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Prós e contras da saída do euro

1 Março, 2014

sair-do-euro

161 comentários leave one →
  1. Vivendi's avatar
    1 Março, 2014 13:22

    Quem não entende isto não entende porra nenhuma de economia.

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  2. Vivendi's avatar
    Vivendi permalink
    1 Março, 2014 13:25

    Porque há miséria em Portugal?

    É por causa do € ou das dívidas de Sócrates?

    É por causa do € ou das PPPs?

    É por causa do € ou da EDP?

    É por causa do € ou das Águas de Portugal?

    É por causa do € ou da Galp?

    É por causa do € ou da RTP?

    É por causa do € ou dos custos das casas que os bancos andaram a financiar sem racionalidade criando bolhas e preços elevados?

    É por causa do € ou dos impostos que se pagam?

    É por causa do € ou do despesismo público?

    É por causa do € ou do salário mínimo?

    É por causa do € ou da ASAE?

    Socialistas esta é a verdade:

    1 Kg de bananas (+- 5 unidades) está apenas a 0,78 €. *

    http://www.continente.pt/stores/continente/pt-pt/public/Pages/ProductDetail.aspx?ProductId=2597619%28eCsf_RetekProductCatalog_MegastoreContinenteOnline_Continente%29

    * Quando fiz este post em Outubro de 2013 estava a 1 €
    http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/10/porque-ha-miseria-em-portugal.html

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    • neotonton's avatar
      neotonton permalink
      1 Março, 2014 13:44

      E por causa do euro… e tambem por todo o que ai se diz.

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  3. JorgeGabinete's avatar
    JorgeGabinete permalink
    1 Março, 2014 13:39

    Certamente tudo se resolvia com preços subsidiados e senhas de racionamento…

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  4. JorgeGabinete's avatar
    JorgeGabinete permalink
    1 Março, 2014 13:44

    …e post’s em blogs como este assim como alguns comentários deixavam de ser gratuitos, salvo seja

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  5. zazie's avatar
    1 Março, 2014 13:51

    eheheheheh

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  6. margarida soaresfranco's avatar
    margarida soaresfranco permalink
    1 Março, 2014 14:31

    O JorgeGabinete é pouco inteligente…deve roubar a internet para não pagar os posts que aqui vê.
    Também os salários, reformas e poupanças ficam reduzidas em 30% no mínimo !!!!!!!

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      1 Março, 2014 17:19

      Obrigado pela sua concessão de que sou algo inteligente (ainda que pouco), já ganhei o dia.
      Por oposição, e falando em pessoas desprovidas de inteligência, saberá dizer-lhes quantas pessoas e que nível de rendimentos/pensões têm para ter cortes de 30%? Já agora quando fala em poupança de 30%, será que refere que esse valor era o excedente líquido de rendimento aplicado em aforro antes dos cortes, ou refere-se a qualquer futura medida de confisco?
      Se tiver a condescendência de responder e a inteligência de o conseguir, lembrar-me-ei de si quando reabrirem o Panteão.
      Quanto a roubar a internet, será falta de cognisciência minha, mas entendo como uma proposição impossível.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 18:06

        digo cogniscencia, sem priberam

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      • Nuno's avatar
        Nuno permalink
        1 Março, 2014 21:33

        Saindo do euro e com uma inflação de 50% era bem mais fácil cortar todos os salários e pensões.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      1 Março, 2014 17:31

      De uma coisa estou convicto: o JorgeGabinete tem sempre o Priberam aberto. 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 17:36

        Vejo que tem uma recidiva, tem de tratar esse treçolho convenientemente, nesse estado corre o risco de tresler.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 19:44

        Não se esqueça que sou um cidadão com tendências de esquerda e que me comovem as preocupações dos outros comigo, principalmente se vêm de um liberal. 😉

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  7. Piscoiso's avatar
    1 Março, 2014 14:34

    Essa folha de cálculo está incompleta.
    Na coluna da esquerda falta “couve portuguesa” (Brassica oleracea, grupo Acephala).

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  8. Tácio Viriato's avatar
    Tácio Viriato permalink
    1 Março, 2014 15:50

    A minha preocupação é outra: o euro saiu de mim. Sou um órfão de euros.
    Será que podia ser adoptado por escudos? Ou mesmo co-adoptado por escudos gays?

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  9. carlos reis's avatar
    1 Março, 2014 15:58

    O que é um quintal ?

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  10. @!@'s avatar
    @!@ permalink
    1 Março, 2014 16:15

    Eu + ro fico a valer +100, sem ro fico -100, pelo que vendendo em euros custo +100 sem euros -100, comprando em euros +100, sem euros -100. Como compramos ao estrangeiro + do que produzimos gastamos sempre +100,. Para corrigirmos a situação temos de vender muito mais ou com muito mais valor acrescentado, que na actual situação portuguesa em que produzimos pouco com alto valor acrescentado, só nos resta vender por um preço muito mais baixo, o que acarreta uma grande perda das remunerações, pelo que como o valor que deveriamos acrescentar aos bens deveriam ser na parte técnica ou de especialistas deverá ser aí que o custo deverá descer uma vez que não estão a produzir o que lhes é exigido, principalmente ao nivel de gestão.
    Assim sendo o que é preferível? andarmos com esta treta de que não podem mexer no meu salário porque não gosto ou não mereço,principalmente ao nivel dos serviços técnicos e de gestão, ou provocamos essa queda, saindo do euro, que causará a imediata correção desses valores?

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  11. EdeCarvalho's avatar
    EdeCarvalho permalink
    1 Março, 2014 16:18

    Sou passeante habitual deste blog.
    Hesito comentar, consciente das minhas limitações.

    Porém, o seu postal ultrapassou todas as minhas espectativas.

    Como isso não bastasse, o comentário do Senhor Piscoiso foi como a cerja no bôlo,

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  12. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    1 Março, 2014 16:25

    O Vítor esqueceu-se de colocar na coluna dos “produtos mais caros saindo do euro” a viagem de Fernando Tordo para o Brasil.
    Está a perder oportunidades. 😉

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    • vitorcunha's avatar
      vitorcunha permalink*
      1 Março, 2014 16:34

      Pense bem: foi mencionado.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 17:22

        Eu vi, mas não concordo. Fernando Tordo é um pelouro. Ou um tema específico. 😉

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      • Tiradentes's avatar
        Tiradentes permalink
        1 Março, 2014 22:54

        quando lhe fiz a pergunta não havia essa resposta hahahahahahha mas que….mesmo assim me parece uma desculpa de muito mau pagador hahahahahahaha

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    • Tiradentes's avatar
      Tiradentes permalink
      1 Março, 2014 17:00

      Então Finca? a sua proverbial falta de atenção na leitura? Não estão lá as férias no estrangeiro e as viagens da Ryanair?

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 17:23

        Falta de atenção, Tira? Veja a resposta acima. 😉

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  13. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    1 Março, 2014 16:44

    Se quisermos discutir este assunto, a sério (e devemos querer), de nada vale atirar com fantasmas. Uma saída do euro significa a desvalorização da moeda, má para particulares, mas não necessáriamente má para as empresas (alguns dos produtos que o vitorcunha colocou na coluna da esquerda, não ficavam obrigatoriamente mais caros, assim como é errado pensar que todos os da direita embarateciam). Agora, o que me parece importante, é que se deixe de ter esse cenário (saída do euro) como um tabu e que a Europa saiba que, por cá, há uma opinião pública que cada vez mais o defende.

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    • vitorcunha's avatar
      vitorcunha permalink*
      1 Março, 2014 16:52

      Que defende a saída do euro deve ter um quintal grande.

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      • Trinta e três's avatar
        Trinta e três permalink
        2 Março, 2014 10:16

        Jorge e Fernando:
        Se lerem comentários meus sobre este assunto, em polémicas anteriores, concluem que eu NÃO defendo a saída do euro. Apenas me parece politicamente útil que a “Europa” saiba que, entre nós, já discutimos esse assunto.
        Já agora: não sei se repararam, mas ambos deram excelentes argumentos para sairmos do euro.

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        2 Março, 2014 14:12

        Trinta e tres,
        Ainda bem que não é pela nossa saida do Euro. Embora, lendo os seus comentarios, se fique com a impressão que quer avançar metendo a marcha atrás !…
        Não vejo o interesse “politico” (ou outro) em “mostrar” à Europa que discutimos o assunto. Até porque não tem nada de anormal e nem é um mistério. Há liberdade de expressão e basta que alguém coloque essa hipotese sobre a mesa para haver discussão. De resto, é um assunto discutido em todos os paises europeus. Digo bem, TODOS, incluindo a Alemanha.
        Quanto ao Jorge e eu darmos argumentos para a saida do Euro, não reparei não senhor !… Talvez o Trinta e tres nos possa explicar…. Defender a permanencia no Euro não é fazer de conta que não haveria qualquer efeito positivo decorrente da saida do Euro. O melhor argumento a favor da permanencia é precisamente o de que os efeitos positivos duma saida são muito menores do que os efeitos positivos da permanencia. E vice-versa para os negativos.

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      1 Março, 2014 17:24

      acho que quereria dizer:
      (…) mas não necessáriamente má para as más empresas(…)

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    • Trinta e três's avatar
      Trinta e três permalink
      1 Março, 2014 23:24

      Não, JorgeGabinete. A desvalorização da moeda facilita a exportação. Só isso.

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        1 Março, 2014 23:35

        Enquanto dura a ilusão monetaria … Também torna mais caras as importações, incluisivé as que são factores de produção para as empresas, mesmo as exportadoras … A maior prazo os efeitos perversos sobre a eficiencia das empresas e sobre a estrutura da economia são mais importantes do que as eventuais vantagens de curto prazo … Uma via sem saida … Um péssimo negocio !!

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 23:49

        Repare que discordamos completamente, e cito o comentário de Fernando S às 22.25h a esse respeito ( do melhor que vejo nesta discussão).
        Acrescento (reconheço que com menos propriedade) que as componentes de custo numa empresa são tradicionalmente o custo energético, com o headcount e, acima de tudo e cada vez mais, bens e serviços tecnológicos. Não somos auto-suficientes na produção de energia mas menos o somos na tecnologia. Pergunta: se a actual situação de restrição económica provocará um surto de emigração de pessoas qualificadas, o que acha que aconteceria quando essas pessoas que ficaram se deparassem com desvalorizações reais de remunerações de 30/40%.
        A minha proposição é de que mesmo a curto prazo as empresas exportariam mais para ganhar menos.
        Acresce que numa economia moderna o factor preço nunca deve ser um factor de competitividade, porquê?!

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    • Tácio Viriato's avatar
      Tácio Viriato permalink
      1 Março, 2014 23:33

      Caro Trinta e Três, agradeço que “fale” baixo. Refiro-me à estória da opinião pública ser a favor da saída do euro. Não acredito – gostava de saber a que inteligências indígenas anda a dar ouvidos – mas na Europa podem acreditar… e aproveitar.
      Pessoalmente, como tenho a possibilidade de viver no exterior, seria o melhor acontecimento para um bom espectáculo. Voltarmos ao Boletins de Importação e autorizações do BP; aquela inflação que obriga a comprar enquanto há; e quando há, enquanto não aumenta.
      Mas teríamos os sindicatos satisfeitos por conseguirem aumentos de 12% com uma inflação de 40.
      Trinta e Três, mande a opinião pública à Argentina ou à Venezuela e provavelmente num futuro próximo (o PT está trabalhar para isso) ao Brasil.

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      • Trinta e três's avatar
        Trinta e três permalink
        2 Março, 2014 10:19

        Ó meu caro. O seu comentário é um bom exemplo do alheamento nacional da política europeia. A última cois que “eles” querem é que saiamos do euro!

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        2 Março, 2014 14:22

        Não é “a última” !…
        Não façamos nós minimamente o nosso trabalho de casa e passa a ser um risco real. A opinião publica dos paises credores do Norte mostra sinais de cansaço relativamente ao facto das ajudas aos paises em dificuldades não serem suficientemente acompanhadas por medidas de correcção da situação de desequilibrio destes paises.
        De resto, quanto mais andarmos a “choramingar” e a “exigir” (e a “ameaçar” com hipotéticas saidas) mais nos arriscamos a que um dia nos levem à letra e nos deixem ir à vida !!

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      • Trinta e três's avatar
        Trinta e três permalink
        2 Março, 2014 20:56

        O futuro dirá como esse fantasma foi exagerado. Tal como o do país com maior número de feriados, de dias de férias, etc. Tudo patranhas.

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 21:03

        Exagerado porquê Trinta?

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  14. Domingos's avatar
    Domingos permalink
    1 Março, 2014 16:45

    Resumo muito menos importações…. bora lá sair do Euro. Já agora sair da UE, para assim renovar a frota da tap…. não ligar puto a quotas de agricultura, pescas e afins…

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    • Tiradentes's avatar
      Tiradentes permalink
      1 Março, 2014 17:03

      Vai ser uma pipa de massa de novo escudo renovar a frota da Tap, a não ser que já se os fabrique lá “prós” lados da Guarda, quem sabe até em Boliqueime.

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      1 Março, 2014 17:26

      Vou mais longe, vamos aproveitar a onda e também sair da Península Ibérica

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 17:27

        Fazer uma espécie de Jangada de Pedra, mas sozinhitos, JorgeGabinete? 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 17:39

        Jangada de Pedra não faz bem o meu género (era a Península inteira, certo), é por causa do emprenhamento colectivo

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 19:45

        Prefere as de bambu? 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 20:14

        Talvez uma Arca… de Nãoé

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    • lucklucky's avatar
      lucklucky permalink
      1 Março, 2014 21:14

      Pois renovar frota da TAP com economia autárquica da Italia Fascista? Fuselagem em pano ou em celulose?

      Uma coisa assim portanto: http://en.wikipedia.org/wiki/Savoia-Marchetti_SM.75

      O Vitor Cunha esqueceu-se dos medicamentos e equipamento médico para fazer abortos.

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  15. josé's avatar
    josé permalink
    1 Março, 2014 16:45

    Mas então a “Constituição”, não diz que temos Direito: à Saúde, Educação, Habitação com mesa e roupa lavada e, emprego – trabalho? – garantido?

    Se a Constituição e o Tribunal Constitucional existem, é para alguma coisa não é?.

    E se o texto da dita que eles defendem não for claro, eles numa 1ª fase a reescreverão, em que ficará claramente dito, que nesta Sociedade de castas em que eles são o topo da pirâmide, são Inconstitucionais: a doença, a fome a pobreza e o desemprego. E porque não querem resolver já tudo de uma vez, deixam então para uma 2ª revisão, a questão da velhice e da morte.

    Entretanto,os magníficos – eminências, excelências? – Juízes, ainda terão tempo para mais um iluminado acórdão – porque não “acordam” para a realidade? – que cheio de magnanimidade, nos assegurará, que desde que não lhes reduzam aos seus (a)proveitos, mais do que 3% durante um ano, a sua voluntariosa capacidade para o esforço de poupança da populaça, é TOTAL**.

    ** Presumimos, que se esqueçam de acrescentar, “ITÁRIA” ?.

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  16. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    1 Março, 2014 17:23

    Trinta e tres,
    Eu não vejo essa “opinião pública que cada vez mais o defende [a saida do Euro].
    Vejo sim uma maioria da opinião publica que, com muitas contradições à mistura, é certo, continua esperançada em que da Europa venha o dinheiro suficiente para nos “livrar” da famigerada e odiada austeridade.
    Apenas algumas poucas cabeças “iluminadas” (sem ofensa !) da nomenklatura intelectual e dos sectores extremistas e radicais da esquerda e da direita veem na saida do Euro uma solução para a actual crise nacional.
    No fim de contas, a esmagadora paioria dos portugueses sabe bem que a saida do Euro representaria um forte e duradouro empobrecimento do pais.

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    • Trinta e três's avatar
      Trinta e três permalink
      2 Março, 2014 23:08

      Nāo tinha visto este comentário. Joāo Ferreira do Amaral é um “extremista” de esquerda ou de direita? Como já disse anteriormente, nāo defendo a saído do euro. Mas sei o que é a política e que é neste campo que sempre se definiram as relações de forças. A mesma política que se viu na necessidade de vender a ideia do “successo” do ajustamento português.

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      2 Março, 2014 23:25

      João Ferreira do Amaral é naturalmente um caso isolado. Uma andorinha não faz a Primavera !
      As relações de forças na politica são hoje, mesmo com diferentes argumentos e motivações, claramente e largamente favoraveis à permanencia no Euro.
      Felizmente.
      Até o Trinta e tres, mesmo com a marcha atrás sempre metida, não defende a saida do Euro.
      O relativo sucesso do ajustamento português não precisa de ser vendido – é hoje uma evidencia reconhecida internacionalmente e cada vez mais assimilada internamente (veja-se a evolução dos indicadores de confiança das familias e empresas portuguesas).

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  17. atom's avatar
    atom permalink
    1 Março, 2014 18:32

    Perguntem ao Relvas que entende muito de muitas coisas!

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    • neotonton's avatar
      neotonton permalink
      1 Março, 2014 20:33

      Ainda bem que o VC ja fiz calculos e sabe que nao se pode competir com os chinocas no preco…dos alhos.
      Por ai correm umas partidas dos tais de. qualidade duvidosa mais eficaz e competitiva emquanto a preco. E quando falamos de importacoes chinesas queremos dizer toneladas. A serio. Vai ser que desta vez ele ficou com o bingo e mais a linha…:)

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  18. Me's avatar
    1 Março, 2014 21:40

    eu diria que já saimos do euro , então. o preço da gasolina não para de aumentar os dos transportes idem a net tb e por ai fora. 🙂

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    • Abre-latas's avatar
      Abre-latas permalink
      1 Março, 2014 21:57

      Você vive em que país?
      Há 2 anos eu pagava 50 € de TV Net Voz, hoje pago 24,90€.
      Pago o mesmo de combustível.
      Não sei de transportes, ando a pé, faz bem à saúde!

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:05

        O Abre-latas é um sortudo. Não sente a inflação, pelo contrário, beneficia de deflação, não necessita do SNS… 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 22:24

        Oh Fincapé?! estava a correr tão bem…
        Em rigor, nenhum serviço poderia custar o mesmo hoje que antes do Euro porque os serviços não são os mesmos, atente-se à incorporação tecnológica ou modernização. Quanto ao 3Play ou 4Play não existia antes do Euro e a componente internet está incomparavelmente melhor e os preços de facto desceram, apesar dos custos da incorporação tecnológica, a concorrência deu uma ajuda.
        Quanto aos transportes é mais difícil porque falamos de um sector predominantemente estatisado e deficitário cujas receitas de exploração eram historicamente diminutas face ao valor de serviço prestado, e tinha-mos as indemnizações compensatórias (para pagar o corte de cabelo também). Se o takeover ao controlo da CGTP avançar e se, poderemos então falar de efeitos de mercado e do euro na evolução de preços.
        Por último os combustíveis: este é nem mais do que o produto que beneficiou e muito de estabilização de preços pela via cambial, era e é constituído no preço (para além da fiscalidade excessiva) pelo custo de matéria-prima (julgo que WTI e não Brent) e pela relação cambial com o usdólar. Será mesmo necessário fazer um desenho sobre o que seria comprar em escudos?!

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:43

        Não faça desenho, JorgeGabinete. Não me parece que seja muito vocacionado para as artes. Mas diga lá, o que é que acha que eu não percebi, porque eu não percebi (adora confundi-lo com estas repetições). 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 22:46

        Somente não percebi o que não percebeu, gosta ,mais assim?

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:53

        “Será mesmo necessário fazer um desenho sobre o que seria comprar em escudos?!”
        Acha que eu não percebo isto? Ó meu caro, eu até já fiz troca direta. 😉

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  19. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    1 Março, 2014 22:01

    Reparo que ainda não dei a minha opinião sobre a manutenção do euro. Estou do lado dos cidadãos de esquerda que defendem a permanência. Por enquanto. 😉

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      1 Março, 2014 22:08

      Parabéns! Demorou mais de meia-dúzia de comentários mas conseguiu comentar o assunto. Da próxima, se calhar ,até consegue argumentar junto com a opinião. Se existir efeito de contágio espero que seja de incubação curta, talvez ao ponto de podermos debater (estou a dar em utópico, safa).
      Depois não diga que o Blasfémias não lhe faz bem à saúde 🙂

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      • lucklucky's avatar
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        1 Março, 2014 22:29

        Não sei não, ele está fincar o pé, logo a tensão arterial sobe.
        Não deve fazer bem à saúde.

        Se for um cidadão de esquerda social:
        – vai reclamar claro para o estado social lhe pagar o pacemaker, e um subsídio de doença

        – se for um cidadão da esquerda revolucionária
        cobrará um imposto revolucionário ao blasfémias depois de ameaças de atentados.

        – se for cidadão da esquerda macônica colocará o blasfémias e todos os outros comentadores acusados de danos psicológicos num processo judicial feito por um escritório de “grandes” advogados.

        – se for cidadão da esquerda ecológica fará aparecerá no jornal Publico um artigo sobre o aumento de Co2 provocado pelos blogues

        – se for cidadão da esquerda caviar processará o Blasfemias e todos os comentadores com que não tenham um Mac e um Ipod

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:34

        Acho-lhe tanta piada que até me descuido. 😉
        Mas olhe que eu tenho a mania que sou dos comentadores que mais se cinge ao tema dos posts. Se calhar estou errado, não?
        Tenho é um pouco a mania de “corrigir” alguns comentadores que apresentam falhas de raciocínio. 🙂

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 22:37

        Pela minha parte é sempre bem-vindo, e traga as suas manias que eu faço o mesmo.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:38

        Lá está você, lucklucky, com os seus excessos. 😉

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:49

        Não se zangue, JG, sou eu a ironizar.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 22:53

        Nunca me zango e raramente sinto raiva :))
        anda por aí a ironizar e depois queixa-se que se esquece de comentar.
        A suprema ironia é de tanto tergiversar se esquecer do que tem para dizer. E tem!

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:59

        Acontece aos melhores, embora não seja o meu caso. 🙂

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    • Abre-latas's avatar
      Abre-latas permalink
      1 Março, 2014 22:27

      No caso da esquerda o melhor era não ter entrado.
      A perda ‘natural’ do escudo camuflava a aldrabice, hoje estaríamos pior mas, devagar dói menos!
      A maioria da população nem tinha dado por isso.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        1 Março, 2014 22:36

        Não era assim que eu pensava no momento da entrada. Agora, acho preferível aguentar um tempo. Já o governo… bem, que cumpra o mandato, vá lá, que a oposição também não está bem. Mas com juízo! 😉

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  20. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    1 Março, 2014 22:25

    Trinta e tres : ” Uma saída do euro significa a desvalorização da moeda, má para particulares, mas não necessáriamente má para as empresas …”

    Seria certamente um empobrecimento para uma parte muito significativa das familias : inflacção em alta, rendimentos reais em baixa. Mas uma das principais razões apresentadas pelos defensores de uma saida do Euro não é precisamente para poupar o pais a uma desvalorização real dos rendimentos das familias ?… Ou seja, para fugir a um empobrecimento por via das desvalorização interna provoca-se um empobrecimento ainda maior através da desvalorização externa. Brilhante !!
    Efectivamente, algumas empresas, sobretudo exportadoras ou potencialmente exportadoras, poderiam ver diminuir os seus preços reais de venda no exterior (mais Escudos valendo menos Euros). Ou seja, venderiam mais em volume (mas não necessariamente mais em valor). Mas, sobretudo, seria sol de pouca duração. Como muitos dos factores de produção destas empresas são importados, e como o custo real das importações aumentaria, a vantagem competitiva inicial, puramente nominal, desapareceria rapidamente. Brilhante !!
    O mais provavel é que o nivel de competitividade externa das empresas portuguesas se fosse degradando estruturalmente. Com a desvalorização interna viveriam na ilusão de que os respectivos preços de venda no exterior baixavam o suficiente e não sentiriam qualquer pressão para aumentarem a produtividade e reduzirem custos reais. A ilusão monetaria a favorecer maus habitos de gestão. Brilhante !!
    Ganhariam sobretudo os devedores internos junto de credores internos. O que daria certamente um golpe duro e duradouro na confiança e motivação dos aforradores e financiadores internos. Com consequencias faceis de imaginar para o conjunto da economia. Brilhante !!
    Ganhariam ainda todos aqueles que fossem capazes de tirar partido da inflacção interna elevada para especular com a falta de visibilidade e dificuldade de calculo de grande parte dos agentes economicos. Brilhante !!
    E por aqui fora !…..

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      1 Março, 2014 22:34

      Brilhante análise.

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    • Abre-latas's avatar
      Abre-latas permalink
      1 Março, 2014 22:47

      Eu fiquei a perder com o €.
      Tinha no banco 100000 e fiquei com 500!😀

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        1 Março, 2014 22:57

        pelo contrário, ganhou 1,20€

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  21. Carlos Dias's avatar
    Carlos Dias permalink
    1 Março, 2014 23:41

    A vinda do euro teria uma benesse.
    O resto dos tordos piravam-se daqui para fora.

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  22. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    2 Março, 2014 00:47

    Se não querem sair do € por que carga de água querem “sair” do 25Abril74 ?

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  23. atom's avatar
    atom permalink
    2 Março, 2014 08:30

    E então que tal um referendo sobre a permanência no euro ou regresso ao escudo. Ou os referendos só servem para brincadeiras dos meninos da J.

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  24. A. R's avatar
    A. R permalink
    2 Março, 2014 08:56

    Caro Victor essa dos cartazes para Manifs está porreirinha

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  25. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    2 Março, 2014 12:47

    Tudo o que é ‘mais barato’ provém do quintal. Tomando como boa essa ‘verdade’ faltou constatar que o quintal está ‘esgotado’ e ‘arrendado’.
    E que para os rendeiros tanto faz estar fora como dentro da zona Euro. A questão é de metodologia (de exploração). E essa não consta dos quadros habituais. Ou quando é aflorada é imediatamente classificada como sem alternativa e o ‘quinteiro’ ameaçado de ficar sem ‘quinta’. Ou reduzido a um quinto da quinta… (DEO gratias!).

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      2 Março, 2014 13:04

      Pela minha parte elogio o seu comentário, deveras esclarecedor.
      Andava eu para aqui a julgar ser este post e o seu quintal uma surtida metafórica, sei lá, reduzir-mo-nos a auto-produção para auto-consumo, não haver nenhum (digo nenhum) sector produtivo que não saísse a perder com a saída do euro, e logo você me desilude com a sua reforma agrária. Bem-haja…

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  26. JorgeGabinete's avatar
    JorgeGabinete permalink
    2 Março, 2014 15:21

    Esta será (mais) longa:
    o post pode suscitar a discussão pela negativa e como tal proponho-me falar (com as minhas naturais limitações mas não me deixando embargar por elas) não da saída do Euro como um papão, acho que não foi a intenção do post, mas do que ganhámos e ganhamos estando integrados nesse sistema monetário:
    – O processo de adesão ao Euro levou-nos à integração no SME (vide 200.482): talvez seja importante perceber as correlações entre estabilidade cambial e consolidação do crescimento
    – A estabilização cambial induz a estabilidade de preços e diminui a margem sombra orçamental (aquela que se justificava pela falta de capacidade previsional); permite maior capacidade previsional às empresas reduzindo as incertezas decorrentes de variações exógenas e endógenas (veja-se a política monetária tida e as tentações de desvalorização de moeda, para resolver/escamotear problemas crónicos das contas públicas)
    – A integração numa moeda única com expressão mundial acarreta ainda maior eficiência decorrente de medidas e políticas monetárias.
    – A pertença a este sistema monetário acarretou e acarreta custos, quais? Desde a perda da autonomia monetária à submissão a directivas de execução orçamental é só escolher. Pergunta: são esses custos indesejáveis? O rigor e disciplina orçamental e a incapacidade de recorrer a expedientes de alavancagem de curto-prazo são negativos? Diria que dada a nossa aversão ao rigor orçamental e apego a tentações regulatórias, esse custo é bom (ainda que a curto prazo não o pareça) porque nos obriga a viver no comedimento orçamental e obriga as nossas empresas a concorrer tendo reais factores de competitividade e não baixo valor acrescentado ou competição pelo preço, como acontecia sobremaneira antes deste choque.
    – Este choque era necessário? poderia ser mais moderado? Este choque era o desafio de integração e nós esbanjámos anos com paradigmas errados de facilitismo e equivocado oportunismo (veja-se como aproveitámos os fundos europeus em formação e como nos corrompemos com eles, veja-se como determinámos as prioridades de investimento em função de percentagens de comparticipação e não com um plano integrado de desenvolvimento) tivemos mais de uma década para “emagrecer” mas só agora nos preocupámos em vigiar o “peso”, agora temos de seguir uma dieta mais rigorosa, mas não podemos dizer que não sabíamos.
    – Temos um país pequeno logo um mercado diminuto para empresas de alto valor acrescentado, precisamos desta integração para ganhar mais e mais depressa, não me equivoco porque esta Europa (Zona Euro e mesmo a UE) já é cada vez mais de mercados regionais e aquilo a que chamamos exportações intra-comunitárias são cada vez menos exportações e cada vez mais mercado interno (estime-se a futura evolução no sentido da harmonização fiscal e seus previsíveis efeitos). Somos um país com o coração maior que o corpo (tome-se a Diáspora como exemplo) e temos capacidade de fazer muito mais que o nosso mercado diminuto absorve, e o futuro é ter empresas portuguesas de referência e alto valor acrescentado em que o mercado interno (português) é marginal. Isto já acontece em algumas empresas do TVC (nomeadamente calçado).
    – O estado que saia da frente! As pessoas que se atinem! As universidades que sejam isso mesmo e não meta-instituições! Se não tivermos um plano ganhador para as empresas (são elas o motor do nosso crescimento e sucesso, não as pessoas por si e menos ainda as universidades, excepto para o megalómano de semana) porque nos queremos poupar a dificuldades no imediato (não são pequenas e muitos sofrem, é certo) estamos destinados a viver para a nossa pequenez o resto dos tempos, algo que as Dinastias de Borgonha, Avis e Bragança recusaram. Aos que não querem repudiar Abril, quererão repudiar o resto da nossa história?
    Esta discussão é, na minha opinião, muito mais importante, em qualquer momento, que discutir os governos que foram, que estão ou que estarão, façam favor de não a poluir.

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    • vitorcunha's avatar
      vitorcunha permalink*
      2 Março, 2014 15:53

      Sobretudo, a impossibilidade de política monetária indigna, permite que os problemas sejam resolvidos (ou não) como é suposto serem.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 16:00

        Porque não deixamos as crianças brincar com facas? Para não se cortarem.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      2 Março, 2014 16:40

      Depois, vou a correr benzer-me, mas agora tenho de dizer que concordo com quase todo o texto.
      Ao dizer quase, incluí as partes do texto não visíveis. 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 16:48

        Como eu, um relógio parado acerta duas vezes ao dia 🙂
        SME – Sistema Monetário Europeu
        UE – União Europeia
        TVC – Têxtil, Vestuário e Calçado

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Março, 2014 16:52

        Não era a isso que me referia. Era a coisas como a reforma do IRC e outras. 🙂

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 16:59

        Bom, fica a legenda para memória futura…
        Quanto a impostos sobre o rendimento não entabularemos qualquer discussão, para minha defesa. Isto porque sou a única pessoa que conheço (embora mal) que defende a regressividade…
        Estraguei tudo não foi?!

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Março, 2014 17:10

        Não estragou tudo, JG. Pelo contrário. Os seus comentários merecem ser lidos. Digo-lhe que aprendo (e aprendi) bastante com eles. Mesmo quando não comento.
        E também não é um liberalzão daqueles que assustam. 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 18:14

        Muito me lisonjeia. Não sou um liberalzão porque nunca me auto-intitularia sequer liberal, soa-me a esquerda adaptativa.

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 17:33

        JorgeGabinete,o que é a regressividade fiscal’ E já agora..onde se situa em termos ideológicos na economia? Parece-me um fâ de ideias libertárias e anarco-capitalistas ao estilo Rothbard

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 18:00

        Quanto ao principio regressivo, maior o escalão de renda, menor o peso relativo do imposto. Quanto a onde me situo, na equidistância entre onde você julga que está e o ponto onde parece querer colocar-me, o que resulta sitio nenhum.

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 19:56

        Ou seja.. pôr os setores mais frágeis e com menos posses a fazer os maiores contributos? Os que menos podem a pagarem mais ? E o que é “o sitio nenhum? Todos temos uma uma posição…

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 20:20

        Não! Deixei claro que falo de impostos sobre o rendimento. Um plano de taxas regressivas assegura que quem ganha mais paga mais, há uma (grande) diferença entre relativo e absoluto, ou nominal. Quanto aos que menos podem, são exactamente os que mais recorrem às benesses, digo serviço público. Supõe que quem paga o dobro dos impostos que você paga, usa o dobro dos serviços de saúde ou de educação? anda o dobro dos quilómetros na autoestrada?
        Ainda que os impostos possam (e devam, concedo) ter uma finalidade redistributiva da riqueza (o seu fim essencial é e sempre foi o financiamento do tesouro), não aceito o princípio de penalização de quem mais ganha. Em termos de marginalidade ou eficiência fiscal (não confundir com evasão) exemplifico: se na sua programação fiscal verificar que está prestes a subir de patamar de tributação prescinde de produzir para pagar menos, faz sentido? Não quero fazer do espaço de comentário um repositório de tratados fiscais, senão alongar-me-ia.
        Ouço muita gente preocupada com a fuga de pessoas altamente qualificadas para o estrangeiro devido ao desemprego, não vejo a mesma preocupação quando dizemos a estas mesmas pessoas que lhes queremos ficar com 50% ou mais de impostos e conexos só porque ganham muito, não lhe parece serôdia essa preocupação, vinda de quem, de há anos estigmatiza quem investe em projectos produtivos ou tem altas qualificações logo elevados ganhos? Ainda por cima quando não parecemos dispostos a fazer o que seja para que no seu futuro aposentado tenham algo à sua espera. Esses serôdios são os mesmos que reputam o emprego criado como precário mas não reputam os postos de trabalho perdidos. E se, eventualmente, a maior parte do emprego perdido corresponder a trabalho precário, pouco qualificado ou sub-remunerado, já viu a desgraça que era?! Seria tão irónico como saber que quando a UE regride, Portugal converge?! Divertido não é, brincar à economia!?
        Quanto a onde me posiciono: de facto tenho uma posição, implícita nos vários (longos) comentários que por aqui deixo e que me implicam; estranho apenas que exija de mim o que não dá de si. Repare que vem aqui e não comenta o tema, apenas deixa alusões a reparos, será que temos mesmo uma posição definida, todos nós?
        Aguardo notícias na volta do correio :))

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 21:12

        Quanto aos que menos podem, são exactamente os que mais recorrem às benesses, digo serviço público”
        O serviço publico serve para ajudar os cidadãos.Podemos discutir se o Estado pode ser jogador ou árbitro,e pode até em muitos domínios ser árbitro,mas se recorrem mais ao serviço publico, é porque não teem posses para recorrer menos,
        Eu também não concordo cpm o principio de penalizar mais quem mais tem.Mas não concordo que se tenha de penalizar quem menos tem .
        Por sinal,o governo que mais aumentou impostos aos cidadãos de todos os tempos foi o atual! Isso mesmo: bateu todos os recordes que haviam para bater
        Eu sou um centrista,socio-liberal.Acredito no mérito e no mercado,mas também acredito em humanismo, em justiça social

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 21:41

        Não concordamos, o principio de que serviço público é para os necessitados pressupõe um estado assitencialista que repudio. Repare que é uma lógica de mínimo denominador comum que leva a igualitarismo (medo!). Acredito numa sociedade que avança e progride, onde não existirão sempre desvalidos (faz sentido que uma definição de estado implique que existirá sempre pobreza?!, é o que acontece com modelos socialistas e social-democratas, logo o estado passa a ser um fim em sim, que o diga a nossa função pública), aliás, julgo que numa sociedade baseada no mérito o bem social é um devir (ou se quiser uma redundância de um funcionamento óptimo), mas isso são crenças. Não vê em lado nenhum que advogue que se penalize quem tem menos, recuso é premiar a inércia, o que fazemos actualmente. Aceito o estado como um árbitro assim como entendo que o serviço público se destina a todos, não para ajudar mas para garantir (implícita está a ética social). Nunca aceitaria viver num país que ignora o sofrimento humano logo ao advogar o fim do assistencialismo não advogo que se ignore a necessidade essencial de cada ser.
        Se faz questão que me defina não sou certamente libertário ou anarco-qualquer coisa, sou de direita conceptual (não xenófobo porém luso, não racista porém branquelas, não homofóbico porém “heterofilista”)mas com dificuldade em encontra-la em Portugal. São as minhas dúvidas que tolhem o meu caminho, não os obstáculos que me erigem… Pergunte o que quiser que tentarei corresponder.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Março, 2014 21:22

        “Supõe que quem paga o dobro dos impostos que você paga, usa o dobro dos serviços de saúde ou de educação? anda o dobro dos quilómetros na autoestrada?”
        ———-
        Suspeito que o tipo de impostos regressivos que defende o beneficiariam. É que não imagino ninguém a defender tal coisa se não retirar benefícios dela.
        A questão não é usar ou não o dobro dos quilómetros. A questão é o contributo que o cidadão beneficiado pela sorte (várias sortes, berço, saúde, inteligência, alimentação), pela riqueza da família, ou outra qualquer deverá fazer à sociedade.
        É-me difícil aceitar que alguém beneficiado pela sorte ( e até o saber e as capacidades são mera sorte – nascem deficientes mentais e com outros graves problemas nas melhores famílias) considere que não deve nada à sociedade. Mesmo alguém rico, nem que seja devido ao Euromilhões, só o é porque a sociedade lhe proporcionou a forma de obter a riqueza.
        Estranho que o JG coloque a questão de quem ganha muito não percorrer o dobro dos quilómetros (coisa em que está enganado, porque eu conheço milhares de pessoas que não necessitam de aeroportos, nem de autoestradas para Lisboa) e não coloque a questão desta maneira: será que alguns indivíduos (uns quantos milionários – cerca de 100? – têm o equivalente a metade da população do planeta) valem um milhão de vezes mais do que quem ganha o ordenado mínimo? E 100 vezes mais? E 10 vezes mais? Se o Catroga ganha realmente 600 mil euros por ano (e eu não sei), vale 100 vezes mais do que pessoas licenciadas que eu conheço e que ganham pouco mais de 6000?
        Percebe, JG? 😉

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      • vitorcunha's avatar
        vitorcunha permalink*
        2 Março, 2014 21:48

        Aposto que o Fincapé tem pelo menos 1000x do que 90% da população da Serra Leoa. Comecemos por aí.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 22:00

        Caro Fincapé, tenho-o em boa conta e peço-lhe encarecidamente que não enverede pela lógica que acaba de adoptar.
        Julgar que tenho convicções à medida das conveniências é ofensivo, sei que não é por mal mas é o que faz. Repare que existem pessoas que têm convicções de facto, e nada melhor as define que saber segui-las mesmo quando agem em seu (eventual, aparente, o que for) prejuízo. Há uns anos tive uma curta conversa com alguém que me disse ser contra o fim do crédito bonificado (à habitação, lembra-se?), perguntei porquê e respondeu-me que estava para comprar casa… Reputo esse tipo de juízo como mentecapto.
        Quanto ao resto das considerações: óbvio que a sorte não tem nada que ver com o assunto, falei de mérito ou custa-lhe conceber que tal aconteça? Conceptualmente diz que as autoestradas e aeroportos existem para ricos, ou que quem os usa é rico? Que falácia! Esperava mais de si.
        Quanto aos salários elevados (não o Catroga necessariamente), tem a mínima noção de quanto custa um erro de um operador fabril, e quanto custará um erro de um responsável financeiro de uma multinacional?! Tem noção que, por mérito, existem decisões de gestão (não falo de especulativas, embora não me embaracem) que impactam em dezenas ou mais de milhões de euros/dólares?! Supõe que as pessoas a quem é exigido rigor, capacidade e conhecimento para lidar com decisões dessa magnitude devem ter um salário indexado ao IAS?
        Demagógicamente poder-lhe-ia dizer que as assimetrias na distribuição de riqueza, não rendimento?!, decorrem exactamente do sistema fiscal que vigora e que você defende, mas não acredito nesse tipo de argumentação.
        Quem recebe muito acabará sempre a pagar muito, mesmo com regressividade fiscal.
        Finalizo excepcionando uma inconfidência: não seria beneficiado em nada com o sistema fiscal que defendo.

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 22:03

        Não concordamos, o principio de que serviço público é para os necessitados pressupõe um estado assitencialista que repudio. Repare que é uma lógica de mínimo denominador comum que leva a igualitarismo (medo!). Acredito numa sociedade que avança e progride, onde não existirão sempre desvalidos (faz sentido que uma definição de estado implique que existirá sempre pobreza?!, é o que acontece com modelos socialistas e social-democratas, logo o estado passa a ser um fim em sim, que o diga a nossa função pública), aliás, julgo que numa sociedade baseada no mérito o bem social é um devir (ou se quiser uma redundância de um funcionamento óptimo”
        Não expliquei bem o meu ponto de vista.Eu defendo que o Estado de forma direta ou indireta garanta uma rede de protecção para quem menos pode.O cheque-escolar pode ser uuma dessas formas.
        O que não defendo é a inexistência do estado,rumo a uma anarquia.
        Não axcredito no socialismo,mas..também repudio alguns aspetos do liberalismo.E se defendo o mérito,defendo também a justiça social.
        E aproveito para responder ao argumento do Fincapé: não escolhemos onde nascemos,mas temos o dever de lutar por nós próprios para subir na vida,ir mais além.E nos percursos de vida,o acaso existe muito pouco,porque na maior parte das vezes,o percurso são as opções que tomamos.Por isso,a questão da sorte ou azar não tem muito haver com isto.
        Deve existir Estado,mas devemos também permitir ás pessoas desfrutarem livremente da riqueza que criam.E a sociedade deve também permitir ao individuo aumentar o seu espaço,coisa que não sucede agora.
        E sejamos politicamente incorrectos: são esses indivíduos milionários que investeme dão emprego. É o capital que garante o trabalho das pessoas. É o setor privado que cria empregos,aceitar isto
        Por isso a politica fiscal deve ser orientada para a captação de investimento e não para a penalização da economia privada e do investimento.Percebe Fincapé 🙂

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 22:07

        Caro RR este é o exemplo de discutir concordâncias, de facto ou o interpretei mal ou me expliquei pior, calculo que, do que defendo, só a regressão não passe?

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 22:39

        Talvez Jorge.Porque eunão defendo,nem a perspectiva esquerdista,nem a que alguns liberais como os senhores que escrevem neste blog defendem.Não concebo a politica como um jogo de escolha

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 23:07

        Talvez me engane RR, mas ainda não assimilei a linha (comum) de quem escreve neste blog, têm-me parecido mais comungarem o direito a questionar e pensar diferente da voga sem serem zurzidos até ao silenciamento, algo que abunda neste país que, reafirmo, não sendo uma ditadura é um regime opressor de esquerda. Repare que discordar não tem mal em si e no entanto o exercício do contraditório não abunda, Participo há muito pouco tempo nos comentários e certamente desconheço muito, mas para já não me queixo.se me permitem questionar pontos assentes desta sociedade sem me emergirem em sofismas e exercícios de vaidade intelectual. Nos tempos que correm é salutar existirem estes tipos de intervenção (post’s) e interacção de e com visitantes.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Março, 2014 22:43

        A internet tem destas coisas. Não se veem as caras e por isso as interpretações nem sempre são as que correspondem à intenção de quem escreveu. Depois de enviar o comentário, supus que interpretasse como interpretou e esperei que respondesse “amargurado”. Mas a ideia era juntar uma das ideias do capitalismo, defesa dos próprios interesses de acordo com o convencimento de que isso acaba por beneficiar todos (esta ideia já vem de Adam Smith) com outra da minha prática que é, entre as milhares de pessoas que conheço, não conhecer uma única que tenha defendido, ou sequer referido, tal ideia. O que a torna pouco “natural”. Também os ingleses reagiram da forma que se viu à poll tax.
        Mas se considera que o ofendi, peço desculpa, mas era o que eu pretendia.
        ——————-
        Por outro lado, tenho de rebater que o acaso, a que chamei sorte, tem a ver com o assunto, sim. Se tivesse nascido numa daquelas tribos da Amazónia que ainda não contactam com outras civilizações, nunca poderia ser o que é. O Vítor responde, com alguma razão, “aposto que o Fincapé tem pelo menos 1000x do que 90% da população da Serra Leoa.” É provável. Mas para além de não conseguirmos agir em todos os pontos do planeta podemos começar a agir onde nos é possível: em nós mesmos (vê que também penso em mim?), na família… até ao país e à nação.
        Mas este não é o único argumento. Penso já ter dado muitos outros por aqui mesmo ao longo de quatro anos.
        ——————
        “Quanto aos salários elevados (não o Catroga necessariamente), tem a mínima noção de quanto custa um erro de um operador fabril, e quanto custará um erro de um responsável financeiro de uma multinacional?!.”
        – O meu caro JG se calhar voltou a não perceber o que eu disse. Nunca defendi, nem defendo, uma sociedade igualitária e acho que cada um deverá receber de acordo com a sua responsabilidade dentro de limites que implicam uma coisa que não tem cotação nos mercados: a ética (há livros sobre a responsabilidade social das empresas, sobre a ética na política e na sociedade, etc., mas nem deveriam ser necessários).
        Dou-lhe exemplos, alguns responsáveis por grandes grupos ligados à especulação financeira, e não só, que receberam dezenas ou centenas de milhões e foram espoletas da crise, deveriam devolver os falsos bónus que receberam. Eu acima não tinha generalizado. Tinha colocado esta questão noutros termos: quantos salários mínimos vale o homem que vale mais? Aliás, um amigo meu que publicou um livro defende que as comparações entre os salários deveriam ser feitas em número de salários mínimos. É do PSD. Para quê? Para melhor as pessoas se aperceberem da desigualdade, sendo que Portugal é dos mais desiguais.

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      • RR's avatar
        2 Março, 2014 23:54

        Fincapé,e o que impede os indios de mudarem a sua situação? São aquilo que são porque querem,óbviamente

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 00:10

        Não é bem com diz, meu caro. Cada pessoa, ou cada comunidade, pode ser outra, basta querer? Quem nunca viu um computador pode, de repente, encomendar produtos na Amazon? Ou ser um programador de topo? Ao colocar a questão assim, eu penso que o RR está a admitir que só há pobres porque eles querem sê-lo.
        Não sei se felizmente se infelizmente, mas a cultura e os hábitos dos povos marcam-nos. Veja lá que eu gostaria de viver numa cultura que se aproximasse na responsabilidade e na mentalidade distributiva e social aos nórdicos, mas não consigo mudar o país. E apesar de gostar das nórdicas não vou para lá porque sou friorento e gosto de carapauzinho frito com migas. 😉

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      • RR's avatar
        3 Março, 2014 10:17

        Fincapé; e efetivamente somos donos do nosso destino.Para ver um computador é preciso ir ter ao encontro dum,da mesma form que quem nunca viu o mar,ttem de lutar por ir vê-lo um dia.Como já lhe disse,o Estado deve fornecer apoio sim,mas não é função do Estado fazer de nanny.Estou portanto a defender o valor da responsabilidade individual nas nossas vidas.Crescer na vida é resultado das nossas opções,e não da sociedade embora esta possa dar (alguma) ajuda,

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  27. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    2 Março, 2014 22:54

    RR : “Eu também não concordo cpm o principio de penalizar mais quem mais tem.Mas não concordo que se tenha de penalizar quem menos tem.”

    O ponto de vista do JG, a favor da regressividade fiscal, não me choca, percebo a logica de eficiencia e a moral social que lhe estão subjacentes.
    Mas não creio que as nossas sociedade e as nossas mentalidades estejam hoje preparadas para poderem aceitar uma mudança tão radical como é a passagem da progressividade para a regressividade fiscal. Os tempos são hoje mais favoraveis ao egulitarismo do que à méritocracia.
    Por isso, em termos de projecto realista e politicamente viavel, tendo antes a subscrever a posição do RR resumida na citação aqui em cima. O que, a poder realizar-se, já seria muito. Na prática significa caminhar para a neutralidade, para a não progressividade do imposto sobre o rendimento.
    Contribuiria certamente para atenuar o problema real que o JG refere, o do desincentivo à actividade, à iniciativa, ao risco, à qualificação, ao empreendedorismo, ao investimento, à excelencia.
    De um modo geral, uma boa politica fiscal é mesmo a de simplesmente baixar todos os impostos. Mas, para tal, é preciso primeiro reduzir significativamente as despesas publicas e libertar a economia do peso do Estado para que seja possa ser mais eficiente e criar mais riqueza.
    Também penso que, mesmo com uma fiscalidade fortemente progressiva como é a actual, e até por isso, uma parte mais importante da população deveria ser abrangida pelo imposto. Actualmente pelo menos 40% das familias portuguesas não pagam IRS. Não faz sentido e acaba até por ser muitas vezes injusto. Apenas os mais desfavorecidos, com rendimentos mais baixos, talvez os 20% que são normalmente considerados como estando abaixo do “limiar de pobreza” (conceito, de resto, altamente discutivel), poderiam ser completamente dispensados. Os outros deveriam pagar, por pouco que fosse (a tal progressividade), para repartir o esforço colectivo de forma mais justa e até para fazer com que haja uma consciencia mais alargada de que os serviços publicos e o Estado Social teem um custo elevado que tem de ser suportado pela grande maioria dos cidadãos.
    Dentro da mesma logica, também se deveria acabar de vez com a gratuidade ou quase gratuidade de muitos serviços publicos (Saude, Educação, etc). As taxas de utilização deveriam ser generalizadas, dentro do principio do utilizador-pagador, embora admitindo aqui também a progressividade e a dispensa total dos mais desfavorecidos.
    Parece facil dito assim mas eu sei que é naturalmente um caminho dificil e longo.
    Mas com algumas destas orientações, e com muito mais que não é possivel aqui abordar, deveria poder-se caminhar progressivamente para uma fiscalidade mais equilibrada do que a actual, que permitisse pagar um Estado necessario mas que também fosse factor de eficiencia economica e de justiça “tout court”.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      2 Março, 2014 23:45

      “Contribuiria certamente para atenuar o problema real que o JG refere, o do desincentivo à actividade, à iniciativa, ao risco, à qualificação, ao empreendedorismo, ao investimento, à excelencia.”
      – Suponho que o Fernando defende o aumento significativo do salário mínimo. Provavelmente, vai responder-me que que uma coisa não tem a ver com a outra. Mas há pessoas muito boas a ganhar pouco e muitas outras no desemprego. Se quem recebe muito fica sem incentivo, depois de pagar impostos, continuando a ficar com muito, imagine quem fica com pouquito mesmo antes de pagar impostos. E essa coisa do empreendedorismo às vezes soa de forma esquisita. Já reparou que a maioria dos grandes “empreendedores” vão trabalhar para empresas já instaladas e “bem na vida”?

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        2 Março, 2014 23:51

        A melhor forma de acabar com o salário mínimo é deixar de ter as funções que o auferem. Se o salário mínimo é baixo ou alto é um juízo que não consigo fazer, sei que a predominância desse nível remuneratório diz bem da competitividade do emprego e empresarial. O ideal era não existir salário mínimo por incapacidade de preenchimento de vaga.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        2 Março, 2014 23:55

        Pedem-se engenheiros para ganhar o ordenado mínimo. Mas dou-lhe razão quanto à fraca competitividade.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        3 Março, 2014 00:01

        Como suposto liberal (que não me considero)quero dizer inequivocamente o seguinte: as empresas e respectivos gestores que apresentam propostas de colocação como as que refere são, no meu ver, incompetentes. Um dado trabalhador é um investimento não só na sua formação mas também na mais valia que a sua evolução possa trazer, desprezar isso é meio caminho para gastar recursos em alguém que mal possa muda para melhor, e o mercado funciona!! Aproveitar o momento do mercado laboral ou ter visão de médio prazo é o desafio, claro que temos muitos engenheiros, responsáveis de recursos humanos e gestores que não valem a certificação académica que têm (é poesia, dizia o outro) mas esses têm o seu caminho acertado a médio prazo, a não ser que ingressem no funcionalismo público (ai de nós!).

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 00:24

        Não sei se conhece engenheiros com responsabilidades no funcionalismo público. Eu conheço e tenho uma opinião diferente. Para além de um “patrão” cujo “diálogo” é feito através de um Estatuto Disciplinar que não se compara com a larga maioria das empresas privadas, têm de viver mergulhados na incrível burocracia da administração pública, sem terem ninguém que lhes dê a palmadinha nas costas com a frase “bom trabalho”. Nem relógios de ouro aos 25 anos de trabalho, nem lhes pagam de acordo com as responsabilidades, nem se lembram deles no dia de aniversário… há empresas, que eu conheço bem, que dão aos trabalhadores esse dia. 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        3 Março, 2014 00:36

        Acaba de manifestar concordância e não o contrário, diz que ninguém reconhece o trabalho, tal como eu, nem o bom trabalho nem o mau! Depois na função pública não há patrão, há hierarquia. Ainda bem que reconhece que é mais fácil ter reconhecimento pelo bom trabalho no privado, estamos quase lá…

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 01:16

        Mas essas são as razões porque não os critico… se por outras razões não o merecerem.

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      2 Março, 2014 23:46

      Apenas acrescento que qualquer alteração de modelo de justiça fiscal pressupõe mudanças significativas na sociedade, completamente de acordo. O simples facto de essa possibilidade ser aqui encarada já é de si surpreendente.

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    • RR's avatar
      2 Março, 2014 23:59

      Fernando
      Na mouche.Pode-se redistribuir melhor os deveres fiscais. É possível um meio-caminho entre a liberdade e a defesa de uma maior justiça.

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  28. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    2 Março, 2014 22:58

    Caro RR, nunca entendi essa coisa das penalizações quando chega a hora de pagar impostos. Não me parece que seja uma penalização, mas um contributo. Mas entendo que os impostos deverão situar-se em níveis comportáveis, ser justos, bem aplicados e contribuir para a melhoria e o bem-estar de todos.
    Prefiro que as pessoas com os seus impostos paguem um SNS do que colocar a totalidade da saúde nas mãos de privados, através de seguros de saúde, por exemplo. Ainda há dias, uma pessoa conhecedora me explicava sobre exames médicos que considerou desnecessários, mas que foram mandados fazer a supostos doentes e que, fazendo multiplicar os custos, multiplicavam também os lucros.

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    • RR's avatar
      3 Março, 2014 00:03

      Quando falo em penalizaçõesFincapé,falo em pagar demais,contribuir demais.Claro que todos devemos contribuir,mas de uma forma mais moderada,e não com os impostos sempre a subirem.
      O problema de fundo é que os impostos neste momentos não são comportáveis.
      O SNS tem o seu valor,mas também lhe posso falar dos imensos casos de lista de espera,em que as pessoas esperam tanto tempo por uma operação que têm de recorrer ao privado.E este problema existe desde sempre,não é portanto algo inédito.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 00:14

        Mas eu não discordo do que escreveu. Tenho é dúvidas de que os impostos poderão baixar na atual situação.

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      • RR's avatar
        3 Março, 2014 01:15

        Por isso mesmo é que se tem de cortar despesa Fincapé,incluindo na dos salários e pensões infelizmente porque ai está o grosso da despesa.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 01:45

        Você não acredita no nosso governo de direita? 🙂
        (Re)leia e (re)ouça o que disse Passos Coelho. A legitimidade acaba quando se apresenta um programa, se reafirmam ideias em campanha e se pratica exatamente o contrário. É ou não verdade que ainda há pouquíssimo tempo, ainda com Gaspar, foi prometido na AR que as pensões iriam ser reposta a partir de 2014? Uma vez que o governo ainda por cima garante que tudo correu bem e que estamos no bom caminho, o que há a fazer é acabar com os cortes e repor pensões e salários. Não concorda que se deve cumprir as promessas? Ou acha que Gaspar e Passos Coelho são uns incompetentes que não mereciam passar pelo governo? 😉

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        3 Março, 2014 02:29

        Fincapé : “ainda com Gaspar, foi prometido na AR que as pensões iriam ser reposta a partir de 2014”

        Não é verdade. Foi então dito que os cortes não eram definitivos, que se previa a sua aplicação em 2013, que seriam repostos quando fosse possivel, mas nunca antes do fim do programa da Troika. Uma coisa é dizer que vão certamente vigorar até ao fim do programa em 2014. Outra coisa, bem diferente, é dizer que vão certamente ser repostos em 2014.
        Mas, mesmo que tivesse sido prometido…. Se no final se constata que a situação do pais não o permite seria irresponsavel faze-lo. E seria mesmo contrario aos interesses bem compreendidos dos proprios pensionistas. Um pais na bancarrota muito provavelmente não poderia sequer pagar as pensões por inteiro a todos os pensionistas.

        Fincapé : “Uma vez que o governo ainda por cima garante que tudo correu bem e que estamos no bom caminho, o que há a fazer é acabar com os cortes e repor pensões e salários.”

        Errado. Se a situação financeira e economica do pais tem vindo a melhorar desde há algum tempo é precisamente graças à politica de austeridade, incluindo naturalmente os cortes em pensões e vencimentos. Mas, apesar de melhor, o pais ainda não se livrou das dificuldades. Começar agora a abrir os cordões à bolsa seria a melhor maneira de voltar a mandar o barco ao fundo. Os sacrificios feitos até agora iriam por agua abaixo. A austeridade deve ser mantida o tempo que for necessario. E se se chegar à conclusão de que o pais não tem condições para pagar pensões e vencimentos ao nivel anterior aos cortes, então os cortes feitos até agora devem ser tornados definitivos (o que não obsta a que as pensões e os vencimentos possam ser futuramente aumentados quando o pais tiver finalmente condições para tal).

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      • RR's avatar
        3 Março, 2014 03:03

        Fizeram promessas erradas.Mudar para outro partido não resolverá o problema..

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  29. JorgeGabinete's avatar
    JorgeGabinete permalink
    2 Março, 2014 23:41

    Fincapé, não fico ofendido porque lhe disse que o seu juízo é ofensivo, aliás referi saber que não é por mal, embora me diga “mas era o que eu pretendia” 🙂
    Adam Smith era bem mais estatista que o fazem parecer, pese embora a importância da sua obra, defendeu coisas incompreensíveis e nada coerentes. Tentou um tratado tão abrangente que muitas das coisas soavam contraditórias e algumas mesmo contrárias na demonstração à proposição. No seu tempo foi um Gigante, ainda assim imprescindível.
    Quanto a acasos, repare que falamos da realidade concreta de milhões de pessoas e a subjectividade não explica e não resolve, atordoa. Factualmente (e em termos médios) a riqueza é gerada pela capacidade de cada um independentemente da variabilidade de factores: se não é garantido que quem trabalhe muito depois de muito se qualificar tenha sucesso financeiro, no caso de que não trabalha e não se qualifica entramos no domínio da improbabilidade desse sucesso ocorrer, logo existe correlação e não acaso.
    Quanto aos salários milionários de gestores danosos: O sistema financeiro é imprescindível desde a idade média (pessoalmente acho que antes de ser reconhecido como tal já o era, pelo menos sec XII, não julgue que as epopeias expansionistas e o grande comércio marítimo não surgiram por motivações especulativas), na actualidade é o pilar da economia e o financiador de dívida publica. A especulação não é má por si (digo eu) e é um elemento imprescindível numa economia eficiente, seja financeira ou não. Só porque os reguladores andaram mais devagar que os regulados, isso não os iliba. Existem casos de devolução de bónus, mas essa é uma falsa questão.
    Quanto ao esquema de correspondências ou indexação, embora estéril, concordaria com um em cada empresa: é diferente a disparidade salarial (leque) numa empresa de baixo valor acrescentado e numa empresa de alta incorporação, logo não tem interesse comparar o incomparável.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      2 Março, 2014 23:52

      “Quanto ao esquema de correspondências ou indexação, embora estéril, concordaria com um em cada empresa: é diferente a disparidade salarial (leque) numa empresa de baixo valor acrescentado e numa empresa de alta incorporação,..”
      – Obviamente, concordo.
      ——————-
      “Não era o que eu pretendia.” Quando escrevi “mas era o que eu pretendia”, referia-me à explicação anterior.
      – Você baralha-me! 🙂

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  30. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    3 Março, 2014 00:52

    Fincapé,
    Em linha de principio, defendo a abolição pura e simples do salario minimo. Mas, como não existem actualmente as minimas condições politicas para que tal venha a acontecer no horizonte visivel, e como não gosto de gastar tempo com causas antecipadamente perdidas, ja me satisfaço com o não aumento do salario minimo.
    Quanto mais baixo for o salario minimo mais forte é o incentivo para as empresas (e familias) empregarem trabalhadores desempregados não qualificados ou com qualificações desajustadas.
    Quanto maior for a flexibilidade do mercado de trabalho menor é o desemprego estrutural, maior é a eficiencia produtiva das empresas e mais natural é a progressão das remunerações, incluindo as mais baixas.
    Um mercado de trabalho mais flexivel, para além de ser um factor de empregabilidade, é ainda, em paralelo, favoravel à iniciativa empresarial e ao investimento.
    Mas não é o unico.
    Outro, também ele importante, tem a ver com a fiscalidade que se aplica, a varios niveis, sobre os resultados das empresas e, logo, à remuneração do capital investido. Quanto mais favoravel for esta fiscalidade maior é o incentivo ao investimento, nas empresas existentes e em empresas novas.
    Do mesmo modo, quanto mais favoravel for a fiscalidade, maior é o incentivo para que as pessoas invistam mais tempo, mais dinheiro e mais energia nas suas qualificações e nas suas actividades profissionais.
    Assim, com mercados laborais mais flexiveis e com impostos que penalizem menos o esforço e a excelencia no plano profissional e empreendedor, maior é a eficiencia da economia e maiores são as possibilidades de que um maior numero de trabalhadores, incluindo os menos qualificados, vejam as respectivas remunerações aumentar.
    De resto, a observação empirica e historica, mostra-nos que as remunerações são em média mais elevadas nos paises onde os mercados são mais flexiveis e onde a fiscalidade é menos penalizadora do sucesso e do lucro. Os paises com mais “ricos” e com uma classe média alta prospera são também os paises onde a generalidade da população vive com melhores salarios e tem melhores condições de vida.
    Mas o Fincapé sabe tudo isto !
    PS : Não sei de que “grandes empreendedores” é que fala.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      3 Março, 2014 01:14

      Na teoria, tudo o que escreveu poderia fazer sentido. Nas prática, acontece o contrário. Veja lá que na Alemanha, onde não existia salário mínimo e passou a haver apenas porque os social-democratas assim o exigiram para entrarem na coligação, tinham sido denunciados casos que mostravam que alguns milhões de trabalhadores ganhavam ao nível mais baixo do nosso país e sem regalias nenhumas. Alguns países periféricos já andavam a reclamar há bastante tempo. Provavelmente, o problema será agora resolvido. Nos famosos EUA, à medida que desregulamentavam o mundo do trabalho e apertavam o cerco aos sindicatos, o crescimento da riqueza passou a cair nas mãos dos mais ricos.
      O que quer dizer que quando não há regras o ser humano regride em direção às suas origens. Regride tanto mais quanto menos as regras o impeçam. É uma proporção inversa.

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      • RR's avatar
        3 Março, 2014 01:17

        O Fincapé não confiam no individuo? Ninguém gosta de despedir ou baixar salários.Isso é feito quando é necessário

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 01:38

        Confio nalguns indivíduos, RR. Mas já muita gente me tentou enganar. E, bem vistas as coisas, alguns enganaram mesmo. Parte deles pequenos empresários.
        Por acaso, indivíduas acho que não. 😉
        Claro que, em princípio, não existe prazer em despedir. Se calhar, nem em baixar salários. Mas baixando salários poderá obter-se mais ganhos e isso já poderá dar jeito. Ou seja, o interesse pessoal poderá provocar danos aos outros, coisa que algumas teorias liberais negam.

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      • RR's avatar
        3 Março, 2014 03:06

        Fincapé,ás vezes para as empresas sobreviverem, é necessário fazer esses ganhos.Será quer não consegue perceber isto?

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  31. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    3 Março, 2014 01:55

    Fincapé,
    A teoria apenas faz sentido quando tem correspondencia com a pratica.
    Diz bem : “na Alemanha … não existia salário mínimo”. Justamente, não foi graças ao salario minimo que a Alemanha se tornou e é um dos paises mais desenvolvidos e prosperos do mundo. Em todo o lado há casos de baixas remunerações e de más condições laborais. Mas há proporcionalmente muitos menos do que em tanto outros paises com salarios minimos e com legislações supostamente “protectoras” dos trabalhadores. Como em Portugal !…
    Diz mal : nos EUA não houve nenhuma “desregulamentação do mundo do trabalho”. Aqui o mercado de trabalho, não excluindo a existencia de sindicatos fortes e combativos, sempre foi bastante livre. Nos EUA sempre foi facil despedir, empregar, alterar salarios nominais, etc, etc. Ontém ainda mais do que hoje. Nas ultimas décadas houve alguma regulamentação adicional mas, felizmente, isso não impediu que os EUA continuassem a ter um dos mercados de trabalho mais flexiveis do mundo. Muito graças a isso os EUA são ainda hoje um dos paises desenvolvidos mais prosperos e com uma das mais baixas taxas de desemprego. Claro que também os EUA teem os seus pobres, os seus desempregados, as suas misérias. Mas nada que não exista nos paises do “modelo social europeu”, como Portugal. A verdade é que meio mundo daria tudo e mais alguma coisa para poder ir trabalhar e viver para os “desregulamentados” EUA.
    Não se trata de acabar com as regras. As nossas sociedades teem-nas de sobra. Trata-se sim de ter as regras que favorecem a liberdade e o progresso e de acabar com aquelas que, em nome de uma pseudo protecção dos trabalhadores, apenas aumentam o desemprego e prejudicam a criação de riqueza e o aumento do bem estar geral.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      3 Março, 2014 18:36

      Não se trata de saber se os EUA são ricos ou pobres. Obviamente, ser um país rico depende também, e muito, das riquezas naturais. Quem tem petróleo, capacidades agrícolas e minérios tem mais possibilidades de ter um PIB elevado do que quem não têm. Se beneficiar de uma política mais correta, como a que foi aplicada desde os anos 30 aos anos 70 tem ainda mais possibilidades. Quem tem abertura e riqueza para recorrer aos melhores cientistas, ainda melhor.
      Quando se tem Bush fica-se com as capacidades afetadas, mas pode dar para aguentar, menos bem, os oito anitos. O melhor período dos EUA foi quando tinham impostos mais justos.
      Sei que não vai acatar a ideia por motivos óbvios ( 😉 ), mas eu sugiro na mesma “O Preço da Desigualdade”, de Stiglitz, (foi o último que li sobre o tema) ou outro qualquer sobre a situação americana. A mim não acrescentou muito porque me vou informando da situação.
      O que lá não falta são remissões para dados estatísticos e outros (às vezes, são várias por página).

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      • vitorcunha's avatar
        vitorcunha permalink*
        3 Março, 2014 18:41

        Marque os anos 30-70 sem olhar para o eixo do gráfico.

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        3 Março, 2014 18:56

        Um grafico que não deve constar dos “dados estatisticos” do Stiglitz !… 😉

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 19:00

        Por um lado, o crescimento ou os rendimentos per capita são enganadores, tal como a história dos frangos.
        Por outro, se retirarmos a “falsa economia”, chame-se economia de casino ou outra coisa qualquer, o balão esvaziava-se. Coisa que também aconteceu com Clinton.
        Não me interessa muito que a Guiné Equatorial tem um significativo PIB per capita se a população é pobre.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        3 Março, 2014 19:06

        “… tenha…”

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      4 Março, 2014 00:52

      Tanto quanto sei, na Alemanha ainda não existe salário mínimo (está previsto para 2015) e quando vigorar não será imperativo. Estão previstas excepções convencionadas sectorialmente, significa convénio entre sindicatos representativos e patronato. Isto diz bem da diferença. Não será de estranhar que muitos sectores ignorem esta medida porque sempre têm vivido, e bem, da auto-regulação (mas na Alemanha existe sindicalismo!). Acresce ainda um risco não despiciendo de, nos sectores em que seja aplicado, vir a constituir mais padrão indicador do que salvaguarda, digo que nos sectores de menor valor acrescentado vir a registar-se um decréscimo do nível médio salarial. Mas isto sou eu, na minha insignificância, a aventurar-me no domínio da previsão. Cinicamente digo, que se acontecer é positivo, precisamos desses study case (case study) para ter direito ao contraditório “econométrico”.

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  32. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    3 Março, 2014 18:50

    Fincapé,
    O mundo esta repleto de paises com enormes riquezas naturais e que não foi por isso que se tornaram ricos.
    Claro que ha varios factores que interveem na riqueza das nações.
    Mas o modelo économico é dos mais importantes.
    Historicamente, os mais que mais se desenvolvera foram aqueles que adoptaram modelos capitalistas e que tiveram mercados mais livres.
    Actualmente ainda é assim. Se o Fincapé pegar num mapa mundo vai ver que os paises com mais liberdade economica são em geral também aqueles que são mais ricos e que os paises com economias ainda entravadas mas onde a liberdade economica mais progride são também aqueles que mais se desenvolvem.
    A liberdade é o principal motor do desenvolvimento.
    PS : Sugiro que varie um pouco mais as suas leituras sobre o tema !!… 😉

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      3 Março, 2014 19:05

      Como escrevi acima, interessa-me muito mais que um país crie riqueza, mas a redistribua de forma justa. Politicamente, gosto um pouco mais dos noruegueses. Sem ser politicamente… delas.
      PS: Sabe que eu até vario, mas acontece que já fiz leituras em que estou do primeiro ao último parágrafo a desmentir os autores. Se o fizer muitas vezes, fico exausto. 😉

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  33. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    4 Março, 2014 00:33

    Fincapé,

    Sim, claro, os numeros interessam apenas quando nos dão razão, não é ?… 🙂

    A verdade é que os paises que criam mais riqueza e onde a maioria da população vive melhor são precisamente os paises com maior liberdade economica.
    Mesmo a “sua” Noruega, assim como a Suécia, a Dinamarca e a Finlandia, e ao contrário do que muita gente pensa, provavelmente por terem parado ai nos anos 70, faz parte do grupo dos paises com maior liberdade economica do planeta (“Indice of Economic Freedom de 2014”). E mesmo que, até de acordo com alguns dos seus critérios acima enunciados, não seja sequer o melhor exemplo. Isto porque a Noruega é um pais com uma população bastante pequena (menos de 5 milhões de habitantes) e tem riquezas naturais muito importantes (petroleo, pescas, florestas, etc).
    Por sinal, os paises economicamente mais livres são também, globalmente, dos que teem menores desigualdades socio-economicas. Desde logo no que se refere à distribuição de rendimentos (medida habitualmente pelos coeficientes de Gini) mas também, e sobretudo, no que se refere a outros indicadores de desenvolvimento humano (educação, saude, segurança, lazer, etc). Por exemplo, talvez para seu espanto (ai os preconceitos ideologicos !…), os EUA são o pais do mundo mais igualitario no que se refere à educação.
    Mas a distribuição do rendimento, embora seja importante, não é o mais importante quando se trata de avaliar o bem estar geral de população de um pais. Isto é, o que mais conta não é saber se as diferenças de rendimento entre os mais ricos e os mais pobres são maiores ou menores. O que interessa é saber se a maioria da população, incluindo os mais pobres, vive melhor ou pior num pais em comparação com outros paises. Qual é o problema de um pais ter gente muito rica se a generalidade da população vive bastante melhor do que noutros paises ? E, vice-versa, qual é a vantagem de ter uma forte igualdade de rendimentos se a generalidade da população vive bastante mal ? Por exemplo, paises como a Roménia, a Ucrania, a Albania, e muitos outros, incluindo o Bangla Desh, o Paquistão, a Etiopia, etc, teem uma menor desigualdade de rendimentos do que muitos dos paises desenvolvidos (Suiça, Australia, Espanha, Italia, Reino Unido, Nova Zelandia, Israel,… Portugal … Estados Unidos,… entre outros).
    De resto, a desigualdade de rendimentos não é em si e necessariámente um mau sinal.
    Alguns dos paises com indicies de maior desigualdade são-no também, em boa medida, porque são paises de forte e permanente imigração, ou seja, acolhem regularmente populações com fracas qualificações e que passam por um inevitavel e longo processo de integração (Estados Unidos, Reino Unido, Australia, Suiça, etc). Alguns, como o Fincapé, gostam de apontar o dedo aos Estados Unidos como um mau exemplo de desigualdade comparando-o em particular com outros paises desenvolvidos mais igualitarios, como a “sua” Noruega. Mas a verdade é que, enquanto que a Noruega e outros paises europeus (e o Canadá) teem historicamente uma forte homogeneidade populacional, os Estados Unidos são o melhor exemplo de um grande pais que ao longo de apenas menos de 2 séculos tem vindo a integrar grandes vagas de populações à partida com niveis bastante mais baixos do que o nucleo duro euro-anglo-saxonico americano. Vai dos indios da América até aos latinos e aos asiaticos passando pelos escravos negros e tantos outros deserdados da terra. Tendo em conta esta realidade, o facto dos Estados Unidos estarem acima do meio da tabela é até um sinal do enorme sucesso que tem sido a integração de todas estas vagas de imigrantes num vasto conjunto territorial e populacional. Tanto é assim, que para muita gente, em particular dos paises menos desenvolvidos, o sonho e o apelo da América continua a ser bastante forte. Mais vale ser “pobre” num pais rico do que “classe média” num pais pobre.
    Acresce que a desigualdade de rendimentos pode também ser um sinal e um factor de dinamismo economico e, por consequencia, de criação e distribuição de riqueza pelo conjunto da população. Sobretudo, e quase exclusivamente, em paises capitalistas com maior liberdade economica. A possibilidade do sucesso économico e do enriquecimento é precisamente um enorme estimulo à iniciativa empresarial e ao investimento. Os Estados Unidos são um bom exemplo dum pais com muitos milionarios e, simultaneamente, com uma população com um dos maiores niveis de vida do mundo. Convém ainda lembrar algo que deveria ser uma evidencia aos olhos de toda a gente mas que uma certa demagogia tende a adulterar com objectivos de propaganda ideologica e politica. A riqueza concentrada numa pequena percentagem da população não significa necessariamente que estas pessoas consomem a totalidade ou sequer a maior parte da mesma. Bill Gates é o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em mais de 50 biliões de US$. Mas este valor diz respeito à capitalização das suas empresas e à totalidade dos investimentos feitos com o seu patrimonio. Bill Gates não “come” a Microsoft, muito menos os activos do seu emporio empresarial. A quase totalidade do valor do seu patrimonio representa milhões de empregos e biliões de rendimentos distribuidos por pessoas por esse mundo fora. Este raciocionio aplica-se igualmente a um sem numero de outros patrimonios que são investidos na economia e que, por isso, são um bem e não um mal para a generalidade das pessoas, sem excluir as multidões que estão na parte baixa da escala social. Assim sendo, convém ter sempre muito cuidado na maneir como se avaliam os beneficios e os prejuizos da desigualdade dos rendimentos. Se porventura, o patrimonio de Bill Gates e de muitos outros milionarios fosse distribuido pela população mundial mais desfavorecida, haveria uma grande festa mas seria sol de pouca duração : no final o mundo ficaria mais pobre !
    Claro que também há muita desigualdade de rendimento que não significa nem traz beneficios para a sociedade, antes pelo contrário. São rendimentos essencialmente parasitários e obtidos através de rendas de situação garantidas a certas nomenklaturas pelo controlo politico dos Estados nacionais. Mas estas situações não resultam do funcionamento do capitalismo nos paises com maior liberdade economica, antes da falta desta liberdade, da apropriação politica dos aparelhos estatais em beneficio exclusivo de certas minorias. No mapa mundo da liberdade economica este tipo de desigualdade é preponderante em paises com baixos niveis de liberdade (é o caso de varios paises post e neo-comunistas).

    PS : Sem ser politicamente … eu também gosto mais delas … mas de todos os paises, loiras e morenas, sem exclusões nem descriminações !… 😉

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      4 Março, 2014 00:56

      Caro Fernando S, mais uma vez (e garantindo que não é assédio) o seu comentário é notável, merece todas as linhas que tem.
      Só há um pressuposto que me inquieta: uma explicação nunca surtirá efeito se o destinatário não estiver interessado em perceber, e não me refiro ao Fincapé.
      Sabe a história do homem que se recusava a morrer? Morreu contrariado! 🙂
      Excelente!

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      4 Março, 2014 01:52

      Apesar de provinciano, eu percebo muitas coisas do que escreveu e mesmo do que não escreveu. E tenho a certeza de que o Fernando e o Jorge percebem muitas das coisitas que também vou escrevendo. Eu sei que o Bill Gates não “come” a Microsoft. Mas se vender a sua parte poderá “comer” durante várias vidas coisas bem mais “digeríveis”. E até sem vender.
      Por outro lado, muitos desgraçados que foram induzidos a comprar casa por instituições manhosas e pouco autorreguladas, que contribuíram para a montagem do tenebroso e já quase esquecido esquema, ficaram sem casa e sem dinheiro. Não poderão comer muito nesta vida. E também já não vão querer viver mais vidas.
      Vivemos num mundo louco onde se desperdiçam mais de um terço dos alimentos e há gente a morrer de fome. E onde países ricos como os EUA não conseguem integrar todos os cidadãos num sistema de saúde.
      Ele é tanta coisa que eu até começo a variar. Mas vocês escrevem coisas engraçadas que eu gosto de ler. Só não têm é razão. 😉

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        4 Março, 2014 03:52

        Fincapé, o tema das casas é novo, já a abordagem nem por isso.
        Diga-me lá, compraram-se casas que não existiam? Quando as pessoas perdem a casa para o banco este sai a ganhar? Se se refere ao sector financeiro, esse auto-regulou-se demais mediante a falta de comparência do BP (atestam-no as inacreditáveis afirmações de Vítor Constâncio) e gere actualmente imparidades a níveis record e que comem as margens comerciais amealhadas durante anos!
        Vejamos: a dado momento nos EUA a economia privada caiu (ou o imobiliário estoirou) e levou ao aumento de execuções de hipotecas. Como existem níveis (ou tectos) de concessão de crédito limitados aos stocks de Passivo (recursos captados), apurou-se uma prática de cedência de carteira de créditos a terceiras entidades (ou partilha de risco) que permitia diluir responsabilidades em balanço, artificialmente! Isto acontece porque o sector regulador adormeceu face ao avanço e sofisticação da engenharia “contabilística” porque lhe convinha ser cúmplice desta alavancagem que era um boost à economia norte-americana. Temos que o risco de um dado portfólio de créditos é bem superior ao aprovisionado contabilisticamente. Curiosamente as entidades terceiras que referi, e para cerca de metade do stock de crédito do mercado hipotecário de todo o país, eram Fanny Mae e Freddy Mac e eram garantidas pelo Governo!!! Este foi o início da Crise Financeira porquê? A breve trecho (e porque mitigar risco não é expurgá-lo) muitas das instituições financeiras privadas se viram num dilema: atacar o problema e sofrer perdas gigantescas ou seguir uma estratégia de mitigação de perdas; claro está que optaram pela segunda porquê? porque a primeira iria ser danosa ou irreversível para as instituições e seria o fim do mercado de crédito hipotecário que vigorava, logo e também porque tinham a conivência de reguladores e Governo(s) na esperança que fosse passageira essa crise e tudo se reequilibrasse. Se acrescermos um sistema de bónus por resultados (com o qual concordo) que apontava a opção aos decisores não políticos temos o resultado de inacreditáveis práticas de criação de fundos de investimento (ou derivados) de valor fabricado (um dos tóxicos actuais) e sua colocação com informação/folheto deliberadamente enganosa junto de retalhistas de investimento e grandes investidores em todo o mundo (efeito de disseminação global da crise). Isto aconteceu a muitas economias nacionais e respectivos sistemas financeiros como o que acontece a muitos privados que não conseguem continuar a pagar a casa ao banco: estando no limiar da solvabilidade qualquer quebra de renda ou activo os coloca no vermelho. Na generalidade dos países afectados na Europa existiram dois tipos de efeito, e designemos-los por Gripe F e Gripe D:
        – Gripe F – de financeira – os balanços dos bancos estão obrigados a assumir perdas consideráveis dum mix de participações em Fundos/detenção de dívida Pública/ Carteira de Crédito à habitação (ou concedido total), em momentos separados mas efeito somado (ou exponenciado). Conclui-se que a maioria dos bancos tinha cobertura de Activos no limiar dos rácios permitidos e a assumpção de perdas por reavaliação (para baixo) de qualquer um deles obriga a recapitalização, acresce que foram (de modo inoportuno e mal calculado, a meu ver) estipulados novos rácios que exigiam um nível de recapitalização ainda maior.
        – Gripe D – de deficit orçamental – as contas públicas de muitos países já vivem no limiar do endividamento (e graças a muitos artifícios de dissimulação de dívida) e necessitam de suster o desmoronamento do sistema financeiro, logo precisam de aumentar a dívida, dado o efeito planetário de procuras de recapitalização o preço subiu automaticamente (lei de oferta e procura) a que se somou uma desconfiança crescente e daí aumento do nível de exigência e rigor na análise de perfil do emissor de dívida.
        A Irlanda e a Islândia (e Espanha) sofreram de Gripe F, Portugal sofreu de gripe F e D e a Grécia teve todas e falência multi-orgânica.
        Apenas como complemento, o mercado de Imobiliário assentava desde há anos num empolamento de preço pela pressão da procura face à facilidade de obtenção de crédito hipotecário. Isto leva a que um dado activo imobiliário estivesse sobre-avaliado ao mesmo tempo que os bancos chegavam a garantir 100% (conheço 110%!!!) do financiamento, dando-se a incapacidade de pagamento e num mercado em quebra, o real valor hipotecário está abaixo do valor emprestado (ou em dívida) pelo que a dacção em pagamento será sempre prejudicial para ambas as partes, especialmente porque (não o referi acima deliberadamente) as imparidades obrigam a maior retenção (provisão) de capital e obrigam (a nível relativo) a acomodação no preço (spread). Como o spread é a junção do custo do capital mais o seu custo de disponibilidade mais o custo da imparidade relativa ao stock (e mais a eventual margem de ganho) temos a tal famigerada subida de spreads.
        Pergunto (e me desculpo por imprecisões e eventual atabalhoamento/simplismo) há inocentes nesta história ou preferimos demonizar uns para poupar outros? Não há inocentes! Esta crise tem a virtude de nos obrigar a encarar a realidade.

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  34. Piscoiso's avatar
    4 Março, 2014 02:04

    Os lençois que que por aqui vem estendendo, mais parecem ovos de cuco.
    Experimente: http://www.blogspot.com

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    • piscoiso's avatar
      piscoiso permalink
      4 Março, 2014 02:07

      Meu comentário anterior é dedicado ao escriba Fernando S.

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  35. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    4 Março, 2014 15:39

    Caro Jorge,

    Agradeço o seu comentario. Muita generosidade sua… 🙂
    Felicito-o também pela lucidez e pela qualidade dos seus comentarios.

    Partilhamos certamente muito na visão que cada um tem destas coisas da economia e da sociedade. E isto mesmo apesar do Jorge não se considerar como um “liberal” e eu assumir-me antes e convicatamente com tal. Sendo certo que é apenas uma etiqueta (como, de resto, é também uma etiqueta dizer-se “independente”) e que debaixo dela se podem incluir posições muito diferentes. Para mim o mais importante é a ideia de que as nossas sociedades e economias teriam a ganhar com mais liberdade e responsabilidade individual e com Estados menos pesados e intervencionistas. E eu sei que há muitas pessoas que, não se reconhecendo fundamentalmente como “liberais”, concordam e defendem este tipo de evolução. Claro que esta convergencia de fundo não exclui depois diferenças e divergencias quanto ao modo, ao grau e ao ritmo desta evolução, e que se podem inclusivamente traduzir em posições politicas distintas.

    Quanto ao “pressuposto que [o] inquieta” … vou fazer-lhe uma confidencia : eu não comento neste tipo de espaços com o objectivo ou a esperança de convencer quem quer que seja, ainda menos os muitos comentadores que por aqui andam. A esmagadora maioria está já largamente formatada, com diferentes e variadas orientações ideologicas e politicas, e tem convicções fortemente arreigadas. Nenhuma “explicação”, por melhor que fosse, os faria mudar de ideias. Comento sobretudo porque me custa ver feitas considerações que revelam uma enorme falta de lucidez e de bom senso a proposito da situação dificil que o nosso pais atravessa e do que é necessário fazer para sair dela. Trata-se mais de uma reacção do que de um designio. Para além de poder assim expor os meus pontos de vista, que sei serem também os de muitos outros visitantes e comentadores, é ainda uma satisfação adicional poder trocar ideias e debater com outros comentadores, mesmo que tenham análises e posições diferentes e opostas às minhas.

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      4 Março, 2014 22:04

      Caro Fernando S,
      obrigado também, acrescento que me revejo na sua clareza e poder de síntese, que não me reconheço (lá chegarei?!). Tem certamente mais conhecimento que eu nos temas em debate.
      A questão semântica, epistemológica ou “historiográfica” do termo liberal não me levam a repudia-lo. Mas parto do princípio que a partir do momento que me defina por esse termo passo a ser uma indefinição para todos os que interagem comigo, porquê? Já vimos que o termo se presta significações dispares consoante quem o usa, logo não me define. Como, ainda sobre o termo, o tomo por uma evolução (género terceira via) que nasceu do compromisso entre um socialismo progressista e um “mercado de eleitores” que não compram compromissos de igualdade em troca de abdicar da individualidade e do direito ao sucesso pessoal, não me reconheço nele, além que esse processo adaptativo dos dogmas me suscita reservas. Admito não ter estudado o suficiente sobre teorias explicativas do termo, por isso mesmo usá-lo-ei como o sinto. Prefiro dizer que estou à direita de todo o espectro político português (poupo-me a considerar movimentos pífios e/ou mal assumidos ou ainda de génese envergonhada), isso já é mais unanimemente definidor, para a maioria dos interlocutores, de “quem sou” embora seja usual, sem me habituar, ser agredido verbalmente só por esse facto pela maioria da esquerda que diz professar a tolerância e a liberdade mas não concebe a diferença à direita sem lhe juntar qualificativos. Volto a dizer que vivo, quase desde que me lembro, sob opressão da esquerda.
      Sou porém insuficientemente convicto, uma vez que continuo a duvidar de mim e de minhas construções dogmáticas e por isso procuro nos discordantes (sobretudo) assumpções e argumentos que me permitam avançar rumo a um maior conhecimento de mim próprio e da sociedade.
      Para já tento ficar-me por aqui para dar descanso aos empregados de lavandaria que se queixam de terem tantos lençóis para tratar ao mesmo tempo que admitem não passar do primeiro parágrafo!!

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      • Portela Menos 1's avatar
        Portela Menos 1 permalink
        4 Março, 2014 22:34

        Caro JorgeGabinete, só para confirmar uma dúvida acerca da sua afirmação acima (“estou à direita de todo o espectro político português”) gostaria que se pronunciasse sobre esta afirmação de FS:
        (…) A principal lição a tirar desta crise é a de que o livre funcionamento dos mercados, sejam eles quais forem, não deve ser adulterado através de intervenções politicas dos governos, por mais bem intencionadas que pareçam ser à partida. (…)
        Fernando S dixit
        .
        ps: li o comentário até ao fim e o lençol pareceu-me … bem enxuto 🙂

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        4 Março, 2014 23:17

        Caro Portela Menos 1,
        adulteração de mercado é suficientemente explicativo, não pode acontecer, seja por intervencionismo, seja por omissão de dever de regular, seja ainda por manipulação.
        Não advogo a total auto-regulação do mercado e em menor grau para o sector financeiro (que é excepcional). Tenho uma diferença de opinião quanto ao papel que os reguladores tiveram uma vez que, entendendo que os rácios de solvabilidade estavam a ser contornados (e existia uma concentração de portfolio no alto risco- ver subprime e NINJA – assente numa falácia com décadas – o pressuposto de que o valor imobiliário tenha um trend sempre crescente),e por isso perdiam a eficácia, acho que o regulador deveria acompanhar o estado da arte e não o fez. Essa diferença não impacta nas ilações que devem ser tiradas, em estamos de acordo.
        Tudo se resume a uma tentação “Democrata” de acelerar a economia com a (re)criação MAE&MAC.
        Em Portugal nada de semelhante ocorreu mas temos uma prática “similar” através das SGM e dos programas de incentivo (PME Investe/PME Crescimento, etc) que merecia uma investigação/auditoria aprofundada (mas aqui é claramente fora de tema, e fora de pé)

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      • Portela Menos 1's avatar
        Portela Menos 1 permalink
        4 Março, 2014 23:37

        JG,
        “Se se refere ao sector financeiro, esse auto-regulou-se demais mediante a falta de comparência do BP”
        Era só para confirmar a frase acima. É que eu leio por aqui coisas sobre a auto-regulação e defesa da sua ausência e fico espantado pelo radicalismo de certas afirmações, nomeadamente dos que culpam a existência da crise de 2008 com a intervenção dos reguladores!
        Procuro um especialista que defenda a “intervenção e regulação zero” e só me vêm à memória alguns “bloguers” do Blasfémias e um par de comentadores mais assanhados.

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      • vitorcunha's avatar
        vitorcunha permalink*
        5 Março, 2014 00:18

        Devia experimentar ler blogues mais adequados ao seu grau de desenvolvimento.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        5 Março, 2014 01:07

        Essa minha frase refere-se a Portugal em específico e mais concretamente ao manifesto de incapacidade que (na minha opinião) Vitor Constâncio nos deu aquando das audições a propósito da actuação junto do BPN. Quero expressar que face a manifesta desadequação da postura do mesmo face ao propósito “regulador” a que estaria acometido, na prática não existia (inversamente tinham uma estranha proficiência na lei Serrasqueiro).

        Não acredito na auto-regulação pura (total) nem a entendo possível porque haverá sempre dependência de uma ordem normativa, logo é (para mim) impossível. Provavelmente não é bem isso que “comentadores e bloggers” defendem e, se enfáticos, podem passar por “radicais”. Entendo que não podemos reclamar do excesso de liberdade que vigorará num sector e achar que defender a auto-regulação possa ser radical porque, do ponto de vista de quem critica, já não está muito distante disso, e do meu ponto de vista não tem relevância por si para determinar essa subjectividade.

        Repare que por vezes tendemos a equivaler a definição do estado que queremos aos nossos dogmas políticos, dizemos que pouco estado é “liberal”, estatização total (ou perto de isso) é comunista, etc Na verdade nos meus ideais políticos o estado é apenas uma parte da equação, caso contrario quem defende pouco estado teria sempre ideais pequeninos e quem defende muito estado teria sempre grandes ideais. A partir daqui o equivoco é tão grande que não nos ouvimos/lemos uns aos outros e na pratica “batemos bolas” em vez de discutir de modo pertinente as questões.

        Se, embora à partida em campos políticos opostos, nos empenharmos sempre na divergência a cada detalhe, estamos a fugir da nossa maior ferramenta (ou uma das) poder/sentido crítico. Numa Ditadura supõe-se a impossibilidade de usar esse poder, mas depois vir para aqui com enxovalhos como Censura/Lápis Azul ou pior e abdicar do uso desse poder, é miserável no plano intelectual.
        Acredito que quando temos ideias e ideais de facto, sentimos por natureza impulso de “evangelizar”, logo não faz sentido participar sem com nada se comprometer, se é lançado um post damos a cara (manifestamos posição com pertinência) ou achamos que não temos opinião ou algo útil a dizer. Quando se cria uma discussão profícua não é uma direita ou ala liberal que se ganha, são todos os que interagem – e como verifica em termos de divergência e por isso espaço de confrontação de opiniões, tem aqui o que não tem em muitos outros blogs. Se um “amigo” lhe diz sempre aquilo que você gosta de ouvir, pergunte-se se o é de facto, Um ser que não se questiona não procura respostas, ao ser que não tem respostas resta o conhecimento inato… lembra-se do que sabia quando nasceu? eu não!
        Tx

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      • Portela Menos 1's avatar
        Portela Menos 1 permalink
        5 Março, 2014 00:59

        a função de moderador não lhe está a fazer nada bem e isso nota-se nos seus apartes deselegantes.

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      • vitorcunha's avatar
        vitorcunha permalink*
        5 Março, 2014 07:21

        Cá está, Portela: a única coisa que eu fiz no comentário que considera deselegante foi demonstrar que você não lê o que está escrito e sim o que pensa que está escrito. Ora veja bem e desligue o preconceitómetro.

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      • Portela Menos 1's avatar
        Portela Menos 1 permalink
        5 Março, 2014 01:48

        Estou de acordo com muito do que escreveu e não sou novato a comentar no Blasfémias, mas quando é o próprio autor do post a cumprimentar-nos desta maneira (vitorcunha 5 Março, 2014 00:18)
        o modo “liberal vs comunista” é muito comum nas discussões 🙂

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  36. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    4 Março, 2014 15:41

    Caro Fincapé,

    Não o vejo de modo nenhum como “provinciano” (seja o que for que se entenda por esta palavra ; além de que somos todos, a começar por mim, “provincianos” de alguma coisa !…).
    E espero bem que, mesmo discordando, perceba algumas das coisas que escrevo. Se não fosse assim o problema poderia ser mais meu do seu. 🙂
    E é verdade que, mesmo discordando muitas vezes, também percebo muitas das “coisitas” que escreve. Diz muito bem “coisitas” muito más !… 😉

    Claro que o Bill Gates não precisa sequer de vender a mais pequena parcela do seu patrimonio para viver bem melhor (pelo menos em termos materiais) do que quem quer que seja. Não temos de nos preocupar minimamente com o bem estar do homem. Ainda bem para ele. Ainda bem para todos nós, que temos muitas outras fontes de preocupação.
    Mas a questão não está aqui. O facto do Bill Gates poder viver bem não significa que alguém tenha de viver menos bem. Antes pelo contrário. O sucesso e o enorme patrimonio de Bill Gates permitem que muitos e muitos milhões de pessoas no mundo vivam melhor do que viveriam se não existisse. Como já referi anteriormente, se por hipotese se distribuisse este patrimonio pelos deserdados do mundo, depois dum momento de euforia e festança, viria a ressaca e o ponto de chegada seria bem pior para a esmagadora maioria. Uma das consequencia das revoluções mais ou menos socialistas é precisamente a destruição e o consumo improdutivo de rescursos que eram antes bem melhor utilizados na criação e distribuição de riqueza. Embora de modo menos brutal e dramatico, as politicas socialistas de distribuição supostamente igualitaria de rendimentos tendem igualmente para uma pior utilização dos recursos disponiveis e para piores resultados em termos do bem estar geral.
    Não nos enganemos de combate. Expropiar os “ricos” nunca melhorou a condição dos “pobres”. Antes pelo contrário.

    Não sei a que desperdicio de alimentos e a que pessoas a morrer de fomo é que se refere concretamente.
    O que sei é que os maiores desperdicios e as maiores crises alimentares foram e são o resultado de politicas de inspiração socialista e estatalista e aconteceram e acontecem sobretudo em paises que se afastaram e se afastam do “diabolico” capitalismo e dos “sinistros” mercados. O resultado não poderia ser outro. Este é o unico e verdadeiro “mundo louco” !

    Os EUA teem um dos melhores niveis de saude publica no mundo. Para tal não precisaram de gastar rios de dinheiros publicos num gigantesco sistema “universal” de saude. Muitos outros paises, mesmo desenvolvidos, como a Italia e o Reino Unido, teem sistemas “nacionais” de saude fortemente estatalizados mas tal não obsta a que tenham das piores performances na matéria (dinheiro gasto versus resultados obtidos). Nos EUA há certamente carencias na cobertura de saude dos grupos mais desfavorecidos. Mas procurar atenuar estas carencias não deve implicar montar uma estrutura burocratica cara e ineficiente. A tendencia actual nos paises com sistemas “universais” de saude, como a maior parte dos europeus, é para a introdução de maior pluralismo e concorrencia entre os diferentes operadores. Não faz sentido os EUA estarem a percorrer o caminho inverso.

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  37. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    4 Março, 2014 15:42

    “… mais meu do que seu.”

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  38. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    4 Março, 2014 17:22

    Fincapé : “[] Muitos desgraçados que foram induzidos a comprar casa por instituições manhosas e pouco autorreguladas, que contribuíram para a montagem do tenebroso e já quase esquecido esquema, ficaram sem casa e sem dinheiro.”

    Sobre este assunto, o JorgeGabinete já respondeu em cima, com bastante pormenor e tecnicidade.
    Acrescentarei apenas algumas considerações de carácter mais geral.
    A crise imobiliária que rebentou em 2008 nos EUA não resultou da falta de regulação. Quando muito houve má regulação por parte das instituições publicas para tal mandatadas.
    A causa profunda da crise foi antes o excesso de intervencionismo do Estado americano, através das suas administrações central e estaduais e do seu Banco Central, a Fed.
    Achou-se que todos os americanos, mesmo os que não tinham meios para tal, deveriam poder comprar casa propria.
    Vai dai o governo produziu legislação destinada a forçar e estimular as instituições bancarias a darem um maximo de crédito nas melhores condições a um maximo de pessoas. Por um lado, a fiscalidade foi revista no sentido de penalizar os Bancos que mantivessem reservas acima de um determinado nivel fazendo com que estes libertassem excedentes para a concessão de crédito. Por outro lado, o governo americano criou e dotou de fundos consideraveis duas sociedades semi-publicas, a Fanny Mae e a Freddy Mac (mencionadas pelo Jorge na sua explicação acima), com a missão de assegurarem os créditos concedidos pelos Bancos a pessoas sem patrimonio e rendimento suficientes para darem garantias. Estes titulos foram de seguida vendidos a outros operadores financeiros, que viram oportunidades de ganho sem grande risco tendo em conta que o Estado estaria por detrás de tudo. Assim, por cima duma bolha imobiliaria já adiantada, apareceu uma bolha financeira que se espalhou pelo mundo fora. A Fed, que embora seja independente, tem também como missão secundar as politicas governamentais de estimulo à economia, emitiu a quantidade de moeda necessária para o efeito e favoreceu assim taxas de juro bastante baixas.
    Como tudo isto assentava num mercado falseado pela intervenção estatal, o que tinha de acontecer mais dia menos dia acabou mesmo por acontecer quando menos se esperava e de forma brutal : como um numero cada vez maior de compradores se mostrava incapaz de pagar as prestações dos empréstimos, os Bancos accionaram os seguros e os titulos comercializados começaram a perder valor. O rebentar da bolha imobiliaria levou à crise financeira, primeiro nos EUA e depois pelo resto do mundo, sobretudo o desenvolvido, onde os titulos “toxicos” estavam concentrados.
    A principal lição a tirar desta crise é a de que o livre funcionamento dos mercados, sejam eles quais forem, não deve ser adulterado através de intervenções politicas dos governos, por mais bem intencionadas que pareçam ser à partida.
    Nisto tudo, a questão da regulação é perfeitamente secundária e subsidiaria. Mais regulação não teria evitado o rebentar e a difusão da crise. Tanto mais que o regulador, através de excessiva e má regulação, foi ele proprio o principal responsavel pelas causas de fundo dessa mesma crise !
    PS : Claro que nem Bill Gates nem a generalidade dos milionários americanos tiveram qualquer papel e responsabilidade nesta crise e no facto de muitas pessoas com recursos insuficientes que tinham acreditado poderem vir a ter casa propria terem sido obrigadas a entregar essas casas aos Bancos. Essas pessoas foram sobretudos vitimas da demagogia que consiste em prometer mundos e fundos partindo do principio (errado) de que o Estado pode intervir para melhorar e resolver as “falencias” e as “injustiças” dos mercados.

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  39. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Março, 2014 01:27

    Caros Portela e Jorge,

    Depende do que se considera “regulação”, do que se mete dentro e do que se deixa de fora.
    Plenamente de acordo quanto à necessidade de regras para o funcionamento dos mercados, as “regras do jogo”, regras que garantam o respeito pelos direitos fundamentais dos intervenientes. Regras estas que decorrem e derivam essencialmente do direito de propriedade e dos seus corolarios. Por exemplo, a transparencia, a boa fé, o respeito dos contratos, a honestidade. Em suma, a presença do Direito nos mercados. O Estado, na qualidade do unico detentor legitimo da força, tem aqui um papel importante, pelo menos de ultimo recurso. Sendo que os instrumentos e aparelhos estatais mais vocacionados para este efeito são as instituições de fiscalização e aplicação da lei : a justiça, as policias, os reguladores independentes, etc. Os ministérios governamentais, que gerem o aparelho do Estado, teem naturalmente também um papel mas que deve ser sobretudo subsidiario relativamente à aplicação das regras.
    Portanto, que fique claro, eu não defendo mercados entregues a si proprios, isto é, sem qualquer regulação e apenas dependentes da livre interacção dos intervenientes privados. Não tanto porque os mercados não pudessem eventualmente ser viaveis e eficientes sem qualquer intervenção externa. Sobretudo porque o seu funcionamento verdadeiramente livre e justo (no sentido do Direito) exige garantias que apenas uma entidade externa e regaliana como é o Estado (ou entidades autonomas por ele reconhecidas) pode dar e fazer respeitar.
    Claro que tudo isto são considerações muito genéricas. No concreto de cada mercado particular, estas regras gerais aplicam-se com especificidades proprias.
    Por exemplo, no que se refere ao sector financeiro, as regras, entre muitos outros aspectos, devem prever que as instituições bancarias cumpram certos racios prudenciais (nomeadamente do género daqueles a que o Jorge faz referencia). Trata-se aqui de salvaguardar minimamente os interesses e as expectativas dos clientes, que confiam na solidez dos bancos, sem que isto signifique eliminar todo risco e qualquer margem de liberdade na relação dos Bancos com os seus clientes. As regras definem um quadro e é dentro deste quadro, garantido pelo Estado, que os diferentes intervenientes devem interagir o mais livremente possivel.
    O que a “regulação” não deve significar e incluir são as intervenções arbitrarias dos governos no sentido de condicionar o funcionamento e os resultados finais dos mercados. Nomeadamente, influindo artificialmente sobre as condições das ofertas e das procuras, discriminando entre os diferentes intervenientes, penalizando uns e favorecendo e subsidiando outros, limitando a liberdade de acção de uns e de outros, etc. Este tipo de actuação dos governos é o que normalmente se designa por intervencionismo do Estado.
    Foi este intervencionismo que eu referi no meu comentario acima sobre as causas de fundo da crise de 2008. Como o Jorge bem percebeu é este intervencionismo que adultera o livre funcionamento dos mercados, que faz com que o mecanismo de ajustamento das ofertas e das procuras, e consequentemente de aplicação e utilização dos recursos e bens, não decorra unicamente das motivações e decisões dos agentes economicos mas seja antes manipulado em função de critérios e interesses externos e que se sobrepõem aos mercados.
    Dito isto, não excluo que as regras (e com elas a “regulação”) possam ser ajustadas e melhoradas e que a sua aplicação possa ser verificada e reforçada. A crise de 2008 mostrou que certas regras foram insuficientes ou mal aplicadas. Corrija-se e aperfeiçoe-se a regulação.
    O que disse, e reafirmo, é que a causa principal da crise não foi a um problema de regulação mas antes o intervencionismo Estatal excessivo nos mercados. É este intervencionismo que deve ser corrigido se se quizerem evitar bolhas especulativas gigantescas que acabam inevitavelmente por ter de rebentar em crises brutais.
    Ao contrario do que muitos pretendem, o “grande falhanço” não foi dos mercados mas sim dos Estados (das politicas publicas, entenda-se).

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    • JorgeGabinete's avatar
      JorgeGabinete permalink
      5 Março, 2014 02:23

      Julgo que continuamos de acordo: a existência de um enquadramento legal pressupõe um garante (direitos, liberdades, garantias e deveres). As entidades têm personalidade jurídica mas são necessariamente compostos de indivíduos (com personalidade jurídica), está já montada uma teia de relações e implicações que transcende a existência da própria empresa, concomitantemente um mercado feito dessas empresas é uma arquitectura ainda mais densa. Se o mercado é mais ou menos regulado de modo próprio ou por imposição de lei geral e abstracta não retira as implicações dos participantes logo, e por definição, nunca pode haver auto-regulação pura. As determinantes de funcionamento desse mercado implicam variáveis externas à regulação do mesmo logo, influenciáveis indirectamente pelo poder jurídico ainda que não de regulação. Ex a alteração de fiscalidade pode determinar ( e geralmente fá-lo) uma alteração de um dado mercado sem que este tenha sido visado em específico. Postulado que está para mim que haverá sempre um mínimo de regulação implícita avanço para um factor de variabilidade na auto-regulação: as forças presentes num mercado derivam dos inputs e um deles o factor trabalho constitui determinante. Esse factor trabalho tem (em auto-regulação) a capacidade de influenciar o mercado e ainda que em génese possa estar uma vontade política, este determinante é próprio da auto-regulação e não da externalidade “intervenção”. Surge então o paradigma: auto-regulação com exposição não controlável a esse factor ou, exposição a alguma (pouca) regulação que mitigue essa dependência/exposição.Para já entendo que será sempre necessário um mínimo de regulação específica porque nenhum mercado pode em auto-regulação abrigar-se duma variabilidade decorrente do seu funcionamento mas estranha ao seu objecto.
      No sector financeiro apenas acrescento (não devemos concordar) a necessidade de intervenção para além de 1.verificação de cumprimento de rácios, também em 2.na adequação e cumprimento de modelos de Governance&Compliance (foi aqui que o monstro BPN nasceu) e 3.pura intervenção política (mais polémico ainda) num estrito quadro de intervenção macro, explicitando: os bancos criam moeda e os estados não possuem instrumentos de política monetária, num dado momento o sobreaquecimento da economia por via do frenesim financeiro (veja-se o exemplo subprime) carece de intervenção política,agora isto não significa discricionaridade mas um “deployment guide” para situações macro muito concretas (logo em cenários expectáveis).
      Falta só um detalhe: quando falamos de estado e regulação falamos do mesmo no sentido estrito de poder soberano ( o BP é autónomo no seu funcionamento mas funciona determinado por orgânicas que lhe são impostas politicamente).

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      • neotonton's avatar
        neotonton permalink
        5 Março, 2014 07:07

        No Gabinete do Jorge que tipo de estimulantes tomam em altas horas de madrugada para fazelo pensar que os prots acompanharmos vao ceremoniosamente ate a porta da saida? Do euro tao so…
        Enfim.Pontos de vista. Esquisitos mais…pontos de vista!.

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      • JorgeGabinete's avatar
        JorgeGabinete permalink
        5 Março, 2014 12:28

        neotonton
        tem ideias? O seu comentário (mais uma vez) não diz nada, articula infantilidade com incapacidade de escrever, a “baixas horas da manhã”.
        Torne-se gente e seja capaz de assumir uma só ideia e de lutar por ela, e de caminho, quando escreve, releia os sublinhados a vermelho (quantos menos melhor!) e reescreva, reescreva, reescreva. Talvez possa concordar consigo quando perceber o que tem a dizer. O teclado não é um instrumento de percussão, não o use como tal.

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