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não precisamos de hayek para nada

9 Setembro, 2012
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Hayek? Para pôr em ordem um país que todos sabíamos há muito falido, com uma Constituição imobilista, e eternamente resistente a reformas? Não precisamos de Hayek para nada, caro João. Basta consultarmos o programa eleitoral com que o PSD de Pedro Passos Coelho ganhou as eleições, para encontrarmos o diagnóstico correcto dos nossos problemas e os princípios orientadores de políticas sensatas. Cito, a título de exemplo, as passagens seguintes (os sublinhados são meus):

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«A redução do défice público, mesmo quando contabilisticamente ocorreu nos últimos seis anos, foi de má qualidade, essencialmente à custa do aumento das receitas e não da redução das despesas.», p. 27.

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«Em relação ao aumento das receitas fiscais, o esforço será feito sem aumento de impostos, baseando-se na melhoria da eficácia da administração fiscal», p. 28.

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«Eliminação de estruturas sobrepostas entre o SPA e o “Novo Estado paralelo”, reduzindo o número de organismos e entidades», p. 28.

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«O PSD já identificou áreas de oportunidade que, no periodo da legislatura, apontam para um “mix” de consolidação orçamental essencialmente baseado na redução da despesa (no intervalo global entre 4 a 5 pontos percentuais do PIB) e de um aumento da receita fiscal, sem alteração da carga fiscal, por via do alargamento da base tributária e do combate à evasão fiscal.» p.. 29.

 .

«A austeridade não deverá afectar o rendimento real disponível dos grupos mais desfavorecidos da nossa sociedade (nomeadamente pensionistas) ao contrário do previsto no PEC4.»  p. 30.

«Aceleração das privatizações e da venda de activos não nucleares das Administrações Públicas e do SEE», p. 30.

 .

«A quebra da receita para a Segurança Social será compensada por consignação de receitas de impostos oriundas de outras fontes, a estudar no âmbito do OE/2012.»; p. 37.

«Nos últimos anos a fiscalidade portuguesa vem assumindo um papel negativo na economia, utilizada, como tem sido pelo poder executivo, como mero instrumento de aumento das receitas e de cobertura do despesismo e das ineficiências do Estado. Ao invés de favorecer uma actividade económica forte e sustentável, o actual sistema fiscal virou-se predominantemente para maximização da arrecadação de receita, ignorando os efeitos sobre a economia. Acabando por não servir nem a economia, nem as finanças públicas.», p. 44.

 .

«Uma apropriação excessiva pelo Estado de meios financeiros gerados pelos agentes económicos tem imediatos reflexos negativos na economia. Os efeitos na produtividade são devastadores»,  p.  45.

«Existe abundância de evidências que demonstram, à saciedade, que níveis elevados de despesa pública e da consequente carga fiscal potenciam, não o desenvolvimento, mas o decréscimo do produto, o desemprego e a crise económica. Ao contrário, uma fiscalidade adequada constitui um elemento fundamental de captação do investimento, criação de emprego, desenvolvimento e estabilidade social.» p. 46.

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Há pouco mais de um ano, escreveste, caro João, sobre o primeiro anuncio de aumento de impostos do governo de Passos Coelho, que ele confessava, por essa forma, não ter «tomates para reduzir a despesa pública». Viste, entretanto, ao longo deste ano, algum ímpeto reformista, ou alguma contenção fiscal, que nos permita mudar de ideias?

27 comentários leave one →
  1. henrique pereira dos's avatar
    henrique pereira dos permalink
    9 Setembro, 2012 06:01

    rui a. é impressão minha ou tem andado distraído com a execução orçamental? Ao olhar para a execução orçamental o que verifica é um problema sério no desvio das receitas previstas (menores que o previsto) e um desvio, também sério, no desvio das despesas (também menores que o previsto). Ou seja, tem havido uma diminuição de receita apreciável. Para além disto não consigo perceber como consegue ver um aumento da carga fiscal (no seu sentido alargado, não vale a pena perdermos tempo com preciosismos técnicos sobre se a taxa social é um imposto ou não) no que foi agora decidido por passos coelho, porque o que foi decidido foi uma transferência de carga fiscal das empresas para a classe média. Pode-se discordar do aumento da carga fiscal para a classe média, mas não se pode é confundir uma transferência de carga fiscal com um aumento.
    Já agora, aidna não percebi muito bem onde quer cortar despesa mais rápido, visto que só tenho visto proclamações um bocado vazias sem explicar quanto e como se materializam as suas propostas de redução da despesa.
    henrique pereira dos santos

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  2. henrique pereira dos's avatar
    henrique pereira dos permalink
    9 Setembro, 2012 06:02

    Onde escrevi uma diminuição da receita aprciável queria escrever uma diminuição da despesa, mas penso que se percebe face ao que digo no comentário.

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  3. António Pedro Pereir's avatar
    António Pedro Pereir permalink
    9 Setembro, 2012 07:04

    Senhor Rui a. (de ignorante):
    Não começa por a mas está lá, é a 6.ª letra.
    Deixe estar a Constituição como está que está muito bem.
    Se ainda não percebeu que é o Seguro de Vida dos «liberais à portuguesa», que mamam do Estado e vociferam contra ele não percebe nada disto.
    Desde que foi aprovada, em 1976, com os votos contra apenas do CDS, que deu ali o 1.º sinal de vida, que ela tem sido a bandeira, o Seguro de Vida de todos os que querem fazer o que sempre fizeram: explorar todos os de baixo, trabalhadores, classes médias, em proveito de apenas uma clique que sempre viveu à conta da mais reles exploração e das benesses do Estado (que abomina, em palavras).
    Enquanto houver esta Constituição há uma desculpa para duas coisas:
    1.ª – o ataque à mesma com medidas que visam a salvação do país (embora o país para os «liberais à portuguesa» se confunda com eles);
    2.ª – a desculpa para que não vivamos melhor.
    Desde 1976 que não tem sido feito outra coisa senão ir tomando medidas contra a Constituição, que, afinal é tão elástica que tem suportado tudo.
    Bem-dita (ou mal–dita) Constituição, conforme se queira ver o problema.

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  4. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    9 Setembro, 2012 07:58

    Mas o programa eleitoral tinha alguma ideia concreta?
    .
    Viste, entretanto, ao longo deste ano, algum ímpeto reformista, ou alguma contenção fiscal, que nos permita mudar de ideias?
    .
    Rui, a redução efectiva de professores de EVT em 50% e dos restantes em percentagens menores não representou uma redução na despesa?
    A suspensão das admissões que já estavam previstas nas forças armadas e de segurança – conduzindo a uma redução dos efectivos por não haver compensação das saídas para a aposentação – não representa uma redução concreta de funcionários públicos?

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  5. Pedrum's avatar
    Pedrum permalink
    9 Setembro, 2012 08:47

    Rui, é fácil dizer, vamos todos cortar a despesa. Mas não existe nenhuma forma fácil de o fazer, é um terreno fortemente minado por décadas de socialismo, basicamente é um caminho penoso que se conquista metro a metro desmontando todas as bombas e com todos os interesses e classes a disparar de todos os lados. E é provável que este governo também acabe por falhar, é uma luta desumana, e é esse o nosso drama, ninguém vai conseguir resolver isto. Acha que por exemplo a diminuição das indemnizações por despedimento foi para que ? Teve a ver com o Estado, e não com o sector privado como a maioria pensará, pois as indemnizações eram tão altas que o sistema criou uma forma viciosa em que não valia a pena despedir funcionários públicos em excesso pois ficaria mais caro despedi-los do que mante-los. Repare como todos os interesses instalados se agitam tanto, onde quer que se mexa. Achar que é fácil desmontar esta bomba é um pensamento redutor. Não vai ser fácil, se calhar é mesmo impossível, começo a dar razões a alguns de que se calhar mais vale é falirmos de uma vez, deixar rebentar isto tudo.

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  6. Carlos Ferraz's avatar
    Carlos Ferraz permalink
    9 Setembro, 2012 08:56

    O rui a. é como o joão miranda enão tem a mais pequena ideia da situação em que estamos.
    Quanto mais será preciso para estes liberais acordarem?
    Já agora… o joão miranda também não os tem no sítio…é ler as pseudo propostas que às vezes lhe saem.

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  7. fado alexandrino's avatar
    9 Setembro, 2012 09:01

    «A quebra da receita para a Segurança Social será compensada por consignação de receitas de impostos oriundas de outras fontes, a estudar no âmbito do OE/2012.»; p. 37.
    Se alguém ler isto pela segunda vez verá que é autêntico mambo jambo.
    Estudar, vamos ver, comissão de análise, grupo de trabalho é tudo a mesma merda que no fim dizem “nim”.

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  8. Me's avatar
    9 Setembro, 2012 09:04

    acontece que programa é para inglês ver. o problema é político..é de aí que deriva o económico , logo , se não refomarem o sistema , se não reduzirem o número de bocas , se não arranjarem forma de responsabilizar as sequiosas pelos resultados da governação continuaremos sempre com gentalha trapalhona e atrevida , sem o menor respeito pelo país e pelas pessoas , e com problemas reais cada vez maiores. quando dizem para aí que portugueses não têm espírito cívico e hábitos de cidadania não esquecer que isto se aplica a governados e governantes e do lado dos governantes esta lacuna tem consequências graves para todos. há que civilizá-los , nem que seja à bala se com a lei não forem lá -:)

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  9. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    9 Setembro, 2012 10:26

    o Blasfémias tem um especialista em assuntos da Banca (LR?) e podia ajudar-nos a entender QUANTO ganhou e pode vir a GANHAR a banca portuguesa com programa de compra de dívida do BCE decidido por estes dias. Pode aproveitar e fazer-nos os cálculos de QUANTO poderão ser os proveitos – mais valias e diminuição da exposição à dívida portuguesa e, então, ter-mos uma ideia de quanto o sector vampiro poderia contribuir para o aumento das receitas fiscais.

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  10. Gonçalo's avatar
  11. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    9 Setembro, 2012 11:40

    Uma pergunta prática ao Rui.
    .
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    Como é que Vc. privatiza as empresas deficitárias sem estoirar com o défice e o Memorando da Troika. Pode-me explicar estas simples questão prática? Obrigado.

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  12. PR's avatar
    9 Setembro, 2012 11:49

    Parece-me que com este post o Rui A. só acaba por dar ainda mais razão ao JM. Esse “programa” não tem uma única medida de corte de despesa: fala vagamente dos problemas trazidos pela subida da carga fiscal, refere privatizações [que não têm impacto no défice] e fala de reorganização administrativa, que padece dos problemas que o JM aponta. A única ‘medida’ de corte de despesa não é mais do que declaração de intenções sem substância: dizer que se vai reduzir a despesa.

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  13. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    9 Setembro, 2012 12:08

    Concordo em absoluto com o PR. Este governo está a aprender que, uma coisa é quando estamos de fora a mostrar cartas de intenção. Outra é quando se chega ao poder, além de encontrarem tudo minado, têm a Constituição que os limita, o próprio Memorando da Troika, a falta de acesso a fontes de financiamento, as corporações, os lobbies, a oposição, o Tribunal Constitucional e até o próprio Presidente da República, que até é da mesma cor dos partidos. lololol
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    Ou seja, é como aquela anedota do tipo que ia ser pai pela primeira vez. E dizia ao amigo, olha sabes?, eu tenho quatro teorias para criar um filho, estou indeciso qual delas adoptar. Anos depois, volta a encontrar o amigo e este pergunta-lhe como estão os filhos. Ao que ele responde, sabes? antigamente eu tinha quatro teorias para criar um filho, hoje já tenho quatro filhos e nenhuma para os criar. ehehhehh
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    Este governo, em especial o Passos Coelho também pensava que ia ser tudo fácil. Mas depois chega lá e perde de vez a lata e descobre que as coisas são mais complicadas que cortar na despesa e baixar a carga fiscal. Vai daí que aumenta a carga fiscal, ao arrepio de todas as suas promessas, e até o cortes na despesa não são tão simples e rápidas como eles pensavam que ia ser. Para cereja no bolo, não têm dinheiro para financiar as suas próprias reformas estruturais do lado da despesa do Estado. E, crucial nesta questão dos dias de hoje, nem sequer têm tempo para respirar, tal o aperto em termos de calendário para agradar aos credores e financiadores e aos próprios mercados.
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    Mas estes ainda estão a fazer alguma coisa. Os pelintras dos ingleses, tidos como exemplo para alguns liberais de pacotilha que porfiam pelos blogues da moda tugas, só souberam despedir funcionários públicos e, em vez da despesa ter caído, ela continua a subir, a economia afunda-se e estão dependentes da máquina de impressão do Banco Central.
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    Para quem apenas tem um martelo, tudo lhe parece um prego. Não há dinheiro? Baixa-se os impostos e despede-se funcionários públicos. A economia não cresce? Baixa-se os impostos e despede-se funcionários públicos. A economia não consegue financiar-se normalmente? Baixa-se os impostos e despede-se os funcionários públicos? O mercado de trabalho não reage imediatamente a mudanças estruturais na economia? Baixa-se os impostos e despede-se funcionários públicos.
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    Para quem tem um apenas um martelo, todos os problemas lhe parece pregos. E por isso, é ver essa gente de volta da Hayek, das mises, etc. Em termos teóricos eles sabem os dogmas, em termos práticos são como o Passos Coelho, se chegassem ao poder, ou mandavam fusilar meio país ou faziam igual ou pior que este governo. lollolol

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  14. zazie's avatar
  15. zazie's avatar
    zazie permalink
    9 Setembro, 2012 12:10

    Também deve ser problema da Constituição:
    .
    «TAP e CGD escaparam aos novos cortes salariais. Um grupo de 18 institutos vai custar mais 1,4 milhões do que deveria. E o IGCP virou empresa para pagar mais aos administradores».

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  16. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    9 Setembro, 2012 12:26

    Exacto. Cortar 1 ou dois milhões de euros em salários de empresas em mercado aberto relativamente competitivo iria baixar o défice orçamental na casa dos 11 mil milhões, em 2011. E em empresas que vão ser privatizadas, ainda por cima.
    .
    .
    É o problema desta gente. Querem poupar no farelo e gastam na farinha. ehehehehehh
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    O LR, aqui há tempos dizia assim: serão precisos cortar cerca de 30 mil milhões de euros. Não são tantos, mas são muitos milhões. E anda tudo de volta das migalhas pensando que o grosso da despesa ia-se manter intocável.
    .
    .
    O Medina Carreira, que é homem com juízo, sobre esta questão das despesas do Estado, tem andado aos quatro ventos a dizer o mesmo: sem cortar nas ditas despesas sociais (em Portugal acima dos 20% do PIB e digo-o de memória) e nos salários, nunca o défice será cortado a sério. O Governo ontem anuncia um corte na despesa neste tipo de despesas e a malta junta-se ao BE e aos interesses corporativos na ideia progressista da desobediência civil. ahahhahah
    .
    .
    Por acaso, estive a ver por alto uma coisa. O governo pelintra inglês, tido como benchmark para muitos nossos liberais de pacotilha, além de despedir funcionários públicos mas com a despesa a subir na mesma, na prática tem cortado menos no número de funcionários públicos que o próprio governo português. E esta hein?

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  17. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    9 Setembro, 2012 13:21

    Os liberais de pacotilha tugas, sempre a seguirem as últimas dos blogues da moda estrangeiros e em especial os pelintras ingleses. querem resultados imediatos para Portugal. Já e mais nada!, dizem eles. Os demais merecem tolerância (as reformas levam tempo a dar os seus efeitos, dizem eles). Os demais, leia-se, pelintras estrangeiros, porque os portugueses têm que mostrar resultados logo no primeiro dia em que chegam ao poder. Crtitérios.
    .
    .
    Mas eu gosto de apreciar o falhanço dos pelintras ingleses, que também pensavam que era apenas cortar nos funcionários públicos e baixar a carga fiscal. (Para atrair os ricos escorraçados pelo Hollande. lolol)
    .
    Estes pilantras ingleses, também apreciadores da marca Hayek (mas não a melhor Hayek, aquela mamalhuda atraente, claro) achavam que iam conseguir baixa a despesa pública com despedimentos de funcionários públicos. E desde que chegaram ao poder, foi sempre a correr com eles, mas agora a um ritmo lento, pois afinal não estão a conseguir os resultados apregoados e o povo inglês já está farta de pelintras que só conhecem o Hayek pelas sebentas.
    .
    .
    Apesar dos despedimentos nos funcionários públicos (e esta a diminuir o número deles a uma velocidade muito menor que Portugal, onde estes liberais de pacotilha não deixam sequer respirar nem dar o beneficio da dúvida que dão aos pelintras ingleses), a despesa pública inglesa continua a subir e o défice só baixa em termos nominais, pela via da… Inflação. (Ah! Por isso eles defendem a máquina de impressão para a Libra mas já não para o Euro. lol)
    .
    Último relatório da execução orçamental do governo pelintra inglês:
    .
    “central government current expenditure growth of 3.5 per cent in the first four months of 2012-13 compares to a full year forecast in the March EFO of 3.1 per cent. However, expenditure data is volatile on a monthly basis and is often
    revised; ”
    .
    in http://budgetresponsibility.independent.gov.uk/wordpress/docs/Aug-2012-PSF-Commentary-3.pdf
    .
    .
    Mas há mais, dos pelintras ingleses, que são o benchmark dos nossos liberais de pacotlha:
    .
    “growth in central government receipts of 1.1 per cent in the first four months of the financial year is well below the full year forecast in the March EFO of 3.9 per cent”
    .
    .
    Eu ontem chamei à atenção para o falhanço completo do governo pelintra inglês. (Que em tudo semelhante ao nosso Sócrates, agora emigrante em Montmartre.) O estimado Rui disse que lá as reformas levam tempo. Mas em Portugal ele quer resultados imediatos. lolol
    .
    .
    Os pelintras ingleses, dogmáticos dos Hayek e Mises deste mundo estão a bater com os burrinhos na água. Afinal, nem a economia cresce com baixas na carga fiscal (atrair ricos não faz dinamizar as economias, mas estes pelintras acham o contrário) como até a economia se afunda, apesar de andarem consecutivamente a despedir funcionários públicos. Mas quando a economia afinal em vez de crescer começa a afundar-se, mesmo com cortes no funcionalismo público, os pelintras ingleses abrandaram os despedimentos, pois afinal, ao contrário da despesa cair, sobe. O ministro das finanças inglês, o tótó mais completo da Europa naquele lugar, parece um barata tonta. Aprendeu a governar na sede do seu partido, a ler Hayek, Mises, Rand e toda essa catraifada de papas, que estes novos pelintras ingleses gostam de seguir.
    .
    .
    É muito triste ao que chegaram os nossos liberais de pacotilha. Por um lado, os seus amigos ingleses estão a bater com os burrinhos na água. Por outro, eles estão tão confusos que agora juntaram-se ao BE e defendem a desobediência civil. Nos cursos do BE pode ser que aprendam também a partir montras nas ruas, porque não? lolol
    .
    .
    Estes nossos liberais de pacotilha, sempre a seguir as últimas modas inglesas, estão agora confusos. Como das ilhas os resultados são o contrário do que eles pensavam que seriam, viraram-se para o BE. Aposto que muitos destes liberais de pacotilha juntaram-se à festa do Avante, para lutar contra esta bergonhosa carga fiscal. (Hoje até o Louçã é liberal, já que está contra a carga fiscal. ehehehehe)
    .
    .
    Estes liberais de pacotlilha já foram contra o euro, a máquina de impressão, contra a austeridade, já pediram calotes e até já pediram desvalorizações salariais. Mas agora que vem mesmo uma desvalorização salarial, que eles pediam, estão fodidos. Não querem. Pensavam que essa coisa da desvalorização salarial era para os outros. Para os funcionários públicos, para os reformados, menos para eles. Mas agora que vão provar do veneno que pediam antes, já chiam. Bruxo! Eles defendem austeridade mas é para os outros, porque o que eles querem é pagar menos impostos. lolol
    .
    .
    São uns tristes, estes liberais de pacotilha. Diziam que era impossível pagar a dívida pública sem calotes, que nunca iriamos voltar a ter taxas de juro mais baixos e que até seria impossível exportar e acabar com o contínuo endividamento ao estrangeiro, sem sair do euro e uma desvalorização competitiva. Mas o mais anedótico, destes liberais de pacotilha, é que pediam a saída do euro e desvalorizações cambiais, que em termos práticos, é uma desvalorização do poder de compra. Mas agora que vão sofrer na pela a tal desvalorização salarial, amuaram o betinhos. Pediram o veneno mas agora que já lhes chega aos bolsos, já chiam. Oh se chiam! Parecem baratas tontas.
    .
    .
    Sempre desconfiei destes betinhos que aderem a modas. Há uns anos atrás entravam em catadupa no BE. De um momento para o outro, deram em liberais. Porquê? Para pagar menos impostos e despedir funcionários públicos. Porque a austeridade é para os outros. Tótós! eheheheheh Alguns destes novos liberais de pacotilha até me queriam ensinar o que era o Hayek, o Mises, completos neófitos destas andanças, crentes que viram a luz que alumia o sol e que os demais são ignorantes como eles. Dá-se! Com estes novos liberais de pacotilha, eu quero distância. Muita distância. Hoje acham-se liberais, como antes aderiam ás modas bloquistas como amanhã, se calhar, mudam de agulhas para uma nova moda. ehehehehh Não, mais vale só, que mal acompanhado.

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  18. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    9 Setembro, 2012 13:52

    Muito bem Rui, é isso tudo.

    Mas ainda ontem assistimos ao vice-presidente do PSD pateticamente a perguntar ao PS que se não quer este aumento da carga fiscal agora anunciado, que diga onde é que pretende cortar.
    Ele não querem mesmo mexer em nada. Acham que é tudo para manter como está e portanto tem de ser pago pelos do costume.

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  19. Bovino's avatar
    Bovino permalink
    9 Setembro, 2012 14:16

    “Viste, entretanto, ao longo deste ano, algum ímpeto reformista, ou alguma contenção fiscal, que nos permita mudar de ideias?”

    E obvio que ao longo deste ano o JM encontrou uma via de se juntar a corja que nos governa

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  20. rr's avatar
    9 Setembro, 2012 14:16

    AC: Loulá liberal?? Que pede para taxar transacoes bolsistas e e aumentar impostos aos mais ricos? Pior do que um liberal de pacotilha é um chanfrado como voce, que não sabe o que quer e que nao diz coisa com coisa.

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  21. castanheira antigo's avatar
    castanheira antigo permalink
    9 Setembro, 2012 14:48

    O socialismo continua com passos coelho e em grande forma .Faz aquilo que socrates faria no seu lugar . O mais simples que é “cavalgar” sobre a classe média . Porquê ? Porque não há dinheiro e os credores exigem contrapartidas , entando-se nas tintas para quem as paga.
    O sistema nunca será reformado por aqueles que dele beneficiam : ps , psd , cds , be , pcp .
    A classe media continuará a pagar até á sua extinção.
    Os “bandos” governantes continuarão a ter um poder absoluto e a definir leis não claras , não transparentes , não simples e não universais .
    A justiça continuará a não funcionar e a vestir o “avental” .
    O regime cairá de podre quando a classe média que realmente trabalha e sustenta uma mole imensa de parasitas , se revoltar e deixar de trabalhar ou emigrar tal como já fizeram á muito os investidores e criadores de emprego.

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  22. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    9 Setembro, 2012 14:52

    Eu apreciei o discurso de AC quanto às contradições dos nossos liberais. Não sinto necessidade de concordar com tudo, mas bate certo na sua maioria.
    A ingenuidade de rui a. também é apreciável (a leitura do programa do PSD e a crença de rui a. no seu cumprimento a isto me levam). E bonita. Quando olho para a imagem de um anjo, gosto de ver aquela inocência, bondade e candura que o carateriza. 😉
    Já agora, o que falta a PPC e ao governo não é o par de tomates apresentado na foto. O que falta mesmo é saber como se capam os tomateiros para que eles produzam mais tomates.
    E o homem disso não percebe puto. E a verdade é que, depois de Sócrates, ter um primeiro-ministro que não aplica nada do que disse, porque nada do que disse era aplicável, não há-de agradar nada aos liberais tugas, nem àqueles que o não são.

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  23. castanheira antigo's avatar
    castanheira antigo permalink
    9 Setembro, 2012 14:53

    … tal como já fizeram há muito os investidores…

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  24. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    9 Setembro, 2012 14:53

    Se a redução do défice se fizesse com tomates…
    elegia-se para PM uma estrela porno.

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  25. Cáustico's avatar
    Cáustico permalink
    9 Setembro, 2012 15:16

    A bem dizer isto é tudo culpa do socialismo, da constituição e do Sócrates.
    São estes os verdadeiros culpados da incompetência e do amadorismo do governo.
    São estes os culpados de este governo ter falhado quando já se sabia, há muito, que iria falhar.
    É a “esquerdalha” a culpada de estas mezinhas mal enjorcadas, preparadas por uns aprendizes do liberalismo que só leram os “abstracts”, terem agravado a gangrena.
    Mandem um drone a Paris…

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