Dêem-lhes mais uns milhões que o mar os há-de levar
A Visão da semana passada andou pelo país a conferir os estragos dos temporais. Como se esperaria, não faltaram choradinhos. Com uma excepção. Quando chegaram à “minha” praia, a Adraga, pediram ao Jorge, o dono do restaurante local, para comentar o cenário de desolação (e aquilo por ali é mesmo um cenário de desolação, pois a areia desapareceu toda e só resta o leito de calhaus) e este, fleumático, vaticinou que tudo voltaria ao normal: “O que o mar leva, o mar devolve”.
Não vivo há tantos como o Jorge naquela zona, mas as variações que já testemunhei naquela praia sustentam o seu optimismo. Espero sinceramente que tenha razão, até porque, ao contrário de tantos outros, não pediu camiões de areia para encher a praia em frente ao seu restaurante. Sugiro por isso ao Jorge que sossegue o dr. Mário Soares da próxima vez que ele se sentar a uma das suas mesas para um peixe grelhado sempre nos limites da perfeição. É que o nosso ex-Presidente está indignado porque o Governo, vejam lá, “nunca disse como e quando vai indemnizar os estragos causados, como lhe é devido”. A expressão crucial é o “como lhe é devido”, pois aparentemente tudo é devido ao Governo, até os temporais.
Ou, vendo melhor, os temporais existem é “por causa dos mercados e da globalização economicistas, esquecendo-se que estão a destruir a Terra e, consequentemente, os próprios humanos”. Os temporais e os tremores de terra, fenómenos que Mário Soares junta no mesmo saco, pois como toda a gente sabe a tectónica de placas que provoca os terramotos também só existe por causa do aquecimento global e dos gananciosos dos capitalistas de casino.
Mas adiante, que o tema dos seus textos semanais já é penoso. Mais graves, por acabará sempre por afectar as nossas carteiras de contribuintes, são os múltiplos apelos para que se reponha areia nas praias e se multipliquem novas obras de engenharia. O ministro Moreira da Silva, que sabe ter o recuo da frente de costa motivos mais complexos do que uma tempestade de ondas gigantes, pediu a um especialista, Filipe Duarte Santos, que coordenasse uma equipa para estudar o que fazer, e isso é sempre positivo. Entretanto não evitou a promessa de alguns milhões, mesmo sendo provável que esses milhões acabem por ser tragados novamente pelo mar, nas ondas gigantes do próximo Inverno.
Na verdade nem todas as praias são como a Adraga, uma enseada onde o mar deposita naturalmente areia e onde não há espaço para grandes construções. Boa parte do nosso litoral é constituído por cordões dunares e as dunas, como vem nos livros, movem-se. Quando se lhes constrói em cima casas, estradas, pontões, bares e tudo o mais, o resultado é que o sistema entra em desequilíbrio e as praias desaparecem com mais facilidade. A este problema há que acrescentar a construção de barragens nos nossos rios, a qual retirou da corrente as areias que antes eram arrastadas para o mar. Basta pensar que, há 50 anos, o Douro transportava em média dois milhões de metros cúbicos de areias por ano e agora não arrasta mais de 250 mil m3/ano. Toda a massa de inertes em falta deixou de alimentar as praias a sul da Foz, algumas das quais (como a do Furadouro), têm vindo a recuar ao ritmo de cinco metros por ano.
É por isso que boa parte das obras de engenharia que agora se reclama pouco poderão solucionar. Será, literalmente, dinheiro deitado ao mar. Todos os anos, pois todos os anos assistimos aos mesmos pedidos, em nome “que é devido” os Governos fazerem. É um caminho sem saída. Mais eficaz, mais justo e mais barato será planificar o abandono de algumas zonas urbanas que hoje o mar já começou a reclamar. Já assistimos a muitos processos destes ao longo da História, só temos é de nos habituar à ideia. Continuar a despejar areia em cima das praias e pedras junto às marginais é que não é solução.


Desde que o Dr. Hernâni Lopes faleceu, o Dr. Mário Soares só diz asneiras.
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É mesmo verdade, Mário Soares abre a boca e é só asneiras. Pensa que é imortal e que por isso tudo lhe é permitido. Já basta !!
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Isto http://www.businessinsider.com/folsom-dam-illustrates-california-drought-2014-2
por acaso é na california, mas já passamos por qualquer coisa de parecido há poucos anos atrás.
Estou a ver que se vivesse na Holanda já se tinha passado com os holandeses e o dinheiro que eles gastam para conquistar algum terreno ao mar.
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É brilhante comparar os diques dos Países Baixos (reparou no nome? Porque será?) com a costa portuguesa.
Conquistar ‘algum’ terreno? É comparável?
Dinheiro que gastam? E o que ganham?
Na costa portuguesa é possível ter a mesma rendibilidade?
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É que realmente não são nada comparáveis. Imagine que até são capazes de “fazer” umas praias.
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Fazer praias?
Na província de Flevoland foram resgatados mais de 1500 Km2 de área com uma população actual de 400 000 habitantes. Além da prevenção de inundações que provocavam mortes aos milhares.
Em que praia portuguesa aconteceu isto?
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Por favor, compare a extensão e a profundidade das plataformas continentais (http://pt.wikipedia.org/wiki/Plataforma_continental) nas duas regiões (http://en.wikipedia.org/wiki/North_Sea) e (http://en.wikipedia.org/wiki/Geography_of_Portugal), e verifique onde estão as falhas sísmicas no Atlântico Norte-Oeste. Depois faça as contas aos biliões que teria que gastar para fazer ao longo da costa Portuguesa o mesmo que fizeram na Holandesa. E com a hipótese de tudo afundar num futuro próximo, por causa dos sismos que vão acontecendo praticamente TODOS os dias (http://www.ipma.pt/pt/geofisica/sismologia/).
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Se temos isto agora por umas ondinhas o que é que Religiosos como o Dr.Soares, e jornais Politico-Religiosos como o DN, Publico, Expresso, RTP, SIC, TVI não diriam disto hoje :
http://en.wikipedia.org/wiki/Rungholt
http://en.wikipedia.org/wiki/Grote_Mandrenke
…The “First St. Marcellus flood”, which drowned 36,000 people along the coasts of West Friesland and Groningen (today provinces in the north of the Netherlands), occurred on 16 January 1219.
As with that in 1953, the storm surge was no doubt created by the coincidence of Atlantic storms and high spring tides. It travelled down the North Sea, breaking up islands, making parts of the mainland into islands, and wiping out entire towns and districts, such as Rungholt on the island of Strand in North Frisia and Ravenser Odd in East Yorkshire. It may have been a last straw in the progressive destruction of the once-great Suffolk port of Dunwich.[2]
….
É preciso perceber que um Soci@lista é um religioso que precisa de incutir a noção de pecado ao povo.
O pecado deixou de ser a perna ao léu para ser alguém que prospera pelo seu próprio esforço sem depender do Estado.
A culpa é sempre do humano porque um humano com culpa não resiste a quem o quer dominar.
Ao longo da história tudo o que favorece o Individualismo é atacado pelos Religiosos e Tribalistas.
E para isso incutir a culpa é essencial.
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Aceito que Mário Soares comete excessos nas suas afirmações, mas tenho pedido ao santo responsável pelo pelouro da longevidade que me dê a mesma lucidez que ele tem quando eu atingir a sua idade.
Já quanto aos “gananciosos dos capitalistas de casino”, já vi alguns defenderem a libertação de CO2 para a atmosfera, porque é um alimento para as plantas. Como eles gostam das plantas!
Nem pensam na “poupança” que fazem, explorando o petróleo deles e danificando o planeta nosso. 😉
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Caso ainda não tenha percebido não existem maiores “capitalistas de casino” que o Estado Keynesiano.
Veja-se a Divida do Regime saído do 25 de Abril.
Especulação é o que o Estado faz.
Com os lindos resultados que se vêem.
Mas é muito pior : obrigam quem não quer a investir.
Por cá pode começar a esse monumento ao investimento especulativo e totalitário em que todos são obrigados a serem accionistas e a participarem chamado Eskola Publika. Depois pode ir às eólicas, aeroportos sem aviões , autoestradas sem carros, etc…
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O meu caro Lucklucky paga provavelmente a maior preço a dívida privada generalizada. Não sei se gosta, mas aqueles que gostam dizem que podem escolher o privado que querem. Isto é, podem escolher a empresa em função da sua dívida. O que é sempre um prazer.
E sem contrapartidas, porque elas não lhe fornecem saúde, educação, justiça, segurança social, infraestruturas (estradas, praças, passeios, água…). 😉
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A partir da idade adulta os acrescentos de idade nada melhoram; pelo contrário agravam-se os defeitos.
Quem nunca foi coerente pelo carácter mas pela conveniência vai com a idade de mal a pior!
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Surreal seascape revealed by the storms: Ancient oaks and pines from 5,000-year-old forest rise as Welsh beach is washed away
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• The ancient forest was covered in peat before eventually being swallowed by the sea
• Legends say trees and nearby township were flooded after a priestess neglected a magical well
• Conditions inside the peat, devoid of oxygen and slightly alkaline, have meant the stumps survived
• They were uncovered by the latest set of storms which washed away the peat layer
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http://www.dailymail.co.uk/news/article-2564285/5-000-year-old-forest-unearthed-storms-Beach-washed-away-reveal-ancient-oaks-pines.html#ixzz2u1tNWzsu
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O que Mário Soares queria trazer à colação seria o ‘neoliberalismo ambiental‘ já há alguns anos abordado (Cimeira do Rio 92).
Uma noção que nasceu à volta do conceito de ‘desenvolvimento sustentável’ logo pervertida (convertida) pelos discípulos de Friedman para o relapso jargão de ‘economia sustentável’ em que a ‘globalização’ (económica e financeira) tenta ignorar as leis da termodinâmica (e latu sensu da natureza) e incensar as virtudes e as dinâmicas dos mercados (livre) e do laissez faire…
Assim, as barragens devem continuar a reter os aluviões em nome dos ‘défices energéticos’ e de ‘custos de contexto’ (por sinal altos) e desloca-se as populações ribeirinhas em nome da ‘mobilidade’…
Enfim, mais um ‘ajustamento’.
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Dêem-lhes mais uns milhões que o mar os há-de levar
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o ‘neoliberalismo ambiental‘ . Gostei da expresao. Será que 78.000 milhoes nao foram suficientes para criar um “ambiente” propicio ?. Adecuado ?. Perfeito?
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Segubdo li num blog da “concorrência” ( não leio a folha de couve onde a coisa terá aparecido), esse saco de tripas já confunde pessoas, factos e “sítios”…
E ninguém se atreve a dizer que o rei vai nu – ou então a ignorância redactorial nem lhes permite perceber o que publicam…
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A obsessão com o Dr. Mário Soares inquina todo o texto. No final percebe-se que tem uma ideia (não estou a avaliar o mérito ou desmérito da mesma, mas é bom que se tentem encontrar soluções), razão pela qual se torna mais difícil entender porque é que o autor gasta a quase totalidade do texto com essa obsessão. É pena. A ideia que apresenta merecia um texto mais aprofundado.
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Note-se, a propósito do que escrevi antes, que a esmagadora maioria dos comentários não são sobre a costa, não são sobre o litoral, não abordam o final do seu texto. São sobre o Dr. Mário Soares. Enfim…
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Dado que Portugal tem a Note e a Leste a Espanha, e a Oeste e a Sul o Atlântico, o avanço inexorável do mar faz com que o nosso país tenda a desaparecer. Se calhar, será uma boa solução para a crise… Veremos.
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De acordo com a dedução teorica.O exemplo da Holanda está fora de tema no nosso caso concreto, nacional.
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Mas há um senão levado do diabo, salvo as clandestinas o resto das edificações que indica foram objeto de autorização do Estado para funcionarem exatamente nos locais em que se encontram o que pressupõe que tinha a certeza absoluta das condições de segurança de pessoas e bens. Se por razões da Natureza tais posteriormente não se registaram então quem autorizou é responsavel pelos prejuizos. Inundações, mau tempo etc tem história de seculos portanto não é novidade nenhuma para o poder legislativo ou executivo.a menos que as folhas desses livros de história eram aquelas que desapareceram apodrecidas pelo mau tempo, humidade etc.
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Trata-se apenas do comum que qualquer simples mortal sabe de cor e salteado. De contrario não eram precisas autorizações nenhumas e pagamentos de taxas etc.
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A defesa da costa é simples e tinha de ser comunicada aos portugueses por um 1º Ministro credível e em quem as pessoas acreditassem, não é o caso. Podia dar exemplos mas, basta andar pela nossa costa para perceber que temos de fazer cedências ao mar (deslocação de pessoas e infraestruturas) e defender a costa com ações de engenharia, noutros casos , ou seja, um compromisso. Essa história que o mar devolve é treta não esquecer as barragens (retenção de terras) e a mão do homem a fazer asneiras em toda a costa.
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