A mulher que morreu porque tinha medo de germes e o homem que morreu para não se reformar
“…ik al heb omgelegd?”; Gerty Casteelen escolhe as palavras correctas para completar a questão do entrevistador, sobrepondo um “já abati?” à interrogação “quantas pessoas…”, como “com humor” às vezes diz. A resposta é três, com três outros casos pendentes.
Após 8 sessões, a paciente envia cerca de 80 emails a Gerty, o que a fez a psiquiatra perceber o quão a paciente desejava “eutanasiar-se”; Gerty opta por este termo em detrimento de “suicidar-se”. A psiquiatra concluiu que a misofobia controlava toda a vida da paciente, impedindo-a de manter relações, obrigando-a a passar todo o tempo a limpar. A paciente desejava morrer às 20h11 e já tinha os cartões de luto prontos.
A paciente comprou champanhe para as quatro mulheres que testemunham a sua morte: uma amiga, a médica de clínica geral, Gerty e a enfermeira em serviço para a clínica que providencia eutanásia. A paciente de 54 anos, de pijama cinzento, está feliz e relaxada. Gerty chama atenção para a hora, que as coisas têm que ser preparadas para se cumprir o horário das 20h11. A paciente quer tempo para beber mais um copo de champanhe. Pouco antes das 20h11 as mulheres desejam-lhe boa sorte para a jornada. Adormece rapidamente. Já está.
…
Homem de 63 anos, fisicamente saudável. Trabalhou sempre, nunca foi de férias. Suicídio falhado, não quer repetir a experiência. Sobretudo, também não quer causar transtorno a outros. Perto da idade de reforma, após anos de tratamento para depressão sem sucesso, chegou a altura de morrer. Gerty acredita que é impossível para este homem continuar a viver. Nunca manteve relações e, sem ligação à família, é um homem sozinho no mundo. Gerty concede uma certa bizarria ao considerar que o homem, admirado pelos colegas de trabalho, trabalho que executa diligentemente, é consumido pela auto-comiseração de quem não sente ter direito de viver. Na véspera da morte, organiza encontro num bar para se despedir dos colegas de trabalho, informados da decisão da morte uns dias antes. Colegas ficam tristes que ele “tenha que ir”. Na manhã seguinte, Gerty administra-lhe o cocktail letal. “A maioria morre em 10 minutos, este demorou duas horas”, recorda.
Este artigo é uma adaptação condensada e em português do artigo de Joke Mat, publicado no jornal holandês NRC Handelsblad em Janeiro de 2014. Versão em inglês.

De facto há muitos que andam cá a mais.
Convertam ao islamismo e partam para a Síria e para o Iraque o mais rápido possível!
Há outros que se converteram a coisas semelhantes, espécies em via de extinção em países civilizados. Andam desesperados. Vão andar por cá mais algum tempo.
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Confesso que não percebo. Que a eutanásia sirva para alguém que está em grande sofrimento com uma doença terminal compreendo…mas estes exemplos são tão fúteis que sinto um vazio. O artigo é tenebroso, a personagem é tenebrosa. Como é que que chegamos aqui?
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Sem dúvida uma nova oportunidade de negócio!
Quanto ao desgraçado que não se queria reformar, tivéssemos por cá meia dúzia deles assim (principalmente gestores públicos, políticos e juízes do TC) e as constas da Segurança Social estariam bem mais equilibradas…
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” A maioria morre em 10 minutos, este demorou 2 horas”. Porque é que não lhe prega um tiro nos cornos? Facilitava as coisas, e a “eutanasiadora” se calhar até gostava mais.
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Edificante é esta discussão…não tem mais que fazer???
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Bolota porque é que não te vais coçar no chaparro?
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“A maioria morre em 10 minutos, este demorou duas horas”
Se calhar ainda esteve a tratar do expediente.
O homem era mesmo chato.
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“Pouco antes das 20h11 as mulheres desejam-lhe boa sorte para a jornada.”
Pois, enfrascadas como estavam não se lembraram de mais nada.
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Não estou a ver qual o problema.. Prejudicam alguém ? Nop. .o sofrimento psicológico é real e é tão mau como o físico . a esquerda tb não percebe que há pessoas mais espertas que as outras e que fazem dinheiro das pedras sem roubar. Suponho que ignorar sofrimento psíquico é uma variante direitista da crença na igualdade 🙂
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Não disse que havia problema. O que o fez pensar que eu acharia que há problema?
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Experimentem amputar a sangue frio uns quantos, não lhes dêem analgésicos, deixem-nos abandonados num deserto e depois perguntem-lhes se querem morrer. Acredito que a maioria dirá que quer morrer!
Experimentem não dar analgésicos em doses suficientes, em não promover uma maior independência e actividades lúdicas em alguém que tenha um cancro em estado terminal, em restringir a presença da família para esta “não sofrer” e depois eprguntem quantos querem a eutanásia?
Agora, experimentem dar uso ao que a ciência e a arte dos cuidados paliativos podem fazer pelos doentes em estado avançado da sua doença e depois questionem a relevância da eutanásia.
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Verão que quando se faz o que se pode, a “percentagem” dos que querem a eutanásia cai drasticamente assim como os interessados em promovê-la
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Esqueceu-se deste exemplo:
Mulher de 29 anos, lúcida e saudável (com excepção do tumor cerebral incurável que lhe dá 6 meses de vida).
Mudou-se do seu estado para o Oregon (no noroeste dos EUA), para poder controlar quando e como morrerá.
O estado do Oregon, passou uma lei o “Death with Dignity Act” que permite que um cidadão possa ter assitência e controlar o processo da sua morte.
Outros quatro estados americanos têm leis semelhantes Washington, Montana, Vermont e Novo México.
http://www.thebrittanyfund.org/
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Do site do ministério da saúde do estado de Oregon:
“On October 27, 1997 Oregon enacted the Death with Dignity Act which allows terminally-ill Oregonians to end their lives through the voluntary self-administration of lethal medications, expressly prescribed by a physician for that purpose. The Oregon Death with Dignity Act requires the Oregon Health Authority to collect information about the patients and physicians who participate in the Act, and publish an annual statistical report. ”
The Act was a citizens’ initiative passed twice by Oregon voters. The first time was in a general election in November 1994 when it passed by a margin of 51% to 49%. An injunction delayed implementation of the Act until it was lifted on October 27, 1997. In November 1997, a measure was placed on the general election ballot to repeal the Act. Voters chose to retain the Act by a margin of 60% to 40%.
There is no state “program” for participation in the Act. People do not “make application” to the State of Oregon or the Oregon Health Authority. It is up to qualified patients and licensed physicians to implement the Act on an individual basis. The Act requires the Oregon Health Authority to collect information about patients who participate each year and to issue an annual report.
O endereço do site:
http://public.health.oregon.gov/ProviderPartnerResources/EvaluationResearch/DeathwithDignityAct/Pages/index.aspx
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Este são os passos a seguir para quem deseja recorrer ao Death with Dignity:
1) the patient must make two oral requests to the attending physician, separated by at least 15 days;
2) the patient must provide a written request to the attending physician, signed in the presence of two witnesses, at least one of whom is not related to the patient;
3) the attending physician and a consulting physician must confirm the patient’s diagnosis and prognosis;
4) the attending physician and a consulting physician must determine whether the patient is capable of making and communicating health care decisions for him/herself;
5) if either physician believes the patient’s judgment is impaired by a psychiatric or psychological disorder (such as depression), the patient must be referred for a psychological examination;
6) the attending physician must inform the patient of feasible alternatives to the Act including comfort care, hospice care, and pain control;
7) the attending physician must request, but may not require, the patient to notify their next-of-kin of the prescription request. A patient can rescind a request at any time and in any manner. The attending physician will also offer the patient an opportunity to rescind his/her request at the end of the 15-day waiting period following the initial request to participate.
Physicians must report all prescriptions for lethal medications to the Oregon Health Authority, Vital Records. As of 1999, pharmacists must be informed of the prescribed medication’s ultimate use.
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Atenção que os médicos são livres de recusar participar no processo:
Patients who meet certain criteria can request a prescription for lethal medication from a licensed Oregon physician. The physician must be a Doctor of Medicine (M.D.) or Doctor of Osteopathy (D.O.) licensed to practice medicine by the Board of Medical Examiners for the State of Oregon. The physician must also be willing to participate in the Act. Physicians are not required to provide prescriptions to patients and participation is voluntary. Additionally, some health care systems (for example, a Catholic hospital or the Veterans Administration) have prohibitions against practicing the Act that physicians must abide by as terms of their employment.
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