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reformas, quais reformas?

9 Julho, 2012
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O João Miranda tocou aqui no essencial: sem mexer nos salários do estado e na segurança social pública não haverá efectiva redução do défice. Não só porque é aí que se concentram as rubricas essenciais da despesa pública, como elas representam o compromisso do regime (socialista) com um certo modo de ver o estado e a sociedade, que tem necessariamente de mudar. Fazê-lo implica promover uma reforma profunda do estado, retirando-o da saúde, da educação, da segurança social, onde ele desempenha funções principais e não subsidiárias, reestruturando a justiça, as forças armadas e de segurança (a GNR e a PSP ainda existem?), que têm gente a mais e produtividade a menos, e acabando, de vez, com o sector público do estado, onde se continua, por inércia e interesse partidário oportunista, a pagar salários muito acima dos valores de mercado (não será já boa altura para mandar estes rapazes para o mercado de trabalho?). Evidentemente que isto, numa economia paralisada como a nossa, terá consequências sociais graves de curto, médio prazo, mas a estagnação em que nos encontramos já tem consequências graves e que serão mais graves ainda se nada se fizer e se continuarmos a acumular dívida pública.

.

Para isto é necessário, de facto, um governo verdadeiramente reformista, que esteja disposto a mudar o paradigma que nos tem empobrecido, e não apenas um governo que tente reformar esse paradigma para o tornar viável. E, até agora, o governo de Pedro Passos Coelho não tem feito mais do que o de José Sócrates. Pode ter cortado mais nos salários e aumentado mais ainda os impostos, mas não promoveu nenhuma reforma verdadeiramente digna desse nome com os sacrifícios que nos tem imposto. Todas as medidas até hoje tomadas, tal como as do seu antecessor, têm por fim sustentar este estado, em vez de o reestruturar a sério. Reduzir salários, cortar subsídios e aumentar impostos a eito são paliativos que não resolvem os problemas, antes os disfarçam no curto prazo, e agravam qualquer hipótese para a sua solução, porque enfraquecem progressivamente o tecido social e a economia, aumentam o desemprego real (o que resulta da falta da iniciativa privada e não da falta de serviços públicos), provocam falências, impedem o crescimento da economia e incentivam a emigração das pessoas mais capazes. Quanto mais tempo isto durar pior, mais dolorosa e de efeitos mais prolongados será a solução.

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60 comentários leave one →
  1. 9 Julho, 2012 15:28

    Ao menos deixa claro que os cortes salariais têm a ver com um objectivo político de destruir o papel do estado na economia. O problema é que pelo meio é preciso violar contratos, mas nem isso parece ser obstáculo. Felizmente o Tribunal Constitucional ainda cria algum atraso neste programa tão ideológico como o levado a cabo em Portugal em 1975.

    Tudo isto se baseia num dogma de fé que diz que no privado as coisas funcionam sempre melhor. Uma coisa temos que admitir. Provavelmente nenhuma universidade pública seria capaz de produzir um licenciado em tão pouco tempo como algumas universidades privadas. E tudo licenciados com empregabilidade elevadíssima e com competências que lhes garantem rendimentos muitíssimo acima da média!

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  2. PMP permalink
    9 Julho, 2012 15:34

    A ideia dos pseudo-liberais é usar a crise para destruir o Estado Social, mas manter o Estado Não-Social burocrático e despesista.
    .
    O João Miranda é o expoente da Doutrina do Choque.
    .
    Só falta virem defender o aumento dos gastos com a a Defesa !!

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  3. 9 Julho, 2012 15:37

    Nem de propósito… Andava eu a tentar trazer o “Valor” em Cuidados de Saúde para a discussão, citando o Michael Porter e o “tipo” passa cá por Portugal e toma de assalto a agenda mediática http://www.ionline.pt/portugal/aumentar-taxas-moderadoras-nao-resolve-problema-criacao-valor-na-saude

    e
    http://economico.sapo.pt/noticias/medicos-e-enfermeiros-devem-ser-bem-pagos_147938.html

    Quanto aos médicos temo que já o sejam… quanto aos enfermeiros: as minhas sérias dúvidas…

    Como dizia eu há dias… Há muitas formas de cortar despesas e a área da Saúde, não escapando à lógica inexorável de necessidade de conter despesas e melhoria da qualidade ( só tardiamente esta questão da qualidade foi “importada” para a Saúde, à semelhança da “Indústria”) tem algumas particularidades que não podem ser ignoradas…

    Deixo ao cuidado do LR e do Francisco Colaço…

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  4. neotonto permalink
    9 Julho, 2012 15:48

    “Reduzir salários, cortar subsídios e aumentar impostos a eito são paliativos que não resolvem os problemas, antes os disfarçam no curto prazo, e agravam qualquer hipótese para a sua solução, porque enfraquecem progressivamente o tecido social e a economia, aumentam o desemprego real (o que resulta da falta da iniciativa privada e não da falta de serviços públicos), provocam falências, impedem o crescimento da economia e incentivam a emigração das pessoas mais capazes. Quanto mais tempo isto durar pior, mais dolorosa e de efeitos mais prolongados será a solução”.

    E a cartilha do santo Hayek que dizia ao respeito e sobre do particular? Nunca chegou a diferenciar de uma crise neoliberal em paises prot das minicrises de paises cats?. Nem intui diferencia alguma?
    Acho que ele nao estava em essas pequenas diferencias que só servem para sociologos.
    Por nao estar, nem chegou a imaginar uma crises economica global total. Algo seria seria incovivel…
    Lástima morrer antes de tempo e o que tem…nao podes acomodar o teu modelo teórico para a realidade practica do que os mercados fazem…nunca dizem o que vao fazer, eles fazem( ou desfazem).
    E agora ja é tempo de desfazer o eurito e os larpeiros estados acomodados ao euraço grosso germánico. Perdao, a moeda comúm e solidaria europea que nestes últimos “habemus”….

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  5. Carlos Ferraz permalink
    9 Julho, 2012 15:56

    Parece o João Miranda sempre a malhar no óbvio. E propostas concretas tem? Porque enquanto se ficarem por generalidades e grandes princípios não teremos alternativa!

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  6. Fincapé permalink
    9 Julho, 2012 16:08

    Não sei se criticou Passos Coelho quando ele jurou que não cortaria vencimentos (o que está a fazer, contrariamente ao que parece ressaltar por aqui) e que apoiou Sócrates quando iniciou esse tão esquecido corte em curso. Provavelmente, sim.
    Agora essa de querer meter os fundamentos da sociedade em mãozinhas privadas, dá que pensar. Pelos vistos, não chega o que se vê todos os dias nos nossos noticiários.
    Ui, ui, depois é que ficávamos bem! Além de pagarmos os serviços, e os “servicinhos”, ainda tínhamos de pagar as casas e os carros de luxo, os casacos de peles e as malinhas de marca das senhoras donas mulheres dos senhores donos.
    E quando fôssemos receber a reforma ao fim de 40 aninhos de “descontos” para a seguradora, onde certamente os nossos ultrabiberais teriam interesses importantes, davam um jeitão uma falenciazita.
    Depois, era o fim do mundo. Ou teriam de fugir para um dos paisitos que apreciam, com experiência no assunto, ou exigiriam que o Estado resolvesse a coisa. Déjà vu. Uns amigos do povo, os ultraliberais.

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  7. Portela Menos 1 permalink
    9 Julho, 2012 16:18

    Radicais de meia-tijela estes nossos capitalistas-cientificos!

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  8. simil permalink
    9 Julho, 2012 16:25

    A maior despesa pública vai para as PPP da mafia à portuguesa.
    Depois, está visto que o barítono não passa da mesma fraude sem caráter, desonesta.
    E o Marcelo do PSD a comentar vícios, desaires do PSD é aquela nódoa banal, tendenciosa e palerma.
    No que blasfém i os, em geral, após CAA, se parecem .

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  9. simil permalink
    9 Julho, 2012 16:34

    A maior despesa pública vai para as PPP da mafia à portuguesa, é bem dito, com boys, a banca e governos desonestos, servis, sem vergonha e nem espinha dorsal, a autêntica treta .

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  10. 9 Julho, 2012 16:41

    simil,
    .
    Os encargos futuros com as PPP estão aqui quantificados. Tem números mais rigorosos?

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  11. PMP permalink
    9 Julho, 2012 16:58

    Os encargos das PPP’s são o que são.
    .
    Devem ser reduzidos em 30% , tal como os restantes fornecimentos externos.
    .
    Se todos os encargos externos forem reduzidos em 30% o problema do deficit fica resolvido até aos 5%.

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  12. Alice Samora permalink
    9 Julho, 2012 17:36

    Discutir com gente estúpida cansa imenso. E uma forma de estupidez é a arrogância de quem não tem vida nem mundo para compreender aquilo que pensa que sabe e o torna assim tão iluminado.
    É próprio dos economistas que peroram aí pela nossa praça, olhar para as contas, ver a maior parcela e afirmar terem achado a causa dos males cuja solução procuram.
    Com base em tais raciocínios concluem que os salários dos gestores das empresas públicas e outras coisas que tais serão “peanuts” na tal salvação da pátria. A “culpa” mesmo é daquelas parcelas gordas e socialistas das pensões, por exemplo. Do mesmo passo legitimam a corrupção daquela minoria e tiram a voz e razão a quem nunca teve outra opção.
    Eles não percebem, nem querem saber disso para nada, que uma comunidade económica, a ser uma comunidade íntegra, é também, e sempre, uma comunidade moral. Com critérios de justiça e com valores que se aplicarão a todos os elementos dessa comunidade e a todos os actos económicos nela praticados.
    Precisariam de saber um pouco – ou até pensar, se disso forem capazes – que o sistema de segurança social que agora odeiam tanto, tem uma história.
    Começou por ser um colchão debaixo do qual se guardava um pouco do que pouco havia, para um dia de chuva, doença, viuvez… Depois foi a família que enquanto poupava se unia em valores de coesão. Depois ainda era a corporação que unia as pessoas e geria as poupanças para a ajuda mútua. Um dia o Estado disse que não se preocupassem. Que continuassem a trabalhar e a descontar, mas que Ele trataria do destino do dinheiro. E que ninguém perderia nada, porque, por intermédio dEle, eram todos que pagavam para todos. O paraíso eme mesmo já. Mas açambarcou o que se havia descontado e obrigou a descontar mais. Desviou o dinheiro para outros destinos, secou o cofre, e em vez de um montinho do que haviam descontado, os pensionistas futuros sabem que têm lá uma promessa social.
    Agora vêm os economistas que querem emagrecer o Estado dizer-lhe a ele que para além de perder o que já descontou sem direto a escolha tem também de perdoar a dívida porque ela é feia, socialista, e causa do atraso das sociedades. Que essa coisa dos direitos adquiridos é antiquada.
    Modéstia e estudo. É coisa que recomendo antes de abrirem aboca com tamanha desfaçatez. E antes de começarem a debitar, talvez fosse mesmo melhor começarem por interrogar.

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  13. 9 Julho, 2012 17:42

    PMP,
    .
    Mas você sabe o que está a dizer??? Você por acaso sabe que as PPP são financiadas em mais de 75% por bancos estrangeiros, com especial destaque para o BEI? Esse corte que você sugere significaria um default. Sabe os efeitos disso e da acumulação de dívida que você sugere em termos de taxa de juro? Poderia significar taxas de juro de 2 dígitos. Os 5% de défice que você acha conveniente implicariam, por si só, um acréscimo à factura de juros acima dos 800 milhões por ano, pressupondo uma taxa de “apenas” 10%. Só isto, mais que cobria a sua “poupança” nas PPP…

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  14. Gabriel Silva permalink*
    9 Julho, 2012 17:43

    é isso mesmo Rui, bem dito

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  15. 9 Julho, 2012 17:51

    Alice Samora,
    .
    Imagino que terá a “fórmula” do milagre da multiplicação dos pães. Coisa para mim de complexidade extrema, é um facto.

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  16. JDGF permalink
    9 Julho, 2012 18:04

    “Evidentemente que isto, numa economia paralisada como a nossa, terá consequências sociais graves de curto, médio prazo,”
    ‘Consequências sociais graves’ não será um eufemismo?
    Ou, será que se advoga no post, pura e simplemente, a criação de condições objectivas para uma revolução?

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  17. Alice Samora permalink
    9 Julho, 2012 18:05

    Essa fórmula não conheço. Até pensava que “isso” era um dos muitos mitos religiosos.
    O que nós, seres humanos normais, temos de tentar é agir com justiça. E isso começa e acaba no respeito pelo trabalho de cada um.
    Roubar poupanças não é justiça social. É roubo!

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  18. João Branco permalink
    9 Julho, 2012 18:17

    Alice Samora,
    obviamente que não pagar o que se combinou em contrato é sempre um roubo. Sejam os reformados, os pensionistas, os que nos emprestaram dinheiro ou os que fizeram contratos PPP com o estado a pagar, haverá sempre um roubo por parte do governo.
    Porém, efectivamente não existem condições de pagar aos nossos credores sem fazer esse roubo. O Tribunal Constitucional disse que não seria legitimo fazer esse roubo apenas a alguns (reformados e funcionários do estado). Pessoalmente, penso que se o roubo for estendido a todos será possível que cada um seja menos prejudicado. Isso implicaria por exemplo fazer o desconto não sobre os 13º e 14º mês mas sim sobre todo o rendimento e eventualmente até incluir a propriedade. Mas reconheço que a minha posição é utilitarista, não puramente liberal.

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  19. A C da Silveira permalink
    9 Julho, 2012 18:21

    Eu não sei em que raio de país é que certas pessoas pensam que vivem. Portugal como um todo só consegue produzir riqueza para pagar uma parte do que precisa pra viver. O resto tem de pedir emprestado. Durante 30 e tal anos as coisas foram andando, mas agora chegou a época das vacas magras, e já ninguem empresta dinheiro para manter regalias sociais a um país cuja economia há mais de dez anos que não cresce, e onde a grande ambição da maior parte da população é arranjar um emprego no estado, nas autarquias ou afins.
    Desde 1975 que estamos reduzidos às fronteiras do sec XV, virámo-nos entretanto para a Europa rica e desenvolvida pensando que era rica e desenvolvida por obra e graça do Espirito Santo. Nós tambem cá temos um Espirito Santo, mas este só faz milagres para alguns, muito poucos. Mas a riqueza e o desenvolvimento dos europeus do centro e do norte, custaram muito trabalho e muitos sacrificios a varias gerações.
    Essa discussão pseudo-ideologica que por aí anda, dos que não são liberais, mas que acusam os outros de serem, seja lá isso de ser liberal ou neo-liberal o que for, não faz sentido nenhum. Os chamados liberais, têm uma receita e um caminho, que é dificil e exige sacrificios, mas que pode resultar. Os que não são liberais, mas que acusam os outros de ser, o caminho que têm, é o seguido nos ultimos dez ou quinze anos, ou seja: o desastre.
    Tambem não percebo como é que alguem no seu perfeito juizo e com algum discernimento, pode pensar que este imbroglio que é a bancarrota de Portugal, se resolveria num ano. Não resolve, e provavelmente serão precisos mais de dez para isto entrar nos eixos. O resto é conversa fiada!

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  20. Edgar permalink
    9 Julho, 2012 18:24

    Para não haver dúvidas, vejo que sentiu necessidade de explicar melhor qual é o caminho que preconiza para evitar que “isto acabe mal”. Nada de novo, a sua receita é a da troika, com mais aceleração. Esquece, no entanto, que Passos Coelho está a aprender que é muito mais fácil acelerar no simulador do que na vida real.
    Permita-me que lhe diga que às teorias neoliberais já aconteceu o mesmo que as teorias dos prémios Nobel M. Scholes e Rob Merton quando as resolveram por em prática: o Long Term Capital Management faliu, com milhares de milhões de dólares de prejuízo. O que está a acontecer na Grécia, em Portugal e um pouco por toda a Europa é a prova real do que afirmo.
    Uma última observação: chamar socialista a este regime retira o ar de seriedade que pretende imprimir às suas observações

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  21. simil permalink
    9 Julho, 2012 18:25

    Os encargos futuros com as PPP estão aqui quantificados. LR
    Quê, você diz “colossais”?
    “Acontece porém que, para nossa desgraça, as PPPs irão pesar com mais violência no orçamento a partir de agora, ou seja, constituirão uma nova rubrica que, ano após ano, adicionarão valores “colossais” à despesa.”
    E acha pouco? “Portugal é o campeão europeu das parcerias público-privadas ascendendo o seu valor a 1.500 mil milhões de euros, enquanto em França não chegam a 500 mil milhões de euros e em Espanha e Itália são de 289 mil milhões de euros e de 66 mil milhões de euros, respectivamente.”
    http://pracadobocage.wordpress.com/2012/06/28/as-ppp-negocios-ruinosos/
    Portugal do PSD, do PS, do CDS e blasfém i os, é o campeão da central de negócios em que se transformou a política, com central na Assembleia, Negócios da Semana 2012 07 04, máfia de ladrões, de trolhas e beatos à portuguesa .
    E você acha pouco? Há-de é cortar-se mais nos salários, na Segurança Social, enquanto se ataque de boca até rebentar barrigudos?
    Vocês são uns celerados, desonestos, salafrários .

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  22. Portela Menos 1 permalink
    9 Julho, 2012 18:27

    ui! as vacas sagradas das PPP e dos banqueiros (estrangeiros!); que horror, um default!

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  23. simil permalink
    9 Julho, 2012 18:32

    Os que não são liberais, mas que acusam os outros de ser, o caminho que têm, é o seguido nos ultimos dez ou quinze anos, ou seja: o desastre. A C da Silveira
    Os que não são liberais não é que desgovernaram Portugal nos últimos dez ou quinze anos de desastre, que usted diz, mafia de boys e roubalheira.

    (ai, até calha, a rimar com silveira) .

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  24. Paulo permalink
    9 Julho, 2012 18:33

    Rui A.
    Vamos lá fingir que dizemos algo que não sejam trivialidades.
    Comece lá então a escolher quem é vai ser sacrificado, qual o organismo publico que que fechar?
    Depois arranje lá uns cobres que nao tem para indemnizar as pessoas, e pagar desemprego. Já agora elucide-nos lá qual a figura que vai usar, despedimento coletivo?
    Ou a ideia é usar a técnica do Louçã, reduzimos os juros para metade e fingimos que os credores aceitam isso de braços abertos, numa adaptação de corremos com pessoas que trabalham no Estado há mais de 30 anos, com uma mão à frente e outra atrás, e esperamos que eles se vão suicidar colectivamente para longe?
    .
    E de um funcionário publico de décadas para um privado que suponho que seja: se a ideia de ir trabalhar para o privado era mesmo assumir os riscos e ser compensado por isso, porque é que agora querem tirar ao nosso lado a unica vantagem que tínhamos? Conhece alguém no publico, excluindo politicos mafiosos, que tenha ficado rico com o seu salário?, é que eu conheço vários no privado. Arriscaram e ganharam, e eu assumi as consequências, abdiquei do eldorado, fiquei na mediana com a condição de ser estável, e recebi sempre muito menos que os equivalentes privados.
    .
    Eu sei que a moda agora é ignorar os compromissos, os princípios, e até a Constituição (até os catedráticos como o professor Karamba da TVI fazem cambalhotas com um artigo simples e claro), mas alguns de nós estarão sempre contra a falta de vergonha.

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  25. Alice Samora permalink
    9 Julho, 2012 18:34

    Sr. João Branco:
    Esqueça a adjectivação das posições. Isso agora não interessa nada.
    O que está aqui em causa – e sempre esteve – é a promiscuidade entre moral e economia, entre justiça e política.
    O que está a tentar explicar é que quem já se endividou para o vício, em vez de roubar só a alguns, deve agora roubar a muitos mais, roubando assim menos a cada um.
    Quanto a mim o roubo deve acabar de vez. E, fazendo-se justiça, até o credor da dívida de coisa roubada deve ser implicado no “negócio”, que é para a prender a relacionar-se com gente de bem, antes de tudo.
    O que não se pode é obviar ao julgamento sob a ameaça de ficarmos todos pior. Porque se identificarmos bem os criminosos e o tipo jogadas que têm feito, aprendemos também a fazermo-nos respeitar e a respeitarem o nosso trabalho e a nossa liberdade.

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  26. Ricciardi permalink
    9 Julho, 2012 18:51

    A solução não é reduzir salários, mas sim reduzir a massa salarial. A massa salarial reduz-se não contratando mais ninguém que vai saindo da FP por morte ou por reforma. No ano passado sairam 60 mil FP’s. Não os substituam.
    .
    Morrem mais pessoas por ano do que aqueles que nascem ou pelo menos morrem tantas quantas as que nascem. A população não aumenta. Assim, cada por cada reformado da FP, um outro pensionista morre. O saldo da segurança social seria nulo. As contas para o estado seria que 60 mil por ano saiam. A esse ritmo em 5 anos reduzia o numero de FP’s para metade.
    .
    Não percebo aonde está o problema. Não percebo. Itália vai fazer isso já este ano. Porque é que o dogma tem imobilizado o país? Não compreendo o que é que move esta gente em preferir despedir para reduzir a despesa e depois pagar subsidios de desemprego.
    .
    Vcs não vêem que deixando sair os FP’s pela natureza das coisas, é muitissimo mais proveitoso para o estado? Porque carga de agua se insiste no castigo e em vez de resolver os assuntos de forma pragmatica.
    .

    Rb

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  27. simil permalink
    9 Julho, 2012 18:56

    “o credor da dívida de coisa roubada deve ser implicado no “negócio”, que é para a prender a relacionar-se com gente de bem, antes de tudo.” Alice Samora

    A troica, a banca e as mesmas PPPs do cartoga e cadrona, com mexias, teixeiras pintos, leites antónios e mais boys tentáculos do polvo, com advogados da central de negócios, com a banca e aparatchiks dos partidos e governos, que entre o mais o gamam à custa do esbulho, roubo feito aos subsídios dos funcionários públicos e pensionistas, como da diminuição dos salários dos trabalhadores, aumentos do IVA, do IRS, IRC e prejuízo das famílias e das emprezas…, devem ser implicados, restituir e pagar juros do que nos gamaram no “negócio” escuro .

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  28. Ricciardi permalink
    9 Julho, 2012 19:02

    As funções da saude podem ser privatizadas quando e só quando as familias tiverem salarios liquidos suficientes para pagar.
    .
    Como todos sabemos, a SAUDE nos EUA custam a módica quantia de 8.000 usd per capita. Na Alemanha e na França custa 4300 usd per capital. Em Portugal custa cerca de 2300 usd per capita. Isto é, METADE da frança e da alemanha e um terço da dos EUA.
    .
    Aonde está, pois, o estado despesista e o desperdicio?
    .
    Digam-me.
    .
    Não é assim. Numeros são numeros. Gastamos muito menos per capita do que todos os outros paises indicados. O nosso problema reside na incapacidade da iniciativa privada gerar RIQUEZA. O resto é conversa.
    .
    Para gerar Riqueza o ESTADO tem que, de uma vez por todas, tomar medidas sustentadas no tempo. Deixar sair os seus FP’s reduzindo-os para metade de forma natural (eles morrem e reformam-se) e INVESTINDO na redução de IMPOSTOS directos – o IRS eo IRC (substituindo-os por impostos indirectos sobre o consumo).
    .
    É urgente fazer isto, caso contrario é melhor declarar falência de imediato. Sacar os Euros das contas bancárias do povo amortizando 80% das dividas da banca denominadas em Euros; redonominar a divida publica para escudos e paga-la em 20 ou 30 anos.
    .
    Rb

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  29. 9 Julho, 2012 19:09

    simil,
    .
    ““Portugal é o campeão europeu das parcerias público-privadas ascendendo o seu valor a 1.500 mil milhões de euros, enquanto em França não chegam a 500 mil milhões de euros e em Espanha e Itália são de 289 mil milhões de euros e de 66 mil milhões de euros, respectivamente.”
    .
    Aconselho-o – bem como à autora da posta que linkou – a reler a minha posta que acima referi, as fontes que lá indico e, já agora, a aprenderem a fazer contas e a analisar números. Pode ser ignorância (muito provável) ou desonestidade intelectual como a que aqui exemplifico.

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  30. João Branco permalink
    9 Julho, 2012 19:12

    Srª Alice Samora,

    A (administração da) justiça, a economia e a política sempre estiveram juntas desde a antiguidade. A junção com a moral, bem, mais ou menos saiu de cena há cerca de 300 anos e penso eu com alguma razão. A promiscuidade entre estas áreas é um facto da vida em sociedade, e não conheço mecanismos que a impeçam, existem apenas alguns mecanismos que a limitam (separação de poderes, independência dos órgãos, vigilância por parte da sociedade). Infelizmente, as instituições sociais não se mudam de um dia para o outro nem por decreto.
    .
    Preferia eu uma situação mais justa em que todos recebessem apenas o que lhe era devido e tudo o que lhe era devido? Sem ser comunista, a cada qual de acordo com as suas necessidades e de cada um com as suas possibilidades é um ideal que não me repugnaria, se fosse praticável.
    Não o é, assim como o não é a utopia de que iremos resolver os problemas “pondo em julgamento” os responsáveis.
    .
    Entre outras coisas porque sem dar poderes discricionários à administração do dia, provavelmente nunca se conseguirá uma sentença que implique que a maior parte das acções praticadas foram ilegais, porque não existiam leis que o proibissem (lembre-se que um julgamento só pode tratar de leis, não de moral). E dar poderes discricionários a uma qualquer administração é, posto de uma maneira suave, uma muito má ideia.
    .
    Agora sobre a questão de “acabar com o roubo”. Não sou contra em teoria, não estou a ver como se pode operacionalizar na prática. Se produzimos 90 (receitas de impostos), prometemos pagar 10 de juro pelas dívidas que já temos (compromisso com os nossos credores), e gastamos 95 directamente (compromisso com reformados, funcionários, utentes de saúde/educação, desempregados). Como é que conseguimos cumprir os nossos compromissos simultaneamente, se não podemos aumentar os 90 (aumentar impostos) nem quebrar algum dos compromissos? Por isso, sim, acho que o roubo não só vai continuar como tem de continuar para conseguir que as quebras de compromissos sejam as menos gravosas possíveis.

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  31. João Branco permalink
    9 Julho, 2012 19:17

    Já agora, de notar que para os mais “puros”, os 90 de impostos já serão considerados roubo…

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  32. João Branco permalink
    9 Julho, 2012 19:24

    Ricciardi, sem querer negar a bondade da sua solução para o médio prazo, devo dizer que no curto prazo se estão a reformar mais pessoas por ano do que a falecer. É uma característica do envelhecimento da população e do aumento da esperança de vida que verificámos durante o século passado e este século. Para além disso os novos reformados vão receber mais do que aqueles que estão a falecer (tiveram carreiras contributivas mais longas e pagaram mais ao longo da vida).
    .
    No entanto, estas tendências só diminuem o ritmo da consolidação por atrito, não a tornam inviável (quer dizer simplesmente que até conseguir as poupanças desejadas demorará mais algum tempo).

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  33. 9 Julho, 2012 19:26

    Sacrifícios, Inimputabilidade e Mudança
    Mesmo aceitando como inevitável a necessidade de reduzir a despesa publica através de uma redução nos salários e nos custos da Segurança Social, será, no mínimo, imoral fazê-lo, sem antes limpar da despesa corrente do orçamento do Estado, todos os desvios de verbas que anualmente pesam no bolso dos contribuintes e que são canalizados para alguns “privilegiados”: sejam PPP, obras inúteis ou faraónicas, empresa falidas e mal geridas (e que fazem concorrência desleal no mercado), consultorias desmedidas, enriquecimento ilícito, BPNs, BPPs, etc. E a este propósito ajusta-se lembrar o dito de Maquiavel a propósito de “mudança”:

    “Nada é mais difícil de realizar, mais perigoso de conduzir ou mais incerto quanto ao seu êxito do que iniciar a introdução de uma nova ordem de coisas, pois a mudança tem como inimigos todos aqueles que prosperaram sob as condições antigas e como defensores tíbios todos aqueles que podem se dar bem nas novas condições.”

    Quando houver uma liderança nas governações central e locais, que dê sinais de que há moralidade e rigor em todas as contas públicas, poderemos ter a esperança de que a mudança tem condições de se realizar.
    PorOutroLado.com

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  34. João Branco permalink
    9 Julho, 2012 19:31

    POL: concordo com o princípio de moralização, até porque a não ser feito (e não tem sido feito) torna inviável as outras acções por falta de assentimento dos “roubados”. No entanto, conforme nota o velho Nicolau, os inimigos das mudanças (e particularmente deste tipo de mudanças) tem muito a perder e os apoiantes destas mudanças tem muito pouco a ganhar directamente…

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  35. piscoiso permalink
    9 Julho, 2012 19:34

    Esta é que é a autêntica Posta Mirandesa:
    Ingredientes:
    1,2 kg de carne de vitela mirandesa; sal grosso, de preferência integral (sem substâncias quimicas).

    Preparação:
    O lume das brasas deve estar forte no inicio. As brasas incandescentes devem estar distribuidas de forma regular no fogareiro ou lareira de forma a proporcionarem uma distribuição uniforme do calor. A grelha deve ser colocada a uma altura de cerca de 10 cm das brasas.

    A carne deve ser cortada em postas com uma espessura de 3 a 4 cm (cerca de 300 g por posta).

    Coloque a carne na grelha sem tempero nenhum. Após esta operação, e caso o deseje, tempere com sal grosso.

    Volte a carne, sem espetar, quando aparecerem pequenas pérolas de sangue na superfície superior. O tempo que a posta está na brasa depende do seu gosto pessoal, consoante prefira a carne bem ou mal passada.

    Para conservar a suculência da carne, esta não pode ser picada. Ao voltar a posta, o lume deve estar forte, para que se crie uma crosta que impeça a saída dos sucos. Contudo, esta crosta não deve ser espessa, porque senão o calor penetra na carne de forma deficiente e a posta acaba por ficar queimada por fora e mal grelhada por dentro.

    Acompanhamento: batata cozida com casca e salada.

    Recomendação:
    A lenha utilizada não deve ser de madeiras resinosas (ex: pinheiro). Para produzir as brasas aconselha-se a lenha proveniente de fruteiras (ex: videira) e a generalidade das folhosas (ex: carvalho). Como alternativa, utilize carvão vegetal.

    Nunca utilize uma grelha que tenha servido anteriormente para grelhar peixe sem que esteja muito bem lavada e queimada pelo calor do grelhador, para evitar a alteração do gosto e aroma da carne.

    Não deve usar produtos quimicos inflamáveis para acender a lenha ou o carvão. A razão deste procedimento reside no facto de esses produtos libertarem substâncias que vão alterar negativamente o gosto, o aroma e a qualidade da carne, além de serem prejudiciais à saúde.

    Na impossibilidade de utilizar um fogareiro ou lareira, a posta pode ser confeccionada num grelhador eléctrico a temperatura elevada.
    Imagem

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  36. 9 Julho, 2012 19:56

    Caro Ricciardi:

    Qual é que fica mais barato os 7 oftalmologistas do público ou o espanhol contratado à peça 2 vezes por ano?

    http://balancedscorecard.blogspot.pt/2008/04/ele-h-coisas.html

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  37. permalink
    9 Julho, 2012 20:01

    Ainda é o PS que está no governo? É que parece mesmo!

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  38. Alexandre Gonçalves permalink
    9 Julho, 2012 20:10

    O Medina Carreira já anda a dizer isso há que tempos

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  39. simil permalink
    9 Julho, 2012 20:18

    Sempre em frente, diz a central de negócios,

    http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt/2012/07/caravana-portuguesa.html

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  40. simil permalink
    9 Julho, 2012 20:21

    Profissão, ex-ministro :

    http://arrastao.org/2577346.html

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  41. PMP permalink
    9 Julho, 2012 20:23

    LR,

    Claro que a denuncia dos contratos das PPPs por aldrabice é um default.
    .
    E uma forma de pressão . A Malta iria aceitar renegociar do que ficar à espera 10 anos nos tribunais.
    .
    Quem nao quer defaults nao se alia a contratos aldrabados .

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  42. 9 Julho, 2012 21:12

    PMP,
    .
    Sim, está-se mesmo a ver o BEI apelar para os tribunais portugueses. Mas decididamente você não imagina os efeitos de um default na credibilidade de um País.

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  43. 9 Julho, 2012 21:15

    Mas as forças de segurança têm pessoal a mais? Onde é que estão, que não se veem nas ruas?

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  44. Paulo permalink
    9 Julho, 2012 21:21

    Para os que ainda não viram reformas
    .
    Alguns institutos do Estado foram fundidos, as direcções despedidas (algumas pessoas reformaram-se)
    O orçamento para TI reduziu em 500000€, este ano espera-se que toda a gente faça omoletes sem ovos.
    Estão a encerrar hospitais em Lisboa. Eu sei que os teóricos dos blogs faziam tudo em 6 meses, mas provavelmente nunca fizeram nada na vida além de mandar bocas arrogantes.
    O número de professores todos os anos diminui, e algumas pessoas foram para cursos superiores via ensino porque o Estado autorizou vagas, não eram eles que sabiam se iam existir alunos ou não, mas mesmo assim são eles os “despedidos”.
    Os contratados a recibos verdes diminuíram, foram para a rua em brande parte. Alguns bastante competentes, que tinham ido estagiar e ficaram com muitas competências, que alguns privados gostam de receber mas para as quais não têm vontade de contribuir (sim, mesmo os bloguistas liberais de pacotilha acham que o Estado é que tem essa obrigação!).
    A contrario do que se diz por aqui, os reformados dos ultimos 5 anos são dezenas de vezes mais qu as admissões, e não deixar entrar ninguem numa década vai destruir a continuidade do que funciona bem daqui por alguns anos.
    .
    Já descontando os 25% de massa salarial deste ano, em que se exigem sacrifícios e aumento de eficiência aos mais qualificados (e que recebem muito menos que no privado), se há setor da sociedade portuguesa que se reformou neste ultimos anos foi o publico. O privado tem estado regularmente a encaixar os lucros e a deixar as insolvências por conta do Estado.

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  45. PiErre permalink
    9 Julho, 2012 21:37

    A receita da Posta Mirandesa, para ser autêntica, tem de ser escrita em língua mirandesa.

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  46. Alice Samora permalink
    9 Julho, 2012 21:38

    Sr. João Branco:
    O problema do “a cada qual de acordo com as suas necessidades e de cada um com as suas possibilidades” é precisamente o de saber quem é que define isso.
    Eu prefiro ficar com o que produzi e com o que o meu pai juntou para mim, e ajudar que eu entender, a haver algum cromo superiormente iluminado que defina o que é justo eu produzir e eu consumir.
    O enviés analítico é o mesmo quando você diz: “conseguimos cumprir os nossos compromissos”.
    Nossos? Algum dia fui ouvido ou achado na aceitação dessa dívida? Então e os meus filhos? Porque carga de água hão-de pagar essas tais PPPs?
    A falência de Portugal face aos credores – incluindo a saída do Erro – seria muito mais justa. Porque quem é pobre, não estranharia muito. Mas quem tem a sua posição social “alapada” na dívida que outros hão-de pagar, teria então que se resignar à sua verdadeira condição.
    De resto, democracia e justiça social, serão tanto maiores e melhores, quanto menores forem os poderes dos fazedores de ”justiça social”.

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  47. aremandus permalink
    9 Julho, 2012 21:52

    rumo ao crescimento. primeiro eu,segundo eu,terceiro eu…
    parabéns à SIC pela reportagem do menino loiro:
    (os que defendem estes políticos,bem podem ir tomar no cú com eles!

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  48. Edgar permalink
    9 Julho, 2012 22:00

    Anos atrás, na privatização das seguradoras, um dos concorrentes assinou um contrato de venda, com cláusula de recompra, de um valioso edifício em Lisboa; realizou uma boa parte do montante necessário para concorrer à privatização e depois da seguradora ser sua, recomprou através dela o referido prédio. O resto da história é “contabilidade criativa”.
    Se fosse hoje, o banco em causa, teria também aproveitado a operação para o lançamento de alguns produtos financeiros de forma a cobrir ou até ultrapassar com algum lucro a totalidade do investimento.
    Este pequeno exemplo serve para ilustrar como se tem processado a transferência de património para o sector privado e como se criaram as tais bolhas que vão rebentando por todo o lado.
    Em contrapartida, temos o caso paradigmático da nacionalização do BPN que ilustra bem como se utiliza o estado no sentido inverso, isto é, para assumir os prejuízos que não são seus.
    Falemos claro, perante uma grave crise financeira e económica do capitalismo, aquilo que se pretende é simples: transferir para o estado os activos tóxicos e os prejuízos provocados pela desenfreada especulação financeira que garantiu altos bónus e dividendos; transformar a dívida privada em dívida pública; baixar salários e retirar direitos, de forma a facilitar despedimentos, para garantir um nível elevado de resultados.
    Ou seja, com mais ou menos eufemismos, não se trata encontrar uma via de desenvolvimento mas de aumentar a exploração que permita a acumulação.
    Mas as contas estão a sair furadas. Esqueceram-se do actor principal.

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  49. Fredo permalink
    9 Julho, 2012 22:14

    Mas você sabe o que está a dizer??? Você por acaso sabe que as PPP são financiadas em mais de 75% por bancos estrangeiros, com especial destaque para o BEI?

    E então?
    Os espanhóis podem mas os portugueses não?
    Os bancos portugueses podem ficar entalados no estrangeiro, mas os bancos estrangeiros têm imunidade em Portugal?
    A concessionária da autoestrada que liga Madrid a Toledo, participada pelo BES e pela Mota-Engil, é a primeira a pedir falência, noticia o Jornal de Negócios.

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  50. antonio joaquim permalink
    9 Julho, 2012 22:28

    Gostaria que me explicassem qual a diferença entre ser ser explorado por um privado ou por um publico. Não consigo perceber esta coisa de “privado”. Até parece que são uns seres xpto que possuem uma varinha magica e superkalifragilespialidoce. Caralho, andamos anos e anos a ver se duques, condes, reis e rainhas ganhavam juizo, que não o tinham de todo por razões de “sangue”, contam, e agora queremos Sonais, Pingas Doces e outras que tais a dizerem como se faz. Foda-se, olhem para a Nokia que está quase a pifar, a guerra entre Apple e Samsung que não deve ser nada barata e daqui a uns anitos deverão estar nócaute. Estes gajos acham que Portugal é uma marca que poderão comercializar e vender. Fogo!

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  51. Manuel Rodrigues permalink
    10 Julho, 2012 00:06

    Cara Alice,

    ” “conseguimos cumprir os nossos compromissos”.Nossos? Algum dia fui ouvido ou achado na aceitação dessa dívida? Então e os meus filhos? Porque carga de água hão-de pagar essas tais PPPs?”

    Não sei se sabe mas o Governo, eleito por sufrágio, tem poderes representativos. Foi a nossa irresponsabilidade, como cidadãos, que permitiu e legitimou a contração de divida e a realização de vários contratos ruinosos para o erário público. Fomos “nós” que elegemos políticos irresponsáveis. Terá de pagar/gerir a dívida, assim como os seus filhos, como todos nós a não ser que emigre.

    A saída do Euro seria o pior dos males. Teriamos de regressar ao Escudo, que valeria muito menos. Imagine todo o seu património a sofrer uma desvalorização de 30 ou 40%. A procura interna cairia drásticamente, levando à falência centenas de milhar de pequenas e médias empresas. A inflação subiria. O desemprego subiria ainda mais. Não haveria crédito para iniciar novas empresas. O Estado sofreria uma quebra enorma na receita e um aumento na despesa, teria de despedir massivamente, cortar todo o “estado social”, e aqueles que ainda ficassem com emprego veriam os seus salários reduzidos. Claro que com uma moeda desvalorizada podiamos exportar mais mas, por outro lado, o preço das matérias primas seria mais caro porque teria de ser comprado em escudos. Entre as matérias primas importadas há uma muito importante. O crude. Claro que tudo isto resultaria em emigração em massa e enormes problemas sociais. Já imaginou se as farmaceuticas deixassem de vender medicamentos para Portugal porque nós não conseguiamos pagar a divida que tinhamos? Haveria pessoas a morrer por falta desses medicamentos. Acha dificil? E se eu lhe dissesse que isso já acontece na Grécia?

    Nunca saberemos se uma saida do Euro não poderia ter benificios a longo prazo, mas a curto e médio prazo seria catastrófico.

    Por isso, ou seguimos a receita do post ou então que nos preparemos para o pior.

    Portugal já foi várias vezes à bancarrota, o problema é que agora o tombo é muito maior.

    “De resto, democracia e justiça social, serão tanto maiores e melhores, quanto menores forem os poderes dos fazedores de ”justiça social”.”

    Não podia estar mais de acordo.

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  52. Alfacinha permalink
    10 Julho, 2012 02:01

    Bom mesmo era acabar com o estado e entregar a gestão do quintal ao PSI 20.
    “O Admirável Mundo Novo”!!!!

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  53. neotonto permalink
    10 Julho, 2012 06:37

    “devem estar distribuidas de forma regular”

    “A carne deve ser cortada em postas com uma espessura de 3 a 4 cm”

    “O tempo que a posta está na brasa depende do seu gosto pessoal, consoante prefira a carne bem ou mal passada”

    “A lenha utilizada não deve ser de madeiras resinosas (ex: pinheiro). Para produzir as brasas aconselha-se a lenha proveniente de fruteiras (ex: videira) e a generalidade das folhosas (ex: carvalho). Como alternativa, utilize carvão vegetal”

    “Nunca utilize uma grelha que tenha servido anteriormente para grelhar peixe sem que esteja muito bem lavada e queimada pelo calor do grelhador”

    “Não deve usar produtos quimicos inflamáveis para acender a lenha ou o carvão”.

    Ai, Jasús…e de ónde tiraria a ideia o Piscoiso que o JM dava para um conformemonos com dizer -que um.-mediano cocinheiro…Há cada optimista pelo mundo.
    Só com a receita fotocopiada e pasinho e pasinho para nao estragar o modelo original. Isso sim babariase todo de placer gástrico em chegando a “condimentar ao gosto de cada um”…Ai sim que ja seria o máximun de tirar a casa pela finestra…

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  54. Tiro ao Alvo permalink
    10 Julho, 2012 07:57

    Alice Samora, estava a pensar escrever qualquer coisa sobre o seu último comentário, mas o Manuel Rodrigues roubou-me as palavras: é que eu também penso que ninguém se pode pôr verdadeiramente de fora, que todos “nós” temos culpa e que, por isso, todos “nós” temos que pagar a factura, mesmo que a contragosto ou à força…
    Por outro lado, o Estado não tem sentimentos, nem tem remorsos. O Estado – governo, forças armadas, funcionalismo público, etc. – emana de “nós”, do povo que somos, e não é uma entidade outra, desligada da nação que representa.
    Com isto quero dizer que estamos todos lixados. Nós e os nossos filhos e netos.

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  55. 10 Julho, 2012 08:27

    Caro Rui,
    Como já tive oportunidade de comentar no post que faz referência, não desfanzendo, os posts do João Miranda são aqueles que, dentro da torrente que aqui se publicam, me fazem parar e ler. A este respeito, escrevi o seguinte no meu post “Orçamento e Equidades” em Outubro do ano passado e que, perdoe-me o provincianismo, mereceu comentário de João Cantiga Esteves :-):

    “Mas, basta perscrutar um Orçamento de Estado, para saltar à vista aqueles que são os maiores sorvedouros de dinheiros públicos. Torna-se evidente onde reside o maior potencial para cortes, e que é transversal a toda a função pública, incluindo essas suas entidades satélite. Eis as duas maiores rúbricas da chamada Despesa Corrente do Estado: “Despesas com Pessoal” e “Prestações Sociais”. Ou seja, salários dos funcionários públicos e pensões de reforma (entre outras). No OE de 2011 estas foram orçamentadas em €19,3 biliões e €37,8 biliões, respectivamente. Ora tal corresponde a cerca de 75% (!) dos €75,8 biliões da Despesa Corrente.
    Portanto, se estamos a falar em cortes de despesa, se é isto que temos vindo impacientemente a exigir a este governo, então não há simplesmente forma de contornar estas duas rúbricas. É dos salários dos funcionários públicos e reformas que estamos a falar. A única forma que o Estado tem replicar o mesmo efeito no sector privado é, já adivinharam, através de mais um aumento de imposto “extraordinário” – precisamente aquilo que tanto criticámos ao longo dos últimos meses. É o sector público, e não o privado, que precisa de emagrecer.
    Portanto, não é uma questão se deve cortar-se no público ou no privado. A questão é onde, e como, cortar no público. Também aqui, cortes podem ser feitos de duas formas fundamentais. Uma é mais recomendável a prazo, embora no imediato seja de mais difícil implementação, assim como menos eficaz em reduzir custos – vou chamar-lhe “Corte Vertical”. Outra, sendo menos eficaz a prazo (e até mesmo inconsequente!), é politicamente mais implementável, tendo efeitos mais imediatos – vou chamar-lhe “Corte Horizontal”.

    (continua aqui: http://antologiadeideias.wordpress.com/2011/10/20/orcamentos-e-equidades/)
    Bem haja,
    O Autor

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  56. neotonto permalink
    10 Julho, 2012 11:08

    Hum,
    .
    Digo hum, porque o comentario anterior tinha um certo odor ao perfume da escritura que deixam os bancarios e os que trabalham e atrapalham na banca também em momentos perdidos. Será? Será que também na net fica no ar fedendo esse mao cheiro , esse odor contaminante que deixa a palavra banco, judeu, banqueiro, e dizer Gold-men Sachs e similares com todas as suas consequencias…

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  57. Paulo permalink
    10 Julho, 2012 18:15

    Ao Autor, que mereceu comentários do professor Cantiga.
    .
    Em Portugal, que ainda é Europa, um bilião é um milhão de milhões. Desculpe lá a correção mas faz-me alguma confusão receber lições de quem não sabe coisas básicas.
    .
    De seguida, chamar sorvedouro a pagar salários, como é o meu caso, ou pensoes de pessoas que trabalharam e descontaram mais de 40 anos, assim à partida só merece um comentário, “vá para a …”
    .
    Discutir opções é viável, falar com palermas, sejam bloguistas ou bloquistas insulta qualquer pessoa decente.

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  58. Fincapé permalink
    10 Julho, 2012 20:25

    Tenha calma, Paulo.
    É mais um videirinho que anda a fazer pela vida.
    Já reparou que um trabalhador da função pública, por exemplo um médico, é um custo para esta malta e o mesmo médico, se for fazer o mesmo serviço no setor privado, já é um factor de produção?
    Mas pela uso da palavra “bilião” já pode ver onde esta malta vai buscar a informação que alimenta a sua sabedoria: o tio Sam!

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