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não basta

4 Fevereiro, 2015
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Por razões de natureza essencialmente ideológica, o estado português insiste em manter um Serviço Nacional de Saúde universal e praticamente gratuito. A ideia é generosa, como são quase todas as que consubstanciam a filosofia do estado social. Afinal de contas, quem não gostaria de ter saúde, educação, habitação e trabalho garantidos, de boa qualidade e a custos directos e indirectos baixos? Só que, quem conhece os custos reais das entidades prestadoras desses serviços. sabe que eles incluem pesados custos de má gestão e de ineficiência próprias dos serviços públicos, onde verdadeiramente não há patrão e ninguém responde por prejuízos, a não ser o contribuinte. No caso da saúde, a situação é mais grave, porque, graças ao SNS, o estado habituou, durante décadas, as pessoas a prescindirem de seguros de saúde e de precaverem outros meios para cuidarem de si, levando-as a acreditar que estão seguras nas suas mãos. Agora, e apesar dos esforços e da competência de muitos dos seus operadores, o SNS não consegue sequer evitar que as pessoas morram em catadupa nas urgências dos seus hospitais, ou por falta de médicos, ou por falta de medicamentos, ou por falta de organização, ou por falta de tudo isto simultaneamente. Só quem não passou, nos últimos anos, por um serviço de urgências de um hospital público poderá ignorar as condições esforçadas mas deprimentes em que doentes graves e pessoas de idade são, ou melhor, não são tratadas. Em face do descalabro em que entrou o sistema, o ministro da tutela desculpou-se com um acréscimo anormal de consultas, provocado por um surto, também ele anormal, dessa gravíssima doença que é a gripe de inverno! E, em forma de compensar algumas mortes de pacientes, anunciou que vai abrir inquéritos. Não basta. A saúde e a vida das pessoas não são o Citius e o colapso do sistema público de saúde não é o mesmo que o colapso do sistema informático do Ministério da Justiça. É preciso saber quem é responsável pela morte destas pessoas e tirar daí consequências.

22 comentários leave one →
  1. Contribuinte's avatar
    Contribuinte permalink
    4 Fevereiro, 2015 20:46

    A conversa é boa, sim senhor… mas se não é para um serviço nacional de saúde (que pague os tratamentos demasiado caros para serem suportados por um cidadão), para um sistema de educação público, para que diabos andamos a pagar impostos?

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    • Bolota's avatar
      Bolota permalink
      4 Fevereiro, 2015 22:01

      Eu diria mais, se o estado não tem obrigações para comigo, porque tenho eu de ter para com o estado???

      Um aparte…sabem de quanto é a percentagem que o laboratório que fabrica o remedio do tratamento da hepatite C??? 5 000 % (cinco mil)..

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  2. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    4 Fevereiro, 2015 21:30

    É por isso que eu tenho de pagar duas vezes para me manter vivo: uma para um seguro privado de saúde que utilizo, outra, através de impostos e outros tributos para o Estado, que não utilizo.

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  3. manuel branco's avatar
    manuel branco permalink
    4 Fevereiro, 2015 21:53

    Ah sim? Um seguro de saúde? Diga lá qual é o que aceita maiores de sessenta e cinco que não seja a servilusa. Eu estou interessado. A idade perigosa aproxima-se.

    E jâ agora: o tal medicamento é o que custa oitenta mil dólares por tratamento. Pode dizer se a fidelidade paga? Ou a tranquilidade? Ou a Zurique?

    É bem possível que se tenha de recorrer cada vez mais a mútuas, a seguros duvido. É também certo que os custos com a saúde são cada vez maiores devido aos avanços técnicos.

    Só que quando não se sabe está-se calado. A não ser que tenha ações numa seguradora, sem tecto, naturalmente.

    Já agora e outro que saiba que explique melhor: quem descobriu o medicamento foi um tal Michael Sofia. A empresa foi comprada pelo laboratório que o comercializa por cerca de onze milhões de dólares – porque já sabia do medicamento que tinham descoberto, donde que investigação já feita. Na India tiveram de aceitar um preço dezenas de vezes menor. No reino unido é distribuído mas apenas a um segmento de doentes. O preço que exigem não resulta dos custos de investigação mas da comparação com os custos de um doente com tal doença.Há de facto problemas de custo na descoberta de medicamentos pois as taxas de insucesso são muito altas e desconfio que os ordenados não devem ser pequenos.

    Em todo o caso, quem saiba que explique. Quem não sabe pode dedicar-se a colar cartazes da JSD. Cuidado no entanto. É melhor fazerem um seguro não vá caírem do escadote e lá vai mais uma despesa para o SNS. Assim vamos até outubro. Depois, lá para a são Caetano, é usar da vassoura, da lixívia, e negar que a casa foi habitada nos últimos anos. Não não, essa pessoa não morava aqui, deve ser engano.

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    • josé's avatar
      josé permalink
      4 Fevereiro, 2015 21:57

      Se quer seguro de saúde para além dos 65 anos, fale com a ADSE !

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    • rui a.'s avatar
      rui a. permalink
      4 Fevereiro, 2015 22:21

      A MEDIS, por exemplo. Desde que vc. o tenha feito antes disso. Agora, veja se entenda, que num sistema de saúde estatizado, os seguros de saúde nunca serão competitivos, por falta de clientes. Logo, nunca lhe darão condições óptimas, como sucede noutros locais. Veja, por exemplo, como funciona no Estado de São Paulo, ou em muitos estados dos EUA, onde inclusivamente o seguro de saúde faz parte do pacote salarial de qualquer trabalhador dependente.

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    • PiErre's avatar
      PiErre permalink
      4 Fevereiro, 2015 22:59

      “A idade perigosa aproxima-se.”
      .
      Ah sim? O que andou a fazer esse tempo todo? Olhe, fizesse como eu que me inscrevi no seguro privado a tempo e horas, não estive à espera dos 65 anos.

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  4. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    4 Fevereiro, 2015 22:15

    Os que acreditam que a questão da saúde se resolve com companhias de seguros devem ser primos dos que acreditaram no GES e no DDT.

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  5. fado alexandrino's avatar
    4 Fevereiro, 2015 22:30

    O SNS é bom, e por isso Mário Soares quando ficou doente, e para não tirar o lugar a outros, optou por ir para o Hospital da Luz.
    O SLB seguiu o exemplo e também manda todos os seus doentes para lá.
    E por causa deste acréscimo, que liberta o SNS, o António Costa vai mandar demolir o quartel dos Sapadores Bombeiros, para eles aumentarem o Hospital.

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  6. Rui P's avatar
  7. Filipe's avatar
    Filipe permalink
    4 Fevereiro, 2015 22:41

    E ninguém questiona o lobie dos laboratórios que pedem miilhões.
    Mesmo um Estado rico não teria dinheiro para sustentar aqueles parasitas.
    O nosso SNS tal como a Educação é tendencialmente gratuita.
    Agora cada um tire as suas conclusões

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    • PiErre's avatar
      PiErre permalink
      4 Fevereiro, 2015 23:07

      Parasitas quem? O Estado ou os laboratórios? Quer nacionalizar os laboratórios? Olhe que depois terá de importar os medicamentos da Coreia do Norte ou de Cuba. A não ser que prefira Venezuela, Zimbabué, etc. Escolha.

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  8. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    4 Fevereiro, 2015 22:48

    O Serviço Nacional de Saúde é como um supermercado com as prateleiras vazias,

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  9. Piscoiso's avatar
    4 Fevereiro, 2015 23:04

    Michael Moore tem um filme muito engraçado, Sicko, sobre essa tal saúde das companhias de seguros e não só. Se calhar, para fazer um filme desses, o homem está doente.

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  10. Eleutério Viegas's avatar
    Eleutério Viegas permalink
    5 Fevereiro, 2015 00:40

    Para esta choraminguice também não sirvo. O Estado não cumpre os seus contratos. Eu resisto a cumprir o que ele, Estado, me obriga. E mais não digo.

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  11. SouTaoImportante's avatar
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    5 Fevereiro, 2015 01:34

    Eu quero ver estes meninos, se um cancro tiverem, a pagar o seu tratamento através do seguro… La vao pro publico que nao deve existir, claro! Ah espera eles pagam impostos, por isso têm o direito de usufruir. Pois têm. Mas usufruam ate aquilo que dexcontaram. A partir daí nao quero que os meus impostos vos paguem nem uma algália.

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  12. Rui's avatar
    Rui permalink
    5 Fevereiro, 2015 03:26

    “Só que, quem conhece os custos reais das entidades prestadoras desses serviços. sabe que eles incluem pesados custos de má gestão e de ineficiência próprias dos serviços públicos, onde verdadeiramente não há patrão e ninguém responde por prejuízos, a não ser o contribuinte. No caso da saúde, a situação é mais grave, porque, graças ao SNS, o estado habituou, durante décadas, as pessoas a prescindirem de seguros de saúde e de precaverem outros meios para cuidarem de si, levando-as a acreditar que estão seguras nas suas mãos. ” ?
    Onde se baseou para dizer estas barbaridades? O nosso SNS é dos mais eficientes do mundo com menores custos face aos indicadores de saúde da população. O sistema de saúde dos EUA baseado em seguros privados era dos mais caros do mundo e com indicadores de saúde da população geral muito baixos comparativamente ao nível dos países europeus.

    Porque ninguém indica que os problemas da saúde passam principalmente por não existirem farmaceuticas publicas que façam concorrencia aos privados? O problema aqui não é o de um laboratório privado que faz um preço excessivamente inflacionado para um medicamento que salva vidas? Será que o deve poder fazer? Será que deve ser intervencionado pelo estado? Será que se deve respeitar a patente neste caso?

    concordo com a privatização de muitos serviços pois efetivamente a concorrecia gera inovação e eficiencia. Contudo temos de ter em conta que o papel de qualquer empresa privada em primeiro lugar é o de proporcionar o maior lucro possível aos seus accionistas e que no caso da saúde isto não é benéfico como regra (prescrição de exames desnecessários, prescrição dos farmacos com maiores rentabilidades para o hospital e nao dos mais adequados aos doentes etc etc). Ainda por cima num país como Portugal, com entidades reguladoras tão ineficientes como as nossas, optar por uma privatização do SNS seria um desastre total.

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    • rui a.'s avatar
      rui a. permalink
      5 Fevereiro, 2015 10:14

      «Porque ninguém indica que os problemas da saúde passam principalmente por não existirem farmacêuticas publicas que façam concorrência aos privados?»
      E que espécie de «concorrência» seria essa, com os preços dos produtos do estado financiados pelos contribuintes? E que empresas farmacêuticas se prestariam a semelhante bandalheira? Parabéns pela genial sugestão! Há-de fazer o seu caminho…

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  13. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    5 Fevereiro, 2015 09:57

    gratuito para todos
    saido do bolso dos contribuintes que pagam e não têm direito a bufar

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  14. manuel branco's avatar
    manuel branco permalink
    5 Fevereiro, 2015 10:27

    E o tecto? e a cobertura? e as exclusões? mesmo nos EUA antes da terrível reforma socialista, marxista, leninista de Obama – baseada em sistemas de seguro privados – os velhotes têm há muito o MEDICARE. Generoso ao que parece – é que os velhos e as famílais votam.

    A que estados americanos se refere? ao Massachussets? São Paulo é Brasil, não é? economia avançada. E já agora: quanto gastam os EUA em percentagem de PIB na saúde? não são os que mais gastam no mundo? Acha que este país de miséria que nem sequer consegue aguentar as actuais percentagens podia com um tal sistema?

    Até podia falar no modelo suíço, semrpe é europeu, regulado e baseado nos sistemas de seguros. Julgo que os suíços não sejam perigosos marxistas. E, claro, lá está a diferença entre os sistemas de Beveridge e Bismarck com estes a funcionarem melhor. Esse foi o grande erro de Arnaut – acabar com o sistema de caixas de previdência.

    Se é a MEDIS explique melhor como funciona: é que só me chega mal aos ouvidos. E por alguma razão nos hospitais da CUF só se vê gente nova, tudo em idade de trabalho. Velhos por lá contam-se pelos dedos das mãos. Muitos papás com pimpolhos na pediatria, muitos também com os bebés saidos da maternidade, mas daqueles mesmo a cairem aos trambolhões não vi por lá muito. Devo até dizer-lhe que entrar num hospital público, São José, por exemplo, e um dos dois da CUF em Lisboa é como entrar em dois mundos diferentes. Nos primeiros vê de tudo, povão mesmo, já que gosta de São Paulo. A última vez que lá entrei estavam a avisar a segurança que alguém queria entrar com um pitbull. No outros é outra gente. classe média, muita loura artificial, muito sapato sebago e camisinha às riscas. São de facto melhores, pelo menos parece-me, mas não há por lá ciganos, pretos, seroposivos, gente a precisar de transplantes disto e daquilo. Quando muito pode ter – e vi de facto -, um ou outro com seguro da empresa, mas em idade de trabalhar. É que Isto dos acidentes de trabalho podem dar despesa para anos e anos na vida duma empresa.

    E já agora quanto ás empresas: sim, nos EUA muitas cobrem os custos da saúde. E por cá com tanto recibo verde ou a seis meses também cobrem? e estariam dispostas a cobrir? e não lhe baixaria a competitividade? ou a proposta é que o empregado se desenrasque?

    Se quer que lhe diga anda por aqui muito parvo. Uns julgam-se muito ricos, outros nem têm a noção do que dizem. E repito o que muitas vezes tenho dito. Nem gosto do SNS. Talvez se possa melhorar, talvez se possa reformar, há limitações porque os recursos são finitos, mas qual é a alternativa para a maioria das pessoas, pobres ou de classe média, mesmo classe média alta quando a hora aperta?

    Se lhe chegar um cancrozinho, daqueles que levam meia dúzia de cirurgias, venha contar contar como foi antes de ir para a cova.

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    • Duarte de Aviz's avatar
      Duarte de Aviz permalink
      5 Fevereiro, 2015 17:52

      “qual é a alternativa para a maioria das pessoas, pobres” — Uma resposta possível até estáa no seu próprio comentário – o Obama-care. Seguro obrigatório e quem não tem rendiimento mínimo para poder pagar o seguro tem: 1) ajuda para pagar parte do seguro, 2) se tem rendimentos abaixo do limiar de probeza, tem cuidados de saúde gratuitos – MEDICAID. Alias, o Obama-care pode até ser melhorado se (tal como Obama desejava) houver uma central de seguros regulada, em que os preços contratados com as seguradoras são negociados em larga escala. Alias, se quizer, nós até já temos esse sistema em Portugal. Chama-se ADSE. Pergunte aos funcionários públicos e reformados da função pública e eles lhe dirão.

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  15. Duarte de Aviz's avatar
    Duarte de Aviz permalink
    5 Fevereiro, 2015 17:46

    “É preciso saber quem é responsável pela morte destas pessoas e tirar daí consequências.” — A resposta é simples. Os responsáveis são os 99.9% de portugueses votantes que votam em partidos que desejam manter este modelo de SNS. Não me diga que não sabia? Ou acha que é o ministro que tem culpa do que se passa nas urgências dos hospitais? Ou acha que a rede hospitalar de um país de 10 milhões de almas deve ser dimensionada para que 7 milhões de consultas nas urgências sejam feitas com o nível desejado por todos quando precisam (a sérios) de ir a uma urgência. Afie lá o lapis e veja quanto é que isso custaria em impostos.

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