Os gregos que ajudem a Grécia
O PIB per capita da Grécia é aproximadamente igual ao PIB de Portugal. Quanto a mim, esta é razão suficiente para Portugal não ajudar a Grécia. A Grécia tem os mesmos recursos per capita de Portugal e se nós nos sabemos organizar com esse dinheiro os gregos também têm que se saber organizar. O Pedro Romano defende que o que conta não é o PIB per capita mas o sentimento de perda que os gregos têm por terem perdido rendimento per capita. Devo dizer que esse argumento não me impressiona. Não estou disposto a ajudar os gregos só porque eles agora ganham o mesmo que eu e se sentem mal porque em tempos ganharam mais do que eu. Não me convence a mim nem deverá convencer ninguém. Se não acreditam façam um peditório para ajudar a Grécia com base neste argumento. Vamos ver quem contribui.
O Pedro Romano alega ainda que o desemprego na Grécia é elevado e que as perdas para os desempregados foram colossais. É bem verdade. Mas isso também quer dizer que, dado que o PIB per capita é igual ao português, quem tem emprego na Grécia ainda tem um rendimento superior a quem tem emprego em Portugal. Quer-me parecer que quem deve ajudar os desempregados gregos são, em primeiro lugar, os empregados gregos. Socialismo funciona melhor se cada um pagar o seu socialismo, Aliás, não vejo por que motivo haveríamos de ser sensíveis ao desemprego na Grécia quando o programa do Syriza, votado pelos gregos, prevê o aumento do salário mínimo e o reforço das regras da contratação colectiva, medidas que só podem criar desemprego.
O que nos leva a outro ponto do Pedro Romano: a Grécia terá feito reformas significativas. Dando de barato que as tenha feito, todo o programa do Syriza consiste em reverter essas reformas. Ou seja, por muito boa vontade que a Europa tenha em ajudar a Grécia, é impossível fazê-lo se os gregos não querem ajudar-se a si próprios.

Parabéns pela coragem em fazer uma análise fria e realista indo contra todos os que querem ser Syriza apenas para ser do contra.
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O Pedro Romano deveria comparar os indicadores gregos com os checos.
Se a Grécia voltasse a um salário mínimo de ~750 euros, ficaria com um SM que seria aproximadamente o dobro do SM checo. Contudo, o PIB per capita checo é idêntico ao grego…
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Tal como sucede em tantas ocasiões, cada cabeça cada sentença, e todas elas estão correctas. Não vale a pena contra argumentar, pois nada se altera.
O importante, tanto para a Grécia como para Portugal, é identificar quem foram os responsáveis da dívida que nos oprime, quem assinou os papeis, e quem lucrou pessoalmente.
O povo, nada soberano, seguiu o caminho que lhe davam aberto. Se consumiu a crédito foi porque havia entidades desejosas de conceder crédito, porque daí tiravam lucros que supunham estarem isentos de perigo. Atribuir culpa a gregos anónimos, ou aos seus equivalentes portugueses é uma extensão errada, que é desejada pelos mesmos que não tomaram a responsabilidade e entregam as dificuldades aos que nada fizeram, a não ser, não terem previsto o temporal que era inevitável que chegasse.
Tristemente inclusive aqueles que não inflacionaram a sua vida recorrendo a todo tipo de crédito, também são procurados para pagar a sua inocência.
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“O importante, tanto para a Grécia como para Portugal, é identificar quem foram os responsáveis da dívida que nos oprime, quem assinou os papeis, e quem lucrou pessoalmente.”
Tem toda a razão. Quando o Titanic se estava a afundar, a tripulação devia ter-se concentrado em identificar o responsável por o navio ter chocado contra o iceberg em vez de ajudar os passageiros a irem para os salva-vidas.
Mais, não deviam ter deixado ninguém sair do navio (enquanto este afundava) sem terem a certeza absoluta (com sentença transitada em julgado) de quem era o responsável para este ser obrigado a garantir que havia o número necessário de botes salva-vidas para salvar todos.
O que escreveu é de uma estúpidez tão atroz que nem vale a pena responder a mais nada.
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Não compreendo porquê tanta hesitação em resolver de uma vez por todas o problema da Grécia!
A Grécia, particularmente após a eleição do Syriza, não tem outra solução senão sair rapidamente do euro.
Os responsáveis Europeus, ao protelar e negociar o sexo dos anjos, adiam o inevitável e correm o risco que a situação se agrave e propague a outros países.
Face à derrocada eminente da Europa, urge colocar em Bruxelas políticos minimamente competentes e corajosos.
Se queremos que a Europa tenha futuro, não podemos ser governados por tachistas e arrivistas incompetentes como a Dra Ana Gomes, que confundem interesses pessoais com interesses Nacionais e Europeus.
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Não foram os socialistas gregos -PASOK- que os levaram para a banca rota?
Tenho para mim que a ajuda não é com esmolas. Quantas mais esmolas eles receberem maior vai ser a pobreza e a indigência.
Os gregos têm que se mentalizar que o caminho é o trabalho, a organização e a responsabilização. Só assim se podem tornar independentes.
Alimentar vícios com o dinheiro dos outros é parasitismo
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Grécia pode pedir extensão do financiamento. Mas do resgate não
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/grecia-pode-pedir-extensao-do-financiamento-mas-do-resgate-nao=f911273#ixzz3S6CPyJgO
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” e se nós nos sabemos organizar ”
JoãoMiranda,
Nós não nos sabemos organizar, nós sabemos ROUBAR o que é significativamente diferente e pior ainda, roubar a quem menos tem, os cortes nos abonos de familia são disso exemplo. Mas depois…a nataliade foisse…
Ontem vi dois casais com idades na ordem dos 30 e pouco anos, Alemães ,sabe quanto filhos tinham cada um??? Em Portugal eram completamente IMPOSSIVEL. Um casal tinha 4 filhos, o outro trinha 5 e do pouco portugues que sabiam e perante a minha cara de parvo, disseram que não queriam ficar por ali. ROUBAR é diferente de ORGANIZAR.
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Pedro Romano colocou em causa alguns mitos e lugares comuns sobre a Grécia que se têm espalhado pelos media e, naturalmente, JM não gostou.
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JMiranda ainda vai fazer um segundo post sobre o mito desfeito por Romano, a saber:
“A recessão grega foi enorme porque a Grécia não cumpriu o Memorando de Entendimento, ao contrário de Portugal e Irlanda. “
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João, acho que aqui pôs a carroça à frente dos bois.
A ideia do post não é defender a posição do Syriza. Aliás, escrevo logo no primeiro parágrafo que “há alguns bons argumentos para defender uma posição musculada do Eurogrupo”.
A ideia do post é apenas desmontar a ideia de que um PIBpc igual ao português não é um problema. Não é um problema se for um facto da vida; mas é um problema se for muito mais baixo do que aquilo que poderia ser numa situação normal. Saber como é que se resolve o problema sem que a solução seja um jogo de soma nula é uma questão posterior (mas não é problema tão insolúvel quanto dá a entender, bem pelo contrário).
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