Coligações à portuguesa
Os portugueses dão-se mal com governos de coligação: seja a falta de hábito com o modelo, seja pelo hiperbolizar de divergências que alimentem ténue expectativa de mudança, seja até por fado de povos cujos partidos são essencialmente variações – mais aparentes do que reais – de socialismo; esta tendência anti-coligação e apetência por maiorias absolutas tornou-se mais que evidente na declaração de ontem de Paulo Portas; não só na declaração propriamente dita mas também em todo o circo que a envolveu, quer antecipando-a, quer dissecando-a até ao extremo absurdo em que culmina o título do i, “Portas ataca troika e ameaça: ou cai o imposto sobre as reformas ou o CDS abandona o governo”.
Divergências nas coligações são normais e desejadas – afinal, são ou não partidos diferentes? Ainda na semana passada, o governo de coligação irlandês teve divergências sobre assuntos de fundo para os quais há verdadeiramente alternativa: por exemplo, não intervir.
Paulo Portas não colocou a coligação em risco: limitou-se a apelar ao seu eleitorado para que não seja esquecido nas próximas eleições, nem que com isso afaste a pequena ala liberal que ainda crê na possibilidade do CDS-PP ser um partido de direita portuguesa.

Já ninguém crê que o CDS-PP seja um partido de direita. É assumidamente um partido de centro-esquerda. Um PS suavizado.
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Não digas asneiras.
O CDS é um partido de extrema-direita que tenta fingir que não o é mas fica sempre com o rabo de fora.
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O VC tomar-se-á por exegeta de versões infantis da realidade política?!…
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Chama-se “opinião” e é algo intrínseco a seres humanos. Uma chatice.
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Deveria saber que o valor da opinião é 0 (zero), ou meramente decorativo: excelente para quem toma como suficiente pensar e expressar-se sem recurso à Lógica e aos seus inerentes formalismos.
Mas eu compreendo, exceptuando nos curricula de Matemática Pura e de Filosofia Relacional, a Lógica não é sequer objecto e discplina seriamente estudada.
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YHWH, teria todo o gosto em ver um comentário seu que não se limitasse a criticar uma falha lógica genericamente não apontada mas que elaborasse um argumento lógico demolidor da minha tão frágil opinião de valor zero. Agradecido.
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Não existe em portugal qualquer partido de direita. Portas percebe que o ajustamento só vale a pena fazer ,se no final ,ainda houver Portugueses em Portugal.O ajustamento que falta fazer anda entre os 10 e os 15000milhões ,dependendo de haver ou não crescimento do PiB. Se não se alterarem as condições temos de ter um perdão da dívida de 50%,não vamos lá sózinhos,portanto,temos de cumprir as ordens dos credores e esperar pela sua boa vontade. Se os portugueses quiserem ser autónomos e independentes devem começar a planear ,hoje ainda ,a saída do euro.
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“Os portugueses dão-se mal com governos de coligação” – escreve.
Esta generalização de Cunha admite uns graficozinhos com as sondagens feitas durante os governos com e sem coligações.
Ou ao menos umas percentagens, caramba.
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As Coligações Políticas são como as Hipóteses na Ciência:
Uma coisa que não é (governo) mas nós fazemos de conta que é,
para ver o que seria, se fosse . . .
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Estou a prever o PS ganhando as próximas eleições em coligação com o BE . . .
(ou com o CDS/PP Basílio Hortense . . .)
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“Os portugueses dão-se mal com governos de coligação”.
Se quiser, pode simplificar, caro Vítor. Basta “Os portugueses dão-se mal com governos”. E há razões para isso. Basicamente, os governos não governam no sentido em que não gerem. Se gerissem, nem seria necessário combater as “gorduras” do Estado. Então, o que fazem os governos? Basicamente, muito pouco, além de infernizar a vida às pessoas. Mas não é por serem socialistas, que nem são, ou liberais que, no fundo, até são. Diarreiar legislativamente é a atividade básica. Todos pensam que vão tornar perene o seu insignificante nome (tal como o meu, obviamente) se ele ficar inscrito em decretos enfadonhos e perturbadores do regular funcionamento das instituições, despachos manhosos e indigentes que complicam ainda mais o que os decretos já tornaram complicado e ofícios posteriores a esclarecer que não esclarecem nada. Caiu o governo do Socas, todo o seu brilhante espólio legislativo teve de ser alterado (talvez não se lembre de um artigo do António Barreto no Público cujo texto era apenas a introdução a um despacho do secretário de Estado Valter Lemos). Não sobrou quase nada na Justiça, na Educação…
Mesmo que este governo chegasse ao fim, o que me parece impossível, mal teria tempo de alterar toda a merdonguice deixada. O governo de Socas fez a mesma coisa e o que vier a seguir a Passos fará exatamente igual. Admito que, com a crise, haja outras tarefas, como produzir documentos num dia para serem rasgados no dia seguinte, estilo DEO e propostas para o crescimento.
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Quanto à “…pequena ala liberal que ainda crê na possibilidade do CDS-PP ser um partido de direita portuguesa”, parece-me que o PP, tal como o PSD, são tão de direita quanto os seus eleitorados permitem. Os partidos, nesse estrito aspeto (e embora as lideranças imponham as suas ideias dentro das estruturas), existem por têm votos. Não há qualquer dificuldade em constituir um partido ultraliberal em Portugal. Bastam, suponho, 7.500 cidadãos eleitores. A não ser que não haja esse número em Portugal. 😉
Repare, Vítor, se as pessoas (que eu até acho que têm boa dose de egoísmo e individualismo) têm receio dos partidos que, embora de direita, se apresentam como tendo algumas preocupações sociais, imagine um partido que professasse o individualismo, o egoísmo (como a tal senhora) e o darwinismo social. “Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim”. 😉
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Na realidade, os portugueses dão-se é particularmente mal com a identificação das causas dos problemas. Isso é muito amplificado pela actual oposição, cujas propostas devastadoras são passadas como indolores.
Quanto ao partido liberal, não apoio essa ideia, muito menos agora. Limito-me a constatar que Portas, entre escolher o doce eleitoral a reformados e manter intacta uma facção do partido, opta pela primeira, completamente consciente da sua escolha.
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“…os portugueses dão-se é particularmente mal com a identificação das causas dos problemas.”
Não sei se será assim. A maior “causa dos problemas”, identificada mais pela direita do que pela esquerda, é “os portugueses gastarem acima das suas possibilidades.” Ora, tirando os gastadores compulsivos que existirão sempre, não me parece que isto seja exatamente assim. O maior gasto da maioria das pessoas (famílias) era a habitação. Mas, além disso, os bancos desunhavam-se em oferta de crédito para férias, carros e bugigangas. Eu sei que há uma certa atração de muita gente por grandes casas, grandes carros e consumos menos baixos. Mas isto tudo era conseguido com a oferta das instituições de crédito que ofereciam o paraíso na terra. Bancos esses que iam ao exterior buscar o dinheiro que fosse necessário para o consumo portuga.
Esse excesso de crédito inflacionou os valores das casas, mas agora, na crise, os vencimentos descem, os impostos aumentam, mas as pessoas ficam com a mesma dívida para pagar.
Por isso, gostaria que um iluminado fizesse contas aos ganhos alemães, e de outros, com esse empanturramento de dinheiro barato. E gostaria de saber quanto lucrou a séria Alemanha (e outros) com a destruição de setores produtivos em Portugal, desde Cavaco, e noutros países da Europa.
E gostaria também que alguém me explicasse, como se eu fosse muito burro (se calhar até sou), como é que grande parte dos cidadãos, perante a oferta de tanto dinheiro por entidades sérias (ui!) e sabedoras de economia como os bancos (ui! de novo), poderia concluir que estava a ser “burlada”?
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As asneiras dos governos são muito menos desculpáveis, mas, até esses poderem alegar “aliciamento” dos ofertantes de crédito”. Eu é que não acredito.
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Conclusão: a direita liberal nunca vai à origem do problema. Fica-se pelo mexilhão, porque sabe que o bicho não tem pernas para escapar. 😉
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Esta extrema direita que escreve neste blogue é de ir às lagrimas …. De rir
Uma parte , a que vem do Esquerdismo, vive atormentada com os demónios do passado e tenta espiar a sua alma atormentada vendo em cada esquina ,o comunismo, o socialismo e o estado. A outra parte ressabiada com a revolucao de Abril e a queda do fascismo tem o mesmo sentido de vingança e ate acha que o CDS é de esquerda e socialista.
De facto, quer uns quer outros não sabem viver em democracia e sabem que o seu ideal só é possível em ditadura. A existência de Povo e de sociedade é uma chatice.
O que nao se compreende é que esta elite, sendo pelintra , como é a burguesia portuguesa, defenda de forma tão sabuja, a elite financeira mundial essa sim rica e privilegiada
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O normal são governos de coligação por essa europa fora :http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/349677.html
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Ora, ora… Então as quadrilhas da direita entendem-se ou não?
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