Saltar para o conteúdo

Manifestação com objectivos por pontos

14 Janeiro, 2015

Leio atentamente várias pessoas que me dizem, com mais ou menos corpo lexical de índole teórica, que a manifestação do passado fim-de-semana em Paris foi em prol da liberdade de expressão. Admito ficar algo fascinado com uma manifestação tão grande em torno de um conceito tão vago e tão incompreendido como a liberdade de expressão. Eu, que vejo pessoas que se queixam porque o seu comentário foi rejeitado num blogue, que evocam a “liberdade de expressão”, que mencionam as “práticas de censura”, que se queixam de critérios editoriais para se autorizar um comentário e rejeitar outro, que mencionam “justiça”, “igualdade” e o “direito de”, fico com a sensação que o uso do termo “liberdade de expressão” é tão vago como outros chavões ilógicos que incluem “espiral recessiva”.

Como tentava dizer, não achava e continuo a não achar que a manifestação em Paris foi realizada pela liberdade expressão. Para mim, que teria ido caso estivesse na cidade, foi uma manifestação de pessoas que apenas partilharam, numa comunhão espontânea, o sentimento de total choque com a ocorrência de um acto incompreensivelmente vil pela violência extrema desprovida de potencial de explicação (e assim sem inevitáveis factores atenuantes) que aconteceu mesmo ali no quintal. Um movimento de pessoas em choque, que partilham a mesma incompreensão perfeitamente lógica de uma ocorrência que não é passível de intelectualização pela dialética relativista que aparece papagueada nos media ocidentais, divididos entre o dever de relatar e o desejo de mudar o mundo.

Pelos vistos, pela opinião consensual, enganei-me. Pelos vistos foi mesmo sobre liberdade de expressão. Assim, a coisa durou mesmo muito pouco tempo.

Só por causa do cheiro das tintas, não vou permitir comentários a este post, alimentando a confusão da dialética progressivo-relativista, mas em nada interferindo com a vossa liberdade de expressão.

Os comentários estão fechados.