Imagine que eu com 24 anos decidia ir trabalhar para a sua aldeia “onde não falta trabalho no sector primário”.
Quento iria ganhar?
Quanto iria gastar para viver lá?
fado, o setor primário evoluiu muito, você sabe disso. Vejo no setor primário uma área fundamental para sairmos disto. Primário aqui não é primitivo.
Antes pelo contrário.
A profissão de agricultor em França é mais exigente de que a de médico ou engenheiro.
Faltam é pessoas que estejam dispostas a treinar essa gente que vai para sociologia, psicologia, docência e outras profissões dignas mas sem futuro.
Os comunas meteram na cabeça que deviam ser todos doutores.
Também aquei os lixaram.
Afinal o preconceito está na cabeça deles.
Apesar de ser exigente como outros, o trabalho no setor primário está a beneficiar de muita procura e as tecnologias estão a torná-lo menos duro que estar 8 horas à frente de um computador. Você sabe disso fado, não percebo o seu lapso. Claro que isto não se faz, vamos daí para o campo!
É preciso empreendedores, organização, capital. Cabeça.
Siga o que se está apassar no alentejo em propriedades nacionais e de estrangeiros.
É verdade que encontra lá raros alentejanos. Não por serem calaceiros, ociosos ou estúpidos, masporque lhes meteram na cabeça uma ideologia decadente que os vai fazer extinguir em termos demográficos. Os espaços vazios estão a encher-se, fado,não tarda para visitarmos certos lugares e praias vamos precisar não de um passaporte, seria demasiado escandaloso, mas de uma autorização especial do dono. Se for benévolo.
Quanto a Gabriel Mithá Ribeiro, uma pessoa de exceção, vale a pena lê-lo.
E se a boçalidade imperar no protetorado? No dia dos votos vamos ver.
O que eu compreendo, e muito bem, é a sua técnica marxista.
Desviar a conversa.
Ma eu dou-lhe a aminha opinião sobre os sacos.
Primeiro quando eram de borla insista sempre com o/a caixa para utilizar o menos possível.
Na farmácia e sempre que possível nunca queria sacos de plásticos nenhuns.
Agora:
Com o preço a dez cêntimos milhares de pessoas vão descobrir que não precisam de sacos nenhuns, muito menos dos avulsos que levavam às dúzias para o lixo.
Isto é bom.
Qual é a na realidade a sua pergunta?
Primeiro que tudo peço desculpa, escreve-se poluo.
Segundo a resposta já estava no meu comentário.
Vai poluir muito, mas mesmo muito menos.
Em vez dos vinte sacos de borla que levava, vai levar dois porque lhe custam dinheiro.
Está na natureza humana, o estragar, desde que seja de borla.
Uma nota sobre o aspeto que considero mais relevante do seu texto – o papel que a escola pública teve na vida de GMR e o de hoje.
Deixando o politicamente correto de lado – tão querido à esquerda e seus fiéis seguidores nas redações – olhemos à realidade: a partir do momento (sobretudo desde o consulado Guterres) que se incutiu numa significativa franja da população, a ideia que o Estado estará sempre – e sublinho o sempre – presente para suprir qualquer uma das suas necessidades através de um subsídio ou apoio (habitação, saúde, alimentação, um curso no iefp, etc.), a Educação deixou de ser o instrumento de “ascensão social” que é suposto ser.
Agradeço que, quando fizer link de certos artigos, ponha um letreiro: “Atenção! Este artigo pode causar vómitos a quem o ler”.
O autor continua pobre, mas ainda não percebeu. É que a pobreza de espírito não se sente no bolso.
Alguém que sai da pobreza com convicção tem a perspectiva certa sobre o tema… Estes são os que merecem ser ajudados. Sempre. Quer estejam pobres quer já tenham deixado de estar.
A escumalha de esquerda que passa a vida a falar dos pobres e da pobreza mas que nada faz para acabar com ela, não gosta nem dos pobres nem deste tipo de artigos, especialmente se forem escritos por quem viveu na pobreza, mas conseguiu de lá sair. Se acabassem os pobres tinham de acabar com o RSI. Depois falavam de quê?
«No seu artigo Pobreza?, Gabriel Mithá Ribeiro expõe (apresentando a sua experiência pessoal) a posição de que a probeza deriva mais de hábitos e comportamentos do que de as pessoas serem vítimas “do sistema” ou algo assim (pelo menos, foi assim que interpretei o seu texto).
É uma hipotese defendida por muita gente (com a qual, como já perceberam pelo que têm lido neste blogue nos últimos 9 anos, eu não concordo), mas não deixa de ser uma hipótese respeitável, e que terá certamente a sua parte de verdade (creio que o nosso destino é em parte determinado pelas nossas atitudes, e em parte pelo sistema social em que estamos inseridos, e agora é uma questão de medir qual das duas componentes é predominante).
O que já me parece mais discutível é a arrogância moral de GMR, pondo em causa que pessoas que não tenham sido pobres possam falar sobre a pobreza e defender posições políticas e sociais usando a luta contra a pobreza como argumento.
Só para percebermos como isso é absurdo, imagine-se a seguinte situação – será que um não-judeu não pode criticar o anti-semitismo? Será que um homem não pode criticar a opressão das mulheres nas culturas muçulmanas? Será que um europeu não pode criticar a forma como os israelitas tratam os palestinianos ou, já agora, a forma como os palestinianos tratam os israelitas? Será que um heterossexual não pode defender a atribuição de certos direitos legais aos homossexuais? Um homem livre não pode ser um ativista anti-escravatura? Que eu saiba, defender causas que não beneficam diretamente (ou até podem prejudicar) a pessoa que se envolve nessas causas até era suposto ser uma coisa meritória… Além da contradição em que GMR cai, considerando que “a pobreza jamais deveria ser politicamente instrumentalizada” e, depois, instrumentalizando a sua própria pobreza para proclamar uma espécie de superioridade para falar sobre o assunto.
Alguém pode dizer que “uma coisa é defender, outra é instrumentalizar politicamente”, mas é a mesma coisa – é como aqueles verbos irregulares (“Eu tenho um espírito independente; tu és um excêntrico; ele é um lunático”): “Eu defendo o [grupo X]; ele instrumentaliza politicamente o [grupo X]”.
Noto ainda que GMR, como é de bom tom, critica o “politicamente correto” (há coisa mais “politicamente correta” do que dizer mal do “politicamente correto”?), mas faz o mesmo que muita gente critica no “politicamente correto” (pelo menos, nos EUA): considerar que só a opinião das pessoas que pertencem a certos grupos (mulheres, “minorias”, etc.) conta.
Já agora, vou relatar as minhas experiências de vida:
Nasci em Moçambique, na então Lourenço Marques, filho de uma professora primária, nascida em Paderne, e de um então electricista dos CTT (que estava a tirar o curso de engenheiro técnico), nascido em Loulé e crescido em Faro; a nossa família era mesmo daqueles que tinha negros que iam a casa servir (duas raparigas que acho que deviam ajudar a minha mãe em casa ou coisa assim – atenção que eu tinha um ano na altura, logo estou a falar de ouvir).
Quando da independência os meus pais regressaram ao Algarve, e o meu pai, depois de dar aulas um ano ou dois, voltou a arranjar emprego nos CTT, agora já como engenheiro técnico, em Portimão.
Tive uma vida confortável de classe média-alta, tendo boas notas na escola e beneficiando claramente de pertencer a uma família com muitos livros em casa; a prova que eu beneficiei disso – os meus professores diziam que eu tinha a mania de só fazer o que queria e que me apetecia e até que tinha um “comportamento de mim contra mim mesmo”; o facto de eu estudar pouco a matéria das aulas era compensado porque, como me fartava de ler os livros sobre animais e sobre história que os meus pais tinham em casa, tinha cultura geral suficiente para ter boas notas, ainda que sem o conhecimento detalhado necessário para ter mesmo notas muito altas (ou seja, se não tivesse esses livros em casa poderia ter sido uma desgraça na escola).
Muitos dos meus amigos de infância seriam possivelmente pobres ou, no máximo, classe média-baixa para os padrões portugueses, e alguns tiveram um percurso subsequente um pouco estranho, com insucesso escolar e mais tarde prisões ocasionais por posse de droga e coisas assim, mas, ao que sei, nenhum caiu naquela pobreza estilo RSI (quando tinha para aí 11 anos, um dos meus amigos – depois de ter reprovado no 1º ano do Ciclo teve esta conversa com a minha mãe: “Ele – Quero ser electricista; Ela – Mas não queres estudar mais?; Ele – quero estudar aquelas coisas que eu quero”; mas como posso eu criticá-lo por preferir aprender a mexer em equipamentos eléctricos do que a estudar a matéria do 1º ano do ciclo se eu também preferia ler “O ABC da Natureza” ou “A Guerra no Mundo desde 1945” a estudar a matéria do 2º ano do ciclo?)
Eu poderia vir com a conversa “a minha consciência social deriva de em criança ter brincado com miúdos desfavorecidos”; mas seria mentira – não me lembro de em momento algum ter tido algum pensamento do género “coitados dos meus amigos, que não têm muitas coisas que eu tenho”; o que eu pensava com essa idade era mais “o bairro deles é muito mais divertido que o meu”.
Por essa altura (11 anos), os meus pais ofereceram-me um ZX Spectrum 48K pelo Natal (parece um pormenor irrelevante, mas não é – esperem um pouco).
Na adolescência nunca trabalhei nas férias, algo na altura normal no Algarve mesmo para jovens de classe média.
Andei na universidade em Lisboa, com os meus pais a pagarem o aluguer da casa e mais uma mesada mensal.
Após a universidade, finalmente uma fase da minha vida em que passei uma espécie de dificuldade: demorei cerca de 4 anos a conseguir arranjar um trabalho a sério (até lá andei tirando formações profissionais – financiadas pelo Fundo Social Europeu – ou dando aulas naquele esquema de 3 horas por semana); não é muito fácil alguém que é um caso marcado de personalidade INTP conseguir arranjar emprego quando quase todas as vagas para economistas são na área comercial (de novo, a questão: o problema está no comportamento individual – a minha personalidade – ou na estrutura social – o tipo de empregos disponíveis?). De qualquer forma, os meus pais sustentaram-me sempre enquanto não arranjei emprego.
Quando finalmente arranjei um emprego, a minha principal mais-valia foi sobretudo o saber programar computadores (nomeadamente fazer macros em VBA no Excel); ora, eu aprendi a programar… com o tal ZX Spectrum que os meus pais compraram (ou seja, se eles não tivessem comprado esse computador, hoje em dia eu provavelmente não teria emprego).
Concluindo – eu só sou o que sou atualmente graças aos privilégios que gozei durante os meus anos formativos.
Num mundo em que as discussões se regessem pela razão e pela lógica, isso seria um argumento que daria força às minhas posições esquerdistas: eu sou a prova viva de que a nossa posição social de origem pode contribuir decisivamente para o nosso percurso ao longo da vida.
Já num mundo em que as discussões se rejam por truques emocionais e argumentos ad hominen, é capaz de ter o efeito oposto (“Como é que este comedor de caviar pode vir falar de injustiças sociais quando ele sempre pertenceu às classes favorecidas? Hipócrita!!”).»
Alexandre Carvalho da Silveira: até é capaz de ter razão quanto à subsídio-dependência. Mas serão só eles? os nossos agricultores – os alentejanos então – que mamam da PAC não são subsídio-dependentes? Já foi ao site inglês onde lá estão os nomes? já viu os valores? e os da pesca? e os da formação profissional? risco, risco, sim mas com o pilim de Bruxelas nas unhas.
E a santa madre igreja? a tal que alguns chamam de santa e prostituta, com a economia social. Nunca vi ninguém esgadanhar tanto na miséria alheia como eles. Alguém escrevia que com sete euros e meio se come numa tasca; que o estado dá dois euros e meio por refeição num desses lugarejos do padre de fátima; que o esfomeaddo ainda dá um euro de seu. Com isto vão três euros e meio. Só que o da tasca tem que pagar IRC e tem de comprar os produtos, enquanto na economia social nem iva ou perto disso e compras feitas é no no dispensário de Madame Jonet. Quanto sobra? uns tostões, sem dúvida, coisa de miséria. Só que esses tostões são ouro para a prostituta. É com eles, grão a grão, que tem enchido o papo. O padre de fátima, que ladrava que se fartava contra sócrates por lhe cortar na côngrua, de repente calou-se. Só se ouve a voz do homem da Caritas, por sinal dizem-me pessoa das melhores qualidades humanas. E não veja no que digo qualquer juízo sobre sócrates; apenas que aquele padre ladrou tanto e agora está tão calado.
Repito: provavelmente têm razão quando dizem que ao ficarem dependentes não ganham asas para saírem do buraco onde estão, Mas quem assim fala esquece-se de toda a restante passarada que por aí anda de pança cheia; cheia do milho do OGE. Só que fica mal falar disso, não fica bem, são os nossos empreendedores. Talvez João César das Neves tenha razão: pôr à porta de cada fábrica, de cada loja, nas facturas, uma pequena nota a dizer: subsidiado pelo Estado. Sempre queria ver quantos davam. Posso dizer-lhe que fiz as contas para o meu concelho: entre subsidiados, velhos, funcionários públicos, são meia dúzia os que dão o seu. E nem contei com o milho do IAPMEI e outros que tais.
convencidos do eldorado prometido pelo social-fascismo de 25.iv
a minha aldeia alentejana despovoou-se para a grande Lisboa.
onde todos morreram de fome e doenças.
não há quem queira trabalhar no sector primário
onde não falta trabalho
‘já nasci cansado
mê pai também’
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Imagine que eu com 24 anos decidia ir trabalhar para a sua aldeia “onde não falta trabalho no sector primário”.
Quento iria ganhar?
Quanto iria gastar para viver lá?
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fado, o setor primário evoluiu muito, você sabe disso. Vejo no setor primário uma área fundamental para sairmos disto. Primário aqui não é primitivo.
Antes pelo contrário.
A profissão de agricultor em França é mais exigente de que a de médico ou engenheiro.
Faltam é pessoas que estejam dispostas a treinar essa gente que vai para sociologia, psicologia, docência e outras profissões dignas mas sem futuro.
Os comunas meteram na cabeça que deviam ser todos doutores.
Também aquei os lixaram.
Afinal o preconceito está na cabeça deles.
Apesar de ser exigente como outros, o trabalho no setor primário está a beneficiar de muita procura e as tecnologias estão a torná-lo menos duro que estar 8 horas à frente de um computador. Você sabe disso fado, não percebo o seu lapso. Claro que isto não se faz, vamos daí para o campo!
É preciso empreendedores, organização, capital. Cabeça.
Siga o que se está apassar no alentejo em propriedades nacionais e de estrangeiros.
É verdade que encontra lá raros alentejanos. Não por serem calaceiros, ociosos ou estúpidos, masporque lhes meteram na cabeça uma ideologia decadente que os vai fazer extinguir em termos demográficos. Os espaços vazios estão a encher-se, fado,não tarda para visitarmos certos lugares e praias vamos precisar não de um passaporte, seria demasiado escandaloso, mas de uma autorização especial do dono. Se for benévolo.
Quanto a Gabriel Mithá Ribeiro, uma pessoa de exceção, vale a pena lê-lo.
E se a boçalidade imperar no protetorado? No dia dos votos vamos ver.
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Muito obrigado.
Compreendo perfeitamente e aceito o que escreve.
A pergunta mantêm-se.
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Fado
Eu sei que compreendes, mas explica lá esta:
” Contribuição de 10 cêntimos nos sacos de plástico começa hoje ”
Se eu pagar continuo a poluir r o ambiente que se lixe, se não pagar temos de defender o Ambiente. Isto é democracia, não é????
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O que eu compreendo, e muito bem, é a sua técnica marxista.
Desviar a conversa.
Ma eu dou-lhe a aminha opinião sobre os sacos.
Primeiro quando eram de borla insista sempre com o/a caixa para utilizar o menos possível.
Na farmácia e sempre que possível nunca queria sacos de plásticos nenhuns.
Agora:
Com o preço a dez cêntimos milhares de pessoas vão descobrir que não precisam de sacos nenhuns, muito menos dos avulsos que levavam às dúzias para o lixo.
Isto é bom.
Qual é a na realidade a sua pergunta?
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A pergunta é simples.
Se eu comprar um saco polui-o mais ou menos se o saco fizer parte do conceito da venda como até aqui???
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Primeiro que tudo peço desculpa, escreve-se poluo.
Segundo a resposta já estava no meu comentário.
Vai poluir muito, mas mesmo muito menos.
Em vez dos vinte sacos de borla que levava, vai levar dois porque lhe custam dinheiro.
Está na natureza humana, o estragar, desde que seja de borla.
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Helena,
Sim e???…isso foi o que disse Gabriel Mithá Ribeiro, que acha por ter sido pobre os outros também tem de ser. E o que pensa a Helena???
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Antes de tudo, uma vénia a Gabriel M. Ribeiro,
Uma nota sobre o aspeto que considero mais relevante do seu texto – o papel que a escola pública teve na vida de GMR e o de hoje.
Deixando o politicamente correto de lado – tão querido à esquerda e seus fiéis seguidores nas redações – olhemos à realidade: a partir do momento (sobretudo desde o consulado Guterres) que se incutiu numa significativa franja da população, a ideia que o Estado estará sempre – e sublinho o sempre – presente para suprir qualquer uma das suas necessidades através de um subsídio ou apoio (habitação, saúde, alimentação, um curso no iefp, etc.), a Educação deixou de ser o instrumento de “ascensão social” que é suposto ser.
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2014/02/e-se-o-maior-inimigo-da-educacao-for-o.html
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Agradeço que, quando fizer link de certos artigos, ponha um letreiro: “Atenção! Este artigo pode causar vómitos a quem o ler”.
O autor continua pobre, mas ainda não percebeu. É que a pobreza de espírito não se sente no bolso.
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És do grupo da Raquel? És do grupo dos comunas que pensam que socialismo é toda a gente viver na abundância?
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Alguém que sai da pobreza com convicção tem a perspectiva certa sobre o tema… Estes são os que merecem ser ajudados. Sempre. Quer estejam pobres quer já tenham deixado de estar.
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– Ambrósio…
– Sim minha senhora
– Apetecia-me um lugar de comentadora na antena 1. Daqueles enrolados numa taxa da edp
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Uma “Carta aos Fariseus”.
Máximo respeito e consideração ao Autor.
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A escumalha de esquerda que passa a vida a falar dos pobres e da pobreza mas que nada faz para acabar com ela, não gosta nem dos pobres nem deste tipo de artigos, especialmente se forem escritos por quem viveu na pobreza, mas conseguiu de lá sair. Se acabassem os pobres tinham de acabar com o RSI. Depois falavam de quê?
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Estou surpreendido por nenhum socio-comuna ainda nao se ter atirado ao autor por ser “retornado”……
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O Miguel Madeira escreveu uma interessante resposta aqui:
http://ventosueste.blogspot.pt/2015/02/o-texto-de-gabriel-mitha-ribeiro.html
«No seu artigo Pobreza?, Gabriel Mithá Ribeiro expõe (apresentando a sua experiência pessoal) a posição de que a probeza deriva mais de hábitos e comportamentos do que de as pessoas serem vítimas “do sistema” ou algo assim (pelo menos, foi assim que interpretei o seu texto).
É uma hipotese defendida por muita gente (com a qual, como já perceberam pelo que têm lido neste blogue nos últimos 9 anos, eu não concordo), mas não deixa de ser uma hipótese respeitável, e que terá certamente a sua parte de verdade (creio que o nosso destino é em parte determinado pelas nossas atitudes, e em parte pelo sistema social em que estamos inseridos, e agora é uma questão de medir qual das duas componentes é predominante).
O que já me parece mais discutível é a arrogância moral de GMR, pondo em causa que pessoas que não tenham sido pobres possam falar sobre a pobreza e defender posições políticas e sociais usando a luta contra a pobreza como argumento.
Só para percebermos como isso é absurdo, imagine-se a seguinte situação – será que um não-judeu não pode criticar o anti-semitismo? Será que um homem não pode criticar a opressão das mulheres nas culturas muçulmanas? Será que um europeu não pode criticar a forma como os israelitas tratam os palestinianos ou, já agora, a forma como os palestinianos tratam os israelitas? Será que um heterossexual não pode defender a atribuição de certos direitos legais aos homossexuais? Um homem livre não pode ser um ativista anti-escravatura? Que eu saiba, defender causas que não beneficam diretamente (ou até podem prejudicar) a pessoa que se envolve nessas causas até era suposto ser uma coisa meritória… Além da contradição em que GMR cai, considerando que “a pobreza jamais deveria ser politicamente instrumentalizada” e, depois, instrumentalizando a sua própria pobreza para proclamar uma espécie de superioridade para falar sobre o assunto.
Alguém pode dizer que “uma coisa é defender, outra é instrumentalizar politicamente”, mas é a mesma coisa – é como aqueles verbos irregulares (“Eu tenho um espírito independente; tu és um excêntrico; ele é um lunático”): “Eu defendo o [grupo X]; ele instrumentaliza politicamente o [grupo X]”.
Noto ainda que GMR, como é de bom tom, critica o “politicamente correto” (há coisa mais “politicamente correta” do que dizer mal do “politicamente correto”?), mas faz o mesmo que muita gente critica no “politicamente correto” (pelo menos, nos EUA): considerar que só a opinião das pessoas que pertencem a certos grupos (mulheres, “minorias”, etc.) conta.
Já agora, vou relatar as minhas experiências de vida:
Nasci em Moçambique, na então Lourenço Marques, filho de uma professora primária, nascida em Paderne, e de um então electricista dos CTT (que estava a tirar o curso de engenheiro técnico), nascido em Loulé e crescido em Faro; a nossa família era mesmo daqueles que tinha negros que iam a casa servir (duas raparigas que acho que deviam ajudar a minha mãe em casa ou coisa assim – atenção que eu tinha um ano na altura, logo estou a falar de ouvir).
Quando da independência os meus pais regressaram ao Algarve, e o meu pai, depois de dar aulas um ano ou dois, voltou a arranjar emprego nos CTT, agora já como engenheiro técnico, em Portimão.
Tive uma vida confortável de classe média-alta, tendo boas notas na escola e beneficiando claramente de pertencer a uma família com muitos livros em casa; a prova que eu beneficiei disso – os meus professores diziam que eu tinha a mania de só fazer o que queria e que me apetecia e até que tinha um “comportamento de mim contra mim mesmo”; o facto de eu estudar pouco a matéria das aulas era compensado porque, como me fartava de ler os livros sobre animais e sobre história que os meus pais tinham em casa, tinha cultura geral suficiente para ter boas notas, ainda que sem o conhecimento detalhado necessário para ter mesmo notas muito altas (ou seja, se não tivesse esses livros em casa poderia ter sido uma desgraça na escola).
Muitos dos meus amigos de infância seriam possivelmente pobres ou, no máximo, classe média-baixa para os padrões portugueses, e alguns tiveram um percurso subsequente um pouco estranho, com insucesso escolar e mais tarde prisões ocasionais por posse de droga e coisas assim, mas, ao que sei, nenhum caiu naquela pobreza estilo RSI (quando tinha para aí 11 anos, um dos meus amigos – depois de ter reprovado no 1º ano do Ciclo teve esta conversa com a minha mãe: “Ele – Quero ser electricista; Ela – Mas não queres estudar mais?; Ele – quero estudar aquelas coisas que eu quero”; mas como posso eu criticá-lo por preferir aprender a mexer em equipamentos eléctricos do que a estudar a matéria do 1º ano do ciclo se eu também preferia ler “O ABC da Natureza” ou “A Guerra no Mundo desde 1945” a estudar a matéria do 2º ano do ciclo?)
Eu poderia vir com a conversa “a minha consciência social deriva de em criança ter brincado com miúdos desfavorecidos”; mas seria mentira – não me lembro de em momento algum ter tido algum pensamento do género “coitados dos meus amigos, que não têm muitas coisas que eu tenho”; o que eu pensava com essa idade era mais “o bairro deles é muito mais divertido que o meu”.
Por essa altura (11 anos), os meus pais ofereceram-me um ZX Spectrum 48K pelo Natal (parece um pormenor irrelevante, mas não é – esperem um pouco).
Na adolescência nunca trabalhei nas férias, algo na altura normal no Algarve mesmo para jovens de classe média.
Andei na universidade em Lisboa, com os meus pais a pagarem o aluguer da casa e mais uma mesada mensal.
Após a universidade, finalmente uma fase da minha vida em que passei uma espécie de dificuldade: demorei cerca de 4 anos a conseguir arranjar um trabalho a sério (até lá andei tirando formações profissionais – financiadas pelo Fundo Social Europeu – ou dando aulas naquele esquema de 3 horas por semana); não é muito fácil alguém que é um caso marcado de personalidade INTP conseguir arranjar emprego quando quase todas as vagas para economistas são na área comercial (de novo, a questão: o problema está no comportamento individual – a minha personalidade – ou na estrutura social – o tipo de empregos disponíveis?). De qualquer forma, os meus pais sustentaram-me sempre enquanto não arranjei emprego.
Quando finalmente arranjei um emprego, a minha principal mais-valia foi sobretudo o saber programar computadores (nomeadamente fazer macros em VBA no Excel); ora, eu aprendi a programar… com o tal ZX Spectrum que os meus pais compraram (ou seja, se eles não tivessem comprado esse computador, hoje em dia eu provavelmente não teria emprego).
Concluindo – eu só sou o que sou atualmente graças aos privilégios que gozei durante os meus anos formativos.
Num mundo em que as discussões se regessem pela razão e pela lógica, isso seria um argumento que daria força às minhas posições esquerdistas: eu sou a prova viva de que a nossa posição social de origem pode contribuir decisivamente para o nosso percurso ao longo da vida.
Já num mundo em que as discussões se rejam por truques emocionais e argumentos ad hominen, é capaz de ter o efeito oposto (“Como é que este comedor de caviar pode vir falar de injustiças sociais quando ele sempre pertenceu às classes favorecidas? Hipócrita!!”).»
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Alexandre Carvalho da Silveira: até é capaz de ter razão quanto à subsídio-dependência. Mas serão só eles? os nossos agricultores – os alentejanos então – que mamam da PAC não são subsídio-dependentes? Já foi ao site inglês onde lá estão os nomes? já viu os valores? e os da pesca? e os da formação profissional? risco, risco, sim mas com o pilim de Bruxelas nas unhas.
E a santa madre igreja? a tal que alguns chamam de santa e prostituta, com a economia social. Nunca vi ninguém esgadanhar tanto na miséria alheia como eles. Alguém escrevia que com sete euros e meio se come numa tasca; que o estado dá dois euros e meio por refeição num desses lugarejos do padre de fátima; que o esfomeaddo ainda dá um euro de seu. Com isto vão três euros e meio. Só que o da tasca tem que pagar IRC e tem de comprar os produtos, enquanto na economia social nem iva ou perto disso e compras feitas é no no dispensário de Madame Jonet. Quanto sobra? uns tostões, sem dúvida, coisa de miséria. Só que esses tostões são ouro para a prostituta. É com eles, grão a grão, que tem enchido o papo. O padre de fátima, que ladrava que se fartava contra sócrates por lhe cortar na côngrua, de repente calou-se. Só se ouve a voz do homem da Caritas, por sinal dizem-me pessoa das melhores qualidades humanas. E não veja no que digo qualquer juízo sobre sócrates; apenas que aquele padre ladrou tanto e agora está tão calado.
Repito: provavelmente têm razão quando dizem que ao ficarem dependentes não ganham asas para saírem do buraco onde estão, Mas quem assim fala esquece-se de toda a restante passarada que por aí anda de pança cheia; cheia do milho do OGE. Só que fica mal falar disso, não fica bem, são os nossos empreendedores. Talvez João César das Neves tenha razão: pôr à porta de cada fábrica, de cada loja, nas facturas, uma pequena nota a dizer: subsidiado pelo Estado. Sempre queria ver quantos davam. Posso dizer-lhe que fiz as contas para o meu concelho: entre subsidiados, velhos, funcionários públicos, são meia dúzia os que dão o seu. E nem contei com o milho do IAPMEI e outros que tais.
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