o efeito multiplicador do esférico
Um senhor, cujo nome se me escapa, que esteve na última emissão d’ O Dia Seguinte, da SIC, julgo que em substituição de Dias Ferreira, logo, em representação do Sporting, garantiu-nos que “está provado” que os países que conseguem bons resultados nos campeonatos internacionais de futebol (sobretudo, no Mundial e no Europeu) conseguem transpor esses êxitos para as suas economias. Foi pena que, quando Keynes morreu (1946), não se desse ainda ao futebol a importância que hoje ele tem, e que Krugman, em vez de norte-americano, não tenha nascido na Europa ou no Brasil. Estaríamos, agora, a discutir o impacto sobre a economia portuguesa do 3-2 à Dinamarca, o seu efeito multiplicador sobre a procura agregada, sobre o acordo com a troika e o euro. Que azar o nosso!

Não vi o programa, rejeito perder tempo com esse tipo de “debates”, por vezes histéricos e inócuos.
Está provado que a conquista de campenatos nacionais ou competições internacionais (no caso, selecções), não se repercute nas economias duma região ou dum país.
O máximo lucro dessas economias serão específicas (vendas de produtos do clube ou da selecção, receitas de prémios), mais a certeza de estádios cheios durante X tempo enquanto permanece a excitação… Há também a movimentação económica e financeira de sponsors, comunicação social (com destaque para as televisões), publicidade, etc.
Acresce uma boa-disposição de cidadãos para enfrentarem o trabalho doutro modo, mas, só nos dias seguintes. No entanto, se tivermos em conta as conversas, nesses dias e nos locais de trabalho, sobre as vitórias…
Essa estória exercitada por dirigentes de clubes, da economia dum país alavancar-se pelos feitos futebolísticos, mas não passa dum oportunismo para reerguer ânimos.
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Todos os outros lucros são micro-lucros, residuais.
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O futebol Cientifico é uma das maiores anedotas do nosso tempo Quando ouço dizer que o jogador X passou da zona 6 para a 9 não percebo rigorosamente nada Sou um analfabeto, um miseravel disléxico desta nova linguagem. Gostei do jogo ,da emoção do Ronaldo do Varela mas transpôr o jogo para o social so pode dar desastre .Vejam como o Liberalismo económico transformou a economia num jogo de dados
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E o contrário do êxito também pode ser (é) nefasto para o progresso (só temporário ?) dum país : tomemos como exemplo o atentado ao desenvolvimento intelectual das pessoas, praticado pelas televisões tugas…
Uma autêntica lavagem ao cérebro ! E, o estímulo à bovinização… — os governantes agradecem.
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Como é evidente, Rui! Basta olharmos para a Grécia (campeã europeia em 2004) e para a Espanha (campeã europeia e mundial em 2008 e 2010) e atestarmos as suas brilhantes performances económicas posteriores…
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Caro LR,
Certeiro e irrebatível, o seu comentário !
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O raciocínio de rui a. e de LR é o seguinte: se for uma empresa a aumentar as exportações, ótimo (para mim também é ótimo); se for uma equipa de futebol ou a seleção a trazer os prémios de milhões de euros e o prestígio, já não tem interesse.
E olhe que eu não sou fanático da bola, como por exemplo o CAA!
O facto de a Grécia e a Espanha terem ganho campeonatos, implicou que recebessem os prémios correspondentes, tal como as empresas que nesses anos exportaram os mesmos valores. Quer isso dizer que elas também são as culpadas da situação?
Já outra coisa é a idolatria, a cagança e o exibicionismo, ligados ao futebol.
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fincapé,
A questão deste post não são os milhões de euros que um clube ou selecção ganham, ao conquistarem títulos, mas sim a macro-economia, mais especificamente o desenvolvimento, o fortalecimento, o benefício para a economia dum país.
Vc. deve ter em conta também isto, e no caso específico duma selecção, se quiser, a tuga : normalmente integram a “comitiva”, cerca de 35 pessoas (dirigentes, técnicos, clínicos, roupeiros, jogadores, etc). Se a selecção tuga vencesse o Euro, a FPFutebol daria a cada um desses elementos, um prémio de 250 mil Euros. Faça as contas, para saber quanto restava para a FPF governar-se anualmente, investir em futuras competições e, amealhar o que fosse possível…
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fincapé,
Esqueci-me dum outro lucro, maior, de qualquer selecção vencedora : o futuro cachet a cobrar, se convidada para jogos particulares.
Mas essa receita-extra, nada tem a ver com a economia global dum país
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Compreendo o que diz. Como referi anteriormente, não sou fanático e não aprecio esses grandes prémios. Mas gosto de ver Portugal ganhar e trazer prémios. O futebol movimenta muito dinheiro e já que Portugal cresceu desportivamente mais nesta área, então que ganhe alguma coisa. Repare que os jogadores emigrados trazem muitos euros para Portugal. Ganhar jogos aumenta-lhes a cotação nos famosos “mercados” que o rui a. e LR tanto apreciam. Então, de preferência que ganhem.
Tentei ver o prémio e encontrei isto: “Euro-2012: vencedor pode arrecadar 23 milhões de euros”. Fora os resultados indiretos. Não é mau.
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fincapé,
normalmente os grandes jogadores e treinadores (não digo quais) de alguns países, não enviam grandes quantias de dinheiro para os países de origem ou onde actuam… Colocam milhões em “paraísos”…
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Só agora vi o seu segundo comentário. E também a cotação dos jogadores. Veja a quantidade de jogadores e treinadores que andam pelo estrangeiro e o dinheiro que trazem todos os anos. Não trarão todo, é certo. 🙂
Mas a questão é mais esta: se é uma atividade significativa em Portugal, então que tenha sucesso. Quanto à economia global, o futebol é uma parte.
(Um aparte: não aprecio mesmo a exuberância dos jogadores e a exacerbada idolatria).
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o futebol é uma industria; por vezes exporta.
rui a. não é defensor de bens transacionáveis?
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fincapé,
Há “coisas” muito mais importantes (!!) para a sociedade tuga, do que os êxitos da selecção.
Não alinho em bovinidades patrioteiras.
O futebol, em Portugal, é um dos grandes culpados pelo subdesenvolvimento intelectual e cultural dos tugas. Foi-o no passado e, se assim continuar o delírio, sê-lo-á no futuro. Onde há VASTO, progressivo e estimulado subdesenvolvimento, não pode haver evolutivo e firme progresso económico e financeiro…
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MJRB
Não discordo disso, como se pode concluir do cuidado com que falo de futebol e dos seus delírios.
Mas não me parece ser essa a preocupação do post.
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Fincapé,
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O peso do futebol na economia é uma ficção: perfeitamente residual e até tenho dúvidas que crie algum valor. É ver a “brilhante” situação económica e financeira dos clubes grandes e a partir daí é fácil extrapolar para todo o sector profissional. E depois, vitórias em grandes torneios acontecem uma vez na vida e são coisas efémeras que se esfumam ao fim de 2 dias. 23 milhões de euros, diz você que foi o prémio? Peanuts! Qualquer PME virada para os mercados externos consegue facilmente mais do que isso em receitas de exportações e numa base recorrente.
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Acredite, meu Caro, a bola mexe apenas com emoções baratas, serve para animadas discusões de café, só os cracks é que vivem dela.
E já não falo da organização de grandes eventos, tipo Euros e Mundiais (e já agora, Jogos Olímpicos) que são sempre ruinosos para os países organizadores. Como aliás já o sentimos.
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LR,
Desculpe, mas só agora vi o seu comentário. Apercebeu-se certamente do cuidado com que falo do futebol e que já atrás referi. Por isso, concordo com parte do que diz e achei piada à ironia sobre o Keynes e o Krugman que rui a. colocou no post.
A minha questão tem a ver com os seguinte: se o futebol é um fenómeno mundial, visto nas TV por centenas de milhões de pessoas; se o “mercado” dos jogadores dependem também dessa montra; se de toda a maneira o futebol continuará; então, que se obtenham os melhores resultados possíveis, tal como noutra qualquer atividade. Há uma diferença entre uma empresa exportadora e o futebol que é a envolvência dos portugueses, aquilo que poderia provocar o tal efeito de transferência do êxito para a economia. Nesta não acredito muito, mas sempre seria um momento de alegria e motivação. Se Portugal ganhasse o Euro 2012 (coisa que até me doeu escrever, dada a quase impossibilidade), ou mesmo não ganhando, não contava só o prémio que referi (consultado na net, portanto sujeito a retificação). Contava a valorização dos jogadores, a potencial renovação para melhor de contratos para os que estão no estrangeiro e a ida de outros que ainda cá estão. Contavam também contratos publicitários com empresas multinacionais da área dos produtos desportivos (e outras) e vários tipos de relações que influenciam negócios. Se contabilizarmos todo o ganho (mal ou bem ganho) de todos os jogadores que estão no estrangeiro e as verbas transferidas para Portugal todos os anos, serão peanuts, mas seria um setor e uma “marca” com sucesso.
Mas eu também tenho imensas reservas quanto ao futebol e à situação financeira dos clubes. E não esqueço as asneiras que se fizeram aquando do Euro 2004.
Quanto às empresas exportadoras e àquelas que queiram começar exportar, FORÇA! Não lhes doa a vontade, nem o sucesso!
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