O texto que segue é a tradução (minha) das pagªs 18 a 21 do livro “Life Without Lawyers” de Philip K. Howard. Trata (o livro) da responsabilidade individual e das estratégias para, pela via do empastelamento legiferante, a ela obviar.
Quando, há já uns anos, o li, pensei nesta história como mais um excesso dos americanos. Afinal… Embora haja que reconhecer que cá não se foi ao ponto de chamar a polícia.
(Se quiser desenvolver o assunto posso emprestar-lhe o livro)
LEI POR TODO O LADO
Algo tem de estar errado quando uma miúda no jardim de infância, que pesaria, quando muito, uns dezoito quilos, é levada algemada pela polícia. Mas foi o que aconteceu na primavera de 2005 em St. Petersburg na Florida. Também não deixa de ser estranho que todo o episódio tenha sido gravado e tenha passado na televisão nacional. Vê-se a miudinha, penteada com umas bem cuidadas tranças, a ir de carteira em carteira a mandar ao chão livros e canetas, a rasgar os papéis afixados no quadro, a destruir metodicamente a sala de aula. A educadora anda à sua volta com os braços esticados como se estivesse a teinar defesas à baliza, mas evitando sempre qualquer contacto. (Porque é que não a agarra? Pergunta-se o espectador . . . será a criança hemofílica?). A miudinha acaba por ser encaminhada para o gabinete da directora onde continua a destruição da papelada ordenadamente afixada nas paredes. Finalmente chega a polícia e algema a criança de cinco anos. Que chora. A fita chega ao fim.
Desde que existem escolas que os professores têm tido que lidar com miúdos de cinco anos malcomportados e chamar a polícia não é a solução que a experiência nos ensinou. Vamos rebobinar a fita e tratar isto sensatamente. Problema: birra na sala de aula de um jardim de infância. Solução: Dizer à miúda para parar. Se continuar, segurá-la por um braço para impedir mais estragos. Se necessário, levá-la para outra sala até que acalme. Não é preciso ser um génio para tomar a atitude correcta num caso destes.
Mas os professores na América não a podem tomar. Agarrar no braço de uma criança é proibidíssimo -tocar é tabu, excepto para prevenir lesões em tercceiros. Donde resulta uma criança de cinco anos algemada.
A regra da proibição de tocar num estudante está, hoje em dia, generalizada na América. Uma colega da minha filha que dava aulas de natação a principiantes em East Harlem, estava terminantemente proibída de segurar os seus alunos na água (para impedir que se afogassem) enquanto não tivesse pedido e recebido explícita permissão para tal de cada uma das crianças. E não bastava perguntar uma vez, mas sempre de cada vez que tivesse que segurar alguém. “Posso pôr a mão na tua barriga?” repetia ela. Os miúdos achavam que não fazia sentido: “porque é que está sempre a perguntar-me se pode pôr a mão na minha barriga?” Mas ela tinha sido instruída para nunca estabelecer contacto sem, previamente, formular a questão.
O contacto físico é uma questão sensível. Todos concordaremos que quem tiver tendências para se comportar incorrectamente junto de crianças deve ser posto na rua, ou na prisão, e o escândalo dos padres católicos aí está para nos mostrar que há quem tenha este tipo de problemas. Mas estabelecer normas imperativas contra o contacto físico é algo estranho e quase tão perturbador como o contacto excessivamente amigável. As crianças pequenas precisam de carinho físico e, por vezes, as mais velhas precisam de ser fisicamente constrangidas ou de, pelo menos, recearem o constrangimento físico. A não ser assim, haverá estudantes que abusarão da incapacidade dos professores.
Bom, vamos alterar as regras sobre contacto físico; é assim que instintivamente reagimos sempre que ouvimos histórias destas. Mas o que é que a norma deveria passar a dispôr? Será que “conduta apropriada” será aceitável? Tal já deveria estar implícito numa sociedade livre e nem precisamos de uma norma que diga que o abuso de estudantes é proíbido; também já o sabemos. O problema está na aplicação: como é que a lei distingue o que é apropriado nesta ou naquela situação?
Em bom rigôr, a regra que proíbe o contacto físico não existe para proteger as crianças. A interdição de contacto está pensada para proteger professores e escolas. Pode ter a certeza de que existe uma norma contra seja qual fôr o tipo de contacto -se o fizer, pode ser processado.Há professores que tiverem as suas vidas arruinadas por terem agarrado uma criança malcomportada. Josh Kaplowitz, um jovem licenciado a cooperar no “Teach for America” pôs a mão nas costas de um malcomportado aluno do sétimo ano para o fazer sair da sala de aula e foi alvo de uma acção em que eram pedidos 20 milhões de dólares de indeminização, para além duma acção-crime intentada pelos pais. O processo-crime acabou por ser arquivado ao fim de dois anos de inferno e a acção civil acabou num acordo em que a escola teve de pagar 90.000 dólares. Outros professores houve que viram as suas carreiras arruinadas por acusações, não de qualquer atentado sexual, mas apenas por terem segurado uma criança, ou, num caso passado com um professor de música, por ter posicionado os dedos duma criança na flauta.
Nenhuma organização pode funcionar eficazmente a menos que as pessoas possam fazer escolhas e exista alguém perante quem respondam. O professor tem que poder fazer o que fôr mais conveniente, seja controlar os alunos perturbadores, seja abraçar uma criança que chora. E o director deve estar livre para julgar -por exemplo, sobre a credibilidade do aluno, ou sobre se ele terá uma embirração com o professsor. Hoje em dia o director não tem essa autoridade, e procura agarrar-se a uma bóia de salvação legal. Mas como é que ele pode provar que a conduta foi apropriada, ou que o professor amedronta os alunos? Portanto, a regra automática é: contacto zero. Não se conseguirá resolver este dilema com melhores regras sobre comportamento adequado. E o problema também se não resolverá com processos que se arrastam ao longo de anos e a que haverá ainda que acrescentar crianças a testemunhar e emoções ao rubro. O problema que aqui se coloca tem sobretudo a ver com o objectivo que a lei visa prosseguir e nó pedimos demasiado à lei. É muito difícil de provar se, sim ou não, um contacto físico incidental -um abraço, agarrar num braço- constitui comportamento apropriado. Pode provar-se uma ofensa sexual explícita mas a lei não é lá muito eficaz a lidar com as nuances do comportamento humano. Num contexto destes as normas não conseguem fazer a distinção entre o que é certo e o que é errado -precisamente porque as normas carecem de contexto- nem os processos o conseguirão -uma acção contra um professor acusando-o de contacto inapropriado é, já em si, abusiva, arruinando-lhe a vida só por esse facto. Um relacionamento normal entre adultos e crianças torna-se impossível em tais condições pois a possibilidade de uma acusação como que congelou tal relacionamento. E os efeitos repercutem-se na cultura escolar, com os estudantes, que a partir de uma certa idade pressentem estes medos, a desafiarem a autoridade dos professores. Como ar envenenado, a lei acaba por se tornar um factor sempre presente no relacionamento escolar.
Temos que definir limites a este estado de coisas. A única via para normalizar o relacionamento entre crianças e adultos é a de afastar a aplicação da lei no relacionamento incidental: nenhuma queixa deve ser aceite sem que esteja sustentada em indícios credíveis de ofensa sexual explícita. Para comportamentos fora deste quadro, as pessoas devem ter a liberdade de lidar com eles do modo que entenderem mais conveniente – por exemplo através de uma decisão do director que transfira ou despeça o professor sobre cujo comportamento recaiam dúvidas.
A Helena que já leccionou deve saber que por vezes ocorrem situações dentro das escolas que se tornam incontroláveis por ocorrência de vários factores, que analisados à posteriori, friamente, deveriam ter sido enfrentadas de uma outra maneira. E as “galhetas” podem agravar a situação.
Um miúdo de 6 anos semeia o pânico na escola que obriga ao encerramento, esta tudo louco??? E não pode levar uma bofatada porque pode agravar as consequencias?!?! Tenham juizo
Algures num supermercado perto de mim, duas situações diferentes, em tudo!
1- Seis horas da tarde mais ou menos, uma jovem trintona andava apressada nas compras com o filho pela mão. O puto 4,5 anos estava todo “atravessado”, choramingava, berrava, sei lá o quê! A mãe sintia-se verdadeiramente incomodada, com os olhares das pessoas, e a certa altura sacode o puto duas ou três vezes, com o olhar passado “argumentava” com um sonoro cala-te! cala-te!
O puto berrou mais!
2- No mesmo sitio algum tempo depois, outra jovem mãe andava com a filha nas mesmas lides! a miuda vasculhava a prateleira cheia de chocolates, e bumba 4 ou 5 para dentro do carro: A mãe dizia-lhe que só podia levar um!
A miuda amuou, cruzou os bracinhos, franziu as sobrancelhas, e fez cara de má… a mãe não ligou nada, e como não tava a dar, a criancinha senta-se no corredor na mesma pose! a mamã acabou de fazer as compras na prateleira, e diz: filha vamos embora… a criancinha nada, então a mamã resolve a situação: senta-se no chão em frente dela cruza as pernas, os braços, franze os sobrolhos e fica a olhar para ela.
Diz-lhe: estás a ver as pessoas?
A miuda olhou e olha para mim, que resolvi entrar no jogo… colocando um olhar de desaprovação!
A bacana levantou-se logo e lá partiu de mão dada com a mamy! eu… fiquei deliciado e bem disposto, mas bem disposto mesmo, mesmo agora que estou a relembrar o momento…
PS- Esta minha costela Alentejana é danada danadinha… é, “Baila morena”…baila!
Caro RCAS, se me permite, o seu comentário é um tratado, não só como resposta à intenção do post, como especialmente porque desarma por completo o simplismo das imbecilidades dos comentários que defendem que “2 galhetas” é o que faz falta (contra mim falo, se bem que por outro prisma).
E note-se que nem entra na profundidade da existência ou não de perturbações condicionantes, apenas um relato factual, que serve de exemplo de educação, pedagogia, e de sociedade a que devemos aspirar (e aqui aspirar aplica-se quer do ponto de vista liberal, quer do ponto de vista das pessoas normais, ou socialista como lhe chamam os liberais cá da tasca). (Também me deixou bem disposto, o seu relato!).
a culpa é da colega, certamente com uma agenda neo-liberal, que não emprestou os marcadores com a inqualificável alegação de que eram seus.
Começam desde cedo a incutir nas crianças a ideologia do pacto de agressão e depois admiram-se se um ou outro se passar dos carretos e dirigir à sociedade capitalista o tratamento que ela merece.
espero que mabdem a conta da destruição aos pais que não me apetece nada ter de pagar mais cadeiras lá para a escola.
e acontece que chegamos ao absurdo de não se poder agir em conformidade perante situações destas , caía logo o carmo e a trindade : ai o menino tadinho traumatizado e sei lá mais o quê que teriam de aturar professores e colegas do neurótico.
O rapaz tem o precoce espírito de Okupa. Por que raio não há-de fazer seu o que é dos outros? Eu mandava-o já para uma escola de sobredotados Okupacionais, mas com… dois pontapé no rabo e umas quantas lambadas para perceber a propriedade do meu pé e da minha mão. Era garantia de lembrança eterna. (pronto agora vêm aí os sociólogos e os psicólogos e outros ólogos como o doutor Boaventura.)
Lá está! Se a colega fosse solidária em vez de individualista e egoista nada se tinha passado!
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NON SE A ESCOLA FOSSE TÉRREA COMO NOS BONS TEMPOS DOS THALASSAS
A CADEIRA NUNCA CHEGARIA A TER UMA CINÉTICA DE 2 PISOS….A ENERGIA POTENCIAL GRAVÍTICA SERIA MENOS GRAVE E LOGO MAIS AGUDA…
LÁ ESTÁ? ADONDE?
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Ou então é a Mesqquitela que tem um micro-clima atípico!
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MICROCLIMA SEM HÍFEN OS MICROCLIMAS NÃ SÃO ELITISTAS
DAÍ HAVEREM MUY MAS QUE LAS LOJAS
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O pior e quando estos psicopatas alcanzam o poder politico.:)
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E começam a filosofar… 🙂
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Qual era a marca dos marcadores?
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O Sócrates não viveu perto de Mangualde?
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Como se dizia antigamente: duas “bufatadas” naquele “focinho” e resolvia-se a coisa…
Estamos a ir pelo mesmo caminho que os suecos:
http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/,477a68fadb402410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
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Exaxcto
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O texto que segue é a tradução (minha) das pagªs 18 a 21 do livro “Life Without Lawyers” de Philip K. Howard. Trata (o livro) da responsabilidade individual e das estratégias para, pela via do empastelamento legiferante, a ela obviar.
Quando, há já uns anos, o li, pensei nesta história como mais um excesso dos americanos. Afinal… Embora haja que reconhecer que cá não se foi ao ponto de chamar a polícia.
(Se quiser desenvolver o assunto posso emprestar-lhe o livro)
LEI POR TODO O LADO
Algo tem de estar errado quando uma miúda no jardim de infância, que pesaria, quando muito, uns dezoito quilos, é levada algemada pela polícia. Mas foi o que aconteceu na primavera de 2005 em St. Petersburg na Florida. Também não deixa de ser estranho que todo o episódio tenha sido gravado e tenha passado na televisão nacional. Vê-se a miudinha, penteada com umas bem cuidadas tranças, a ir de carteira em carteira a mandar ao chão livros e canetas, a rasgar os papéis afixados no quadro, a destruir metodicamente a sala de aula. A educadora anda à sua volta com os braços esticados como se estivesse a teinar defesas à baliza, mas evitando sempre qualquer contacto. (Porque é que não a agarra? Pergunta-se o espectador . . . será a criança hemofílica?). A miudinha acaba por ser encaminhada para o gabinete da directora onde continua a destruição da papelada ordenadamente afixada nas paredes. Finalmente chega a polícia e algema a criança de cinco anos. Que chora. A fita chega ao fim.
Desde que existem escolas que os professores têm tido que lidar com miúdos de cinco anos malcomportados e chamar a polícia não é a solução que a experiência nos ensinou. Vamos rebobinar a fita e tratar isto sensatamente. Problema: birra na sala de aula de um jardim de infância. Solução: Dizer à miúda para parar. Se continuar, segurá-la por um braço para impedir mais estragos. Se necessário, levá-la para outra sala até que acalme. Não é preciso ser um génio para tomar a atitude correcta num caso destes.
Mas os professores na América não a podem tomar. Agarrar no braço de uma criança é proibidíssimo -tocar é tabu, excepto para prevenir lesões em tercceiros. Donde resulta uma criança de cinco anos algemada.
A regra da proibição de tocar num estudante está, hoje em dia, generalizada na América. Uma colega da minha filha que dava aulas de natação a principiantes em East Harlem, estava terminantemente proibída de segurar os seus alunos na água (para impedir que se afogassem) enquanto não tivesse pedido e recebido explícita permissão para tal de cada uma das crianças. E não bastava perguntar uma vez, mas sempre de cada vez que tivesse que segurar alguém. “Posso pôr a mão na tua barriga?” repetia ela. Os miúdos achavam que não fazia sentido: “porque é que está sempre a perguntar-me se pode pôr a mão na minha barriga?” Mas ela tinha sido instruída para nunca estabelecer contacto sem, previamente, formular a questão.
O contacto físico é uma questão sensível. Todos concordaremos que quem tiver tendências para se comportar incorrectamente junto de crianças deve ser posto na rua, ou na prisão, e o escândalo dos padres católicos aí está para nos mostrar que há quem tenha este tipo de problemas. Mas estabelecer normas imperativas contra o contacto físico é algo estranho e quase tão perturbador como o contacto excessivamente amigável. As crianças pequenas precisam de carinho físico e, por vezes, as mais velhas precisam de ser fisicamente constrangidas ou de, pelo menos, recearem o constrangimento físico. A não ser assim, haverá estudantes que abusarão da incapacidade dos professores.
Bom, vamos alterar as regras sobre contacto físico; é assim que instintivamente reagimos sempre que ouvimos histórias destas. Mas o que é que a norma deveria passar a dispôr? Será que “conduta apropriada” será aceitável? Tal já deveria estar implícito numa sociedade livre e nem precisamos de uma norma que diga que o abuso de estudantes é proíbido; também já o sabemos. O problema está na aplicação: como é que a lei distingue o que é apropriado nesta ou naquela situação?
Em bom rigôr, a regra que proíbe o contacto físico não existe para proteger as crianças. A interdição de contacto está pensada para proteger professores e escolas. Pode ter a certeza de que existe uma norma contra seja qual fôr o tipo de contacto -se o fizer, pode ser processado.Há professores que tiverem as suas vidas arruinadas por terem agarrado uma criança malcomportada. Josh Kaplowitz, um jovem licenciado a cooperar no “Teach for America” pôs a mão nas costas de um malcomportado aluno do sétimo ano para o fazer sair da sala de aula e foi alvo de uma acção em que eram pedidos 20 milhões de dólares de indeminização, para além duma acção-crime intentada pelos pais. O processo-crime acabou por ser arquivado ao fim de dois anos de inferno e a acção civil acabou num acordo em que a escola teve de pagar 90.000 dólares. Outros professores houve que viram as suas carreiras arruinadas por acusações, não de qualquer atentado sexual, mas apenas por terem segurado uma criança, ou, num caso passado com um professor de música, por ter posicionado os dedos duma criança na flauta.
Nenhuma organização pode funcionar eficazmente a menos que as pessoas possam fazer escolhas e exista alguém perante quem respondam. O professor tem que poder fazer o que fôr mais conveniente, seja controlar os alunos perturbadores, seja abraçar uma criança que chora. E o director deve estar livre para julgar -por exemplo, sobre a credibilidade do aluno, ou sobre se ele terá uma embirração com o professsor. Hoje em dia o director não tem essa autoridade, e procura agarrar-se a uma bóia de salvação legal. Mas como é que ele pode provar que a conduta foi apropriada, ou que o professor amedronta os alunos? Portanto, a regra automática é: contacto zero. Não se conseguirá resolver este dilema com melhores regras sobre comportamento adequado. E o problema também se não resolverá com processos que se arrastam ao longo de anos e a que haverá ainda que acrescentar crianças a testemunhar e emoções ao rubro. O problema que aqui se coloca tem sobretudo a ver com o objectivo que a lei visa prosseguir e nó pedimos demasiado à lei. É muito difícil de provar se, sim ou não, um contacto físico incidental -um abraço, agarrar num braço- constitui comportamento apropriado. Pode provar-se uma ofensa sexual explícita mas a lei não é lá muito eficaz a lidar com as nuances do comportamento humano. Num contexto destes as normas não conseguem fazer a distinção entre o que é certo e o que é errado -precisamente porque as normas carecem de contexto- nem os processos o conseguirão -uma acção contra um professor acusando-o de contacto inapropriado é, já em si, abusiva, arruinando-lhe a vida só por esse facto. Um relacionamento normal entre adultos e crianças torna-se impossível em tais condições pois a possibilidade de uma acusação como que congelou tal relacionamento. E os efeitos repercutem-se na cultura escolar, com os estudantes, que a partir de uma certa idade pressentem estes medos, a desafiarem a autoridade dos professores. Como ar envenenado, a lei acaba por se tornar um factor sempre presente no relacionamento escolar.
Temos que definir limites a este estado de coisas. A única via para normalizar o relacionamento entre crianças e adultos é a de afastar a aplicação da lei no relacionamento incidental: nenhuma queixa deve ser aceite sem que esteja sustentada em indícios credíveis de ofensa sexual explícita. Para comportamentos fora deste quadro, as pessoas devem ter a liberdade de lidar com eles do modo que entenderem mais conveniente – por exemplo através de uma decisão do director que transfira ou despeça o professor sobre cujo comportamento recaiam dúvidas.
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Duas galhetas bem dadas e passava-lhe o ataquinho de fúria ao “enorme e aterrador” miúdo de 6 anos…
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A Helena que já leccionou deve saber que por vezes ocorrem situações dentro das escolas que se tornam incontroláveis por ocorrência de vários factores, que analisados à posteriori, friamente, deveriam ter sido enfrentadas de uma outra maneira. E as “galhetas” podem agravar a situação.
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Um miúdo de 6 anos semeia o pânico na escola que obriga ao encerramento, esta tudo louco??? E não pode levar uma bofatada porque pode agravar as consequencias?!?! Tenham juizo
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Possivelmente a educação que tem em casa!!!!!ou problemas que devem ser rapidamente visto por quem de direito
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Ao menos aprendeu a não se meter com a lei da gravidade. Porque é que a furia não lhe dá para se atirar da janela ou bater com a cabeça nas paredes?
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Algures num supermercado perto de mim, duas situações diferentes, em tudo!
1- Seis horas da tarde mais ou menos, uma jovem trintona andava apressada nas compras com o filho pela mão. O puto 4,5 anos estava todo “atravessado”, choramingava, berrava, sei lá o quê! A mãe sintia-se verdadeiramente incomodada, com os olhares das pessoas, e a certa altura sacode o puto duas ou três vezes, com o olhar passado “argumentava” com um sonoro cala-te! cala-te!
O puto berrou mais!
2- No mesmo sitio algum tempo depois, outra jovem mãe andava com a filha nas mesmas lides! a miuda vasculhava a prateleira cheia de chocolates, e bumba 4 ou 5 para dentro do carro: A mãe dizia-lhe que só podia levar um!
A miuda amuou, cruzou os bracinhos, franziu as sobrancelhas, e fez cara de má… a mãe não ligou nada, e como não tava a dar, a criancinha senta-se no corredor na mesma pose! a mamã acabou de fazer as compras na prateleira, e diz: filha vamos embora… a criancinha nada, então a mamã resolve a situação: senta-se no chão em frente dela cruza as pernas, os braços, franze os sobrolhos e fica a olhar para ela.
Diz-lhe: estás a ver as pessoas?
A miuda olhou e olha para mim, que resolvi entrar no jogo… colocando um olhar de desaprovação!
A bacana levantou-se logo e lá partiu de mão dada com a mamy! eu… fiquei deliciado e bem disposto, mas bem disposto mesmo, mesmo agora que estou a relembrar o momento…
PS- Esta minha costela Alentejana é danada danadinha… é, “Baila morena”…baila!
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Caro RCAS, se me permite, o seu comentário é um tratado, não só como resposta à intenção do post, como especialmente porque desarma por completo o simplismo das imbecilidades dos comentários que defendem que “2 galhetas” é o que faz falta (contra mim falo, se bem que por outro prisma).
E note-se que nem entra na profundidade da existência ou não de perturbações condicionantes, apenas um relato factual, que serve de exemplo de educação, pedagogia, e de sociedade a que devemos aspirar (e aqui aspirar aplica-se quer do ponto de vista liberal, quer do ponto de vista das pessoas normais, ou socialista como lhe chamam os liberais cá da tasca). (Também me deixou bem disposto, o seu relato!).
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TRATADO DA ESTUPIDEZ PAR STULTUS?
É CAPAZ É CAPAZ Ó RAPAZ…PERDÃO RAPAZOTE……
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a culpa é da colega, certamente com uma agenda neo-liberal, que não emprestou os marcadores com a inqualificável alegação de que eram seus.
Começam desde cedo a incutir nas crianças a ideologia do pacto de agressão e depois admiram-se se um ou outro se passar dos carretos e dirigir à sociedade capitalista o tratamento que ela merece.
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até ficava marreca….
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Como disse? Quem é que foi egoista?
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espero que mabdem a conta da destruição aos pais que não me apetece nada ter de pagar mais cadeiras lá para a escola.
e acontece que chegamos ao absurdo de não se poder agir em conformidade perante situações destas , caía logo o carmo e a trindade : ai o menino tadinho traumatizado e sei lá mais o quê que teriam de aturar professores e colegas do neurótico.
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O rapaz tresloucou.
Carece de assistência psiquiátrica e no limite: internamento.
Entretanto, medida de retirada e afastamento compulsivo.
Para que serve o MP e a brigada policial “escola segura”?
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O rapaz tem o precoce espírito de Okupa. Por que raio não há-de fazer seu o que é dos outros? Eu mandava-o já para uma escola de sobredotados Okupacionais, mas com… dois pontapé no rabo e umas quantas lambadas para perceber a propriedade do meu pé e da minha mão. Era garantia de lembrança eterna. (pronto agora vêm aí os sociólogos e os psicólogos e outros ólogos como o doutor Boaventura.)
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