Refilar com razão.*
Na próxima terça-feira, terá início a quarta avaliação ao cumprimento, por Portugal, do memorando de entendimento, celebrado entre o Governo e as entidades representadas pela denominada “troika”. Até agora, os 3 exames efetuados foram positivos. Portugal foi passando nesses testes parcelares, superando, mesmo, as expectativas. Espera-se, agora, a mesma nota positiva e, consequentemente, o envio de outra parcela (4.000 milhões de Euros) da ajuda financeira total, acordada com o Estado.
Eduardo Catroga, o representante do PSD nas negociações de há um ano atrás, com a “troika”, referindo-se ao bom desempenho de Portugal, afirmou que deveríamos continuar a ser “bons alunos”, porém, “um pouco mais refilões”. No fundo, Catroga apenas aplicou a velha máxima de que quem não berra, não é ouvido – máxima muito enraizada (a meu ver, nem sempre bem!) no nosso pensamento coletivo.
Na realidade, por vezes, refilar, proporciona benefícios. Sobretudo, se quem refila tem razão. Tudo dependendo, também, das circunstâncias e da oportunidade. Ora, verifica-se a circunstância de as Instituições da União e o FMI terem politicamente – sobretudo, agora e em função das nuvens muito negras que pairam sobre a Grécia – todo o interesse em que o modelo de ajuda implementado nos três países intervencionados, resulte. Portugal poderá ser o bom exemplo de que aquelas entidades necessitam, para rebater as dúvidas, cada vez mais insistentemente sublinhadas, da parte de muitos setores políticos (sobretudo, à esquerda). A onda (ou seja, a oportunidade) provocada pela eleição de Hollande, em França, também reforça essa hipotética posição de Portugal, aceitando continuar a navegar no mesmo mar, porém, eventualmente, com menos bolina. Resta apurar se já é tempo de termos razão. Ou seja, se, efetivamente, já ultrapassamos os limites razoáveis e justos daquilo que os cidadãos devem assumir, sacrificando-se, pelo respetivo Estado. Curiosamente, a resposta a esta questão, dependerá, fundamentalmente, do próprio Estado. Não tenho dúvidas que, daqui para a frente e em termos de austeridade, as coisas já só poderão fazer sentido se virmos alguma luz ao fundo do túnel… desde que este não seja demasiado longo. Não se podem pedir incessantemente sacrifícios às pessoas, reduzindo-lhes a respetiva cidadania e liberdade, em prol do Estado e apenas em troca de vantagens incertas e longínquas. Tal como em relação aos “mercados”, também em relação aos cidadãos (a todos nós), o Estado português deve-nos inspirar confiança. Teremos razão para refilar, como dizia Catroga, quando, sem dúvidas, conseguirmos acreditar, novamente, que ainda valerá a pena sermos cidadãos do nosso Estado, em Portugal.
* Semanário Grande Porto, 18.05.2012.

Senhor PMF
Lamento que tenho aderido ao “acordês” Sócrates/Casteleiro.
E lamento-o ainda mais neste blog.
Resta-me uma solução – deixar de ler os seus escritos.
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Greece is the canary in the coal mine. Spain, Portugal, Ireland, and Italy aren’t far behind
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Ocorra o que ocorrer em programação, está em curso uma genialidade imparável não programada.
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Este artigo parece partir de um pressuposto completamente errado: o de que o interesse de Portugal em ser um “bom aluno” se resume a continuar a receber a ajuda da “troika”.
Mas a analogia do “bom aluno” aplica-se na perfeição ao nosso caso e contradiz o sentido do que o PMF escreveu.
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O aluno cujo único objectivo seja cumprir os mínimos menospreza a importância do que aprenda e dos hábitos de trabalho e disciplina que desenvolva. Para ele, chegar ao fim do período lectivo e não ter aprendido nada não importará, desde que tenha a nota que lhe é pedida.
Só que, findo um período lectivo começa outro e o que se leva do período anterior não é apenas a nota. Quanto menos se tiver aprendido mais difíceis serão os períodos lectivos seguintes.
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A “troika” nem sequer exige a Portugal que tenha positiva (p.e. aceita que se mantenha o deficit crónico), apenas que mostre algum empenho. Como o empenho que está a mostrar pode chegar para a “troika” mas é claramente insuficiente para tornar o Estado sustentável, pedir à “troika” para ser menos exigente é ir contra os nossos próprios interesses.
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Se os portugueses não podem suportar o que tem que ser feito, então o Estado português não tem futuro e estamos apenas a adiar brevemente o inevitável. Como o Estado não pode simplesmente “abandonar a escola”, o resultado é desistirmos de fazer o que é muito difícil e aceitarmos que, a muito breve prazo, se torne ainda mais difícil e continue sempre a piorar.
A ideia de que estes “sacrifícios” são temporários revela uma enorme ignorância e total desfasamento da realidade. Ou então julgam que vai sair a Portugal o Euro-biliões, o que vai dar ao mesmo.
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Mas, afinal, quem é esse tal de Catroga?
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fora do tema mas atual!
O que significa a inercia e silêncio dos Sind. Prof. quando se prepara o maior ataque à escola pública de todos os tempos?
Médicos, prof. Universitários ameaçam greves assim como outros F.P.
O que andam a fazer os srs pagos com os nossos impostos destacados nos Sind. Falta-lhes coragem? Entreguem os destacamentos trocando com outros, desblindando as eleições pouco participadas e sempre com os mesmos vencedores, venham para a escola agitar os colegas ou peçam a reforma para dar lugar aos mais novos. estamos fartos de generais medrosos que só pensam em si e nos seus partidos. Invadam a tranquilidade do MEC. Tenham um ato de coragem que nos livre deste silêncio já insuportável.
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O que significa a inercia e silêncio dos Sind. Prof. quando se prepara o maior ataque à escola pública de todos os tempos?
Médicos, prof. Universitários ameaçam greves assim como outros F.P.
O que andam a fazer os srs pagos com os nossos impostos destacados nos Sind. Falta-lhes coragem? Entreguem os destacamentos trocando com outros, desblindando as eleições pouco participadas e sempre com os mesmos vencedores, venham para a escola agitar os colegas ou peçam a reforma para dar lugar aos mais novos. estamos fartos de generais medrosos que só pensam em si e nos seus partidos. Invadam a tranquilidade do MEC. Tenham um ato de coragem que nos livre deste silêncio já insuportável.
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este tal catroga será o «coiso»???
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E o relvas? Nem um postezinho (muito “piquinino”) …
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engraçado que sejam jornalistas a fazerem cair o ministro relvas….
jornalistas sempre tão vilipendiados por estas bandas!
só lamento que a senhora jornalista ameaçada não tenha um homem que a defenda e parta o focinho desse escroque!
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O Joaquim A. Lopes não tarda está a falar do pelotão da frente.
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Qual razão? Onde é que Portugal já tem razão?
Já liberalizámos a economia, já acabámos com o salário mínimo, já baixámos impostos?
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Não vejo razões para refilar.
Ou temos ou não temos direito à coisa.
Mesmo que se trate de uma negociação, “berrar para ser ouvido”, é uma forma de pressão tão básica, que pode ser contraproducente a esse nível.
O Catroga é tenor ou barítono?
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Gostei do refrescamento da ortografia do acordo, pela sua irreversibilidade. Já quanto ao Catroga, depois de ele dizer que os 600 mil eram o valor dele de mercado, tudo o que ele disser, para mim são pintelhos.
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Catroga porque sera que de cada vez que o vejo ou vem desastre para nos ou tacho para ele? Alem do mais parece-me um´´Bon Vivant“ e tenho a certeza que por aquela goela so passa malte com o minimo de 15 anos
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deixe-se de pensar no dinheiro; pense-se primeira nas pessoas porra!
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Joaquim Amado Lopes : “A ideia de que estes “sacrifícios” são temporários revela uma enorme ignorância e total desfasamento da realidade. Ou então julgam que vai sair a Portugal o Euro-biliões, o que vai dar ao mesmo.”
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Muito bem !
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