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les beaux esprits…

25 Agosto, 2014
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Com este governo, esta maioria e, sobretudo, estas pessoas, não vamos lá: o défice voltou a entrar em descontrolo e adivinha-se novo aumento de impostos.

Por razões próprias e alheias, este governo não fez as reformas que tinha que fazer para domar a despesa pública, isto é, para atacar as causas profundas do défice. Pelo contrário, convenceu-se o governo de que o nível da despesa pública até poderia ser mantido ou baixar pouco («vamos manter o estado social», não cansaram de proclamar os seus dirigentes), caso os impostos aumentassem e as exportações também, fórmula mágica que dificilmente se consegue manter por muito tempo, porque explica o bom senso que nenhuma economia se desenvolve se não conseguir aforrar e investir. Um erro de amadores, portanto.

Por outro lado, no que o governo tentou mexer – salários e subsídios da função pública e pensões – o Tribunal Constitucional não deixou, porque a Constituição protege, de facto, o modelo social que o governo afirmou também que defenderia e, consequentemente, enquanto esta Constituição mantiver o modelo, o Tribunal Constitucional não autorizará que ele seja revertido por via orçamentária.

Leva-nos isto à seguinte conclusão: o país só voltará a ser sustentável se forem feitas as reformas necessárias para uma brutal contração da despesa pública, o que poderá suceder por duas únicas vias: por simples implosão do estado social vigente e a sua substituição por um modelo de governo autoritário, hipótese completamente fora de questão na União Europeia, ou por um entendimento entre os dois partidos que podem reunir os 2/3 de votos necessários para a reforma da Constituição que venha a permitir uma verdadeira reforma do estado.

E é isto que anda António Costa a dizer, quando insinua estar disponível para um bloco central com um PSD liderado pelo seu amigo Rui Rio. A coisa tomou já tais proporções, que, na entrevista ao Expresso de sábado passado, ele desafiou Rui Rio a fazer no PSD o que ele fez no PS: desafiar a actual liderança para uma disputa interna pela mesma.

Dê ou não dê resultado, não tenho quaisquer dúvidas que o Tribunal Constitucional e a opinião pública em geral aceitariam com muito mais tolerância um fim do actual estado social se promovido por um governo liderado pelo PS, do que se liderado pelo PSD em coligação com o CDS. No fim de contas, não será muito diferente do que sucedeu, no passado, com o governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares, e que está actualmente a suceder na França de Hollande. No fim de contas, «les beaux esprits se rencontrent».

4 comentários leave one →
  1. Aryan's avatar
    25 Agosto, 2014 21:38

    Finalmente alguém com mente cristalina no Blasfémias. Tiro certeiro. Alelujah!

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  2. eirinhas's avatar
    eirinhas permalink
    26 Agosto, 2014 11:26

    Maldito Tribunal Constitucional.Maldita a hora que te criaram para desassossego destes iluminados! O que precisamos é de mais bpn e bes.Esses sim,não contribuem para o agravamento do défice! Nem estes,nem os carros de alta gama! Nem estes,nem os grandes vencimentos duns quantos senhores!Nada! Valha-vos um burro aos …

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  3. Joaquim Amado Lopes's avatar
    Joaquim Amado Lopes permalink
    26 Agosto, 2014 21:23

    “um fim do actual estado social (…) promovido por um governo liderado pelo PS (este liderado por António Costa)”
    O Rui A. é um brincalhão.

    António Costa pode andar a dizer que o Estado tem que ser reformado. Mas também anda a dizer que se deve gastar mais e não menos. A “brutal contração da despesa pública” que o Rui A. considera indispensável é precisamente o oposto do que António Costa defende.

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  4. JCA's avatar
    JCA permalink
    27 Agosto, 2014 00:19

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    Interessante a pescadinha de rabo na boca:
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    nem interessa ao Capitalismo a destruição do Estado Social nem é possivel privatizar o ‘Estado Social’ importando a respectiva carga salarial que tem porque falia, é caro de mais nas nossas limitações naturais de riqueza e de criação da mesma donde é preciso ajustá-lo às reaqlidades se o queremos tal como.
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    É este o imbroglio tão simples. Mas que complicam até à derrocada que o simçificará por si só. Chamar-se-ia aventureirismo ou por outros oportunismo etc por aí fora para aquecer as emoções do pagode. Resumindo aticem por onde mis gostem mas não há nada como realmente. Não se fazem omoletes sem ovos. Mais sábio e avisado é nem se partirem os ovos que há pois sejam as frigideiras que houver as mesmas omoletes e gemadas é que nunca mais voltará a haver. Tão simples como isto.
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