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Soluções que não afectam a despesa estrutural

9 Julho, 2012

A maior parte das soluções que têm sido propostas e que parecem atraentes são atraentes porque não mexem na despesa estrutural. Cortes nas PPP, nos contratos de energia, reestruturação da dívida pública, cortes nos consumos intermédios, cortes nas supostas gorduras, tudo isto visa manter o núcleo da despesa (salários e pensões) intacto. Claro que nada disso resolve o problema porque se não se mexer na despesa estrutural a dívida volta a crescer e na próxima recessão caímos no mesmo.

23 comentários leave one →
  1. JC's avatar
    9 Julho, 2012 09:15

    Consta que estes dois subsídios representam 1,5% do pib.
    .
    Extrapolando para todo o ano, os vencimentos e pensões representariam cerca de 11% do pib.
    .
    E acredita mesmo que é aqui que está a solução da crise?
    Como? Despedindo todos os funcionários públicos? Cortando-lhes o vencimento para metade? Mas… e os cortes nos funcionários públicos não têm o mesmo efeito na receita que os cortes no privado?
    .
    Vá… não seja desonesto. Paguem os impostos devidos e isto resolve-se.

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  2. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    9 Julho, 2012 09:23

    Caro,
    .
    Salários + pensões são 67% do PIB
    .
    11% do pib são 22% da despesa pública

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  3. Carlos Ferraz's avatar
    Carlos Ferraz permalink
    9 Julho, 2012 09:26

    O João Miranda sempre a malhar no óbvio como um disco riscado 🙂
    E as propostas concretas de redução da despesa?

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  4. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    9 Julho, 2012 09:44

    Carlos Ferraz,
    .
    Só há duas possíveis: cortar nos salários ou despedir funcionários.

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  5. João Branco's avatar
    João Branco permalink
    9 Julho, 2012 10:12

    JM, está a fazer mal as contas. Salários e Pensões são cerca de 50% da despesa pública, como eu já disse. Como a despesa pública é 50% do PIB, salários + pensões são 25% do PIB.

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  6. João Branco's avatar
    João Branco permalink
    9 Julho, 2012 10:13

    Aliás, salários + pensões serem 67% do PIB, implicariam que por si só fossem superiores a toda a despesa pública.

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  7. alice samora's avatar
    alice samora permalink
    9 Julho, 2012 10:24

    A maior parte das soluções que têm sido propostas e que parecem atraentes são atraentes porque não mexem nas mordomias instaladas que não têm que ver com necessidades básicas da maioria da população.
    Cortes nas PPP, nos contratos de energia, reestruturação da dívida pública, cortes nos consumos intermédios, cortes nas supostas gorduras, tudo isto visa assegurar que só pague quem não possa fugir ou não tenha representação efectiva na mesa do orçamento, na grande maioria da imprensa e nalguns blogs conhecidos.
    O direito a uma pensão normal foi adquirido com trabalho e cumprimento da lei.

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  8. ricciardi's avatar
    ricciardi permalink
    9 Julho, 2012 10:26

    Pois eu acho que estah a ver mal a coisa. Se não Eliminar as gorduras nunca terah a despesa com Salarios controlada. Mas se vc tomar medidas que eliminem a despesa, encerrando institutos, doando ou privatizando algumas empresas publicas deficitárias, encolhendo as juntas e câmaras etc, e ao mesmo tempo não contratar mais ninguém, a curto prazo a massa salarial global, sem ser necessário despedir, baixa consideravelmente.
    .
    Só no ano passado saíram 60 mil pessoas.Ora, se as não tivessem substituído teríamos uma redução de 10%. Não tem nada q saber.
    .
    De outro modo, a tomar medidinhas, quem vier a seguir pode fazer descambar outra vez as contas facilmente, porque o corte na despesa êh temporário.
    .
    Rb

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  9. João Branco's avatar
    João Branco permalink
    9 Julho, 2012 10:32

    “Só no ano passado saíram 60 mil pessoas.Ora, se as não tivessem substituído teríamos uma redução de 10%. Não tem nada q saber.”

    É verdade, mas a redução de despesa não foi de 60 mil ordenados, porque uma fracção desses saiu para a reforma e outra percentagem saiu para subsidio de desemprego… Ou seja, a redução natural (por atrito) embora funcione, só funciona no médio/longo prazo.

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  10. JC's avatar
    9 Julho, 2012 10:40

    Caro Miranda,
    .
    deixe-se de lançar valores ludibriosos:
    .
    “Numa análise à proposta de Orçamento do Estado para 2012, os técnicos independentes que dão apoio aos deputados calculam em 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) o impacto no défice do custo directo da nacionalização do BPN em 2010 e 2011, um valor que supera os 1,2% do PIB de impacto dos cortes nos subsídios de férias e Natal.” in Económico 26-10-2011
    .
    Você tem dado provas atrás de provas de pouca honestidade intelectual quando é necessário defender os seus pontos de vista.
    Esta foi só mais uma.

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  11. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    9 Julho, 2012 10:45

    JC,
    .
    Isso é irrelevante. O BPN não é estrutural. É um custo afundado.

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  12. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    9 Julho, 2012 10:46

    João Branco,
    .
    Obviamente, 67% da despesa.
    .
    O problema mantém-se. A parte estrutural são salários e pensões.

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  13. JC's avatar
    9 Julho, 2012 10:59

    A citação não era relacionada com o BPN. Foi apenas para não quebrar o parágrafo.
    .
    Era apenas para lhe mostrar o erro dos seus números. Ou então, é o Miranda que está correto e todos os outros errados…

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  14. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    9 Julho, 2012 11:01

    O JC pergunta: “e os cortes nos funcionários públicos não têm o mesmo efeito na receita que os cortes no privado?”
    E eu respondo: JC seja honesto, isso não é comparável. A pergunta é desonesta e mistura alhos com bugalhos.
    A redução dos salários da função pública e nas pensões de reforma, significam redução da despesa pública. Certo?
    A redução da massa salarial no sector privado pode significar diversas coisas: aumento dos impostos, aumento do resultado positivo da entidade patronal (se este for positivo, claro), podendo significar ainda, e o que é bem mais grave, a perda de emprego.
    Querer comparar estas duas realidades é atirar areia aos olhos do povo, o que é feio.

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  15. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    9 Julho, 2012 11:05

    O João Miranda gosta de generalizações/simplificações. Já num post anterior lhe atirei com a provocação de dizer ser falso que a redução de salários e pensões é a única forma de reduzir a despesa “estrutural”. So reduz a despesa “estrutural”, se esses ordenados e pensões a reduzir, forem daqueles de que o funcionamento dos serviços não necessitam ou são injustas.

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  16. JC's avatar
    9 Julho, 2012 11:05

    E é óbvio que a parte estrutural são salários e pensões.
    .
    A questão é como se pode cortar mais aí. Quer cortar nas pensões de 300€? Ou nos salários de 600€ dos auxiliares das escolas e dos cantoneiros das câmaras?
    .
    Ou quer despedir? E depois quem toma conta dos seus filhos nas escolas? (ah, ok, os seus estão no privado…) Quem recolhe o seu lixo e limpa a sua rua? (ah, ok, vive num condomínio fechado…) Quem trata das suas obrigações fiscais (ah, ok, ……)
    .
    Diga lá onde há funcionários públicos a mais. Ninguém leva a mal.

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  17. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    9 Julho, 2012 11:11

    Eu penso que a solução poderá estar nisto. Cria-se uma Parceria Público-Privada para a Saúde, Educação, Administração Interna, Justiça e todas as outras funções do Estado. Uma entidade privada recebe diretamente do Estado a verba necessária para garantir esses serviços e paga aos médicos, enfermeiros juízes, professores, militares e todos os outros.
    Assim, fica o problema resolvido de vez o problema da despesa estrutural.

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  18. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    9 Julho, 2012 11:12

    Assim, fica resolvido de vez o problema da despesa estrutural.

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  19. JC's avatar
    9 Julho, 2012 11:13

    #Tiro ao alvo

    Esta sua frase,
    .
    “A redução da massa salarial no sector privado pode significar diversas coisas: aumento dos impostos, aumento do resultado positivo da entidade patronal (se este for positivo, claro), podendo significar ainda, e o que é bem mais grave, a perda de emprego.”,
    .
    é paradigmática.
    Quando se confundem significados, causas e consequências nada mais há a debater.
    .
    Ainda assim, vou tentar esclarecê-lo quanto ao significado das minhas palavras, nessa minha frase que cita. Referia-me ao efeito da redução de salários no lado da receita. Isto é, a redução de salários no privado (seja por que via for) provoca naturalmente uma redução da receita, por força da contração do consumo. Certo?
    E a redução dos salários dos funcionários público não tem o mesmo efeito? Ou os funcionários públicos são tamanhamente irracionais ao ponto de, com menos salário, manter os níveis de consumo?
    .
    Capiche?

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  20. PMP's avatar
    PMP permalink
    9 Julho, 2012 11:22

    O que se verifica é que é irrealista um deficit abaixo dos 5,5% , se for à custa de aumento de impostos.
    .
    Assim, um corte na despesa superfula do estado de 2% do PIB ou seja 4% da despesa será suficiente .
    .
    É fácil cortar 4% da despesa do estado, começando por eliminar dezenas de organismos e chefias inuteis, bem como renegociar PPP’s e outras aldrabices.

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  21. alice samora's avatar
    alice samora permalink
    9 Julho, 2012 11:27

    Confunde-se muito despesa pública com funcionários públicos.
    Quais são os funcionários que querem dispensar? Os médicos? Os professores? Os coveiros?
    Experimentem:
    Fecahar a RTP. Assim só: Fechar sem mais conversa! A TAP! Cobrar a preços justos, a renda do espaço nacioanal às PPPs; Por cada presidente da câmara a receber o ordenado que recebia “cá fora” e despedir por extinção do posto de trabalho os restantes vereadores e staff adjacente.

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  22. pedro's avatar
    pedro permalink
    9 Julho, 2012 11:47

    DR joão: continua a fugir aos cortes no dispensável: observatórios,institutos desnecessários, PPP, Fundações para fuga ao fisco, comissões de pais, dos …..etc, frota do estado(pequena frota para governantes) . Se mexer com pessoas sai mais barato mandar-lhes o vencimento a casa,tinha a vantagem de evitar mordomias. Com tempo repensar as funções do estado e de acordo com uma ampla maioria(ps,psd,cds,pc e be) estipular o que o estado pode fazer. No meu entender, o estado tem de cortar 20000milhões de despesa ,claro que não podemos ter defesa e segurança ,esta saúde, esta educação. Como sabe o maior ministério em custos é o da dívida. Mas isto tem de levar-se a votos e a um amplo debate ,agora aqueles cortes nas ditas “gorduras” ou o o governo as faz ,ou passo também para a oposição para derrubar este governo o mais rápido possível. Mais de sócrates , não! E continuo que o corte nas gorduras tem de ser injectado na agricultura,pesca,indústria ,floresta, e de imediato e nada de estímulos socráticos. Parece que é moda ,essa dos estímulos!Dr joão não existe liquidez ,em breve as pessoas vão ter de fazer fotocópias de dinheiro para trocar umas com as outras.A recessão é muito maior do que dizem para aí .

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  23. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    9 Julho, 2012 15:57

    O JC perguntou “os cortes nos funcionários públicos não têm o mesmo efeito na receita que os cortes no privado?” E eu expliquei-lhe que o corte nos salários na função pública reflecte-se, essencialmente, numa redução da despesa pública, enquanto, e como disse o amigo, “os cortes nos salários do privado (seja por que via for) provoca naturalmente uma redução da receita” do Estado, digo eu, via IRS, mas provocará também uma redução das despesas das entidades patronais, com o correspondentes acréscimo nos resultados de exploração, com eventuais reflexos no aumento do IRC.
    Concluindo, parece-me que não sou eu quem está a confundir “significados, causas e consequências”.
    E assim sendo, concordo que “nada mais há a debater”.

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