já chega de governos a “salvar” a economia
Do ponto de vista austríaco, não existe um equilíbrio perfeito da economia, mas uma tendência maior ou menor para esse ponto ideal quanto mais ou menos livres da intervenção estatal forem os agentes e as forças do mercado. A dinâmica dos processos de mercado e o factor tempo, que provocam alterações constantes – muitas delas imprevistas e imprevisíveis – na estrutura económica de qualquer sociedade, não permitem equilíbrios perfeitos e duradouros. De resto, é essa impossibilidade de equilíbrio permanente (isto é, de uma plena e satisfatória aplicação e utilização dos recursos económicos disponíveis num determinado momento), que fundamenta a categoria fundamental do pensamento austríaco sobre a economia – a acção – que seria inexistente num mundo onde esse equilíbrio fosse conseguido, isto é, onde a insatisfação individual e a consequente necessidade de melhorar não existissem. Ou seja, quem quiser equilíbrios económicos gerais, pleno emprego dos factores de produção e prosperidade non-stop terá que ir procurá-los não no liberalismo clássico, como às vezes se pensa por aí, mas no keynesianismo e no socialismo.
.
Por outro lado, a convicção liberal no individualismo leva à rejeição dos modelos macroeconómicos e dos agregados característicos dos modelos intervencionistas. Os austríacos acreditam que a única unidade económica (e social) real é o indivíduo, e que todas as decisões e comportamentos dos mercados são tomadas por pessoas concretas e não por conjuntos sociológicos e macroeconómicos indistintos e inexistentes. Falar, por isso, em conceitos como “procura e oferta agregada”, isto é, tentar explicar por conjuntos plurais e por comportamentos agregados o que é sempre decisão e acção individual, torna-se dificilmente inteligível numa abordagem austríaca.
.
Consequentemente, olhar para a crise portuguesa com olhos macroeconómicos é o que tem sido feito ao longo dos anos, com os resultados que todos bem conhecemos. A análise macroeconómica, por mais bondosa que seja, tem sempre a mesma finalidade: justificar a intervenção do governo qualquer que seja o seu sentido, mas sempre tendo em vista, obviamente, a recuperação rumo ao equilíbrio. Do ponto de vista liberal, austríaco, pelo menos, é preferível deixar a recomposição da economia e dos seus agentes aos processos de mercado-livre, isto é, de troca directa entre os indivíduos, sem a tutela permanente do estado.
.
Assim, uma análise austríaca da economia portuguesa actual só poderá sugerir medidas que tenham em vista a liberalização dos processos de mercado (menos impostos, menos intervenção económica e social, mais liberdade empresarial, menos proteccionismo, retirada do estado do maior número de sectores económicos, etc.) e a contenção da fúria despesista orçamental, em vez da procura do equilíbrio económico a partir das decisões do governo. São as famosas “reformas” que nos foram prometidas, e que a célebre troika pede para andarem mais depressa, o que significa que não andaram ainda. Por outras palavras: já chega de governos a “salvar” a economia…

Um bom post. Tenho de gastar algum do meu tempo livre a estudar em profundidade a escola austríaca. O seu post merecer críticas fundamentadas e não simples “bocas”.
GostarGostar
Um balão de oxigénio.
Obrigado.
GostarGostar
A escola austriaca recomenda impostos baixos , especialmente sobre as empresas.
.
É isso mesmo que precisamos, e que os austriacos deveriam defender, mas não defendem .
GostarGostar
PMP, você está a querer lançar confusões?
GostarGostar
Caro Rui Albuquerque
A fé na macroeconomia é que provoca as crises.
ABÇ
GostarGostar
Excelente post. Tenhamos fé.
GostarGostar
Who the fuck are esses austríacos?
.
Também vieram com a Troika ou fazem do parte do Parlamento?
.
Serão habsburgos da serra de Sintra?
GostarGostar
Devem ser os austríacos que andaram a emprestar euros aos húngaros para comprarem casas.
.
Na volta é isso- são mais uns que ficaram agarrados à banca à conta do euro que não veio.
GostarGostar
Mas pronto, nada como o Rui A para esclarecer os portugueses que os verdadeiros liberais, os genuínos, da Bayer, estão a cuidar da nossa dívida, elegendo um governo que esteja proibido de governar.
GostarGostar
Bom. Acabava-se com o futebol, o basquet, volei, e remavamos sózinhos (?), o xadrez perdia interesse e o sexo ia para o maneta.
GostarGostar
Muito bem !
A soberania deveria residir nos individuos e não no estado . O estado deveria fazer apenas o que deve :
1) Defesa e segurança de pessoas e bens
2) Justiça
O resto deveriam ser organizações da sociedade civil a comandar seja a saúde ,seja a educação etc.
É claro que toda a sorte de jakobinos , não quer porque os politicos perdem poder em beneficio dos cidadãos.
Os estatistas perdiam a hipotese das suas negociatas assim como os corruptos perdiam o seu ambiente preferido. E é por isso que alguns que se dizem liberais , chegam ao governo e passam a ser estatistas altamente jakobinos .
GostarGostar
A aplicação plena do que o Rui A. chama de “ponto de vista austríaco”, exigia uma igualdade de partida para a concorrência que permitisse que a acumulação de capital fosse diretamente proporcional à qualidade do investimento, sem outro tipo de interferências. Ora, isso não existe. No que diz respeito a Portugal, não existe mesmo. Que propõe? Expropriação e redistribuição?
GostarGostar
“exigia uma igualdade de partida para a concorrência”
Por que razão?
GostarGostar
http://—-cocanha.—–blogspot.pt/2012/06/vem-ai-os-austriacos.html
.
Juntar link por causa da macrocensura neotonta. A dos genéricos.
GostarGostar
Clap, clap, clap!
–
“Por outro lado, a convicção liberal no individualismo leva à rejeição dos modelos macroeconómicos”
De facto, mas não podemos esquecer que as acções individuais dão no final um resultado global, e que as acções individuais podem ser extremamente parecidas, por isso não penso que seja necessário atirar a macroeconomia ao lixo (não nos esqueçamos que a microeconomia está baseada sobre um série de aximoas, portanto é algo de reductor desde o início). O que de facto é preciso atirar ao lixo é a análise matematizada, “científica” da macroeconomia (isto vale ao meu ver para o conjunto da economia), que estas sim, promovem um intervencionismo estatal prejudicial a termo.
GostarGostar
acho que tem sido o estado , com as suas “paixões e apostas e espartilhos ” , a tornar as acçõses individuais extremamente parecidas , acabando com a diversidade e provocando efeitos perversos mesmo muito desequilibrantes. não é só a biodiversidade que é muito importante..
GostarGostar
Sim, deverá vir a escola austríaca para nos salvar. Está farta de salvar coisas.
E o D. Sebastião!
GostarGostar
Rui A.:
Se assim não for, todas as perversidades são possíveis. Para não dar exemplos domésticos de que estamos fartos de falar, refiro-lhe a estranhíssima classe de empresários que surgiu na Rússia, mal acabou a URSS.
GostarGostar
“Ou seja, quem quiser equilíbrios económicos gerais, pleno emprego dos factores de produção e prosperidade non-stop terá que ir procurá-los não no liberalismo clássico, como às vezes se pensa por aí, mas no keynesianismo e no socialismo.”
Muito bem, como sempre, mas falta acrescentar aqui os neoclássicos, os verdadeiros mentores da economia matemática e dos modelos muito perfeitos, jmm
GostarGostar
Caro Rui. A, quandio v.exa. inicia um negócio é mais do que provavel que faça um estudo de mercado. Ora, esse estudo de mercado debruçar-se-á por aferir e padronizar a sua potencial clientela, agregando-a em tendencias e padroes de consumo, de forma a que se possa submeter o produto certo para cada segmento de exigencias. É com base na agregação dos gostos, dos rendimentos, que podemos desenhar produtos que se adequem a quem queremos vender. Nós já sabemos que, pessoas com o mesmo nivel cultural, com rendimentos semelhantes tendem a ter o mesmo nivel de exigencia nos produtos. E por isso, quando lança uma campanha publicitaria fa-lo no intuito de atingir um segmento especifico de pessoas. Não o faz a pensar em cada individuo especifico. Voce não sabe o que cada pessoa em si mesma pensa comprar, mas sabe que no segmento a que pertence essa pessoa, é mais provavel que ela opte por determinadas caracteristas no produto.
.
Ora, isto é a agregação. A procura é de facto agregada. Move-se por padrões de acordo com a cultura, instrução academica, rendimento, zona geografica etc. E o produto a desenhar deve ter isso em consideração, bem como aquilo que a concorrencia faz.
.
Assim, enquanto que individuos existem aos milhões, os seus gostos podem agregar-se em meia duzia. É este o principio das sondagens. Agregar tendencias. And guess what, acertam quase sempre. Entrevistando um universo de 1000 pessoas, sabe-se como vão reagir os restantes 9 milhões de pessoas.
.
Isto leva-nos, pois, a outro ponto que é fundamental para afastar o Individualismo liberalizante de lado… e de rastos. Que é o facto de o todo da sociedade se reger por regras que foram construidas ou estabelecidas pela historia afora. As sociedades foram formando padrões morais, éticos, legais… de forma que quem nela vive ou quer viver deve aceitar o seu contexto. Não é permitido viver-se impunemente dentro dessa sociedade violando esses principios societarios. Quem os viola é afastado. Se não for o estado a faze-lo de forma ordeira será a multidão em fúria. Ora, é aqui que entra o Individualismo. A multidão em fúria é uma espécie de mercado sem regras. Cada um individualmente escolhe a pena do incumpridor à sua maneira. Uns apanham o ladrão e cortam-lhes os dedos, outros umas boas pauladas, outros arrancam os olhos, outros algemam-nos, outros torturan-nos, outros apenas os prendem… enfim, cada um é livre de fazer o que muito bem entender. Na verdade quando assim se passa, as desvirtudes humanas vêm ao de cima. Se uns apenas querem cortam um dedo, outros reclamam pela decapitação imediata. O facto é que a decapitação afecta as intenções dos outros. Se o ladrão morre com o primeiro castigo, os outros já não o podem prender. E se os segundo o prendem, os primeiros já não o podem matar.
.
Daí que o mercado deva ser livre o suficiente, mas regulado na mesma proporção.
.
Se vc colocar, por exemplo, o tratamento de uma doença de uma qualquer alma, ao criterio individual, rápidamente se aperceberá de que ninguém está disposto a oferecer dinheiro para esse desiderato. Se vc colocar na decisão de um qualquer tipo prover alimento a crianças esfomeadas em geral ou ele abdicar de comprar uma televisão nova, garanto-lhe que esse mesmo tipo talvez o faça uma ou duas vezes, mas as seguintes ele vai achar que tambem tem de comprar uma televisão. Não está certo nem errado. São apenas assim as coisas. O que o estado faz é tornar obrigatória a civilidade no todo. Algumas pessoas tem de ser tratadas e alimentadas e educadas, e para isso muitas outras são obrigadas a contribuir.
.
O comunismo, está provado, foi destruido. Provou-se que não funciona. Com o liberalismo ainda não se teve hipotese de fazer prova. Mas se se pudesse fazer, estou convencido que seria destruido da mesmissima forma como o foi o comunismo. Não é possivel viver em sociedade, aonde todos se submentem a regras que limitam e ostracizam o mérito individual, porque inviabiliza o crescimento do todo; nem é possivel viver numa sociedade em que o individuo quer beneficiar da companhia de uma sociedade mas age numa liberdade individualista sem cuidar de a manter.
.
Rb
GostarGostar