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Pode haver esperança depois dos tempos sombrios?

26 Outubro, 2012
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Hoje, no Público, reflecti sobre este tempo em que o relógio da História parece ter começado a rodar ao contrário e em que não sabemos como lidar com as novas realidades:

Há dias em que uma pessoa nem acredita no que ouve. Então não é que Jorge Sampaio, numa das muitas entrevistas que deu a propósito do lançamento da sua biografia, decidiu considerar que a sua inoportuna e lamentável frase sobre haver vida para além do défice era hoje mais actual do que nunca? Compreende-se que uma adolescente como a que beijou o polícia no 15 de Setembro faça declarações a lamentar a existência de dinheiro, escusando-se a explicar, por exemplo, sobre que critério seguiria para trocar laranjas por umas sandálias novas. Já se compreende pior que um antigo Presidente da República insista numa boutade politicamente explosiva que muito ajudou a estragar o debate político e a permitir que nos enfiassem no poço negro onde hoje desesperamos. Bem sei que é de bom tom, em certos sectores da esquerda lunática, duvidar da genuinidade da dívida que pesa sobre o nosso presente e o nosso futuro, mas ver uma figura como Sampaio regressar à desculpabilização do défice quando se sabe que a dívida não é mais do que os défices acumulados de muitos e muitos anos, deixa qualquer um incrédulo. Pelos vistos Mário Soares não estará sozinho: há um outro antigo Presidente que também acha, porventura como achará a rapariguinha dos longos caracóis, que isto do dinheiro (ou do défice, ou da dívida…) não é problema, pode-se sempre mandar imprimir mais notas.

No mesmo dia em que Sampaio voltou à tona, foi conhecida uma importante sondagem. Não a relativa ao próximo Presidente da República ou ao próximo líder do PSD, um tipo de exercício fútil que delicia os corredores da Assembleia e alimenta as especulações das redacções, mas a que revela preferirem os portugueses (82,1%) os “cortes na despesa” ao “aumento de impostos”. É uma boa notícia e um sinal de que, após décadas em que só se pedia ao Estado para gastar mais e mais, os cidadãos começam a perceber que isso também implica mais e mais impostos. O problema vem a seguir: cortar sim, mas não na educação nem na saúde, ou seja, não nas áreas onde o Estado gasta a maior parte do dinheiro dos impostos. O que nos conduz a um paradoxo: a população quer um Estado social mas não quer pagá-lo. Ou, se preferirmos, quer um Estado social mais dispendioso do que aquele que os nossos impostos são capazes de pagar. Nisso Vítor Gaspar tem razão. E é por isso que os próximos meses, os próximos anos, vão ser muito duros, pois vai ser preciso chegar a um novo consenso sobre o que queremos que o Estado nos dê e quanto estamos dispostos a pagar. Até lá, não haverá soluções que não sejam muito dolorosas.

Por entre todas estas dificuldades, começa-se a ouvir um discurso que é muito, mas mesmo muito, perigoso. Vem curiosamente de diferentes quadrantes políticos mas converge num ponto: o questionamento da democracia. Por um lado, há quem proclame (Sampaio foi, de novo, e para nossa desgraça, uma dessas vozes) que a austeridade põe em causa a democracia. De acordo com esta tese, tempos difíceis de cortes podem precipitar o fim do regime. Do outro lado, há quem recorde (nalguns casos com angústia, como sucedeu com César das Neves) que a dificuldade em “controlar a despesa pública” pode muito bem ser “um traço estrutural português só resolvido em ditadura”. É bem verdade que o nosso passado não é o mais tranquilizador, mas a ideia de que em democracia não se pode impor a austeridade é, em si mesma, uma ideia autoritária, uma ideia que menoriza a capacidade de os eleitores, mesmo rangendo os dentes, escolherem um caminho diferente do que nos encheu de défices e dívidas. Há muitos sectores que alimentam a ideia de que a democracia tem de continuamente entregar aos eleitores uma dose suficiente de prosperidade para que estes não desanimem ou se deixem tentar por autoritarismos. Ora a democracia não é garantia de prosperidade (apesar de ser a melhor forma de governo para assegurar essa prosperidade). As democracias maduras, como as anglo-saxónicas, mostram-nos que é possível viver longos anos de dificuldades, mesmo de dura austeridade, até de chegar ao ponto de enfrentar a catástrofe de uma guerra, sem nunca colocar em causa o regime ou cair na tentação das revoluções. É tempo de interiorizarmos que são democracias assim as que desejamos, e não ir por caminhos onde o discurso sobre a defesa da “democracia social”, por exemplo, pode levar-nos a novas formas de autoritarismo.

Na vida das sociedades, a necessidade de mudança chega sempre antes da percepção de que é preciso mudar. A zanga de uma professora primária de 56 anos que, de acordo com o Jornal de Negócios, se queria reformar em 2013 e já não vai poder fazê-lo é um bom exemplo disso. Apesar de ter 35 anos de serviço, essa professora tem hoje a esperança (estatística) de viver mais 25 a 30 anos. Se se reformasse já, com a reforma por inteiro, o sistema ter-lhe-ia de pagar pensões durante quase tanto tempo como aquele que teve de vida activa, o que nunca será sustentável. Apesar de conhecermos os dados da esperança de vida, apesar de todos dizerem que aqueles que têm hoje 30 ou 35 anos nunca receberão senão um pequena fracção do que essa professora um dia receberá, o seu “drama” foi notícia de jornal. Nada de grave, mas muito de revelador: criaram-se expectativas que a economia e a demografia já não conseguem suportar e muito poucos são capazes de antecipar os problemas futuros (ou até os problemas presentes) e falar com clareza. Durante muitas décadas, a evolução das sociedades permitiu, no Ocidente desenvolvido, que, ao longo da vida, se fossem quase sempre superando as expectativas, agora estamos num tempo em que o relógio da História começou a rodar ao contrário e não sabemos como lidar com as novas realidades. É por isso que Portugal não deve, não pode, sonhar sair do poço para regressar ao tempo falsamente luminoso de há 10, 15 anos. Quando virmos a luz ao fundo do túnel será uma luz diferente e um quotidiano mais modesto, mas não obrigatoriamente pior.

Até há 200 anos, nenhuma sociedade conseguira crescer mais de um por cento ao ano por um período longo. E apenas viviam mil milhões de humanos no planeta (hoje somos sete mil milhões). Depois, primeiro em países como o Reino Unido, a Alemanha, a Suíça, os Estados Unidos ou o Canadá, a seguir em todo o Ocidente, mais recentemente a uma escala quase global, assistimos a um ritmo de desenvolvimento que permitiu que centenas de milhões de cidadãos das classes médias vivam hoje com mais conforto (mas menos luxo) do que os Crawley de Downton Abbey. Este milagre talvez não se possa projectar para a eternidade e temos de estar preparados para isso. No mundo desenvolvido, já desapareceu a capacidade de crescer em número de habitantes e está agora a desaparecer a capacidade de crescer economicamente. Ainda há pouco tempo, Martin Wolf, do Financial Times, dedicou uma das suas crónicas ao fim do crescimento ilimitado. Acontece, porém, que sistemas políticos e sociais desenhados para crescimentos sustentados de três por cento ao ano têm hoje de ser repensados para crescimentos anémicos de apenas um por cento, ou menos, como os que foram regra até há 200 anos. É isto que está a acontecer à nossa frente e ainda nos recusamos a acreditar, mas o mais provável (até por razões ambientais) é que nunca regressemos aos ritmos de crescimento que permitiam sustentar os nossos estados sociais e dívidas gigantescas. Não é dramático que isso aconteça se soubermos recalibrar os nossos hábitos e modos de vida. Afinal, para se ser da “classe média”, talvez não seja necessário ter um bom automóvel, uma segunda habitação e passar férias no estrangeiro. Para termos esperança depois destes dias sombrios temos de começar a tentar perceber que estamos a entrar num outro tempo, e adaptarmos as nossas expectativas. Keynes tinha previsto que o aumento da produtividade levaria a que se trabalhassem menos horas para manter a qualidade de vida, mas as sociedades preferiram enriquecer e consumir. Talvez neste caso seja caso para escutar o conselho de Keynes.

32 comentários leave one →
  1. Grunho's avatar
    Grunho permalink
    26 Outubro, 2012 20:15

    Hoje em vez de dizer que há vida para além do défice teria que dizer que há vida para além do austeritarismo.

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  2. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    26 Outubro, 2012 20:25

    a república está entregue a advogados e juizes chicaneiros.
    os ‘comilões do orçamento’ promovem campanhas anti-troica nas tvs e na rua.
    os pobres e desempregados cheiram mal

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  3. economista's avatar
    economista permalink
    26 Outubro, 2012 20:30

    … Sampaio e Mario Soares ! Esqueceu Cavaco ou já não sabe fazer contas ?

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  4. RCAS's avatar
    RCAS permalink
    26 Outubro, 2012 21:10

    jmf, faz-me um favor…Trata-te!

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  5. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    26 Outubro, 2012 21:15

    “Compreende-se que uma adolescente como a que beijou o polícia no 15 de Setembro faça declarações a lamentar a existência de dinheiro, escusando-se a explicar, por exemplo, sobre que critério seguiria para trocar laranjas por umas sandálias novas”.
    Ó JMF, então não tem lido as notícias sobre o que se passa na Grécia? É que isso está a ser lá feito.

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  6. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    26 Outubro, 2012 21:25

    Meter Keynes neste assunto equivale a pedir a um curandeiro medieval para resolver o problema da peste negra.

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  7. samuelquedas's avatar
    samuelquedas permalink
    26 Outubro, 2012 21:28

    “duvidar da genuinidade da dívida”

    Belo eufemismo para TER A CERTEZA DE ESTAR A SER ROUBADO POR ESPECULADORES. 🙂 🙂

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    • financeiro's avatar
      financeiro permalink
      26 Outubro, 2012 22:40

      … e não seria bom saber quem são os credores ? O BES ou a UBS ou o zé da esquina não são a mesma coisa …

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  8. Bolota's avatar
    26 Outubro, 2012 22:27

    ” …o relógio da História parece ter começado a rodar ao contrário e em que não sabemos como lidar com as novas realidades”
    jmf,
    Qual o peso da sua acção enquant0 jornalista no funcionamento do relogio da historia??? Para quando um acto de humildade e faz mia culpa pelas pedras que colocou na engrenagem ao longo destes ultimos anos de democracia???

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  9. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    26 Outubro, 2012 22:33

    E pagam-lhe para escrever estas merdªs.

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  10. J.J.Pereira's avatar
    J.J.Pereira permalink
    26 Outubro, 2012 22:43

    Uma engravatada vacuidade, eis tudo.
    Ter sido Presidente da República diz muito do povo que somos…

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  11. General's avatar
    General permalink
    26 Outubro, 2012 23:10

    Que texto mais fraquinho do JMF , está a perder a forma , assim tipo fraquinho como o actual PM. Agora quanto ao adjunto Moedas , esse sim vai à missa e mexe os cordelinhos mais o colega Borges com o Relvas a aparar! Então e voçê agora vem à baila com o Soares é fixe e o vota Sampaio ? Porque não tem uma consulta com o outro Sampaio , talvez ele o entenda. Não conheço jornalista que lave mais branco especuladores como o nosso querido cromo JMF .

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  12. XisPto's avatar
    XisPto permalink
    26 Outubro, 2012 23:43

    Claro que tem que haver esperança. É o mínimo que se exige, já que recorda os tempos do estúpido assassinato de Ribeiro Santos.

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  13. jonas's avatar
    jonas permalink
    27 Outubro, 2012 01:07

    Não há mais esperança.
    Passos e o Gaspar, presunçosos, não largam a maratona, até darem cabo disto, dá-lhes gozo, quais dois autistas .

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  14. O SÁTIRO's avatar
    27 Outubro, 2012 04:13

    a esquerdalhada é assim
    veja-se o exemplo dos comunistas chineses:
    http://www.asianews.it/news-en/Wen-Jiabao's-family,-net-worth-of-US$-2.7-billion-26199.html

    fortunas BILIONÁRIAS dos dirigentes comunas
    enquanto o povo operário e rural é explorado de forma selvagem

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  15. SM's avatar
    27 Outubro, 2012 04:21

    V. Exa. enferma de uma análise redutora do problema da segurança social. Sob o seu prisma de análise tem razão sobre o impacto da esperança de vida após a idade da reforma. Mas é necessário ir mais longe na análise, especialmente na parte contributiva.

    A segurança social baseou-se no desconto de grandes massas de trabalhadores. Foi a época das grandes fábricas, da grande indústria, do trabalho intensivo. Mas a realidade mudou. O valor acrescentado mudou do trabalho intensivo para o conhecimento. Uma fábrica de sapatos com 100 trabalhadores produz 1.000 de valor e desconta 100 e uma empresa criativa de serviços com 10 trabalhadores produz 10.000 de valor e desconta 20.

    Os descontos devem ser sobre o valor acrescentado. Acabou a época do trabalho intensivo, o desemprego estrutural é um dado concreto, cada vez haverão menos postos de trabalho e cada vez mais postos de trabalho de baixa remuneração. Existem duas alternativas: (1) a ideia de JMF de que é preciso empobrecer (excepto os 5% de topo) e passar a viver assim ou (2) encarar a distribuição da riqueza em outros moldes.

    Sobre a segunda opção implica trabalhar menos horas sem uma redução substancial da remuneração e não subir a idade da reforma para os míticos 70 anos para que o trabalho existente cada vez um bem mais escasso possa ser distribuído por mais pessoas. A distribuição da riqueza deve ser feita essencialmente através do trabalho. Por outro lado, a fiscalidade e a segurança social devem ser efectivamente calculadas sobre o valor acrescentado. E dispenso a ideia de que se fala em confisco da riqueza, em debulho de quem produz, porque a concentração de rendimentos nos 5% de topo não reconduz a nenhum investimento salvador e no fim de contas tudo se trata de opções sobre em que modelo de sociedade queremos viver.

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  16. Tiradentes's avatar
    Tiradentes permalink
    27 Outubro, 2012 07:09

    “Ter a certeza de estar a ser roubado por especuladores” é uma inevitabilidade de quem quando “precisava” de dinheiro o ia pedir e que logo após o pagamento ou disponibilização do mesmo os chama especuladores.
    É assim um materialismo dialéctico. Preciso vou pedir, dão-me, é para se ir pagando ou não pagar de todo, quando querem cobrar, são especuladores.
    A eterna sina dos caloteiros da pilhagem.

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  17. JCA's avatar
    JCA permalink
    27 Outubro, 2012 07:35

    .
    Se aprovado o OE dêem-lhe os retoques que derem, cumprir-se-á o designio da Governança em 2013,
    .
    o sonho de POORTUGAL alcançar a Grécia:
    .
    =Greece Austerity Diet Risks 1930s-Style Depression: Euro Credit
    .
    “Greece is spiraling into the kind of decline the U.S. and Germany endured during the Great Depression, showing the scale of the challenge involved in attempting to regain competitiveness through austerity.
    .
    That pits it against Marxist-inspired Syriza, the main opposition grouping, in a standoff recalling that between Nazis and Communists in Weimar Germany.
    .
    The government also implemented a reduced pay scale for civil servants, lowered pensions paid by the state and hacked 576 million euros from its medicines bill. It is now expected to follow those cuts with measures including raising the retirement age to 67 from 65.
    Greece has done all that without achieving anything,”
    .
    http://stratrisks.com/geostrat/8827
    .

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  18. Gonçalo's avatar
    27 Outubro, 2012 08:07

    Um texto sábio. Em tudo, em linha com o conteúdo deste blog:
    http://existenciasustentada.blogspot.com/

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  19. André's avatar
    André permalink
    27 Outubro, 2012 08:48

    Gostei muito do texto, em particular da parte sobre os autoritarismos e da parte de Keynes. De facto nós temos de remodelara sociedade. Acrescento ainda outro nome à sua lista de pessoas que deviamos ouvir, pricipalmente no véu de ignorância que ele dá para a escolha da sociedade que queremos, esse nome é John Rawls. Um dos fundadores do Estado Social. Essa voz também deve ser ouvida, em especial, por quem diz defender o Estado mas se esquece que tem de aumentar a receita. Essas pessoas esquecem-se de que o Estado precisa de dinheiro para manter a despesa.
    Par completar, tenho de dizer que o texto está realmente muito bom.

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  20. neotonto's avatar
    neotonto permalink
    27 Outubro, 2012 08:50

    Comentar aquí (ja que nao se pode comentar no criativo post anterior) que gostei muito da expresao “catilinárias moralizantes” feita e empregada pelo autor que da conscencia e alarme do estado e da situaçao actual em Portugal e nao tao só economica como também a nivel político- moral.
    E aparte de umas quantas reflexoes alguma pergunta tambén oara ser feitaa. Será que so há Catilinas e nao existem Ciceros?. Assim deve ser…

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  21. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    27 Outubro, 2012 08:59

    Um texto que é um emaranhado de contradições tragicamente insolúveis.
    Há contudo uma frase lapidar: ‘Ora a democracia não é garantia de prosperidade (apesar de ser a melhor forma de governo para assegurar essa prosperidade)
    Jmf 1957 aparece recriando Hamlet: ‘To be, or not to be: that is the question:Whether ‘tis nobler in the mind to suffer The slings and arrows of outrageous fortune, Or to take arms against a sea of troubles, And by opposing end them?’.
    Em que ficamos?
    Pegar em armas contra um mar de problemas?

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  22. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    27 Outubro, 2012 09:15

    Depende. “Só se defende aquilo se ama e só se ama aquilo que se conhece”!
    A voz do Povo é a voz de Deus.
    .

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  23. albarran's avatar
    albarran permalink
    27 Outubro, 2012 11:21

    Bom texto, menos ácido na fulanização e ligando vários fios, economico-sociais-ambientais-visão histórica-perspectivas futuras-gestão de expectativas. Não concordo com o termo “nunca” do ultimo prágrafo.
    Também discordo das criticas á expectativa de reforma da professora, quem está a trabalhar dentro da função publica sabe bem como as regras de funcionamento destas “empresas” são por vezes estupidas e move-se dentro de um quadro legal que até há poucos anos era estável por muitos anos, a chatice, é que já deixou de ser e pronto… Temos de aceitar e ir em frente. Dar anos á vida, não é o mesmo que acrescentar qualidade de vida, daí que aumentar os anos de trabalho (de velhice 65-70) por pura matemática da SS em nada contribui para os anos de merecida reforma (que se pretende saudável, de alguma qualidade!). Não concordo com essa ideia de associar anos a mais de trabalho [e descontos], com o aumento da esperança de vida. Dito factor de sustentabilidade. È como se só vivessemos para trabalhar!! Deveriam haver opções individuais, para os maiores de 55 anos, meias jornadas, cortes (ainda que significativos) nas pensões futuras, até porque não, pensões em valores diferenciados x até aos 65 -70 e x+a a partir dos 70 e x+a+b a partir dos 80……
    Já concordo completamente e aplaudo de pé, com as criticas a Jorge Sampaio, esse foi um autêntico erro de casting, e insiste em continuar a sê-lo!
    Dan Ariely apresenta conhecimentos, baseados em estudos que, uma vez assimilados, se pudessem ser “passados” para a população, ou até porque não metidos no ensino oficial, ajudariam em muito á tal RECALIBRAÇÃO das nossas expectativas de classe média. (Gosto da palavra, recalibração, na vez de “empobrecimento” que tem a conotação negativa pela comparação com o passado, enquanto esta está virada para o futuro). Ah, já agora, o tal relógio da História, não é um mecanismo automático, estamos a falar de ciclos económicos longos, ou muito longos, a intervenção activa sobre esses ciclos é possivel e não deve ser abandonada, através de abordagens positivas, mas as mais comuns são as “descontinuidades” como guerras ou imposição dos tais periodos ditatoriais….

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  24. neotonto's avatar
    neotonto permalink
    27 Outubro, 2012 11:26

    As democracias maduras, como as anglo-saxónicas, mostram-nos que é possível viver longos anos de dificuldades, mesmo de dura austeridade, até de chegar ao ponto de enfrentar a catástrofe de uma guerra, sem nunca colocar em causa o regime ou cair na tentação das revoluções.


    Nao sei como é que tipos tao rematadamente e descaradamente latinos passam por experts e especialistas em e nao tem nemhuna desvergonha em pontificam a diario tanto sobre caracter e a essencia das democracias prot. ou angloaxonicas…mas enfim. Peanuts.

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  25. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    27 Outubro, 2012 16:10

    The Lost Horizon,
    .
    A voz do Povo é a voz de Deus.
    .
    Não leve isso tão longe, ou será forçado a acreditar que Deus abomina os ciganos.

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  26. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    27 Outubro, 2012 16:50

    Assim se vê pelas respostas como os tugas querem almoços grátis.
    Só os puderam ter durante 30 anos porque a ditadura deixou 15% de dívida. Se a Ditadura tivesse comprado votos como este regime social-populista até nem teria havido 25 de Abril…
    .
    “Claro que tem que haver esperança.”
    O que é esperança? a riqueza que só tinhas devido ao défice?
    Se os tugas não mudarem e produzirem mais nunca mais vão ter a riqueza que só tinham pelo dinheiro pedido emprestado.
    .
    “Meter Keynes neste assunto equivale a pedir a um curandeiro medieval para resolver o problema da peste negra.”
    Hahha! Vá lá que o autor não parece acreditar em impressões.
    Já tinha comentado por aqui que já poderíamos trabalhar 4 dias por semana se não fosse o “Estado Social e Burocrático” , isso não tem nada que ver com Keynes.
    Aliás o autor está enganado quando fala do fim do crescimento implicando estagnação. Não é estagnação que nos espera. Espera-nos definhamento*.
    Com o que o complexo político-jornalista ocidental pensa está assegurada uma degradação à soviética. Vai começar a falhar energia, irá reduzir-se a variedade dos produtos, depois senhas de racionamento e a seguir o colapso.
    .
    *qualquer desenvolvimento tecnológico/energia pode deitar as asneiras políticas por terra.
    A política pode ser um desastre e mesmo assim haver bons resultados se o tempo tecnológico permitir beneficiar mais que do que a política penaliza.

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  27. beirão's avatar
    beirão permalink
    27 Outubro, 2012 17:58

    Sapaio e Soares, duas criaturas que, em nome das responsabilidades políticas que tiveram no país, deviam ter um nadinha de pudor para poderem ser merecedores de um mínimo de respeito de alguns seus concidadãos(nunca de mim, que os topo de jingeira), decidiram, contudo, não ter um pingo de vergonha na cara e, por isso, as duas pobres criaturas senis bolçam as bacoradas que bolçam… Estes dois tontos não têm emennda!

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  28. PMP's avatar
    PMP permalink
    27 Outubro, 2012 19:58

    O JMF continua a demonstrar que não faz ideia em como funciona a economia num sistema capitalista misto como o actual.
    .
    Por isso repete lugares comuns sem qualquer utilidade.
    .
    Obviamente que se da divida está a aumentar, o PIB a diminuir, a receita fiscal a diminuir, a despesa social a aumentar, a estratégia actual é um erro económico crasso.

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    • economista's avatar
      economista permalink
      27 Outubro, 2012 21:41

      MODELO DA BANCARROTA
      PIB desce > Desemprego sobe > Receitas descem(curva de Laffer) > Despesas sobem (lei de Wagner) >
      > Deficit sobe > Divida sobe (emprestimos adiados mas inexistentes) >Fuga (legitima) de Capitais >
      > Investimento desce > Emigração qualificada >Desemprego (explosivo)
      ——————————————————————————————————————————————————
      Que nos diz , Bandarra ? Um Povo em vias de extinção

      “Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.” – Henry Ford
      A OPINIÃO do saudoso ERNANI LOPES sobre os “brilhantes tugas” :
      FACILITISMO
      VULGARIDADE
      MOLEZA
      GOLPADA
      VIDEIRISMO
      IGNORÂNCIA
      MANDRIICE
      ALDRABICE

      Há tantos burros mandando
      em homens de inteligência,
      que, às vezes, fico pensando
      que a burrice é uma ciência.
      (Antonio Aleixo)

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  29. Simão Cardoso's avatar
    Simão Cardoso permalink
    29 Outubro, 2012 14:52

    Concordo inteiramentecom o comentário de JMF. Há muito penso o mesmo. Como nasci em 1944 sei muito bem o que é viver com dificuldades, mas sem passar fome. Sei viver sem luxos. Infelizmente, para as gerações que nasceram na década de 1970 e depois, que não conheceram os tempos difíceis do pós-guerra, as coisas são mais difíceis. E o que vê aqui é a cegueira de muitos, cercados pela realidade, mas cegos, não a enxergam ou nem sequer a querem ver. Os anos que aí vêm, e serão muitos, talvez dezenas, não serão fáceis. A capacidadede de os tornar mais suaves, depende de nós, da nossa capacidade de abdicar de um determinado número de coisas que nos agradam, e também da nossa capacidade de intervenção democrática. Os amanhãs que cantam são um sonho lindo, mas não passam de uma utopia sem qualquer sentido. O mundo está a mudar, eu digo mais, já mudou. Será que não damos conta desta mudança?

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