Foi isto que a Lusoponte e a banca aceitaram. E aqui, não houve concurso público, para encontrar a solução mais barata. O governo apenas deu. Mas, aquilo era o governo de Guterres, dar era o verbo mais conjugado e ainda hoje estamos a pagar a factura de tantas dádivas.
.
E isto é um resumo da história que tantos demonstram ignorar. É apenas de memória, espero que me perdoem eventuais incorrecções. Não serão muito significativas.
.
Hoje temos uma ponte porque os privados que a construíram, sem derrapagens, se atiraram para a frente, compraram-na em leilão. Os protestos a 15 anos de distância, sugerem que teríamos a mesma ponte sem os custos que tiveram de ser suportados para a ter. Almoçámos e agora protestamos pela factura, ignorando os preços que vinham na ementa.
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Sobre Ferreira do Amaral, se eu fosse accionista da Lusoponte também o contrataria. A competência é um bem escasso, por estas bandas.
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(*) Update: Estabeleceu-se no contrato que a concessão terminaria quando as pontes fossem atravessadas por 2.250 milhões de veículos.
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O Louçã não diria melhor! Ver isto exposto num blogue dito liberal diz muito sobre o futuro do liberalismo em Portugal, e do respeito que a iniciativa privada(e os seus contratos) merecem. Os investidores estrangeiros (os nacionais já aprenderam) agradecem tanta franqueza.
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jcd, é de não esquecer também que essas manifestações da ponte 25 de Abril foram lideradas por 2 irmãos camionistas que mais tarde viriam ser condenados por tráfico de droga, gente de bem portanto.
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Parece-me que já seria altura de ser contada a verdadeira “historia” do buzinão: quem o inventou, quem o organizou, quem o financiou, quem com isso lucrou financeira e politicamente, e porque é que um dos irmãos Pintos foi preso, acusado de ser traficante de droga.
Convem não esquecer que poucas semanas antes de ser apanhado com um saco de, salvo erro cocaina, na ponte de VRdeSTAntonio, o mano Pinto deu uma entrevista ao Expresso a dizer que ia contar toda a verdade.
Esta “historia” dava um belo filme, mas tinha de ser dirigido pelo Scorcese ou pelo Copolla, que como sabemos são especialistas em filmes de gangsters e de mafiosos.
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a concessão terminaria quando as pontes fossem atravessadas por 2.250 milhões de veículos.
os advogados estavam todos a ressacar da heroína,claro…
os 2.250 milhões de veículos serão atingidos,salvo erro, no ano de 2489…..
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“os 2.250 milhões de veículos serão atingidos,salvo erro, no ano de 2489…..”
Entre 2029 e 2032 se a memória não me falha.
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fraco com os fortes …
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2387543&seccao=Dinheiro%20Vivo
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O Portela sempre a armar-se em engraçado. Vai lá perguntar aos milhões de portugueses que têm as suas parcas economias nos bancos, se querem que eles vão pró cano. Os bancos portugueses, por quem eu não tenho simpatia nenhuma, estão como estão por terem emprestado o que tinham e não tinham ao estado nos ultimos 12-14 anos, principalmente no periodo entre 2005-2011.
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Claro. Expropriar a Ponte Vasco da Gama, pois quem a pagou e está a pagar sãos contribuintes.
Ou, em alternativa, fechar os acessos.
Os automobilistas palonços ainda não compreenderam que têm um poder imenso.
Aquilo é o exemplo acabado de negócio de chulos e mânfios!
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A C da Silveira Posted 27 Março, 2012 at 18:28O disse: Portela sempre a armar-se em engraçado.
.
e o Silveira a armar-se em defensor do desgraçadinhos dos banqueiros.
Banqueiros que têm sido dos maiores contribuintes líquidos para sairmos da crise, não é Silveira?
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Gostei muito que o comentador deste post, jcd, em 27 Março, 2012 at 16:32, no seu comentário que intitulou “Auxiliar de memória”, tivesse «desenterrado um defunto velho», porque é sempre útil recordar como as coisas se passaram para se formar opinião fundamentada.
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JCD:
Excelente
assim se mostra como o analfabetismo anda á solta…….
e controla a propaganda mediática…
guterres era isso mesmo.dar os €€€€ dos outros para ganhar eleições
fez isso com as portagens da CREL 15 dias antes da eleições
fez isso com as viagens para os açores…….15 dias antes das eleições
tudo em 95
sempre, sempre a afundar portugal
sempre sempre a cavar a bancarrota
guterres no seu esplendor.
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O auxiliar de memoria do JCD ainda que sendo magnifico entra nos modelos de perda de memoria por vellice. Quanto mais actuais sao os sucesos mais fuxem em desbandada e contrariamente ficao tao sé e bem gravados a fogo todos aqueles que aconteceram no passado remoto.
Claro, pois da por bem feito que todo o mundo fica no cabo da actualidade para enterarse de que:
–
“A Lusoponte já recebeu em rendas do Estado e em receitas de portagens o dobro do que investiu na construção da Ponte Vasco da Gama. A empresa detida, maioritariamente, pela Mota-Engil investiu 578 milhões de euros na construção da segunda travessia do rio Tejo e, desde 1995, já recebeu 364 milhões de euros em indemnizações, mais 746 milhões de euros em receitas de portagens das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. No total, recebeu 1,1 mil milhões de euros”.
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=44685
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Gosto dessa malta que vem para aqui agitar o papão da fuga dos investidores estrangeiros, caso se tomem medidas que corrijam as vigarices. Que investidores? Os que interessam. pelo contrário, fogem do caminho que isto está a levar.
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O Amaral da Lusoponte deve ser muito competente a encher a encher a mala do homen da mala do partido.
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dia há-de vir que o povo cansa, depois que a maltosa ignara dê conta de como os vampiros lhe comem na careca, à toa, por ser tão atrasadinha, tão burra que, definitivamente, há-de votar nos mesmos que a padrada lhe indicou para seus donos – e é bem feito que pague, a ver se aprende algum dia, zé
oh, há-de aprender, albertina, a seu tempo, se deus assim o quiser .
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