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direito ao trabalho

2 Agosto, 2013
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Um investidor determina o destino do seu dinheiro apenas em função das leis laborais de um país? Certamente que não. Ele leva em conta múltiplos factores, mas se for empresário e se o seu dinheiro disponível para investimento estiver destinado à criação de uma empresa, não deixará de as ter em conta. No mais, qualquer investidor ou empresário quer apostar o seu dinheiro minimizando os riscos da aplicação e maximizando os seus lucros possíveis e previsíveis, obviamente, dentro de um grau de incerteza quanto ao futuro, que nunca poderá eliminar. Em qualquer acção humana, o comportamento dos agentes não costuma afastar-se muito deste padrão médio: riscos calculados e minimizados, objectivos possíveis maximizados.

No caso do investimento estrangeiro para a criação de empresas, levam-se em conta um conjunto de factores que visam aquelas duas finalidades, precisamente reduzir riscos e maximizar objectivos. Entre outros, a estabilidade política, a segurança das pessoas e da sua propriedade, o desenvolvimento económico, os níveis de fiscalidade e estabilidade fiscal, as condições de implementação do negócio, segurança bancária, facilidade de circulação de capitais dentro e para fora do país, status da burocracia e sua rigidez, qualidade, independência e velocidade da justiça, níveis de corrupção, etc. Neste contexto, a legislação laboral – a facilidade ou a dificuldade com que um empresário poderá gerir os seus recursos humanos – é um factor de extrema importância para uma decisão de investimento, sobretudo se ela for draconianamente desfavorável a quem está disposto a investir.

Qualquer investidor, nacional ou estrangeiro, com capital disponível, só pensará em Portugal se não tiver alternativas ou escala que lhe permitam arriscar num país que o trate melhor. Os riscos de qualquer negócio são, aqui, demasiadamente elevados, e, entre eles, os riscos trabalhistas são factor predominante. Os nossos são ainda muito elevados, e foram em boa medida responsáveis pela perda de investimento de muitas empresas estrangeiras e mesmo nacionais. Quem disser ou pensar o contrário desconhece, em absoluto, a realidade, ou faz de conta que a não conhece, por conveniência pessoal, política ou ambas.

Mas como é isto possível, se Portugal tem sido, ao longo das últimas décadas, um estado proteccionista da economia e do «trabalho», o que significa, na visão marxista da luta de classes que adoptámos, defender os trabalhadores assalariados da exploração dos seus patrões? Os objectivos dessas políticas, traduzidas em abundante legislação, são, teoricamente, garantir o trabalho, e melhorar das condições do trabalho e do trabalhador, oferecendo-lhe garantias e direitos que limitam os poderes do «patrão», presumindo que numa normal relação de trabalho não prevalece o princípio da cooperação entre as partes, que permitirá que trabalhadores e empresários progridam (ou recuem) em conjunto, mas sim uma relação de conflito e de exploração. Com esse espírito, a legislação portuguesa tem vindo a consagrar, de há muito, uma panóplia de férreas regras económicas proteccionistas do trabalhador, desde logo o utópico «direito ao trabalho», como se este não fosse gerado no mercado, mas na Assembleia da República ou nas Centrais Sindicais. Os resultados de tais políticas foram, como está hoje bem à vista de todos, precisamente os inversos dos pretendidos.

Na verdade, o proteccionismo infantiliza as pessoas e as sociedades. O proteccionismo legalista e estatista dos trabalhadores contra os patrões, enfraqueceu as empresas e aumentou exponencialmente o risco de investimento em Portugal. Ainda agora, após a falência do modelo proteccionista, o país continua a exigir, não se sabe bem a quem (a governos falidos, a empresários inexistentes?) «direito ao trabalho». Mas de que vale impor ou exigir direitos, se eles não são exequíveis? De que nos serve afirmar na Constituição que todos temos direito ao trabalho, se não existirem empresas que o ofereçam? Em vez de exigirem «direito ao trabalho» e a protecção daquilo que já quase não existe, os portugueses deveriam exigir aos seus governos o direito à criação de trabalho. Por outras palavras, o direito à livre empresa e à liberdade contratual.

46 comentários leave one →
  1. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    2 Agosto, 2013 10:25

    Substitua “direito a criar trabalho”, por “dever” e acaba por tocar no ponto. Aliás, para ser mais abrangente, até pode ser “dever de criar riqueza”.

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  2. 1berto's avatar
    1berto permalink
    2 Agosto, 2013 10:47

    Rui A., nem oito nem oitenta. A revisão do código de trabalho deu nisto: defender os patrões exploradores da contestação dos seus assalariados. Se antes não se investia por causa dos “excessivos” direitos dos trabalhadores, agora as benesses dadas aos empregadores apenas possibilitam uma coisa: o laxismo empresarial. O lucro tem de aumentar forçosamente nem que tenha de despedir metade e pôr os restantes a ganhar ordenado mínimo. Que se lixe a qualidade do produto final, que se lixe a qualidade de vida de quem trabalha e o investimento, o que é preciso é mais e mais lucro para comprar carros de luxo aos administradores e distribuir dividendos pelos accionistas, . Depois se a coisa der para o torto, fecha-se a empresa e abre-se noutro lado. É isto o direito à livre empresa e à liberdade contratual?

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    • joshua's avatar
      Joaquim Carlos Santos permalink
      2 Agosto, 2013 11:39

      A solução para isso é qualquer coisa que entrou em desuso e deslizou para o preconceito em Portugal, após o 25 de Abril: Fiscalização. No País em que nada se fiscaliza, quase tudo é abuso, começando pela pseudo-fiscalizadora AR que em quase 40 anos serviu para fechar os olhos a negociatas e abusos governamentais para todos os [maus-]gostos.

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      • Cáustico's avatar
        Cáustico permalink
        2 Agosto, 2013 14:16

        Concordo.
        Não devemos, porém, esquecer que apenas é susceptível de fiscalização aquilo que está regulamentado.
        As leis do trabalho devem assegurar uma coisa muito simples (de dizer, não de conseguir): equilíbrio. Equilíbrio de direitos e deveres de empregados e empregadores. Desse ponto de vista, essas mesmas leis, devem evoluir com as circunstâncias. E as circunstâncias, hoje em dia, são trans-nacionais.

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      • und's avatar
        und permalink
        2 Agosto, 2013 18:21

        ai jasus de facto antes do 25 de avril mandavam-se os fiscais que fiscalizavam demais para angola

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  3. javitudo's avatar
    javitudo permalink
    2 Agosto, 2013 11:12

    Não compliquemos: os direitos do trabalhador acabam quando ele deixa de ter trabalho.
    O que a cgtp tem feito é arranjar forma dos investidores debandarem em massa.
    Tem tido muito êxito. O pior é se os trabalhadores que lhe são afetos descobrem.
    Claro que esse risco é pequeno, a maior parte são velhinhos, ouvem mal e vêm mal e deixam-se empurrar com facilidade. No entanto pode haver surpresas.
    A solução que propõem os magos como o arménio gritante é serem empregados do estado, ele anda distraído e não sabe que o estado faliu. Não vai empregar ninguém. Também há as câmaras, estão quase todas falidas, não vão empregar ninguém.
    Com trabalhadores destes, tribunais descredibilizados, monopólios à solta, classe política corrupta coberta por aventais e ladrões impunes, não há país que resista. Por isso já não é um pais, é um local mal frequentado conhecido lá fora como protetorado falido, um deserto de ideias e de ações onde em alguns oásis tipos teimosos resistem a trabalhar para empresas estrangeiras enquanto lhes for possível.

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    • manuel's avatar
      manuel permalink
      2 Agosto, 2013 11:36

      Concordo. O meu problema é como sair disto. Pessoalmente ,começo rebobinar uma situação da nossa história ,em que duas personalidades foram a Coimbra buscar um famoso assistente para governar ,depois de ele se ter demitido. Se não houver alternativa que se faça uma manifestação de apoio ao Dr Gaspar ,agora que ele fez auto-crítica e me parece honesto ,para vir governar esta “choldra.”Não reconheço competência nem estofo à dupla Portas/Passos para o governo da nossa terra.

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      • Binarypsilocybin's avatar
        2 Agosto, 2013 16:00

        É ter coragem e re-educar a população. Largos setores da sociedade vão ter de mudar de ramo para a área da exportação. Mas desta vez é a sério.
        R.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Agosto, 2013 22:54

        Se não estou em erro, o que se pretende dizer é que as empresas fogem todas por causa da CGTP. Ora, isto é um daqueles disparates que se dizem quando não há nada para dizer.
        – Primeiro, a direita farta-se de dizer que só fazem greve os funcionários públicos e que, portanto, a CGTP não tem qualquer influência nas empresas privadas. Espero que agora não estejam a dizer o contrário;
        – Segundo, Portugal é dos países com menor índice de sindicalizados. Espero que não estejam a dizer que os empresários fogem para onde há mais sindicalizados e com centrais muito mais fortes;
        – Terceiro, os sindicatos portugueses são do mais pacífico que há. Espero que não estejam a dizer que os empresários gostam de operários mais brutos;
        – Quarto, Não há qualquer debandada. O que há é empresas que estão mal em todo o lado e acabam por abandonar os países mais periféricos. Espero que não estejam a defender que os empresários portugueses são uns incapazes e não fazem no seu país o que os outros fazem nos deles.
        ——–
        Enfim… 😉

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  4. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    2 Agosto, 2013 11:23

    Bem, rui a., no que toca ao factor trabalho, um investidor estrangeiro o que quer realmente perceber é o grau de especialização/formação/educação dos trabalhadores, dependendo da actividade onde quer investir.
    .
    Os empresários em Portugal não tem problemas alguns em, digamos, dispensar trabalhadores. A única barreira ao despedimento livre é a justa causa para o fazer. E dentro da justa causa, os motivos económicos ou degradação económica são atendíveis na nossa lei.
    .
    A lei, no entanto, devia evoluir para que se pudesse substituir um trabalhador por outro sem mais considerandos por motivos de competência ou incumprimento de objectivos previamente fixados e aceites pelas partes.
    .
    Infelizmente, não é propriamente a lei que está mal, mas sim a gestão das empresas. Quase todas. Quem trabalhou numa multinacional ou noutros países mais desenvolvidos percebe bem o que vou dizer:

    – No primeiro dia de trabalho é apresentado ao funcionário uma lista de tarefas que tem de realiza.
    – No 1º dia é assinado um mapa de tarefas e objectivos diários, semanais e mensais em qualquer posição da empresa. Desde a direção ao operario.
    .- No 1º dia é disponibilizada uma pessoa para durante 15 dias acompanhar o recem contratado envolvendo-o nas estruturas.
    .
    Isto significa que as pessoas sabem logo no 1º dia aquilo que tem de fazer.
    .
    Pelo contrário, em qualquer empresa em Portugal, incluindo as melhor organizadas (bancos, seguradoras etc) contratam um gajo e despejam-no para ali. Ao fim de 3 meses o funcionário ainda não sabe bem o que fazer, que objectivos tem, que tarefas exactas tem de fazer. Um dia coça o esquero, noutro dia coça o direito e tem dias que coça os dois ao mesmo tempo.
    .
    Rb

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    • André Miguel's avatar
      2 Agosto, 2013 12:03

      Em Espanha é ainda pior, tem que aprender literalmente tudo por sua conta que ninguém lhe vai dizer seja o que for e nem por isso falta investimento estrangeiro.
      Vou ainda mais longe, tal como Peter Drucker ensinou, no Séx. XXI o trabalhador do conhecimento vai dominar e este não tem que ter um patrão a ensiná-lo e a dizer como tem que fazer o seu trabalho, ele é contatado porque sabe como e aquilo tem de fazer. Portanto veja lá como nisto estamos muito à frente da mentalidade anglo-saxónica…

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      • Ricciardi's avatar
        Ricciardi permalink
        2 Agosto, 2013 12:26

        Vc está muito à frente caro André.
        .
        Mas a ideia subjacente não é ‘ensinar’ o trabalhador. Isso fará parte da formação que cada empresa vai tendo.
        .
        Para dar um exemplo banal:
        .
        O que é que vc vê, por exemplo, no Mc Donalds e não vê nas outras hamburguerias nacionais?
        .
        – Método, formação, rigor, tarefas bem definidas… e espirito corporativo sustentado na motivação. Posso dar-lhe exemplos de inumeros casos de mutinacionais de sucesso. Todas elas tem uma politica de acompanhamento, definição CLARA de tarefas e objectivos individuais.
        .
        Quer dizer, a lei laboral é igual para a mc donalds portuguesa ou para outra hambuergueria nacional qualquer. Mas aposto consigo que no 2º dia de trabalho um recem contratado na mc donalds está a produzir melhor que noutro lado qualquer.
        .
        Rb

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      • Binarypsilocybin's avatar
        2 Agosto, 2013 16:04

        Acho que o maior problema não é o despedimento. Acho que a questão do despedimento é pertinente noutras áreas. Não acho que qualquer privado tenha entraves a um simples despedimento.
        Acho que o maior problema é por e simplesmente a cultura que se vive. A falta de visão. A falta de escala e crescimento. A pura acomodação. O abafo puro e simples de quem mexe e de ideias. Esse é o maior cancro da vida empresarial em Portugal. Não existe uma mentalidade no futuro. Existe o desenrascanço no agora. O futuro, logo se vê.
        R.

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      • Binarypsilocybin's avatar
        2 Agosto, 2013 16:14

        *pura e simplesmente

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  5. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    2 Agosto, 2013 11:26

    É, aliás, esta a razão pela qual o caro Rui a. não vê problemas entre multinacionais e os funcionários em portugal. A lei é a mesma, mas a gestão é diversa.
    .
    Rb

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  6. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    2 Agosto, 2013 11:35

    Nunca foi pelos “direitos do trabalhador” que faltou investimento em Portugal.

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  7. André Miguel's avatar
    2 Agosto, 2013 11:57

    Caro Rui,
    Subscrevo inteiramente o post.
    Numa economia mista, como a consagrada na constituição, o direito ao trabalho faz todo o sentido: quando os privados não conseguem criar emprego cabe ao Estado essa tarefa. Que isto não faça sentido algum, a não ser para as alminhas alucinadas da nossa esquerda, já são contas de outro rosário.

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    • rui a.'s avatar
      rui a. permalink
      2 Agosto, 2013 15:15

      Prezado André,

      O estado não cria coisa alguma, muito menos trabalho. O estado redistribui renda privada retirada aos seus legítimos proprietários, no caso, para manter pessoas ocupadas em ofícios de que o mercado não carece ou, pelo menos, não solicitou. Repare: como dizia o Mises, a economia de mercado é uma “ditadura” do consumidor. O que quer isto dizer? Quer dizer que nesse modelo de economia quem manda verdadeiramente nas empresas são os consumidores, que são quem compra, ou não, os bens e serviços que elas colocam no mercado. Se um empresário não ajustar a sua oferta às necessidades e desejos do consumidor, não venderá e fechará portas. Se o fizer, aumentará as suas vendas e os seus cursos, ficando com recursos para expandir ou diversificar a sua produção, criando, assim, emprego. Em contrapartida, o estado quando “cria” emprego, responde a que necessidades económicas? Quem lhas solicitou? A que preços as “venderá” e que recursos utilizará na produção desses bens e serviços? É simples: vai buscar recursos à economia privada, a única verdadeiramente produtiva, porque, como vimos acima, responde e satisfaz as necessidades do mercado, para os aplicar em coisas que ninguém pediu e que provavelmente não vão satisfazer as necessidades de ninguém, a não ser, quantas vezes, as das suas próprias clientelas. Com isto, esbanja recursos que não lhe pertencem, enfraquecendo as empresas e as pessoas a quem vai buscar esses recursos, empobrecendo, com maior ou menor velocidade, a economia nacional. Foi isto que nos sucedeu, no fim de contas.

      Cumprimentos,

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      • Trinta e três's avatar
        Trinta e três permalink
        2 Agosto, 2013 15:55

        Essa da “ditadura do consumidor”, é um pouco como a “sociedade sem classes”. Certamente conhece as técnicas de condicionamento. Quem promove um produto, a sério, tem que as conhecer. As grandes superfícies são escolas superiores de técnicas de condicionamento por que já todos passamos.

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      • André Miguel's avatar
        2 Agosto, 2013 16:12

        Caro Rui,
        Assino por baixo, pois partilho da sua ideologia. 😉
        O que eu quis dizer (e talvez me tenha explicado mal) é que há umas alminhas no país que julgam que o Estado cria tudo e mais alguma coisa, daí terem criado esse conceito fantástico de “economia mista”; ora nada mais falso. O Estado usurpa, via impostos, a verdadeira criação de riqueza e emprego, e numa economia mista como nossa a sua acção é ainda mais destruidora, pois não permitirá jamais competição contra si próprio, ou seja: destrói aqueles de quem precisa para se alimentar. Só um louco investirá num país assim.
        Abraço,

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Agosto, 2013 19:11

        Estou com azar. As minhas experiências desmentem o Mises. Hoje necessitei dos serviços do Estado em duas ou três áreas e fui bem sucedido. Foram-me oferecido serviços, que mais cidadãos, aliás, procuravam, e eu aproveitei com sucesso.
        Pelo contrário, estou há horas à espera que duas entidades privadas a quem solicitei serviços que nem se dignam atender o telefone. Marcaram às duas da tarde e, até agora, nada. Espero sinceramente que o Estado comece a exercer nestas duas atividades que são basicamente privadas. E estou a falar de milhares de euros. 😉

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      • Mario Braga's avatar
        2 Agosto, 2013 19:41

        pois mas os prostitutos do estado são muito mal pagos basta ver os putos da casa pia

        daí terem-te servido muito bem nessas taes áreas

        já os do privado têm muita procura daí as horas à espera da prova oral…

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Agosto, 2013 20:00

        Disso, não sei nada. Mas tu tens as tabelas de preços todas, pelos vistos. 😉

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  8. C. Medina Ribeiro's avatar
    2 Agosto, 2013 12:02

    Uma amiga minha, inglesa a viver em permanência no nosso país, resolveu criar uma empresa unipessoal. Depois de superados os habituais obstáculos (para os quais já estava bem avisada – pelo que se munira da necessária pachorra e tenacidade…), a sua alegria foi tanta, que anunciou o facto (em inglês…) no Facebook em termos de “Consegui VENCER a burocracia portuguesa!”.

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  9. jo's avatar
    2 Agosto, 2013 12:41

    Podemos sempre descer a níveis de desregulamentação iguais aos do Bangladesh e termos um amplo investimento das indústrias têxteis.
    Alguém ganhará muito dinheiro e sairemos nas notícias sempre que uma fábrica ruir.

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  10. @!@'s avatar
    2 Agosto, 2013 13:05

    O Rui gosta de futebol? Aprende-se imenso com ele.

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  11. André's avatar
    André permalink
    2 Agosto, 2013 13:37

    O que é que sugere para criar trabalho? Um mercado laboral baseado no tailandês? Sim, isso criaria trabalho (embora as pessoas vivessem pior e morressem mais cedo, mas isso era ótimo, assim não se pagava reformas…).
    É claro que também podemos encontrar um meio termo, mantemos as pessoas eternamente sem perspetivas profissionais, eternizando os contratos (como o governo está a fazer neste momento), usando como desculpa que as empresas apenas precisam daqueles trabalhadores por pouco tempo. Bem, eu se calhar sou muito burro, mas para isso servem contratos de três ou seis meses. Agora, prolongar contratos ad eternum só porque as empresas não querem dar condições aos trabalhadores (enquanto preenchem postos de trabalho que poderiam ser facilmente assegurados por quadros das empresas, se esses existissem). Vai-me responder que depois uma empresa não podia despedir o trabalhador se já não precisasse dele, tudo bem. Já ouviu falar em extinção do posto de trabalho? Ou isso significa ter de dar justificações, coisa que os empresários não querem fazer porque dá mais jeito ter um controlo absoluto (quase de vida ou morte) sob o trabalhador? E eu que pensava que a guerra de classes era inexistente e que a escravatura já tinha acabado… Bem, bastou um pequeno exemplo para se verificar que de facto ambas as situações existem.

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    • Tiro ao Alvo's avatar
      Tiro ao Alvo permalink
      2 Agosto, 2013 14:18

      André, no caso não se escreve “sob o trabalhador”, mas sim “sobre o trabalhador”.
      Aceita um conselho: escreve menos e sê mais cuidadoso.

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      • André's avatar
        André permalink
        2 Agosto, 2013 15:10

        Obrigado por ter reparado, confesso que me passou. Quanto ao conteúdo, que é o mais importante, parece-me que ignora a questão que refiro de como existe realmente luta de classes (e que esta não provém dos trabalhadores).

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    • rui a.'s avatar
      rui a. permalink
      2 Agosto, 2013 15:20

      Prezado André,

      O que sugiro para criar trabalho é muito simples: liberdade empresarial e contratual. Acha que, assim, as pessoas viveriam pior do que em Portugal? Prefere continuar a pagar, com o seu trabalho, para refrear as “maldades” dos maldosos capitalistas, as decisões de nacionalização do BPN, a compra de swaps, as ppps e, ainda, levar uma canelada no fim do mês nos rendimentos da sua empresa e nos seus, impedindo-o de acumular capital para, ao fim de alguns anos, o poder aplicar num negócio seu? Então, deixe-se estar como está e não se queixe.

      Cumprimentos,

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      • André's avatar
        André permalink
        2 Agosto, 2013 15:54

        De novo, peço-lhe que explicite a “liberdade empresarial e contratual”. Se por liberdade contratual quiser manter o julgamento sobre o direito de vida e morte dos trabalhadores, então sim, prefiro ter legislação laboral.
        Quanto a pagar PPP, casos BPN/SLN (ou Banif), sawps, é muito simples: quem provocou tudo isso (que não foi a legislação laboral) que pague, ou seja, o PS e o PSD que paguem, ou seja, os corruptos que sejam julgados em tribunal e que paguem (se for preciso, retirem-lhes todos os bens que eles têm). Aquilo que não se pode aceitar é que as pequenas e médias empresas sejam dizimadas enquanto os trabalhadores das grandes empresas são explorados e as lojas de roupa de luxo fazem 50000€ de vendas em dois dias (sem que tenham entrado turistas na loja, como foi o caso que estou a referir). Chama a isso falta de dinheiro dos empresários? Eu acho que simplesmente a lei não impede os empresários de explorar as pessoas. Obviamente que muitas PME sofrem, mas muitos monopólios ganham se as leis laborais forem alteradas no sentido que o Rui propõe.

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      • Binarypsilocybin's avatar
        2 Agosto, 2013 16:13

        Vivas Rui. Atualmente estou a ler o livro Porque falham as nações e claramente que o nosso problema é um pouco de tudo. Não há uma resposta certa e conclusiva. Tal como não há um mal concreto. Há vários males. Um deles é a instabilidade política e a porcaria de leis e mais leis que mudam ao longo dos mandatos. O entrave à criação de uma empresa. A porcaria da lei das patentes. O investimento em áreas com fraca procura. Etc etc etc. Não sou adepto da total liberdade. E não acredito que por obra do espírito santo o nosso empresariado mude de cultura.
        R.

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    • Binarypsilocybin's avatar
      2 Agosto, 2013 16:08

      mantemos as pessoas eternamente sem perspetivas profissionais, atualmente excetuando um ou outro ramo, Portugal inteiro se encontra assim. Mesmo Engenheiros de IT’s perdem capacidades ao ficar em Portugal. Simplesmente não temos mercado para esta mão de obra qualificada. Ficar em Portugal é morrer.
      R.

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  12. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    2 Agosto, 2013 14:11

    Conheço apenas pequenos e médios empresários, mas tenho a sorte de serem um pouco melhores humanamente do que a simples ideia de maximização de lucros. Aliás, alguns veem na manutenção ou aumento do número de trabalhadores uma conquista social da empresa. O pagamento aos trabalhadores é o maior ponto de honra. Uma empresa que acompanhei, de fora mas de perto, do nascimento à morte, apenas cresceu, comprou outras empresas e floresceu extraordinariamente enquanto tinha como lema elevar o nível de vida dos seus trabalhadores. Havia um lema que era todos poderem ir de carro para o trabalho, o que, naquele tempo, era uma grande conquista. Conseguiram.
    Devido a problemas extra empresa, ela acabou por ficar entregue a quem pensou esmifrá-la, maximizando os lucros, “poupando” na matéria-prima, desestruturando-a, colocando incompetentes baratos, tudo na perspetiva do dinheiro fácil. Faliu.

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    • Tiro ao Alvo's avatar
      Tiro ao Alvo permalink
      2 Agosto, 2013 14:23

      Fincapé, se calhar, os que prosperaram em conjunto com os operários, era gente que se não dizia de esquerda, enquanto os outros se diziam socialistas. Adivinhei?

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Agosto, 2013 15:01

        Um que se situava politicamente mais à direita era o que tinha maiores preocupações sociais. Considerava-se social-democrata. Outro, politicamente mais à esquerda, era contudo mais despreocupado e “menos bom”. 😉

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      • André's avatar
        André permalink
        2 Agosto, 2013 15:13

        Um social-democrata não faz propostas (se é que o texto do Rui a. tem alguma proposta implícita) de reduzir os direitos dos trabalhadores. Daí que haja partidos sociais-democratas e partidos liberais. Só em Portugal é que existem liberais dentro do partido social-democrata (provavelmente com medo de dizerem o que são porque as pessoas deixam de votar neles).

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  13. politologo's avatar
    politologo permalink
    2 Agosto, 2013 15:28

    …lamento , mas em Portugal ninguém o entende . Lamento .

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  14. Binarypsilocybin's avatar
    2 Agosto, 2013 15:56

    levam-se em conta um conjunto de factores que visam aquelas duas finalidades, precisamente reduzir riscos e maximizar objectivos.
    Mas não foi isto que 98% das empresas de construção civil, bancos e “empresários” fizeram em Portugal? maximizaram o lucro e minimizaram o risco. Com taxas de altíssimas de retorno. Para quê investir fora? Faça cá dentro. E fizeram cá dentro. Hoje temos rotundas lindíssimas. Das mais lindas da Europa.
    R.

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    • rui a.'s avatar
      rui a. permalink
      2 Agosto, 2013 16:00

      Rotundas lindíssimas, sem dúvida, mas pagas pelos impostos dos contribuintes para satisfazer necessidades e clientelas políticas e não necessidades do mercado. É o que dá pôr o seu dinheiro nas mãos dos políticos, para ajudar os pobrezinhos e proteger os desfavorecidos, claro, em vez de o deixar circular no mercado. Não se queixe.

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      • Binarypsilocybin's avatar
        2 Agosto, 2013 16:18

        Rui, fosse só os impostos do Orçamento transato. Vivia eu bem. O problema é que muitos investimentos são para abater em 2025, 2020, enfim, conhece o esquema.
        Só não sou ingénuo. Não acho que pôr o dinheiro nas mãos dos “empresários” vá fazer muito melhor. Ou acredita que sim?
        Não foram os políticos que construíram as rotundas rui. Foram os empresários. Com o isco perfeito. O que faz pensar que agora vão investir de forma diferente?
        R.

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      • Trinta e três's avatar
        Trinta e três permalink
        2 Agosto, 2013 17:44

        “Não foram os políticos que construíram as rotundas rui. Foram os empresários.” Isso mesmo, R. O que o Estado fez, foi criar “mercado” para a coisa. porquê aí e não a produzir salsichas? Simples. Basta ver onde os ministros desse tempo, estão, hoje, empregados.

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      • André's avatar
        André permalink
        2 Agosto, 2013 17:59

        Rui, como eu digo, o essencial é o combate à corrupção. Afinal, quem são os presidentes de muitas autarquias? Geralmente são os filhos de “mestres de obras” que têm algum dinheiro e se candidatam pelo PS ou PSD a uma câmara. Ficam lá umas décadas, fazem umas grandes obras e ganham muito dinheiro (grande parte ilícito). No entanto, o que é que o leva a crer que se o dinheiro funcionasse apenas no privado seria melhor administrado e sem corrupção? Isso é uma utopia. Será mais fácil (ainda que muito difícil) condenar todos os corruptos deste país.

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      • und's avatar
        und permalink
        2 Agosto, 2013 18:18

        ai dizes dizes ….e até escreves filhos de mestres de obras…….

        ora o pai do sócrates só chegou à assembleia do pero da covilhã era filho de quem?

        o joão soares era neto e filho de massons logo mestres de obras

        confere

        mas dos restantes 300 e tal conheço uns filhos de agricultores
        uns filhos de cabrões ou seja de pae incógnito logo a generalização

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  15. Zegna's avatar
    Zegna permalink
    2 Agosto, 2013 20:19

    O direito ao trabalho nasceu com a escravatura para os mais esquecidos , tinham direito ao trabalho quer eles quizessem quer nao ………………,
    O trabalho com direitos trata-se de uma coisa bem diferente e faz parte de uma sociedade equilibrada , as pessoas nao sao objectos nem meros animais , sao seres humanos com valores eticos e morais embora alguns pensem que nao , os investidores adaptam-se a realidade de cada pais funciona assim em todo o lado

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  16. @!@'s avatar
    2 Agosto, 2013 23:31

    Como é que nasceu Portugal? Afonso Henrique não era um pequeno gestor de uma empresa ali para os lados de Leão? Que se decidiu lançar por conta própria contratando pequenos empresários locais para as suas iniciativas a quem ia pagando em conformidade com a produção/expansão? Esses pequenos empresários passaram a ser fornecedores da casa mãe, Afonso Henriques, que lhes garantia a compra de serviços e protecção contra possíveis especulações?
    O governo de um estado limitado à justiça (porque todas as outra funções poderão ser feitas por privados, e dou a justiça porque sim porque poderá ser também privada) não será facilmente engolido por uma empresa privada que criará um gestor (governo) para controlar o estado?

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