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o que é a a3es?

4 Novembro, 2012
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É isto que o governo português quer para o ensino superior (com a devida vénia ao leitor Joaquim Amado Lopes, pela lembrança)?

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«Nos últimos anos verificou-se um contexto internacional de mudança das relações entre as instituições de ensino superior, o Estado e a sociedade: as políticas de pendor neoliberal e a emergência da Nova Gestão Pública (NGP), as políticas de culpabilização (blame policies) que atacando as autonomias profissionais, o setor público e os seus funcionários abriram caminho para a privatização das atividades do Estado, a defesa da superioridade da gestão privada e a perda de confiança nas instituições.»

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«Durante o século e meio que precedeu a Revolução Francesa, em especial durante a vigência do Despotismo Iluminado, foram estabelecidos os fundamentos do Modelo de Controlo pelo Estado do ensino superior (Neave e Van Vught, 1994) e verificaram-se os primeiros exemplos da intervenção do Estado para definir o “conhecimento útil” (Neave, 1997). De facto, o Estado procurou definir padrões locais de conhecimento (territorialização do conhecimento) a ministrar como condição necessária para a obtenção de emprego na administração do reino, enquanto que o emprego público ficava, regra geral, restrito aqueles que obtinham as suas qualificações no País.»

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«Em termos operacionais, o modelo do Controlo pelo Estado encontra justificação no princípio da homogeneidade legal, ou seja, na semelhança do produto das diversas instituições de ensino superior, como forma de assegurar a igualdade de oportunidades para todos os indivíduos e a igualdade na competição pelos empregos do Estado.»

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«Durante as últimas décadas, os modelos de Controlo pelo Estado foram confrontados com dificuldades crescentes em se adaptarem, com velocidade suficiente, às mudanças impostas pelo novo setor dominante da atividade, o setor do mercado. A motivação para o desenvolvimento do ensino deixou de ser a modernização política e administrativa liderada pelo setor público administrativo, para ser liderada pelo setor privado do comércio, da indústria e dos serviços, pagos pelos consumidores individuais e não pela comunidade, ao mesmo tempo que o setor público deixou de ser o principal empregador dos graduados pelo ensino superior.»

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«Qualquer discussão em torno da gestão do ensino superior deve ser enquadrada dentro do contexto mais alargado da Nova Gestão Pública (NGP) e conceitos relacionados, tais como o managerialismo e a reinvenção do governo (Osborne and Gaebler, 1992), que têm dominado a reforma do setor público nas últimas décadas.

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«O capitalismo académico (Slaughter e Leslie, 1999) também tornou os académicos mais parecidos com os outros trabalhadores – menos parecidos com profissionais universitários e mais próximos dos profissionais das empresas cujas descobertas são consideradas trabalho assalariado, propriedade da empresa e não do profissional. Esta transformação dos académicos, de profissionais em meros empregados, fez com que fossem encarados como “reagindo a castigos e incentivos decididos pela agência de financiamento devendo, tal como qualquer outro empregado do estado, prestar contas de si próprios e do seu comportamento a uma burocracia” (Trow, 1996).»

19 comentários leave one →
  1. trill's avatar
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    4 Novembro, 2012 18:37

    a questão do ensino superior passa por separar o trigo do joio, as instituições onde há doutores a sério, que fizeram doutoramentos “a sério”, e que continuam empenhados e mantêm uma actualização contínua, e as instituições onde há os “doutores à espanhola”, com doutoramentos da treta quase comprados no país vizinho. Há instituições onde os dois tipos coexistem e nesse caso compete a uma entidade central, o MEC, regular e separar as águas, já que os pares, mesmo de outras áreas dentro da mesma instituição, não o farão.

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  2. trill's avatar
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    4 Novembro, 2012 18:40

    há casos anedóticos que tipos que acabaram a licenciatura em institutos privados, foram para Salamanca fazer doutoramentos em ensino de qualquer coisa e hoje são professores doutores e coordenadores de mestrados em áreas que eles só tocaram recreativamente (isso: em actividades de tipo recreativo), só e somente na própria instituição (pública!). É vergonhoso e ridículo.

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  3. trill's avatar
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    4 Novembro, 2012 18:43

    comparar estes tipos {cujos lugares como assistentes foram provavelmente (bem) guardados por quem os meteu como assistentes convidados enquanto faziam o doutoramento em Salamanca} com doutores em matemática, física, ou até em áreas das cc humanas, quando trabalhadas seriamente, é pura anedota e dá-nos conta a degradação do ensino superior em certas instituições (neste caso universidade) públicas.

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  4. trill's avatar
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    4 Novembro, 2012 18:48

    claro que há doutoramentos da treta, feitos em instituições públicas bem conhecidas, e claro, que isso deveu-se provavelmente à complacência dos “pares”, incluso de quem aceita orientar sem perceber nada do assunto que orienta e sem convidar ninguém que perceba para o júri. Nesse caso o candidato, “prof da casa”, passou com unanimidade aclamação e lovôr (isso Lôvór), pois “aquilo” não era um doutoramento “naquilo” que o juri dominava mas “naquilo” – altamente complexo e “erudito” que o júri nem vislumbrava. Assim é fácil ser-se bué de erudito entre os eruditos… supostos…

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  5. trill's avatar
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    4 Novembro, 2012 18:57

    quanto ás universidade privadas nem sei nem me interessa e só me interessa que o Estado não gaste um cêntimo com elas. Os reitores têm autonomia para reconhecerem os diplomas e havia um suposto doutor em informática, por uma suposta univ americana , que nunca esteve na américa. Parece que fez aquilo online (só que naquele tempo ainda não existiam doutoramentos online, que, diga-se de passagem, só deviam poder acontecer quando houvesse uma co-orientação credível presencial) e o reitor dessa uni privada, que era pai do amigo dele, assinou o reconhecimento do doutoramento e o tipito passou a prof-doutor naquela universidade privada. Nas privadas é o vale tudo. O que me preocupa é o que se passa nas públicas, como aqueles casos acima referidos.

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  6. JP Ribeiro's avatar
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    4 Novembro, 2012 20:09

    Estes A3ES e quejandos deviam era ir todos com os porcos, isto para falar em bom português!

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  7. CA's avatar
    4 Novembro, 2012 21:02

    Qualquer empresa devia ter a liberdade de se chamar universidade e dar os graus académicos que entendesse, nas áreas que entendesse, mesmo que fosse por equivalências ou por correspondência.

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  8. andre's avatar
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    4 Novembro, 2012 22:13

    Pode o estado fechar, coercivamente, cursos de universidades privadas? então, não deve ser o mercado a a fazer a selecção natural? os nossos governantes são liberais ou comunistas?

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  9. Miguel Santos's avatar
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    5 Novembro, 2012 01:06

    Respondendo à pergunta do post, a A3ES é a entidade que há uns 2 anos escreveu “Concelho” Directivo no título de um texto na sua página da Internet.
    Quem acredita numa agência de acreditação do ensino superior, onde nem sequer se sabe escrever português?

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  10. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 09:49

    o ensino superior tem de ser regulado, como qq outra área, não pode continuar auto-regulado onde os reitores reconhecem o que lhes apetece, dado o grau de autonomia que têm.
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    no público passam-se tb barbaridades e não só as acima referidas. O José Manuel Costa da cinemateca, por exemplo, o prof mais baldas, mais ineficaz e mais desorganizado que se pode conceber (dá aulas na fcsh-unl). foi muito bem organizado para levar os seus dois alunos preferidos, um casal de namorados, para cinemateca, onde sempre teve cargos de relevo. Seria interessante, um exercício curioso, comparar-se os trabalhos desses dois alunos com todos os outros dos alunos da turma em que se integravam… Mas, claro o josé manul costa já deve ter perdido todos os trabalhos dos alunos (já deve ter perdido os trabalhos dos alunos do ano passado, quanto mais dos alunos de há 10 ou 15 anos!) característica muito típica do sujeito, que se faz passar por géniozito mas nada se vê de genial e nas aulas de história do cinema “esqueceu-se” de referiri coisas fundamentais. Mas o outro, o Grilo, não é melhor. Por isso deveria ser pensado todo o funcionamento do ensino superior público, pois estou a falar, neste caso, de uma instituição central, não da utad ou da univ do évora…

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  11. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 09:53

    falei da utad e da univ de évora como poderia falar da uno do algarve ou da uni da conchichina, ou poderia falar de alguns doutoramentos do iscte, que é uma instituição “famosa”.

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  12. António Pedro Pereir's avatar
    António Pedro Pereir permalink
    5 Novembro, 2012 09:53

    Este Rui a. (anedota) escreveu isto no post anterior sobre o mesmo tema: «presidida pelo Professor Alberto Amaral, um velho fóssil da extrema esquerda portuguesa»
    Orwell tinha razão também em matéria de fósseis, são todos iguais mas há uns mais iguais do que outros.
    Alberto Amaral, que, como reitor da Universidade do Porto, implantou as bases para que esta Universidade seja hoje a melhor em Portugal e ocupe já um lugar invejável no ranking das universidades de todo o mundo, não passa de um reles fóssil esquerdista que «é inimigo do ensino privado», o qual, como sabemos, ocupa os primeiros lugares no ranking internacional das universidades de todo o mundo, desde a produtiva Independente (que dava diplomas ao Domingo) à expedita Lusófona (que dá cursos instantâneos sem ser preciso lá ir, que poupança de tempo e de combustível).
    Mas há esquerdistas (ou ex-esquerdistas) bons, os tais que são mais iguais do que os outros, os que se passaram com armas e bagagens para a Direita e para a Extrema-Direita, bons agora e para todo o sempre, mesmo que nada mais façam do que debitar ou fazer disparates.
    Ei-los, mas apenas alguns: José Manuel Fernandes, Helena Matos, Zita Seabra, Durão Barroso, João Carlos Espada, José Freire Antunes, Silva Marques, Mário Dorminsky, José Pacheco Pereira, etc., etc., etc. longuíssima é a lista.

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  13. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 10:07

    o João Carlos Espada?! my god! O ex-membro do secretariado do comité executivo do PCP(R) e ex-director do Bandeira Vermelha?

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  14. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 10:09

    o gordo Dorminsky? o organizador do festival de filmes série c?

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  15. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 10:13

    aliás naquela “instituição central” referida seria interessante analisarem-se o preenchimento das vagas de catedráticos e tentar-se perceber, devagarinho, porque é que uma nulidade como o João Sá Água passou à frente do Bragança de Miranda, que pode não ser um génio mas tem trabalho consistente e uma data de livros publicados. O Sá Água é actualmente o director da fcsh-unl…

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  16. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 10:19

    depois, por esse país fora, há toda a espécie de ratos, de chicos-espertos, que eram profs primários ou educadores de infância, que foram um ano ás tais instituições do ensino superior privado para conseguir o grau de licenciados, onde devem ter acabado com grande média (apesar disso para o caso ser irrelevante que em Espanha nos doutoramentos entra tudo que tenha grau de licenciado, basta pagar-se) foram a correr para Salamanca fazerem doutoramentos em ensino disto, ensino daquilo, e hoje, apesar de grandes nulidades e mediocres que são, e serão, são profs-doutores nas universidades de “província”. Simplex!

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  17. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 10:47

    depois por certas escolas públicas de artes (não necessariamente belas-artes) há situações de promiscuidade que para já não me apetece nomear, esperando que os circuitos internos da instituições já as tenham resolvido, dado que esses situações e seus protagonistas são muito bem conhecidos por todos, assim como a questão, muito grave, das práticas do administrador (ou já será ex-administrador?) de uma tal orquestra de jovens. Essa situação, do administrador da orquestra de jovens, na américa, ou até na alemanha, daria prisão efectiva durante muitos e longos anos. Toda a gente conhecia a situação. Quando digo toda a gente incluo ex-governantes. Aliás já conheciam a situação desse sujeito, e suas práticas, quando ele era responsável na RDP, antes de ser mais um “aposentado dourado”. Toda a gente realmente ligada à “coisa” comentava: ninguém fez nada. Nem o próprio maestro que respondeu a uma das vítimas que não podia fazer nada porque ele era só o maestro e o outro era o administrador que tudo decidia e que tinha todo o poder.

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  18. trill's avatar
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    5 Novembro, 2012 10:56

    há ou houve situações muito reais tugas, que todos sussuram e comentam (ou sussurravam e comentavam), mas ninguém acaba com elas, porque os tugas, principalmente os filhinhos e as filhinhas das “élites”, são uns asquerosos lambe-cús e uns cobardes, pois era facílimo ter sido posto um fim a essa situação do administrador perverso, se todos tivessem denunciado, e, se em vez de abrirem os respectivos c. e c. ao perverso (se calhar gostaram…) , se tivessem junto e aberto as verdades na PJ. Mas não! Os tugas, principalmente as “élites”, são assim mesmo: tinhosos, promíscuos e cobardes.

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  19. Bird Ice's avatar
    Bird Ice permalink
    7 Novembro, 2012 14:46

    Só que a atual A3ES é uma mentira completa e uma falsidade, pois dos seus cinco administradores talvez um saiba o que é qualidade, pois de acreditação nenhum sabe, vão de mentira a mentira com a cobertura do Governo que por outro lado transferiu ara o Amaral, o velho e envelhecido Amaral por destruição de si próprio por ele próprio, que de novo não sabe coisa nenhuma exceto que devem acabar cursos de ensino superior pois para ele o que interessa são cidadãos obedientes que não saibam do que falam antes que saibam que não querem frequentar cursos que são aprovados pela A3ES mas que não dão formação útil a ninguém para a vida real, assim continuaremos a destruição alegre o País para satisfazer o Mal instituído no AA.

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