A música não tem preço
O projecto “Momentos Douro”, iniciativa da Associação da Rota do Vinho do Porto, para o seu concerto com B. B. King (2010), gastou aos contribuintes 161.000,00€. A Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, organizou em 2009 um ciclo de concertos denominados “Música e Ciência – Concertos Comentados por Cientistas”. Custou ao contribuinte 150.000,00€.
A “realização de concertos com orquestras multiculturais e eventos que envolvam artistas portugueses e estrangeiros que espelham a interculturalidade da cidade de Lisboa por ocasião da IVª Edição do TODOS – Caminhada de Culturas” (é esta a designação) custou-nos 142.800,00€. O concerto dos Xutos e Pontapés em Matosinhos (2009) custou-nos 83.000,00€.
Os Xutos e Pontapés nem ficaram muito caros ao contribuinte: 197.000,00€ em ajustes directos. O Tony Carreira saiu um pouquinho mais caro: 936.250,00€ (mais dois e passaria um milhão). Os Deolinda são baratinhos (“que parva que eu sou”), só nos custaram 116.092,53€ (a indignação não tem preço).
Somando todos estes ajustes directos seleccionados com a palavra “concerto”, obtemos, desde Setembro de 2008, 15.771.060,45€. Vá, 15 milhões de euros em contas redondas. Nem é muito, dirão os paladinos da cultura subsidiada, enquanto se queixam da indignidade dos 485€ de salário mínimo. Em ajustes directos com concertos e festivais foram só 32.518 salários mínimos indignos.

Já escrevi sobre isto e é o seguinte:
Neste desgraçado país cada cavadela, uma minhoca.
Se começarem a dar pontapés nas pedras sobre o que se passa no futebol, tenham cuidado, Podem sair de lá dragões a deitar fumo, como nos filmes de ficção científica.
E por falar nisso, a direcção do Fantasporto vai dirigir o próximo na cadeia ou ainda anda cá fora?
GostarGostar
O que é isso comparado com o rombo do BPN?
GostarGostar
Diga-me que não é nada em relação ao BPN. Assim também se pode concluir que o BPN é nada vezes X, que dá nada.
Ou como já lhe explicaram: Nacionalização do BPN não vai prejudicar contribuintes, diz Sócrates.
GostarGostar
Melhor será deixar o cálculo matemático de lado e olharmos para a política. Na verdade, a música (os ‘músicos’) são o circo mas o BPN representará o pão (que falta na mesa de muitos portugueses).
Pode ser assim?
GostarGostar
Expresso a quase total discordância das ilações que o VC tira. Os 15 milhões de € representam uma média anual de 10 mil€ por município, não me parece descabido. O modelo de ajuste directo é a única forma de assegurar um cartaz específico, o que seria um concurso público? Quais seriam os coeficientes de ponderação: preço*MW de luz/som*tamanho do palco?
O transporte do montante total para numero de OM’s dava cerca de 500 empregos (basta pagar 64 meses!) e presta-se a argumentação que já aqui “combati” por entender demagógica.
Concordo sim que Agªs Nacionais e algumas outras entidades aparecem no BASE a comprovar que os seus orçamentos não têm REI nem ROCK :))
Já agora e para estes ajustes directos (que nem sempre são injustificados) deveria existir um sistema de qualificação de fornecedores, senão mesmo para todos os fornecedores do estado.
GostarGostar
X€ no total só seria barato aceitando a realização de concertos como função social do estado. Na minha perspectiva é caro porque ao estado e autarquias só competiria saírem da frente para a organização de concertos por privados, obtendo receitas pela utilização de espaços públicos.
GostarGostar
Ora aí está algo em que concordamos em absoluto. Mas a questão, a meu ver, é que as edilidades apoiam o sarau de ginástica, as obras da colectividade, a pagela da paróquia, etc. Nesta óptica a cultura que se apoda de o ser verdadeiramente (e que não reconhece o popularucho que exemplifico) acha-se descriminada.
Do mal o menos, entendo que esta prática ao longo de 30 anos também ajudou a criar apetência para os espectáculos pagos, mais espectadores, talvez….
GostarGostar
Esta pouca vergonha dos concertos pagos com os nossos impostos tem de acabar de uma vez por todas. Aqueles que quiserem ver ou ouvir os seus artistas ou músicos preferidos têm que se habituar a pagar para tal. Com o dinheiro dos nossos impostos é que não !!
GostarGostar
Tchi…
GostarGostar
Quando perguntaram ao Churchill o porquê do orçamento da cultura não ter sido reduzido em função do país estar envolvido na 2ª guerra mundial… ele respondeu..
Qual a razão então para nós estarmos em guerra??
pensem lá um pouco… que seria da pintura, literatura , musica etc.. se não existissem sempre patronos??
à séculos que é assim..
Isto não quer dizer que não se questione certos investimentos.. mas fazer tábua rasa e por tudo no mesmo saco é incorrecto…
GostarGostar
Essa citação de Churchill é um mito. Nunca existiu.
Don’t Know Much About History
GostarGostar
“The arts are essential to any complete national life. The State owes it to itself to sustain and encourage them”…30 de Abril de 1938. Realmente foi antes da Guerra, mas o espírito não diverge muito.
GostarGostar
Referia-se à pintura e escultura, não necessariamente ao Emanuel do “nós, pimba”. Mas pronto.
GostarGostar
D.Heloísa Apolónia Piscoisa
Emigrou… com a viola no saco?
Espero que seja para melhor do que o Brasil: Coreia do Norte ou Cuba!
GostarGostar
Não está certo. Anda o Vitor a dar-nos musica e nem agradecemos.
GostarGostar
Simplesmente obsceno.
GostarGostar
sobre Joana Vasconcelos, a “artista” do regime, não há nada que possamos saber, no que a “dinheiros” públicos diz respeito ?
GostarGostar
Há. Vá ao site, procure, passe para Excel, faça a soma, indigne-se e peça para meterem Marco Paulo nos discos pedidos.
GostarGostar
E isto, Vítor? 😉
“….
A mim parece-me que inverteu completamente a sua própria lógica do mercado. Se um grupo musical vende concertos, porque é que se há-de recusar a quem os quer comprar? Na realidade, todas as autarquias apoiam concertos, como apoiam todas as coletividades dos respetivos concelhos, dentro daquilo que dentro do orçamento é dedicado à cultura.
Mas não menos correto do que escrevi acima é que nestas contas nunca aparecem as receitas para o município e para os munícipes. Quer dizer, as receitas indiretas resultantes da afluência de forasteiros ao concelho e as diretas, através de bilheteira e de aluguer de stands, quando se trata de feiras.
Já para não falar na publicidade e noutros benefícios. A maioria dos cidadãos, em qualquer passeata, vai aos concelhos que lhe soa na memória e não àqueles de que diz: “para aí é Marrocos”, ou “isso aí é um atraso de vida”.
GostarGostar
Quais são as receitas indirectas? Se ninguém as mede, como assumir que o investimento se justifica?
Em qualquer dos casos, implica aceitar que o estado tem função social de entretenimento. Cultura é outra coisa: acaba mais por ser entretenimento que adquire relevância.
GostarGostar
” …implica aceitar que o estado tem função social de entretenimento“.
Claro que desde há largos séculos que tem. Desde a decadência do império romano.
GostarGostar
Mais cedo: o circo romano entretinha bastante.
GostarGostar
As receitas indiretas? São parecidas com aquelas que são obtidas quando um turista se desloca a Lisboa ou ao Porto. São as receitas correspondentes à despesa que cada pessoa efetuar e que se traduzem ganhos para os comerciantes e impostos resultantes.
Mas, Vítor, porque é que os fornecedores de serviços, músicos ou outros, têm de ser tão criticados, ainda por cima por quem apregoa o liberalismo? Então, um vendedor de serviços deverá recusar um cliente? Os senhores que vendem canetas, papel, computadores, serviços jurídicos e estradas para câmaras municipais e para Passos Coelho deverão recusar ou então ficar envergonhados?
GostarGostar
Quero números, Fincapé. Não ter números permite construir 10 estádios.
Se devem ou não negociar com o estado não é da minha responsabilidade, que não reconheço ao estado autoridade para o fazer. Não me interessa quanto recebeu o artista, interessa-me quanto lhe pagaram.
GostarGostar
Boa técnica de comentário, Vítor. Eu vendo produtos ou serviços. O Estado quer comprar-mos. O que eu quero saber é se o liberal Vítor reconhece que eu tenho o direito de os vender.
Já quanto a números, deixo isso para os contratantes, autarcas ou não. São eles que têm de aprovar o orçamento nas respetivas assembleias municipais. É uma coisa que se chama democracia e, diz-se, foi inventada pelos gregos.
Mas se exigir isso de mim, posso na próxima atividade em que estiver presente entrevistar um a um os 10 mil ou cem mil visitantes para saber quanto deixaram. E também os outros turistas que lá passarem depois disso. Eles podem e não se lembrar.
GostarGostar
Se o Fincapé acha que isso resulta, porque haveria de ser necessário repetir? Com o multiplicador que obteve da primeira vez já não precisa de subsidiar mais vezes. O problema keynesiano é sempre o mesmo.
Quanto ao direito de vender: tem. O estado não tem é direito de comprar (pensei que já tínhamos passado essa fase).
GostarGostar
Essa fase para mim nem sequer se iniciou. Nunca me passaria pela cabeça perguntar a vendedores de serviços e de produtos se vendiam ou não a instituições do Estado. Quando vou a uma repartição gosto de entrar numa casa da banho e ver que lá foi usado detergente.
Essas curiosidades pelo visto são mais para liberais. 😉
Mas não deixo de estranhar as questões não serem colocadas na lógica liberal de uma forma mais correta: quanto é que determinado serviço do Estado gasta com aquele serviço/ produto?
Seria aborrecido para algumas câmaras que não são de esquerda?
Já não falo de Alberto João Jardim porque esse é de esquerda? 😉
GostarGostar
pedir a um município uma análise custo-benefício e uma análise de sensibilidade para contratar o Emanuel é exagerado!
GostarGostar
Concordo que são valores pagos por todos, mas não me parece assim tão incompreensivel o custo de cerca de 3M€ por ano em música no país inteiro. Posso estar a ver mal mas é o que penso (claro que existe um custo escondido que é o das dores de cabeça quando a casa das pessoas é ao lado do espectáculo).
Mais do que isso era capaz de gastar-se num mês de inaugurações pré-eleições, só para se montar uma tenda, um relavado provisório e uns rissois para os jornalistas mostrarem a obra feita.
GostarGostar
Temos de ir às causas e não às consequências. No memorando da troika não estava lá a redução de câmaras e a redução das empresas municipais? Pois ,as câmaras continuam 308 e vão continuar e as empresas municipais (centros de desorçamentação , emprego de amigos e corrupção ) foram pifiamente reduzidas. Porque não podem falir as câmaras? Já foram injetados milhões para salvá-las e elas continuarão a fazer rotundas ,ginásios para idosos e piscinas em zonas sem pessoas , praias artificiais , etc. Estas obras são na generalidade para receber luvas e alimentar as empresas que pagam avenças aos partidos. Porém , nadas de dramas ,o P.S. já anunciou como vai governar e a reforma do estado da maioria pela mão do estadista Paulo Portas ,eventualmente assessorado pelo Relvas vai garantir um futuro radioso. Não peguem na “mala de cartão “,não.
GostarGostar
Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira
Lena d’Água
GostarGostar
Lena d’Água em ajustes directos parece não ter sido contemplada. Parabéns pelo exemplo.
GostarGostar
Obrigado. E parabéns por este fiozinho de demagogia da mais pura. Extra virgem, sem vestígios de acidez.
GostarGostar
O “demagogia” é o novo fássismo.
GostarGostar
O neo-fássismo não me diz nada. Tente outra vez.
GostarGostar