A ler
João César das Neves: «A nossa elite é intimamente avessa aos princípios básicos da democracia. Mesmo se ultimamente adoptou a versão oficial, exteriormente democrática, que por vezes até parecia sincera, a crise actual veio revelar as suas reais tendências. As origens da atitude são velhas, profundas e estruturais, manifestando-se claramente em todas as épocas.
A essência da democracia, na política como na economia, é competição, alternativa, desportivismo. Que todos tenham oportunidade de se apresentarem e ganhe, não o melhor, que ninguém sabe quem é, mas aquele que a sociedade preferir. Ora, os nossos pensadores e dirigentes há séculos que são eminentemente proteccionistas, corporativos, clientelares. A sua visão é aristocrática, egoísta, manipuladora. Consideram-se geniais e desprezam as massas ignaras e o País, que nunca os mereceu. Visceralmente avessos à incerteza das eleições e mercados, preferem arranjinhos de bastidores, batota do árbitro comprado, garantia de progra- mas de apoio.
Esta atitude de fundo sempre se manifestou no campo económico com uma posição abertamente anticapitalista.Do jacobinismo republicano ao corporativismo salazarista e à social-democracia do PS e do PSD, a elite nacional repudia sem rebuço a incerta economia de mercado, preferindo a versão dirigista e regulamentar. No campo político, pelo contrário, o discurso tem sido mais diversificado. Aí é preciso ir ajustando as expressões, para não chocar as conveniências de cada época.
É verdade que mesmo após Abril permaneceu viva, sobretudo na extrema-esquerda, uma doutrina claramente antidemocrática. A corrente principal da elite, no entanto, dizia-se nominalmente defensora de um regime aberto e europeu. Isso não impediu, naturalmente, a captura corporativa do sistema que alimentou a dívida galopante.Agora que os resultados da loucura rebentaram, vemos as personalidades mais insuspeitas apregoarem propostas perversas, sem a menor vergonha de negarem aquilo que sempre disseram defender.
As actuais imprecações antidemocráticas partem sempre do repúdio do Governo, alegadamente povoado de mentecaptos perversos empenhados na demolição nacional. O facto de essas políticas virem não do arbítrio de ministros tolos, mas da orientação de instituições internacionais reputadas, a quem os críticos sempre proclamaram uma adesão incondicional, não parece fazer a menor diferença. A única solução, segundo eles, é subverter as instituições, derrubar a maioria legítima, convocar eleições subversivas.Nem sequer entendem que essa mesma proposta minaria a legitimidade do Governo daí resultante, o qual, aliás, não teria outro remédio senão continuar na mesma linha de austeridade»

A este santificado economista só faltou a coragem para afirmar explicitamente o seu desejo e opção do primado da democracia enquanto derivado do mercado…
Sic transit…
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“A este santificado economista só faltou a coragem para afirmar explicitamente o seu desejo e opção do primado da democracia enquanto derivado do mercado…”
É precisamente o contrário. Só há mercado se houver democracia. “Mercado”, implica concorrência e portanto liberdade e inovação. Sem liberdade de iniciativa é que não há mercado. Há sim corporativismo e protecção, o que não é nada democrático como se vê.
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http://psicanalises.blogspot.pt/2013/05/no-vosso-pais-liberal-preferido.html
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Mais um, e são cada vez menos, a pregar no deserto. Este país anda completamente alienado, parece que estacionou uma nuvem carregada de LSD sobre o rectanguluzinho à beira-mar plantado. (basta assistir, e digo assistir porque aquilo parece um espectáculo de pantomina, às crónicas do sr prof dr Marcello Rebello de Souza ao domingo à noite na TVI!)
Isto não vai acabar nada bem!
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Ai o que as pessoas escrevem quando se consideram a elite das elites ungidas por Deus.
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O nível destes comentários, mostra bem, o quanto atrasado é este País.
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Costa, António Costa, o da CML, presumo? É pessoa de elevada craveira intelectual, tem uma inteligência assim parecida com um martelo pilão. E a manha de um lacrau…
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Ninguém saudou a entrada de João César das Neves para editor do Blasfémias!? Vítor Cunha ao menos recebeu uma chuva de saravás.
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PS: Vi bem, sim! 😉
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Estas elites deixaram de ler os jornais e nem sabem o que vai lá pelas franças. O que sabem, isso sim, é que têm que defender, com todos os trunfos e com todos os truques, o seu quintal e o quintal dos amigos.
Uma desgraça, sem dúvida.
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João César da Neves como sempre. Brilhante!
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sim Helena, hoje é 13 de Maio e JCN agradece 🙂
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Snowman a lavar mais branco. Entre o que diz este gajo ( Entre 1991 e 1995 foi assessor económico do primeiro-ministro) e Artur Batista da Silva,José Rodrigues do Santos, Camilo Lourenço ou o João Miranda é obra da mesma sopa: soberba, imodéstia “olha para mim olha para mim” e depois rematam com “Quem eu???? Não tive nada a ver som isso!”
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há que estudar o reinado de El Rey D. João III e ler o Antero!
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PRINCIPIO TUGANTE:
Quando faltam argumentos de contraditório,encetar o BOTABAIXO de ralé.
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