Falácias argumentativas no debate sobre o défice
Défice não aditivo
Em debates, a falácia do défice não aditivo é expressa em frases como “o governo está a falhar, a dívida continua a aumentar” ou “o governo não conseguiu baixar o défice nem a dívida”. Quem defende estas ideias não percebe que a dívida é, grosso modo, o somatório dos défices. Se percebesse saberia que enquanto os défices forem elevados a dívida não desce e não se espantaria que a dívida sobe quando o défice também sobe.
O conceito de que a dívida é o somatório dos défices pode ser expresso pela equação seguinte:
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divida=divida_2011+defice_2012+defice_2013+defice_2014+…
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Em caso de existirem privatizações, o valor obtido tem que ser substraído:
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divida=divida_2011+defice_2012+defice_2013+defice_2014+…-privatizações
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Há correcções a esta equação por causa da inflação e do crescimento, mas em períodos em que o crescimento é baixo, a inflação baixa e o défice alto, essas correcção não são muito importantes.
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Como as receitas anuais das privatizações são muito inferiores aos défices, esta equação implica que a dívida aumenta sempre enquanto não tivermos um défice próximo de zero. ´Felizmente, para défices baixos a inflação e o crescimento poderão dar uma ajuda, e deverá ser possível estancar a dívida algures nos 120% do PIB quando o défice for inferior a 2%. Lá para 2020 poderemos sonhar em ter crescimentos de 2% ou 3% e a partir daí o défice poderá descer significativamente.
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Claro que isto de os défices serem aditivos tem implicações chatas. A principal é que o tempo joga contra os endividados. Um país endividado com défice elevado estará mais endividado para o ano, com menos margem para reduzir o défice porque terá que pagar mais juros. Sim, quanto mais dívida mais juros. Considerando uma taxa média de 5%:
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Juros=dívida*0.05
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Claro que à medida que um país se endivida, os credores exigem taxas cada vez maiores e a taxa de juro média vai aumenta. Isto agrava as perspectivas de países que ainda se encontrando no mercado se endividam cada vez mais. É também um problema para países sob ajuda porque a taxa com que se regressa ao mercado depende da dívida que entretanto se acumulou. Quanto mais tempo a acumular dívida mais difícil será voltar.

Não precisava dum post tão longo. A dívida não desce porque não está a ser amortizada. O que se faz é substituir dívida que estava nas mãos dos investidores institucionais por dívida à troika. No futuro, ou tem excedentes orçamentais (não vejo ninguém escrever sobre isso, mas o memorando da troika prevê excedentes a partir de 2014 ou 2015, não me recordo qual o ano certo) ou a dívida continuará a aumentar.
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Se a mão de obra é taxada (e está em risco de desaparecer) porque não começar a taxar a mecatronica?
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Escreveu que “isto de os défices serem aditivos tem implicações chatas”, a começar, digo eu, por que a maioria dos comentadores não quer entender isso dos “défices aditivos”. Proponho que se escreva “défice sempre a somar” – o défice à divida, claro. Ou escuro, dependendo da posição do observador…
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JM, voce simplesmente não percebe a questão: óbvio que quanto mais cedo se reduzir o défice melhor.Todos sabemos isso.O que já deixa margem para dúvida, é se é tão possivel quanto desejável descer o défice nos acutas termos da troika.É claro que o corte dos subsidios veio por uma pedra no caminho, mas convenhamos que já nos dias anteriores isso era mantido em discussão.Com as receitas a cairem(nao vou entrar na questao de laffer or not) só cortando despesa, qualquer que ela fosse, é que a execução tinha alguma hipotse de ter sucesso.Até porque se resultar tanto quanto aumentar impostos joão, isso significa que nos actuais moldes, é uma quimera falar-se de reduzir défice.
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Arrisca-se a estar a falar para o boneco , num país com 9milhões de socialistas , cópias de mario soares que afirma em tvs com grande audiencia ser contra a austeridade e que o dinheiro aparece sempre. Os portugueses só irão entender as suas contas quando nem já a tr0ika emprestar e os salarios forem pagos em escudos com metade do poder de compra do euro. Nessa altura sim , o rebanho revoltar-se-á e os “planeadores centrais” que governaram e governam o país srão culpabilizados pelo mal que fizeram.
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Cortar no consumo de forma indiscriminada êh uma medida anti-econômica, ao contrário do que diz o JM. O consumo de bens e serviços produzidos em Portugal, claro estah. A cortar devia cortar-se nas importações. Directos ao osso. Ao cortar no consumo por via da asfixiacao dos rendimentos das pessoas e empresas torna o problema do défice publico pior. Se se mantiver o consumo e restringir importações o ajustamento êh mil vezes mais rápido e eficaz. De outro modo, tirando liquidez aos privados, as 1) fabricas nacionais vão ah falência, 2) o investimento privado baixa, 3) a poupança a prazo baixa, 4) o desemprego dispara.
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O caro JM já o disse. Vc acha q o dinheiro nas mãos do estado êh melhor rentabilizado do que nas mãos das pessoas. Eu acho q não, mesmo tendo em conta o endividamento do estado.
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Sendo assim, cabe ao estado sair da frente da iniciativa privada. Baixando impostos, controlando a despesa, restringindo o acesso a bens importados para q os privados munidos da mesma liquidez possam gerar riqueza. Riqueza essa que se reflectirah nas contas do estado a prazo.
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O grande problema das contas do estado estah na fraquíssima dinâmica da iniciativa privada. Os privados não geram riqueza suficiente, muito devido ao facho do estado estrangular a economia, asfixiando-a de impostos e leis obsoletas. Êh, pois, necessário, dar condições fiscais (entre outras) para q um empresário sinta motivação em investir. Motivação e confiança. De outro modo, não há empresário nacional q invista, nem haverah investimento estrangeiro q venha.
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A não ser assim, daqui a uns anos estarah o caro JM ainda a dizer q serão necessários mais cortes nos salarios para corrigir sucessivas derrapaens no défice. O limite dos cortes êh o céu. Qualquer dia corta os salários para níveis terceiro mundista, ao nível da China e mesmo assim rapidamente chegarah ah conclusão de que não chega. Por cada corte em salários ou amento de iimpostos pior será a execucaco orçamental. Cortar na despesa êh cortar no desperdício e não naquilo que pode gerar receita.
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O governo estah quase a perceber q nada do que teoriza bate certo. Já nem vamos a tempo de corrigir o que quer q seja. Perdemos o timming. Este governo teve na mão a possibilidade de por a despesa do estado na ordem. Nada fez, limitou-se a cortar salários e subir impostos. Quem a seguir vier vai encontrar o pais na mesmíssima situação.
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ou antes, em pior situação, já que ao cortar no consumo de produtos nacionais atirou para a falência milhares de empresas. O incumprimento ah banca êh assustador. As dividas comerciais dispararam.
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A única boa noticia tem sido as exportações. Dinâmica, alias, que não depende em nada do governo e cujo crescimento vem de trás, de tempos anteriores ao governo.
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Rb
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Uma questão de fundo importante não é se os défices implicam divida sempre a crescer (claro que sim), mas sim se as medidas que pretendem obter défices menores tem multiplicador maior ou menor que 1. Se as politicas tiverm multiplicador inferior a 1, depois de as adoptar-mos teremos um défice superior ao que tinhamos antes.
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E como os efeitos das medidas não se restringem ao ano da sua adopção, a questão dos multiplicadores é importante. Isso significa muito simplesmente que embora todas as medidas que impliquem reduzir o défice tenham em teoria a capacidade de diminuir a o défice desse ano e portanto a dívida desse ano, na prática nem todas serão desejáveis.
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E sim, claro que podemos ser “forçados” pelas situações a tomar medidas que diminuindo (aparentemente) o défice/divida a curto prazo o vão aumentar a curto/médio prazo. Ninguém disse que governar era fácil.
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Quando há um défice a dívida aumenta sempre… (a receita das privatizações é excepcional, não vale a pena falar dela).
Mistura dívida absoluta com dívida relativa (medida em proporção do PIB).
Acha 120% aceitável? Está conforme com a visão da economia que tem revelado mas sabia que é ponto assente que acima de 90% do PIB a economia começa a dar de si?
Por este caminho nunca iremos ter crescimento de 2% e 3% ao ano, nem em 2020 nem mais tarde. Teremos sorte se nos mantivermos estagnados. Provavelmente teremos contracção do produto, recessão e mesmo depressão.
Pode sonhar o que quiser e atirar para o ar os números que quiser. A realidade é o que é!
Fico a aguardar propostas práticas da sua parte.
🙂
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João Miranda ao poder, já.
Portugal está salvo…
VIVA Portugal
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António Parente,
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“No futuro, ou tem excedentes orçamentais (não vejo ninguém escrever sobre isso…”
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Não tinha lido o seu post, LR. Parabéns pelo que escreveu. Sugiro que republique o post de tempos a tempos com as adaptações necessárias em função das variações da conjuntura. É pedagógico.
Infelizmente, escreve-se pouco sobre a necessidade de equilibrar o orçamento e de gerar excedentes. Parece-me que muita gente está convencida que a troika vai embora, ganhamos acesso aos mercados e recomeça tudo de novo: subsídios da função pública, aumentos salariais, dívida sem restrições, etc. O choque pode ser doloroso quando se perceber o que significa a armadilha em que caímos.
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É uma chatice que economia não funcione e que o PIB desça.
Porque se descer, mesmo mantendo a dívida em valores nominais, aumenta em valores relativos.
E é o valor relativo que interessa.
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