Aquela pessoa sem perna faz-me doer o braço
Uma das notícias de hoje é a diminuição da taxa de desemprego. Os eternamente indignados (por tudo que é altamente indignante) indignam-se porque não consideram o número como indicativo da realidade. A partir de hoje é melhor não usarem números oriundos do INE para as indignações, OK? Pareceria hipócrita.
Deve ter havido uma notícia sobre emigração (são baratas, há sempre alguém a entrar em aviões). Por algum motivo, pessoas que não gostam do número do INE acham que todos os que emigram o fazem porque já não aguentam. Até pode ser verdade, em particular não aguentarem tanto carpir em seu nome.
Outra notícia de hoje é a indignação que muitas pessoas sentem por existirem accionistas que perdem dinheiro por terem comprado acções do BES. Infelizmente ainda não tivemos oportunidade de ouvir a dor em primeira mão, pelo relato de um accionista que “perdeu as poupanças de uma vida inteira”; ao invés, já ouvimos o quão indignante deve ser ser accionista numa altura destas pelo enorme sofrimento que eventualmente (mas certamente) estão a sentir.
Talvez pudéssemos deixar de sentir as dores dos outros como nossas. Poder, até podíamos, mas não seria a mesma coisa.

Acho bom que o desemprego diminua, especialmente porque o emprego aumentou.
A economia está com sinais positivos.
Não foram as poupanças de uma vida, foram apenas algumas ações, mas indigna-me ter sido espoliado.
Fico no entanto muito mais preocupado com o sinal dado à economia, que perdeu uma das formas de financiamento, de que tanto precisa.
Já o Cunha começou no domingo a sentir uma espécie de gozo pelo sofrimento da família Espírito Santo e não consegue perceber que está a defender posições entre o BE e o PCP.
Paciência, lá para o fim da semana talvez perceba.
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Eu disse-lhes para acabarem com o banco central. Não me ouviram.
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Infelizmente para muitos essa não foi a única boa notícia nestas duas ultimas semanas. Neste caso convém começar a argumentar que não resulta de emigração de desempregados mas de emigração da própria taxa de desemprego porque a diminuição começa a ser demasiada para ser escamoteada.
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80 mil emigrantes média anual desde 2007, segundo dados de um relatório governamental sobre emigração. É fazer as contas…
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A sério! O mesmo relatório que compara 2000/1 e 2010/11? Aquele que diz que o aumento total é de menos de 300000 e que a taxa de emigração em Portugal está muito abaixo da média Europeia, ou que afirma que a emigração qualificada diminuiu numa década? Já agora que tal falar de um relatório que fale de saldos migratórios. Seriam muitas contas?
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Espera um bocadinho que o Daniel já vem com a resposta. Vais ver!
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http://www.noticiasaominuto.com/pais/258056/retratos-da-nova-e-antiga-emigracao-portuguesa
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Confesse lá, não leu o relatório pois não?!
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É grande o nível de hostilidade neste blogue e na caixa de comentários. Não li o relatório, apenas li a notícia e passei os olhos na diagonal no documento (que pode ser descarregado aqui: http://www.secomunidades.pt).
Para fechar a discussão, dizer apenas ao “jorgegabinete” que as conclusões que ele tira do meu comentário original são todas dele. Os dados da emigração são apenas relevantes no contexto deste “post” porque os números são de facto grandes e por isso significativos para o conjunto de factores que influem sobre a taxa do desemprego. Em conjunto com outros? Concerteza que sim. O que não se pode dizer é que não tenham relevância nenhuma.
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Meu caro amigo (ou não!) não se feche à discussão, abra-se, insisto: Abra-se! Se pondera no nível de hostilidade dos comentários o meu apalermado contributo, fique sabendo que este blog é bem melhor do que eu alguma vez farei transparecer, mais lhe digo que o nível geral de comentários sobe quando sou omisso na participação. Pelo exposto lhe rogo que não se abespinhe, este blog e qualquer outro fórum de discussão tolerante merece bem mais os seus comentários que aludem a dados de documentos que não lê do que comentários meus presumidos, no caso porque li (não todo, me confesso) o documento que refere. Dito isto tudo, o que refiro adiante deve ser visto como delírio de um mal-pensante.
Parece-lhe bem citar a realidade de forma parcelar e desse modo induzir, num modo muito concreto, à ilação? Qual a escola que o precede (ou de que procede) para olhar o assunto e se preocupar com os preocupantes (redundante, confesso) números da imigração que, atente-se, são mais de 80.000 de média anual. Seria o suficiente para esvaziar médias cidades (tal qual subúrbios da Detroit que hoje se vê tão mal-amada). Suponhamos que o médio emigrante português sai de uma média cidade (onde se sente de modo dramático esta crise de empregos, crise de dignas oportunidades de empreender um futuro e acima de tudo uma crise de paternidade da nacionalidade perante esses pátrios tão mal amados e conservados), suponhamos. Pegando no outro lado (sim existe outro lado!) que trata dos regressados emigrantes, supõe-se que regressam mais cosmopolitas e informados e por isso mais exigentes, que regressam a diferente destino da origem (um regresso incompleto por isso, ou inconseguido), temos a verdade actual: ninguém regressa que isto está cada vez pior, e quando alguém regressa num movimento de suplantação do realismo pela trágica saudade, fá-lo para diferente destino doméstico, daí o fenómeno gritante de desertificação que ninguém denuncia. Um dia destes fui à Covilhã e todas as portas eram fechadas e ninguém habitava na rua, no outro dia fui a Santarém e só existiam turistas nos monumentos (julgo que vislumbrei os espectros de Almeida Garrett passeando Clarinha – ou outra gaja qualquer) e quando fui a Caldas da Rainha decidi: este não é o meu país se até o Fernando Costa migra para Loures para se coligar com o PCP. ***da-se que isto já não se aguenta, parece-me que o INE deveria divulgar não os números da emigração mas os números de tolos que insistem em ficar.
Abra-se, abra-se! E se o fizer ao conhecimento ainda lhe sai o brinde de falar com (digo eu mas porque sou tolo, intolerante e diariamente energúmeno presumido) propriedade.
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@jorgegabinete «Parece-lhe bem citar a realidade de forma parcelar e desse modo induzir, num modo muito concreto, à ilação?»
Mas não é isso que fazem políticos, especialistas, comentadores televisivos, articulistas e autores de blogues todos os dias? E quanto ao meu comentário – um comentário, comentário, um, num blogue, veja-se… – fazia referência a dados de uma notícia e não ao documento fonte oficial. Hèlas! Daqui para a frente começarei a escrever comentários com bibliografia. lol
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Para si a responsabilidade pelo Seu Comentário é da linha editorial do (não)citado, esplêndido!
Como eu tenho estas manias esperava que o comentário fosse seu mas não é, o comentador é pois um veículo, espero que seja uma função remunerada. Deu-lhe pois para citar acríticamente algo. Das maravilhas do ser acrítico vem a possibilidade de ser inconsequente/irresponsável e ser, tudo isto ao mesmo tempo. Cogito ergo Sumol. E até que idade pensa divertir-se?
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…mas há quantos anos corria a duvidosa fama do bes?
Como corria desde os anos 90, quanto ao bpn.
Quem tivesse alguma ligação à informação informal corrida…
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Não será que estes novos empregos são aqueles sazonais que, todos os anos, se oferecem nos meses de maior afluxo de turistas?
Vereemos em Setembro e Outubro s não voltam a estar nas lias do INEM
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INEM? O das ambulâncias? Dust…
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Cá está: mais um comentador que estudou estatística com o João Semedo. HO-MÓ-LO-GO não é um credo na vinda de extra-terrestres para a construção das pirâmides.
Quanto às listas do INEM devem ser de inscrição para síncopes futuras advindas de surto psicótico actual.
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Quanto aos números do desemprego são o resultado da política orçamental do governo. Especialmente de uma medida: a ameaça de redução do orçamento do INE.
Desde então o desemprego começou a diminuir.
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Tenho andado distraído quanto a essa coisa da coação estatística, deve ser daí que vêm as boas notícias porque na vida real, sabê-mo-lo, isto está que não se pode.
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“”
O Bloco de Esquerda fez notar o impacto da sazonalidade nos números. “É um valor alto e é um valor que é explicado neste caso porque aos factores que anteriormente já explicavam a queda artificial do desemprego acrescenta-se também o efeito sazonal, no Verão há mais postos de trabalho, infelizmente postos de trabalho temporários e precários”, afirmou o coordenador do BE, João Semedo, em Lisboa.
“”
Este ponto desmonta a farsa da descida de 1,2% porque na verdade a variação homóloga, e que não escamoteia a sazonalidade, é de -2.5%. Espera-se agora a evolução sociológica vinda da OCA que estatuirá a sazonalidade da sazonalidade e que encaixe com os ciclos de Kondratiev.
Esqueceram-se de gritar: ai o desemprego jovem! ou ai a proporção de desempregados de longa duração subiu! -ainda que descendo em termos absolutos,
Cá está o resultado da precariedade do emprego anunciada o ano passado, referindo-se à mais que provável diminuição do respectivo número de lugares na AR.
”
Mais do que um jogo de palavras, o que deveria preocupar realmente a oposição é que a taxa de desemprego está a aproximar-se dos 12%, limiar que o Banco de Portugal definiu como sendo o do desemprego estrutural, ou seja, a partir do qual os portugueses já não vão conseguir arranjar mais emprego a não ser que haja uma alteração estrutural na economia e/ou na qualificação de quem procura trabalho. Esta, sim, deveria ser a preocupação dos partidos.
”
Esta Direcção Editorial do P´ não brinca, espera-se que iniciem a nova vaga na economia e estabeleçam, por oposição à NAIRU a DIRUaSUE (Taxa Desejável de Desemprego acima do Limiar do Desemprego Estrutural), porque é bem melhor termos uma taxa de desemprego elevada para nos preocuparmos do que uma economia para re-inventar rumo ao pleno emprego.
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Cá está o P´ preocupado em fazer a oposição que a oposição não se ocupa de fazer.
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Mais um contributo para a descida do desemprego qualificado é a revelação dos resultados da prova de avaliação dos docentes. Depois de constatarem que entre eles têm quem dê erros de sintaxe espera-se que muitos se desloquem ao IEFP e peçam downgrade para desempregados sem qualificação depois do Nogueira da tribo afirmar: Professores não podem dar erros; embora retalie de seguida: garante que vai “divulgar os erros ortográficos dos documentos” que a Fenprof recebe do Ministério da Educação e Ciência (MEC): “Se fez essa divulgação dos erros, também deve achar inadmissível dá-los nos seus documentos.”
Por outro lado tivemos professores que deram 5 ou mais erros ortográficos (15%) e poucos que deram 3 ou 4 (18%), mas sabemos que isto de ser professor não passa por saber escrever até porque: 85,6% dos candidatos passaram mas são seguramente menos de 33,4% os que não tiveram erros de sintaxe, pontuação ou ortográficos.
Para ser professor não é preciso saber escrever – é o corolário que une Ministério&Sindicatos
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desculpo-se por eventuais erros de sintaxe e pontuação no meu comentário acima mas estava pressionado por um piquete e protestos para me impedirem e/ou condicionarem o comentário.
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Então e neste seu comentário foi pressionado pelo quê?
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Nada, vim à 2ª fase.
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Vai ter negativa…
Em todos os seus comentários há erros ortográficos, de pontuação ou de sintaxe.
100% ! Não é fácil, está de parabéns.
.
E escreve-se 2.ª. Faça o favor de aprender. E não precisa agradecer.
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Nada disso, um pouco de atenção que lhe substitua o cuidado na formulação permite-lhe substituir o 10 em Técnica pelo seu 0 em interpretação. Continuo a ser elegível para ser professor do Ensino Público, ain’t it right?
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Felizmente que temos mais emprego e isto vai proporcionar um crescimento maior do PIB. Será que isto se enquadra na” narrativa”?
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Quanto ao ponto três uma das televisões passou um apontamento de um acionista indignado, bem relativamente, porque ainda não andava de caçadeira na mão, o que alguns gostariam de fazer e se calhar algum fará.
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bom , no que se refere ao desemprego convinha saber quantos desempregados de longa duração passaram à categoria de reformados , também convinha saber se já incluiram o people de 65 e 66 anos na população activa ( que o aumento sa idade da reforma tem destas coisas ) e essas cenitas de estágios também tem de ser aclaradas . ando muito desconfiada 🙂
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Tem razão! Isto em termos de comparação estatística, porque dantes não existiam desempregados de longa duração a passar à categoria?! de reformados, para além de que estágios é coisa que nunca tivemos antes e dantes morriam todos dos 65, 66 anos de idade e reformados a trabalhar não os havia. O seu nível perscrutador é um avanço na estatística da sazonalidade comparativa do ciclo comentarista.
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Quem viu a bandalheira existente no grupo BES e queria continuar a ser accionista do banco esperando que ele seria independente do resto das falcatruas, ou quis mesmo comprar barato esperando que o governo faria um outro BPN valorizando as acções, só demonstra que não leram os jornais até à data.
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Eu cá também sou ótimo a adivinhar o passado.
O pior é quando tenho de prever o futuro!
Eu e muitos outros que em vez de férias em Cuba resolvemos usar algumas poupanças em investimentos garantidos pelo BdP e pela CMVM.
De consolo só fica não ter apanhado gonorreia ou algo pior.
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O número de desempregados desceu? ÓTIMO!
Entretanto, creio que o Lambretas afirmou que nos últimos tempos foram criados 90 mil empregos. Falta saber, como é óbvio, quantos foram destruídos… Adiante…
Por outro lado, todos sabem que estes números comparam com a situação dos eleitores: há sempre gente morta que, antes de descer à tumba, não teve o cuidado de auto-declarar o seu óbito.
Por último, tudo se sabe com o tempo. Ou seja, daqui a uns tempitos é que vamos saber da veracidade destes e doutros números, o que, como, quando e porque aconteceu.
Até lá, é política, é pooooooooooo-líti-caaaaaaaaaaaaaa… 2015 está aí.
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Por aqui tenho andado e sempre fui sempre bem recebido mas não me chega. Não serei descortês mas apenas aludo a que o liberalismo (que se opõe ao meu conservadorismo) não chega a ser uma ideologia mas sim um princípio activo (nada vale por si mesmo) e agora aguardo. Espero por isso que autores de posts saibam confrontar as suas verdades de ontem com a implícita-negação de hoje, que saibam assumir que falam do que desconhecem e extravasam, que percebam que ter um pleito e ter audiência não equivale a ter razão. Porque de resto serão mais do mesmo olhando à patética esquerda que adapta as regras, quando não a realidade, ao formato que conforma uma inexistente coerência.
Voltando ao início, de nada vale ter ideologia se não se tem valores próprios (dir-se-ia ética pessoal) e propalar liberalismo terá que equivaler a dar razão aos mercados, os mesmos que hoje e de futuro não entendem a opção NovoBanco como estes autores residentes a entendem e por isso os desdizem (sem vontade própria naturalmente). Vamos pois ignorar a bem do conforto da coerência presumida editoriais de jornais que noutros preparos eram de referência, sindicato bancário que terá algo que ver com a coisa e ninguém escutou ou um desconhecido representante de investidores que fala com óbvio conhecimento e preparação.
Espero um mea culpa, porque mais importante que alardear a razão de ser é acomodar essa falta de razão (dar o braço a torcer).
De modo mais profundo: é nestas alturas que se separam os homens dos biómatos (e persevero eu, se separa a esquerda da direita integra e responsável), sabendo dizer: errei!
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O Blasfémias não tem uma linha editorial. Se já é difícil que todos concordem com a data de uma jantarada, imagine sobre outros assuntos. Presumo que o Jorge diga isso por ter encontrado diferentes opiniões sobre o mesmo tema por aqui. Garanto-lhe que é perfeitamente normal – é o tal liberalismo do dia-a-dia.
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Normalmente não transijo com paternalismos, mas aprecio a sua nota sobre o que realmente é o liberalismo que vos une: diz-me que é a capacidade de coexistir na diversidade de opiniões, seja. Por norma fui educado a aceitar a opinião diversa mas a custear essa liberdade de divergir pelo preço da suficiência lógica (eu opino=eu consigo defender a opinião). Constatando essa evolução para um stato quo mutatis mutandis do fica tudo na mesma porque a jantar é que o gentil se entende, nada se me acresce divergir (desculpe-me a sintaxe). Tenho pena que não exista um compromisso (em francês bond) com a prévia opinião expressa, deve ser uma forma de aplicação da revolução ao indivíduo e sua individualidade. Como não creio nas rupturas evolucionistas, talvez tique conservador, acho-me credor de mea culpa da manifesta evolução da realidade contrária ao expresso opinativo de seja quem fôr que sob a blasfema capa se ocupe.
Francamente… Já me chateia o recalcitrismo. Boa janta quando fôr que eu por mim janto todos os dias.
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