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A ler

4 Novembro, 2013

João César das Neves: Foi em 1970 que o prémio Nobel George Stigler (1911-1991) formulou, num dos seus textos clássicos, a lei que atribuiu ao colega da Universidade de Chicago Aaron Director (1901-2004): “Director”s Law of Public Income Redistribution” (Journal of Law and Economics, Vol. 13, n.º 1, p. 1-10). Esse teorema afirma que “as despesas públicas são feitas para o benefício primordial da classe média, e financiadas com impostos suportados em parte considerável pelos pobres e pelos ricos” (op. cit. p. 1). A sua base lógica advém naturalmente de, representando de longe a maior parte da sociedade, as classes médias atraírem naturalmente as graças dos eleitos.

Hoje Portugal, devido às imposições da troika, vive um corolário desta lei em condições inversas. Como nas décadas de endividamento os benefícios seguiram esse princípio, dirigindo-se para os extractos intermédios, agora é aí que cai o corte nas despesas. Aliás, a verdadeira razão da raiva extrema contra o Governo vem da pressão sobre a classe média, uma violação forçada da “lei de Director”.

Assim se explicam as confusões dos discursos sobre pobreza. A maioria dos que falam em nome dos desprovidos estão realmente a defender as classes acima, mesmo se nos extractos mais baixos. As medidas contestadas não tocam os verdadeiros pobres, geralmente alheios aos políticos, até de esquerda. As greves dos serviços públicos não se destinam a proteger os desvalidos, que aliás são os que mais sofrem pela falta de transporte e outros sistemas.

34 comentários leave one →
  1. Piscoiso's avatar
    4 Novembro, 2013 14:42

    Mais uma injecção do das Neves, a injectar a lei Aaron, pela enfermeira dos matos.

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    • und's avatar
      und permalink
      4 Novembro, 2013 21:59

      é berdade a classe média é quem cria emprego numa sociedade de serviços

      logo se não se subsidia a ditta classe

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  2. João Lisboa's avatar
  3. João Lisboa's avatar
  4. J. Madeira's avatar
    J. Madeira permalink
    4 Novembro, 2013 15:06

    A D. Helena está numa críse profunda, é altura para se
    deitar no divã do psicólogo e limpar a alma!
    Transcrever o abominável neves no Blafémias é algo de
    mau gosto, o enconomista que não dá uma para a caixa
    da felicidade dos portugueses, vem com a treta do Director
    ou lá como se chama o fisófolo das leis dos negócios, que
    em nada ajuda a compreender anossa situação!
    A não ser que se acredite que a classe média em Portugal
    começa nos salários de 600 euros … tenham vergonha!!!

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    • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
      Alexandre Carvalho da Silveira permalink
      4 Novembro, 2013 15:26

      Ó sr Madeira o que é que faz na vida? deve ser amesentado do oge, um dos da “classe média” que têm beneficiado deste statos quo do centrão, que tem beneficiado do incremento da divida, acreditando, sabe-se lá porquê, que o dinheiro cai do céu.
      O sr Madeira deve ser dos que entendem bem “a nossa situação”! Mostre-nos o caminho da luz, caro Madeira, e explique-nos, por favor, qual é a nossa situação.
      P.S.: Os divãs dos psicólogos servem para “limpar a alma”? pensava que era o confessionário que limpava as almas, mas isso sou eu que andei na catequese nos idos dos 50s.

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      • A.Silva's avatar
        A.Silva permalink
        4 Novembro, 2013 15:53

        O que é que um sacana como o Alexandre Carvalho da Silveira sabe acerca da vida, ele que sempre deve ter sido um dos que vivem à custa dos roubos que os seus patrões fizeram a Portugal.

        Gente sem escrúpolos e sem moral, cambada de parasitas!

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      • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
        Alexandre Carvalho da Silveira permalink
        4 Novembro, 2013 16:34

        Sabes ó Silva dos plásticos: eu nunca tive patrão, fui sempre patrão de mim mesmo, quer dizer: fui dos parvos que passaram a vida a investir o que tinham e o que não tinham, a criar riqueza e postos de trabalho, a exportar, e, imagina lá, passei 15 anos da minha vida que nem férias tive ( o que contraria pelo menos 13 artigos da CRP), tudo para pagar impostos para sustentar os parasitas como o sr Silva, que tem todo o ar de ser dos que viveram sempre à custa do orçamento. Vai roubar prá estrada ó silva…

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      • und's avatar
        und permalink
        4 Novembro, 2013 21:57

        es crú polos….pollos? polla? puços….

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      • A.Silva's avatar
        A.Silva permalink
        5 Novembro, 2013 10:11

        Bem me parecia que este Alexandre Carvalho da Silveira é um daqueles “empreendedores” que vivem à custa da mama do estado.

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  5. gastão's avatar
    gastão permalink
    4 Novembro, 2013 15:44

    Com tanta gente a fugir da choldra, vamos ficando com os velhos e os mediocres, aliás já se nota…

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  6. Surprese's avatar
    Surprese permalink
    4 Novembro, 2013 15:47

    O pessoal da esquerda burguesa sente-se ofendido com tão grande falta de respeito por parte de certos economistas.

    Então não é a esquerda burguesa a vítima destes neo-ultra-liberais radicais, neo-fascistas agiotas sem coração?

    Pobres? Esses, é como dizia o César Monteiro: “Quero que …. se f€&@m”

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  7. A.Silva's avatar
    A.Silva permalink
    4 Novembro, 2013 15:49

    “As medidas contestadas não tocam os verdadeiros pobres, geralmente alheios aos políticos, ”

    Gente miserável que assim fala. que nem o país conhece.

    Que ardam no inferno e quanto mais depressa melhor!

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  8. jo's avatar
    4 Novembro, 2013 16:10

    Definição de verdadeiro pobre: aquele que não é afetado pelas medidas de austeridade.
    Assim se prova quem são os verdadeiros pobres em Portugal.

    A classe média não tem direito a defender-se porque não é pobre. Logo como a D. Helena e o Dr. César das Neves não são pobres, se alguém os atacar só têm de comer, calar e agradecer; a menos que pertençam às classes possidentes..

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  9. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    4 Novembro, 2013 16:36

    Uma remuneração de €5.000 a €7.000 POR ANO , é classe média no portugal da troika . Qual é o problema do sr Neves e da sra Matos?

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    • und's avatar
      und permalink
      4 Novembro, 2013 18:52

      5000? BOLAS ISSO NEM DÁ 430 EUROS POR MÊS

      SÓ TRAVALHAM 10 MESES? JÁ AÍ ESTIBE MAS FAZIA UNS 6300….

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  10. RCAS's avatar
    RCAS permalink
    4 Novembro, 2013 17:12

    Quo Vadis, Helena?
    João Cesar das Neves???

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    • und's avatar
      und permalink
      4 Novembro, 2013 18:53

      RASCUNHO CABALÍSTICO CU Ó VADES…..NON CU INVADES NON

      CU INVADEM-TE…..

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  11. JPT's avatar
    JPT permalink
    4 Novembro, 2013 17:36

    Concedo que isto é um acto imbecil, lunático e masoquista da minha parte, porque a política liberal deste blogue no que tange a comentários, causou que só mesmo imbecis, lunáticos ou masoquistas ainda aqui comentem. O que se refere o post é uma evidência, como atesta a emergência, nos últimos 30 anos, de uma “underclass” sócio-económica, em todos os países capitalistas, composta de pessoas que não contam, politicamente, e que não gozam, por isso, de quaisquer favores do poder. Para frustração da esquerda radical, que contava com essa “underclass” para lhes fazer o “trabalho sujo”, não são, de facto, os realmente pobres que se “revoltam”, mas sim a classe média (desde a média muito alta, dos ditos senadores da república, á média baixa, dos administrativos e operacionais da FP e das empresas públicas), classe que, em grande parte, foi criada e vive à conta do Estado. Os realmente pobres têm (infelizmente) mais com que se preocupar e, por outro lado, sabem que, mesmo mudando as moscas, para eles a m…a será a mesma – continuarão a ver os seus filhos deseducados em escolas públicas de subúrbio, de onde há muito fugiu a classe média, que os preparam para o McDonalds, as obras, as limpezas ou o centro de emprego.

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  12. carlos's avatar
    4 Novembro, 2013 18:45

    Será este o Estado mínimo desejado pelos neoliberais?
    O Estado injectou em 2012 perto de sete mil milhões de euros no sistema financeiro português, dos quais se destacam 5.850 milhões para a capitalização do BCP, BPI e CGD. Acrescem ainda cerca de mil milhões de empréstimos aos dois fundos que absorveram os activos tóxicos do BPN (Parups e Parvalorem). Estas são conclusões da análise à execução orçamental do ano passado tomada pública pelo Tribunal de Contas (TC).
    As necessidades financeiras da banca, sublinha o TC, deram um contributo decisivo para o aumento da despesa com activos financeiros que, em 2012, ascendeu a cerca de 11,5 mil milhões de euros (perto de 7 por cento do PIB), mais 4,8 mil milhões que no ano anterior.
    O Tribunal destaca que os activos financeiros “aumentaram 4.771,5 milhões de euros, atingindo os 11.495,4 milhões de euros, passando a representar 18,2 por cento da despesa [do Estado]”, em resultado principalmente dos “instrumentos de capital contingente” para capitalização de três instituições de crédito [BCP, BPI e CGD], em 2012, que ascenderam a 5.100 milhões de euros”.
    Este valor não inclui os 750 milhões de euros de dotação directa de capital na CGD, nem os mil milhões de euros emprestados à Parups e à Parvalorem. Com estas despesas adicionais, o Estado injectou 6.883 milhões de euros no sistema financeiro português.
    Para o total dos gastos com activos financeiros concorrem outras três rubricas: 2.749 milhões de euros de empréstimos de médio e longo prazo a empresas públicas que deixaram de ter acesso a crédito bancário, cerca de 800 milhões de euros da participação no capital do Mecanismo de Estabilização Financeira (MEE) – o novo fundo de resgate europeu – e ainda 900 milhões de empréstimos às regiões autónomas e autarquias.
    Em 2011 o Estado tinha gasto 600 milhões de euros com um aumento de capital do BPN e este ano já injectou cerca de 1.100 milhões no Banif. (em In VERBIS)
    Será este o Estado mínimo desejado pelos neoliberais?

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    • und's avatar
      und permalink
      4 Novembro, 2013 18:58

      EMPRESAS PÚBLICAS FALIDAS A SEREM SUPORTADAS PELO ESTADO?

      ACHO CU CAMARADA S’ENGANOU NA LEITURA DE MARX

      LIBERALISMO NUM É ISSO NON

      E SE HÁ NEOLIBERALISMO DESDE QUE INVENTARAM O LIBERALISMO

      DEVE ESTAR MUITO ESCONDIDO CAGENTE NUNCA O VIU…..

      E OS 1100 MILHÕES NO BANIF JÁ FORAM REDUZIDOS

      OS DEPOSITANTES PERDERAM UNS 78 MILHÕES EM PAPEL OBRIGACIONISTA

      E OS ACCIONISTAS PERDERAM UNS 300 OU 400 MILHÕES …..LOGO A DÍVIDA MAIS JUROS AO ESTADO DEVE ANDAR NOS 700 MILHÕES OU MENOS….OU MAIS
      NÃ ESQUECER OS JUROS….

      IN VER BIS É UM B-LOG PRA BISSEXUALIS?

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  13. carlos's avatar
    4 Novembro, 2013 18:57

    “as despesas públicas são financiadas com impostos suportados em parte considerável pelos pobres e pelos ricos”
    Pelos pobres?
    Olhe, demonstre lá isso melhor?
    Alguém dizia com propriedade – “a compra da dívida pública é um sistema pelo qual os ricos emprestam ao estado o dinheiro que não pagaram em forma de impostos”.

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  14. André's avatar
    André permalink
    4 Novembro, 2013 19:29

    Só por mera curiosidade (talvez a Helena ou o César das Neves consigam justificar isso), as despesas como as PPP rodoviárias, que fizeram certos elementos da classe alta ganhar milhões de euros, o salvamento de bancos para que acionistas não perdessem milhões de euros (mas sem nacionalizar os negócios que davam lucros aos mesmos acionistas), a privatização de empresas para que grandes empresários do país também ganhem dinheiro, tudo isso, foi feito em prol da classe média!? Deve ser… Aliás, a nossa classe média deve ter toda contas bancárias na Suíça. Pelo menos é essa a ideia que César das Neves passa, mas convenhamos, ele nunca foi um grande comunicador (nem pensador, a direita em Portugal mesmo assim consegue encontrar algumas cabecinhas mais inteligentes do que o César das Neves).

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    • und's avatar
      und permalink
      4 Novembro, 2013 21:55

      dos gamas? os accionistas não perderam? bolas deves ter a carteira do bcp e do banif e do bes e do….noutro bolso

      os accionistas da CGD já perderam mil milhões só em pensões e subsídios

      e os da RTP….quase tanto como os da SOFT LISA….ou lusa hard tante fax

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  15. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    4 Novembro, 2013 20:06

    Cada vez percebo melhor porque é que João César das Neves, apesar de colunista há bastante tempo, nunca passou da classe média-baixa dos colunistas portugueses.
    Mas desta vez até estou do lado dele. Como católico mostra-se desgostoso da classe média e releva as classes pobres e ricas. Assim, demonstra bem a sociedade que defende. Para ele, a maioria das pessoas não são médias. São altas ou baixas.
    Como católico publicamente assumido, é um modelo a seguir. Até porque a classe média é perigosa. É constituída por cidadãos demasiado libertos de espartilhos. 😉

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  16. maria ferreira's avatar
    maria ferreira permalink
    4 Novembro, 2013 20:06

    Não entendo como uns milhares que têm salários ou pensões inferiores a 626€ e estão isentos,se deixam manipular indo a manifestações, por aquilo que apenas serve aos que mais têm. Triste espectáculo partidos servirem-se da pobreza como carne para canhão.

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    • BELIAL's avatar
      BELIAL permalink
      4 Novembro, 2013 21:24

      Voto pela democracia censitária.
      O desespero não é favorável à razão, mas tão só ao despeito ignorante.

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      • und's avatar
        und permalink
        4 Novembro, 2013 21:52

        vou ver ali ao silabos o significado e se descodificar volto no outro pé…

        há despeito consciente e culto ?

        ou despeito racional e letrado?

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      4 Novembro, 2013 22:07

      Desta vez a maria ferreira tem razão: os mais pobres não se deveriam manifestar; os da classe ,média também não. Os mais ricos, sim. São os mais prejudicados. Um dia destes, alguns ainda vão ter de interromper transferências para os habituais paraísos. 😉

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    • André's avatar
      André permalink
      5 Novembro, 2013 06:56

      Estão isentos do quê? Do constante aumento do custo de vida (aumentos em produtos básicos como a alimentação, a água ou a eletricidade), não acompanhada por um aumento do salário mínimo? Estão isentos da falta de qualidade de um SNS que sofre cada vez mais cortes, de uma polícia sem meios para funcionar, de escolas com turmas de 35 (o que é ilegal) e com poucos professores? Ou será que estão isentos de apanhar a porcaria de um metro que fora da hora de ponta passa quase de 20 em 20 minutos e vai devagarinho para poupar (fazendo com que seja mais rápido ir da Alameda ao Martim Moniz a pé do que de metro)? Sim, os pobres não são afetados por nada disso… São só os ricos e a classe média. Os pobres vão sempre no seu mercedes pessoal para o trabalho, usam hospitais e escolas privadas e não recorrem à polícia porque as empresas de segurança privada existem para os proteger. Sim, devem ser esses pobres que não devem de facto precisar de reclamar…

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      • maria ferreira's avatar
        maria ferreira permalink
        5 Novembro, 2013 08:19

        Pior cego é o que não quer ver ou vê tudo enviezado.

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      • André's avatar
        André permalink
        5 Novembro, 2013 19:43

        Boa resposta para perguntas práticas. Uma resposta digna de um Paulo Portas, ou seja, de um demagogo médio-bom, mas de um homem execrável.

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