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o que é “salvar o estado social”?*

26 Novembro, 2012
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É manter o estado na educação como principal produtor de serviços de ensino, embora despedindo alguns milhares de professores e mantendo os outros com baixos salários por imposições de contenção orçamental.
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É falar na hipótese dos trabalhadores descontarem para sistemas privados de segurança social, mas continuar com a obrigação dos descontos para o sistema público, e propondo o aumento das suas taxas para subsidiar empresas privadas.

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É não ter dinheiro para assistir aos mais pobres na saúde e na necessidade, mas manter “universais” os ditos benefícios do estado social.

É dizer que o estado vai privatizar a RTP, desde que ela mantenha, pelo menos, um ou dois canais generalistas pagos com o dinheiro dos contribuintes, porque os portugueses não podem prescindir do “rigor” da RTP.

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É aumentar os impostos para financiar a despesa pública, em vez de pagar as indemnizações e os custos pela reestruturação dos serviços que originam o défices provocados por ela.

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É manter a Caixa Geral de Depósitos no sector público, porque o “povo”, e já agora a rapaziada do partido, tem de ter um banco.

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É anunciar privatizações e não as fazer.

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É manter 70% das subvenções a fundações, quando não há dinheiro para sustentar uma única delas.

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É despedir funcionários públicos mantendo intocados os serviços burocráticos onde eles trabalhavam.

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É gastar dinheiro dos contribuintes em campanhas eleitorais, quando a classe média começa a não ter dinheiro para chegar ao fim do mês, porque “a democracia não tem preço”…

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É não mexer na estrutura de custos do poder local porque vêm aí eleições autárquicas.

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É cortar os subsídios de férias à populaça e mantê-los aos boys do partido.

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É continuar a gastar milhões em pareceres técnicos e jurídicos, enquanto se mantêm estruturas ministeriais gigantescas cheias de “peritos” e “especialistas”.

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É confessar a incapacidade do estado e o colapso da justiça perdoando as dívidas aos devedores se eles não tiverem nada para penhorar, após terem vendido o que tinham em seu nome, graças à inépcia da justiça, para fugirem às suas responsabilidades.

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É mexer nalguma coisa porque os nossos credores assim o exigem para nos continuarem a financiar, para ver se tudo fica mais ou menos na mesma, assim passe a borrasca.

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* Dedicado ao Senhor Professor João Cardoso Rosas.

17 comentários leave one →
  1. Jorge's avatar
    Jorge permalink
    26 Novembro, 2012 13:15

    Forca RUI .

    Embora acabar com os partidos e campanhas eleitorais?
    Embora acabar com os funcionários públicos? deviam andar com um símbolo na roupa a fizer FP, para toda a gente saber quem eram.

    Embora?

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  2. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    26 Novembro, 2012 13:43

    “Embora”? Ir “embora” é o que estão a fazer muitos, condenando o país a perder uma ou duas gerações, porque vão procurar noutros países que falam menos em estado social, o estado social que, de facto, por cá não existe.

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  3. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    26 Novembro, 2012 13:46

    Afirmações deste tipo são com certeza expectáveis de pessoas como Helenafmatos ou JMF, mas a esses já nós “damos o desconto”, como costuma dizer-se. De alguém com os pergaminhos intelectuais de Rui a. espera-se muito melhor.

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  4. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    26 Novembro, 2012 13:56

    “De alguém com os pergaminhos intelectuais de Rui a. espera-se muito melhor.”
    Agradeço, agradeço, embora este começo aziago de semana me tenha remetido para a agitprop mais primária!

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  5. carlos moreira's avatar
    carlos moreira permalink
    26 Novembro, 2012 14:51

    compreendo a sua desilusão Rui A.
    Tanta gente dita “genial” a fazerem tanto esforço e a trabalhar tanto para levarem o país à bancarrota.
    Temos que dar o devido valor a Moedas,Borges ,Relvas,Gaspar entre outros por conseguirem esta proeza.

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  6. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    26 Novembro, 2012 16:17

    “De alguém com os pergaminhos intelectuais de Rui a. espera-se muito melhor”.
    Tenha cuidado Rui a. que eles, afinal, querem catequizá-lo… Quando eles dizem “muitos melhor”, querem dizer “muito melhor para nós”. Entenda-se nós como sendo eles próprios e nunca nós os outros… Eles são primeiro a mim, primeiro a mim…

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  7. JOSÉ DIAS's avatar
    JOSÉ DIAS permalink
    26 Novembro, 2012 16:27

    UMA PEQUENA E SIMPLES NOTA PARA EVITAR CNFUSºÕES.
    O PAÍA JÁ ESTÁ NA BANCARROTA E O AUTOR DAPROZA PROVÁVELMENTE A ESTA HORA PASSEIA-SE EM UM QUALQUER BOULEVARD do MARAIS.

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  8. carlos moreira's avatar
    carlos moreira permalink
    26 Novembro, 2012 17:03

    um anda por França o outro por o palacio de Belem

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  9. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    26 Novembro, 2012 17:28

    No fim da ‘picada’ (podia também ser ‘da ladaínha’) era expectável existir um outro ‘É’
    Por exemplo: É transferir o País para os grandes grupos económicos e a máfia financeira acabando de vez com os problemas…

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  10. Pagador's avatar
    Pagador permalink
    26 Novembro, 2012 18:06

    Saliento especialmente esta parte:
    «É gastar dinheiro dos contribuintes em campanhas eleitorais, quando a classe média começa a não ter dinheiro para chegar ao fim do mês, porque “a democracia não tem preço”»

    Isto porque o anuncio da decisão do governo de Não cortar 20 milhões de euros de financiamento estatal ás campanhas autárquicas dos partidos, foi anunciado sensivelmente ao mesmo tempo que era anunciada, pelo mesmo governo, a decisão de efectuar um corte de emergencia de ultima hora de 20 milhões de euros no orçamento do ensino básico e secundário….são as prioridades “patrióticas”!

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/20-milhoes-do-basico-rumo-ao-superior

    http://expresso.sapo.pt/psd-recusou-poupar-24-milhoes-nas-autarquicas=f767716

    Eu estou com o Ribeiro e Castro…corte total no financiamento público aos balões, cartazes, bandeirinhas, canetas com a marca do partido etc etc na proxima campanha eleitoral autarquica!

    http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2892785&page=-1

    Mas desses cortes, já se sabe, os boys dos vários partidos nem querem ouvir falar!

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  11. von's avatar
    von permalink
    26 Novembro, 2012 19:05

    Aleluia! Um post com cabeça, tronco e membros. E tudo no seu devido lugar. Sem facciosismos partidários e universal nos items. Viva!

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  12. mew's avatar
    mew permalink
    26 Novembro, 2012 20:57

    Olhe Rui, sabe bem ver por escrito a verdade da vida.
    Abraço, eao

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  13. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Novembro, 2012 21:50

    rui a.
    Você é mesmo exigente! Eu cá só queria ver Vítor Gaspar acertar uma contazinha. Isso já era um bom começo. E olhe que eu simpatizei com o homem de início (não com a ideologia, diga-se). Veja lá ao que chega um cidadão de esquerda. E porquê? Porque com Sócrates não havia ministro das Finanças. Havia um senhor que fazia as contas que o patrão (Sócrates mandava). Com este governo passámos a ter. Eu até apreciava o humor do homem, colidindo às vezes com companheiros do partido do poder. Mas é uma chatice. Não acerta uma. E o curioso é que agora já dasacerta mesmo com os dados à frente dos olhos.
    Vamos todos torcer por essa, depois logo se verá.

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  14. Me's avatar
    26 Novembro, 2012 21:52

    salvar o estado social é tentar por tudo “ir aos mercados” antes de acabar a legislatura para poder meter a unha. mas acho que o burro já está a entrar em rigor mortis , por isso tirem o cavalinho da chuva que ir aos mercados é miragem e vão sair de lá como entraram , sem poder ir para paris , chatice.

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  15. Economista's avatar
    Economista permalink
    26 Novembro, 2012 23:10

    Não consegui perceber se o texto é uma crítica ao Governo ou à oposição.

    Alguém pode explicar?

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  16. ruber's avatar
    ruber permalink
    27 Novembro, 2012 01:20

    É pá, este post até nem parece do Blasfémias.
    Já os comentários, com destaque para um básico das SS que gostava de ver os FP com as letras na farpela, são mesmo à Blasfémias, e até nem destoavam da Alemanha dos anos 40.

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  17. murphy's avatar
    murphy permalink
    28 Novembro, 2012 11:51

    Mais do que o confronto “esquerda” vs “direita”, “liberais” vs “progressistas” ou “liberais” vs “conservadores”, as mudanças a implementar no País não avançam pois ameaçam o establishment da capital…

    O verdadeiro travão às reformas não é ideológico, chama-se centralismo.
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/

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