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“O que é novo em drogas é a proibição”

19 Janeiro, 2015

A propósito do Relatório Anual sobre a Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências divulgado este mês entrevistei o Filipe Nunes Vicente para o Observador. Aqui ficam alguns excertos dessa conversa:

Quando dava aulas dizia sempre aos meus alunos: o que é novo em drogas é a proibição. O presidente Lincoln (um grande presidente!), abstémio, dizia que a pior coisa que se podia fazer à causa dos abstémios era proibir o álcool. Deixamos de saber quem bebe, quando bebe, quem produz, onde se vende… Ele fartou-se de avisar.”

Basta consultar o relatórios das Nações Unidas sobre as drogas e está lá: a produção de cocaína mantém-se estável ou aumenta. A produção de heroína está viçosa (agora a Birmânia/Myanmar está outra vez a produzir, algo que tinha sido erradicado nos anos 80 está outra vez a voltar.) As produções de anfetaminas estão também verdejantes. Todos os anos aparecem cerca de 300 novas substâncias psicoactivas. Isto é a mesma coisa que o Benfica estar 106 anos para ganhar um jogo!

8 comentários leave one →
  1. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    19 Janeiro, 2015 12:24

    um inspector da DEA disse que ficava mais barata a liberalização.
    não há mercado para a venda do meu 3º trabalho. era a tese cuja defesa quiz estupidamente fazer nesta merda ‘à beira-mar a afundar-se’

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  2. anónimo's avatar
    anónimo permalink
    19 Janeiro, 2015 13:57

    E quanta da despesa pública na Justiça – polícias, juízes,procuradores, advogados oficiosos, guardas prisionais, técnicos de reabilitação, psicólogos, etc – se evitaria com a liberalização?

    E cadeias e diárias de prisão ? E seguros dos estragos nos assaltos ? E atrasos nos processos ? Em tempos constava que dois terços do movimento processual em tribunal criminal estava relacionado directa ou indirectamente com a droga.

    E a criação de um hub numa parte remota do país com a droga toda de borla num Centro de Salas de Chuto com todas as condiçõessaniotárias e ao lado uma clínica para quem se quisesse reabilitar ?

    Acabaria com o mercado de rua e o acesso nas cidades. Ninguém continuaria a vender aquilo que era de borla. O combate far-se-ia na prevenção, e quem quisesse consumir teria que ir expressamente até ao local.

    Talvez a taxa de novos consumidores fosse outra. Mas que a Cidade ficava livre da praga.

    É só aos grandes traficantes – escobares e quejandos- que interessa que a droga seja ilegal ?
    Ou existe uma indústria legal da droga que tem todo o interesse em manter viva a parte ilegal da industria ?

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    • Luís's avatar
      Luís permalink
      19 Janeiro, 2015 15:40

      Interessante reflexão.

      Tive um professor na faculdade que referia o seguinte.

      As drogas só são um problema grave quando saem do local onde o seu consumo é cultural.

      O álcool é uma droga que mata, mas em Portugal e no resto da Europa é uma droga com aceitação cultural. Nós convivemos com o álcool desde a infância. O mesmo não sucedia nas tribos de além mar que contactaram com os portugues, espanhóis, ingleses ou holandeses. Aí o álcool tornou-se um problema grave, pois a droga estava fora do seu contexto cultural.

      O haxixe é produzido e consumido em Marrocos. É uma droga bem disseminada pelo Magrebe. O Afeganistão também tem aquela que se sabe. Outros povos e culturas têm as suas drogas culturais.

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    • Luís's avatar
      Luís permalink
      19 Janeiro, 2015 15:47

      Mas quem diz drogas, diz jogo.

      Por cá de vez em quando fazem-se umas apreensões de máquinas de jogo em cafés. A coisa mexe com inspectores, juízes, advogados, polícias. Em Espanha os cafés podem ter máquinas de jogo, por lá é legal. Por que motivo por cá não se liberaliza de vez o jogo, seguindo o exemplo dos espanhóis? O Estado pouparia uma fortuna, ganharia uns milhões com as licenças anuais para as máquinas de jogo e com os impostos sobre esses lucros. A actual legislação apenas protege os Casinos de Portugal da concorrência.

      Então e a perseguição que se faz a associações locais, estudantes, sociedades recreativas que vendem rifas? Não seria mais fácil regular este jogo de fortuna e azar com tanta tradição na nossa província? Nas terriolas do meu concelho há cabazes rifados pelos estudantes e pelas associações várias vezes ao ano. Mais uma vez, há um interesse obscuro protegido pela actual legislação, a Santa Casa da Misericórdia.

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  3. Castrol's avatar
    Castrol permalink
    19 Janeiro, 2015 16:39

    Legalizar as drogas, é uma questão tão polémica quanto antiga.

    Ao fim de dezenas de anos de proibição, as autoridades não foram capazes, ou não quiseram, acabar com o tráfico ilegal.

    Face a esta realidade, pergunto-me se a melhor solução não seria mesmo a legalização…

    Sempre ia acabar com o negócio da pior escumalha que existe à face da terra, os traficantes.

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  4. PiErre's avatar

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