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nacionalizar nunca é solução

29 Agosto, 2013
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O meu Amigo Paulo Morais, cuja ausência prolongada no Blasfémias é sentida por todos os seus muitos leitores, entre os quais me incluo, veio denunciar o escandaloso negócio feito pelos governos socialistas do PS das parcerias público-privadas rodoviárias, que já custaram muitos milhões de euros aos contribuintes, em troca de uma utilidade de uso cada vez mais marginal.

Preocupado com a comparticipação ruinosa do estado (dos contribuintes, para sermos rigorosos) na exploração corrente destas auto-estradas, que obriga a pagamentos anuais milionários, o Paulo procurou uma solução para o problema e… encontrou a pior: nacionalizar as auto-estradas e abolir as suas portagens.

Deixando de parte a posição de princípio contrária à nacionalização da propriedade, porque toda a propriedade só cumpre os seus fins naturais se for privada e a que se mantém na gestão pública cumpre fins alheios à maioria das pessoas, que involuntariamente a sustentam com a sua renda gerida de forma ineficiente e frequentemente perdulária, no caso vertente, os contribuintes (o estado) só veriam agravado o seu passivo com a nacionalização de um activo imobiliário sem qualquer valor de transacção e de rentabilidade imediata impossível no actual estado do país.

A solução para minimizar custos e racionalizar o investimento feito seria a integral privatização destas estradas, vendendo-as por um preço razoável, se possível, por um euro e pelo seu passivo, se ninguém quiser pagar pelo negócio, ou, se mesmo assim não houvesse interessados, impondo a transferência de propriedade como condição contratual para a manutenção da concessão, que deixaria de o ser convertendo-se em propriedade plena.

Esta seria a única forma de desonerar os contribuintes de responsabilidades que não têm de ser suas, de obrigar os concessionários a rentabilizar a exploração destas estradas, provavelmente vendo-se obrigados a baixar os preços das portagens e a melhorar os seus serviços se quisessem ter clientes, ou de irem em busca de capitais e de capitalistas que quisessem compartilhar (voluntariamente e não coercivamente, como sucede agora com todos nós) os custos e os riscos do negócio, tendo em vista eventuais lucros futuros, já que os presentes serão sempre muito improváveis.

Quanto à lógica de nacionalizar prejuízos para evitar outros maiores, que é, no fim de contas, o que o Paulo propõe, foi o que o governo do PS seguiu no caso BPN, com os resultados que bem conhecemos e que pagaremos por muitos anos. Nacionalizar nunca é solução, mas apenas uma forma de agravar irremediavelmente um problema.

15 comentários leave one →
  1. JFP's avatar
    JFP permalink
    29 Agosto, 2013 10:14

    Já agora, ajude-me, s.f.f.: dê um exemplo em que isso aconteceu, pós privatizações

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  2. JSF's avatar
    JSF permalink
    29 Agosto, 2013 10:26

    Já agora convinha que fosse sério e dissesse o numero de PPs que existem e quantas foram feitas no governo anterior, seria uma questão elucidativa. Mais, qual era ao orçamento para pagar as PPs em 2003 e qual era o mesmo em 2011

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  3. migspalexpl's avatar
    29 Agosto, 2013 10:34

    “porque toda a propriedade só cumpre os seus fins naturais se for privada e a que se mantém na gestão pública cumpre fins alheios à maioria das pessoas, que involuntariamente a sustentam com a sua renda gerida de forma ineficiente e frequentemente perdulária”

    Equivalente aos piores dogmatismos das piores esquerdas. Lamentável. O problema de Portugal é as pessoas olharem para a política de maneira tribal e não serem capazes de analisar os assuntos de maneira imparcial – como é que se pode achar que uma gestão democrática e pública nunca pode ser mais eficiente do que uma gestão privada? Especialmente se falamos numa coisa como auto-estradas, incompatível com um cenário de perfeita competição e vulnerável ao fácil aparecimento de monopólios?

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  4. Joaquim C. Tapadinhas's avatar
    Joaquim C. Tapadinhas permalink
    29 Agosto, 2013 10:42

    “… toda a propriedade só cumpre os seus fins naturais se for privada …” O Staline diria que a propriedade só cumpre os seus fins naturais se for pública. Isto de dogmas, numa sociedade de pessoas com virtudes e defeitos, está provado que nunca deu bom resultado.

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  5. Colono's avatar
    Colono permalink
    29 Agosto, 2013 10:44

    Um aviso aos UNdes….: Se comentarem no tom costumeiro, juro que pego na caçadeira.

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  6. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    29 Agosto, 2013 11:29

    Na minha terra vão ter em conta as ideias de rui albuquerque e pensam privatizar os caminhos, ruas e estradas, o tribunal, posto de policia, cemitério, ctt e o próprio edifício da junta de freguesia e da câmara; estamos também a equacionar privatizar a brisa (não a dos mellos) por um valor simbólico de 10 cêntimos e aceitamos o pagamento em 10 suaves prestações.
    .

    entretanto no Burkina Faso temos disto:
    http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-volta-a-carga-com-novo-plano-para-cortar-salarios_176119.html

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    • Colono's avatar
      Colono permalink
      29 Agosto, 2013 11:39

      Eu compro* o Portela… para “oferecer” aos leões famintos de Alvalade

      * Por meio tostão furado … mesmo assim já bastante caro!

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  7. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    29 Agosto, 2013 12:15

    A mentira como modo de vida:
    http://arrastao.org/2879975.html#comentarios

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  8. maria ferreira's avatar
    maria ferreira permalink
    29 Agosto, 2013 12:34

    Assistimos a acusações desde a nacionalização BPN, e querem branquear a base.
    1º Qual a verdadeira razão porque o PS nacionalizou o BPN?
    2º Será ou não verdade que CNP-Seg.Social tinha depósitos a prazo q somavam 700M€? e teve medo do escândalo?
    Teixeira dos Santos escamoteou ou não a verdade desculpando-se com a queda da banca?
    Os jornalistas descobrem agulhas em palheiros e perdem-se com grandes números!

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    • Tiradentes's avatar
      Tiradentes permalink
      29 Agosto, 2013 14:31

      Depositos a prazo nesse valor mas do fundo de garantia da SS estavam lá 3.300 milhões em acções especulativas (Lemon Brothers?) e o seu valor nominal de entrada foram retirados sem ganhos ou perdas dias antes da nacionalização. É por essas e por outras que os accionistas foram “perdoados”. e remeteram para o segredo dos deuses na Parvalorem. Saber-se-à quando esta geração já estiver a fazer tijolo.

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  9. M. Miranda's avatar
    M. Miranda permalink
    29 Agosto, 2013 12:51

    Eu não sei é se haveria alguma alma caridosa que quisesse ficar com as SCUT’s mesmo dadas!

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  10. @!@'s avatar
    29 Agosto, 2013 13:19

    “toda a propriedade só cumpre os seus fins naturais se for privada e a que se mantém na gestão pública cumpre fins alheios à maioria das pessoas”
    Basta andar pelo pais e notar a quantidade de “propriedades privadas” abandonadas a pedir a intervenção do estado ou do município. Não falo só de moradias, mas também de empresas.
    Pois bem, privatizem-se as AE e IP e depois quero ver quando as empresas abandonarem os “investimentos”.
    Esta mania de querer aniquilar o “publico” vai-nos sair caro.

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  11. Piscoiso's avatar
    29 Agosto, 2013 13:39

    Não gosto nada de pagar impostos, mas também tenho a noção de que se não os pagasse ao Estado, teria de os pagar a uma qualquer mafia, para usufruir de serviços essenciais.
    Depois há o 2 em 1, quando a mafia está no Governo.

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  12. Carlos's avatar
    Carlos permalink
    29 Agosto, 2013 14:28

    JFP, um exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=c5DCmDXJun4

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