para além dos limites
Ninguém é ingénuo ao ponto de ignorar que a política portuguesa se transformou, há muito, num terreno fértil para a demagogia mais rudimentar, nem de esperar que surjam Demóstenes e Catões nas lideranças dos nossos partidos. Mas, caramba!, há limites que não deveriam ser ultrapassados, porque nos envergonham a todos, como sucedeu aqui, com um discurso que parece destinado a atrasados mentais e não a seres racionais. Por exemplo, o que significa “Estado mínimo para um mercado máximo”? De que “mercado” se está a falar? Do Bulhão? Da bolsa de valores? Do mercado de flores da Ribeira? Do Continente? Ou tratar-se-á de uma subtil imagem metafórica sobre as virtudes da intervenção do governo e dos nossos sapientes políticos nos destinos dos indígenas lusitanos, em desfavor dos horrores que podem ocorrer se os chatearem um pouco menos e os deixarem um pouco mais entregues a si próprios? Por acaso, não tem sido aquilo que se tem feito nos últimos anos – pôr os políticos a cuidar dos autóctones -, com os resultados que estão à vista de todos, a custos tributários obscenos? E que espécie de “caminhos alternativos” se podem “trilhar” quando se não tem um cêntimo para mandar cantar um cego? Ir roubar carteiras para o Rossio ou para a baixa do Porto? Trafulhar os credores, convencendo-os a darem-nos mais dinheiro nas condições que nós – e não eles – pretendemos? Ou outro qualquer percurso só vislumbrado por iluminados, que o ilustre orador conheça e que por modéstia intelectual não partilhou conosco? E quem raio são “eles”, os tais que “estão no topo de todas as instituições europeias’? Alienígenas incubados em corpos humanos que querem dominar o planeta? Perigosos defensores da exploração capitalista e da escravidão infantil? Fanáticos desumanizados, apenas preocupados em defender os lucros excessivos das grandes empresas e os mercados criminosos, como diria o sempre lúcido Mário Soares? O renegado Hollande e as suas hollandetes, agora rendidos ao tal “mercado máximo” e à Senhora Merkel de Hamburgo, sabe Deus em troca de que miseráveis prebendas e louvores? Por fim, que espécie de “novo desenvolvimento” poderá vir das “energias renováveis, do ambiente e da excelência da investigação”? Alguém em estado de normalidade mental acredita que Portugal possa pagar o que deve e gerar recursos para viver melhor a partir destas difusas e peregrinas ideias? Não há ninguém pelo Largo do Rato que perceba o absurdo disto e lhe ponha termo, a tempo de evitar uma hecatombe para o PS, ou, em alternativa e o que será pior, para o país?

Bem visto!
Repare-se na subtileza de mastodonte com que altera a sua posição perante a variável externa UE: até aqui estava concertado com quem de facto mandava nela (tão lobista que era), jantava com Hollande, almoçava com o PDI e ia aos gambozinos com o SPD. Agora que ficou a dançar sozinho, são todos uns malfeitores. É o desvario!
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Rui tem muita razão, mesmo aqueles que não são socialistas devem estar preocupados. Este Seguro pode vir a governar Portugal, o perigo é esse. Por favor socialistas procurem bem, alguém que tenha sentido de estado, alguém que tenha ideias e as consiga implantar. Não falo é claro em sócrates em Costa e habitués, caramba num partido com tantos militantes e simpatizantes terá de surgir alguém com valor para governar no dia em que a alternância se impuser
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O nosso problema não é o Sr. Seguro (não é governo) mas esta maioria que não governa . Tudo continua preso por arames ,de acordo com o meu barómetro (créditos por cobrar e financiamento às empresas ) está tudo na mesma. Quase de certeza que ainda estamos em recessão ou em estagnação . A variável psicológica ( milagre económico e outras aldrabices) nos modelos econométricos que se estudavam era sempre residual ,pelo menos na minha universidade.
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Seguro é quase igual ao Costa, que é igual ao que reina no PS. A única diferença é que Seguro descontrolou-se na contenção verbal e perdeu a vergonha e a noção do ridículo. Já o Costa consegue falar durante meia hora sem dizer absolutamente nada. Uma coisa está garantida: um dia que estes sujeitos coloquem os pés no governo de Portugal, o cronómetro para a chegada do FMI começa logo a funcionar e a tática vai ser exactamente a mesma – atirar para debaixo do tapete e remeter as culpas para crises exteriores e para outros países. Basta olhar para as caras dos amigos de Sócrates na reportagem de ontem, filmadas uma por uma, enquanto Silva Lopes dizia as verdades inconvenientes, para perceber que por ali está tudo pior do que antes.Eles estavam a ferver porque o homem cortou-lhes as pernas naquele discurso simplesmente realista.
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Como se o cerne da política portuguesa fosse Seguro!…
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Caramba, necessitava mesmo de dizer o sempre lúcido Mário Soares?!
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Devem estar a falar do período ultra-liberal entre 2005 e 2011, onde os bancos puderam funcionar em roda-livre e os banqueiros sem escrúpulos e sem vigilância do regulador ultra-liberal da altura, endividaram o país até à medula.
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Se me permite acrescentar à sua descrição, esse ultra-liberalismo desregulado viveu, paradoxalmente, encostado ao estado.
Tanto assim que, ao ver o barco (estado) afundar, tentaram ainda salvar a galinha dos ovos de ouro, com a compra de dívida pública, adiando o problema, mas tornando-o maior.
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É bom lembrar os apelos de Passos a uma aliança nacional, aos dias pares, e o comedido Marco António Costa a apelar à paulada, aos dias ímpares. A política portuguesa está cheia de “seguros” por essa Costa fora.
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Seguro já não existe.
Assassinou-se ao responder a Rangel nomeando de imediato o candidato à eleições europeias
e já era uma nado-morto com a crónica de A Loira que lhe chama
“Seguro é um pequerrucho adorável”.
Deixem-no estar morto em paz.
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Mas não lhe faltem com o oxigénio pelo menos até à primavera de 2015. Deixem o homem respirar para continuar o caminho que vem trilhando até aqui: pôr o PS ao nivel do Bloco de Esquerda. Grande Seguro…
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Lol(ada).
Concordo, ele e o Paulo Fonseca não devem ser removidos o último de preferência até 2025.
Estão ambos a fazer um estupendo trabalho.
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Sempre disse que Seguro e P. Coelho são duas faces da mesma moeda. Só não percebo o regozijo manifestado pelos defensores do P. Coelho, com a morte política de Seguro.
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NEO LIBERAIS e a sua ideologia
Reduzir drásticamente o Estado ao mínimo dos mínimos, ou seja:
Cuidar das liberdades, segurança, e a propriedade
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“São os portugueses que formam e hão-de continuar a construír Portugal.”
Esqueceu-se de acrescentar “com o dinheiro dos alemães”.
Mas do que destinado a atrasados mentais o discurso foi escrito por um.
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