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Dou as boas vindas aos novíssimos críticos da ERC

1 Julho, 2012
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(Este texto deveria ter saído sexta-feira no Público, mas ficou de fora por falta de espaço)

Não me surpreendeu a decisão da ERC sobre o caso Relvas. Surpreender-me-ia é que fosse outra. Sobre essa entidade nunca tive ilusões. Há um ano, num livrinho que escrevi – Liberdade e Informação, Fundação Francisco Manuel dos Santos – lembrei que “depois de uma Alta Autoridade para a Comunicação Social que havia sido muitas vezes contestada pela sua proximidade ao poder político, a ERC distinguiu-se por uma proximidade ainda maior, sendo raras ou quase inexistentes as vezes em que condenou acções do poder político do momento”. Nessa altura ainda estavam em função dos membros do Conselho Regulador escolhidos no tempo da anterior maioria. Só um deles se tinha demitido. Porque, como escreveu ao renunciar ao cargo, sempre que “estava em causa o poder político”, “ocorreram verdadeiras entorses às mais elementares normas e procedimentos”. Para esse vogal “a ERC é um órgão sem independência do poder político e que atingiu um ponto sem retorno”.

Quando integrei o grupo de trabalho que produziu um relatório sobre o serviço público de televisão, fiz parte da maioria que expressamente advogou a extinção da ERC, posição que nos valeu as mais desvairadas críticas.

Sou pois, há muito, dos que defendem que a ERC não só é inútil, como é uma entidade perversa. Folgo por verificar que, apesar de noutros tempos a ERC ter produzido relatórios muito semelhantes ao do caso Relvas (recordo-me, por exemplo, do relatório sobre as pressões do anterior primeiro-ministro aquando da divulgação do dossier da sua licenciatura, onde também se declarou impotente para chegar à verdade devido aos depoimentos “contraditórios”), ou de ter evidenciado idêntica inutilidade (quando, nomeadamente, lavou as mãos no caso do roubo dos gravadores), parece existir hoje mais gente a concordar com o carácter pernicioso da ERC. Infelizmente continuam a ser poucos aqueles que, como eu, defendem que se dissolva a anormalidade (o que também nos permitira poupar alguns milhões de euros). Querem “emendá-la”, arranjar outra forma de escolher os seus membros, ou outra coisa qualquer que evite cortar o mal pela raiz. É um erro. A ERC, nesta deliberação como em muitas outras que serviram outro poder do momento, mostrou não passar de uma erva daninha. Ora as ervas daninhas não se tratam, extirpam-se.

24 comentários leave one →
  1. António Joaquim's avatar
    António Joaquim permalink
    1 Julho, 2012 12:29

    “Ora as ervas daninhas não se tratam, extirpam-se”
    Aqui é que grassa o erro. As ervas daninhas não devem ser extirpadas e sim aproveitadas, consoante os casos) no melhoramento das ervas que se querem aproveitar e melhorar.
    Repare só nisto: em todos os casos em que a ERC foi chamada a opinar sobre o poder politico, a sua opinião veio realçar o que já se sabia. Ao pretenderem eliminar o problema, aumentaram-no. A eliminação da ERC vai levar ao aparecimento de outras ervas daninhas mais agressivas.
    Olhe a justiça portuguesa. Toda a gente sabe que é falsa e como funciona. Vamos extingui-la? Não, concerteza que não, senão as coutadas e os campos de golfe perdiam o seu encanto.

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  2. esmeralda's avatar
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    1 Julho, 2012 12:57

    Foi pena o seu artigo não ter saído no Público!!! falta de espaço… presumo!
    Realmente estas entidades “que existem e persistem” constituem uma das minhas desilusões na tal mudança que eu tanto esperava! Não há volta a dar! Ou talvez haja, mas no campo das hipóteses pouco prováveis!
    Espanta-me que o actual Presidente da ERC não tenha batido com a porta, quando viu o desfecho da coisa e ainda venha comentar dizendo que assim “a ERC não serve para nada”!!! E continuo a perguntar-me o que mais continua a existir, não serve para nada e continua a tirar dinheiro dos nossos bolsos!

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  3. esmeralda's avatar
    esmeralda permalink
    1 Julho, 2012 12:58

    Li melhor agora! Foi mesmo falta de espaço!!!

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  4. XisPto's avatar
    XisPto permalink
    1 Julho, 2012 12:59

    Totalmente de acordo. Só lamento não existir link para a notícia sobre o especialista em larachas que agora preside à ERC, publicada na última edição em papel do Inimigo Público, cuja leitura vivamente recomendo, seguramente a apreciação mais perspicaz sobre o evento.

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  5. jose's avatar
    jose permalink
    1 Julho, 2012 13:22

    De facto este presidente da ERC apenas está habituado a comentar larachas e acompanhar psicanalistas que traduzem tudo no freud!!!! O país não esta em cocndições de gastar dinheiro coms este tipo de larachas!!

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  6. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    1 Julho, 2012 13:29

    Se a ERC faz falta ou não faz falta, não sei! O que sei é que este assunto do Relvas é um não assunto, e só um país ou uma cidade, “LESBOA”, onde reina a mediocridade e a cretinice, é que insiste em falar e escrever sobre uma anormalidade como esta. Não serve este comentario para acusar ou absolver o Relvas do que quer que seja, porque para mim, o maior erro que ele cometeu foi em ter sido ele a fazer o tal telefonema, coisa que no tempo do Socrates, era normalmente feito pelos acessores, quer dos ministerios, quer do Largo do Rato, e que eram muito mais bem tolerados pelo soviete que controla o conselho de redacção do Publico.

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  7. XisPto's avatar
    XisPto permalink
    1 Julho, 2012 13:45

    A C da Silveira:

    Um não assunto? O homem mente descaradamente na AR e você diz que é um não assunto! O soviete não altera nada aos termos do assunto e já começa a aborrecer como melhor linha de defesa do spin do Relvas. Ao contrário de si, não vejo que ele ou os assistentes cometam qualquer crime ao telefonar para os jornais, os jornais ao Relvas, ou qualquer outra combinação que queira. O que é importante é a independência dos jornalistas e da direcção do jornal, se são ou não permeaveis às pressões, os leitores depois julgam nas bancas. A ERC só serve para baralhar uma questão simples.

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  8. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    1 Julho, 2012 15:25

    A ‘perigosidade’ do artigo de JMF reside em 2 factos:
    1.) parte do princípio que a comunicação social não necessita de regulação. Deve ser como os ‘mercados’ que, segundo é suposto por alguns liberais, se ‘auto-regulam’ e, por isso, a situação financeira mundial (nomeadamente a especulação e a agiotagem) chegou ao que chegou…
    2.) considera inelutável o enfeudamento da ERC ao poder político. Com um pouco de imaginação (e vontade) não seria possível criar um ‘orgão independente’ do poder (político, económico e financeiro)?
    E se mondássemos as ‘ervas daninhas’ para, no mesmo o terreno liberto do joio, plantar um bom trigo (trigo rijo, p. exº., que está adaptado ao nosso ambiente natural)?

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  9. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    1 Julho, 2012 15:48

    Falta de espaço???
    eheheh
    Deixa-me rir…

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  10. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    1 Julho, 2012 16:02

    E sobre o caso concreto “mentiroso relvas” nao ha um paragrafo?

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  11. simil's avatar
    simil permalink
    1 Julho, 2012 16:17

    eh, a confirmá-lo basta lá ter o magno, qual bom cão, fiel ao dono, que nunca se apartará do tacho do momento, como lhe terá ensinado a maezinha, filho, lá onde esteja, que seja sempre ao lado de quem pode e é que manda. Como serviçal e tudo o que lá seja, mas sempre defendido, livre de não passares fominha, filho. O que como boi boyzinho, magno fará a vida toda, bom cristão, bem comportado, fiel e santinho .

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  12. neotonto's avatar
    neotonto permalink
    1 Julho, 2012 16:59

    E qual é a alta autoridade para a comunicaçao social e que regula a editora do seu livrinho escrito mais ou menos
    um ano ?

    Ah. Que a editora foi uma Fundaçao e que por tanto nao precisa de tal alta autoridade?

    Ah que a autoridade da tal Fundaçao ou melhor dito o seu presidente é um tal Antonio Barreto…

    Ahhhh. cabaramos, homem ,acabaramos. Tanto rodeo e tanto misterio para tao poucas noces caidas desde nogueiro finalmente.-

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Funda%C3%A7%C3%A3o_Francisco_Manuel_dos_Santos

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  13. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    1 Julho, 2012 23:27

    XZisPTO 13:45.
    Voce acha que num país que está à beira da bancarrota e da pobreza generalizada, não há coisas mais importantes para ocupar as mentes e o tempo dos politicos e dos jornalistas do que se o “Relvas mentiu descaradamente no Parlamento”? Quero lá saber se o Relvas mentiu ou deixou de mentir no Parlamento: isso não passa de conversa fiada para entreter os imbecis que acham que o assunto tem alguma importancia e, como se diz na minha terra, “vale tanto como o peido de um cigano”!

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  14. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    1 Julho, 2012 23:39

    de facto, que interesse tem o meu país ser governado por mentirosos, pelos menos nos últimos 10 anos?
    que interesse existe em sabermos que o país está como está, por haver gente que não se importa de ser governado por mentirosos?

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  15. simil's avatar
    simil permalink
    1 Julho, 2012 23:57

    Quero lá saber se o Relvas mentiu ou deixou de mentir no Parlamento C da Silveira
    Eu lá quero saber, sou pedreiro livre, da loja dele, e que me alembre o gajo não tem nódoa a mais no avental que o lamaçal, trolhice que nos iguala a todos, nepotes e sus padrinos, senhores .

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  16. XisPto's avatar
    XisPto permalink
    1 Julho, 2012 23:59

    JDGF

    “1.) parte do princípio…”
    Penso que interpretou mal os argumentos de quem defende a extinção da ERC. Não está em causa o debate sobre se os mercados se autoregulam, ou não. Isso tem a ver com a regulação económica de mercados claramente inperfeitos que pode ser assegurada pela Autoridade da Concorrência, e se fosse essa exclusivamente a competência da ERC, tudo bem. O que está em causa são as supostas competências da ERC para salvaguardar a liberdade de imprensa, e foi isso que o caso Relvas mostrou que a ERC não faz.

    “2.) considera inelutável…”
    Mas não é o que todas as evidências confirmam?

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  17. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    2 Julho, 2012 02:34

    .
    De facto, deverá haver coisas da maior importância e gravidade com que Portugal se preocupe.
    Os jornalistas, com a ignorância e o comporttamento nefasto que tèm, só proliferam mentiras e, às tantas, fica-se sem saber qual é a verdade.
    O Governo deveria comunicar ao Povo — melhor e capazmente — de uma forma directa. Se essa informação fosse de alguma maneira tergiversada o próprio autor teria meios para processar e punir os difamadores.
    .

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  18. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    2 Julho, 2012 08:01

    XisPto

    Não sugeri que a Comunicação Social fosse exactamente – ou tão somente – um mercado. Mas também o é. Ou então como ‘valorizar’, para nos confinarmos ao ‘caso Relvas/Público’, que tenha vindo para a ribalta uma (eventual) ameaça de “black-out”?
    Subscrevo, genericamente e sucintamente, este conceito: ‘As Entidades Reguladoras são organismos que têm como atribuições o acompanhamento de um determinado sector de actividade, regulando os interesses contraditórios em presença. Algumas dessas estruturas têm também funções de fiscalização do mercado e do seu modo de funcionamento.http://www.mun-guarda.pt/fotos/ciac_entidades_reguladoras.pdf
    Ora, ‘interesses contraditórios’, abarcam um Mundo. Que, na Comunicação Social, será um ‘mundo’ formatado pela Lei Fundamental e que integra, necessariamente, a liberdade de expressão e de Imprensa.
    O problema é que esta ERC se mostrou dominada pelos ‘interesses’ e alheia aos ‘contraditórios’. Mas não será uma ‘questão de pessoas’ (ou de ‘ervas daninhas’), mas de modelo, de orgânica e de sistema ( regulador).

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  19. XisPto's avatar
    XisPto permalink
    2 Julho, 2012 09:53

    JDGF

    Suponho que o “black-out” se refere à suposta ameaça de Relvas de organizar um “black-out informativo” ao Público. Precisamente, isso não constitui um evento económico de funcionamento imperfeito do mercado. Ninguém tem que assegurar ao Público esse canal, nem ele tem que ser “regulado” economicamente. A relação poder imprensa já é suficiente pantanosa para se acrescentar a uma categoria tão imprecisa como essa. O Relvas, tem todo o direito de dar entrevistas a quem quer, e se o entender politicamente vantajoso, instruir os outros ministros nesse sentido. Para mim isso não é um crime, como não é o próprio telefonema que ele fez, tanto quanto é conhecido o seu conteúdo. Aliás, isso ocorre todos os anos no jornalismo desportivo e não me recordo de alguém defender que a ERC se devia meter nesse vespeiro. Coisa diversa é organizarem-se cortes na publicação de publicidade, impedir acesso de jornalistas, etc. E coisa ainda mais diversa é o Relvas, muito justamente pressionado pelo Público para esclarecer as contradições e omissões dos seus depoimentos (mentiras) na AR, se furtar a prestar declarações. Mas aí o Público esteve bem: os seus leitores ficaram a saber isso, e cada um tira as suas conclusões. Neste caso a ERC só serviu para baralhar e para o Relvas andar para aí a dizer que há pessoas com mau perder, como se a ERC fosse um tribunal e ele tivesse sido absolvido. Portanto, relativamente ao conceito genérico que refere, eu tenderia a limitar a ambiguidade da expressão “interesses contraditórios” caracterizando-a claramente como “interesses de mercado”, e como realmente não acredito em comissões “isentas” com este envolvimento político (não estamos a falar de comissões de deontologia médica, por exemplo) se assegurado a liberdade de produção de veículos de comunicação social, deixemos a banca de vendas resolver o problema.

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  20. neotonto's avatar
    neotonto permalink
    2 Julho, 2012 10:57

    “Neste caso a ERC só serviu para baralhar e para o Relvas andar para aí a dizer que há pessoas com mau perder”.


    paso seguinte para ter em conta. Nem é tanta boberia se bem se pensa.
    Agora que o governa (governa também nos bancos) com a RTP ja no bolso e um par de compras bem feitas a preço do mercado pelos bancos daria que opiniao publica portuguesa bem controladita ja nao seria necesario nenhum destes affaires, ou quando menos de terem que sair a luz publica e expalhar os efluvios cheirentos.
    .
    Estamos no bom caminho camaradas.
    .
    Para que maniatar e manipular podendo “comprar os silencios.”..
    .
    Algo cheira mal…em Dinamarca. Que nao, que nao, que nao que onde algo cheirava mal era em Portugal !!!!!

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  21. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    2 Julho, 2012 14:50

    Os fatinhos do tipo ERC e outros copianços do género serviram para fantasiar de democracia a este caricato fascismo recauchutado lusitano. Isto por cá sem a chibata, sem o feitor e sem uns valentes tabefes é simplesmente o reino do salve-se quem puder, do patrãozeco esclavagista, do empregadote malandreco, do funcionareco lambecúzeiro, do invejoso militante, do pesporrente engravatado e do «melhor do mundo» em tudo e mais alguma coisa. Não passamos de uma gargalhada sonora, com boa mesa e vistas atlânticas, a esbanjar farronquice nesta faixa a norte do Magrebe.

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  22. Buiça's avatar
    Buiça permalink
    2 Julho, 2012 19:53

    A entidade visa regular os órgãos de comunicação social. Nunca o fez minimamente, não há notícia de alguma vez terem punido algum órgão de comunicação de qualquer forma que seja.
    Mas de repente é suposto servirem para o desaguar de todas as frustrações para com o actual governo e terem como função punir o lamentável Relvas…?
    Amanhã o triste é multado por estacionar em cima do passeio e vamos querer que seja o GNR de serviço a derrubar todo o governo…

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  23. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    2 Julho, 2012 21:33

    XisPto,
    Ainda sobre a hipotese de ‘black out’ e a afirmação produzida: “Ninguém tem que assegurar ao Público esse canal, nem ele tem que ser ‘regulado’ economicamente”.
    Faltra, também, aqui o contraditório: “E alguém – dentro da lógica de mercado ‘livre’ – poderá ameaçar fechar esse canal”?

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  24. Sísifo's avatar
    Sísifo permalink
    3 Julho, 2012 14:24

    Não foi por falta de espaço, antes de qualidade.

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