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a falácia do «liberalismo» bancário

21 Dezembro, 2014
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O problema das falências bancárias é que deixam os depositantes que neles confiaram, convencidos que entregavam o seu dinheiro a entidades sólidas, seguras e de confiança, sem o valor dos seus depósitos, muitas vezes eles também falidos e desgraçados, sem qualquer responsabilidade no que sucedeu ao banco. Ora, a culpa disto decorre da existência de um mercado financeiro «liberalizado», «desregulado» e a agir à margem do estado, que anda por aí a enganar os clientes, como os socialistas de todos os partidos não se cansam de pregar, ou, pelo contrário, será antes consequência de um modelo bancário hermeticamente fechado, que funciona completamente à margem das regras de mercado, ancorado por instituições estaduais que garantem a sua suposta solvibilidade e segurança? Nos casos do BPN, do BES, do BPP e noutros, em quem acreditavam os depositantes e por que razão entregavam eles as suas economias a estas empresas financeiras? Por causa dos belos olhos do Sr. Ricardo Salgado, ou das qualidades morais e empresariais do ex-Conselheiro de Estado Dias Loureiro ou do antigo Secretário de Estado das Finanças Oliveira Costa, ou porque o Banco Central do Estado Português garantia, a montante a a jusante, que o sistema bancário português estava sólido e firme como um penedo? E a ganância desses senhores é bem sucedida por eles dirigirem empresas de sucesso num mercado de livre-concorrência, ou porque eles se movimentam num sistema cartelizado, no qual muito poucos entram, invariavelmente vindos e cruzando relações e influências espúrias com a política, o governo e o estado? Por outras palavras, quem atesta a segurança de um banco? Um mercado livre e concorrencial, onde qualquer empresário se pode estabelecer oferecendo serviços bancários que os clientes escolhem livremente, ou o estado português, que dirige um sistema bancário baseado em regras por ele criadas, com índices de solvibilidade por ele fixados, com regras de concorrência criadas e fiscalizadas pelo Banco Central, com taxas de juro e políticas de crédito instrumentalizadas pelo governo para promover o «bem-estar social», e com financiamentos ruinosos à dívida pública e aos programas do governo para «incentivar» a economia e o emprego? E quem garantiu, na recente crise do BES, a quinze dias dele estoirar, que o banco era seguríssimo? O dito «mercado» ou o Presidente da República Portuguesa, o Primeiro-Ministro, a Ministra das Finanças e o Governador do Banco Central do mesmo país?

Por fim, para se entender um bocadinho por que razão é tão falível o sistema financeiro e bancário da maior parte das sociedades em que vivemos (e para percebermos porque é que nem todos os bancos fazem do crédito a sua principal actividade…) e por que razão isso nada tem a ver com uma economia de mercado, mas, pelo contrário, com a instrumentalização dessa actividade económica pelo «estado forte» que os socialistas de todos os partidos tanto ambicionam, fica aqui este excelente artigo de Murray Rothbard, de leitura muito recomendável para se evitarem certos disparates.

16 comentários leave one →
  1. 21 Dezembro, 2014 19:21

    Fiquei assustado.
    Até onde sei nenhum depositante perdeu um cêntimo que fosse dos seus depósitos à ordem ou depósitos a prazo em nenhum banco.
    Será que estou enganado e devo levantar o meu dinheiro da CGD e coloca-lo debaixo do colchão.
    Por favor ajude-me a ficar descansado.
    Obrigado.

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  2. Procópio permalink
    21 Dezembro, 2014 19:42

    Há bancos e bancos e existiu uma manobra própria de organizações com as descritas por Roberto Saviano. O governo do 44 ao iniciar em 2007 a sua política keynesiana [de investimento público] – TGV, novo aeroporto, terceira travessia do Tejo – e precisava de bancos obedientes e dóceis.
    O governo socialista contava com a Caixa Geral de Depósitos e o BES, mas não com o BPI, que era dominado pelos espanhóis do La Caixa e pelo banco brasileiro Itaú, assim como também não controlava o BCP, “que tinha uma base acionista muito dispersa”. “Não seria fácil abanar o BCP e foi o que foi feito”
    Colaboraram ativamente “pessoas devedoras umas das outras”, “íntimas”, em dois “pilares” distintos: governo e Caixa Geral dos Depósitos. O 44, Fernando Teixeira dos Santos, então ministro das Finanças, e Carlos Pina, ex-secretário de Estado do Tesouro; na CGD, o ex-presidente do BCP identificou Carlos Santos Ferreira e Armando Vara.
    Esta gentalha contava com um candidato a agitador, com história opaca na África do Sul de onde foi expulso, Joe Berardo”, com quem o Governo tinha fez um acordo que ninguém percebeu, o da instalação da coleção Berardo no Centro Cultural de Belém.

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    • Artista Português permalink
      21 Dezembro, 2014 21:01

      A ideia do TGV vem de trás. Basta recordar as actas da Cimeira luso-espanhola da Figueira de Foz (salvo erro em 2003) e que o 44 aproveitou, ou melhor, continuou, já que quem estava por trás era aquele grande gestor aos olhos dos ingleses que “só via aldrabões à volta dele”, também conhecido pelo DDT. Nessa altura – 2003 – ficaram estabelecidas, nada mais, nada menos, cerca de 5-linhas-5 de TGV. Um fartar vilanagem…

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  3. manuel permalink
    21 Dezembro, 2014 20:01

    De acordo com o sistema de reservas fracionadas, o banco de Portugal é conivente com o sistema e por isso se explica a subida de posto do Sr. Constâncio e a impunidade dos banqueiros que têm falido bancos e dos que se seguirão. O Procópio tem razão, para fazer obra com o dinheiro dos outros o inimputável teve de “assaltar” os grande bancos.

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  4. PiErre permalink
    21 Dezembro, 2014 20:15

    Até que enfim que vejo por aqui mencionar o nome prestigioso de Murray Rothbard. Vale mais tarde do que nunca, mas já não era sem tempo.

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  5. manuel branco permalink
    21 Dezembro, 2014 21:06

    E viva o rothbard

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  6. Retornado permalink
    21 Dezembro, 2014 21:30

    O angolano Sobrinho, enrolou os Espíritos Santos todos.

    Eu bem avisei sempre há mais de 40 anos: Cuidado com as mentiras dos anticolonialistas e antifachistas quando dizem que «os brancos enganam e roubam os pretos».

    Muitos não acreditam em mim.

    Os Espíritos além de ficarem sem os milhões, o Sobrinho ainda lhe chamou aldabrões.

    E já lhe tinham ameaçado partir a tromba em Luanda segundo Salgado.

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  7. Procópio permalink
    21 Dezembro, 2014 21:49

    A história dos bancos portugueses tem as suas particularidades. Há uma figura muito apreciadora da arte de aldrabar, muito próxima do 44 que anda um bocado esquecida.
    É o Jo. O reizinho Midas de outros tempos.
    O Berardo é um ponto. Já bramou contra os especuladores como George Soros (uns abutres, garantia…), exigiu a intervenção conjunta dos governos na crise financeira, sugeriu o fim das off-shores (confidenciaou a gaguejar, que tem capitais instalados em off-shores porque tem que ser competitivo no mercado…), enunciou medidas anti-especulativas urgentes. Para todos os efeitos em Portugal está falido. Lá fora talvez não. Talvez o motorista dele possa dizer alguma coisa. Algumas pessoas conhecem-no bem.
    http://aquitailandia.blogspot.pt/2011/09/e-em-verdade-vos-afirmoo-joe-berardo-e.html
    Esperemos a visita dele a Évora. Já lá devia ter ido.

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  8. permalink
    21 Dezembro, 2014 21:50

    O mito de que tínhamos um sistema bancário sólido, ao contrário da Irlanda, morreu este verão.

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    • manuel permalink
      21 Dezembro, 2014 22:03

      Como é evidente, o problema é que não temos escapatórias. É, pelo menos prudente, não ter os ovos no mesmo cesto, mesmo que para tal suportemos taxas negativas de juros.

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  9. 21 Dezembro, 2014 22:41

    Culpados do que aconteceu também em Portugal: “a escardalhada”, claro ! Sempre os culpados de tudo, né ?

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  10. Procópio permalink
    21 Dezembro, 2014 23:04

    Isto dos bancos é um sarilho.
    Afinal para que vale ter dinheiro no banco.
    Só pode dar chatices. Uma sólida gestão financeira é o centro do sucesso de qualquer organização, representa sua força vital, mas também apresenta vulnerabilidades.
    No “boca a boca”, viagem para aqui, passeio para ali a coisa funciona até ao dia. Nada como ter testas de ferro, amigos à prova de bala, hábeis como gestores financeiros.
    Sem amigos às vezes vai-se dentro.
    Se a mãe coragem que anda tão escondida aparece inopinadamente então é o diabo.
    O mal está em ter as costas quentes durante anos, estar crente da impunidade eterna.
    Então a coisa é assim.
    A justiça devia era estar no banco dos réus. Sem saber do que sou acusado e ainda por cima inocente, o que hei-de, sempre em forma, tisnado pelo sol.
    Ando desaustinado, à procura de não sei o quê, o pintinho disse-lhe: “Assina pelos dragões, carago, que até te trago fruta”. Eu já não gosto e fruta, já não sei para que srve, nem por quê, afinal sou do benfica, eles vão perdoar, são votos a dobrar, quando eu voltar. Será que estou à procura de algo? Não sei, o advogado é que sabe, não ele também não sabe a não ser dizer calinadas a torto e a direito. Foi este seboso que me mandaram! Nem ao menos sei que nada sei (melhor estava Sócrates por saber que nada sabia).
    De que valeria saber? Saber sem sentir não tem sentido… Andar por aí sem sentir… caminho… sem sentido… vivo… vivo sem sentir… sentir a vida… a vida que me vive e que me sente viver… viver sem sentido… não tem sentido viver… viver sem sentido… posto que vivo sentindo que a vida não tem sentido… Se eu apanho cá o costa ele vai ouvi-las.
    Ai se eu dou com a língua nos dentes como o perna, eles vão ver!
    Um animal precisa de andar de correr, descobrir novas rotas, novos sonhos, reforçando antigos, criando ideias e acabo por nem saber propriamente o que penso ou o que decidir. Passam-me pela cabeça nomes díspares, richard descoing, o seixas, a canavilhas, a lurdinhas, o pasarinho lá na selva amazónica a cantar: “Tri li li, tri, li li!”, mais o proença, o sacana do proença que não me tira daqui, os gajos que vêm cá a medo, com cara de cu e só servem para me enterrar.
    Agora é que começo a interiorizar o meu livro sobre a tortura, a tortura que infligi a tantos agora a cair sobre mim, de tanto pensar, de procurar sentido, acabo por concluir que pensei mal, mãos pesadas caem no meu lombo, os sapatos prada não se adaptam a este piso.
    Os meus livros todos esgotados, para que me serve, o papel vai todo para a fornalha, nem sequer o querem reciclar.
    E então entendo que é preciso continuar a pensar, a buscar sentido. E ao entender que é preciso continuar a buscar sentido, percebo que pensar não me tira daqui, qualquer dia nem um cigarrinho me deixam fumar. Recebi 400 mil euros, cerca de 33 mil euros por mês dizem eles, é mentira, foi só uns trocos da minha mãezinha, o carlos atrasou-se na mesada, foi tudo para o parque escolar, o ricardo começou a andar e bolandas coitado, a família é muito grande, eu andei em restaurantes de luxo, sim senhor, mas foi a lavar pratos, estudei à luz do petróleo, já não tinha dinheiro para a luz.
    No fundo resta-me a secreta esperança, terá que haver meios de dar a volta a isto, noutros casos, lá fora já conseguiram, ainda um dia vou sair em glória, pobre mas honesto, sério, incorruptível, transparente, elegante, bondoso, líder por excelência, sempre com vista a um futuro melhor para os portugueses que em mim confiaram e vão voltar a confiar.

    .

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    • 22 Dezembro, 2014 09:11

      Procópio, conheço gente boa, gente que vive apenas do seu trabalho, que não acredita que o homem mereça estar ali e que sonha com o dia em que ele “vai sair em glória”, rico mas honesto. Não são muitos os que pensam assim, mas são bastantes os que têm sobre esta questão uma posição de “adepto”, como quem é do Benfica ou do Porto. Ou do Belenenses.

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  11. 22 Dezembro, 2014 10:12

    O artigo de Rothbard é excelente e muito pedagógico sobre a coisa bancária.
    Ter 1.000 e emprestar 10.000, na minha terra chama-se conto do vigário.

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  12. Surprese permalink
    22 Dezembro, 2014 10:49

    Uma vergonha a intervenção desse Blasfemo, o CAA.
    Não estou a ser irónico, é mesmo vergonhoso, agora que se aproximam as eleições, fazer a mesma figura que alguns dos inquiridos na CPI : “não sabia, não vi, estou arrependido”.

    Quanto a Rothbard, é tecnicamente perfeito. Não li o artigo mas conheço bem as publicações (alegadamente CAA também). É um facto que um banco comercial empresta os depósitos, utilizando apenas 10% de capitais próprios.

    É por isso que temos crédito à habitação, e crédito às empresas. Se acabarmos com o sistema de reservas fraccionárias (é o sistema em que vivemos), acabamos com os bancos comerciais, pois não poderão emprestar os depósitos.

    Voltarmos aos tempos da Idade Média, em que teremos de recorrer a agiotas para poder comprar uma casa para o filho que se vai casar, como foi bem retratado por Shakespeare no “Mercador de Veneza”.

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