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Renegociar a quimioterapia

6 Julho, 2013

Estava a ler o Pacheco Pereira e lembrei-me outra vez disto. Desde a entrada no euro que a atitude das elites portuguesas perante as metas impostas pela União Europeia tem sido sempre a mesma: pedir para renegociar e relaxar metas. Parecem não entender que os orçamentos equilibrados são do nosso interesse. Fora isso, a UE já deu provas de que não dá borlas a ninguém e que as consequências do endividamento e do descontrolo orçamental cairão sobre os países que não se sabem gerir. Neste momento é do nosso interesse reduzir o défice o mais depressa possível, não só porque é necessário travar o crescimento da dívida como também porque as condições de financiamento da economia privada portuguesa estão dependentes do rating do Estado. Pedidos de renegociação das metas e de adiamento dos cortes apenas servem para nos prejudicar. São equivalentes aos pedidos de um doente de cancro para renegociar a quimioterapia. Um reflexo de uma mentalidade que apenas se foca nos ganhos de curto prazo.

37 comentários leave one →
  1. Monti's avatar
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    6 Julho, 2013 08:33

    O resultado da imaturidade, não da dívida,
    nas dos EPR, entidades primariamente responsáveis:
    Guterres, Barroso & Sócrates.
    Passos não dispõe de capacidades para continuar o percurso.
    Mas quanto aos EPR pelo desastre, estão todos bem e recomendam-se.
    Portas, com umas centenas de milhões para antigos combatentes e mil milhões de submarinos, com direito a fotografia.
    Não vai tardar, que esvaziado o pote segundo PC,
    a plebe fique entregue a si própria.
    A economia de casino vencerá.

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    • Oscar Maximo's avatar
      6 Julho, 2013 10:47

      Ponha antes Cavaco, Guterres e Sócrates. Quando se fala em falta de sustentabilidade a prazo, não se pode esquecer Cavaco.

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      • Monti's avatar
        Monti permalink
        6 Julho, 2013 22:04

        Realy.
        Mr PM, o do CCB: 30 milhões de orçamento…200 de custos finais.
        O triunfo da dívida.

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  2. André's avatar
    André permalink
    6 Julho, 2013 09:33

    “Fora isso, a UE já deu provas de que não dá borlas a ninguém e que as consequências do endividamento e do descontrolo orçamental cairão sobre os países que não se sabem gerir.” Não foi a Alemanha um dos primeiros países europeus a desrespeitar as metas do défice? Não foram a Espanha e a Irlanda os únicos países que respeitaram essas metas ao longo dos anos, sendo que ambos entraram em crise? Começo a pensar se o João Miranda não precisa de rever o discurso.

    PS: Considero que é necessário destruir o défice, apenas contesto a força da UE em relação a quem não cumpre os limites do défice.

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    • JoaoMiranda's avatar
      JoaoMiranda permalink*
      6 Julho, 2013 10:17

      André,

      A UE está-se nas tintas se os países cumprem ou não as metas. Se não as cumprirem o problema é sobretudo de quem não cumpre. Viu a Alemanha a pedir ajuda a alguém? Ah, e se os países cumprirem as metas a UE também não lhes garante que não terão problemas. Aplica-se o princípio da responsabilidade nacional pelos problemas nacionais.

      O seu argumento é o do fulano que não quer fazer quimioterapia e se desculpa com outro fulano que também não fez e de outro que fez e morreu. Ora, ninguém obriga ninguém a fazer quimioterapia. Não quer faz, não faz. Quer fazer, faz.

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    • Oscar Maximo's avatar
      6 Julho, 2013 10:51

      O problema português não é um défice de um ano ou outro, é défices todos os anos desde o 25 de Abril. E já agora, contra a constituição.

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    • Tiro ao Alvo's avatar
      Tiro ao Alvo permalink
      6 Julho, 2013 14:02

      André, o primeiro país a desrespeitar o limite do défice foi Portugal. A Alemanha foi logo a seguir.
      Mas a grande diferença foi esta: enquanto a Alemanha entro imediatamente em austeridade e resolveu o problema, Portugal, à época pela cabeça da Ferreira Leite, começou logo a inventar esquemas (vender dívidas ao Estado, em contencioso, por ex.) para empurrar esse problema para a frente, se possível para a geração vindoura.
      E agora estamos nisto…

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  3. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    6 Julho, 2013 09:47

    “…as consequências do endividamento e do descontrolo orçamental cairão sobre os países que não se sabem gerir.”
    .
    Quando é que os responsáveis são julgados em tribunal?

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  4. tric's avatar
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    6 Julho, 2013 09:49

    dedicado ao Victor Gaspar e aos dois anos de coligação PSD/PP ( que se parecem cada vez mais com Lili Caneças…)

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  5. YHWH's avatar
    YHWH permalink
    6 Julho, 2013 09:51

    Ao JM parece escapar completamente o «efeito do nº de degraus da escada» para superar um dado declive.

    E também já percebi que não faz ciclismo em bicicletas com transmissão com componentes desmultiplicadores.

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    • Oscar Maximo's avatar
      6 Julho, 2013 10:58

      A outros talvez falte a noção dos chamados juros compostos. O melhor que sabem fazer é chamar usurários a valores baixos e banais de juros.

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      • YHWH's avatar
        YHWH permalink
        6 Julho, 2013 11:49

        Matemático financeiro desde 1984, especializado em modelos de produtos e derivados financeiros articulados pela Teoria de Jogos…

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  6. tric's avatar
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    6 Julho, 2013 09:51

    “Desde a entrada no euro que a atitude das elites portuguesas perante as metas impostas pela União Europeia tem sido sempre a mesma: pedir para renegociar e relaxar metas.”
    .
    aprendemos com os Alemães e Franceses…

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    • JoaoMiranda's avatar
      JoaoMiranda permalink*
      6 Julho, 2013 10:18

      Eu é que sou esperto. Vou aproveitar que o Manuel não fez quimioterapia para também não fazer.

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      • tric's avatar
        tric permalink
        6 Julho, 2013 11:03

        quimioterapia com o euro!!!??? vai lá vai…

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    • Oscar Maximo's avatar
      6 Julho, 2013 11:02

      Só não aprendemos com Alemães e Franceses a aprender com os erros próprios.
      Ainda me recordo do recente ano quando os Alemães ajustaram o tiro e baixaram os ordenados, sem grandes agitações.

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      • André's avatar
        André permalink
        6 Julho, 2013 15:22

        E já agora, baixaram para quanto? É que se calhar, o salário médio deles pode estar perto do dobro do nosso.

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  7. tric's avatar
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    6 Julho, 2013 09:52

    o Gaspar a “dois dias” da oitava avaliação da Troika, demite-se…lol

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    • tric's avatar
      tric permalink
      6 Julho, 2013 09:57

      já tinhamos a sequência dos PEC´s…depois tivemos as versões as Troikas…e agora temos a coligação versão II…agora é que é…
      .

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    • JoaoMiranda's avatar
      JoaoMiranda permalink*
      6 Julho, 2013 10:19

      Mas não andava toda a gente a pedir a demissão do Gaspar? Agora amanhem-se …

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      • manuel's avatar
        manuel permalink
        6 Julho, 2013 12:10

        Dr João Miranda : O dr Gaspar como académico com prestígio , intelectual honesto e porque não foi formado numa universidade de vão de escada , reconheceu os erros e granjeou o respeito dos Portugueses e traçou o destino do Sr Passos (incompetente) e do sr Portas (palhaço) e alertou que com esta dupla não vamos lá. ,No meu entender , os figurantes da maioria servem para um novo governo ,caso contrário,vamos a eleições.

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      • Simon Teles's avatar
        6 Julho, 2013 13:14

        Mas diz. Gaspar, errei, que a coisa saiu, maezinha, de todo e completamente, furada, e vai, que faz Passos mandrião, qual zero a esquerda, amanda a minha professora e dele tomar conta do barco. Êh boa !

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  8. YHWH's avatar
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    6 Julho, 2013 10:44

    «Aí vem uma enorme onda de spin: depois da crise, tudo vai ficar melhor.

    A primeira coisa que ficará garantida com essa “melhoria” é o próximo e muito duro pacote de austeridade, a quem se chama, em linguagem orwelliana, “reforma do estado”. Toda a crise foi sobre isto e só sobre isto. Isto é que é a realidade, mas falar-se-á muito mais no spin da virtualidade, a “economia”. A mentira vai continuar. Impante.» (in Abrupto)

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  9. @!@'s avatar
    6 Julho, 2013 10:55

    A quimioterapia mata. O oxigénio mata. o electro choque mata. o dióxido de carbono mata. a estupidez mata.

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  10. Joaquim C. Tapadinhas's avatar
    Joaquim C. Tapadinhas permalink
    6 Julho, 2013 11:52

    E a fome também mata, mais que todas essas referências juntas, se tivermos em conta o mundo em que vivemos e não apenas a nossa aldeia.

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  11. A. Santos's avatar
    A. Santos permalink
    6 Julho, 2013 11:58

    Só não percebo porque é que a quimioterapia em vez de curar o cancro provoca cada vez mais metásteses. Parece que fazer ou não fazer vai dar ao mesmo. Mas isto sou eu que sou estúpido para perceber estas coisas.
    Senão vejamos:
    Previsões para 2013.
    Memorando da Troika: Desemprego, 13,3%; Exportações, 6,4%; Importações, 2%; Procura interna, -0,4%; Défice, -3%.
    7.ª Revisão da Troika (mesmos itens): 18,2%; 0,9%; -3,9%; -3,9%; -5,5%.
    Brilhante!
    Até o «comunista» Carlos Costa, governador do BdP, numa «reunião com o Presidente da República, admitiu o que há muito é inegável: não atingimos as metas do programa de assistência porque os pressupostos macroeconómicos incorretos e os multiplicadores que espelham o impacto do corte orçamental no PIB foram subestimados. Claro que há uma questão mais profunda que é a própria desadequação das políticas, mas isso já sabemos que isso não será admitido nos próximos tempos.»
    Mas esta parte já não interessa aos neotontos liberais, assim como falar de PPP, Rendas Excessivas da Energia, Fundações, Swaps, etc.
    Cortar salários e pensões é o seu brinquedo preferido.
    Até deliram, mas quando apanharem os efeitos do ricochete talvez abram os olhos… se tiverem olhos.

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  12. manuel's avatar
    manuel permalink
    6 Julho, 2013 12:00

    Vamos lá então reduzir o défice: 1. Redução das 308 Câmaras 2. Extinção de todas as empresas municipais(servem para desorçamentar,dar emprego aos amigos e familiares da terrinha,pagar vencimentos fora das tabelas camarárias e corrupção),após extinção, integrar as pessoas na estrutura da cãmara; deixar falir as câmaras insolventes (recentemente foram atribuidos 71 resgastes por 321 milhões ,mas ainda vão receber mais 450 milhões e ainda falta uma câmara mistério) ,as freguesias não são relevantes e durante a extinção das câmaras seriam ajustadas.No próximo grupo iremos ao governo.

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  13. FR's avatar
    6 Julho, 2013 12:19

    Desde a fundação do reino que isso é assim (não sei porquê tanta admiração). Os reis da I dinastia foram todos excomungados por Roma; e assim a coisa tem vindo até aqui. Esse é o segredo… andar em cima do muro à espera de uma solução, sabendo de ante-mão que nada é eterno.

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  14. Simon Teles's avatar
    6 Julho, 2013 12:20

    E vai essa terra governada assim de fantoches, incompetentes, trolhas, ladroes .

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    • A. Santos's avatar
      A. Santos permalink
      6 Julho, 2013 12:36

      Como querias que fosse?
      Faltas lá tu nos governos, senão teríamos superavites todos os anos.
      Simon Teles ao governo.
      Eu voto em ti.

      P. S. Se não fosses trolha o que querias ser?

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  15. André Miguel's avatar
    6 Julho, 2013 12:25

    Já tinha saudades de ler o JM dos bons velhos tempos.

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  16. Simon Teles's avatar
    6 Julho, 2013 13:03

    Eu sei do que, órfãos, umas donzelas, os nossos governantes precisavam como de uns tabefes…e di-lo o mesmo. Pedro. Arroja: esses garotos. Portugal precisava era de um homem, enquanto, vai, dão-lhes. Cavaco, outro. Averel chapado .

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  17. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    6 Julho, 2013 16:35

    A. Santos (6 Julho, 2013 11:58) ,

    As previsões da Troika eram “previsões” e foram feitas ha mais de 2 anos. Normalmente a realidade ex-post não coincide com as previsões. As previsões são necessarias para se definirem estratégias e se fixarem objectivos. Ninguém minimamente sensato espera que as previsões se realizem exactamente. Seria preciso ser Deus e bruxo ao mesmo tempo. Os pressupostos evoluem e alteram-se. As previsões vão sendo progressivamente ajustadas e, com elas, os objectivos e as medidas concretas.

    O facto da realidade não ter coincidido com as previsões é perfeitamente razoavel e compreensivel. A situação de partida e as condições subsequentes eram e são complexas e excepcionais.

    Por um lado, é verdade que alguns dos factores foram sub ou sobre avaliados. Por exemplo, os efeitos multiplicadores de varias das medidas de austeridade sobre o consumo, o investimento, o desemprego, a produção, etc. Foram “erros técnicos” do modelo de previsão e de estratégia adoptado ? Sim, claro. Mas quem é que não comete este tipo de “erros” quando se trata de prever o futuro em contextos por definição complexos e instaveis ? Muito piores foram e são os erros daqueles que na altura diziam ser possivel uma saida da emergencia financeira sem austeridade (veja-se tão so o que a demissão do Ministro das Finanças associdado à austeridade provocou em termos do aumento repentino e acentuado dos riscos de ruptura financeira), e que “previram” a insustentabilidade e o falhanço a curto prazo da politica de ajustamento prevista no memorando. A verdade é que a austeridade ja permitiu estabilizar a situação financeira e começaram ja a aparecer os primeiros sinais duma inversão da tendencia recessiva da economia. Ou seja, quanto ao essencial, tudo esta a correr como se previa. A estratégia de ajustamento esta a resultar. O que ha é um “desvio” no nivel e no timing da recessão. Nada de surpreendente e nada que ponha em causa a estratégia e os objectivos.

    Por outro lado, muito mais importante do que eventuais “erros técnicos” de previsão foi a evolução real do contexto interno e externo de aplicação do programa da ajustamento. Externamente, ao contrario do que se poderia esperar na altura, a situação da economia mundial, em paticular na Zona Euro, degradou-se consideravelmente. Esta condicionante afectou negativamente sobretudo a procura externa e, deste modo, reduziu o peso das exportações na procura global fazendo com que a economia sofresse mais o impacto do ajustamento no consumo interno.
    Internamente, a falta de um consenso politico e social suficientemente alargado, devido a fortes resistencias e bloqueios em proveniencia de varios quadrantes, institucionais (os “chumbos” do Tribunal Constitucional e os “avisos” do Presidente da Republica), politico-partidarios (do principal partido da oposição, o PS, apesar de ter negociado e assinado o Memorando com a Troika ; o “fogo amigo” vindo do 2° partido da coligação, o CDS, e de sectores e personalidades de peso do partido do proprio PM, o PSD), e sociais (de inumeros sectores e categorias com interesses instalados, dos funcionarios publicos aos empresarios dos sectores de bens não transaccionaveis, passando por todos aqueles que de algum modo beneficiaram, ou julgam que beneficiaram, do despesismo do Estado e do modelo economico consumista que lhe esteve associado).

    Nestas condições, o que é surpreendente, e digno de nota positiva, é que a aplicação do programa de austeridade e ajustamento não se tenha afastado muito das linhas iniciais e que os objectivos principais, o saneamento das finanças publicas e o ajustamento da economia, mesmo que com mais dificuldades e com algum atraso no tempo, estejam a ser prosseguidos e alcançados.

    No fim de contas, a mais errada das “previsões” foi mesmo a daqueles que desde o inicio anunciaram a inevitavel falencia da austeridade e a sempre eminente bancarrota do pais !!

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    • A. Santos's avatar
      A. Santos permalink
      6 Julho, 2013 19:31

      Fernando S:
      Tanta verborreia para dizer NADA.
      Diga antes: Faça este governo o que fizer, eu apoio-o sempre.
      Quanto aos resultados desta política, realmente são surpreendente, mas positivamente.
      A Dívida Pública era de 98% do PIB quando o pulha do Sócrates foi corrido, com a promessa de que os cortes nos consumos intermédios resolviam a coisa, que não haveria aumento de impostos nem cortes de ordenados nem de pensões.
      Agora está quase em 130% do PIB.
      O Défice era 7, 8 ou 10%, agora (último trimestre) 10,6%
      E com um governo competente e com medidas de austeridade.
      Só pode ter razões para estar satisfeito.
      Parabéns.
      E continue a acreditar em histórias da carochinha, pois as dívidas só se pagam e os défices só baixam com crescimento e a austeridade tem dado recessão.
      Mas as histórias da carochinha resolvem o problema… ou serão os haircuts?
      Leia o que escreveu o Moedas antes de deitar a mão ao pote… e os livros do Álvaro.
      E felicidades.

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  18. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    7 Julho, 2013 00:42

    A. Santos,

    Algum respeito por quem não pensa o mesmo que vc não lhe ficaria mal …
    Mas nada que verdadeiramente me espante …
    Passemos adiante !

    Seguindo a sua logica simplista e sectaria eu também poderia dizer que Vc deveria dizer antes : “Faça este governo o que fizer, eu critico-o sempre.”
    Mas não digo, porque não sigo a sua logica e porque nem sequer o conheço para saber o que é que vc apoiou ou criticou neste e nos governos anteriores.
    Nem interessa !

    Socrates, a quem vc chama “pulha”, algo que eu não fiz nem faço, mas que agora vc parece querer desculpar e reabilitar, deixou o pais numa situação de ruptura financeira. O problema maior nem era a divida publica ser então de 100% do Pib. Outros paises teem niveis de endividamento tão ou mais elevados e não estão em ruptura financeira : Japão, Italia, Bélgica, etc. Teem dividas elevadas mas teem também economias suficientemente equilibradas e competitivas que justificam que os investidores os continuem a financiar a taxas bem mais razoaveis. Teem portanto finanças sustentaveis (embora, sobretudo no caso da Italia, também tenham de ter algum cuidado). Ao contrario de Portugal. O problema de Portugal é que os governos anteriores deixaram o pais enveredar por um caminho que desequilibrou completamente a economia tornando insustentavel o financiamento normal do Estado e dos privados. Claro que Socrates não foi o unico responsavel, foi apenas o ultimo numa sequencia de governos nas ultimas décadas. Governos estes que em apenas 3 décadas duplicaram o peso do Estado na economia sem se assegurarem de que esta estaria em condições de aguentar tamanha forçatura. Socrates, embora sendo o ultimo, deu uma contribuição muito importante ja que sob a sua governação a divida publica passou dos 60% do Pib recomendados pelos pactos europeus para os 100%. Este foi verdadeiramente o excesso que fez transbordar o vaso e que levou o pais para as portas da bancarrota.
    O posterior prosseguimento do aumento do endidividamento publico é apenas a consequencia inevitavel do estado a que o pais chegou em 2011. Como é evidente, um pais com déficits orçamentais elevados e cronicos e que para sobreviver precisa de um emprestimo de favor grosso modo equivalente à totalidade das suas despesas publicas anuais, mesmo apertando o cinto não podia deixar de ver a sua divida publica continuar a aumentar nos anos seguintes. O contrario é que seria de admirar. Melhor, o contrario seria impossivel. O governo actual não é responsavel pelo estado do pais em 2011 e não é por isso responsavel por este aumento da divida. Na verdade, tem vindo antes a gerir uma situação de emergencia financeira. Em condições extremamente dificeis. Mesmo assim, em apenas dois anos conseguiu estabilizar a situação e evitar a bancarrota do pais. Apesar da situação de recessão provocada pelo processo de ajustamento da economia, os déficits orçamentais nominais foram reduzidos para cerca de metade. Este resultado é extraordinario e reconhecido como tal pela generalidade dos analistas e interlocutores internacionais. Os numeros que vc avança sobre os déficits destes ultimos anos são fantasmagoricos. Quanto aos 10,6% do primeiro trimestre de 2013 (e não do ultimo de 2012), ja foi explicado que se trata de um simples resultado intermédio atipico devido à aplicação das decisões do TC e à despesa extraordinaria de injecção de capital no Banif. Nada que impeça que no final do anos o déficit possa situar-se em torno dos 5,5% previstos. Mas o mais importante é que o saldo primario estrutural, que é o indicador que melhor reflete a evolução da estrutura das contas publicas descontando o que resulta dos efeitos conjunturais, foi em apenas 2 anos melhorado em quase 7 pontos percentuais do Pib e é hoje ligeiramente positivo. Este resultado permite hoje esperar que a situação das contas publicas nacionais possam melhorar muito significativamente e rapidamente logue que a economia comece a recuperar e a crescer. E a verdade é que, muito embora o processo de ajustamento ainda esteja longe do fim e a situação financeira seja ainda delicada, são ja visiveis alguns sinais de que os fundamentais da economia se estão a inverter. Ou seja, em pouco mais de dois anos, graças à politica de austeridade, a situação financeira foi estabilizada e o ajustamento da economia entrou na fase da retoma do investimento e da produção.

    “Historia da carochinha” é imaginar que um pais e um Estado que gastam e consomem mais do que teem e produzem possam reduzir déficits e dividas sem passar por um qualquer apertar do cinto, sem austeridade, e, portanto, sem alguma recessão. Não é possivel equilibrar contas gastando … tanto ou mais. Como não faz sentido tentar curar uma bebedeira continuando a beber. Mas mesmo que se quizesse faze-lo, a verdade é que ninguém estaria e esta disponivel para nos dar o dinheiro que não temos mas necessario para tal. A recente crise politica na coligação de governo e a imediata reacção dos mercados é mais uma demonstração de que ninguém acredita que o nosso pais possa sair da situação em que se encontra abandonando ou afrouxando a politica de austeridade. No dia em que tal acontecer o dinheiro disponivel vai ser ainda menos e a austeridade vai acabar por ser ainda maior. As ilusões pagam-se caro !!

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