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compromisso fiscal

10 Janeiro, 2013
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O relatório do FMI, que propõe medidas concretas para reestruturar o estado português, faz sentido e é urgente, por mais que nos custe e por dolorosas que sejam muitas das suas medidas. A verdade é que, sem elas, Portugal continuará a esvair-se numa dívida pública progressiva, paga com impostos também eles violentamente progressivos, que num prazo breve darão conta do resto da economia que ainda vai sobrando, empobrecendo-nos a todos, até a um limite de difícil recuperação. As medidas do documento correspondem, sem mais, aos célebres «cortes na despesa pública», em que todos falávamos e que todos pedíamos quando nos indignávamos por ver o governo aumentar impostos sem mexer na fonte dos problemas. Chegaram agora, tarde e por mão alheia à nossa, incapazes que fomos, ao longo dos anos, de evitar o descalabro provocado pelo gigantismo estatal, que muitos de nós insistimos em continuar a não querer ver. Tem, aliás, muita graça ver os ministros do CDS, que por aí andaram ultimamente a reclamar pelos «cortes na despesa do estado», a deitar as mãos à cabeça por causa do documento (Pedro Mota Soares foi particularmente caricato), onde eles finalmente aparecem.
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Se o governo prosseguir – e vai prosseguir, certamente, quanto mais não seja por falta de opção – pelos caminhos apontados no documento, não poderá, contudo, deixar de assumir um compromisso com os portugueses: o da redução dos impostos que servem para sustentar a despesa que estas medidas irão certamente reduzir, com taxas de redução e prazos claros e concisos. É fundamental ter-se presente que a finalidade de reduzir o estado é libertar a economia que ele asfixiou nos últimos anos, levando-a a patamares de quase inexistência. Por que é por quase não termos economia – e não por deixarmos de ter estado, ou passarmos a ter «pouco» estado – que Portugal empobreceu e que os portugueses têm passado pelo que estão neste momento a passar.

11 comentários leave one →
  1. BorNot2B's avatar
    10 Janeiro, 2013 04:51

    Rui, desengane-se, o governo não vai “prosseguir” coisa nenhuma!
    Este relatório é antes de mais um forte “puxão de orelhas” a quem não conseguiu identificar a necessidade destas medidas logo no início… E como sabemos constavam dos “guide lines” do Memorando. O Governo borrifou-se para o assunto e andou este tempo todo a “empatar” quando o problema de fundo estava – e continua a estar – precisamente no Estado.
    Como os nossos governantes não perceberam a “mensagem” do Memorando, o FMI veio agora detalhar o assunto e “ensinar” o que tem de ser feito… Uma espécie de “explicação à prova de estúpido” com “bonecos” e tudo!…
    Entretanto, o Governo dedicou um ano e tal a “reformar” a economia, “abater” empresas, acabar com “cabeleireiros e restaurantes”, não entendendo que a economia deve evoluir com base na dinâmica da iniciativa privada, opções, projectos e investimento, devendo limitar-se o Estado a simplificar, criar condições e não chatear muito… Agora temos a economia (que havia) de rastos, com a consequente escassez de receitas ficais, o “monstro” pouco mudou, e são os trabalhadores do privado quem está no desemprego, além de muitos patrões que deixaram de o ser…
    O PPC tem voz “tesa”, mas não passa disso. A actuação é fraca, pouco objectiva e muito hesitante. Ameaça, mas não ataca problemas, confunde, mas não gera soluções estruturais… É tudo atabalhoado!… Sempre.
    E agora, nesta “guerra”, o Rui vai verificar que tanto esquerda como direita, se vão “unir” na contestação às medidas que precisam ser tomadas! E sabe porquê? Porque todos mamam na pródiga “teta” do Estado… E todos se esquecem daquilo que o FMI também afirma: a profunda desigualdade que existe entre pobres e ricos neste País. Uma terra onde apenas “reclama” quem está melhor do que a imensa maioria. Veja-se quem fez as greves do ano passado…

    P.S. – Se muitos acham ainda que este governo é liberal, (ou “neoliberal”), eu cada vez mais me convenço que eles criaram uma nova vertente no liberalismo: o “liberalismo-marxista-leninista”.

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  2. André's avatar
    André permalink
    10 Janeiro, 2013 07:48

    Sabe, eu sou aluno numa escola e acho que a parte do relatório referente à educação só pode ser para rasgar (ou ignorar, consuante ser-se ou não politicamente correto). Na minha escola vi o número de professores a ser drasticamente reduzido, juntando todas as turmas dos anos no mesmo conjunto de professores. A minha diretora de turma tem metade das turmas de português do 12.ºano, a de História tem todas as turmas de História A de 12.º, e por aí fora. Sabe em que é que isto está a dar? Os professores fazem um teste por período para terem tempo de os corrigir a todos. No caso de História, estão concentradas 200 páginas de matéria em 90 minutos, que bela preparação para o exame! Como é óbvio, os testes têm notas mais desagradáveis e os professores têm menos tempo.
    Agora explique-me, onde vai cortar mais 14 mil professores? Vai fazer turmas de 40 alunos? Vai deixar robots a corrigir testes e trabalhos? Vai deixar apenas um teste ao longo do ano, o exame? Ou vai simplesmente acabar com a educação?
    Quanto aos funcionários, é uma excelente ideia. Passamos de um funcionário por pavilhão para meio, ou zero. Aproveitamos e também podemos despedir os da portaria (a escola fica sem ninguém à porta, mas, e depois?). Já quase não tenho funcionários na escola. Para as limpezas, podemos deixar isso para trabalho comunitário para os desempregados (alguns que sairam dessas mesmas escolas). Agora percebeu a ironia.
    Quanto ao resto do relatório, se tiver propostas tão infundadas como as da educação, esperemos que o governo tenha contentores para a reciclagem do papel, porque bem vão precisar. É claro, podemos cortar aquelas reformas muito altas, só que o governo tem o azar de as confundir com as de 700€ e depois dá asneira (como tudo o que o governo fez até agora).

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  3. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    10 Janeiro, 2013 09:58

    Luís FA
    “(…) eles criaram uma nova vertente no liberalismo: o “liberalismo-marxista-leninista”.”
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    É verdade. Penso que também se pode chamar “crony capitalismo”.

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  4. JCA's avatar
    JCA permalink
    10 Janeiro, 2013 10:59

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    Aborde-se com realismo, as Finanças Publicas e Privadas usurpando as tecnicas militares que só eram usadas em guerra a sério, nunca na Politica ou na Governação.
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    Outra nova operação ‘4ª Feira’ de ‘CHOC AND TERROR’ para assustar os Cidadãos foi lançada pelas ‘forças regulares’, a Governança.
    Um jornal deitou o ‘foguete luminoso’ para anunciar a ‘invasão’. Imediatamente a seguir politicos e comentadores habituais lançaram as ‘salvas de fogo’ de assalto para todos os gostos, incluindo mesmo a versão do ‘não sabia’ quando afinal os proprios se denunciaram que o paper tinha tido uma 1ª, uma 2ª etc versões … Ou mesmo que afinal só eram sugestões. Embaralharam tudo para abrir caminho, vergar a vontade dos Empregados, Empregadores, Familias, Funcionarios Publicos etc
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    como normal nestas taticas e estratégias segue-se o passo seguinte, a da ‘guerra assimétrica’, guerra entre o ‘exercito regular’, o arco da Governança, e ‘o exercito irregular’, Empregados, Empregadores, Familias, Funcionarios Publicos etc
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    Resultado final, nada se resolverá,
    só ingénuos poderiam ter acreditado que puras tecnicas de estrategia e tatica militares poderiam resultar em Politica e Governação. Apenas mais miséria, fome, pobreza e destruição efeitos colaterais naturais e próprias das artes da guerra impraticaveis na arte da Politica, do Estadismo e da Governança na sua forma Situação-Oposição.
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    As soluções são outras. E existem com sustentabilidade e efeitos imediatos para resolver e reacender Portugal, completamente fora desta moda de ‘Choc and Terror’ e ‘Guerra Assimetrica’.
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    Quanto mais tempo o País tem de ser obrigado a afundar-se cada vez mais pela vontade de ‘mini troikas internas’
    que não são paradas de provocar o empobrecimento contínuo dos Empregados, Empregadores, Familias, Desempregados, Reformados Funcionarios Publicos etc uma vez que sugerem terrorismo ou já surgem como pirataria aos olhos da Sociedade Portuguesa ??
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    Assim nada se resolve para ninguém. Apenas se perde tempo a favor dalgum novo ’14 Juillet’ ou ‘Noite das Facas Longas’ ou assalto ao ‘Palacio de S Petersburgo’ etc . Se são estas as apostas então ….
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  5. Fenris's avatar
    Fenris permalink
    10 Janeiro, 2013 13:03

    Eu tenho para mim, e posso estar enganado, que um dos maiores problemas, aos olhos das pessoas, não são os cortes em si mas o que gravita em torno de tudo isto, ou por cima, como os BPN as PPP a Madeira e o BANIF e por aí fora.
    Não é bem só o sacrifício, é, especialmente, o “Porquê?” e o “mas àqueles bonas não acontece nada, ainda que eu tenha mesmo de pagar?!”

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  6. Wall Streeter's avatar
    Wall Streeter permalink
    10 Janeiro, 2013 13:43

    GRÉCIA À VISTA, MARUJOS!!!…

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  7. JCA's avatar
    JCA permalink
    10 Janeiro, 2013 14:09

    .
    Há os ‘esfarrapados’ assim ‘marias da fonte’ esfomeados, desempregados, perdidos. Nem os filhos de tenra idade encontram comida em casa; MÁS VIDAS
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    Paralaxes a guiar,
    com o mesmo outro grupo aumenta substancialmente o poder de compra, luxo e gozo com as mesmas reformas, vencimentos e ordenados, por garantidos,
    .
    as casas ao preço da uva mijona (compra ou arrendamento), carros topo de gama ao desbarato, roupas-eletronicos etc em saldo permanente, alimentação barata e regulada para tentar que os pobres não arranquem com a revolta a derramar sangue etc; BOAS VIDAS
    .
    Portanto ….. Indisponivel, mesmo proibido pelas ‘BOAS VIDAS’, l no Poder o Dom, a Intuição, a Sensiblidade, o Estadismo, a Alta capacidade de Governança,
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    o tal verso de Brecht não era. Já é. Quem tudo quere tudo perde. Sem invejometro ou bota abaixo. Recomendo teimarem. Corre bem ….. mas acaba mal ainda em tempo de Vida apesar dos putos acolitos chamados a paus de cabeleira em curso. Ingénuos.
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    Pois é. Está por um fio. Nem vale a pena meter YouTubes como o nazismo e o totalitarismo ficou vitorioso. É pena, mas é a Vida, quem as provocou que desampare a loja enquanto é tempo, novos ou velhos de idade. Porque nem o totalitarismo nem o nazismo os pouparam quando chegou o ‘fazer as contas’. Desamparem a loja
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    Só outro suponhamos … discorreres teoricos para boas almas …
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  8. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    10 Janeiro, 2013 17:29

    Mas, será que estamos condenados ou a nada fazer, ou a fazer mal? Este relatório, parece ter mais de encomenda que de estudo. Repare-se num dos exemplos relacionados com a saúde: aumentar as taxas moderadoras e condicionar o acesso às urgências. Certíssimo! Mas, para isso ser feito com cabeça, tronco e membros e não se condenar o cidadão ao abandono, tem que se montar o edifício da medicina familiar, há muito reivindicado e sempre adiado (por incompetência dos sucessivos governos). Vamos montá-lo, agora? Quanto vai custar? Isso foi levado em linha de conta? Receio que não.
    Vão dar uma curva com o relatório!

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  9. Oscar Maximo's avatar
    Oscar Maximo permalink
    17 Janeiro, 2013 08:42

    André, se calhar já aprendeu a fazer contas de dividir e divida o numero de professores pelo dos alunos. Depois, tente saber porque é que sendo esse numero tão baixo, as turmas são tão grandes.

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