do manifesto e das listas
O mais recente manifesto de «personalidades» defende a adopção de 3 medidas que visam melhor o sistema político. A primeira é a instituição de eleições primárias dentro dos partidos para a apresentação a cargos políticos. A segunda é a criação de círculos uninominais para a Assembleia da República, com possibilidade de candidaturas directas de cidadãos e a eleição nominal nas listas partidárias. O terceiro é a reforma do sistema de financiamento de partidos.
(A defesa de reforma do sistema de financiamento não concretiza nenhum aspecto nem aponta verdadeiramente o que esteja mal, pelo que não é possível avaliar da mesma).
Tratam-se, genericamente, de boas ideias. Tão boas que há anos que as duas primeiras ideias são aqui publicamente defendidas neste blog por vários dos seus elementos. O que é certamente motivo de agrado ver que as mesmas fizeram o seu caminho e chegam a outros quadrantes. Dá esperança que possam a vir adoptadas.
De facto, o sistema político enferma de fortes entraves à participação dos eleitores. É absolutamente verdade que os parlamentares são escolhidos por meia dúzia de pessoas das direcções politicas, o que torna a prática parlamentar dos escolhidos absolutamente acéfala, quase sem excepções. E restringe gravemente o dever de vigiar e controlar o poder executivo Na realidade é mais o inverso que se passa. A opção do voto nominal das listas partidárias,é interessante,mas seria sempre um passo intermédio. O que significaria mais umas dezenas de anos na mesma. Apenas a criação de círculos uninominais poderá efectivamente levar a que os eleitores se revejam nos eleitos como seus verdadeiros representantes e permitindo o seu escrutínio.
A actual maioria e a composição da AR poderia ter permitido essa alteração. Mas faltou, uma vez mais vontade e força política,optando-se manifestamente pela manutenção de um sistema desfasado da realidade e absolutamente centralista. Dali não virá qualquer mudança. Mas a coisa até é simples de prever: ou mudam a bem, ou serão um dia mudados a mal.
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Por contraste, nas eleições autárquicas, aqui há anos foi «permitida» a apresentação de listas de cidadãos. Ainda que com graves e injustificados entraves quanto aos seus requisitos, tem sido uma via bem aproveitadas. E em crescendo, como felizmente se verificará nas próximas eleições. É aliás o único sinal de alguma vitalidade dos eleitores no meio político. Algumas dessas listas resultam dos sistemas fechados e castradores dos próprios partidos, com a tradicional e ilegítima imposição de candidatos locais por parte das direcções centrais. Mas muitas outras são de facto de cidadãos com projectos autónomos em relação aos partidos.
Aliás, o sentido alargado de descontentamento com a situação politica/económica presente deveria potenciar o surgimento de ainda mais candidaturas de listas de cidadãos, pois que estes tem aí, para já, o único forma de participação pelo qual podem fazer ouvir a sua voz e a defender os seus interesses.

Círculos uninominais Já. sou totalmente a favor
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Só há que aprender com os métodos democráticos de quem defende os mais elevados valores: http://lishbuna.blogspot.pt/2013/03/mesmo-assim-o-conselho-de-administracao.html
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« A segunda é a criação de círculos uninominais para a Assembleia da República »
Reli o manifesto várias vezes, e não encontrei lá tal proposta.
Onde é que o Gabriel a encontra?
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ok, concedo.
A minha interpretação da «possibilidade de apresentação de listas nominais, de cidadãos» é que a mesma implicaria os ditos circulos. Mas relendo aceito que seja considerada interpretação extensiva e não coincidente (ainda que não contrária) com os propositos do manifesto.
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Como não poderá haver apenas círculos uninominais, devendo haver listas nacionais que evitem que partidos com grande votação não elejam deputados, estas últimas poderiam ser abertas.
Mas continuo com dúvidas sobre os resultados. Por exemplo, Isaltino de Morais é independente. Depois, temos de admitir que a tendência poderia ser apenas dois partidos elegerem deputados, com uma ou outra excessão. Isso era bom ou mau?
Provavelmente, bastaria as listas serem abertas (nominais) e poder haver candidaturas independentes para melhorar o sistema.
Contrariamente a tantos outros cidadãos, não tenho certezas. Sei apenas que não concordo que se vote em listas de forma a que a escolha seja feita apenas pelo emblema.
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Ganhou o argentino…
não foi o Messi mas o Bergoglio!
É o novo Papa, carago.
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“É o novo Papa, carago.”
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A vírgula está a mais.
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3 singelas, elementares e higiénicas medidas contra as quais estão “só” 100% dos parlamentares eleitos.
Com sorte agendam um debate na AR para aquela sexta-feira de 40 graus antes das férias do verão, para chutarem as 3 ideias para canto.
Com azar ainda formam mais uma comissão para estudar o assunto durante mais 3 legislaturas de listas fechadas de jotinhas e ex-jotinhas.
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Bom dia Gabriel,
Um grupo de amigos apresentou ha algumas semanas uma peticao que visa precisamente alterar o artigo 151 da constituicao de forma a permitir a apresentacao de listas de grupos de cidadaos independentes e nao apenas partidarios. Para nao por aqui um comentario demasiado extenso se quiser ver mais de uma olhadela no nosso site (www.facebook.com/mire.portugal) onde tem os links para algumas noticias de jornal onde pode verificar a reaccao dos partidos…
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Os eleitos para qualquer cargo político deviam fazer estágio e depois selecionados.
O candidato ser maçónico, ou convidado a ser, tem de acabar!
Punições fortes aos prevaricados e honras aos bons cumpridores.
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“A opção do voto nominal das listas partidárias,é interessante,mas seria sempre um passo intermédio. (…). Apenas a criação de círculos uninominais poderá efectivamente levar a que os eleitores se revejam nos eleitos como seus verdadeiros representantes e permitindo o seu escrutínio.”
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Porque…? Isto é, porque é que circulos uninominais leva a que os eleitores se revejam nos seus eleitos e circulos proporcionais em que seja possivel votar num candidato individual não? Se em ambos os casos os eleitores votam numa pessoa especifica, porque é que num caso hão de se rever neles e no outro não?
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Até acho que no voto nominal em circulos proporcionais haverá mais esse identificação do que em circulos uninominais – com circulos uninominais, há sempre muitos eleitores que não se reverão no seu deputado (os que não votaram nele); já com circulos proporcionais com voto nominal, muito provavelmente uma maioria esmagadora de eleitores (mesmo os que votaram em partidos menos votados) terá algum deputado eleito em que votaram pessoalmente.
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Começam a aparecer os Grilos Portugueses à semelhança de Itália.
Este manifesto é o passo mais ousado.
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