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minha querida rtp,

21 Março, 2013
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https://i0.wp.com/www.meiosepublicidade.pt/wp-content/uploads/2009/12/rtp.jpgÉ uma felicidade saber que tu existes! Acordar com a tua amena companhia e adormecer ao som glorioso do hino dessa grande instituição, que quase se confunde com o hino pátrio das quinas. Que alegria saber que posso, com um simples toque numa pequenina tecla do meu comando, aceder a um verdadeiro canal informativo de serviço público, que presta uma informação isenta, imparcial, objectiva, distanciada dos vis interesses políticos e económicos, ao serviço do povo, com o dinheiro do povo! Como é bom poder contar com a tua programação de alta qualidade, que me acompanha desde criança, e que faz a alegria de novos e velhos, homens e mulheres, ricos e pobres, cultos e analfabetos. Se tu não existisses, querida RTP, como poderíamos nós viver? Sem a tua programação exemplar de qualidade e isenção, como poderíamos saber o que se passa neste mundo e no outro? Sim, porque para além da 1 e da 2, as joias da tua gloriosa coroa e o orgulho do nosso Portugal, ainda nos dás a RTP Açores, Madeira, Internacional, África, Memória, Informação, etc.. Ficaríamos, sem ti, querida RTP, entregues aos bichos cobiçosos da iniciativa privada, que só vêem lucro, negociatas e  interesses mesquinhos de baixa política. Assim, temos que te agradecer. Temos a obrigação de te agradecer e de te sustentar com o dinheiro dos nossos impostos, que tu bem mereces. E não será demais recordar, nesta hora de tanta felicidade, aqueles que, reconhecendo as enormidades que sobre ti tinham escrito no seu programa eleitoral, fizeram marcha atrás e permitiram que continuasses connosco, pública, isenta, imaculada e de todos nós, dos portugueses, de Portugal! O Senhor Primeiro-Ministro Passos Coelho, o Senhor Ministro dos Estrangeiros Portas e o Senhor Ministro Adjunto e dos Parlamentares Relvas. Aos três um bem-haja pela vossa competência e visão, e por continuarem a contribuir para a nossa felicidade!

66 comentários leave one →
  1. António Costa's avatar
    António Costa permalink
    21 Março, 2013 14:41

    Faz isto é a “direita dos interesses” continuar a mandar. Ninguém dospoderosos estava interessado em qualquer privatização da RTP. Só nós os pagantes é que nos queríamos ver livre de mais um elefante branco do regime.
    Enfim o regime um dia há-de acabar, quando já não houver sangue para chupar e terem de começar a cravar dentadas no pescoço uns dos outros.

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  2. carlos's avatar
    carlos permalink
    21 Março, 2013 14:44

    Está já uma comenda aprazada no dia dá raça para insigne rtp,sa.

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  3. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 14:48

    Óptimo, Rui A.

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  4. javitudo's avatar
    javitudo permalink
    21 Março, 2013 14:48

    SE O ENERGÚMENO CHEGAR A APARECER NA PANTALHA É GASOLINA NO LUME BRANDO QUE NOS CONSOME.
    A MEDIDA NÃO DEIXA DE SER BOA.
    É SÓ ESPERAR MAIS UM BOCADINHO, UMAS SEMANAS E JÁ ESTÁ

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  5. JP's avatar
    21 Março, 2013 14:56

    Boa posta.

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  6. pedro's avatar
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    21 Março, 2013 14:59

    Javitudo : Penso que eles procuram uma “primavera” portuguesa ,tal é a falta de vergonha e o despudor . Estamos mais pobres e quase todos indigentes e estes senhores não se enxergam! Esta classe política formada nas “jotas” é pior que as claques do nosso futebol.

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  7. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 15:00

    Javitudo,
    O ENERGÚMENO (!) vai paulatinamente angariando audiência e prevejo que será manso para este governo. Os favores pagam-se…
    A sua presença na RTP, passado algum tempo num espaço público, mais adiante ou antes na apresentação dum livro, etc, etc, não incendiará nadinha, porque o povinho-NADA é parcimonioso, desculpabilizador e está encantado sob as recentes graças do Papa Francisco. “Amai-vos uns aos outros !”.
    Aliás, não me surprenderei se Sócrates invocar e analisar nas suas primeiras “aparições” após fuga, a eleição, postura e bondade do papa Francisco…Convir-lhe-á…

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  8. javitudo's avatar
    javitudo permalink
    21 Março, 2013 15:06

    Cada vez que o vulgar cidadão enxergar um político das jotas em qualquer local público (rua, cinema,praia, supermercado, local desportivo) deve expressar a sua repulsa por qualquer meio legal ao seu dispor.
    Assim eles começarão a ter de andar em carros de vidros fumados como os mafiosos que os precederam e limitarão os seus movimentos e deambulações.
    Isto não é só com o ppc, o relvas, o cavaco, o seguro, o costa, o pereirinha, o santos silva, o vieirinha, o portas, o semedo, o bernardino, a judite, a fátinha, é com todos os que levaram o protectorado a uma situação totalmente desprotegida

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  9. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 15:08

    histéricos, entusiasmados, esperançados, estão já os órfãos do “pai” Sócrates. Claro, não sentem NÁUSEAS !
    Para eles e elas, uma dupla primavera…

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  10. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 15:15

    javitudo,
    em Março de 2011, num restaurante, mandei à merda, alto e bom som, um político ex-jota, do P”S”, que achincalhava a miséria que já grassava no país. A criatura calou-se.
    Expliquei aos presentes os motivos do insulto. Ninguém me censurou, pelo contrário, os olhares foram de apoio.
    Sempre que me cruzo com certos canalhas, marco-os com o meu olhar e indiferença.

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  11. javitudo's avatar
    javitudo permalink
    21 Março, 2013 15:19

    “Dois em cada três cipriotas defendem a saída do Chipre da Zona Euro e o reforço das relações com a Rússia na sequência da crise instalada após o anúncio do resgate financeiro da União Europeia”.
    Aqui também precisamos de nova política e novas alianças.
    Fora com a UE, a UE é a face dos illuminati e do grupo bilderberg, vejam se entendem isso.
    A farsa do energúmeno na rtp1 está ligada a esses poderes.
    Lembram-se dos abraços da merkel? Avivam a memória!
    A-C dê uma ajudinha! Você não dorme.

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  12. João Lisboa's avatar
  13. Duarte's avatar
    Duarte permalink
    21 Março, 2013 15:25

    Triste comunicacao Social dominada pelo bloco central de interesses que destruiu o país.
    Cada vez menos informação e noticias e cada vez mais propaganda.
    Faltam jornalistas e proliferam comentadores politicos, politologos , advogados dos grandes gabinetes que defendem os seus clientes, economistas do sistema, uns politicamente e biblicamente estúpidos, outros paus mandados dos partidos que representam e dos interesses que defendem.
    O fim aproxima-se e o desespero é grande. A falência, o incumprimento, a crise política, a incapacidade do poder dentro do Euro resolver a crise, a agitação social que se avizinha e que se vai abater na Europa, a declaracao de guerra do BCE a Chipre ontem anunciada e que certamente levara Mário Draghi ao tribunal internacional, a recessão na Europa, a preparação da guerra contra a Coreia do Norte e Irão, o desemprego enorme na Europa, a falencia do Dollar etc., a ameaça dos Russos em se desfazerem das obrigações em Euros que vai hoje ser anunciada a Durao Barroso, a falencia dos banco espanhóis, a instabilidade em Itália, etc
    Não se vislumbram tempos bons . A guerra é sempre um acelador
    da historia e parece que não há outra solução.
    Entretenham-se com o Relvas e com o Sócrates, esses tristes figurinhas , esses arlequins da comedia del arte cuja única função é divertir o publico nos intervalos do espectáculo.

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  14. Tiradentes's avatar
    Tiradentes permalink
    21 Março, 2013 15:40

    Pobre povo nação demente.

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  15. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 15:52

    No blog “Delito de Opinião” e a propósito do “regresso” do trafulha, um magnífico texto de Rui Rocha.
    Não hesitem, leiam-no.

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  16. JP's avatar
    21 Março, 2013 15:53

    De repente apareceram duas novas petições:
    -Uma para dividir
    -Outra para apoiar
    .
    Octávio Ribeiro:
    «Em 2007 ele faz-me um convite que achei que o primeiro-ministro não podia fazer. Que convite foi esse? Para substituir o José Eduardo Moniz na TVI. Ele diz que não sabia de nada do que se estava a passar, mas em Fevereiro fez-me esse convite. Quatro meses antes. Disse-lhe que não estava disponível e a relação acabou. Sócrates quis dominar a comunicação social? Completamente. Tinha essa vertigem. Denunciei isso muitas vezes em editoriais. Uma vergonha. Não é um democrata. É um tipo colérico quando é contrariado. Depois desse almoço na Travessa – e uma coisa estranha é que o restaurante estava cheio, mas todas as mesas à nossa volta estavam vazias, portanto presumo que ele não marcava apenas uma mesa, mas um quadrado -, acho que nunca mais falámos.» “»
    .
    É ESTE O SENHOR QUE VAI TER TEMPO DE ANTENA GRATUITO?
    SERÁ ISTO MENTIRA?

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  17. Pffff !'s avatar
    Pffff ! permalink
    21 Março, 2013 15:54

    OOOOOOOOOO Faxos da minha terra !

    Ainda tereis de sofrer mais…

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  18. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 15:57

    RTP a transmitir o debate sobre a interpelação do PCP ao governo; aparentemente o PS está encurralado porque não está com pressa…

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  19. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 16:03

    “Eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las” , Evelyn Beatrice Hall dixit.
    Esta frase pode aplicar-se ao Sócrates ou a um qualquer Dias Loureiro, como se faz hoje, aliás, com Relvas.

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  20. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:04

    Este P”S” foge dum compromisso, apoio sequer a uma moção de censura, como gato escaldado…
    Então, para os para lamentares “socialistas”, a proposta da moção de censura feita pelo PC, “é”, tão-só, uma maneira de tentar “encurralar o P”S”, e não uma crítica feroz ou desejo de demissão do governo ?
    P”S” a fazer um favor ao P”SD” ?

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  21. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Março, 2013 16:04

    Portela,
    A frase é do Voltaire.

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  22. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Março, 2013 16:05

    E, já agora, também reconheço o direito de qualquer um a expressar-se livremente, desde que o não faça à conta dos meus impostos.

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  23. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    21 Março, 2013 16:15

    Segundo o Público “Ex-primeiro-ministro não deverá receber qualquer retribuição financeira pelo programa semanal.
    http://www.publico.pt/politica/noticia/jose-socrates-vai-ser-comentador-na-rtp-1588574
    À conta dos meus impostos, há resmas de gente com a qual não simpatizo, a botar faladura na RTP.

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  24. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 16:18

    Rui A, como não fui contemporâneo de Evelyn, aqui vai…
    Born 1868
    Died after 1939
    Pen name Stephen G. Tallentyre
    Occupation Writer
    Evelyn Beatrice Hall, (1868 – after 1939),[1] who wrote under the pseudonym S.G. Tallentyre, was an English writer best known for her biography of Voltaire with the title The Friends of Voltaire, which she completed in 1906.
    In her biography on Voltaire, Hall wrote the phrase: “I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it” (which is often misattributed to Voltaire himself) as an illustration of Voltaire’s beliefs.

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  25. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:18

    Portela, 16:03
    Não acredito que Vc. esteja rendido à onda-bondade do Papa Francisco. Sócrates pode falar quando, como, AONDE e o que quiser ?

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  26. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    21 Março, 2013 16:19

    O Duarte está desesperado: sente a terra a fugir-lhe debaixo dos pés e vai de barafustar contra todos. Agora até resolveu vir para aqui “defender” o povo que habita meia ilha, onde os seus antigos camaradas russos, renegando a sua bíblia (sua e deles) …, andam por lá a lavar dinheiro, com a conivência dos outros também seus camaradas cipriotas.
    O Duarte acaba por defender que devemos ser todos nós a indemnizar aqueles que decidiram depositar os seus dinheiros, sujos ou lavados, em bancos cipriotas que faliram. É um “bom” princípio…
    Não há dúvida que o mundo está a ficar perigoso. E mais perigoso ficaria se gente desta, meia cegueta e sem preocupações de verticalidade e coerência, tivesse a possibilidade de mandar nos outros, mesmo que fosse só um bocadinho…

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  27. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Março, 2013 16:20

    “À conta dos meus impostos, há resmas de gente com a qual não simpatizo, a botar faladura na RTP.”
    Sem dúvida. Por isso é que defendo, de há muito, a sua privatização incondicional. E vc.?

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  28. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    21 Março, 2013 16:23

    Eu também!
    Às vezes estamos de acordo.
    Paciência!

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  29. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:24

    Se Sócrates não vai receber nadinha como renumeração, o que o motiva a comentar “gratuitamente” na televisão do Estado ? Porque não ficou em Portugal, na ARepública para comentar a vida política e defender a sua legislatura ?
    Consta que está carenciado de euros, daí delegado de propaganda médica. Ora, afinal estará mesmo bem, para prescindir dum soldo…
    Tretas, dele, dos relvistas e da actual administração da RTP…
    Repito : na entrevista que dará como “apresentação” na RTP e nas suas análises, será manso para com este governo… Porquê ?

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  30. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 16:29

    MJRB, Posted 21 Março, 2013 at 16:18
    Está inibido de o fazer? Eu acho é piada ao “liberais” a comportarem-se como stalinistas e enchendo a boca de Chavismo …

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  31. Castrol's avatar
    Castrol permalink
    21 Março, 2013 16:36

    Amén!!!

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  32. A. Pereira's avatar
    A. Pereira permalink
    21 Março, 2013 16:39

    Vendam imediatamente a RTP, nem que seja por um euro simbólico. Dêem-na a quem a quiser. Este anúncio da contratação do grande trafulha é uma provocação intolerável ao povo português. É pôr o carrasco a falar às vítimas. Total falta de ética, total falta de vergonha. Basta!

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  33. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:41

    Portela, 16:29
    Não está inibido. Em Portugal, esta “classe” política (obviamente Sócrates incluído), surpreender-me-ia se tivesse um átomo de vergonha.
    Façam favor, aproveitem enquanto puderem, esmifrem o que quiserem, destruam o que entenderem, que o poveco-NADA permite…
    “Coitado do senhor, afinal não foi assim tão mau PM…”.

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  34. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:45

    A.Pereira, 16:39
    Exacto : “É pôr o carrasco a falar às vítimas” !
    (Mas há quem não se importe de ser vítima, “o partido” está primeiro…).

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  35. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 16:47

    MJRB ,Posted 21 Março, 2013 at 16:41
    .
    vai ser bonito daqui a uns meses ver Passos Coelho Coment(d)ador e os indignados do bloco central com a rtp a comentar no blasfémias…

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  36. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 16:50

    … porque enquanto rasgamos as vestes – e nos distraímos – por causa da rtp/sócrates, passos&gaspar estão a levar-nos para o céu 🙂

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  37. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:51

    Portela,
    esqueci-me : Vc. deveria ter sido explícito, referindo que a sua citação (e defesa de Sócrates falar na RTPública) era para os “liberais” que “se comportam como stalinistas”.
    Claro, para si e neste seu fugaz momento-Papa-Francisco, mais dois com futuro direito a antena pública : Dias Loureiro e Relvas… Façam favor…

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  38. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 16:58

    O nauseabundo “regresso” do ex-estudante de filosofia, à televisão pública(!), vai explicar-se, entender-se quando o gajo –repito, gajo ou ex-governante do “maralhal”– amolecer nas críticas às “medidas” deste governo…
    (os favores pagam-se).
    ——————————–
    PPCoelho é mais esperto do que Sócrates, não necessitará dum contrato como comentador.

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  39. JOAO DE AMORIM's avatar
    21 Março, 2013 17:06

    O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO.

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  40. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 17:14

    …”o regresso do filho pródigo” em mentiras, trafulhices, abusos de poder, vigarices, aplaudido pelos seus filhotes que pensaram estar já órfãos dada a putativa pujante carreira como filósofo mesclada com venda de medicamentos.

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  41. Joao Pereira's avatar
    Joao Pereira permalink
    21 Março, 2013 17:58

    Que post populista e abjecto. Eu gosto do Blasfemias … mas “Temos a obrigação de te agradecer e de te sustentar com o dinheiro dos nossos impostos, que tu bem mereces” está ao nível intelectual de Sérgio Lavos no Arrastão.

    Resumindo, um nojo. Pouco inteligente e desprovido de conteúdo.

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  42. Pffff !'s avatar
    Pffff ! permalink
    21 Março, 2013 17:58

    Vejam a TV do BERLUSCONI é privada e dão o lixo de que gostam

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  43. Duarte's avatar
    Duarte permalink
    21 Março, 2013 18:03

    rui a.
    Posted 21 Março, 2013 at 16:20 | Permalink
    “À conta dos meus impostos, há resmas de gente com a qual não simpatizo, a botar faladura na RTP.”
    Sem dúvida. Por isso é que defendo, de há muito, a sua privatização incondicional. E vc.?

    Ou seja, so falavam aqueles com os quais o Rui a simpatiza.

    Eis a democracia liberal. Nao se pode ser mais explicito.

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  44. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    21 Março, 2013 18:12

    Joao Pereira, Posted 21 Março, 2013 at 17:58
    seu fosse o RUI A pedia-lhe para ler o post outra vez!
    .
    há cada cromo por aqui 🙂

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  45. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Março, 2013 18:16

    Obrigado, Portela. Mas penso que nem à segunda lá chegaria.

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  46. MJRB's avatar
    21 Março, 2013 18:39

    Provavelmente Joao Pereira quando vota em eleições, continua a perguntar no dia anterior ao seu conselheiro, “como se faz” e “em quem”.

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  47. Duarte's avatar
    Duarte permalink
    21 Março, 2013 18:46

    Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento.
    Carlos Bernardo González Pecotche 1

    A consciência individual é anulada pela quantidade de informação empacotada.
    Edward W. Said 2

    Os actores e os actos da Censura no Regime Democrático adaptaram-se ao novo contexto. Quais as diferenças formais e funcionais entre a Censura do Estado Novo e a Censura do Novo Estado? Muitas há e não seria historicamente fundamentado nem intelectualmente correcto meter as duas no mesmo saco ou no mesmo Index. As vicissitudes e os desenganos deste ciclo democrático não justificam equiparação apressada nem cegueira relativamente às malhas e manhas da Nova Administração da Opinião Pública. Comecemos pelas alterações gerais do regime censório. No plano físico da Arquitectura do Poder, verificou-se uma mudança de domicílio ou uma deslocalização. Na verdade, no período do Estado Novo/Fascista, a Censura passou da fase castrense à fase paisana (não deixando, todavia, nos seus 48 anos, de incorporar militares na Guerra Civil da Informação-Contra-Informação), sedeando os Serviços Centrais no Palácio Foz (Lisboa) e em delegações distritais, com especial zelo no Porto, onde se editavam três centenários matutinos: O Comércio do Porto, Jornal de Notícias, O Primeiro de Janeiro. Conquistada a Liberdade de Imprensa, em 25 de Abril de 1974, naturalmente a Comunicação passou a espelhar a nova correlação de forças, elevando a rua a protagonista da revolução. O modelo mediático popular e revolucionário alterar-se-ia a partir do 25 de Novembro de 1975, paulatinamente emergindo outro modelo, elitista e contra-revolucionário, corporizado na Rede Nacional-Imperial da Informação. Apontaremos algumas singularidades do actual paradigma censório. A Censura desocupou os edifícios oficiais e camuflou-se nas empresas de Comunicação, investindo nas respectivas funções e missões, já não a patente de coronel, mas a de bacharel. Isto é, o regime censório de fachada democrática, compelido a esconder as vergonhas do fascismo, acabaria por resolver as suas necessidades com esperteza e poupança: passou a exercer o Exame Prévio dentro do espaço empresarial e redactorial, dando lugar a uma nova figura executiva. Essa nova figura reconhecer-se-á no director-censor ou no censor-editor, hierarquizadores de evidências, manipulações e omissões. Este golpe de mestre tem permitido disfarçar a existência de um corpo censório, colando as duas peles (jornalista e censor) numa só pele, numa só pena e num só salário. Os censores acobertam-se, agora, sob a capa da Carteira Profissional de Jornalista. O capitalismo procedeu a uma vingança a frio, com requintes sadomasoquistas: transferiu as atribuições e o odioso da Máquina Censória. Também evitou encargos com aposentos distintos. Assim se processou a ascensão e consagrou a promoção do Censor New: Leve dois e pague um. A chamada classe jornalística e os naipes de colaboradores movem-se neste território e neste contraditório. A selecção dos comunicadores assenta mais no mercado do que no mérito. A Liberdade de Empresa sobrepôs-se à Liberdade de Imprensa. Os grupos económicos assumiram o encargo político de triar os mensageiros e assessorar a gover(nação) e, amiúde, certa oposição, parceira da alternância, além de alienar a psicologia colectiva e desincentivar a democracia participativa, regendo-se pela máxima romana: o mínimo de pão e o máximo de circo. Lançados os dados, importa apurar em que medida os assalariados da República Mediática ou da coisa pública e publicada não serão cúmplices da lei da rolha do BCI/Bloco Central de Interesses. De facto, confrontados com os Códigos de Barras Deontológicas e os Artigos da Constituição, não poucos optam pela Caninização ou, no classificativo de Halimi, por reencarnarem em chiens de garde 3 ou cães de guarda de serviço,4 variante filogenética de Frola. Claro que a relação cão-dono (intimidade pessoal, historial sanitário, cadastro de incidentes) diferencia os currículos e determina as sortes. Não é cão de estimação ou de colo apenas quem quer ou se põe a jeito ou rosna à passagem de um veículo da concorrência. O dono do cão distingue as raças e as rações.5 Alguns tudo fazem para imitar a voz do dono, adoptando poses de elementos da família, outros manifestam a triste condição de cadelos.6

    Sob intervenção externa

    O regime censório de fachada democrática recruta, de preferência, jornalistas com vocação de serviço privado e intelectuais orgânicos. São os castrati ou meninos de coro mediático. Cantarolam na Casa do Senhor e manejam, com prontidão, o lápis azul do Profano Ofício, um lápis modernista: acoplado a um computador. A agenda doméstica conta ainda com a eficiência das patrulhas check-point, treinadas pela OMG/Ordem Mediática Global. Assim se organiza a cadeia de censura em sede económica, sem cuidar de normativos profissionais e referentes legais. Impera o Regulador Patronal em prejuízo do Regulador Constitucional, Regulador Social, Regulador Laboral. A Lei Fundamental inverteu-se: passou a ser a subscrita pela Assembleia Constituinte dos Onze, tantos são os grupos que mais ordenam no espectro mediático português: Cofina, Controlinveste, Estado, Igreja Católica, IURD, Impala, Impresa, Média Capital, Sojormédia, Sonaecom, Zon Multimédia. A nova ordem mediática implicou o varrimento do grosso dos jornalistas que tinha sobrado do 25 de Abril, esvaziando as redacções de memória e consistência. O capitalismo expulsou das fileiras ou colocou na reserva os Capitães de Abril da Informação, fazendo ingressar jovens escolarmente anglo-saxonizados e profissionalmente desprotegidos. Geração que há anos, com algum acento paternal, cognominei de infantário electrónico. De resto, para o sistema, um jornalista não passa de um computador com carteira profissional. Assim se desenha um perfil de redacção que não investe em activos intergeracionais (éticos e dialécticos). A vida interna foi sendo esvaziada de personalidade e património. Quanto à interferência externa, atente-se nas Agências de Publicidade, enquanto persuasoras do relevante: modelam a Agenda Diária e o Design Editorial. A Primeira Página, outrora tida por sagrada, a roçar o intocável, foi sendo invadida e capturada pela Publicidade, de tal modo que, com frequência (sempre que o cliente ordena), é oferecida como Espaço de Simulação Noticiosa, de grande mancha editorial. Concorrendo com esta valência mediática, também é visível a actuação das Empresas de Comunicação (vocacionadas para o catering ou a comida pronta e embalada). Somam-se a estes actores subcontratados os Gabinetes de Imprensa/Relações Públicas que empenhada e graciosamente vazam os seus recados, por vezes, ipsis verbis. Junta-se a este complexo intervencionista a arma selectiva dos colaboradores. Cumpre-lhes elaborar teses de enquadramento e remates de emissão. São quase sempre os mesmos ou defendem quase sempre o mesmo. Para isso foram recrutados.

    Filhos da pauta

    O papel desta Redacção Colateral raramente diversifica ou enriquece o produto, já pré-condicionado pelo poder patronal e pelo treino educativo. No campo dos actores extraterritoriais, os órgãos de Comunicação acham-se ainda reféns (por critérios de redução de custos e colagem ideológica) das orquestrações mediáticas mundiais. Bastará um relance pela Imprensa Internacional de grande tiragem ou saltitar de canal em canal para surpreender um jornalismo made in, propagador de infopandemias. Tal transbordo inclui matéria informacional corrente e não só: se atentarmos na vertente musical, cerca de 70% da música emitida nas estações nacionais é de filhos da pauta anglo-saxónica. Queiramos ou não, temos as antenas censuradas e colonizadas. A generalidade dos jornalistas coopera na retransmissão por contágio sistémico ou indolência funcional. Uma minoria é especialmente adestrada para manter a massa crítica longe das redacções e audiências. Neste mercado de revenda, bom jornalista é aquele que agita tudo que o patrão lhe meta na mão. E não faltam agitadores voluntários ou apanhados na onda. As Redacções estão, de resto, formatadas como microondas fast-food, reaquecendo enlatados das Empresas de Comunicação, Publicidade & Marketing, dos Gabinetes, das Agências, das CNN`s, das conferências dos Novos Doutores da Lei e dos briefings dos Generais da Ordem do Império.

    Livro de Estilo do Império

    A telemanipulação cobre o vasto campo de conflitos de interesses (imperiais, regionais, nacionais), construindo enciclopédias do quotidiano, sobrecarregadas de calão incriminador ou branqueador: exemplos – de um lado, são apresentados fundamentalistas, extremistas, radicais, a violência fanática, irracional; de outro lado, aparecem soldados, exércitos, forças da ordem, missões humanitárias. Os massacres, os desalojamentos e a punição colectiva passam à categoria de acções de retaliação, operações de limpeza, raids de advertência, fogo amigo. A ignomínia vai até à reprodução pura e dura do dialecto imperial: milhares de civis têm sido liquidados sob a etiqueta de insurgentes, rebeldes, terroristas. Ataques por engano ou terror programado? O Livro de Estilo do Império Mediático contém fórmulas intencionalmente confusas e difusas, de geometria variável. Um das mais vertidas tem a ver com o conceito de comunidade internacional. De facto, há 245 entidades nacionais e 193 compõem as bancadas das Nações Unidas, mas, a todo o momento, um porta-voz do cânone invoca, em coro ou a solo, a CI, usurpando a legitimidade da ONU. O confronto israelo-palestiniano é pródigo em chavões: enquanto se mantém uma semântica penalizadora ou anuladora da resistência, reproduz-se a cartilha do invasor. Há órgãos que recorrem a terminologia hebraica para esbater a palavra Exército: o tshall entrou em Gaza. Assim, parece que algo de irreal se moveu na zona. A invasão é noticiada como uma passeata. A Euronews é viciada neste adoçante. Por seu turno, a CNN socorre-se de uma sigla: IDF. As Israel Defence Forces agradecem a discrição. O Estado Sionista também goza de cobertura e indulgência no que toca a Direitos Humanos. Raramente se interpela a existência de milhares prisioneiros palestinianos, incluindo centenas de adolescentes, enjaulados em Israel, na maioria, por haverem sido eleitos pelo seu povo ou por delito de manifestação ou por arremessaram uma pedra aos blindados do ocupante.7 Igualmente não suscita o mínimo de apreensão que o Estado Confessional de Israel possua 200 cargas nucleares mas o Estado Teocrático do Irão, que não possui nenhuma, é tema residente da Agitprop.8 É proibido bater, mesmo com uma flor, em certos países e determinados terroristas. Outros exemplos? Os holofotes são afastados da Índia e da Arábia Saudita, pesos a considerar na balança dos negócios estratégicos (civis e armamentistas). A agenda cumpre voto de silêncio ou de benevolência perante estados párias, em muitas facetas dignos da Idade das Cavernas e da Baixa Idade Média. A Índia é rotulada como a maior democracia do mundo; a Arábia Saudita, tirania corrupta e escola exportadora de terrorismo, sobrevive como estado cliente e parceiro estabilizador da região. E outras certificações de boas práticas poderíamos citar, desde Marrocos à Guiné Equatorial, da Colômbia ao México, onde se normalizou a fraude cívica e banalizaram os atentados à vida e à decência económico-social. Se quisermos apontar exemplos de aplicação da regra das duas medidas a organizações, poderemos, mais uma vez, sintonizar a independente Euronews, mais Voz da América do que Voz da Europa. Dignifica e indulgencia como comando checheno o grupo terrorista-infanticida da escola de Beslan/Rússia/2004 (331 mortos).9 Por outro lado, organismos ocidentais e brigadistas mediáticos empolam casos de Humans Rights em Cuba, na Venezuela, na Rússia, no Irão ou na China. < continua)

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  48. Duarte's avatar
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    21 Março, 2013 18:47

    Dicionário Mediático Nacional

    Para deteriorar sobremaneira este panorama de Liberdade de Imprensa também se está perante uma ofensiva contra a Língua Portuguesa e o seu lastro identificativo. Para lá do já exposto no que toca à radiodifusão musical, com os Camones a usurpar o verbo de Camões, assistimos a um Serviço Público & Privado em litígio com os repositórios do Idioma. A Censura da Competência manifesta-se através de pontapés nos Dicionários Correntes e na Gramática Elementar, socos na Sintaxe. Os dislates vão desde confundir mandado com mandato, detenção com prisão, lock-out com greve, discrição com descrição, modulação com modelação, baias com vaias, abstenção com abstinência, iminente com eminente, acidente com incidente, interino com interno, previdência com providência, tráfego com tráfico, evento com invento, encarregue com encarregado, aceite com aceitado, agnóstico com gnóstico, fundamentais com fundamentalistas, quotas com cotas, preparativos com preservativos, portista com portuense, reconstituir com reconstruir, embater com colidir, exultar com exortar, desmarcar-se com demarcar-se, retratar-se com retractar-se, despoletar com espoletar, conselho com concelho, soalheiro com solarengo, estofado com estufado ou surpreender contróis ao deparar com controlos, ver competividade na competitividade, inverosímel no inverosímil – e por aí adiante – até vender um arboredo em Mondim de Basto, construir pneus em Vila Nova de Famalicão ou abater um Boeing na Colômbia com um relâmpago ou localizar 700 toneladas de explosivos da ETA em Óbidos em vez de 700 quilogramas ou situar Katmandu na China ou reportar ferimentos de capacetes azuis na Líbia, facto ocorrido no Líbano. Outros chumaços vão desde a metalurgia uterina à ortopédica (dama de ferro, braço-de-ferro); passam pelas ciências de emergência médica (à beira de um ataque de nervos, impróprio para cardíacos); por indultos da autoridade ou jornalismo oficioso (a polícia foi ou viu-se obrigada a usar a força); pelo filosofismo voluntarista, animador das hostes (proibido perder, obrigatório vencer); pelo sensacionalismo, tremendismo social (casamento do século, assalto do século, furacão do século, chuvas diluvianas, pavoroso incêndio, arrasar); por expedientes de suspense militar-diplomático (visita-surpresa, comunicação de última hora). É evidente que todos nos socorremos de apoios frásicos ou próteses verbais, o que não tem a ver com erros crassos e pendor para o incorrigível e a vulgata saturante. Terminaremos a amostra com uma preocupação patriótica e um desejo pessoal: que a Língua Portuguesa não venha a ter o destino da língua de vaca, normalmente apreciada morta e com ervilhas. Haja esperança. Talvez o remédio chinês passe um dia a ser ministrado no nosso Hospital das Letras.10 Na República Popular da China, os pivôs estão sujeitos a uma coima por cada calinada.11

    Palha na sopa

    Na divisão de tarefas há que conferir super-relevo a pequenas tragédias e a médias delinquências do quotidiano, emprestando às instituições democráticas e aos formatadores da consciência social um álibi de humanismo e biodiversidade, destacando meia dúzia de micro-sujeitos de rosto humano no planeamento editorial. O capitalismo neoliberal-mediático concede umas fracções de antena a algumas vítimas e a alguns empurrados para as filas da penúria ou caídos nas sarjetas da carne ou nos alçapões da Casa da Moeda. Esta política de conteúdos produziu uma vaga de Jornalismo Esmoler e Judiciário apenas suplantado pelo Jornalismo Eroline. Uma grande fatia desta programação prende-se com dramatizações de choradinho garantido e diversões de rendimento mental mínimo. Na agenda de 2007, por exemplo, a adopção de uma menina (caso Esmeralda/sargento Gomes) ou o desaparecimento de uma criança inglesa (Madeleine/Algarve), não poupou meios logísticos e talentos redactoriais para fazer render o historiograma. Televisões houve que focaram 30 minutos a porta da Polícia Judiciária em Portimão.12 Para memória futura, aqui se deixa um balanço dos tempos de antena dedicados a Maddie nos primeiros seis meses: 104 horas, correspondentes a 2.191 notícias. Assim distribuídos: SIC (43h33m19s), TVI (28h08m48s), RTP1 (28h08m48s), RTP2 (04h09m27s).13 É certo e sabido que morrem ou definham ou se pervertem diariamente milhões e milhões de crianças, vítimas da fome, de falta de água potável, carências sanitárias, trabalho escravo, mendicidade organizada, exploração sexual, tráfico de órgãos, militarização bandidesca, violência doméstica-sistémica. Isto é, nuns cases, é importante sobrevalorizar, noutros cases, importa desvalorizar. Tratando-se, então, de crianças brancas e louras, os cases ganham projecção transfronteiriça. Eis-nos diante um modelo de dupla censura: pela copiosidade do tratamento e pela discriminação negativa. Outro exemplo de circo mediático: a obsessão sexual, a cabaretização do espaço público. Este bloco programático e publicitário alcançou foros epidemiológicos e de indigência depressiva. Ainda um pouco neste registo e no que respeita às coisas do baixo-ventre: o caso Casa Pia preencheu, em Fevereiro de 2003, 716 pontos da agenda das três televisões de bandeira nacional, num total de 968 blocos temáticos; em Maio, o gráfico da febre de écran Sexo & Crime nos já ia nas 794 peças; em Outubro, o massacre dos inocentes somava 900 agendamentos. As coisas do sexo são inesgotáveis. Aos espectáculos da libido ou das suas perversões adicionam-se arroubos de estádio, milagres da fé, concursos milionários para quem quiser pertencer ao Clube dos Crentes ou ao Clube dos Ricos, embora ninguém seja obrigado a ser devoto ou milionário. A liberdade de não ser milionário é, de resto, uma das Liberdades Fundamentais do Capitalismo. Eis o Programa da Nova Junta de Salvação Nacional: lixeiras a céu aberto, transformadas em Sopa dos Pobres de Espírito.

    Censor: alguém cuja função é separar a palha do grão, a fim de ser publicada a palha.14

    A medida de todas as coisas

    Também procuraremos dar um contributo para a focagem do futebolês como objecto de sedução e manipulação de massas: para a Comunicação Anti-Social, grandes clássicos não são os livros dos Grandes Escritores ou os autores de Grandes Obras mas os Jogos Benfica-Porto-Sporting ou os seus artistas, mágicos da relva ou da outra galáxia, alguns já feitos best-sellers, pois deram em escreventes ou confidentes de pena alheia, com direito a chefe de Estado em sessões de apresentação. De resto, o futebolês tornou-se a medida de todas as coisas, uma gazua semiótica para plebes acabrunhadas e classes emergentes. Exemplifiquemos: se ocorrer um incêndio, a zona afectada é correntemente avaliada em rectângulos da bola: ardeu o equivalente a 100 campos de futebol; se for projectado um empreendimento, logo se equipara aos custos de um ou vários dos colossos do EURO 2004: o montante rondará cinco estádios do Sporting de Braga. O futebolês tornou-se a língua mais falada em Portugal: não há assunto que gaste tanto papel e tanto potencial radioeléctrico. O português baixo-médio-alto encontra na cultura do esférico o seu PNA/Plano Nacional de Alfabetização. Importante é um jogador ter atitude. Uma boa percentagem do país jaz aos pés de Cristiano após jazer aos pés da Virgem. Portugal é convidado a ficar ao rubro ante qualquer partida de futebol, mesmo na Transcaucásia. Dir-se-á: o povo ama o circo. Certo: mas qual a razão para não se fixar outra medida-padrão e quem estará empenhado em fazer vingar e valer o futebolês e manter este nível de discurso rasteiro? O dito povo – que se saiba – não funda Jornais, Estações de Rádio ou de Televisão. Como não funda Escolas, Igrejas ou Estádios. Apenas sustenta as aparelhagens do Poder e as suas amarras com sufocantes contribuições, levianos votos e alegria sem trabalho.15. ( continua)

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  49. Duarte's avatar
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    21 Março, 2013 18:47

    O fantasma georgiano

    Então, se à overdose de vulgaridades e atropelos se adicionar a dose de anticomunismo (primário, secundário, universitário) – eis um recheado prato do dia do censor e propagandista de turno. A infâmia de estalinismo instalou-se. O palavrão visa neutralizar quanto cheire a socialismo, afastado desta tentação as vítimas do capitalismo. É claro que a maioria absoluta dos anti-estalinistas nunca procurou saber o que foi ou não foi o estalinismo e alguns até têm diplomas nas paredes. Acontece que atirar um cidadão ou uma organização para as fossas abissais do estalinismo tem retorno assegurado entre os néscios. Não há agremiação ou sujeito de direita desavergonhada ou de esquerda folk que não dispare amiúde as flechas de caçadores de tesouros tumulares. Independentemente das máculas do estalinismo (de resto, expostas e verberadas pelo PCUS/XX Congresso/1956 e pelo PCP), o que se propõe é estigmatizar constantemente o PCP, alvo histórico de imputações de estalinismo. De facto, os besteiros poderiam usar outro veneno nas pontas. Deveriam, inclusive, virar-se para ditadores caseiros. Mas não. Tentam apagar o perfil delinquente do regime fascista. Irrompe por todo o lado (mediático, académico, editorial) uma vaga de Estado Novo foi a qualificação que o próprio regime fascista melhor conseguiu para se justificar, copiando a emblemática dos congéneres italiano e brasileiro. Os novos estoriadores-opinoticiadores preferem a linguagem da Opressão. Excluem a linguagem da Resistência. Mas a recuperação do dialecto é mais vasta. Apreciemos outra recuperação lexical: a TVI tem o seu Diário da Manhã, um dos programas de aposta da independente estação. Diário da Manhã se intitulava o jornal oficial da ditadura. Poder-se-á admitir que um título não merece eterno anátema. Mote credor de reflexão. No entanto, um antifascista não escolheria este título: ainda não decorreu suficiente período de nojo histórico. Eis a Linha de Ruptura. Uns dirão: O fascismo existiu. Outros dirão: O fascismo nunca existiu. E José Estaline, então? Esse existiu mesmo. O georgiano é tema central da actualidade político-mediática. Parece que governou esta faixa atlântica durante decénios. Ainda se arrisca a ter um museu no Portugal Profundo. Maior concentração de miséria histórico-filosófica só é localizável na Reserva Madeirense, cujo líder ascendeu ao Governo pela finura de pensamento, ao ponto de considerar cubanos os habitantes, votantes e contribuintes do Continente. Entre estalinistas e cubanos, o discurso da classe política no Poder e da classe jornalística do Poder não passa de retórica caceteira e trapaceira.

    Berlusconização em curso

    Como dispor de veículos comunicacionais alternativos? Repare-se nas pirâmides multimédia, nas famiglias mediáticas, na berlusconização da Liberdade de Imprensa, isto é, de Empresa: a concentração, a censurização, a manipulação. O fenómeno transalpino é um modelo de jornalismo que leva ao extremo a tentação totalitária. Mas o modelo não se confina ao Império do Cavaliere Oscuro.16 Tende a reproduzir-se na esfera ocidental e mundial como estratégia de negócio e instrumento de domínio político. Não admira a pergunta, seguida de imediata resposta de um escritor e académico italiano, que residiu largos anos em Portugal:

    O que é a liberdade de palavra? Em Itália, é-se teoricamente livre de dizer o que se pensa. O problema é onde.17

    No período capitalista-fascista, algumas publicações resistiram à Censura na clandestinidade e no exílio, no permanente sobressalto e salto; no regime censório do capitalismo de fachada democrática, a Imprensa não afecta ao sistema defronta-se com pré-condicionantes: desde logo, provida de parcos fundos, não alcança a penetração comunicacional dos Meios Estruturantes (TV, Rádio, Jornais, Revistas, Globonet). Também não obteria créditos da Banca nem poderia depositar expectativas no bolo publicitário. Para coroar este quadro de pré-carência, qualquer órgão que procure instituir uma autêntica vox populi acarretará com o cerco judiciário, já que os alvejados moveriam processos em carrossel a exigir indemnizações incomportáveis e a exigir, nos termos da lei, o apeamento das direcções, com jus à reposição da honra e do bom-nome do bordel do sistema. O caso de o diário ficou inscrito no Guiness do reyno cadaveroso.18 Neste panorama, a Imprensa alternativa subsiste por militância dos redactores e dos leitores e raramente se afoita pelo Jornalismo de Investigação, a fim de não ser presa fácil da vendetta judiciária. A Imprensa livre e popular funciona como suplemento vitamínico e vital, alarme cívico e cultural, de momento, cercada pelo alarido dos Onze, os donos da bola mediática. Mas cerco não significa resig(nação) nem derrota. Cercos houve muitos e terminaram repelidos e levantados. O Jornal da História trará a notícia. Amanhã. Como já trouxe ontem. Em 1974. Por exemplo.

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  50. General's avatar
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    21 Março, 2013 19:12

    Vai ser bonito de ver o professor Martelo a comentar a vinda de mais um comentador para o circuito rádio televisivo… granda nóia , como diria o comentador M.Mendes !

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  51. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    21 Março, 2013 20:02

    Chapeau, Rui A.

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  52. Tiro ao Alvo's avatar
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    21 Março, 2013 20:27

    O Duarte, além do mais, é um abusador. Sem vergonha.

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  53. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    21 Março, 2013 21:30

    Sobre a forma do post, apraz-me dizer que para o “Dia Mundial da Poesia” não está nada mal. 🙂
    Sobre o seu conteúdo, a RTP2 tem dado alguns excelentes filmes. DE vez em quando, é a minha Cinemateca e a minha Medeia Filmes, entre outras coisas. A RTP1 também tem um ou outro programa alternativo com interesse. Nunca perco os “Portugueses pelo Mundo”, nem o “Depois do Adeus”. Poderiam e deveriam melhorar, conter gastos e provavelmente dispensar alguns canais, concordo.
    Grandes gastos em ofertas culturais pagas pelo Estado em teatros, museus, e não só, tem Lisboa, e eu até acho bem que os meus impostos ajudem a pagar essas ofertas.

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  54. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Março, 2013 22:44

    Caro Fincapé,

    Tem vc. toda a razão, que hoje deu-me para a poesia. Devem ser as musas inspiradoras, sobretudo as de ascendência grega que ameaçam vir da Cidade-Luz. Mas diga-me lá se eu não tenho razão: desde que eu me conheço, que quem está na oposição se queixa da instrumentalização da RTP. Andam para aí numa berraria pegada a dizer que a RTP faz favores ao governo e os prejudica a eles. Quando chegam ao poder e saem os outros, calam-se muito caladinhos, e, tempos depois, recomeça a cantilena com as posições trocadas. Parece que aquilo não serve para outra coisa que não seja fazer fretes aos partidos dos sucessivos governos. Não seria melhor conservar a marca fora dessas más influências, vendendo aquilo a quem fizesse daquilo um negócio lucrativo e não suportado pelo dinheiro dos meus e dos seus impostos?

    Saudações,

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  55. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    21 Março, 2013 23:12

    Caro rui a.
    Concordo com o seu diagnóstico por inteiro. Na terapia é que temos algumas diferenças. Parece-me que é possível ter um canal público com uma qualidade menos comercial e com menos custos. Provavelmente, até sem prejuízos. Na verdade, a RTP não é muitas vezes uma boa alternativa aos outros canais. Mas eu gostaria que fosse.
    Cumprimentos

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  56. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    22 Março, 2013 00:11

    CDS-PP quer explicações do diretor de informação da RTP
    por Lusa, publicado por Ana Meireles
    .
    Rui A já deve estar mais descansado; o CDS está a tratar de garantir a independência na tv pública, uma vez que Relvas deixou há muito de ser ministro 🙂

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  57. Golp(ada)'s avatar
    Golp(ada) permalink
    22 Março, 2013 00:14

    O regresso do “menino d’oiro”, é eloquente do estado de CINISMO, que chegamos.
    Já estou a ver esse abutre farmacêutico, que deixou este Circo num pantanal, com renovada arrogância dar lições com o curso de “engenhoso” tirado ao Domingo, ou vender Rennies prás azias anunciadas.
    .
    Triste circo…

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  58. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    22 Março, 2013 00:31

    Tenho esperança de ver um debate sócrates/relvas, cujo tema poderia ser “o ensino universitário, os totós e os comentadores do blasfémias” 🙂

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  59. eramasfoice's avatar
    eramasfoice permalink
    22 Março, 2013 02:49

    Se me cruzar com o badameco não sei que lhe faço, a ele ou ao relvas e outras moçoilas de avental.

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  60. eramasfoice's avatar
    eramasfoice permalink
    22 Março, 2013 02:51

    Também posso me barricar na rtp com um alicate e só libertar o parolo quando lhe arrancar o neurónio e a falta de vergonha.

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  61. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    22 Março, 2013 08:48

    O Fincapé parece que se está a esquecer que a RTP gasta por dia mais de 700.000 euros, parte que arrecada através das nossas contas de electricidade, parte através dos impostos, tudo do nosso bolso, do bolso de todos os portugueses, mesmo dos que não vêem televisão ou dos que passam fome.
    Não privatizar 80% da RTP, foi um dos maiores erros cometidos por este governo. Calar este crime que está a ser cometido contra todos nós, é pactuar com esses sem-vergonha.

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  62. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    22 Março, 2013 11:40

    Não, caro Tiro ao Alvo,
    Estou é a lembrar-me que depois nunca conseguirei ver mais programas, olhe, por exemplo, como aquele que começou ontem com o maestro Rui Massena, “Música Maestro”. E alguns outros. Poucos, infelizmente.
    E o mais agora que até o privado Canal de História nos anda a mostrar há imensos meses as obras que os extra-terrestres fizeram na Terra quando “por cá andaram”. (Esta deveria ser para rir, mas é tão triste que eu nem consigo).

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  63. atom's avatar
    atom permalink
    22 Março, 2013 11:42

    Parece-me que o mais pândego membro do governo, Sr. Miguel Relvas, está a preparar o seu futuro no após -governo. Ele vai sempre mais à frente…

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  64. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    22 Março, 2013 11:52

    É Relvas quem vai redigir as perguntas a Sócrates.

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  65. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    22 Março, 2013 18:26

    Fincapé,
    E o amigo acha que um ou outro programa de qualidade vale uma factura de 700.000 euros por dia? Repare bem: por dia!
    Gastar mais de 200 milhões de euros por ano, para pagar salários milionários a uns quantos espertalhões e espertalhonas, é, aos olhos de muita gente, um pecado sem perdão.
    Parece-me que, em havendo necessidade de apoiar, com dinheiros públicos, a emissão de bons programas (e, a meu ver, há), a contribuição que pagamos na conta da electricidade, dava para financiar muitos programas dessa natureza, que podiam se produzidos por qualquer uma das estações de TV e não pela monopolista RTP.
    E se assim se fizesse, poupar-se-ia muito dinheiro dos nossos impostos, tão necessário para reduzir o défice e para abater à dívida.

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  66. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    23 Março, 2013 14:40

    Não percebeu, meu amigo.
    Há vários programas infinitamente acima da média na RTP1 e na RTP2. O que eu acho é que a RTP deve conter despesas, de preferência ser auto-sustentável, caso seja possível, e tornar-se um canal de referência pela sua qualidade. Uma espécie de oferta para os oito milhões de portugueses que não têm acesso às ofertas de Lisboa.
    Ou acha que eu, que não tenho museus, galerias de arte, teatros nacionais, e muitas outras ofertas, ao pé de casa, nem transportes subsidiados para me deslocar, não sustento essa oferta lisboeta com os impostos? Só que aceito de bom grado, porque não quero que os turistas pensem que vêm ao terceiro mundo. Portanto, não discordo. Mas gosto que me ofereçam alguns produtos que não tenho perto. Quando vou a Lisboa ver seja o que for sei quanto me custa.
    É que eu partilho a ideia de que a televisão não deve ter só a função de entreter. E também aquela que considera que o Estado, enquanto organização dos povos, deverá ter responsabilidades na sua educação. Coisa que não tem nada a ver com pôr as pessoas a pensarem todas da mesma maneira. Pelo contrário.

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